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title: Dez Grandes Poetas Persas
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1554/dez-grandes-poetas-persas/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-24
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# Dez Grandes Poetas Persas

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A literatura persa deriva de uma longa tradição oral de narrativa poética. O primeiro exemplo registado desta tradição é a 'Inscrição de Beistum' de [Dário I](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-357/dario-i/) (o Grande, reinou 522-486 a.C.), esculpida numa face rochosa cerca de 522 a.C. durante o período do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.).

Quaisquer outras obras que tenham sido transpostas para a [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) durante esta era perderam-se quando o império caiu perante Alexandre o Grande em 330 a.C., mas a tradição oral continuou e viria a encontrar a sua expressão máxima nos poetas persas da Idade Média (476-1500) e, em especial, nos dez considerados mais influentes:

- Rudaki
- Daqiqi
- Ferdowsi
- Sanai
- Attar
- [Rumi](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18951/rumi/)
- Saadi
- Nizami
- Omar Khayyam
- Hafez Shiraz

Estes poetas criaram a literatura [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) da sua cultura ao combinarem as suas tradições, mitos e crenças religiosas com as dos árabes muçulmanos, que tinham conquistado a região em 651 e imposto a nova religião do Islão ao povo. Com o tempo, as duas culturas entrelaçaram-se, e a poesia dos persas viria a expressar na íntegra os conceitos mais elevados da crença islâmica — sobretudo os aspetos místicos —, mesmo quando as obras não eram escritas em persa ou sequer por persas. Estes dez poetas não só influenciaram o desenvolvimento da chamada literatura muçulmana, como afetaram as artes literárias de culturas em todo o mundo e continuam a inspirar leitores nos dias de hoje.

[ ![Persian Poet Nizami](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12260.jpg?v=1776239193) Poeta Persa Nizami Jacobolus (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/12260/persian-poet-nizami/ "Persian Poet Nizami")### A Religião, o Destino e o Amor na Poesia Persa

No ano de 651, o [Império Sassânida](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-690/imperio-sassanida/) — que iniciara o processo de transposição da tradição oral para a escrita — caiu perante os árabes muçulmanos invasores, que destruíram muitas obras literárias como parte dos seus esforços para subjugar o povo. No entanto, por altura do Califado Abássida (750-1258), a cultura, a língua, os costumes e a literatura da Pérsia não só tinham sido aceites pela elite árabe muçulmana, como eram ativamente incentivados. Sob a Dinastia Samanida (819-999), que governava com a anuência dos abássidas, a arte, a [ciência](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-351/ciencia/) e a literatura persas floresceram e lançaram as bases para o futuro das artes literárias persas.

Não é possível separar a obra destes poetas da sua religião, o Islão — embora alguns tradutores e comentadores contemporâneos tenham tentado fazê-lo —, uma vez que a sua fé informa e molda a respetiva obra. As alusões aos *hadith* (comentários) e ao [Alcorão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-732/alcorao/) atravessam a quase totalidade das obras destes poetas e, mesmo quando estão ausentes (como em Ferdowsi), a fé do poeta num bem superior e num sentido último para a vida está presente em cada peça.

Ainda assim, a antiga religião persa do zoroastrismo exerce uma influência igualmente forte na obra destes artistas e, em especial, a chamada "heresias" do zurvanismo, que defendia que o Tempo era o Pai da Existência e estimulava a crença num determinismo fatalista. Uma vez que o tempo conduzia o indivíduo ao longo da vida rumo à morte, nada havia que pudesse alterar o destino de cada um. Justaposta a este conceito, em todas as obras dos poetas que se seguem, encontra-se a fé no poder do amor, que transcende o tempo e confere significado à vida. Este amor podia ser direcionado a outro ser humano ou ao Divino, mas, sem ele, a vida era considerada destituída de sentido.

A dicção poética, o recurso ao simbolismo, à metáfora e ao símile são livremente utilizados em todas as formas de literatura persa, desde tratados médicos a crónicas históricas, mas a poesia formal era tida como o pináculo da expressão e, embora muitos outros grandes poetas tenham contribuído para esta tradição, os dez seguintes são considerados os maiores.

