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title: Dez Casais LGBTQIAP+ Famosos & Outros não tão Famosos da Antiguidade
author: Joshua J. Mark
translator: Letícia Amboni
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1775/dez-casais-lgbtqiap-famosos--outros-nao-tao-famoso/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-28
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# Dez Casais LGBTQIAP+ Famosos & Outros não tão Famosos da Antiguidade

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni)_

A história é registrada por indivíduos com crenças e interesses próprios que orientam o que decidem escrever e, por isso, muitos fatos e detalhes podem ser omitidos do relato de um determinado evento ou da história da vida de uma pessoa importante. Isso é ainda mais comum quando se trata da chamada “história gay”.

A “história gay” é, sem sombra de dúvida, apenas a história com menções à orientação sexual de um indivíduo. Nas culturas das civilizações antigas, as relações homossexuais eram vistas como mais uma expressão da sexualidade humana e não eram consideradas “vergonhosas” ou “pecaminosas” até a ascensão do [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/), que condenou tais relações, não porque fossem “erradas”, mas porque estavam associadas a outros sistemas de crenças e práticas.

[ ![Symposium Scene, Tomb of the Diver](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14191.jpg?v=1776587011) Cena do Simpósio, Túmulo do Mergulhador Miguel Hermoso Cuesta (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14191/symposium-scene-tomb-of-the-diver/ "Symposium Scene, Tomb of the Diver")Embora tenha sido afirmado que há poucas evidências conclusivas para identificar figuras do passado como gays ou lésbicas, esse fato, por si só, já demonstra a facilidade com que as relações homossexuais eram aceitas, como se nem sequer valesse a pena comentar sobre elas. Os historiadores mais antigos mencionam a orientação sexual de algumas pessoas, enquanto as biografias de homens como [Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-265/alexandre-o-grande/), ou [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/), escritas na Era Comum, minimizam ou ignoram esse aspecto. O historiador Lee Wind comenta:

> A história parece bastante oficial. Como se tudo fosse um fato. Como se fosse exatamente o que aconteceu. Mas isso não é necessariamente verdade. A história foi moldada pelas pessoas que a registraram. Imagine que brigou na escola. Depois disso, haverá diferentes versões do que aconteceu. Terá a sua versão, o outro aluno terá a dele, e uma terceira pessoa, que talvez tenha visto a briga acontecer, terá uma terceira versão. Em qual versão o diretor vai acreditar? Que versão vai se tornar a oficial, a história, daquele momento? E se a terceira pessoa não gostar de si? E se a terceira pessoa for o seu melhor amigo? E se a briga tiver sido com o filho do diretor? Qual versão vai se tornar a história? (8)

A observação de Wind se aplica a relatos históricos em geral, e sem dúvida a alguns dos casais abaixo. Nesses casos, há evidências textuais suficientes para sugerir que alguns deles provavelmente eram homossexuais, e que outros com certeza eram. Os dois primeiros casais vêm da literatura e da [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/) gregas e, portanto, não são históricos, mas sugerem o modelo de ampla aceitação das relações homossexuais, sem qualquer indício de preconceito ou julgamento. [Homero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-225/homero/), em sua descrição do relacionamento entre [Aquiles](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10354/aquiles/) e Pátroclo, não os apresenta explicitamente como gays, mas fornece pistas contextuais o bastante para que, nos séculos IV e V a.C., os escritores os considerassem como tal.

Da mesma forma, Alexandre, o Grande, e Heféstio têm sido descritos como “amigos íntimos” por estudiosos e historiadores, embora as fontes primárias sugiram claramente que eram amantes. No caso de [Safo de Lesbos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13155/safo-de-lesbos/), é bem possível que ela estivesse assumindo uma persona em sua poesia, mas os escritores da antiguidade a consideravam lésbica e, no que diz respeito à homossexualidade feminina, ela inspirou os termos “sáfica” e “lésbica”. Quanto aos demais nomes da lista, não há dúvidas quanto à orientação sexual.

