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title: Templos Megalíticos de Malta
author: Ollie Wells
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1678/templos-megaliticos-de-malta/
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license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-23
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# Templos Megalíticos de Malta

_Escrito por [Ollie Wells](https://www.worldhistory.org/user/olliewells02/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os templos megalíticos de Malta e Gozo contam-se entre os edifícios independentes mais antigos do mundo. A construção destes templos teve início por volta de 3500 a.C., um feito arquitetónico impressionante para a época, especialmente tendo em conta que os construtores tinham acesso limitado a materiais e não dispunham de ferramentas de metal. Embora não saibamos muito sobre como estas pessoas viviam antes do seu desaparecimento em 2500 a.C., os templos que deixaram para trás podem dizer-nos muito sobre a evolução do seu estilo artístico e até começar a dar-nos uma ideia das suas práticas religiosas.

[ ![Tarxien Temples, South Temple](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13443.jpg?v=1748075170) Templos de Tarxien, Templo Sul Damian Entwistle (CC BY-NC) ](https://www.worldhistory.org/image/13443/tarxien-temples-south-temple/ "Tarxien Temples, South Temple")### O [Período Neolítico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-57/periodo-neolitico/) Inicial

O Período Neolítico Inicial em Malta pode ser dividido em três fases distintas:

- Fase de Għar Dalam — 5200-4500 a.C.
- Fase de Grey Skorba — 4500-4400 a.C.
- Fase de Skorba Vermelha — 4400-4100 a.C.

A primeira fase recebeu o nome da Gruta de Għar Dalam, que foi descoberta durante uma escavação nos sítios de Skorba, perto de Mġarr, realizada em nome do Museu Nacional de Malta entre 1961 e 1963. O sítio, que continha restos humanos e animais, fragmentos de cerâmica, ferramentas de pedra e outros artefactos, foi encontrado por baixo de dois templos posteriores — um da Fase Ġgantija, que foi reutilizado e alterado na Fase Tarxien, e outro construído na Fase Tarxien. A cerâmica de Għar Dalam encontrada no sítio apresentava semelhanças notáveis com a cerâmica com impressões de Stentinello encontrada na Sicília, o que corrobora a crença amplamente aceite de que os primeiros habitantes de Malta chegaram de barco vindos da Sicília.

Após a realização de análises de datação por radiocarbono aos fragmentos de cerâmica, determinou-se que alguns dos achados foram criados mais tarde do que se pensava inicialmente e, para dar conta disso, a Fase Skorba Cinzenta e a Fase Skorba Vermelha foram oficialmente reconhecidas. A Fase Skorba Cinzenta caracteriza-se pela utilização de argila cinzenta escura com a adição de partículas brancas na confeção desta cerâmica, enquanto que, na Fase Skorba Vermelha, se observa a adição de barbotina vermelha (uma mistura de argila e água) para revestir a cerâmica, embora as partículas brancas continuem presentes.

As evidências de que dispomos sugerem que os primeiros colonos de Malta constituíam uma comunidade de agricultores. A descoberta de duas lâminas de foice, que podem ser datadas da Fase Skorba Cinzenta, os ossos de animais domesticados e os vestígios de trigo e cevada apontam todos para a agricultura. No entanto, rochas de calcário esculpidas, que provavelmente teriam sido utilizadas como munições para fundas, indicam que é provável que esta comunidade também praticasse a caça. Foi encontrado o pavimento de seixos e terra batida de uma casa oval de um único piso, e também se encontraram indícios de ambientes domésticos semelhantes na ilha vizinha de Gozo, nomeadamente os vestígios de uma aldeia em Santa Verna. Foram igualmente encontradas estatuetas representando mulheres e datáveis da Fase Skorba Vermelha.

