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title: Fantasmas Nórdicos e a Vida Após a Morte
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1290/fantasmas-nordicos-e-a-vida-apos-a-morte/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-19
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# Fantasmas Nórdicos e a Vida Após a Morte

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A visão mais conhecida da vida após a morte na cultura nórdica é a de [Valhalla](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20067/valhalla/), o salão dos heróis onde os guerreiros escolhidos pelas Valquírias banqueteiam com o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) Odin, narram histórias das suas vidas e lutam entre si em preparação para a batalha final de Ragnarök, o fim do mundo e a morte dos deuses. Esta imagem está tão profundamente associada às crenças nórdicas da Era Viking (cerca de 790-1100) como a do funeral Viking, no qual um barco é preparado como uma pira funerária com o cadáver rodeado de tesouros, sendo depois enterrado ou incendiado.

Estas descrições provêm de obras que preservaram a [mitologia nórdica](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12388/mitologia-nordica/) e outros tipos de literatura (bem como de evidências físicas), as quais demonstram que enterrar barcos e navios como leitos funerários, ou incendiá-los como piras, realmente acontecia, sendo tais imagens popularizadas pelos media (mais recentemente através de séries televisivas como *Vikings* e *The Last Kingdom*). Contudo, existiam vários destinos possíveis para as almas escandinavas na vida após a morte e os barcos, por serem extremamente dispendiosos, parecem ter sido raramente enterrados ou queimados. Um Viking — ou qualquer guerreiro escandinavo — poderia esperar acordar em Valhalla após a morte, mas o agricultor ou o tecelão que nunca empunhara uma espada ou um machado não o faria. Ainda assim, o que esperavam precisamente permanece incerto.

[ ![Gudrun & Ghost, Laxdale Saga](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/9692.jpg?v=1778569449-1733995124) Gudrun e o Fantasma, Saga das Gentes de Laxárdal Andreas Bloch (1860-1917) (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/9692/gudrun--ghost-laxdale-saga/ "Gudrun & Ghost, Laxdale Saga")A religião nórdica estava totalmente integrada na vida das pessoas e não existia um conjunto único de crenças dogmáticas sobre como os deuses operavam, como deviam ser adorados ou para onde ia a alma após a morte. Os rituais religiosos eram praticados privadamente nos lares ou em festivais ao ar livre, e os nórdicos não possuíam escrituras escritas. É, portanto, difícil reconstruir as crenças nórdicas nos dias de hoje, tal como seriam praticadas antes e durante a Era Viking.

Além disso, o conceito nórdico de "alma" era bastante diferente da forma como é entendido na atualidade ou como era compreendido pelos cristãos entre os séculos VIII e XII. A alma possuía quatro componentes, e o destino de alguém na vida após a morte podia variar entre a existência continuada no seu túmulo, assombrar a sua antiga casa, um dos reinos das divindades ou outras possibilidades.

### As Partes da Alma

A conceção nórdica da alma incluía quatro aspetos que constituíam a totalidade de uma pessoa:

- ***Hamr***: A aparência física de alguém que, contudo, poderia mudar. O hamr podia ser manipulado para a metamorfose, por exemplo, ou mudar de cor após a morte.
- ***Hugr***: A personalidade ou o caráter de alguém, que perdurava após a morte.
- ***Fylgja***: O tótem ou espírito familiar de um indivíduo, que era único e espelhava o seu hugr; uma pessoa tímida poderia ter um veado como fylgja, enquanto um guerreiro teria um lobo.
- ***Hamingja***: O sucesso inerente de uma pessoa na vida, visto como uma qualidade (ou espírito protetor) que era simultaneamente causado pelo hugr da pessoa e o moldava; a hamingja de alguém seria transmitida através da família, para o bem ou para o mal.

