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title: Ofícios no Antigo Egito
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1073/oficios-no-antigo-egito/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-27
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# Ofícios no Antigo Egito

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

No antigo Egito, o povo sustentava o governo e o governo retribuía. O Egito não tinha uma economia monetária até à chegada dos persas em 525 a.C. O povo trabalhava a terra, o governo recolhia os frutos e depois distribuía-os de volta ao povo de acordo com as suas necessidades e méritos. Embora houvesse muitos ofícios mais glamorosos do que a agricultura, os agricultores eram a espinha dorsal da economia egípcia e sustentavam todos os outros. Estes agricultores sabiam como se divertir, saudando o dia como mais uma oportunidade para fazer a terra produzir alimentos, mas ansiavam pelo tempo de descanso nos festivais porque trabalhavam arduamente, durante longas horas, todos os dias; mas, no antigo Egito, todos os outros faziam o mesmo.

[ ![Egyptian Workers](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/6702.jpg?v=1779138187) Trabalhadores Egípcios Horus3 (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/6702/egyptian-workers/ "Egyptian Workers")O Egito funcionava com um sistema de troca até à invasão persa de 525 a.C. e a economia baseava-se na agricultura. A unidade monetária do antigo Egito era o *deben* que, segundo o historiador James C. Thompson, «funcionava de forma muito semelhante ao dólar na América do Norte hoje em dia para informar os clientes do preço das coisas, exceto que não existia moeda *de deben* » (*Egyptian Economy*, pág. 1). Um *deben* equivalia a «aproximadamente 90 gramas de cobre; artigos muito caros também podiam ser cotados em *debens* de prata ou ouro, com alterações proporcionais no valor» (*Idem*). Thompson continua:

> Uma vez que setenta e cinco alqueires de trigo custavam um deben e um par de sandálias também custava um deben, fazia todo o sentido para os egípcios que um par de sandálias pudesse ser comprado com um saco de trigo tão facilmente como com um pedaço de cobre. Mesmo que a fabricante de sandálias tivesse trigo mais do que suficiente, aceitá-lo-ia de bom grado como pagamento, pois poderia ser facilmente trocado por outra coisa. Os itens mais comuns usados para fazer compras eram trigo, cevada e óleo de cozinha ou de lamparina, mas, em teoria, quase tudo servia.
> (*Ibid.*)

Os trabalhadores eram frequentemente pagos com pão e [cerveja](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10181/cerveja/), os alimentos básicos da dieta egípcia. Se quisessem outra coisa, precisavam de poder oferecer uma competência ou algum produto de valor, como salienta Thompson. Felizmente para as pessoas, havia muitas necessidades que tinham de ser satisfeitas.

### ***A Sátira aos Ofícios***

Os itens comuns que hoje são dados como garantidos — uma escova, uma tigela, um copo — tinham de ser feitos à mão. Para se ter papel para escrever, as plantas de papiro tinham de ser colhidas, processadas e distribuídas; a roupa tinha de ser lavada à mão, as roupas costuradas, as sandálias feitas, e cada um destes trabalhos tinha as suas próprias recompensas, mas também dificuldades. Simplesmente lavar a roupa podia significar arriscar a própria vida. A roupa era lavada nas margens do rio Nilo, que era o habitat de crocodilos, cobras e, ocasionalmente, hipopótamos. O cortador de juncos, que colhia plantas de papiro ao longo do Nilo, também tinha de enfrentar esses mesmos perigos diariamente.

Estas tarefas eram todas desempenhadas por aqueles que se encontravam na base da hierarquia social egípcia e são descritas com detalhes cruéis numa famosa obra literária do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Médio do Egito (2040-1782 a.C.), conhecida como *A Sátira aos Ofícios*. Esta obra (também conhecida como *As Instruções de Dua-Khety*) é um monólogo em que um pai, ao levar o filho à escola, descreve ao filho todos os trabalhos difíceis e desagradáveis que as pessoas têm de realizar todos os dias e compara-os com a vida confortável e gratificante do escriba. Embora a obra seja obviamente satírica nas suas representações exageradas, a descrição dos trabalhos e da sua dificuldade é precisa.

