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title: Sobre o Oceano: A Famosa Viagem de Píteas
author: Thomas S. Garlinghouse
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1078/sobre-o-oceano-a-famosa-viagem-de-piteas/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-01
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# Sobre o Oceano: A Famosa Viagem de Píteas

_Escrito por [Thomas S. Garlinghouse](https://www.worldhistory.org/user/tsgarlin/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Por volta do ano 330 a.C., Píteas, um comerciante grego pouco conhecido, embarcou numa viagem extraordinária. Tratava-se de uma viagem que o levaria muito para além dos limites conhecidos do Mediterrâneo, para terras que se pensava existirem apenas no mito e na lenda. Quando regressou, a sua viagem e as coisas espantosas de que fora testemunha seriam debatidas durante séculos.

Píteas era cidadão da cidade grega ocidental de Massília (a atual [Marselha](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10139/marselha/)), que se tornou numa grande potência comercial no Mediterrâneo ocidental graças à sua localização favorável ao longo da costa sul da Gália (França). Era conhecido como um navegador, astrónomo e marinheiro competente. O seu relato da viagem, intitulado *Sobre o Oceano* (tít. original: *Περί τοῦ Ὠκεανοῦ*; transliterado: *Peri tou Okeanou*), documentou uma viagem marítima à Grã-Bretanha, ao Mar do Norte e à linha costeira do nordeste da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/), as misteriosas terras do norte que constituíam as fontes de abastecimento de estanho, âmbar e ouro do Mediterrâneo. Escrito em grego por volta de 325 a.C., é provavelmente a descrição documentada mais antiga das Ilhas Britânicas e dos seus habitantes. De forma significativa, contém também indícios intrigantes de que Píteas poderá ter chegado tão a norte quanto a Islândia e o Oceano Ártico. Eram terras que, nos mitos gregos, eram habitadas por uma raça de gigantes conhecidos como os Hiperbóreos. Infelizmente, existem poucos pormenores sobre a viagem, uma vez que o tratado não sobreviveu. Embora fosse bem conhecido na Antiguidade, apenas fragmentos do mesmo foram preservados, citados sob a forma de excertos ou paráfrases nos escritos de outros autores clássicos.

[ ![Pytheas](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6727.jpg?v=1618217102) Píteas Jeanne Menjoulet (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/6727/pytheas/ "Pytheas")Ao contrário de muitos dos escritos de temática marítima da época, *Sobre o Oceano* não é considerado um périplo, ou pelo menos não é considerado um périplo típico. Tratava-se essencialmente de registos marítimos ou guias de navegação. Continham uma imensidão de informações práticas, tais como distâncias entre marcos costeiros proeminentes ou observações astronómicas destinadas a auxiliar em viagens marítimas. Em contrapartida, *Sobre o Oceano*, embora abranja esse tipo de informação, é, ainda assim, de uma escala muito mais grandiosa e ambiciosa. É um relato em primeira mão da viagem de Píteas e contém uma multiplicidade de observações astronómicas, geográficas, biológicas, oceanográficas e etnológicas. De facto, muitos estudiosos modernos consideram-no um documento de considerável importância científica e antropológica.

### As Fontes

A viagem de Píteas chegou até nós através de vários autores. Entre eles destacam-se, de forma notória, Timeu, Eratóstenes, Plínio o Velho, [Diodoro Sículo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10169/diodoro-siculo/), Estrabão e [Políbio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11195/polibio/). No entanto, estes dois últimos autores mostravam-se abertamente hostis à própria ideia de tal viagem. O geógrafo Estrabão (63 a.C. – 24 d.C.), por exemplo, afirmou na sua famosa obra *Geografia* (tít. original: *Γεωγραφικά*; transliterado: *Geōgraphika*) que Píteas era "o pior mentiroso possível" e que a maioria dos seus escritos não passava de "invenções" (Roseman, pág. 24). Apesar disso, Estrabão é uma fonte primordial sobre Píteas; cita o explorador grego em várias ocasiões na sua *Geografia*, embora a maioria das citações seja apresentada de modo a desacreditar Píteas e a lançar dúvidas sobre a veracidade da sua viagem.