É possível que estas partes da alma não tenham ido todas para um único destino após a morte. Existem provas de que os nórdicos acreditavam na reencarnação, em que o hugr de alguém passaria para o corpo de um parente recém-nascido, enquanto a sua *hamingja* continuava na família em geral, e a sua *fylgja* parecia simplesmente deixar de existir no momento da morte da pessoa. Não havia qualquer julgamento pelos deuses envolvido no destino final de uma alma; na maior parte dos casos, parece que a alma ia para onde quer que fosse. O grande deus-herói Baldr vai para a terra cinzenta de Hel, debaixo da terra, e não para Valhalla, e nem mesmo os deuses o conseguem trazer de volta. As próprias sagas nórdicas contradizem-se frequentemente ao apresentar a sua visão da vida após a morte e o poder dos deuses.

Uma dificuldade em compreender as crenças nórdicas nos dias de hoje, como referido, é o facto de os escandinavos da Era Viking não nos terem deixado registos escritos (com exceção de inscrições em [runas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17094/runas/), mais significativamente em pedras rúnicas) até à sua interação com o [Cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/) e a sua eventual conquista espiritual (cerca dos séculos X-XII). Antes do Cristianismo, a religião nórdica era transmitida oralmente mas, posteriormente, cristãos nórdicos como o mitógrafo islandês Snorri Sturluson (1179-1241) escreveram as sagas e as crenças mutáveis de uma forma estruturada. O investigador Preben Meulengracht Sørensen escreve:

> A ferramenta mais importante da igreja era o livro. Isto foi revolucionário, pois tornou possível preservar e transmitir conhecimento de partes e tempos remotos. O conhecimento já não dependia da compreensão e da memória dos indivíduos, e a mutabilidade já não era, como na cultura oral, uma consequência natural da comunicação.
> (Sawyer, pág.222)

Escritores como Sturluson preservaram as crenças nórdicas, mas omitiram alguns detalhes que sobrevivem em fragmentos de obras rúnicas pré-cristãs, através de provas físicas encontradas em túmulos, ou que são aludidos noutras obras da era cristã. Estas omissões sugerem aos investigadores que mais detalhes podem ter sido alterados, exagerados ou omitidos por escribas cristãos posteriores que consideravam as crenças e práticas nórdicas desagradáveis.

[ ![Prose Edda](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6412.jpg?v=1778489951) Prosa Edda Unknown (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/6412/prose-edda/ "Prose Edda")### Os Reinos do Além

Este padrão verifica-se nas descrições dos reinos do além que foram preservadas por esses escribas. É provável que a religião dinâmica e viva dos nórdicos apresentasse uma visão mais completa, mas já não é possível determiná-lo devido à lente cristã através da qual a maioria das crenças nórdicas foi transmitida. Sucintamente, existiam cinco destinos possíveis para uma alma nórdica após a morte:

- Valhalla
- Folkvangr
- Hel
- O Reino de Rán
- O Túmulo Funerário

**Valhalla** – o salão dos heróis. Acreditava-se que, quando um guerreiro Viking morria, a alma ia para o salão de Odin, onde ele — ou ela — reencontraria velhos amigos, conversaria, beberia e lutaria em preparação para a batalha final dos deuses em Ragnarök. O investigador H.R. Ellis Davidson escreve:

> Apesar da imagem de Snorri de um Valhalla exclusivamente masculino, existem motivos para acreditar que as mulheres também tinham direito de entrada no reino de Odin se sofressem uma morte sacrificial. Elas também podiam ser estranguladas, esfaqueadas e queimadas após a morte em nome do deus.
> (pág. 150)

**Folkvangr** – 'O Campo das Gentes', presidido pela deusa da fertilidade, Freyja. Poucas referências são feitas ao Folkvangr nos contos nórdicos, mas Freyja é geralmente retratada como benevolente, generosa e bondosa, pelo que se pensa que este reino refletiria a sua personalidade.

**Hel** – Uma terra cinzenta debaixo da terra, no mundo enevoado de Niflheim, governada pela deusa Hel e para onde a maioria das almas iria. O reino de Hel não tem qualquer correlação com a conceção cristã de inferno, mas a deusa com o mesmo nome que personifica este reino é provavelmente um acrescento cristão, uma vez que, para os tempos pré-cristãos, a crença nela não está atestada.

