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title: Rainha Hatshepsut: Filha de Amon, Faraó do Egito
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-118/rainha-hatshepsut-filha-de-amon-farao-do-egito/
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license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-28
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# Rainha Hatshepsut: Filha de Amon, Faraó do Egito

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

[Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-743/hatshepsut/), cujo nome significa "A Primeira das Mulheres Nobres" ou "A Principal entre as Mulheres Nobres" (nome de coroação, Maat-ka-Rá, traduzido como "O Espírito da Harmonia e da Verdade"), foi a quinta governante da XVIII Dinastia (reinou 1479–1458 a.C.). Era filha de Tutmés I e da Rainha Amósis e, como era costume nas casas reais egípcias, casou-se com o seu meio-irmão, Tutmés II. Juntos tiveram uma filha, Neferuré, tendo Tutmés II sido pai de um rapaz, nascido de uma esposa secundária chamada [Ísis](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-770/isis/): Tutmés III (1458–1425 a.C.), a quem designou como seu herdeiro.

Embora tenha sido nomeada regente até que Tutmés III atingisse a maioridade, Hatshepsut estava há muito habituada a posições de poder e optou, em vez disso, por se fazer coroar [faraó](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-288/farao/) do Egito. Sendo uma mulher a ocupar um cargo masculino, compreendeu que precisava de tomar medidas para salvaguardar a sua posição enquanto governante, pelo que escolheu retratar-se como filha do [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) Amon, a divindade mais popular e poderosa da época.

[ ![Hatshepsut (Artistic Facial Reconstruction)](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/17321.jpg?v=1751916668-1683021268) Hatshepsut (Reconstrução Facial Artística) Panagiotis Constantinou (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/17321/hatshepsut-artistic-facial-reconstruction/ "Hatshepsut (Artistic Facial Reconstruction)")### A Monarquia Masculina Tradicional e a Esposa Divina de Amon

Hatshepsut reinou durante o período conhecido como o [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Novo do Egito (cerca de 1570 a cerca de 1069 a.C.), que teve início com a expulsão dos hicsos (governantes estrangeiros) do território egípcio por Amósis de Tebas (cerca de 1570–1544 a.C.). Amósis iniciou uma política de criação de zonas-tampão em redor das fronteiras do Egito para garantir que nenhuns soberanos estrangeiros pudessem assumir o controlo do país, tal como os hicsos haviam feito. Os faraós que antecederam Hatshepsut deram continuidade à política de Amósis e expandiram-na, incluindo, naturalmente, o seu pai, Tutmés I, que liderou campanhas militares na Síria e na Núbia.

Hatshepsut deu continuidade a este tipo de campanhas no início do seu reinado, mas necessitava de uma maior legitimidade para consolidar o seu domínio sobre o poder. Sendo uma mulher faraó no Egito, estava a quebrar uma longa tradição. Acreditava-se que o primeiro governante do Egito houvera sido o deus Osíris, que estabelecera o equilíbrio e a harmonia entre o povo da terra até ser assassinado pelo seu irmão, Seti. Segundo a [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/) egípcia, a esposa de Osíris, Ísis, devolveu-lhe a vida, mas, como ele estava incompleto, já não podia governar na Terra, tendo descido ao Além-Túmulo, onde se tornou o Senhor dos Mortos. O seu filho, Hórus, assumiu então o seu lugar após vingar o assassinato do pai.

Seguindo este paradigma, os monarcas do Egito eram invariavelmente homens. O rei moldava o governo com base no exemplo de justiça de Hórus e, quando falecia, identificava-se com Osíris, o rei do Além. Não havia lugar para uma governante feminina neste modelo. Contudo, no Império Médio, o deus Amon começou a ganhar popularidade na religião egípcia. O príncipe tebano Mentuhotep II (cerca de 2061–2010 a.C.) unificou o Egito no início do Império Médio e fez de Tebas a capital. Amon, a quem foi atribuída a vitória, tornou-se o deus padroeiro de Tebas. Sob o reinado de Senusret I (cerca de 1971–1926 a.C.), deu-se início à construção do Grande Templo de Amon em Carnac, em Tebas, e Amon conheceu um crescimento constante em prestígio e poder.