Muitos estudiosos acreditam que as duras acusações de Estrabão derivavam da obra de Políbio (cerca de 200 a.C. – cerca de 118 a.C.), o historiador grego do século II que foi ainda mais veemente nas suas denúncias contra Píteas. O Livro 34 de *As Histórias* (tít. original: *Ἱστορίαι*; transliterado: *Historiai*), de Políbio, que sobrevive apenas em fragmentos, é uma longa diatribe contra Píteas. A animosidade dirigida a Píteas por estes dois autores é curiosa e pode, de facto, ter tido origem em nada mais complexo do que aquilo a que o arqueólogo [britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/) Barry Cunliffe chamou "ciúme profissional" (Cunliffe, pág. 173).

Outros autores clássicos, em contrapartida, eram inteiramente favoráveis a Píteas e aceitavam *Sobre o Oceano* como um relato válido. O mais importante entre eles foi o historiador Timeu (cerca de 345 a.C. – cerca de 250 a.C.), que escreveu um longo tratado sobre a história da Sicília e do Mediterrâneo ocidental. É muito provável que possuísse uma cópia de *Sobre o Oceano* e que a tenha citado em várias ocasiões na sua própria obra. O famoso geógrafo e bibliotecário-chefe em Alexandria Eratóstenes de [Cirene](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-773/cirene/) (cerca de 276 a.C. – 194 a.C.) também fez referência a Píteas num tratado que, tal como *Sobre o Oceano*, se perdeu, mas que circulou amplamente no mundo antigo.

Muitos estudiosos acreditam que o historiador e escritor romano Plínio (23 d.C. – 79 d.C.) obteve grande parte da sua informação sobre Píteas através de Timeu. Tal como Timeu, cita *Sobre o Oceano* várias vezes na sua obra *História Natural* (tít. original: *Naturalis Historia*), prefaciano frequentemente as suas afirmações com a frase "Segundo Píteas..." ou "Píteas de Massília escreveu...". O historiador grego Diodoro Sículo (cerca de 90 a.C. – 30 a.C.), que escreveu a sua monumental *Bibliotheca Historica* por volta da época de [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/), também era conhecido por ter recorrido largamente aos escritos de Timeu, especialmente na sua discussão sobre a antiga Grã-Bretanha.

### A Viagem

Com base nestes (e noutros) fragmentos dispersos, os estudiosos modernos têm tentado reconstituir aspetos da viagem, embora muitos pormenores permaneçam no plano especulativo. Por exemplo, o tipo de embarcação que Píteas poderá ter utilizado nunca foi determinado com qualquer grau de certeza. De facto, vários historiadores — incluindo Cunliffe — sugeriram que ele viajou sobretudo a pé e que poderá ter utilizado barcos de estilo *currach* celta para as travessias de água. Mas também é possível que Píteas, se é que era de facto comerciante, tenha navegado num *holkas*. Tratava-se de navios de carga gregos, embarcações robustas e bem construídas com um calado profundo, concebidas principalmente para o transporte de mercadorias. Geralmente de fundo plano, casco redondo e propulsionadas sobretudo à vela, estas embarcações eram muito diferentes das trirremes, os navios de guerra gregos, que eram mais esguios e mais conhecidos.

[ ![Greek Trading Ship](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6728.jpg?v=1718942173) Navio de Carga Grego Damien Entwistle (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/6728/greek-trading-ship/ "Greek Trading Ship")Igualmente especulativa é a sua rota exata. No entanto, é geralmente aceite que Píteas iniciou a sua viagem em Massília e navegou para oeste através das [Colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) de [Hércules](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10115/hercules/) (o atual Estreito de Gibraltar). Avançou em direção ao Atlântico, navegando para norte ao longo das costas ocidentais de Espanha e França, tendo possivelmente desembarcado na Bretanha. A partir daí, atravessou o Canal da Mancha até um local a que chamou "Belerion", que os estudiosos modernos acreditam ser a Cornualha. Foi aqui que testemunhou os habitantes britânicos a extrair estanho para o comércio com a Gália e, daí, para o Mediterrâneo. Plínio, citando Timeu, escreve: "existe uma ilha chamada Mictis situada a seis dias de navegação para o interior a partir da Bretanha, onde se encontra estanho. Os bretões atravessam até à ilha em barcos de vime revestidos com peles costuradas" (Cunliffe, pág. 75). A localização exata desta ilha é desconhecida, mas tem sido identificada de várias formas como sendo o Monte de São Miguel na Cornualha, a península de Mount Batten em Devon ou a Ilha de Wight.