### O Período do Templo

Nas ilhas de Malta e Gozo, existem sete templos megalíticos, alguns dos quais reconhecidos como Património Mundial da UNESCO. O Período dos Templos de Malta divide-se em cinco fases:

- Fase de Żebbuġ (4100-3800 a.C.)
- Fase de Mġarr (3800-3600 a.C.)
- Fase de Ġgantija (3600-3200 a.C.)
- Fase Saflieni (3300-3000 a.C.)
- Fase Tarxien (3000-2500 a.C.)

Embora a Fase de Żebbuġ tenha início por volta de 4100 a.C., só foram construídos templos por volta de 3500 a.C. A Fase de Żebbuġ caracterizou-se pelo desenvolvimento de túmulos escavados na rocha, como os túmulos descobertos em Xemxija por John Davies Evans na década de 1950.

**As fasesde Żebbuġ e Mġarr**

A Fase de Żebbuġ marca a transição das tumbas escavadas na rocha, dos menires e dos pequenos santuários para os impressionantes templos documentados nas fases posteriores da construção de templos. Os achados mais conhecidos deste período encontram-se nas tumbas de Ta' Trapna, perto de Żebbuġ, em Malta, que foram descobertas pela primeira vez em 1947 por operários que escavavam para lançar as fundações de um edifício. Estas cinco tumbas continham restos mortais, ornamentos de osso e concha, fragmentos de cerâmica e muitos vestígios de tinta de ocre vermelho. A cerâmica de Żebbuġ descoberta no local caracteriza-se pelas linhas incisas utilizadas para a decorar — por vezes, estas incisões representavam seres humanos, mas consistiam principalmente em semicírculos, triângulos e outras formas simples. A maior parte da cerâmica destas sepulturas foi encontrada em fragmentos, tendo apenas um recipiente sido descoberto na sua totalidade. Estes eram feitos de argila cinzenta com lascas brancas, semelhantes à cerâmica do período Grey Skorba, mas com um revestimento polido. Achados semelhantes foram encontrados no Círculo de Pedras de Xagħra.

[ ![Ta' Ħaġrat](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13444.jpg?v=1628115303) Ta' Ħaġrat Linda de Volder (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/13444/ta-hagrat/ "Ta' Ħaġrat")A Fase de Mġarr é uma fase de transição mais curta, imediatamente anterior à construção dos primeiros templos na Fase de Ġgantija. Ao contrário das linhas incisas da Fase de Żebbuġ, a cerâmica da Fase de Mġarr caracteriza-se por linhas curvas, embora o uso de ocre vermelho na decoração destes artefactos continue a ser amplamente utilizado. A maior parte da cerâmica datada deste período foi encontrada nos templos de Ta' Ħaġrat, em Mġarr (Malta), e o facto de a cerâmica ser anterior aos próprios templos sugere que existia uma aldeia no local antes da construção dos templos. O templo principal de Ta' Ħaġrat foi construído durante a Fase de Ġgantija e o templo secundário foi construído durante a Fase de Saflieni.

**A Fasede Ġgantija**

Os templos mais antigos de Malta datam da Fase Ġgantija. O complexo de templos mais conhecido deste período é o dos Templos de Ġgantija, no Planalto de Xagħra, em Gozo. Nos anos 2000, foram realizados extensos trabalhos de restauro nos templos e, em 2013, o complexo foi inaugurado como Património Mundial da UNESCO. O maior, mais antigo e melhor preservado dos dois templos que compõem o complexo de Ġgantija é o Templo do Sul, construído por volta de 3600 a.C.

Geralmente, a estrutura arquitetónica destes templos megalíticos consistia num pátio oval, que conduzia a um corredor formado por trilitos (duas lajes de pedra a suportar uma terceira no topo). Este corredor conduzia, por sua vez, a um espaço aberto com absides construídas nas laterais. O número de absides variava; se fossem muitas, construía-se uma segunda passagem de trilitos para as acomodar. É o caso do Templo do Sul, cujas cinco absides estão separadas por um segundo corredor — há duas absides após o primeiro corredor e três após o segundo. As descobertas de altares e restos de animais sugerem que o local era utilizado para rituais que provavelmente envolviam sacrifícios de animais. Outros artefactos impressionantes incluem um fragmento de uma bela taça com um padrão repetido de pássaros gravado e joias na forma de contas, pingentes e botões feitos de pedra, osso e conchas marinhas.

