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title: Causas das Guerras Civis Inglesas
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1939/causas-das-guerras-civis-inglesas/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-19
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# Causas das Guerras Civis Inglesas

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

As [Guerras Civis Inglesas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19794/guerras-civis-inglesas/) (1642-1651) foram causadas por um confronto monumental de ideias entre o Rei Carlos I de Inglaterra (que reinou de 1625 a 1649) e o seu parlamento: disputas sobre os poderes da monarquia; finanças; questões de práticas religiosas e tolerância; bem como o choque entre líderes de personalidades vincadas — que acreditavam apaixonadamente na sua própria causa, mas demonstravam pouca empatia por qualquer outro ponto de vista, contribuíram para o conflito que durou uma década. Este período assistiu a mais de 600 batalhas e cercos, milhares de mortes, a execução de Carlos, a abolição da monarquia e a proclamação de Inglaterra como república.

[ ![Pre-Civil War British Crown Jewels](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15225.png?v=1782128169) Jóias da Coroa Britânica do Período Pré-Guerra Civil Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15225/pre-civil-war-british-crown-jewels/ "Pre-Civil War British Crown Jewels")### As Três Guerras Civis

O conflito entre os Realistas (conhecidos como *Cavaliers*) e os Parlamentaristas (conhecidos como *Roundheads*), que abalou a Grã-Bretanha, é habitualmente dividido em três partes distintas:

- Primeira Guerra Civil Inglesa (1642–1646)
- Segunda Guerra Civil Inglesa (fevereiro–agosto de 1648)
- Terceira Guerra Civil Inglesa ou Guerra Anglo-Escocesa (1650–1651)

As causas destes três conflitos — por vezes designados coletivamente como as Guerras dos Três Reinos (Inglaterra, Escócia e Irlanda) — foram essencialmente as mesmas, com a exceção de que, após a execução de Carlos I em 1649, a figura de proa dos Realistas durante a Terceira Guerra Civil passou a ser o seu filho, Carlos II da Escócia.

Os historiadores não são unânimes quanto às causas precisas das Guerras Civis; por isso, apresenta-se de seguida um resumo dos vários pontos de vista, sem atribuir maior relevância a um em detrimento de outro.

### Uma Multiplicidade de Causas

As causas principais das Guerras Civis Inglesas podem ser resumidas da seguinte forma:

- A convicção inabalável de Carlos I no direito divino dos reis para governar.
- O desejo do Parlamento de limitar os poderes do rei.
- A necessidade de Carlos I de obter dinheiro para financiar a sua corte e as suas guerras.
- Diferenças religiosas entre o monarca, o Parlamento, os Covenanters escoceses e os católicos irlandeses.
- As personalidades dos líderes-chave de ambos os lados, que não permitiam qualquer compromisso.
- Um aumento no número e no poder económico da nova pequena nobreza (*gentry*), que procurava agora uma mudança política.
- A crença de que o rei era um belicista perverso e que precisava de ser destituído.

[ ![James I of England by Mytens](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/13880.png?v=1732239432-1663316893) Jaime I da Inglaterra por Mytens Daniel Mytens (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/13880/james-i-of-england-by-mytens/ "James I of England by Mytens")### O Direito Divino dos Reis

Carlos assemelhava-se bastante ao seu pai, Jaime I de Inglaterra (que reinou de 1603 a 1625), na medida em que nutria uma convicção inabalável no seu direito divino a governar. Acreditava que esse direito lhe fora conferido por [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) e, como tal, nenhum homem — fosse ele político ou militar — deveria questionar o seu reinado. O rei inglês afirmou certa vez: "Os Parlamentos estão inteiramente ao meu dispor... Consoante eu considere os seus frutos bons ou maus, continuarão ou deixarão de existir" (McDowall, pág. 88). Esta crença nunca foi abalada ao longo das guerras, como se pôde observar em 1649, quando recusou reconhecer a autoridade daqueles que o levaram a julgamento por traição:

> Gostaria de saber por que poder sou aqui chamado... Gostaria de saber por que autoridade, refiro-me a autoridade legal... Lembrem-se, eu sou o vosso rei, o vosso rei legítimo... um rei não pode ser julgado por nenhuma jurisdição superior na Terra.
> (Ralph Lewis, pág. 160)

