---
title: Dez Fatos sobre a Comunidade LGBTQIAP+ na Antiguidade
author: Joshua J. Mark
translator: Letícia Amboni
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1774/dez-fatos-sobre-a-comunidade-lgbtqiap-na-antiguida/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-28
---

# Dez Fatos sobre a Comunidade LGBTQIAP+ na Antiguidade

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni)_

As questões atuais relacionadas à identidade de gênero e aos direitos civis das pessoas da comunidade LGBTQIAP+ são um fenômeno relativamente recente, assim como os termos “homossexual” e “heterossexual”. Nas sociedades antigas, não havia distinção entre casais do mesmo gênero e casais de gêneros opostos, ambos eram igualmente aceitos.

Os termos “homossexual” e “heterossexual” são construções modernas do século XIX, usados pela primeira vez pelo escritor austríaco Karl-Maria Kertbeny (viveu de 1824 a 1882) em um panfleto de 1869 que se manifestava contra a lei prussiana de sodomia, que criminalizava relacionamentos homossexuais. Quando Kertbeny, um homem gay não assumido, era jovem perdeu um amigo próximo para o suicídio depois deste ser chantageado por alguém que descobriu a sua sexualidade. As últimas obras de Kertbeny buscavam acabar com o estigma associado às relações entre pessoas do mesmo gênero, que eram frequentemente definidas como perversão.

[ ![Detail from the Warren Cup](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14195.jpg?v=1776587004) Detalhes da Taça Warren Ashley Van Haeften (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14195/detail-from-the-warren-cup/ "Detail from the Warren Cup")O panfleto foi publicado de forma anônima, mas a terminologia foi usada em 1880 pelo naturalista Gustav Jager, na obra *Discovery of the Soul* (“Descoberta da Alma”), e depois em 1886 pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing, na obra *Psychopathia Sexualis* (“Psicopatia Sexual”), que foi traduzida para o inglês em 1890. Os termos foram então popularizados pelo médico e escritor H. Havelock Ellis (viveu de 1859 a 1939). Embora os relacionamentos homossexuais fossem, é claro, reconhecidos antes de Kertbeny, ele foi um dos primeiros a defender que a orientação sexual e a identidade de gênero de uma pessoa eram inatas — não uma escolha — e que um homem gay não deveria ser associado à feminilidade, citando grandes heróis da Antiguidade que eram homossexuais.

A história, tanto moderna quanto antiga, conta as narrativas de muitas pessoas cuja sexualidade é diminuída ou ignorada porque, durante séculos após a ascensão do [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/), a homossexualidade foi considerada um pecado vergonhoso. Nenhuma discussão sobre [Platão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-349/platao/), [Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-265/alexandre-o-grande/), ou qualquer outra figura histórica famosa se concentrou muito — ou sequer se concentrou — na sexualidade até os séculos XIX e XX. Mas agora esse paradigma mudou para melhor, permitindo uma compreensão mais profunda e abrangente do passado e das contribuições da comunidade LGBTQIAP+ para a história.

A lista a seguir é apenas uma pequena amostra dos muitos fatos sobre a comunidade que hoje se identifica como LGBTQIAP+. Apesar de pessoas com identidades de gênero diferentes aparentarem sempre ter sido identificadas como tal, em algumas civilizações isso significava que elas eram vistas como escolhidas pelos deuses, enquanto, em outras, essa distinção parecia não ter importância, ou, no caso dos gregos e, em alguns períodos, dos romanos, as relações entre homens eram consideradas superiores. Os exemplos abaixo se referem a várias culturas e abrangem milhares de anos, mas têm em comum o que hoje seria entendido como aceitação e inclusão dos membros da comunidade LGBTQIAP+.

### Clero Transgênero do Culto à [Inanna](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10035/inanna/)

Inanna foi uma deusa popular da [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/) que mais tarde se tornou conhecida como [Ishtar](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-271/ishtar/) e cujo clero era bissexual e transgênero. O pesquisador Colin Spencer comenta: “Havia sacerdotisas de nível mais baixo que também eram musicistas, cantoras e dançarinas. Certamente, algumas eram homens antes e mantinham relações sexuais com homens e mulheres” (29). Homens que se identificavam como mulheres e se castravam eram conhecidos como *kurgarra*, mulheres que se identificavam como homens, *galatur*. Acreditava-se que Inanna/Ishtar, deusa do amor, do sexo, da guerra e da fertilidade, havia transformado essas pessoas com seu poder divino, e elas eram consideradas as servas sagradas da deusa. No famoso poema A Descida de Inanna conta-se que *kurgarras* e *galaturs* foram criados pelo [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/)-pai [Enki](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14434/enki/), que os tornou “nem homens nem mulheres” e deu a eles o alimento e a água da vida para libertar Inanna do submundo. O clero transgênero não era aceito por todos, há evidências de algumas pessoas que não o aprovavam, mas, ainda assim, o clero era considerado o mediador entre o mundo mortal e o mundo dos deuses e, apesar de seu comportamento às vezes ser criticado, era respeitado.

