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title: Portos de Tesouro da Terra Firme Espanhola
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1867/portos-de-tesouro-da-terra-firme-espanhola/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-30
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# Portos de Tesouro da Terra Firme Espanhola

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os portos de tesouro das Caraíbas espanholas, tais como Cartagena, Portobelo, o Panamá e Veracruz, eram utilizados para reunir as riquezas que o [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Espanhol extraíra das Américas, preparando-as para o transporte nas duas frotas anuais de tesouro de regresso à [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/). As enormes quantidades de ouro, prata e outros bens preciosos envolvidos tornaram estes portos em alvos tentadores para potências estrangeiras e corsários como [Francis Drake](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19017/francis-drake/) (cerca de 1540–1596) e [Henry Morgan](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20139/henry-morgan/) (cerca de 1635–1688). A Coroa Espanhola investiu pesadamente em fortificações defensivas, tornando portos como Havana e San Juan de Ulúa alvos formidáveis, mesmo para grandes frotas de embarcações de guerra rivais.

[ ![British Attack on Portobelo, 1739](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14749.png?v=1765481165) Ataque Britânico a Portobelo, 1739 Samuel Scott (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14749/british-attack-on-portobelo-1739/ "British Attack on Portobelo, 1739")### As Riquezas do Império Espanhol

Durante a primeira metade do século XVI, os espanhóis conquistaram povos como os Astecas, no México, e os Incas, na América do Sul, despojando estas culturas de tudo o que era valioso, nomeadamente ao fundirem objetos de ouro e prata. Quantidades massivas de prata foram também extraídas de minas que os espanhóis passaram a controlar. Esta prata em bruto era frequentemente cunhada em pesos ou "peças de oito", uma moeda que se tornou a moeda internacional de facto das Américas. Além disso, existiam os galeões de Manila, que transportavam bens preciosos do Oriente, como seda e especiarias, das Filipinas até Acapulco, no México. Navios de tesouro transportavam então quantidades imensas deste espólio em viagens anuais a partir do México e da América Central, atravessando o Atlântico rumo a Espanha.

Até 1600, tinham sido transportadas para Espanha 25 000 toneladas de prata só por si. As quantidades de espólio diminuíram a partir da década de 1620, mas, ainda assim, os comboios de navios de tesouro continuaram até à década de 1730, com uma pequena frota a operar apenas a partir do México entre 1754 e 1789. No seu auge, uma frota de tesouro podia consistir em até 90 navios mercantes e pelo menos oito navios de guerra.

Os corsários pioneiros, como os navegadores elisabetanos a quem os espanhóis chamavam depreciativamente "cães do mar", conseguiram capturar alguns navios de tesouro antes de Espanha os dotar de melhor armamento. As frotas navais inglesas e holandesas também capturaram ocasionalmente navios de tesouro em alto-mar durante os séculos XVI e XVII, mas, de um modo geral, constituíam um alvo demasiado poderoso para os piratas e corsários posteriores, como os bucaneiros. De facto, as tempestades e os recifes causaram muito mais estragos nas frotas de tesouro do que os navios inimigos. Os galeões espanhóis, repletos de canhões, viajavam em comboios desde 1555 (uma ideia instigada pelo Capitão-General Pedro Menéndez de Avilés) e eram adicionalmente protegidos por uma força-tarefa específica, a *Armada de la Guarda de la Carrera de las Indias*. Esta frota, composta por 6 a 16 galeões e patachos de guerra, foi criada em 1521 para patrulhar as águas entre o troço final da rota, dos Açores até Espanha. A partir da década de 1540, a força-tarefa passou a acompanhar os galeões durante todo o percurso, desde as Caraíbas até à [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/).