A personalidade de Carlos teve um papel determinante na crise. De carácter algo tímido e com falta de confiança, fruto de uma infância passada longe das luzes da ribalta — visto que o seu irmão mais velho estava a ser preparado para a coroa, Carlos foi subitamente lançado para o centro da política quando Henrique, Príncipe de Gales, faleceu de febre aos 18 anos. Nunca confiando plenamente naqueles que o rodeavam, inflexível, repetidamente indisposto a fazer concessões e pouco recetivo a críticas, Carlos foi, talvez, levado a tomar certas decisões em que ele próprio não acreditava inteiramente ou que eram, na melhor das hipóteses, ingénuas pela sua ignorância face a perspetivas opostas e mais modernas. O rei é também acusado de não ter tido consciência das diferentes identidades sociais, económicas e religiosas dentro dos seus próprios reinos, particularmente no que diz respeito à Escócia, ao País de Gales e à Irlanda, mas também em partes de Inglaterra, onde existiam diferenças entre regiões e entre comunidades rurais e urbanas. Em abono da verdade, críticas semelhantes poderiam ser feitas aos seus opositores, com parlamentares intransigentes como John Pym (1583–1643) e [Oliver Cromwell](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19697/oliver-cromwell/) (1599–1658), que estavam profundamente convencidos de que Deus estava do lado deles e não do lado do rei.

Existe também o argumento de que Carlos herdou uma situação difícil, sendo o seu pai o primeiro monarca Stuart depois dos Tudor. O reino era, apenas de nome, unido. Tinham ocorrido reformas religiosas turbulentas que remontavam a [Henrique VIII de Inglaterra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18637/henrique-viii-de-inglaterra/) (que reinou de 1509 a 1547), e as consequências destas ainda se faziam sentir. As tensões entre o monarca e o Parlamento também não eram novas, e o sistema antiquado das finanças do Estado não ajudava a suavizar a relação. Admitindo que a situação não era fácil, alguns historiadores acusariam Carlos de a ter agravado consideravelmente, transformando meros problemas potenciais em problemas muito reais (Gaunt, pág. 18).

[ ![Charles I on Horseback by Anthony Van Dyck](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/13984.png?v=1708991286) Carlos I a Cavalo, por Anthony Van Dyck Google Cultural Institute (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/13984/charles-i-on-horseback-by-anthony-van-dyck/ "Charles I on Horseback by Anthony Van Dyck")A posição do rei enquanto monarca absoluto, na mente do próprio Carlos, deveria ter sido seriamente desafiada por eventos como a Petição de Direitos de 1628, na qual o Parlamento exigiu que o rei cessasse as tentativas de angariar fundos fora daquela instituição. Outras exigências incluíam o fim da prisão sem julgamento e a aplicação da lei marcial contra civis. Precisando desesperadamente de dinheiro para a sua guerra contra a França, o rei viu-se obrigado a aceder às exigências, mas isso não alterou, de modo algum, a sua opinião sobre o seu estatuto de monarca, que não tinha necessidade de consultar ninguém sobre como governar o seu reino.

### As Disputas Financeiras

Tradicionalmente, a monarquia requeria que o Parlamento se reunisse e aprovasse os pedidos reais de verbas, o que implicava, tipicamente, que os membros do Parlamento decidissem os orçamentos e aumentassem os impostos. Carlos cansou-se da obstinação do Parlamento e da sua insistência em que as despesas fossem justificadas e contidas. O rei convocou e dissolveu repetidamente o Parlamento, mas, eventualmente, farto desta situação, decidiu governar sozinho. O Parlamento não foi convocado entre 1629 e 1640, um período frequentemente chamado de "Governo Pessoal" (*Personal Rule*) do rei. Esta estratégia funcionou razoavelmente bem até que, em 1639, o monarca precisou desesperadamente de fundos para pagar as suas campanhas contra um exército escocês, que ocupara o norte de Inglaterra, e contra uma grave rebelião na Irlanda, ambos os conflitos alimentados por diferenças religiosas e pelas políticas autoritárias do rei.

Os esforços de Carlos para angariar dinheiro durante o seu "Governo Pessoal" tiveram um sucesso limitado. Pediu empréstimos a banqueiros, extraiu novos direitos aduaneiros, impôs empréstimos forçados aos mais abastados, vendeu monopólios e alargou a cobrança e a aplicação do Ship Money (originalmente imposto apenas a comunidades costeiras para ajudar a financiar a marinha). Impôs também multas baseadas em leis florestais arcaicas e aumentou as coimas aplicadas pelos tribunais. Muitas destas medidas foram profundamente impopulares entre as classes mercantis e a pequena nobreza local (*gentry*), que eram agora mais numerosas do que nunca. Estes homens ambicionavam um papel político que correspondesse à sua importância na economia e não estavam dispostos a financiar os caprichos de um monarca que provocava o que eles viam como guerras desnecessárias e que apoiava uma aristocracia feudal em declínio e obsoleta. Não ajudou o facto de Carlos ter gasto faustosamente em novos palácios e coleções de arte. O Parlamento, sabendo que o rei não tinha outro lugar onde obter mais dinheiro, podia agora forçar Carlos a implementar reformas políticas e a fazer concessões.