### Tribos Nativo-Americanas e os Dois Espíritos

Os [povos nativos da América do Norte](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22171/povos-nativos-da-america-do-norte/), do Sul e Central também respeitavam aqueles que foram tocados e transformados pelos deuses. Eles reconheciam um terceiro gênero, conhecido atualmente como “Dois Espíritos”, que é tanto homem quanto mulher (este é um termo moderno, o original foi perdido). Os Dois Espíritos (chamados de *Berdache* em obras europeias dos séculos XVII e XVIII) eram homens ou mulheres que se identificavam como alguém do gênero oposto. Homens se vestiam e assumiam as tarefas das mulheres, e mulheres, mencionadas com menos frequência, vestiam roupas masculinas e executavam os trabalhos associados à masculinidade e ao poder masculino.

[ ![Dance to the Berdache](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14209.jpeg?v=1770624210) Dança para os Berdache George Catlin (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14209/dance-to-the-berdache/ "Dance to the Berdache")Os Dois Espíritos eram valorizados, além de serem totalmente aceitos pela comunidade. Meninos prestes a atingir a idade adulta recebiam uma mensagem divina sobre quem realmente eram e qual caminho deviam seguir. A partir daí, passavam a se vestir como mulher e a se dedicarem à costura, à coleta de lenha, à construção de abrigos e à culinária, em vez de caçar ou ir para guerras. A aceitação de pessoas com identidades de gênero diferentes e de relacionamentos homossexuais por parte dos povos nativo-americanos é relatada por vários missionários e exploradores europeus que condenavam os nativos como imorais, indecentes e perversos. No entanto, essas práticas e crenças já existiam há milhares de anos, provavelmente muito antes da chegada dos missionários e de seus preconceitos.

### O Duque e seu Cortesão da [China Antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-467/china-antiga/)

Uma das muitas histórias chinesas que celebram relacionamentos homossexuais, e sem dúvida a mais conhecida, é o conto do Duque Ling de Wei (governou de 534 a 493 a.C.) e seu amante Mizi Xia, um cortesão belíssimo. Quando Mizi Xia descobriu que a mãe estava doente, ele pegou emprestada uma carruagem do duque Ling para ir vê-la sem pedir permissão, um ato que normalmente resultaria em uma punição severa, mas, em vez disso, o duque o elogiou por sua devoção filial. Em outro momento, enquanto os dois caminhavam, Mizi Xia comia um saboroso pêssego e ofereceu metade ao duque, que exclamou: “Seu amor por mim é imenso. Você até mesmo esquece a própria fome e pensa apenas em me dar iguarias para comer!”

O duque Ling era casado e tinha um filho, mas acreditava-se que um homem podia ter um relacionamento amoroso com outro homem sem prejudicar o casamento. Frases traduzidas como “o amor de um pêssego comido pela metade”, “o amor de um pêssego compartilhado” e “o pêssego mordido” passaram a ser usadas para relacionamentos românticos entre pessoas do mesmo gênero a partir do momento em que a história foi contada pela primeira vez pelo filósofo legalista Han Feizi (viveu por volta de 280 a 233 a.C.), da [Dinastia Qin](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11964/dinastia-qin/), até que o posicionamento cristão ocidental em relação à homossexualidade começou a influenciar a cultura chinesa. A história dos dois amantes continua até o duque Ling deixar de amar Mizi Xia e passar a reclamar que o ex-amante uma vez usou sua carruagem sem permissão e deu a ele um pêssego já mordido.

### Força de Elite dos Amantes Gays da Grécia

O Batalhão Sagrado de Tebas era um grupo seleto dos melhores guerreiros do exército tebano. Consistia em 300 homens — 150 casais — muito respeitados por seu histórico militar, visto que conquistaram vitórias consecutivas em batalhas por mais de 30 anos. Todos os casais se encaixavam no modelo grego tradicional de relacionamentos românticos entre homens, com um mais velho (*erastes*, o “amante”) e um mais jovem (*eromenos*, o “amado”). O Batalhão Sagrado era assim chamado devido aos votos feitos pelos casais no templo de Iolau, um dos amantes do herói [Hércules](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10115/hercules/), que os dedicavam um ao outro em nome do deus do amor Eros. O grupo foi criado sob a crença de que cada homem preferiria lutar e morrer bravamente do que deixar que o amado o visse como um covarde. O Batalhão Sagrado de Tebas permaneceu invicto desde a [Batalha de Leuctra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12059/batalha-de-leuctra/), em 371 a.C., até que foi aniquilado pelos macedônios em 338 a.C., na Batalha de Queroneia.