[ ![Mapa da Costa Firme e dos Refúgios de Piratas nas Caraíbas, cerca de 1670](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14550-pt.png?v=1778226860-1778226905) Mapa da Costa Firme Espanhola e os Refúgios de Piratas das Caraíbas cerca de 1670 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-14550/mapa-da-costa-firme-e-dos-refugios-de-piratas-nas/ "Mapa da Costa Firme e dos Refúgios de Piratas nas Caraíbas, cerca de 1670")Perante estas dificuldades, as outras marinhas europeias, corsários e piratas não visavam as poderosas frotas de tesouro, mas sim os depósitos onde as riquezas eram acumuladas antes de serem carregadas a bordo dos galeões: os portos de tesouro americanos. Depósitos como Cartagena, Panamá e Portobelo eram persistentemente visados por grandes forças anfíbias de bucaneiros multinacionais que eram patrocinados – oficial ou oficiosamente – por autoridades coloniais, como a Jamaica britânica e a Hispaniola francesa. A partir da década de 1560, os espanhóis responderam a estes ataques construindo fortificações maiores e melhores, com guarnições correspondentemente reforçadas. Ao longo dos dois séculos seguintes, no entanto, os espanhóis viram-se obrigados a defender continuamente o seu império em declínio contra grandes frotas navais britânicas, holandesas e francesas, que navegavam agora a partir de bases nas Caraíbas. O Novo Mundo tinha-se tornado um teatro de guerra tão terrível como o continente europeu o fora durante dois milénios.

### Cartagena

Cartagena, no que é hoje a Colômbia, funcionava como um ponto de recolha de ouro, prata, esmeraldas e pérolas provenientes da Colômbia e da Venezuela. A cidade, abrigada numa ampla baía de águas profundas, era conhecida como a "Rainha das Índias" (como as Américas eram então designadas). Cartagena, que nos seus primeiros tempos não estava tão bem protegida, foi atacada por corsários franceses em 1543. Os corsários ingleses John Hawkins (1532–1595) e Francis Drake atacaram o porto em 1568 e 1586, respetivamente. Hawkins não teve sucesso, mas Drake capturou a cidade, embora com pouco espólio e sem obter qualquer resgate.

Consequentemente, as fortificações defensivas de Cartagena foram grandemente melhoradas, com uma enorme fortaleza e um baluarte construídos em 1602 na estreita faixa de terra que protegia o porto. Mesmo que os navios evitassem os muitos canhões das fortalezas, teriam ainda de negociar o canal estreito que dava acesso ao porto, com os seus baixios traiçoeiros e recifes ocultos. Mesmo assim, fortalezas adicionais, como o Castillo San Felipe de Barajas (1647), proporcionavam a oportunidade para um fogo cruzado defensivo letal. Finalmente, a partir de 1614, foi construída uma muralha perimetral que garantiu que Cartagena fosse praticamente inexpugnável.

Nem mesmo os grandes exércitos de bucaneiros aceitaram o desafio imposto por Cartagena, que acabou por ser capturada entre abril e maio de 1697, quando os franceses combinaram os bucaneiros com navios de guerra navais para quebrar aquele que era o porto de tesouro mais difícil dos espanhóis. A fraqueza da cidade residia no isolamento de cada uma das suas fortalezas, e os franceses eliminaram-nas uma a uma. Cartagena resistiu com sucesso a uma força britânica de 180 navios em 1741. As fortificações da cidade foram novamente melhoradas a partir de 1769, na sequência da queda de Havana no início da década, de modo a que toda a cidadela se tornasse num labirinto de fortificações maciças e baterias de canhões. As forças rebeldes colombianas sitiaram e tomaram Cartagena em 1815 e 1821.

[ ![Cartagena on the Spanish Main](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14748.png?v=1672161003) Cartagena nas Possessões Espanholas Baptista Boazio (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14748/cartagena-on-the-spanish-main/ "Cartagena on the Spanish Main")### Havana

Havana, em Cuba, não era um porto de tesouro propriamente dito, mas constituía a pedra angular das Caraíbas espanholas e servia como ponto de partida final para a travessia do Atlântico, onde todas as frotas de tesouro podiam receber mantimentos para a viagem. A partir de 1610, Havana tornou-se também um importante estaleiro naval, construindo um número significativo de galeões espanhóis para serviço nas Caraíbas.