[ ![Attempted Arrest of Five MPs by Charles I](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/13998.png?v=1730913725) Tentativas de prisão dos cinco Membros do Parlamento por Carlos I Charles West Cope (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/13998/attempted-arrest-of-five-mps-by-charles-i/ "Attempted Arrest of Five MPs by Charles I")Carlos convocou o que ficou conhecido como o "Parlamento Curto" na primavera de 1640 para ajudar a levantar um exército, mas a iniciativa fracassou após três semanas frustrantes de discussão. Como resultado, o rei apenas conseguiu reunir uma milícia fraca contra os escoceses nas chamadas "Guerras dos Bispos" (1639-1640). Estas guerras terminaram com Carlos a fazer concessões à Escócia no Tratado de Ripon, em outubro de 1640. À Escócia foi permitida a sua liberdade religiosa e aos líderes em campo foi prometida uma quantia avultada em dinheiro para deporem as armas. O rei enfrentava, então, o problema prático de saber exatamente onde obter esse dinheiro sem o Parlamento.

Sem grande alternativa, outro Parlamento foi convocado em novembro de 1640, iniciando-se um período conhecido como a "Crise da Monarquia". Os parlamentares aproveitaram a oportunidade com o "Parlamento Longo", como ficou conhecido, para garantir a sua sobrevivência futura. O dinheiro seria angariado para pagar aos escoceses, mas apenas sob a condição de serem aprovadas leis que estipulavam que o parlamento teria de ser convocado pelo menos uma vez a cada três anos, que não poderia ser dissolvido apenas pela vontade do monarca, que os ministros reais teriam de ser aprovados pelo Parlamento e que o Ship Money fosse tornado ilegal. O rei concordou, mas depois ignorou levianamente as suas promessas.

Uma das decisões do Parlamento que particularmente marcou Carlos e azedou as relações mais do que nunca foi o julgamento por traição e a execução do seu conselheiro mais próximo, Thomas Wentworth, Conde de Strafford (1593-1641), em maio de 1641. Strafford tinha sido acusado de se preparar para trazer um exército irlandês para Inglaterra para ajudar o rei, algo para o qual não existiam muitas provas. Mais significativo, talvez, fosse o receio do Parlamento quanto ao que o talentoso e implacável Strafford planeava, no futuro, contra eles. No que dizia respeito a Carlos, o Parlamento tinha derramado o primeiro sangue.

Em outubro de 1641, o rei precisava de dinheiro para mais um exército quando eclodiu uma rebelião contra o domínio inglês (alguns diriam tirania) na Irlanda, alimentada por ressentimentos devido às confiscações massivas de terras pelos ingleses e à contratação exclusiva de imigrantes ingleses e escoceses em muitas das grandes propriedades. O Ulster foi um campo de batalha particularmente sangrento enquanto Carlos e o Parlamento inglês discutiam sobre a formação de um exército necessário para reprimir a rebelião. O Parlamento estava particularmente ansioso para que o rei usasse tal força na Irlanda e não contra si próprio. Estes receios talvez não fossem infundados, e a tentativa do rei de prender cinco membros do Parlamento em janeiro de 1642 dificilmente incutiu confiança. O grupo, que incluía John Pym, tinha redigido a *Grand Remonstrance* (Grande Reprovação), que enumerava os abusos de poder do rei e que foi aprovada pelo Parlamento em novembro de 1641. A Reprovação foi então tornada pública. Em retaliação pelas detenções, os parlamentares trancaram as portas de Londres, impedindo Carlos de entrar na sua própria capital. Contudo, o rei sentiu-se encorajado pela clara falta de unidade no Parlamento, uma vez que a Reprovação só tinha sido aceite por 159 votos contra 148. Alguns parlamentares acreditavam que os poderes do rei estavam a ser injustamente infringidos (por exemplo, o facto de não poder escolher os seus próprios conselheiros ou chefes militares), enquanto os membros mais radicais estavam interessados em limitar ainda mais esses poderes. Uma solução militar para o impasse poderia ser, agora, a melhor tática de Carlos. O rei mudou-se de Hampton Court para Iorque e, depois, para Nottingham em agosto de 1642, onde foi formado um exército real.