Diodoro Sículo chamou à ilha da Grã-Bretanha "Pretannia" e aos seus habitantes "Pretanni". Os estudiosos acreditam que ambas as palavras, que provavelmente provêm originalmente de Píteas, derivam da divisão P-celta comum da língua celta. Esta é também a grafia que Estrabão adota na maioria das suas referências à ilha. Em contrapartida, vários autores posteriores utilizam a grafia da divisão B-celta, resultando na palavra "Britannia". Diodoro Sículo descreve a ilha da Grã-Bretanha como sendo "densamente povoada e com um clima... extremamente frio..." (Cunliffe, pág. 108). Descreve os Pretanni como um povo tribal governado por "muitos reis e aristocratas..." (*Idem*). Nota que viviam em casas de "caniço ou madeira" e descreve-os como subsistindo à base de produtos agrícolas (*Ibid.*). "A forma que têm de colher o cereal", escreve, citando Píteas, "consiste em cortar apenas as espigas e guardá-las em edifícios cobertos, selecionando diariamente as espigas maduras para as moer, obtendo assim o seu alimento" (*Ibid.*).

Após observar os habitantes da Cornualha e do sudoeste da Grã-Bretanha, Píteas terá prosseguido para norte ao longo da costa do País de Gales. É possível que tenha desembarcado na Ilha de Man antes de navegar pela costa oeste da Escócia e passar entre as ilhas Hébridas Exteriores e Interiores. De acordo com várias fontes, efetuou diversos desembarques; aliás, Estrabão cita Píteas ao afirmar que este "percorreu a totalidade da Britannike acessível a pé", mas, à sua maneira característica, acrescenta em jeito de aparte que tal proeza é manifestamente absurda (Roseman, pág. 48). Píteas efetuou também várias leituras de latitude com o seu gnómon. Tratava-se de um dispositivo semelhante a uma haste de medição moderna, concebido para medir a sombra do sol a partir de diferentes latitudes e, com base nisso, calcular a posição de alguém. Plínio mencionou que, a norte da ilha da Grã-Bretanha, se encontram as ilhas Órcadas, que a maioria dos estudiosos assumiu serem as atuais Ilhas Órcadas, embora o número exato fornecido por Plínio não coincida com o número real. A partir daí, alguns estudiosos acreditam que Píteas realizou a etapa mais ousada da sua viagem, deixando para trás a Grã-Bretanha e aventurando-se no Mar do Norte.

[ ![Strabo](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6446.jpg?v=1787058605-1787058662) Estrabão Brian Boru (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/6446/strabo/ "Strabo")Segundo Estrabão, Píteas navegou durante seis dias antes de se deparar com uma massa terrestre a que chamou Thule, que alguns estudiosos identificaram como sendo a Islândia. A questão de saber se Píteas chegou efetivamente a desembarcar na Islândia é altamente controversa e tem dividido os investigadores durante décadas. Alguns aceitam que Thule era a Islândia, enquanto outros argumentam que se refere à Noruega. O explorador canadiano Vilhjalmur Stefansson, que explorou profusamente o Ártico, defendeu no seu livro *Ultima Thule* que a possibilidade de Píteas ter chegado à Islândia era perfeitamente credível. Foi aqui, ou algures nestes climas do norte, que Píteas testemunhou um fenómeno totalmente estranho aos habitantes do Mediterrâneo: a luz do dia quase contínua vivida pelos viajantes em altas latitudes durante os meses de verão. Plínio observa:

> Por último, entre as mencionadas, está Thule, onde, como disse, não há noites durante o solstício quando o sol passa pelo signo de Caranguejo, nem dias durante o solstício de inverno. Alguns acreditam que isto se verifica durante seis meses contínuos. (Roseman, pág. 92)