[ ![Satire of the Trades](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/6701.jpg?v=1724855408) Sátira aos Ofícios The Trustees of the British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/6701/satire-of-the-trades/ "Satire of the Trades")O pai caracteriza a vida do carpinteiro como «miserável» e refere que o trabalhador agrícola «chora incessantemente», enquanto o tecelão é «desgraçado» (Simpson, pág. 434). O fabricante de flechas esgota-se a tentar recolher matérias-primas e o comerciante tem de sair de casa sem qualquer garantia de regressar e de encontrar a sua família intacta. O lavadeiro «lava roupa na margem do rio, nas proximidades do crocodilo», e os seus filhos não querem saber dele porque está sempre coberto da sujidade alheia. O pescador é «mais infeliz do que qualquer outra profissão», porque tem de contar com uma boa pescaria diária para ganhar a vida e também tem de enfrentar os perigos da água, que muitas vezes o apanham de surpresa, pois «ninguém lhe disse que havia um crocodilo ali» e ele é rapidamente levado (*Idem*, pág. 435). Todas estas profissões são descritas em grande detalhe para incutir no rapaz a ideia de que deve abraçar a vida de escriba, a melhor profissão que se pode ter, como ele diz ao filho:

> É na [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) que deves concentrar a tua mente. Vê por ti mesmo, isso poupa-nos do trabalho. Eis que não há nada que supere a [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/)!... Não vejo nenhum ofício que se compare a ela, ao qual esta máxima se possa aplicar: Farei com que ames os livros mais do que a tua mãe e colocarei a sua excelência diante de ti. É, de facto, maior do que qualquer ofício. Não há nada igual na terra. (*Ibid.*, 432-433)

O autor da *Sátira*, obviamente ele próprio um escriba, pode ter exagerado um pouco para causar efeito, mas o seu argumento é basicamente válido: a profissão de escriba estava entre as mais confortáveis no antigo Egito e certamente se comparava favoravelmente com a maioria dos empregos.

### **Os Ofícios da Classe Alta**

Os empregos da classe alta são bastante conhecidos. O rei governava delegando responsabilidades ao seu vizir, que então escolhia as pessoas abaixo de si mais adequadas para o cargo. Burocratas, arquitetos, engenheiros e artistas realizavam projetos de construção doméstica e a implementação de políticas, e os líderes militares encarregavam-se da defesa. Os sacerdotes serviam os deuses, não o povo, e cuidavam do templo e das estátuas dos deuses, enquanto médicos, dentistas, astrólogos e exorcistas lidavam diretamente com os clientes e as suas necessidades através das suas habilidades específicas (e geralmente caras) em magia.

[ ![The Seated Scribe](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5858.jpg?v=1779138210-1721391226) O Escriba Sentado Mindy McAdams (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/5858/the-seated-scribe/ "The Seated Scribe")Para ser membro da maioria destas profissões, era necessário saber ler e escrever e, por isso, tinha primeiro de se tornar um escriba. Este trabalho exigia muitos anos de formação, aprendizagem e trabalho árduo na memorização de símbolos hieroglíficos e na prática da caligrafia, mas este tipo de trabalho dificilmente teria sido considerado difícil por muitos dos membros das classes mais baixas.

Tal como na maioria, se não em todas as civilizações desde o início da história registada, as classes mais baixas proporcionavam os meios para que aqueles acima delas vivessem vidas confortáveis, mas no Egito, a nobreza cuidava daqueles abaixo dela, proporcionando empregos e distribuindo alimentos. Era preciso trabalhar para comer, mas nunca houve escassez de empregos em qualquer momento da história do Egito, e todo o trabalho era considerado nobre e digno de respeito.

### **Os Ofícios das Classes Mais Baixas**

Os detalhes destes empregos são conhecidos através de relatórios médicos sobre o tratamento de lesões, cartas e documentos escritos sobre várias profissões, obras literárias (como *A Sátira aos Ofícios*), inscrições em túmulos e representações artísticas. Estas evidências apresentam uma visão abrangente do trabalho quotidiano no antigo Egito, de como os trabalhos eram realizados e, por vezes, de como as pessoas se sentiam em relação ao trabalho.

