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title: Espártaco
author: Donald L. Wasson
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-882/espartaco/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2022-11-24
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# Espártaco

_Escrito por [Donald L. Wasson](https://www.worldhistory.org/user/DWasson/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Por toda a história da humanidade - tanto antiga quanto moderna - aqueles presos em correntes têm lutado para se libertar dos seus opressores. Assim como a maioria das civilizações - Assírios, Gregos e mesmo Americanos -, os escravos na antiga Roma não eram considerados cidadãos, mas sim uma propriedade, fornecendo trabalho, tanto especializado como braçal, para o restante da sociedade. Obviamente, revoltas de escravos, seja em Roma ou qualquer outro lugar, traziam um grande perigo para todos os cidadãos e, ainda que a maioria das rebeliões tenha sido rapidamente reprimida, a revolta que ocorreu no primeiro século a.C. causou temor suficiente para que o [Senado Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15522/senado-romano/) chamasse um de seus maiores generais para esmagá-la. Por mais de dois anos, esta "pequena" insurreição, liderada por um ex-gladiador, deu origem o que seria conhecido como a Terceira Guerra Servil. O nome do ex-gladiador era Espártaco.

Muito pouco dos primórdios de sua vida são conhecidos, a não ser que Espártaco era originário da Trácia, uma região a nordeste da Macedônia, e pode ser sido um soldado romano. O historiador [Plutarco](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-820/plutarco/) o descreveu como culto e inteligente, "mais grego do que trácio". Não se sabe como passou da condição de soldado a prisioneiro (junto com sua esposa) destinado a se tornar gladiador. Porém, devido ao físico privilegiado e força, chamou a atenção de um treinador chamado Lêntulo Baciato e foi enviado para uma escola de gladiadores em Cápua, uma cidade situada ao Sul de Roma. A vida em uma escola para gladiadores era tão cruel quanto rígida. Então, em 73 a.C., usando facas de cozinha, ele e 78 companheiros se revoltaram. Após escaparem, eles se depararam com uma pequena caravana de carroças carregando armas e se apoderaram de toda a carga, fugindo em seguida para o Monte Vesúvio. Logo pastores locais e escravos se juntaram ao grupo, elevando seu pequeno exército para mais de 70.000 pessoas. Para sobreviver, os fugitivos passaram a fazer pilhagens por toda a [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) central. Em sua *Vida de [Marco Licínio Crasso](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11534/marco-licinio-crasso/)*, Plutarco escreveu sobre a fuga:

> Duzentos deles deliberaram fugir. Descoberto o seu intento, setenta e oito não aguardaram qualquer ordem do chefe; dirigiram-se a uma casa de venda de carne assada, arrebatando-lhe espetos e facas de cozinha, e puseram-se às pressas fora da cidade. Pelo caminho encontraram casualmente carretas carregadas de armas usadas pelos gladiadores, que eram levadas de Cápua para outra cidade, e se apoderaram de toda a carga para armar o grupo.

Apesar do sucesso inicial, que incluiu vitória sobre destacamentos liderados por dois pretores e pelo governador da Gália Cisalpina, que perderam inclusive seus armamentos, Espártaco percebeu que Roma eventualmente iria vencer e, portanto, decidiu ir para o norte, em direção aos Alpes e, em seguida, para sua terra natal. Em 72 a.C., ele dividiu suas forças em duas partes. Metade deles - Gauleses e Germânicos - ficaram com seu companheiro gladiador, Criso, enquanto os remanescentes - a maioria Trácios - permaneceu com Espártaco. Seu objetivo era retornar à Trácia, mas muitos dos seus seguidores se recusaram a deixar a Itália, dando meia volta e se dirigindo para a Itália Meridional. Plutarco relata:

> \[…\] levou seu exército para os Alpes, sendo de parecer que, uma vez transpostos os montes, cada qual voltasse para sua terra, isto é, para a Gália e para a Trácia. Seus homens, porém, fiados em seu número, e prometendo grandes realizações, não o quiseram atender, e recomeçaram a percorrer e a saquear toda a Itália. O senado estava inquieto, não só pela vergonha e afronta de serem seus homens vencidos por escravos sublevados, como pela apreensão e pelo perigo em que se achava toda a Itália.

[ ![Marcus Licinius Crassus Bust](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2138.jpg?v=1753216642) Busto de Marco Licínio Crasso Diagram Lajard (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/2138/marcus-licinius-crassus-bust/ "Marcus Licinius Crassus Bust")Ainda que o ex-gladiador tenha rapidamente abandonado qualquer pensamento de atacar Roma, o sucesso de Espártaco contra um exército liderado pelos dois cônsules alarmou de tal forma o Senado que foi convocado um antigo aliado do falecido ditador [Sula](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-477/sula/), Marco Licínio Crasso, para liderar um novo exército. Acossado pelos romanos, Espártaco tentou aumentar suas chances de sobrevivência contratando piratas da Cilícia para levar seu povo até a Sicília. Infelizmente, não conseguiu seu intento, já que somente seu dinheiro chegou à ilha. Crasso encurralou os escravos rebeldes em Brútio, matando 6.000 deles, mas Espártaco conseguiu escapar novamente (com cerca de um terço de suas forças) e se dirigiu ao sul, derrotando dois tenentes de Crasso em seu caminho.