Outro templo digno de nota da fase de Gganija é o templo principal do sítio de Ħaġar Qim, em Malta. Descoberto pela primeira vez em 1839 por J. G. Vance e posteriormente escavado por Themistocles Zammit em 1909, este templo possui uma área central pavimentada com lajes de pedra lisas que conduzem a quatro absides originais, embora tenham sido acrescentadas mais salas mais tarde, durante a construção do templo. Tal como sugerido pelo arqueólogo David H. Trump, a abside direita foi provavelmente utilizada como recinto para animais de sacrifício, e os ossos de animais descobertos no sítio também apontam para que o sacrifício animal fosse uma utilização provável do templo. À semelhança do complexo de Ġgantija, também foram encontrados altares no templo de Ħaġar Qim — sendo o mais impressionante de todos aquele descoberto junto à entrada do trilito, com decoração vegetal em relevo. O templo norte do complexo de Ħaġar Qim é muito mais antigo do que o templo principal e possui cinco absides.

**A Fase Saflieni**

A Fase Saflieni deve o seu nome aos intrincados complexos funerários subterrâneos do Hipogeu de Ħal Saflieni, o maior hipogeu de Malta, composto por três níveis escavados numa colina de calcário. O primeiro nível do templo é composto por câmaras funerárias escavadas na encosta de uma cratera criada no topo da colina. Os níveis intermédio e inferior foram, posteriormente, construídos no interior da colina ao longo do tempo, encontrando-se o nível mais baixo a 10,6 metros (35 pés) abaixo do nível do solo atual. Neste local foram encontrados os restos mortais de aproximadamente 7 000 indivíduos, com alguns dos ossos ricamente revestidos de ocre vermelho. Esta prática sugere um ritual funerário em que os enlutados pintavam os ossos de vermelho para simbolizar o sangue da vida. Os mortos eram enterrados juntamente com alguns pertences pessoais e oferendas, incluindo pingentes e cerâmica pintada, bem como estatuetas das chamadas «mulheres gordas» e de animais.

[ ![The Sleeping Lady](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/245.jpg?v=1713715743) A Dama Adormecida Jan van der Crabben (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/245/the-sleeping-lady/ "The Sleeping Lady")A decoração no interior do hipogeu consiste em pinturas murais de espirais e motivos em forma de favo de mel, na mesma tinta de ocre vermelho encontrada nos ossos. Foi também descoberto um pequeno recanto na parede que cria ecos, o que teria constituído um ruído de fundo poderoso e assombroso para os ritos funerários. Algumas das aberturas foram concebidas para se assemelharem às entradas em trilito encontradas nos templos à superfície, o que indica que o hipogeu poderá ter tido um significado religioso.

O templo menor do complexo de Ta' Ħaġrat também é datado da fase de Saflieni. Este templo, com 6,5 metros (21 pés) de comprimento, é muito mais pequeno do que o templo da fase de Ġgantija e foi construído com pedras mais pequenas. A entrada no templo faz-se pela abside oriental do templo principal e inclui uma abside de oráculo como parte do seu desenho.

**A fase de Tarxien**

A fase de Tarxien marca a idade de ouro da construção de templos em Malta e caracteriza-se por uma decoração intricada, incluindo motivos em espiral, e cerâmica bem polida. O complexo de templos mais impressionante é o próprio complexo de Tarxien. Este grupo de quatro templos, que é atualmente Património Mundial da UNESCO, foi descoberto em 1913 por um agricultor local, tendo sido posteriormente escavado por Sir Themistocles Zammit nos anos seguintes. O sítio foi posteriormente restaurado em 1956. Três dos quatro templos encontrados em Tarxien datam da Fase de Tarxien (3000-2500 a.C.) e o quarto, que se encontra em pior estado de conservação, pode ser datado da Fase de Ġgantija. A estrutura arquitetónica destes templos é idêntica ao desenho da abside utilizado nos templos de Ġgantija, embora o Templo Central de Tarxien seja único na sua planta com seis absides; quatro destas absides situam-se após o primeiro corredor e outras duas estão separadas por um segundo corredor.