[ ![Statue of Rudaki](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/12257.jpg?v=1735945265) Estátua de Rudaki Ninara (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/12257/statue-of-rudaki/ "Statue of Rudaki")### Rudaki (859–940)

Abu 'Abdollah Ja'far ibn Muhammad Rudaki, mais conhecido pelo seu pseudónimo Rudaki, foi o poeta da corte do emir samanida Nasr II (reinou 914–943), que o valorizava de tal forma que o enriqueceu. O estudioso Sassan Tabatabai refere que, "no auge da sua glória, dizia-se que \[Rudaki\] possuía duzentos escravos e precisava de cem camelos apenas para transportar a sua bagagem" (pág. 2). Embora seja frequentemente apontado como tendo chegado à corte pela primeira vez sob Nasr II, a sua obra que chegou até aos dias de hoje deixa claro que já era um poeta respeitado sob o pai de Nasr II, o emir Ahmad Samani (reinou 907–914). Este elevado nível de respeito devia-se ao imenso talento de Rudaki e à sua mestria no domínio de todas as formas poéticas. Pouco resta da sua obra (apenas 52 composições de entre o milhão e quinhentas referidas por escritores posteriores), mas estas evidenciam que era um poeta de enorme poder, capaz de expressar estados emocionais complexos através de imagens simples. É considerado por muitos o "pai da literatura persa", uma vez que criou o conceito de *diwan* (uma coleção de obras curtas de um poeta) e desenvolveu as formas literárias da poesia, incluindo o *ghazal*, as *qasidas* e os *rubais*.

### Daqiqi (935–977)

Abu Mansur Daqiqi obteve igual sucesso como poeta da corte do emir Mansur I (reinou 961–976). Qualquer poeta dependia do mecenato de um admirador abastado, tal como em épocas posteriores, mas um poeta da corte podia contar com muito mais do que um rendimento estável, desde que agradasse ao monarca. O poeta escrevia versos que imortalizavam o nome e os feitos do monarca e era recompensado com dádivas sumptuosas, e assim foi para Daqiqi. Nessa altura, havia um interesse crescente pela história e pelo folclore persas, pelo que Mansur I encomendou uma obra ambiciosa sobre a história, a tradição e a lenda da Pérsia, desde o princípio dos tempos até à atualidade. Daqiqi iniciou o trabalho, baseando-se num manuscrito mais antigo, o *Khodaynamag* (também grafado *Khwaday-Namag*, *O Livro dos Senhores*), proveniente do período do Império Sassânida. Tinha concluído mil versos daquilo que viria a ser o *Shahnameh* (*O Livro dos Reis*) quando foi assassinado por um dos seus escravos. Tal como no caso de Rudaki, resta muito pouco da sua obra, mas os versos extantes demonstram que escrevia num estilo altamente formal, coerente com as obras épicas. É sobretudo conhecido por ter iniciado o projeto que perpetuaria para sempre o nome de Abolqasem Ferdowsi.

[ ![Battle of Al-Qadisiyya](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/11676.jpg?v=1768255685) Batalha de al-Qadisiyya British Library (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/11676/battle-of-al-qadisiyya/ "Battle of Al-Qadisiyya")### Ferdowsi (940–1020)

Abul-Qasem Ferdowsi Tusi era membro dos *dehqan*, a classe alta de proprietários de terras da sociedade, comparável aos senhores feudais na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/). Quase nada se sabe da sua vida, exceto que era manifestamente instruído, casado e tinha uma filha (embora uma elegia inserida no *Shahnameh* seja dedicada a um filho que faleceu antes dele). Após o assassinato de Daqiqi, Ferdowsi aceitou o desafio de escrever o *Shahnameh* para o emir Mansur (alegadamente para dotar a filha de um dote) em 977, mas a Dinastia Samanida caiu pouco depois, sendo substituída pela Dinastia Ghaznáfida (977–1186), que não demonstrava o mesmo apreço pela literatura persa que os samanidas. Ainda assim, Ferdowsi foi encorajado a prosseguir a obra, que concluiu em 1010. O grau de recetividade do *Shahnameh* e a justeza da recompensa recebida por Ferdowsi da parte dos ghaznáfidas são objeto de debate, uma vez que os relatos a esse respeito são amplamente lendários. Independentemente de como a obra possa ter sido recebida inicialmente, tem gozado de uma popularidade duradoura desde então. Tudo o resto que Ferdowsi possa ter composto perdeu-se, mas o épico *Shahnameh*, que narra a história, as lendas e o folclore da [Pérsia antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18563/persia-antiga/) desde o princípio do mundo até à conquista muçulmana, tem sido considerado há muito uma das grandes obras-primas da literatura mundial e constitui a epopeia nacional do Irão nos dias de hoje.