O título honorífico de Esposa Divina de Amon era outorgado a mulheres da nobreza que auxiliavam o Sumo Sacerdote de Amon nas suas funções, tratando-se, por norma, da esposa ou da filha do rei. No período do Império Médio, os deveres da Esposa Divina de Amon pouco mais eram do que cantar e prestar assistência ao clero masculino, mas, na época de Hatshepsut, o cargo detinha um peso muito maior. Hatshepsut foi nomeada Esposa Divina de Amon pela sua mãe, vindo a conhecer em primeira mão as complexidades do culto, bem como o poder da autoridade.

[ ![Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/178.jpg?v=1770299649) Hatshepsut Postdlf (GNU FDL) ](https://www.worldhistory.org/image/178/hatshepsut/ "Hatshepsut")### Hatshepsut, o Faraó

Tutmés II faleceu em 1479 a.C., nomeando Hatshepsut como regente do jovem rei. Tutmés III, embora sendo ainda uma criança, governou oficialmente com Hatshepsut até 1473 a.C., ano em que esta se autoproclamou faraó, fazendo-se representar com indumentária masculina e assumindo os deveres e obrigações dos faraós homens que a precederam. Talvez para solidificar o seu domínio sobre o trono, casou a sua filha Neferuré com o jovem Tutmés III (um casamento que duraria onze anos, até à morte de Neferuré).

Contudo, o casamento da filha com o herdeiro presuntivo não era suficiente e, por isso, Hatshepsut recriou-se numa imagem que tinha a certeza de que a corte e o povo egípcio não só aceitariam, como admirariam. Ela seria não apenas Esposa Divina de nome, mas estaria intimamente aparentada com o deus na qualidade de sua filha. Nas suas inscrições, relata que não fora na verdade Tutmés I o seu pai, mas sim o próprio deus Amon:

> Ele \[Amon\], sob a encarnação da Majestade do seu esposo, o Rei do Alto e Baixo Egito \[Tutmés I\], encontrou-a a dormir na beleza do seu palácio. Ela despertou com a fragrância divina e voltou-se para Sua Majestade. Ele dirigiu-se a ela de imediato, sentiu-se arrebatado por ela e impôs-lhe o seu desejo. Permitiu-lhe que o visse na sua forma de deus e ela regozijou-se com a visão da sua beleza após ele comparecer perante si. O seu amor penetrou no corpo dela. O palácio foi inundado por uma fragrância divina.
> (van de Mieroop, pág. 173)

Na qualidade de Esposa Divina de Amon, Hatshepsut aprendera a linguagem do clero e compreendia os rituais associados ao deus. Tinha dançado e cantado para a divindade no início dos festivais, momento em que cabia à Esposa Divina despertar o deus para o ato da criação. Ao identificar-se como filha do deus, elevava agora o seu estatuto para lá da posição semidivina de uma Esposa Divina ritualística, passando a apresentar-se como filha efetiva da divindade. Para fortalecer ainda mais o seu domínio sobre o trono do Egito, mandou também inscrever um oráculo que afirmava ter sido proferido muito antes do seu nascimento, no qual Amon vaticinava que ela seria faraó:

> Um oráculo perante este bom deus predisse magnificamente para mim a realeza das Duas Terras, com o norte e o sul a temerem-me; e concedeu-me todas as terras estrangeiras, iluminando as vitórias da minha Majestade. Ano 2, segundo mês da estação do crescimento, dia 29, o terceiro dia do festival do deus Amon... sendo esta a predição para mim das Duas Terras no amplo salão do Opet Meridional (=Templo de Luxor), enquanto Sua Majestade \[Amon\] proferia um oráculo na presença deste bom deus. O meu pai, o deus Amon, Chefe dos Deuses, manifestou-se no seu belo festival.
> (van de Mieroop, pág. 173)

Como Esposa Divina de Amon, Hatshepsut saberia da existência dos oráculos do deus — oráculos que, eventualmente, viriam a ser levados tão a sério que Amon se tornaria o governante de facto de Tebas e do Alto Egito —, pelo que esta alegação de um oráculo que previa a sua ascensão ao poder e a legitimidade do seu governo como filha de Amon teria um peso enorme junto do povo do Egito. Tendo casado a sua filha com o seu sucessor e estabelecido a si própria como filha do deus mais popular do Egito — um deus considerado o criador e redentor, o rei de todos os deuses —, Hatshepsut lançou-se a governar o seu país e a construir o seu legado.