**O Reino de Rán** – Por vezes aludido como as Grutas de Coral de Rán. Rán era uma giganta, casada com Aegir, o gigante e Senhor do Mar, que vivia no fundo do oceano. O reino de Rán era iluminado pelo tesouro massivo que ela tinha retirado aos marinheiros que apanhava na sua rede e afogava, e as almas desses marinheiros permaneciam com ela.

**O Túmulo Funerário** – A alma do falecido podia também permanecer onde o corpo estava enterrado e era, então, conhecida como *haugbui* (de *howe*, um túmulo), um "habitante do monte", que não abandonava a sepultura. A alma podia também permanecer na área após a morte, mas deixava o monte para causar problemas aos vivos. Esta entidade era conhecida como *draugr* ou *aptrgangr* (que significa "o que anda depois" ou "o que anda novamente"); isto é, "aquele que caminha após a morte".

### Os Dois Tipos de Fantasmas

O *haugbui* e o *draugr* são as figuras fantasmais centrais que aparecem na literatura nórdica. Outros espíritos mencionados são entidades elementares ou divindades, mas o *haugbui* e o *draugr* são os cadáveres reanimados de pessoas — não espíritos etéreos que deslizam sobre campos ou escadarias, mas seres sobrenaturais poderosos sob forma física que guardam zelosamente as suas antigas posses ou aterrorizam a sua família ou comunidade.

O *haugbui* não pretendia fazer mal a ninguém, a menos que o seu túmulo fosse perturbado. Estas almas estavam profundamente ligadas ao local onde se encontravam e contentavam-se em lá permanecer, como no caso do guerreiro Gunnar Hamundarson, da *[Saga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17926/saga/) de Njáll* (tít. original *Brennu-Njáls Saga*) islandesa (século XIII). A certa altura, Gunnar é exilado por três anos devido a um crime para o qual foi coagido. Ele aceita o seu castigo e prepara-se para partir, mas, enquanto se afasta, volta-se para olhar a sua quinta, percebe o quanto a ama e regressa a casa.

Gunnar é mais tarde morto num ataque pelos mesmos inimigos que o tinham forçado ao crime anterior. Ele é enterrado com os seus bens num túmulo na sua propriedade e, numa noite, a porta da sepultura é encontrada aberta. Gunnar é visto a olhar para a lua e ele "estava alegre, com um rosto radiante" (*Saga de Njáll*, cap. 78). A porta no túmulo servia para entregar ofertas de comida à alma, pois acreditava-se que os mortos estavam sempre com fome. Várias histórias e lendas incluem este detalhe da porta da sepultura aberta e o *haugbui* no seu interior. O investigador H.R. Ellis Davidson escreve:

> Existe menção a uma porta no túmulo, para que os homens pudessem entrar, e de figuras de madeira guardadas lá dentro. A ideia de que o morto descansava dentro do seu túmulo como se de uma habitação se tratasse é algo que se encontra repetidamente nas sagas islandesas... Por vezes, encontramos a ideia agradável de amigos enterrados em túmulos vizinhos a conversar uns com os outros.
> (pág. 154)

O *haugbui* só era perigoso se o seu túmulo (e os seus bens funerários) fosse ameaçado. O *draugr*, por outro lado, era malévolo e abandonava o túmulo para causar o caos — assassinando pessoas, matando animais e destruindo propriedades. Uma das histórias mais conhecidas de um *draugr* provém da *Grettis saga Ásmundarsonar* (*Saga de Grettir)* islandesa (séculos XIII-XIV). Nesta história, um agricultor chamado Thorhall tem dificuldades em manter servos na sua propriedade; eles continuam a sair, alegando que o local está assombrado. Finalmente, ele contrata um pagão alto chamado Glam, que diz não ter medo de espíritos e prova estar à altura da sua palavra ao cuidar das ovelhas e de outras tarefas.

No dia de Natal, Glam é encontrado morto nos campos (aparentemente porque comeu carne num dia de jejum na noite anterior). Ele é demasiado pesado para que as pessoas o movam facilmente e, além disso, querem festejar; por isso, o seu corpo é deixado ao relento durante alguns dias. Quando é finalmente enterrado, não há muita cerimónia envolvida, pois ele era um pagão, mas ele não permanece enterrado por muito tempo. Pouco depois, Thorhall tem mais problemas do que antes em manter ajuda na sua quinta, à medida que Glam — agora sobrenaturalmente alto e forte, com a pele "azul como o inferno" — anda a matar os rebanhos, a partir objetos e a "cavalgar o telhado" (saltando para cima e para baixo enquanto se senta sobre o telhado).