### Sanai (1080–1131)

Hakim Abul-Majd Majdud ibn Adam Sanai Ghaznavi foi o poeta da corte do sultão ghaznáfida Bahram-shah (reinou 1117–1157), que admirava de tal forma a obra do poeta que arranjou casamento entre Sanai e a sua filha. Nessa altura, Sanai já havia escrito várias composições a louvar o sultão, quando Bahram-shah decidiu declarar guerra à Índia e convocou Sanai para o acompanhar. A caminho da corte, Sanai passou por um jardim onde um homem embriagado, falando sozinho, criticava em voz alta a insensatez de Bahram-shah ao prosseguir uma conquista sem qualquer razão e ao desperdiçar tantas vidas. O homem também lamentou a vida de Sanai, referindo-se a ele como um poeta talentoso que desperdiçava os seus dons a louvar um monarca fútil e insensato. Sanai compreendeu imediatamente a verdade contada por aquele homem, renunciou ao seu cargo na corte e tornou-se discípulo de um mestre sufi. O misticismo do sufismo está presente em toda a obra extante de Sanai, nomeadamente na sua obra-prima *O Jardim Murado da Verdade*, que tem sido apelidada de "epopeia mística" pela sua exploração da relação do indivíduo com [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/). Escritores posteriores (destacadamente Attar e Rumi) foram profundamente influenciados por Sanai, que insistia em como "o erro começa com a dualidade" e em como se deve reconhecer que não há distância entre o eu e Deus. Não há razão para "procurar a Deus", porque Deus habita no eu. Deve-se, por conseguinte, esforçar por conhecer o próprio eu para conhecer o Divino. Este conceito, bem como a utilização do vinho como símbolo da natureza inebriante do amor de Deus, viria a ser desenvolvido por muitos dos poetas que se lhe seguiram.

### Attar (1145–1220)

Abu Hamid bin [Abu Bakr](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18656/abu-bakr/) Ibrahim foi um químico (farmacêutico) que seguiu a profissão do pai e parece ter vivido uma vida desafogada, a julgar pelas referências presentes na sua obra. Escreveu principalmente sob o pseudónimo Attar ("o químico"), aparentemente por puro prazer, uma vez que não existem indícios de que tivesse um mecenas. Não era conhecido como poeta durante a sua vida (embora mais tarde tenha sido referenciado, como Attar de Nichapur, enquanto tal) e rejeitava a postura dos poetas que aceitavam remuneração para louvar monarcas que não eram dignos dos seus talentos. Concentrou-se em versos que aproximassem o leitor da compreensão da natureza da existência e da proximidade de Deus. À semelhança de Sanai, era um muçulmano sunita que abraçou o misticismo do sufismo, o qual molda a sua obra. É sobretudo conhecido por *A Conferência dos Pássaros*, um poema alegórico em que todas as aves do mundo se reúnem num encontro para decidir quem será o seu rei; a poupa, conhecida pela sua sabedoria, guia-as numa jornada através de sete vales — perdendo muitas pelo caminho — até chegarem ao covil da grande ave mística Simorgh, onde compreendem que devem governar-se e liderar-se a si próprias. As suas outras obras abordam temas semelhantes ao desenvolver a compreensão sufi de Deus e da relação do indivíduo com o Divino. Foi morto por volta de 1220, quando os mongóis invadiram a sua cidade de Nichapur.

### Rumi (1207–1273)

Jalal ad-Din Muhammad Rumi foi um estudioso islâmico poliglota, teólogo e jurista antes de conhecer o místico sufi Shams-i-Tabrizi em 1244 e tornar-se o poeta místico mais famoso do seu tempo. Nasceu no Afeganistão ou no Tajiquistão, no seio de uma família letrada, sendo altamente instruído, multilingue (escrevendo no seu persa nativo, em árabe, grego e turco) e tendo viajado por muitos lugares. Segundo a lenda, quando tinha dezoito anos, conheceu Attar em Nichapur, que lhe ofereceu um dos seus livros ao reconhecer a espiritualidade do jovem. Diz-se que este encontro lançou as bases para o posterior despertar transcendental de Rumi. Já era um estudioso amplamente respeitado quando conheceu o dervixe sufi Shams, que se tornou o seu melhor amigo e mentor espiritual. Estiveram juntos apenas quatro anos até que Shams desapareceu numa noite e nunca mais foi visto. Rumi procurou o amigo até compreender que a ligação espiritual que partilhavam não podia ser cortada pela morte nem por qualquer distância, sentindo a força vital de Shams como se fosse a sua própria. Depois disso, começou a compor poesia que creditava ao espírito de Shams. A sua mestria literária e perspicácia espiritual eram de tal modo vastas que era chamado de *Mawlawi* ("o nosso mestre"). A sua obra máxima é o *Masnavi*, uma exploração poética em seis volumes sobre a relação entre o indivíduo e Deus, que referencia o folclore, o espiritualismo sufi, o Corão, a lenda e a tradição muçulmanas, além de uma multitude de outras fontes literárias, históricas e religiosas. As suas obras mais curtas referenciam consistentemente o mesmo, entrelaçando contos populares e alusões corânicas com uma voz narrativa que fala diretamente ao seu público, ora esclarecendo, ora obscurecendo, de modo a envolver o leitor por completo no tema em questão. É considerado não só um dos maiores poetas persas, mas também um dos mais influentes e amplamente lidos em todo o mundo.