[ ![Greek Warriors Stele](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6924.jpg?v=1749387612) Estela de Guerreiros Gregos James Blake Wiener (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/6924/greek-warriors-stele/ "Greek Warriors Stele")### Pepi II, o Rei Gay do Egito

As relações homossexuais não recebem muita atenção nas obras do [Egito Antigo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-74/egito-antigo/), talvez porque não eram consideradas algo que valesse a pena mencionar. Assim como na China e na Grécia, o que dois adultos decidiam fazer em um relacionamento romântico consensual, fosse entre pessoas do mesmo gênero ou de gêneros opostos, dizia respeito apenas a eles. No entanto, há uma história sobre o rei Pepi II Neferkare (governou por volta de 2284 a.C.) da sexta dinastia egípcia do Antigo [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) (por volta de 2613 a 2181 a.C.), que aparentemente tinha um relacionamento com o general Sasenet.

Na história, Pepi II saía do palácio por quatro horas à noite, ia para a casa de Sasenet e “fazia com ele tudo que Sua Majestade desejava”, um eufemismo para sexo. As ações de Pepi II, no entanto, estão abertas a interpretação, e alguns estudiosos afirmam que ele estava encenando um ritual no qual interpretava o deus Rá, que visitava Osíris, o Juiz dos Mortos, no submundo durante quatro horas à noite. Essa interpretação desconsidera o tom crítico do escriba do Império do Meio que redigiu o texto original. Ao que parece, ele não aprovava as escapadas noturnas de Pepi II do palácio, mas não está claro se ele reprovava o relacionamento em si.

### O Terceiro Gênero das Kinnar

As relações homossexuais e a existência de um terceiro gênero são mencionadas nos antigos textos hindus da Índia. O *Manusmriti*, um código de leis de por volta de 1250 a.C., recomenda um ritual de purificação após relações entre pessoas do mesmo gênero, mas o mesmo se aplica às relações heterossexuais. O *Kama Sutra*, datado de por volta de 400 a.C., encoraja relações homossexuais e fala sobre um terceiro gênero (“terceira natureza”) casualmente. As *kinnar*, também chamadas de *hijra*, são de um terceiro gênero reconhecido no subcontinente indiano nos dias de hoje e são mencionadas em textos como esses, que remontam a mais de 2.000 anos. Essas pessoas se autodenominam *kinnar* em referência às criaturas divinas musicistas do [hinduísmo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10215/hinduismo/) que eram uma junção de pássaro, cavalo e humano. No [budismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11144/budismo/), o mesmo termo é usado para se referir ao Músico Divino, que é metade humano e metade pássaro.

[ ![Kinnari](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14210.jpg?v=1641921305) Kinnari Jean-Pierre Dalbéra (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/14210/kinnari/ "Kinnari")Aquelas que se identificam como *kinnar* nascem como pessoas do sexo masculino, mas vivem como mulheres. Muitas estão ligadas ao movimento Shakti e reconhecem a primazia da força cósmica criativa que elas associam à deusa da transformação, Bahuchara Mata, uma divindade da terra e da fertilidade que personifica a natureza criativa e destrutiva de Shakti. Às vezes se referem a ela como a deusa dos transgêneros. As *Aravani*, do sul da Índia, são outro grupo do terceiro gênero que dedica sua adoração ao deus Arvan em vez da deusa.

### Honra & Relacionamentos Gays no Japão

No Japão pré-Era Meiji (800–1868), as relações homossexuais entre homens eram consideradas “um modo de vida honrado entre os líderes religiosos e militares do país, de modo que sua aceitação se equiparava à da antiga [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/) e, em alguns aspectos, até a superava” (Crompton, 412). Assim como na Grécia, acreditava-se que as relações entre homens melhoravam o caráter e o espírito dos envolvidos, enquanto relações sexuais com mulheres, em geral, eram estimadas apenas como um meio de procriação e preservação do nome da família. Esse modelo social foi seguido até ser questionado pela chegada dos missionários cristãos do ocidente, a começar por Francisco Xavier (viveu de 1506 a 1552), mais conhecido como São Francisco Xavier, que considerava o amor entre pessoas do mesmo gênero um pecado.