[ ![Osiride Statue of Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14312.jpg?v=1624285200) Estátua Osiríaca de Hatshepsut Nicole Lesar (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14312/osiride-statue-of-hatshepsut/ "Osiride Statue of Hatshepsut")### As Obras Públicas

Hatshepsut lançou-se imediatamente na execução de grandes projetos de obras públicas, encomendando logo no início o seu requintado templo em Deir el-Bahari, em Tebas. Nos relevos esculpidos neste local, Hatshepsut reivindica uma origem divina como filha do deus Amon, declarando assim de forma clara o seu direito legítimo a governar o Egito. Afirmou ainda que o seu pai, Tutmés I, a havia nomeado sua corregente e herdeira durante o seu próprio reinado, antes do casamento dela com Tutmés II. O seu senescal principal, Senenmut, que servira Tutmés II e era o seu companheiro leal, corrobora estas narrativas, uma vez que, ao que parece, auxiliava a rainha em todos os seus assuntos de Estado. Os historiadores Bob Brier e Hoyt Hobbs comentam os seus projetos de construção, escrevendo:

> Hatshepsut procedeu à feminização do Egito. O seu reinado não incluiu grandes conquistas militares; a arte produzida sob a sua autoridade era suave e delicada; e a rainha construiu um dos templos mais elegantes do Egito contra as escarpas situadas fora do Vale dos Reis. Erguida ao lado do famoso templo mortuário de Mentuhotep II, a versão de Hatshepsut alongou o desenho original para produzir uma estética diferente. Uma longa rampa ascendia a um amplo terraço a partir de um pátio repleto de tanques e árvores. Delimitado por uma vasta parede de [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/), o terraço estendia-se ao longo de todo o comprimento do templo de Mentuhotep e sustentava uma rampa que subia para um segundo terraço, também ele ladeado por uma imponente colunata. No topo das suas salas colunadas, cujas paredes estavam cobertas de belos relevos, erguia-se o templo propriamente dito, cujas salas mais pequenas continham estátuas da rainha. Algumas cenas parietais mostravam o seu nascimento como um evento divino no qual o deus Amon, disfarçado como o seu pai Tutmés I, engravidava a sua mãe, indicando que o próprio deus a havia colocado pessoalmente no trono.
> (pág. 30)

O reinado da Rainha Hatshepsut durou 22 anos e, nesse período, ela foi responsável por mais projetos de construção do que qualquer outro faraó na história, com exceção de Ramessés II (também conhecido como Ramessés, o Grande, 1279–1213 a.C.). Embora os historiadores reconheçam o seu governo como uma era de paz e prosperidade, existem evidências de que, numa fase inicial, após ter reivindicado a sua descendência de Amon, liderou expedições militares contra as regiões vizinhas da Síria e da Núbia. Enviou também expedições à terra de Punt (a atual Somália) em navios com pouco mais de 21 metros (70 pés) de comprimento, cada um tripulado por 210 marinheiros e 30 remadores. Estas expedições trouxeram de volta, entre outros bens, árvores de incenso vivas em cestos com a sua terra natal (a primeira vez na história que plantas ou árvores foram transportadas com sucesso a partir de uma terra estrangeira para serem transplantadas), as quais foram dispostas de modo a adornar o seu complexo em Deir el-Bahari. Este complexo exibe uma simetria perfeita e era tão inspirador para os antigos que os faraós posteriores escolheriam a zona em redor do seu templo para as suas próprias sepulturas, uma área hoje conhecida como o Vale dos Reis.