Em geral, os egípcios parecem ter sentido orgulho no seu trabalho, independentemente da sua ocupação. Todos tinham algo a contribuir para a comunidade, e nenhuma competência parece ter sido considerada não essencial. O oleiro que produzia chávenas e taças era tão importante para a comunidade quanto o escriba, e o fabricante de amuletos tão vital quanto o farmacêutico e, por vezes, quanto o médico.

Parte do ganho de vida, independentemente das competências especiais de cada um, consistia em participar nos projetos de construção monumentais do rei. Embora se acredite comumente que os grandes monumentos e templos do Egito foram construídos através do trabalho escravo — especificamente o de escravos hebreus —, não há absolutamente nenhuma evidência que sustente essa afirmação. As pirâmides e outros monumentos foram construídos por trabalhadores egípcios que ou doavam o seu tempo como serviço comunitário ou eram pagos pelo seu trabalho.

É também um equívoco pensar que os escravos no Egito eram rotineiramente espancados e trabalhavam apenas como trabalhadores não qualificados. Os escravos no antigo Egito provinham de muitas etnias diferentes e serviam os seus senhores em diversas funções, de acordo com as suas competências. Os escravos não qualificados eram utilizados nas minas, como empregados domésticos e em outras tarefas subalternas, mas não eram empregados na construção propriamente dita de túmulos e monumentos como as pirâmides.

### **Os Construtores das Pirâmides**

Egípcios de todas as profissões podiam ser convocados para trabalhar nos projetos de construção do rei. A pedra tinha primeiro de ser extraída das minas, o que exigia que os escravos separassem os blocos das falésias rochosas. Isto era feito inserindo cunhas de madeira na rocha, que inchavam e faziam com que a pedra se separasse da superfície. Os blocos, muitas vezes enormes, eram então empurrados para trenós e rolados para um local diferente, onde podiam ser cortados e moldados.

[A Grande Pirâmide de Gizé](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15578/a-grande-piramide-de-gize/) é composta por 2 300 000 blocos de pedra e cada um deles teve de ser extraído e moldado. Este trabalho era realizado por pedreiros qualificados que trabalhavam com cinzéis de cobre e martelos de madeira. À medida que os cinzéis ficavam cegos, um especialista em afiar pegava na ferramenta, afiava-a e devolvia-a. Este teria sido um trabalho diário constante, uma vez que os pedreiros podiam desgastar as suas ferramentas num único bloco.

[ ![Great Pyramid of Giza](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/6190.jpg?v=1776689299) Grande Pirâmide de Gizé David Stanley (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/6190/great-pyramid-of-giza/ "Great Pyramid of Giza")Os blocos eram então colocados no lugar por trabalhadores não qualificados. Estas pessoas eram na sua maioria agricultores que não podiam fazer nada com as suas terras durante os meses em que o rio Nilo transbordava das suas margens. Os egiptólogos Bob Brier e Hoyt Hobbs explicam:

> Durante dois meses por ano, reuniam-se dezenas de milhares de trabalhadores de todo o país para transportar os blocos que uma equipa permanente tinha extraído durante o resto do ano. Os supervisores organizavam os homens em equipas para transportar as pedras em trenós, dispositivos mais adequados do que veículos com rodas para mover objetos pesados sobre areia instável.
> (pág. 17)

Uma vez concluída a [pirâmide](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-89/piramide/), as câmaras interiores precisavam de ser decoradas por artistas. Estes eram escribas que pintavam as imagens elaboradas conhecidas como *Textos das Pirâmides*, *Textos dos Caixões* e cenas *do [Livro Egípcio dos Mortos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14598/livro-egipcio-dos-mortos/)*. O trabalho interior em túmulos e templos também exigia escultores que pudessem cortar habilmente a pedra em torno de certas figuras ou cenas para as deixar em relevo. Embora estes artistas fossem altamente qualificados, esperava-se que todos — independentemente do seu trabalho durante o resto do ano — contribuíssem para projetos comunitários. Esta prática estava em consonância com o valor de *[ma'at](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15014/maat/)* (harmonia e equilíbrio), que era central na cultura egípcia. Esperava-se que cada um cuidasse dos outros tanto quanto de si próprio, e contribuir para o bem comum era uma expressão disso.