A um dia de navegação para norte de Thule, acrescentava Píteas, chegava-se ao "Mar Congelado", termo que os estudiosos acreditam ter sido utilizado por ele para descrever o Oceano Ártico gelado. A este ponto, é muito provável que o nevoeiro denso, o frio cortante e as espessas camadas de gelo tenham impedido qualquer outra viagem para norte. Não obstante, foi em referência a este lugar que surgiu uma das passagens mais enigmáticas de Sobre o Oceano. Estrabão cita Píteas ao afirmar que esta alta latitude setentrional era um local:

> Onde não existem separadamente nem terra, nem água, nem ar, mas sim uma espécie de concrescência de todos eles, semelhante a um pulmão-marinho no qual a terra, o mar e todas as coisas se encontravam suspensas, formando assim, por assim dizer, um elo para unir o todo.
> (*Idem*, 125)

O termo desconcertante "pulmão-marinho" tem sido há muito motivo de considerável especulação entre os estudiosos modernos. Não é totalmente claro a que se referia Píteas quando utilizou o termo. A explicação mais racional e a que tem sido adotada pela maioria dos investigadores modernos é a de que Píteas estava a usar um termo grego para descrever um fenómeno — o "gelo em panqueca" — que nunca tinha testemunhado e para o qual não existia nenhum termo. O gelo em panqueca é caracteristicamente redondo e flutua à superfície da água. O pulmão-marinho era outro termo para designar uma água-viva (*pleumōn thalattios*), uma criatura que [Aristóteles](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-355/aristoteles/) tinha identificado na sua obra *Sobre as Partes dos Animais* (ti´t. original: *Περὶ ζῴων μορίων*; transliterado: *Peri morion zoon*). Esta também é redonda e flutua à superfície ou muito perto da superfície da água. Vários estudiosos acreditam que, ao tentar descrever este fenómeno, Píteas recorreu simplesmente ao termo pulmão-marinho, que talvez se assemelhasse mais a esta visão estranha.

No regresso de Thule, Píteas terá navegado ao longo da costa leste da Grã-Bretanha, contornando a península de Kent, a que chamou "Kantion", concretizando assim a circum-navegação da ilha. No entanto, em vez de virar para oeste e rumar a casa, existem indícios de que Píteas virou para este, navegando ao longo da costa setentrional da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/). Plínio sustenta que ele se deparou com um povo [germânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11869/germanico/), os Gutones, que habitavam as margens de um grande estuário. Desembarcou também numa ilha (possivelmente Heligolândia) conhecida pela abundância de âmbar. De facto, a viagem ao longo desta parte da Europa poderá ter sido motivada pelo desejo de descobrir a fonte do âmbar, que exercia um atrativo considerável sobre os gregos. Alguns argumentam que, a partir daqui, Píteas prosseguiu rumo ao Mar Báltico. Poderá ter viajado para leste até ao rio Vístula, na atual Polónia, antes de dar meia-volta e iniciar a longa viagem de regresso ao Mediterrâneo e a casa.

### O Legado de Píteas

Píteas escreveu aparentemente *Sobre o Oceano* em algum momento após o seu regresso a Massília. Quando exatamente, claro, provavelmente nunca se saberá com precisão. Cunliffe suspeita que deve ter sido escrito no período anterior a 320 a.C., pois foi pouco depois desta data que foi citado pela primeira vez pelo escritor clássico Dicearco, um discípulo de Aristóteles. Posteriormente, foi amplamente divulgado e, ao que parece, estudado, analisado e debatido durante pelo menos os dois séculos seguintes. Durante muito tempo, de facto até aos escritos de [Tácito](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-539/tacito/) e [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/), *Sobre o Oceano* foi provavelmente a única fonte de informação sobre a Grã-Bretanha e as latitudes do norte. Havia indubitavelmente cópias do mesmo nas grandes bibliotecas de [Pérgamo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-583/pergamo/) e Alexandria. Foi provavelmente nesta última, por exemplo, que Eratóstenes obteve uma cópia. Ao longo dos séculos, contudo, talvez como resultado de uma negligência benigna, de destruição deliberada ([a biblioteca de Alexandria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10883/a-biblioteca-de-alexandria/) sofreu uma série de incêndios devastadores, por exemplo), ou de alguma combinação de ambos, *Sobre o Oceano* perdeu-se, e com ele o relato de uma das viagens de descoberta mais significativas da Antiguidade clássica.