Um pastor que aceita trabalhar para Thorhall desaparece e é encontrado morto no cemitério da igreja com o pescoço e todos os ossos partidos. Outro [servo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17609/servo/), que tinha permanecido na quinta durante anos, é encontrado no celeiro num estado semelhante, e o gado de Thorhall é morto e devorado. As notícias dos problemas de Thorhall com o fantasma chegam eventualmente ao herói Grettir Asmundson, que oferece os seus serviços.

[ ![Grettir the Hero, Grettir's Saga](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/9693.jpg?v=1778489955) Grettir, o Herói, Saga de Grettir Unknown (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/9693/grettir-the-hero-grettirs-saga/ "Grettir the Hero, Grettir's Saga")Grettir espera no salão do agricultor e, após algumas noites, Glam aparece. O herói e o *draugr* lutam por todo o salão e depois ao ar livre, até que Grettir corta a cabeça de Glam. Thorhall e Grettir queimam então o cadáver de Glam e "depois recolheram as suas cinzas na pele de uma besta e enterraram-na onde havia menos pastagens para ovelhas, ou caminhos de homens" (*Saga de Grettir*, cap. 35). Thorhall vai então contar aos seus vizinhos o que aconteceu e onde as cinzas estão enterradas, para que o local possa ser evitado.

A história contém vários motivos encontrados noutras histórias sobre o *draugr*:

- Glam não é cristão e despreza os preceitos cristãos.
- Não é enterrado corretamente.
- É um cadáver reanimado de força e tamanho enormes.
- Alimenta-se de animais e pessoas.
- A sua pele é azul (por vezes os *draugr*s são pretos, brancos ou verdes).
- Só pode ser morto se lhe for cortada a cabeça.
- As cinzas devem ser queimadas e deixadas espalhar pelo mar ou enterradas longe das pessoas.

Histórias como esta enfatizavam frequentemente a importância de ritos funerários adequados, alertando para o perigo muito real de criar um *draugr* quando se poderia ter, com a mesma facilidade, um gentil *haugbui* como vizinho. Se Glam tivesse sido enterrado corretamente, embora não fosse da fé cristã, provavelmente ter-se-ia mantido em repouso.

Este nem sempre era o caso, contudo. Na história de Hrapp, da *Laxdæla Saga* (*Saga das Gentes de Laxárdal* - século XIII), uma boa mulher com um marido tirânico observa todos os ritos funerários adequados e é, ainda assim, assombrada pelo *draugr* do homem após a sua morte. Hrapp exige ser enterrado na sala de estar da sua casa, em posição vertical, para que possa vigiar todos os seus bens e servos. Embora isto seja feito conforme as suas especificações, ele continua a assombrar a família e "matou a maioria dos seus servos nas suas aparições fantasmagóricas" (cap. 17). Para acabar com as assombrações, a família tem de desenterrar o seu cadáver e mudá-lo "para um lugar onde o gado fosse menos propenso a vaguear ou os homens a passar" (cap. 17).

Depois de feito isto, e sem necessidade de cortar a cabeça de Hrapp, as assombrações cessam. Esta história serviria de conselho sobre como lidar com um fantasma rebelde, mas também enfatiza a importância de apreciar os objetos materiais sem se tornar obcecado por eles. Ao contrário de Gunnar, que ama a sua quinta e os seus bens e é feliz com eles na vida após a morte, Hrapp quer continuar a controlar o que outrora possuiu. A insistência de Hrapp em manter o controlo, em vez de deixar partir, transforma-o num espírito maligno, e ele personifica outra característica comum do *draugr*: a inveja dos vivos e de tudo o que eles ainda podem desfrutar.