O porto inicial, tal como outras colónias espanholas, recebeu um [castelo medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17024/castelo-medieval/) de estilo europeu, mas este não foi suficiente para dissuadir o corsário francês Jacques de Sores, que atacou brutalmente Havana em julho de 1555, embora quase não tenha sido encontrado ouro ou prata. Como consequência deste ataque, em 1558 Havana recebeu uma nova e muito melhorada fortificação defensiva, a Fuerza Real, que foi a primeira fortaleza de baluartes a ser construída nas Américas. A grande fortaleza conhecida como Castillo de los Tres Reyes [Magos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14770/magos/) del Morro, ou simplesmente Castelo do Morro, foi construída entre 1589 e 1630 e foi projetada pelo talentoso engenheiro italiano Bautista Antonelli. O castelo ostentava muitos baluartes de ângulos agudos que seguiam o contorno do lado rochoso a leste do porto. Existiam múltiplas plataformas de [tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) para baterias de canhões, uma muralha de cortina e um grande fosso seco exterior, tornando a estreita entrada do porto de Havana uma zona interdita a navios inimigos.

A partir de 1674, foi construída uma muralha de pedra que, na década de 1690, já envolvia a cidade, embora a sua conclusão final só tenha ocorrido em 1797. As defesas da cidade eram guarnecidas por dez companhias de milícias e mais de 600 soldados regulares, a maior guarnição das Caraíbas espanholas, que aumentou para uma força militar total de 6000 homens a meio do século XVIII. A guarnição protegia os 30 000 habitantes da cidade e operava as 180 peças de artilharia montadas ao longo dos 4,5 km (2.8 milhas) de muralhas defensivas.

Havana acabou por cair perante uma grande força britânica, composta por 200 navios e 11 000 homens, em agosto de 1762, quando os invasores conquistaram as elevações opostas ao porto e bombardearam implacavelmente cada forte, um a um, até à sua rendição. A ocupação foi breve, tendo Havana sido devolvida ao abrigo do Tratado de Paris de 1763, pelo que Cuba permaneceria sob domínio espanhol até 1898. A queda de Havana levou o Rei Carlos III de Espanha (reinou 1759–1788) a investir pesadamente na melhoria das defesas em todas as Caraíbas espanholas, particularmente nos portos de tesouro. A zona ocidental de Havana recebeu uma nova fortaleza com o desenho de uma estrela de cinco pontas, o Castillo de Santo Domingo de Atarés. Simultaneamente, as elevações de La Cabaña, que os britânicos tinham utilizado para bombardear Havana, foram dotadas da maior fortaleza das Américas, concluída em 1774 ao custo astronómico de 60 000 000 de pesos de prata.

[ ![François L'Olonais](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14736.png?v=1672161008) François L'Olonais Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14736/francois-lolonais/ "François L'Olonais")### Maracaibo

Maracaibo situa-se na costa do que é hoje a Venezuela. Em meados da década de 1660, Maracaibo tinha cerca de 4000 habitantes e era o centro do comércio regional de pérolas. Estava protegida por uma fortaleza com 16 canhões, mas tal não dissuadiu o bucaneiro francês François L'Olonais (c. 1630–1668), que efetuou múltiplos ataques às Caraíbas espanholas. O massacre das suas infelizes vítimas valeu a L'Olonais a alcunha de "Flagelo dos Espanhóis" (*Fléau des Espagnols*). Em 1667, atacou Maracaibo com uma força de 600 homens e oito navios. Atacando pelo lado terrestre e evitando assim os canhões da fortaleza, a cidade foi capturada e pilhada. L'Olonais extorquiu então um resgate às autoridades espanholas pela devolução segura de Maracaibo, tendo recebido 30 000 peças de oito. Maracaibo foi novamente atacada em abril de 1669 por outra força de bucaneiros, desta vez liderada pelo capitão galês Henry Morgan. A cidade foi saqueada e nem mesmo três galeões de guerra espanhóis conseguiram impedir que os bucaneiros fugissem com uma fortuna em espólio.

### Panamá

O porto do Panamá, localizado na costa do Pacífico do Istmo do Panamá, foi fundado em 1519 e era o local onde os espanhóis reuniam as quantidades massivas de prata que extraíam das minas da América do Sul. A maior mina era Potosí, no Peru (descoberta em 1545), que no seu auge, em 1600, produzia anualmente nove milhões de pesos de prata; em 1700, continuava a produzir uns consideráveis dois milhões de pesos. O Panamá estava no seu apogeu por volta de 1607, quando tinha 6000 habitantes (4000 dos quais eram escravos negros). A partir daqui, a prata era carregada em mulas e transportada através do Istmo do Panamá até ao porto atlântico de Nombre de Dios (fundado em 1510). A partir de 1596, este último, por ser pantanoso e infestado de insetos transmissores de doenças, foi substituído por Portobelo, que possuía um porto muito melhor e maior potencial de defesa.