### Aquiles & Pátroclo

Aquiles e Pátroclo são bastante conhecidos pela *[Ilíada](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-226/iliada/)*, de Homero (século VIII a.C.), na qual são retratados como amigos íntimos que cresceram juntos e se uniram à expedição dos gregos micênicos na guerra contra Tróia. Quando o líder grego Agamemnon toma a amante de Aquiles, Briseida, sem o consentimento deste, ele se retira da guerra e os gregos começam a perder, até que Pátroclo coloca a armadura de Aquiles e lidera seus homens para a batalha. Pátroclo é assassinado pelo príncipe troiano Heitor, e Aquiles vinga sua morte matando Heitor e desonrando seu cadáver. Pátroclo aparece para Aquiles em um sonho pedindo para serem enterrados juntos, e a dor de Aquiles pela perda de seu amigo sugere uma conexão íntima. Já na época de [Platão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-349/platao/) (viveu por volta de 428/427 a 348/347 a.C.), entendia-se que os dois eram amantes, conforme evidenciado no diálogo *O Banquete*, de Platão. A relação de Aquiles com Briseida tem sido interpretada atualmente como uma sugestão de que ele era bissexual, mas esse é um conceito moderno. Relações sexuais com pessoas de ambos os gêneros e, em algumas culturas, de um terceiro gênero, eram vistas somente como sexo.

[ ![Achilles Tending to Patroclus](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14193.jpg?v=1777977186) Aquiles Cuidando de Pátroclo ArchaiOptix (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14193/achilles-tending-to-patroclus/ "Achilles Tending to Patroclus")### Ártemis & Calisto

Ártemis é a deusa grega da caça, da natureza e da castidade. Também é padroeira das mulheres e das garotas, além de protetora das mulheres em trabalho de parto. A deusa tinha jovens virgens que se mantinham castas como seguidoras e dizia-se que ela evitava a companhia de homens. Ártemis matou Órion depois que ele tentou a estuprar e transformou o príncipe Acteon em um veado para que ele fosse dilacerado pelos próprios cães de caça depois que ele a viu nua e, normalmente, é retratada favorecendo mulheres. A ninfa Calisto, uma das seguidoras mais devotas da deusa, chamou a atenção de [Zeus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-538/zeus/), rei dos deuses, que se transformou em Ártemis para seduzi-la. Calisto engravidou, ao que parece, apenas com a presença do [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), e esse encontro foi descoberto por [Hera](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10295/hera/), a esposa ciumenta de Zeus, que então transformou Calisto em um urso gigante. Ela estava prestes a ser morta pelo próprio filho, que estava caçando, quando os deuses se apiedaram e a transportaram da terra para o céu para viver entre as estrelas como a constelação Ursa Maior.

[ ![Bronze Artemis](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3252.jpg?v=1599346802) Artemis de Bronze Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/3252/bronze-artemis/ "Bronze Artemis")### Alexandre, o Grande, & Heféstio

Alexandre, o Grande (viveu de 356 a 323 a.C.), e Heféstio (viveu por volta de 356 a 324 a.C.) cresceram juntos e foram amigos a vida toda, mas alguns escritores, como [Plutarco](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-820/plutarco/), sugerem que eles também eram amantes. O relacionamento deles aparentemente se inspirava no de Aquiles e Pátroclo, e uma história conta que, ao visitar as ruínas de Tróia, Alexandre colocou uma coroa de flores no túmulo de Aquiles, e Heféstio, no de Pátroclo. Quando Heféstio morreu de febre, Alexandre mandou executar o médico que não conseguiu curá-lo e ordenou que os rituais fúnebres fossem realizados somente para realeza. Sabe-se que Alexandre teve outro amante, o jovem persa Bagoas, mas esse relacionamento não foi tão profundo nem tão duradouro quanto o que ele teve com Heféstio.