[ ![Djeser-Djeseru, Temple of Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/179.jpg?v=1721373373-1721373385) Djeser-Djeseru, Templo de Hatshepsut iStockphoto (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/179/djeser-djeseru-temple-of-hatshepsut/ "Djeser-Djeseru, Temple of Hatshepsut")Hatshepsut, além disso, ampliou significativamente o templo de Carnac, restaurou o Templo de Mut, recorreu ao génio do arquiteto Ineni (que já trabalhara para o seu pai) no desenho de novos templos e monumentos, e mandou erguer os obeliscos gémeos (na altura os mais altos do mundo) à entrada do Templo de Mut em Carnac. De tal forma eram belos os seus edifícios que os faraós posteriores os reivindicaram como seus, e eram tão numerosos os seus monumentos e projetos de templos que, hoje em dia, restam poucos museus no mundo que não alberguem obras encomendadas por si.

### A Remoção da História

Por volta de 1457 a.C., Tutmés III, a quem Hatshepsut havia promovido a general dos seus exércitos, liderou uma campanha fora do Egito para reprimir uma revolta em Megido e, após este evento, Hatshepsut desaparece da história. Os seus santuários foram vandalizados e os seus obeliscos e monumentos foram derrubados, muito provavelmente por ordem de Tutmés III. O trabalho de Tutmés III foi tão minucioso que o nome de Hatshepsut caiu no esquecimento, e o seu reinado era praticamente desconhecido no início do século XIX. Foi apenas quando o orientalista Jean-François Champollion (1790–1832) decifrou a Pedra de Roseta e leu as inscrições no interior do templo em Deir el-Bahari que se soube que tal faraó alguma vez existira.

O motivo por trás da profanação e destruição das obras de Hatshepsut, bem como do apagamento do seu nome da história, permanece desconhecido. Durante muitos anos, especulou-se que Tutmés III se ressentia pelo facto de uma mulher ter, essencialmente, usurpado o seu trono, mas não existem evidências em lado nenhum que sustentem esta tese. Eliminar a imagem ou o nome de uma pessoa de um templo ou de uma estátua após a sua morte significava, no fundo, matar o seu espírito no Além-Túmulo egípcio, e não há provas de que Tutmés III nutrisse tamanha inimizade por Hatshepsut. Outra teoria defende simplesmente que Tutmés III pretendia transmitir à posteridade a ideia de uma linha de sucessão ininterrupta entre o seu pai e ele próprio. Contudo, esta teoria também carece de solidez, visto que Tutmés III apenas mandou apagar as imagens públicas de Hatshepsut, preservando as estátuas, pinturas e relevos situados no interior profundo dos templos.

[ ![Portrait of Queen Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/572.jpg?v=1757297169) Retrato da Rainha Hatshepsut Rob Koopman (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/572/portrait-of-queen-hatshepsut/ "Portrait of Queen Hatshepsut")Talvez a melhor teoria avançada para as ações de Tutmés III seja a de que ele estaria a tentar restaurar o equilíbrio, temendo que o ilustre reinado de uma mulher pudesse inspirar outras mulheres no Antigo Egito a procurar posições de poder reservadas, pelos deuses, aos homens. Como foi referido, supunha-se que os faraós seguissem o paradigma de Osíris e Hórus na manutenção do equilíbrio na terra; não o de Ísis nem de qualquer outra divindade feminina, muito embora tais deusas fossem tidas em alta consideração. O conceito de [Ma'at](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15014/maat/) (harmonia e equilíbrio universais) era de suma importância para os egípcios e, na qualidade de filho de um rei que havia sido privado do seu trono por uma mulher durante demasiado tempo, Tutmés III poderá ter sentido que estava simplesmente a cumprir os seus deveres como faraó ao eliminar os vestígios de uma governante feminina. O resultado de todo o seu trabalho foi que, até finais do século XIX, a governante feminina mais famosa do Egito passou a ser a última faraó, [Cleópatra VII](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-866/cleopatra-vii/) (cerca de 69–30 a.C.) da Dinastia Ptolomaica — que nem sequer era egípcia, mas sim grega.