[ ![Page from the Masnavi](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12258.jpg?v=1697081463) Página do Masnavi Walters Art Museum Illuminated Manuscripts (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12258/page-from-the-masnavi/ "Page from the Masnavi")### Saadi (1210–1291)

Abu-Muhammed Muslih al-Din bin Abdallah Shirazi pertencia a uma família religiosa da cidade de Xiraz, no Irão, e viu a sua vida desenraizada em tenra idade quando os mongóis invadiram a sua terra natal. A sua vida e [filosofia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-340/filosofia/) seriam profundamente marcadas por este acontecimento e pelas guerras quase contínuas que devastaram a região. É conhecido como um poeta de grande profundidade e talento, mas pode igualmente ser considerado um escritor de viagens, uma vez que passou grande parte da vida a deslocar-se de um sítio para outro (locais e experiências que inclui na sua obra), um historiador (visto que as suas peças referenciam acontecimentos em primeira mão) e um existencialista, na medida em que se foca na importância de viver a vida com plena consciência da condição humana e da responsabilidade para com os outros e para consigo próprio. Era culto, tendo possivelmente beneficiado de uma bolsa de estudos na Universidade de Bagdade, antes de viajar pela Síria, Egito, Arábia e Índia. Ao longo das suas viagens, evitou as cortes da elite e os meios académicos, preferindo a companhia das pessoas comuns, em especial daquelas que também tinham sido desterradas pela invasão mongol e pelos conflitos entre cristãos e muçulmanos. Regressou a Xiraz por volta de 1257 e começou a escrever. É sobretudo conhecido pela sua obra poética *Bustan* (*O Pomar*), que explora a importância e a prática da virtude na vida de cada um e aponta para o misticismo do dervixe sufi na apreensão do Divino.

### Nizami (1141–1209)

Nizami Ganjavi nasceu em Ganja (no atual Azerbaijão), onde ficou órfão em idade tardia precoce e foi criado por um tio que estimulou a sua educação. Os versos de Nizami atestam o sucesso do seu tio nessa empreitada, pois é considerado um dos mais cultos entre os poetas persas, já de si altamente instruídos. Nizami é conhecido como o principal poeta romântico da sua época, inspirando-se na obra de Sanai e, especialmente, de Ferdowsi para recolher matéria-prima e inspiração. Os estudiosos especulam que Nizami possa ter memorizado o *Shahnameh*, uma vez que a obra de Ferdowsi marca profundamente a sua própria escrita. Nizami dá continuidade à tradição dos seus predecessores ao focar-se no amor — seja entre dois indivíduos ou entre o indivíduo e Deus — como o aspeto mais importante da existência humana. O investigador Husayn Ilahi-Ghomshei refere que "Nizami ensina que o único papel que o homem é capaz de desempenhar em todo o teatro da Existência é o de amante" (Lewisohn, pág. 78). É sobretudo conhecido pelo *Khamsa* (*Quinteto*), uma obra composta por cinco poemas interconectados que bebem tanto em Sanai como em Ferdowsi, abordando o tema das relações humanas e contendo a sua famosa história de Khosrau e Shirin. Nizami acreditava que, sem o amor, a vida carecia de sentido e a existência de um indivíduo valia apenas o que este investia no amor pelos outros.