[ ![The Capture of Cacafuego by the Golden Hind](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12418.jpg?v=1723242664) A Captura do Cacafuego pelo Golden Hind Friedrich van Hulsen (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12418/the-capture-of-cacafuego-by-the-golden-hind/ "The Capture of Cacafuego by the Golden Hind")A fortuna em prata acumulada no istmo suscitou vários ataques de corsários. Em fevereiro de 1573, Francis Drake chegou ao local, descrevendo o momento aos seus homens da seguinte forma: "Trouxe-vos à casa do tesouro do mundo" (Cordingly & Falconer, pág. 15). Drake apoderou-se da caravana de mulas que transportava metais preciosos para Nombre de Dios e confiscou 15 toneladas de prata e 100 000 pesos de ouro (dinheiro suficiente para construir 30 navios de guerra da época). Drake voltou a atacar em março de 1579, quando capturou o *Nuestra Señora de la Concepción* (também conhecido como *Cacafuego*), um navio de tesouro que transportava 26 toneladas de prata, 13 arcas de prataria e 36 kg de ouro do Peru para o Panamá. Drake viu-se obrigado a remover o lastro do seu [galeão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19938/galeao/), o *Golden Hind*, para conseguir espaço para estas riquezas.

Nem todos os ataques foram bem-sucedidos. O corsário John Oxenham (cerca de 1535–1580) assumiu o controlo do Panamá durante um ano, a partir de 1576, mas os seus navios foram destruídos por uma frota naval espanhola. O inglês foi capturado, torturado e executado. Os membros capturados da tripulação de Oxenham foram ou enforcados no próprio local ou enviados para trabalhar como escravos nas galés dos navios espanhóis.

Na sequência de outro ataque ao istmo por Drake em 1595–1596, o Panamá foi, em grande medida, deixado em paz até ser atingido por uma grande força de bucaneiros liderada por Henry Morgan, em janeiro de 1671. Tendo tomado a fortaleza de San Lorenzo, que protegia a foz do rio Chagres no Panamá, e atacando depois pelo lado terrestre, os saqueadores tomaram a cidade mal defendida – o seu único forte possuía apenas seis canhões – e o Panamá foi reduzido a cinzas. Mais tarde, a população local reconstruiu o seu porto um pouco mais abaixo na costa, um local que acabaria por se tornar a Cidade do Panamá. O Panamá original foi abandonado e reclamado pela selva.

[ ![Fortifications at Portobelo-San Lorenzo, Reconstructed](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/12552.gif?v=1752524885) Fortificações em Portobelo-San Lorenzo, Reconstruídas Budget Direct Travel Insurance (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/12552/fortifications-at-portobelo-san-lorenzo-reconstruc/ "Fortifications at Portobelo-San Lorenzo, Reconstructed")### Portobelo

Portobelo (também conhecido como Puerto Bello), no que é hoje o Panamá, era um dos três grandes portos de tesouro de Espanha. Era o depósito final para as enormes quantidades de prata reunidas nas minas da América do Sul e o local de uma grande feira comercial anual. Após o último ataque de Francis Drake, levado a cabo pouco antes da sua morte por disenteria em janeiro de 1596, o porto ficou bem protegido por três fortalezas distintas, repletas de um total de 60 canhões. Estas, contudo, não impediram um ataque em janeiro de 1601, levado a cabo por William Parker († 1617).

Ciente de que as defesas de Portobelo estavam mal mantidas e com falta de pessoal, Henry Morgan atacou em julho de 1668. Utilizou 23 canoas para desembarcar 500 homens a poucos quilómetros da cidade e, depois, marchou para surpreender os espanhóis, que esperavam um ataque vindo do mar. Após a vitória, os prisioneiros foram torturados para revelarem onde guardavam os seus bens de valor e foi exigido um resgate para a retirada dos bucaneiros. O resgate foi pago pelo Governador do Panamá e, juntamente com o espólio retirado da cidade, Morgan fugiu com 250 000 pesos de prata.