Os trabalhos que as pessoas exerciam ao longo do ano eram tão variados quanto as profissões de hoje. Quando não era chamado pela comunidade ou pelo rei para participar num projeto, a pessoa exercia funções tão variadas como cervejeiro, joalheiro, fabricante de sandálias, cesteiro, armeiro, ferreiro, padeiro, cortador de junco, paisagista, fabricante de perucas, barbeiro, manicure, fabricante de caixões, escavador de canais, pintor, carpinteiro, comerciante, chef, artista, criado e muitas outras profissões. A classe alta dependia fortemente dos seus servos, e era possível ganhar bem e progredir na carreira no serviço doméstico.

### **Os Servos**

Um [servo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17609/servo/) numa casa nobre ou da classe alta podia ser um escravo, mas geralmente era um jovem ou uma jovem de bom caráter que trabalhava diligentemente. As raparigas serviam as senhoras, e os rapazes serviam os senhores. Um jovem entrava ao serviço por volta dos 13 anos e podia ascender a uma posição de destaque na casa. Cartas pessoais, bem como *Cartas aos Mortos*, deixam claro que um bom servo era altamente valorizado e considerado vital para a manutenção da casa.

Um servo do sexo masculino servia como mensageiro e mordomo pessoal do seu senhor, mas também podia ascender à posição de supervisionar outros servos na casa e deter autoridade considerável. Os servos podiam, por vezes, dar por si a trabalhar para senhores desagradáveis e exigentes, mas eram geralmente bem tratados. Há uma história frequentemente repetida sobre Pepi II (2278-2284 a.C.) e a sua aversão a moscas: ele untava os servos com mel e colocava-os a distâncias à sua volta para atrair os insetos. Esta história é, no entanto, imprecisa, pois Pepi II usava, na verdade, escravos como repelentes humanos de insetos, e não servos. O maltrato intencional de um servo teria sido considerado um comportamento inaceitável.

As servas estavam diretamente sob a supervisão da dona da casa, a menos que esta tivesse meios para contratar uma governanta. Este cargo era normalmente atribuído a uma mulher que tivesse provado o seu valor através de anos de serviço dedicado. Uma governanta podia viver tão confortavelmente como um escriba e gozava de segurança no emprego enquanto membro valioso da casa.

[ ![Statue of an Ancient Egyptian Servant](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/3477.jpg?v=1643013902) Estátua de um Servo do Antigo Egito Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/3477/statue-of-an-ancient-egyptian-servant/ "Statue of an Ancient Egyptian Servant")As servas dos ricos ou influentes tinham vidas mais fáceis do que aquelas que serviam a rainha ou a nobreza, porque estas últimas tinham mais responsabilidades. Uma serva da rainha tinha de cuidar especialmente do guarda-roupa e das perucas da sua senhora, por exemplo, porque estes recebiam mais atenção do que os de outras mulheres. No Período Dinástico Arcaico no Egito (cerca de 3150 - cerca de 2613 a.C.), o trabalho de uma serva da rainha era ainda mais difícil porque, quando a senhora morria, a serva ia juntar-se a ela.

As servas da rainha Merneith foram todas sacrificadas após a sua morte e enterradas com ela para que pudessem continuar o seu serviço na vida após a morte. Esta mesma prática era observada com outros governantes, tanto homens como mulheres. As futuras servas foram poupadas deste destino com o advento da boneca shabti no [Antigo Império do Egito](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15055/antigo-imperio-do-egito/) (cerca de 2613-2181 a.C.). O *shabti* (também conhecido como *ushabti*) servia como substituto de um trabalhador na vida após a morte e, por isso, as bonecas eram enterradas com o falecido em vez das servas sacrificadas.