### Omar Khayyam (1048–1131)

Abu'l Fath Omar ibn Ibrahim al-Khayyam nasceu em Nichapur, no seio de uma família de posses que garantiu que fosse educado pelos principais eruditos da época. É incluído nesta lista não por ser considerado um grande poeta, mas porque a sua poesia — divulgada em inglês por Edward Fitzgerald (1809–1883) — se tornou popular no século XX e estimulou o interesse ocidental pela literatura persa. No seu tempo, era de tal forma reconhecido exclusivamente como astrólogo e matemático que os estudiosos modernos chegam a questionar se o famoso *Rubaiyat de Omar Khayyam* constitui sequer a sua obra original. Khayyam celebrizou-se sobretudo por ter contribuído para o Calendário Jalali, um mapa solar inovador que corrigiu imprecisões do calendário islâmico. A sua vida, tal como é conhecida pelos contemporâneos e por quem escreveu pouco após a sua morte, foi dedicada à ciência e à investigação astrológica. A sua fama como poeta assenta inteiramente nos esforços de Fitzgerald, cujo *Rubaiyat* não é uma tradução de poesia persa original, mas sim aquilo a que se chamava uma "imitação" — uma adaptação livre de material original a que o próprio Fitzgerald chamou uma "transmogrificação" (Lewisohn, pág. xiii). A "tradução" de Fitzgerald, após passar inicialmente despercebida aquando da sua publicação em 1859, tornou-se numa das obras mais populares dos finais do século XIX e do século XX, mantendo-se até aos dias de hoje como uma das criações literárias mais citadas e antologiadas.

### Hafez de Xiraz (1315–1390)

Khwaja Shams-ud-Din Muhammed Hafez-e Shiraz nasceu em Xiraz, no Irão, presumivelmente de pais cultos, mas pouco se sabe da sua vida para além das referências presentes nas suas obras. É considerado o maior poeta persa, tido quase como um santo, devido à perspicácia e à elevação espiritual da sua obra. Inspirou-se, muito provavelmente, em todos os poetas supramencionados, mas com toda a certeza em Sanai, Attar, Rumi e Nizami na sua exploração do amor como valor central da existência humana. Dizia-se que sabia o Corão de cor e que abraçou por completo o misticismo do sufismo como meio de conhecer o Amado — Deus —, que sentia ser o objetivo final do desejo terreno de cada indivíduo. Tudo o que se ambicionava na vida era ser recompensado com a união com Deus, a qual se podia alcançar em vida renunciando ao que era socialmente aceites para se seguir o próprio caminho. Apropriou-se célebremente do símbolo do vinho de Sanai como o efeito elevatório de Deus sobre o Amante da Verdade e rejeitou os rigores da religião legalista em favor de uma união individual e mística com o Divino através do autoconhecimento, da autodisciplina e da paciência perante o aparente silêncio de Deus face a uma súplica sincera. Foi reconhecido como a maior voz da sua geração no seu tempo, tendo sido erigido um grandioso mausoléu sobre a sua campa pouco após a sua morte. Este túmulo foi ampliado e ornamentado na década de 1930 e constitui hoje um local de peregrinação tanto para admiradores seculares como religiosos da visão do poeta.

[ ![Tomb of Hafez](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12259.jpg?v=1632544203) Túmulo de Hafez Sasha India (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/12259/tomb-of-hafez/ "Tomb of Hafez")### Conclusão

As obras destes poetas, e de muitos outros, constituíram a base para a perpetuação da cultura e dos valores persas, permitindo-lhes florescer e influenciar o mundo que hoje reconhecemos. O brilho destes artistas na expressão dos fundamentos da condição humana e do poder transformador do amor tem ecoado ao longo do tempo e continua a incentivar a crença num propósito e sentido superiores na vida.

A literatura de qualquer cultura constitui um reflexo dos valores comunitários do povo, a expressão individual de uma resposta coletiva ao facto de se ser humano. O poeta exprime aquilo que os outros sentem — muitas vezes sem o saberem — e desejam, mesmo que não fizessem ideia dessa necessidade até lerem as palavras do artista. Toda a literatura mundial ressoa com este mesmo valor de descoberta pessoal e cultural, mas a literatura persa, sob a forma de poesia, oferece a experiência única de fundir harmoniosamente o quotidiano da vida diária com a transcendência da eternidade; não apenas numa única época ou através da obra de um só artista, mas de forma contínua, desde a sua génese até àqueles que mantêm viva a tradição nos dias de hoje.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Farrokh, K. *Shadows in the Desert.* Osprey Publishing, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/1846034736/)
- [Ferdowsi, A. & Davis, D. *Shahnameh: The Persian Book of Kings.* Penguin Classics, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/0143108328/)
- [Katouzian, H. *The Persians: Ancient, Mediaeval, and Modern Iran.* Yale University Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0300169329/)
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- [Tabatabai, S. *Father of Persian Verse: Rudaki and His Poetry.* Leiden University Press, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/9087280920/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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Mark, J. J. (2026, July 24). Dez Grandes Poetas Persas. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1554/dez-grandes-poetas-persas/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Dez Grandes Poetas Persas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 24, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1554/dez-grandes-poetas-persas/>.
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Mark, Joshua J.. "Dez Grandes Poetas Persas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 24 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1554/dez-grandes-poetas-persas/>.

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