### As Diferenças Religiosas

Como vimos, os múltiplos fios de discórdia que causaram as Guerras Civis Inglesas estavam entrelaçados num complexo nó político, religioso e militar. Carlos criou frequentemente novos inimigos devido às suas políticas religiosas. Em 1627, Carlos começou a promover os arminianos, um ramo da Igreja Anglicana que enfatizava o ritual, os sacramentos e o clero, e não o estilo de pregação observado noutros ramos mais próximos do calvinismo. Alguns viram este movimento como uma mudança perigosa de regresso ao catolicismo, um sinal de uma conspiração papista secreta para reverter a [Reforma Inglesa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18916/reforma-inglesa/), uma ideia que foi amplamente difundida no século XVII pelo boca a boca e pela imprensa, acrescentando combustível fictício a uma fogueira de teorias da conspiração que remontava à única conspiração real: a [Conspiração da Pólvora](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19742/conspiracao-da-polvora/) para fazer explodir o Rei e o Parlamento em 1605.

[ ![Mapa das Religiões Dominantes na Europa Século XVI](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14972-pt.png?v=1764947129-1766174410) Mapa das Religiões na Europa no Século XVI Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-14972/mapa-das-religioes-dominantes-na-europa-seculo-xvi/ "Mapa das Religiões Dominantes na Europa Século XVI")Na realidade, Carlos não era católico, mas sim um anglicano da Alta Igreja; ou seja, nutria certas afinidades por aspetos da Igreja Cristã como a cerimónia, a elevação do clero e dos bispos, e aquilo que ele considerava ser a beleza e a ordem proporcionadas por certas decorações no próprio edifício da igreja. Para muitos, contudo, era difícil distinguir isto das práticas "papistas" e da doutrina católica romana. Havia, também, preocupações mais concretas sobre o aparente apoio dos arminianos a uma monarquia absoluta.

Em 1633, o rei nomeou William Laud (1573-1645), um arminiano, como Arcebispo da Cantuária, chefe da Igreja de Inglaterra. Laud era detestado pelos puritanos, que permaneciam como uma camada rica e poderosa da sociedade inglesa e que tinham uma forte presença no Parlamento. Muitos parlamentares e oficiais do exército eram independentes ou congregacionalistas, o que significava que desejavam menos poder nas mãos dos bispos e uma maior inclusão na Igreja. Muitos pretendiam uma maior liberdade para as congregações "independentes" que se reuniam de acordo com a consciência individual dos crentes e a sua própria interpretação da [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/). Laud indignou os puritanos quando reintroduziu o que era amplamente visto como práticas católicas na mais austera Igreja Anglicana. Estas incluíam a decoração das igrejas, a colocação de grades em torno do altar ou da mesa da comunhão para restringir o acesso apenas ao clero, e o incentivo à música. Laud proibiu a pregação em qualquer dia que não fosse domingo e substituiu-a pelo Catecismo. Proibiu também as palestras semanais que os puritanos tanto valorizavam. Na perspetiva de Laud e do rei, estas mudanças religiosas eram ligeiras e destinavam-se a enfatizar o ritual e a ordem, mas para os puritanos, isto constituía um ataque direto às conquistas da Reforma. Sem meios reais para protestar ou obstruir estas medidas, e face a punições e multas pelo não cumprimento, muitos puritanos decidiram emigrar e procurar maior liberdade religiosa na América do Norte ou nos Países Baixos.

Carlos também perturbou a *Kirk* (Igreja) escocesa e os seus líderes presbiterianos ao tentar instalar bispos naquele território. A introdução de um novo livro de orações em 1637 foi feita sem sequer consultar a *Kirk*. Os presbiterianos (puritanos moderados que acreditavam numa hierarquia eclesiástica) preferiam, em muito, manter o seu sistema em que cada congregação era liderada por um ministro que, por sua vez, respondia perante o Sínodo, um conselho de supervisão eleito de presbíteros. Além disso, os escoceses acreditavam que Carlos não tinha o direito de impor nada à Igreja escocesa, um ponto pelo qual muitos estavam dispostos a lutar.

[ ![Eikon Basilike Frontispiece](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15224.png?v=1701263224) Frontispício da Eikon Basilike William Marshall (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15224/eikon-basilike-frontispiece/ "Eikon Basilike Frontispiece")Longe de serem apenas um problema de debate eclesiástico, estas questões transbordaram para o campo de batalha nas Guerras dos Bispos, mencionadas anteriormente. A Igreja Presbiteriana Escocesa estava determinada a defender a sua independência e, por isso, tornou-se uma aliada ativa dos Parlamentaristas nas Guerras Civis Inglesas, antes de mudar de lado para apoiar os Realistas quando o Parlamento passou a ser considerado a maior ameaça. Os escoceses que procuraram uma aliança com a Inglaterra eram conhecidos como Covenanters, devido ao acordo conhecido como *National Covenant* (Aliança Nacional) de fevereiro de 1638. Aqueles que assinaram o acordo juraram defender a Igreja Presbiteriana, até mesmo por meios militares, se necessário.