Portobelo foi atacado várias outras vezes, nomeadamente em fevereiro de 1680 por John Coxon e Bartholomew Sharp († 1688). De todos os portos das Caraíbas espanholas, Portobelo parecia ser um alvo irresistível para os britânicos, que voltaram a capturá-lo brevemente em novembro de 1739, quando o Vice-Almirante Edward Vernon executou as suas ordens de "destruir os assentamentos espanhóis nas Índias Ocidentais e afligir o seu transporte marítimo por qualquer método" (citado em Wood, pág. 164). Como consequência desta nova vaga de ataques, as defesas de Portobelo foram novamente melhoradas na década de 1750, passando a apresentar 24 canhões em dois níveis, em vez da disposição anterior de 18 num só nível.

[ ![Fortifications, San Juan de Ulúa](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14750.png?v=1635241297) Fortificações, San Juan de Ulúa Angelinn RT (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14750/fortifications-san-juan-de-ulua/ "Fortifications, San Juan de Ulúa")### San Juan de Ulúa – Veracruz

San Juan de Ulúa era a ilha-fortaleza que protegia o porto de Veracruz, na costa atlântica do que é hoje o México. Veracruz foi fundada em 1519 por [Hernán Cortés](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12267/hernan-cortes/), que afundou os seus navios para que os seus homens não fossem tentados a regressar a casa até que esta parte das Américas fosse conquistada. A madeira desses navios foi utilizada para a primeira fortificação de Veracruz. A cidade tornou-se rapidamente no ponto de recolha tanto para a prata reunida no México como para os preciosos bens orientais trazidos pelos galeões de Manila até Acapulco e, depois, transportados por terra até Veracruz. Como era típico dos assentamentos espanhóis nas Américas, a cidade foi disposta num padrão de grelha regular de quarteirões e ruas. Foi adicionalmente fortificada pelos espanhóis a partir de 1535, melhorada novamente em 1582 com um forte de pedra a substituir o antigo, e dotada de uma muralha perimetral na década de 1630. Contudo, como o assentamento nunca cresceu para qualquer dimensão significativa, Veracruz não foi considerada um alvo digno de ataque durante a maior parte do século XVII. Em setembro de 1568, John Hawkins e Francis Drake atacaram Veracruz, mas saíram a perder quando a frota de tesouro espanhola entrou no porto. O novo vice-rei do Império Espanhol, Don Martín Enríquez, ofereceu infamemente termos de paz à frota inglesa, mas depois, traiçoeiramente, não cumpriu a sua palavra – uma reviravolta que os ingleses usariam como justificação para o corso nas Costa Firme Espanhola durante os 40 anos seguintes.

O ataque importante seguinte ocorreu mais de um século depois, quando o corsário holandês Laurens De Graaf (cerca de 1651–1702) atacou o porto em maio de 1683 e conseguiu fugir com o espólio destinado a uma frota de tesouro. Os espanhóis responderam a esta perda construindo em San Juan de Ulúa uma nova fortificação de duas torres, que ostentava mais de 100 canhões. Infelizmente, partes destas muralhas ficaram tão soterradas por areias movediças que se tornou possível caminhar sobre elas, um lembrete pungente das dificuldades infindáveis que os espanhóis enfrentaram na construção e, mais importante, na manutenção das suas fortificações defensivas por todo um vasto império.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Giraldez, Arturo. *The Age of Trade.* Rowman & Littlefield Publishers, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/0742556638/)
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- [Wood, Peter. *The Spanish Main .* Time-Life books, 1979.](https://www.worldhistory.org/books/0809427214/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

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### APA
Cartwright, M. (2026, July 30). Portos de Tesouro da Terra Firme Espanhola. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1867/portos-de-tesouro-da-terra-firme-espanhola/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Portos de Tesouro da Terra Firme Espanhola." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 30, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1867/portos-de-tesouro-da-terra-firme-espanhola/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Portos de Tesouro da Terra Firme Espanhola." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 30 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1867/portos-de-tesouro-da-terra-firme-espanhola/>.

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