Os japoneses entendiam essas relações apenas como *nanshoku* (“amor dos homens” ou “cores masculinas”), sem qualquer tipo de conotação negativa associada a elas. Durante a Era Meiji (1868–1912), os valores ocidentais ganharam cada vez mais espaço no Japão, e as relações homossexuais passaram a ser vistas como pecados e, posteriormente, crimes. Muitos dos samurais mais famosos e honrados mantinham relacionamentos com homens, assim como monges, líderes políticos e outras pessoas que, após a difusão do cristianismo, tiveram que esconder sua identidade ou enfrentar perseguições.

### Ideal Romano de Masculinidade e Relacionamentos Homoafetivos

Os romanos, assim como os gregos e outras civilizações, mantinham relações homossexuais com regularidade. As críticas a essas práticas não tinham nada a ver com a relação em si, mas sim com a passividade de uma das partes durante o ato sexual. Para homens, fazer “o papel de uma mulher” era considerado desonroso, pois significava que ele havia renunciado à própria virilidade e não era mais um “homem de verdade”. Ao mesmo tempo, há muitos relatos sobre figuras importantes, como [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/) (100–44 a.C.), que supostamente eram passivos nas relações sexuais e, ainda assim, continuavam muito respeitados. Spencer comenta: “O perfil de César correspondia às expectativas romanas. Ele era fisicamente forte, tinha ótima aptidão militar, paciência e tenacidade, além de ser muito ativo sexualmente… Um homem com tal reputação podia, ocasionalmente, assumir o papel passivo e continuar sendo homem” (74). Uma relação homossexual estável, inspirada no modelo grego em que o amante contribuía para o desenvolvimento do caráter do amado, era respeitada, como mostrado pela relação entre o [imperador romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-1032/imperador-romano/) Adriano (governou de 117 a 138 d.C.) e seu amante Antínoo (viveu por volta de 110 a 130 d.C.), que foi deificado após a morte e cujo culto se tornou um dos principais rivais da nova religião, o cristianismo.

[ ![Colossal Statue of Antinous](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/11396.jpg?v=1641921304) Grande Estátua de Antínoo Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/11396/colossal-statue-of-antinous/ "Colossal Statue of Antinous")### Os Guerreiros Celtas e os seus Amantes

Os celtas são descritos com frequência pelos escritores romanos como guerreiros formidáveis, mas o historiador Diodoro Sículo (viveu no século I a.C.) acrescenta que eles também preferiam relacionamentos homossexuais. Embora os romanos não aprovassem que os homens fossem passivos nas relações sexuais, Diodoro observa que os celtas não viam isso como um problema:

> Os homens demonstram muito mais interesse pelo próprio sexo; eles se deitam sobre peles de animais e se divertem com um amante de cada lado. O mais surpreendente é que eles não têm a mínima consideração pela própria dignidade e se oferecem a outros homens sem receio algum. Além disso, isso não é malvisto nem considerado vergonhoso de forma alguma. (Spencer, 94)

Diodoro não estava criticando a natureza das relações, mas sim a passividade de um dos parceiros, o que ia contra as normas culturais romanas. Assim como nos outros exemplos, os celtas continuaram a considerar as relações homossexuais como algo comum e natural até a ascensão do cristianismo.

### A [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) Condena o Comportamento Idolátrico, não a Homossexualidade

O cristianismo causou esse efeito em muitas culturas devido à interpretação, e não à tradução, da palavra grega *arsenokoites*, que, segundo o teólogo Justin R. Cannon, significa literalmente “leitos masculinos” e parece ter sido criada pelo apóstolo São Paulo em referência aos homens que se relacionavam sexualmente com outros homens nas sociedades pagãs (9). Essa palavra foi interpretada por tradutores europeus como “sodomitas” ou “pervertidos sexuais”, mas, ao que parece, sua intenção original era se referir ao que Paulo considerava uma prática comum entre os não cristãos. Uma das passagens bíblicas mais citadas atualmente para condenar as relações homossexuais, Romanos 1:24-27, em qualquer tradução, menciona como homens e mulheres trocaram “as relações naturais por não naturais” e cometeram “atos vergonhosos”. No entanto, no contexto da passagem como um todo, isso deve ser entendido como uma referência ao comportamento idolátrico — como os dos pagãos em orgias —, e não a relacionamentos homossexuais estáveis.