[ ![Alexander the Great (Artistic Facial Reconstruction)](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/13337.jpeg?v=1776218885) Alexandre, o Grande (Reconstituição Facial) Arienne King (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/13337/alexander-the-great-artistic-facial-reconstruction/ "Alexander the Great (Artistic Facial Reconstruction)")### Safo & a Cortesã

Safo de Lesbos (viveu por volta de 620 a 570 a.C.) foi uma poetisa lírica muito elogiada em sua época e nos séculos seguintes, no entanto, hoje em dia apenas fragmentos de suas obras sobrevivem, e eles falam principalmente de relacionamentos entre mulheres. É incerto se Safo era mesmo lésbica, visto que é possível que ela estivesse escrevendo sob o pseudônimo de “Safo”, mas a homossexualidade dela parece provável e escritores posteriores acreditavam nisso. Os poemas remanescentes mostram Safo declarando seu amor por uma amante anônima que era uma cortesã (uma *hetaira*). A pesquisadora Suzanne MacAlister defende a ideia de que Safo era lésbica e observa: “Safo é a primeira poetisa grega a escrever abertamente sobre os sentimentos gerados pelo amor” (392, Aldrich & Wotherspoon). Suas obras eram tão populares que, 900 anos após sua morte, a capital de Lesbos, Mitilene, cunhou moedas em sua homenagem.

[ ![Sappho of Lesbos, Smyrna](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2345.jpg?v=1678422365) Safo de Lesbos, Esmirna Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2345/sappho-of-lesbos-smyrna/ "Sappho of Lesbos, Smyrna")### Khnumhotep & Niankhkhnum

Alguns pesquisadores afirmam que os manicuros Khnumhotep e Niankhkhnum são o primeiro casal homossexual documentado. Ambos foram assistentes pessoais do rei Niuserre, da V Dinastia egípcia, durante o Antigo [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) (por volta de 2613 a 2181 a.C.). Após morrerem, foram colocados na mesma tumba, que foi decorada com imagens dos dois se abraçando e tocando o nariz um no outro, um gesto que pesquisadores reconhecem como um beijo. Os dois eram casados e tinham filhos, o que levou alguns estudiosos a concluir que eram irmãos, não amantes, mas essa ideia não leva em conta outras imagens na tumba, nas quais Khnumhotep é retratado no lugar de honra que normalmente teria sido ocupado pela esposa de Niankhkhnum.

[ ![Mastaba of Niankhkhnum & Khnumhotep](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14159.jpg?v=1781140692-1721641435) Mastaba de Niankhknum & Khunumhotep kairoinfo4u (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14159/mastaba-of-niankhkhnum--khnumhotep/ "Mastaba of Niankhkhnum & Khnumhotep")### Adriano & Antínoo

Adriano (viveu de 762 a 138 d.C., governou de 117 a 138) foi imperador de Roma quando esta estava em seu auge e manteve vários relacionamentos homossexuais antes de conhecer Antínoo (viveu por volta de 110 a 130), na Bitínia (atual Turquia), no ano de 123. A partir de então, eles foram um casal praticamente inseparável, viajando por diferentes partes do [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/), até que Antínoo se afogou no rio Nilo, no Egito. Escritores antigos sugerem que sua morte não foi um acidente, mas um sacrifício feito pelo jovem para curar Adriano de uma doença desconhecida. Adriano fez com que Antínoo fosse deificado após a morte e seu culto rapidamente se tornou um dos mais populares, sendo difundido por todo o império e, mais tarde, rivalizando com a nova religião, o cristianismo.

[ ![Antinous, Altes Museum](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2969.jpg?v=1630026001) Antinuous, Museu Altes Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2969/antinous-altes-museum/ "Antinous, Altes Museum")### Leaena & Megilla

O caso amoroso entre Leaena e Megilla é mencionado em *Diálogos das Cortesãs*, do satirista Luciano de Samósata (viveu por volta de 125 a 180 d.C.). As obras de Luciano satirizavam todos os aspectos da sociedade grega, e *Diálogos das Cortesãs* é escrito de forma que parece que estamos ouvindo as conversas particulares de mulheres enquanto elas discutem as diversas falhas dos homens ridicularizados em outras obras de Luciano. Leaena conversa com outra cortesã, Clonarium, que pergunta como é ser amante de Megilla, uma mulher rica de Lesbos. Leaena conta a ela sobre o quanto ama Megilla, cujas técnicas na cama são muito melhores que as dos homens. Ela também relata que Megilla disse que, embora tenha nascido mulher, os desejos dela eram todos “os de um homem”, o que levou alguns estudiosos a considerar Megilla a primeira pessoa transgênero citada pelo nome na literatura.