[ ![Valhalla](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/7527.jpg?v=1778489959-1733995596) Valhalla Emil Doepler (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/7527/valhalla/ "Valhalla")### Conclusão

A imagem popular do guerreiro Viking que despreza a morte, confiante num lugar à mesa de Valhalla, contrasta com a visão da morte partilhada pela maioria dos escandinavos nos tempos pré-cristãos, que a encaravam como uma tragédia. A morte era a perda de tudo o que alguma vez se conhecera e, se é que existia algo como uma vida após a morte, era o sombrio reino cinzento de Hel, com as suas altas muralhas e portões espessos. A investigadora Kirsten Wolf observa:

> O poema édico *Havamal* (Provérbios do Altíssimo), que é considerado como expressando os sentimentos de, certamente, um número significativo de pessoas comuns na Noruega e na Islândia no final da Era Viking, despreza crenças místicas, como as que se referem a uma vida futura. Segundo este poema, a morte é a maior calamidade que pode recair sobre um homem; a má saúde e os ferimentos são preferíveis. Até um homem coxo pode montar a cavalo, um homem sem mãos pode conduzir rebanhos, e um homem surdo pode juntar-se à batalha; é melhor ser cego do que ser queimado na pira funerária.
> (pág. 214)

Além disso, como referido, parece não ter sido dada qualquer razão para que uma alma fosse para um reino em vez de outro após a morte, exceto no caso de Valhalla (e não é claro quão prevalecente era, na realidade, a crença nesse reino). Após a ascensão do Cristianismo nas regiões escandinavas, a vida após a morte pagã foi substituída pela visão do julgamento do deus cristão e pelos reinos do céu, purgatório e inferno. Segundo Wolf, o Cristianismo apresentou aos escandinavos "um deus justo e reto que não estava sujeito ao Ragnarök, mas que governava pela eternidade. Deu-lhes respostas firmes a questões sobre a morte, a vida após a morte e o propósito de tudo isto" (pág. 223).

Com o tempo, as crenças cristãs misturaram-se com os preceitos pagãos mais antigos e, embora as pessoas pudessem sentir mais confiança quanto ao destino que as aguardava após a morte, continuavam a temer os mortos que tinham partido antes delas. Ritos funerários, como enfaixar a cabeça do cadáver para que este não pudesse ver onde ia ser enterrado (e, assim, não conseguisse encontrar o caminho de volta a casa), continuaram pela era cristã adentro, e o medo dos mortos inquietos influenciou a perpetuação de outros rituais semelhantes.

O Cristianismo poderá ter proporcionado uma visão mais segura da vida após a morte para os nórdicos, mas estes continuavam fortemente convictos de que não valia a pena correr riscos com fantasmas. Imagens e talismãs de Odin e [Thor](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11922/thor/) continuaram a ser utilizados para proteção contra espíritos bem dentro do período cristão da Escandinávia, sugerindo uma dependência dos métodos antigos de lidar com a espiritualidade, mesmo enquanto as pessoas aceitavam um novo modelo de vida após a morte.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Dougherty, M. J. *Vikings: A History of the Norse People.* Amber Books, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/1782740619/)
- [Ellis Davidson, H.R. *Gods and Myths of the Viking Age.* Bell Publishing Company, New York, 1982.](https://www.worldhistory.org/books/0517336448/)
- [Grettir's Saga Complete Text](http://sagadb.org/grettis_saga.en "Grettir's Saga Complete Text"), accessed 5 Dec 2018.
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- [Wolf, K. *Viking Age: Everyday Life During the Extraordinary Era of the Norsemen.* Sterling, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1454909064/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Links Externos

- [Can you solve the Ragnarok riddle? - Dan Finkel](https://ed.ted.com/lessons/can-you-solve-the-ragnarok-riddle-dan-finkel)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, July 19). Fantasmas Nórdicos e a Vida Após a Morte. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1290/fantasmas-nordicos-e-a-vida-apos-a-morte/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Fantasmas Nórdicos e a Vida Após a Morte." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 19, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1290/fantasmas-nordicos-e-a-vida-apos-a-morte/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Fantasmas Nórdicos e a Vida Após a Morte." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 19 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1290/fantasmas-nordicos-e-a-vida-apos-a-morte/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 19 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