Por fim, cercado e derrotado na Lucânia, foi morto, embora seu corpo jamais tenha sido encontrado. Plutarco comentou os últimos momentos de Espártaco:

> \[...\] lançou-se através da pressão dos romanos, procurando aproximar-se de Crasso, sem o conseguir, e matou dois centuriões romanos que o enfrentaram. Por fim todos os que o rodeavam fugiram, e ele permaneceu firme em seu posto, completamente cercado, lutando valentemente, sendo retalhado.

Cerca de 6.000 prisioneiros foram crucificados e seus corpos dispostos ao longo da Via Ápia, no trajeto entre Cápua e Roma.

Crasso esperava derrotar Espártaco antes do retorno de [Pompeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-550/pompeu/), o Grande, da Espanha. Infelizmente, Pompeu voltou a tempo de derrotar 5.000 seguidores remanescentes do ex-gladiador e assim roubou parte da glória para si mesmo. Ambos foram eleitos para o consulado em 70 a.C., mas um profundo conflito sobreveio. Plutarco relata:

> Embora Crasso fosse muito feliz e satisfizesse todos os seus deveres de bom comandante e de homem valente, expondo-se a todos os perigos, não pôde impedir que a honra do termo daquela guerra fosse atribuída a Pompeu. Porque os que escaparam deste último combate caíram-lhe às mãos e ele os aniquilou, escrevendo ao Senado que Crasso vencera os fugitivos em combate regular, mas ele destruíra todas as raízes da guerra.

A guerra e o papel de Espártaco tiveram efeitos duradouros. [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/), após se tornar ditador perpétuo, estava determinado a impedir que outras rebeliões ocorressem. Por intermédio de uma série de leis, buscou reduzir a dependência do trabalho escravo, encorajando a contratação de trabalhadores livres. A história tem diferido em suas opiniões sobre Espártaco - para alguns ele é um herói e um porta-voz dos excluídos, enquanto outros o veem como um rebelde cruel e sem coração. Contudo, será sempre lembrado por liderar a mais famosa revolta de escravos na história da [Roma antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-68/roma-antiga/).

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Boak, A.E.R. *A History of Rome to A.D. 565.* The Macmillan Company, 1965.](https://www.worldhistory.org/books/B0000CMMTW/)
- [Freeman, P. *Julius Caesar.* Simon & Schuster, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0743289544/)
- [Gwynn, D.M. *The Roman Republic.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199595119/)
- Hill, D. *Ancient Rome.* Parragon, 2007
- [Hornblower, S. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)
- Plutarch. *Life of Marcus Licinius Crassus.*

## Sobre o Autor

Donald ensina História Antiga, Medieval e dos Estados Unidos no Lincoln College (Normal, Illinois) e sempre foi e sempre será um estudante de História, dedicando-se, desde então, a se aprofundar no conhecimento sobre Alexandre, o Grande. É uma pessoa ávida a transmitir conhecimentos aos seus estudantes.

## Cronologia

- **73 BCE - 71 BCE**: [Gladiator](https://www.worldhistory.org/gladiator/) [Spartacus](https://www.worldhistory.org/spartacus/) leads a slave revolt in southern [Italy](https://www.worldhistory.org/italy/) and wins several victories against the [Roman army](https://www.worldhistory.org/Roman_Army/).
- **72 BCE**: Crixos, a [Celt](https://www.worldhistory.org/celt/) and second in command under [Spartacus](https://www.worldhistory.org/spartacus/), is killed. 300 Romans are sacrificed in his honor.
- **71 BCE**: [Marcus Licinius Crassus](https://www.worldhistory.org/Marcus_Licinius_Crassus/) crushes the [Spartacus](https://www.worldhistory.org/spartacus/) slave revolt in southern [Italy](https://www.worldhistory.org/italy/).

## Links externos

- [From slave to rebel gladiator: The life of Spartacus - Fiona Radford](https://ed.ted.com/lessons/from-slave-to-rebel-gladiator-the-life-of-spartacus-fiona-radford)
- [Crixus: Spartacus' Right-Hand In The Gladiator Army](https://allthatsinteresting.com/crixus)

## Cite Este Artigo

### APA
Wasson, D. L. (2022, November 24). Espártaco. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-882/espartaco/>
### Chicago
Wasson, Donald L.. "Espártaco." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, November 24, 2022. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-882/espartaco/>.
### MLA
Wasson, Donald L.. "Espártaco." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 24 Nov 2022, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-882/espartaco/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 24 November 2022. Consulte a(s) fonte(s) original(is) para obter informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