[ ![Red-Figure Toilette Scene](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14203.jpg?v=1762846145) Cena do Banheiro Sailko (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14203/red-figure-toilette-scene/ "Red-Figure Toilette Scene")### Harmódio & Aristógito

Harmódio e Aristógito, ambos mortos em 514 a.C., foram um casal homossexual de [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/), honrados como os “Tiranicidas” por terem derrubado o governo de Hiparco (morreu em 514 a.C.) e de Hipias (morreu em 510 a.C.), embora essa nunca tenha sido a intenção deles. Hiparco se apaixonou por Harmódio, fez uma proposta a ele e, ao ser rejeitado, retaliou insultando a irmã de Harmódio. Os dois amantes então assassinaram Hiparco, acreditando que poderiam escapar impunes do crime durante a celebração da Festa Panateneia na ágora. No entanto, eles foram pegos, e Harmódio foi executado na mesma hora, já Aristógito foi executado após ser torturado. Quatro anos depois, os atenienses pediram ajuda a [Esparta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-197/esparta/) para se livrarem de Hipias e, assim que isso foi feito, reescreveram a história para eliminar o papel de Esparta e transformar Harmódio e Aristógito em heróis que deram um fim à tirania e restauraram a democracia em Atenas, embora eles não tivessem feito nenhuma dessas coisas. Uma estátua dos dois amantes foi erguida na ágora de Atenas, e, por séculos, eles foram muito respeitados.

[ ![Statue Group of Harmodius & Aristogeiton](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14198.jpg?v=1622966790) Estátuas de Harmódio & Aristógito Miguel Hermoso Cuesta (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14198/statue-group-of-harmodius--aristogeiton/ "Statue Group of Harmodius & Aristogeiton")### Duque Ling & Mizi Xia

Uma das narrativas mais famosas da [China Antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-467/china-antiga/) sobre casais homossexuais é a história do relacionamento do Duque Ling de Wei (governou de 534 a 493 a.C.) com o cortesão Mizi Xia. O duque era casado e tinha um filho, mas preferia a companhia do amante. Certa vez, Mizi Xia pegou emprestada a carruagem do duque sem permissão para visitar a mãe doente e, em vez de receber uma punição severa, como teria acontecido com qualquer outra pessoa, ele foi elogiado pelo duque por sua devoção filial. Em outro momento, enquanto passeavam, Mizi Xia ofereceu ao duque metade do pêssego que ele estava comendo, e o duque ficou maravilhado e disse: “Seu amor por mim é imenso. Você até mesmo esquece a própria fome e pensa apenas em me dar iguarias para comer!” A partir disso, a frase “o amor de um pêssego comido pela metade” passou a ser utilizada para se referir a relacionamentos homossexuais. Esses dois momentos foram posteriormente reinterpretados pelo duque após ele deixar de amar Mizi Xia. Ele menosprezou o ex-amante dizendo: “Certa vez, ele pegou minha carruagem sem permissão e me ofereceu um pêssego já mordido, não dá para saber o que ele pode fazer”. O rompimento deles geralmente é omitido nas releituras, mas era o ponto principal da passagem do filósofo Han Feizi (viveu por volta de 280 a 233 a.C.), que alertava os cortesãos sobre casos amorosos com membros levianos da realeza.

[ ![Woman Spying on Male Lovers](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14220.jpeg?v=1776586986) Mulher espionando amantes Unknown (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14220/woman-spying-on-male-lovers/ "Woman Spying on Male Lovers")### O Batalhão Sagrado de Tebas