### A Guerra

Em Inglaterra, entretanto, a situação entre o Rei e o Parlamento tinha-se agravado consideravelmente. Em 1642, ambos os lados acumulavam armas, fortificavam as cidades que controlavam e preparavam-se para a guerra. A primeira grande batalha ocorreu em Edgehill, em outubro. O resultado foi inconclusivo, como viria a acontecer em muitas das batalhas que se seguiram. Embora seja frequentemente vista como uma guerra que não envolveu um grande número de civis, estima-se que pelo menos um em cada quatro homens adultos britânicos tenha combatido em algum momento, um em cada dez habitantes nas zonas urbanas tenha perdido a sua casa, e a grande maioria da população tenha tido de suportar pesados impostos, mesmo que eles próprios tivessem evitado o combate propriamente dito.

À medida que a Guerra Civil avançava, surgiram novos motivos para os apoiantes de ambos os lados. A política de Carlos na Irlanda alienou ainda mais o rei de muitos dos seus súbditos ingleses. O rei tinha feito um acordo com os rebeldes irlandeses para que tropas católicas irlandesas pudessem reforçar o seu exército. Na realidade, isto nunca aconteceu, uma vez que a maioria das tropas vindas da Irlanda eram soldados ingleses de Carlos, agora libertados das funções de policiamento naquele território, e mesmo estes eram em pequeno número. O episódio levantou a séria questão quanto à lealdade de Carlos à Igreja Anglicana.

[ ![The Execution of Charles I](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13995.png?v=1764843993) A Execução de Carlos I Jan Weesop (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/13995/the-execution-of-charles-i/ "The Execution of Charles I")Cada vez mais pessoas passaram a ver o rei como um déspota e um provocador de guerras obstinado, que já não tinha os interesses do seu povo como prioridade. A captura do gabinete de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) pessoal do rei na Batalha de Naseby, em 1645, revelou que o monarca nunca teve qualquer intenção de chegar a um compromisso com o Parlamento. Para muitos, já não poderia haver uma resolução pacífica para o conflito. Isto tornou-se particularmente evidente após a Segunda Guerra Civil e a invasão da Inglaterra por um exército escocês. O rei, mesmo no seu exílio autoimposto na Ilha de Wight, passou a ser visto como um "homem de sangue", um termo bíblico para um governante que fazia guerra contra o seu próprio povo. No seu tratado com os escoceses, conhecido como o *Engagement* (Compromisso) de dezembro de 1647, tinha inclusive prometido favorecer a Igreja Presbiteriana em Inglaterra, dissolver o exército inglês e confiar apenas num exército escocês, além de reprimir grupos religiosos radicais. Foi a gota de água.

Com mais dinheiro e um exército mais profissional, os Parlamentaristas voltaram a sair vitoriosos na Batalha de Preston, em 1648. Carlos I foi julgado e considerado culpado de traição contra o seu próprio povo e governo. O rei foi executado a 30 de janeiro de 1649. A monarquia e a Câmara dos Lordes foram abolidas, e a Igreja Anglicana foi reformada. A Escócia permaneceu leal à coroa, e o filho mais velho de Carlos, Carlos, era, por direito de nascimento, o seu rei. Contudo, um exército escocês foi novamente derrotado por um inglês na chamada Terceira Guerra Civil Inglesa, e o pretendente Carlos II viu-se obrigado a fugir para França.

Oliver Cromwell (1599-1658) governou a república Commonwealth como Lorde Protetor. Quando Cromwell morreu, o seu sucessor escolhido, o seu filho Richard Cromwell, não obteve apoio por muito tempo e, por isso, para evitar outra guerra civil, ocorreu a Restauração da Monarquia em 1660. Carlos regressou de França para se tornar Carlos II de Inglaterra (reinou de 1660 a 1685), mas teve agora de governar a par de um Parlamento muito mais poderoso.

#### Editorial Review

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## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

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### APA
Cartwright, M. (2026, July 19). Causas das Guerras Civis Inglesas. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1939/causas-das-guerras-civis-inglesas/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Causas das Guerras Civis Inglesas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 19, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1939/causas-das-guerras-civis-inglesas/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Causas das Guerras Civis Inglesas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 19 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1939/causas-das-guerras-civis-inglesas/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 19 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