### O Legado de Hatshepsut

Sustenta-se que o cadáver de Hatshepsut foi ocultado de Tutmés III e que lhe foi concedido um sepultamento egípcio em segredo, por receio de que ele pudesse profanar o corpo. Durante muitos anos, acreditou-se que nada restara do seu corpo a não ser alguns fragmentos encontrados num vaso canópico, juntamente com a ama de Hatshepsut, Sitire-Rá. Contudo, em 2006, o egiptólogo Zahi Hawass afirmou ter localizado a múmia de Hatshepsut no terceiro andar do Museu do Cairo. Os investigadores identificaram a múmia ao fazer corresponder um dente, sabidamente pertencente a Hatshepsut, com uma cavidade vazia na mandíbula da múmia, bem como através de testes de ADN com a avó de Hatshepsut.

O exame da múmia demonstrou que Hatshepsut faleceu na casa dos cinquenta anos devido a um abcesso decorrente da extração de um dente. A teoria de que Tutmés III nutria uma enorme inimizade pela sua madrasta foi, em grande parte, desacreditada, embora continue a ser defendida por alguns académicos. A tentativa de eliminar Hatshepsut da história deveu-se, sem dúvida, à forma como o seu enteado entendia a cultura egípcia e o papel tradicional das mulheres que, mesmo usufruindo de um estatuto mais elevado do que as suas congéneres noutras culturas da Antiguidade, continuavam a ser consideradas secundárias em relação aos homens.

Hatshepsut não foi a primeira mulher a governar o Egito. Neithotep, rainha do Rei Narmer, poderá ter governado após a morte deste na I Dinastia do Egito e, pouco tempo depois, pensa-se que a Rainha Merneith também governou, mesmo que apenas como regente; Nimaethap atuou como regente do seu filho Djoser na III Dinastia do Egito e a Rainha Sobekneferu reinou na XII Dinastia. Também não foi a última, visto que Tauseret governaria brevemente na XIX Dinastia depois dela. Ainda assim, Hatshepsut reinou durante mais tempo do que qualquer outra mulher e, além disso, governou uma nação incrivelmente próspera e poderosa.

É um tributo à sua compreensão do seu povo e da sua cultura o facto de ter reconhecido a importância de se apresentar como filha de Amon, uma personificação viva do divino. Através da sua manipulação cuidadosa das crenças religiosas, foi capaz de legitimar o seu governo, mas o sucesso do seu incrível reinado deveu-se inteiramente às suas capacidades pessoais enquanto líder que viu o que precisava de ser feito e foi capaz de o fazer bem.

O seu legado é digno de nota, não apenas para as mulheres que competem com homens por posições de poder, mas também para qualquer pessoa que se sinta marginalizada e desprovida de poder na sociedade. Certamente, Hatshepsut começou a sua vida com vantagens, sendo filha de um rei, mas recusou o papel tradicional atribuído às mulheres e descartou inclusive a sua filiação biológica para se tornar quem sabia que realmente era: a filha de Amon e faraó do Egito.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Ashton, S. *The Last Queens of Egypt.* Longman, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0582772109/)
- [Brier, B & Hobbs, H. *Ancient Egypt: Everyday Life in the Land of the Nile.* Sterling, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1454909072/)
- [Bunson, M. *The Encyclopedia of Ancient Egypt.* Gramercy Books, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0517203804/)
- [Mummy of Egypt's "Lost Queen" Found](http://news.nationalgeographic.com/news/2007/06/photogalleries/queen-mummy/ "Mummy of Egypt's "Lost Queen" Found"), accessed 1 Dec 2016.
- [Shaw, I. *The Oxford History of Ancient Egypt.* Oxford University Press, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B000OKSGJ8/)
- [Van De Mieroop, M. *A History of Ancient Egypt.* Wiley-Blackwell, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1405160713/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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### APA
Mark, J. J. (2026, June 28). Rainha Hatshepsut: Filha de Amon, Faraó do Egito. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-118/rainha-hatshepsut-filha-de-amon-farao-do-egito/>
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Mark, Joshua J.. "Rainha Hatshepsut: Filha de Amon, Faraó do Egito." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 28, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-118/rainha-hatshepsut-filha-de-amon-farao-do-egito/>.
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Mark, Joshua J.. "Rainha Hatshepsut: Filha de Amon, Faraó do Egito." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 28 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-118/rainha-hatshepsut-filha-de-amon-farao-do-egito/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 28 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