### **O Serviço Militar, Artistas e Agricultores**

As mulheres ingressavam no serviço doméstico com mais frequência do que os homens, que frequentemente optavam por alistar-se no exército a partir do Império Médio (2040-1782 a.C.). Embora fosse possível ganhar a vida como soldado, era um trabalho difícil e perigoso. Uma desvantagem significativa era não só morrer no cumprimento do dever, mas também a possibilidade de ser morto em algum lugar além das fronteiras do Egito. Como os egípcios acreditavam que os seus deuses estavam ligados à terra, temiam morrer noutro país, pois teriam mais dificuldade em chegar à vida após a morte. Ainda assim, isto não dissuadia os homens de se alistarem e, no Império Novo (cerca de 1570 - cerca de 1069 a.C.), o Egito tinha um dos exércitos profissionais mais habilidosos do mundo.

As forças armadas também empregavam muitos que não estavam alistados para combater. A fabricação de armas era sempre um trabalho estável e, depois de os hicsos terem introduzido o cavalo e a carruagem no Egito no Segundo Período Intermédio (cerca de 1782 - cerca de 1570 a.C.), eram necessários curtidores e curtidores de peles para fabricar arreios e trabalhadores qualificados para construir carruagens.

Homens e mulheres também podiam tornar-se artistas, principalmente músicos e bailarinos. As bailarinas eram sempre muito procuradas, tal como as cantoras e as musicistas, que frequentemente trabalhavam para os templos, proporcionando música em cerimónias, rituais e festivais. As mulheres eram frequentemente cantoras, músicas e dançarinas e podiam cobrar um preço elevado pelas suas atuações, especialmente as dançarinas. A dançarina Isadora de Artemisia (cerca de 200 d.C.) recebia 36 dracmas por dia pelas suas atuações no Egito durante o Período Romano e, por um espetáculo de seis dias, recebia 216 dracmas (aproximadamente 5.400 dólares). Os artistas atuavam para os trabalhadores durante os seus projetos de construção, nas esquinas, nos bares, no mercado e, como referido, nos templos. A música e a dança eram muito apreciadas no antigo Egito e consideradas essenciais para a vida quotidiana.

[ ![Ancient Egyptian Music and Dancing](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3028.jpg?v=1776587046) Música e Dança Egípcia Antiga Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/3028/ancient-egyptian-music-and-dancing/ "Ancient Egyptian Music and Dancing")No degrau mais baixo de todos estes empregos estavam as pessoas que serviam de base para toda a economia: os agricultores. Os agricultores geralmente não eram donos da terra que trabalhavam. Recebiam comida, implementos e alojamento em troca do seu trabalho. O agricultor levantava-se antes do nascer do sol, trabalhava nos campos o dia todo e regressava a casa ao pôr do sol. As esposas dos agricultores costumavam cultivar pequenas hortas para complementar as refeições da família ou para trocar por outros bens.

Muitas mulheres optavam por trabalhar fora de casa, fabricando cerveja, pão, cestos, sandálias, joias, amuletos ou outros artigos para troca. Assumiam este trabalho para além das suas tarefas diárias, que também começavam antes do nascer do sol e se prolongavam até depois do anoitecer. O governo egípcio estava ciente do quanto o povo trabalhava e, por isso, organizava uma série de festivais ao longo do ano para demonstrar apreço e conceder-lhes dias de folga para relaxarem.

Como os deuses tinham criado o mundo e tudo o que nele existia, nenhum trabalho era considerado pequeno ou insignificante, apesar da opinião do autor de *A Sátira aos Ofícios*. Não há dúvida de que havia muitas pessoas que não gostavam do seu trabalho todos os dias, mas cada trabalho era considerado uma contribuição importante para a harmonia e o equilíbrio da terra.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Van De Mieroop, M. *A History of Ancient Egypt.* Wiley-Blackwell, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1405160713/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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### Chicago
Mark, Joshua J.. "Ofícios no Antigo Egito." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 27, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1073/oficios-no-antigo-egito/>.
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Mark, Joshua J.. "Ofícios no Antigo Egito." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 27 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1073/oficios-no-antigo-egito/>.

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