O Batalhão Sagrado de Tebas não era um casal, mas sim 150 casais que formavam a força de elite composta por 300 dos melhores guerreiros do exército tebano. Os casais eram escolhidos a dedo por suas habilidades militares, e o grupo foi formado sob a crença de que os amantes lutariam até a morte não só para protegerem um ao outro, mas também para não parecerem covardes e envergonharem o parceiro diante dos companheiros do exército. Todos os casais seguiam o modelo clássico de relacionamentos homossexuais gregos, no qual um homem mais velho cuidava do mais jovem e contribuía para o seu desenvolvimento pessoal. O nome do batalhão vem dos votos que os casais fizeram em nome do deus do amor, Eros, no santuário de Iolau. Apesar de ter sido formado por volta de 379/378 a.C. e de ter participado de diversas campanhas antes de 371 a.C., costumam dizer que o batalhão foi invicto desde a [Batalha de Leuctra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12059/batalha-de-leuctra/), em 371 a.C., até a Batalha de Queroneia, em 338 a.C., quando foi derrotado pelos macedônios sob o comando de Filipe II (governou de 359 a 336 a.C.). Dizem que [Filipe II da Macedônia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13145/filipe-ii-da-macedonia/) chorou ao ver a coragem do batalhão, que resistiu até todos estarem mortos. Acredita-se que a estátua do Leão de Queroneia marca o local onde os guerreiros do Batalhão Sagrado de Tebas foram sepultados.

[ ![Greek Warriors Stele](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6924.jpg?v=1749387612) Estela de Guerreiros Gregos James Blake Wiener (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/6924/greek-warriors-stele/ "Greek Warriors Stele")### Conclusão

Há muitos outros exemplos de casais homossexuais famosos, tanto na história antiga quanto na literatura. Entre eles está a história de Niso e Euríalo, dos livros 5 e 9 da *Eneida*, de Virgílio (viveu de 70 a 19 a.C.), que, assim como a história de alguns dos casais mencionados acima, costuma ser interpretada como uma grande amizade, em vez de como um relacionamento romântico, embora se encaixe claramente no padrão deste último. Niso era o mais velho do cssal, o amante, e Euríalo era o mais novo, o amado. Os dois estavam no grupo de refugiados que o herói Enéas levou à [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) após a queda de Tróia, e a história deles faz parte das batalhas que os troianos travaram contra as tribos hostis da região antes de fundarem a cidade de Roma. Euríalo foi capturado por uma dessas tribos e Niso foi resgatá-lo, mas os dois morreram protegendo um ao outro.

Júlio César, [Sócrates](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-339/socrates/), Platão, Píndaro e muitos outros também são apontados como figuras que preferiam relações homossexuais, as quais, como visto acima, eram uma forma aceita de expressão de afeto e sexualidade em outras culturas. O pesquisador Colin Spencer comenta:

> Na antiguidade, não havia necessidade de distinguir a atividade sexual com pessoas do mesmo gênero daquela com pessoas do gênero oposto, nem se atribuía qualquer estigma social ao gênero; em vez disso, a ignomínia era reservada aos atos sexuais passivos. Não havia necessidade de uma palavra como “homossexualidade”, pois o conceito não existia. (10)

Os termos “homossexual” e “heterossexual”, na verdade, só foram criados no século XIX, ambos por um homem gay, o escritor austríaco Karl-Maria Kertbeny (viveu de 1824 a 1882), em 1869. Kertbeny concebeu esses termos em uma tentativa de normalizar e defender os relacionamentos homossexuais, que foram criminalizados pelo governo da Prússia. Antes da ascensão do cristianismo, no entanto, nenhuma distinção era feita. O argumento de Kertbeny a favor da aceitação de casais homossexuais, na verdade, teria parecido sem sentido para o mundo antigo, pré-cristão, pois esses casais já eram amplamente aceitos.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Worthington, I. *Alexander the Great - Man & God.* Longman, 2004.](https://www.worldhistory.org/books/B008CMKK7Q/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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### APA
Mark, J. J. (2026, June 28). Dez Casais LGBTQIAP+ Famosos & Outros não tão Famosos da Antiguidade. (L. Amboni, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1775/dez-casais-lgbtqiap-famosos--outros-nao-tao-famoso/>
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Mark, Joshua J.. "Dez Casais LGBTQIAP+ Famosos & Outros não tão Famosos da Antiguidade." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, June 28, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1775/dez-casais-lgbtqiap-famosos--outros-nao-tao-famoso/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Dez Casais LGBTQIAP+ Famosos & Outros não tão Famosos da Antiguidade." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, 28 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1775/dez-casais-lgbtqiap-famosos--outros-nao-tao-famoso/>.

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Enviado por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni/ "User Page: Letícia Amboni"), publicado em 28 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