Quanto ao próprio Píteas, os estudiosos quase nada sabem sobre ele. Com exceção de uma breve menção nos escritos de Políbio, que se refere a ele com desprezo como um "cidadão comum" e um "homem pobre" (Roseman, pág. 48), os historiadores modernos não dispõem de nada concreto para descrever a sua personalidade, o seu aspeto físico ou sequer as motivações para a sua viagem. Tais descrições, caso existam de todo, só podem ser deduzidas a partir dos fragmentos dispersos dos seus escritos, ou do que outros escreveram sobre ele. No entanto, aquilo que estes revelam é um homem não só dotado em termos de navegação e dos caminhos do mar, mas também possuidor de uma vasta curiosidade intelectual, uma curiosidade que ultrapassava os limites do seu mundo mediterrânico.

[ ![Stele of Polybius](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6125.jpg?v=1613393102) Estela de Políbio Jona Lendering (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/6125/stele-of-polybius/ "Stele of Polybius")É esta curiosidade que se evidencia em *Sobre o Oceano*. De facto, apesar das objeções hiperbólicas de Estrabão e Políbio, *Sobre o Oceano* está longe de ser um documento repleto de impossibilidades lógicas e de histórias fantásticas. Os fragmentos que sobreviveram apontam para um relato sóbrio e objetivo, contendo informações valiosas para estudiosos e cientistas modernos. Estas incluem a discussão sobre a influência da lua nas marés, a descrição do sol da meia-noite, as medições precisas de latitudes e as representações etnográficas dos povos nativos. Tudo isto representa um homem que, conforme sustentou pelo menos um investigador, "pode ser destacado dos restantes exploradores e viajantes da Antiguidade: um cientista que viajou... por motivos de investigação pura... tornando-se o primeiro a encarar todo o oceano como o seu campo de atuação" (Roller, pág. 63).

Hoje em dia, poucos historiadores e estudiosos duvidam da veracidade da sua viagem. Embora o debate continue a centrar-se nos locais que ele efetivamente visitou e noutros pormenores da viagem, o facto de ter realizado tal empreendimento raramente é contestado. Se a viagem foi originalmente concebida como uma iniciativa económica, como alguns sugeriram, ela rapidamente se transformou, conforme atestam os fragmentos dispersos de *Sobre o Oceano*, em algo mais. Com efeito, tornou-se numa viagem de exploração no verdadeiro sentido da palavra, numa tentativa de compreender e obter conhecimento sobre o mundo através da observação direta. Ao fazê-lo, Píteas desempenhou um papel fundamental na desmistificação daquelas estranhas terras do norte que tinham ocupado um lugar tão proeminente no imaginário dos gregos. Além disso, proporcionou ao mundo moderno um vislumbre, embora fragmentário, de um mundo hoje perdido para nós.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Cunliffe, B. *The Extraordinary Voyage of Pytheas the Greek.* Penguin Books, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0142002542/)
- [Nansen, F. *In Northern Mists.* Martino Pub, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/1578983770/)
- Roller, D. *Through the Pillars of Herakles: Greco-Roman Exploration of the Atlantic.* Routledge, New York, 2006
- [Roseman, C. H. *Pytheas of Massalia.* Ares Pub, 1994.](https://www.worldhistory.org/books/0890055459/)
- [Stefansson, V. *Ultima Thule.* Macmillan, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/B000BYT61O/)

## Sobre o Autor

Thomas S. Garlinghouse is an archaeologist living in Santa Cruz, California. He works for a cultural resource management (CRM) firm, and specializes in faunal analysis and report writing.
- [Facebook Profile](https://www.facebook.com/tsgarlin@comcast.net)

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### APA
Garlinghouse, T. S. (2026, September 01). Sobre o Oceano: A Famosa Viagem de Píteas. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1078/sobre-o-oceano-a-famosa-viagem-de-piteas/>
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Garlinghouse, Thomas S.. "Sobre o Oceano: A Famosa Viagem de Píteas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 01, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1078/sobre-o-oceano-a-famosa-viagem-de-piteas/>.
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Garlinghouse, Thomas S.. "Sobre o Oceano: A Famosa Viagem de Píteas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 01 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1078/sobre-o-oceano-a-famosa-viagem-de-piteas/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 01 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