[ ![Tarxien Temple Complex](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13442.jpg?v=1628115303) Complexo de Templos de Tarxien Arian Zwegers (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/13442/tarxien-temple-complex/ "Tarxien Temple Complex")A descoberta de altares e entalhes de animais nas paredes de pedra dos templos de Tarxien sugere que, tal como no complexo de templos de Ġgantija, o sacrifício de animais era uma das finalidades destes templos. É bem conhecido o relevo que retrata um touro e uma porca, que se encontra numa câmara entre o Templo Central e o Templo do Sul. Os artefactos indiscutivelmente mais impressionantes do sítio do Templo de Tarxien foram descobertos no Templo do Sul, incluindo uma enorme estátua da «deusa-mãe» com uma saia plissada, que foi encontrada mesmo à saída do templo. No interior do templo, uma laje de pedra que retrata uma procissão de 22 cabras encontra-se entre vários relevos de animais encontrados na terceira abside.

As estátuas, as figuras e os relevos atestam todos uma impressionante capacidade artística; no entanto, o que talvez seja mais interessante de tudo é o que os Templos de Tarxien nos podem revelar sobre a construção dos templos megalíticos em Malta e Gozo. A descoberta de esferas de pedra no exterior do Templo do Sul sugere que, na ausência da roda — que ainda não tinha sido inventada —, os construtores destes templos deslocavam as enormes lajes de calcário rolando-as sobre estas esferas. Esferas de pedra desta natureza foram também encontradas junto ao templo norte do complexo de Ħaġar Qim, sugerindo que esta técnica foi utilizada ao longo de todas as fases de construção dos templos.

[ ![Tarxien Stone Sculpture with Pleated Skirt](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13448.jpg?v=1628115303) Escultura em Pedra de Tarxien com Saia Plissada Linda De Volder (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/13448/tarxien-stone-sculpture-with-pleated-skirt/ "Tarxien Stone Sculpture with Pleated Skirt")O templo sul do complexo de Mnajdra, construído no início da Fase de Tarxien, é mais uma demonstração impressionante da tecnologia que a população pré-histórica de Malta poderá ter utilizado. Situados perto do sítio de Ħaġar Qim, estes templos foram escavados pela primeira vez por J. G. Vance em 1840, antes de se terem realizado novos trabalhos para descobrir material adicional no século XX d.C., nomeadamente pelo Dr. Thomas Ashby em 1910 d.C. O templo sul, que apresenta um desenho de passagem com dois trilitos, está alinhado astronomicamente. A segunda passagem e os dois megálitos de cada lado são iluminados pela luz solar nos equinócios e solstícios. Nunca poderemos ter a certeza se este alinhamento foi intencional ou não, dada a falta de provas escritas, embora a investigação realizada por estudiosos como Frank Ventura e George Agius sugira que possa ter sido. O templo sul do sítio de Mnajdra partilha um pátio oval com outros dois templos, um construído muito mais cedo, na Fase de Ġgantija, e o outro construído mais tarde, na Fase de Tarxien.

#### Editorial Review

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## Cite Este Artigo

### APA
Wells, O. (2026, September 23). Templos Megalíticos de Malta. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1678/templos-megaliticos-de-malta/>
### Chicago
Wells, Ollie. "Templos Megalíticos de Malta." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 23, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1678/templos-megaliticos-de-malta/>.
### MLA
Wells, Ollie. "Templos Megalíticos de Malta." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 23 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1678/templos-megaliticos-de-malta/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 23 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