Outra passagem muito citada, Levítico 18:22 — “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” —, também não se refere a relações homossexuais, apenas expressa o mesmo repúdio que os romanos tinham por homens que assumiam o papel passivo no sexo. Tradutores europeus subsequentes da Bíblia interpretaram a referência às práticas sexuais pagãs como desviantes, e isso acabou sendo interpretado como “homossexualidade” na versão revisada de 1946 da Bíblia (Cannon, 9). Antes disso, o termo nunca havia aparecido na Bíblia.

### Conclusão

Os versículos da Bíblia que hoje são usados para condenar as relações homossexuais, quando analisados em contexto, na verdade condenam a libertinagem sexual associada a sistemas de crença mais antigos e até mesmo àqueles contemporâneos ao cristianismo em sua fase inicial. As cartas de Paulo pedem aos leitores que se afastem de várias práticas e tradições de suas culturas e adotem novas, em conformidade com a visão dele da missão de Jesus Cristo; ele não está apontando as relações homossexuais como um pecado. Alguns estudiosos — incluindo o bispo John Shelby Spong — de fato sugeriram que o “espinho na carne” de Paulo (2 Coríntios 12:6-7) é uma referência à própria homossexualidade dele, com a qual parece ter lutado.

[ ![Ananias Baptizes Saint Paul](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13590.jpg?v=1779345553) Ananias Batiza São Paulo Lawrence OP (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/13590/ananias-baptizes-saint-paul/ "Ananias Baptizes Saint Paul")Além disso, foi observado que a história de Sodoma e Gomorra, do Livro de Gênesis, também muito utilizada para condenar a homossexualidade, é, na verdade, um conto moralizante sobre a importância da hospitalidade. Orígenes, um estudioso do começo da era cristã que viveu por volta de 184–253 d.C., interpretou a história nesse sentido, assim como fizeram Padres da Igreja como Santo Ambrósio (morreu em 397 d.C.). O pecado do povo de Sodoma e Gomorra, segundo esses autores, foi o não cumprimento das regras de hospitalidade estabelecidas e nada teve a ver com orientação sexual.

Embora haja, sem dúvida, evidências de percepções negativas em relação às práticas homossexuais nas civilizações pré-cristãs, essas parecem estar relacionadas à perda da virilidade e do status masculino, à perda da virgindade das jovens ou, no caso de certos períodos da história romana, à libertinagem e promiscuidade extremas. Porém, essas críticas se concentravam no comportamento das pessoas, e não nas relações homossexuais em si. A forma como cada um escolhia conduzir suas relações íntimas e românticas era uma questão pessoal, que era livremente explorada e vista pelos demais como mais uma expressão da sexualidade humana.

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Aldrich, R. & Wotherspoon, G. *Who's Who in Gay and Lesbian History.* Routledge, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0415291615/)
- [Burg, B. R. *Gay Warriors: A Documentary History from the Ancient World to the Present.* NYU Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0814798861/)
- [Cannon, J. R. *The Bible, Christianity, & Homosexuality.* CreateSpace Independent Publishing Platform, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/1438249616/)
- [Crompton, L. *Homosexuality and Civilization.* Belknap Press: An Imprint of Harvard University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0674022335/)
- [Mellor, R. *The Historians of Ancient Rome.* Routledge, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0415527163/)
- [Shaw, I. *The Oxford History of Ancient Egypt.* Oxford University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0192804588/)
- [Spencer, C. *Homosexuality in History.* Harcourt, Brace & Company, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0875863558/)
- [Spong, J. S. *Rescuing the Bible from Fundamentalism.* HarperOne, 1992.](https://www.worldhistory.org/books/0060675187/)
- [Various Ancient Authors. *The Bible, King James Version.* Thomas Nelson, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0785231269/)
- [Wilson, J. *The Earth Shall Weep: A History of Native America.* Grove Press, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/080213680X/)
- [Wind, L. *No Way, They Were Gay?.* Zest Books ™, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1541581628/)
- [Wolkstein, D. & Kramer, S. N. *Inanna, Queen of Heaven and Earth.* Harper Perennial, 1983.](https://www.worldhistory.org/books/0060908548/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, June 28). Dez Fatos sobre a Comunidade LGBTQIAP+ na Antiguidade. (L. Amboni, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1774/dez-fatos-sobre-a-comunidade-lgbtqiap-na-antiguida/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Dez Fatos sobre a Comunidade LGBTQIAP+ na Antiguidade." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, June 28, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1774/dez-fatos-sobre-a-comunidade-lgbtqiap-na-antiguida/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Dez Fatos sobre a Comunidade LGBTQIAP+ na Antiguidade." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, 28 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1774/dez-fatos-sobre-a-comunidade-lgbtqiap-na-antiguida/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni/ "User Page: Letícia Amboni"), publicado em 28 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

