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title: Cirene
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-773/cirene/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-05
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# Cirene

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Cirene (a atual Shahhat, na Líbia) foi um centro cultural e um porto comercial vital no Norte de África, fundado em 631 a.C. por colonos gregos provenientes da ilha de Tera. A cidade é mais conhecida como o local de nascimento do filósofo Aristipo de Cirene, do poeta e erudito Calímaco e do polímata Eratóstenes, bem como por diversas referências na [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/).

Tornou-se a cidade fundadora da região da Cirenaica, também conhecida como a Pentápolis ("cinco cidades"), que incluía:

- Cirene (atual Shahhat)
- Barca (atual Al-Marj)
- Euespérides (atual Bengasi)
- Apolónia (atual Marsa Susah)
- Tauqueira (atual Tukrah)

Alguns estudiosos substituem Apolónia, que era o porto de Cirene, por Balagrae (atual Bayda) e outros ainda pela cidade posterior de Ptolemaida (atual Tolmeita), mas as cinco listadas acima são as mais comummente aceites como a Pentápolis original.

A região era excecionalmente fértil e a riqueza de Cirene provinha, em grande parte, do cultivo e comércio da planta sílfio, que era altamente valorizada na Antiguidade como aromático e condimento, como abortivo e pelas suas propriedades medicinais. A planta tornou-se sinónimo de Cirene e a sua imagem aparecia na moeda da cidade. O sílfio terá sido extinto por volta do século I (segundo Plínio, o Velho) e, de acordo com Estrabão (cerca de 64 a.C. a cerca de 24 d.C.), existia apenas uma estreita faixa da região que produzia a planta, a qual foi quase destruída por uma invasão de "bárbaros", embora não os nomeie (17:22). Os estudiosos modernos, contudo, acreditam que a planta foi levada à extinção devido ao sobrepastoreio e à colheita excessiva, que esgotaram os nutrientes do solo.

A perda da colheita de sílfio, a expansão da Cirenaica, que esgotou os recursos naturais, a guerra e os conflitos civis (nomeadamente a revolta judaica durante a era romana) e catástrofes naturais como secas e terramotos (em 262 e 365) conduziram ao declínio da cidade, que estava praticamente deserta no século IV. No século VII, a cidade era uma ruína vazia. As primeiras escavações da era moderna começaram em meados do século XIX e continuaram durante o século XX. Em 1982, Cirene foi declarada Património Mundial da UNESCO e, nos últimos dez anos, foi classificada como em perigo devido ao desenvolvimento urbanístico invasivo, pilhagens e vandalismo.

### A História Inicial e o Nome

A região foi originalmente ocupada pelo povo Imazighen (mais tarde conhecido como Berberes), mas, ao que parece, não a área que se viria a tornar Cirene. Segundo [Heródoto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-234/herodoto/) (cera de 484-425/413 a.C.), a ilha de Tera tornou-se sobrepovoada e, após consultarem o Oráculo de Delfos para pedir conselho, foi-lhes dito que enviassem parte da sua população para sul, a fim de colonizar o Norte de África. O povo ignorou este conselho até que uma fome os fez lembrar as palavras do oráculo de [Apolo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-946/apolo/), momento em que foi organizado um grupo para a viagem (Livro IV. págs. 150-151).

O líder da expedição foi [Aristóteles](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-355/aristoteles/) (mais tarde conhecido como Bato I, r. c. 631 a c. 599 a.C.), mas, como ninguém em Tera sabia onde ficava a terra a que Apolo se tinha referido, pediram ajuda a Creta e foram postos em contacto com um mercador chamado Coróbio, que os conduziu primeiro à ilha de Plateia, depois à região norte-africana de Asilis (também referida como Aziris) e, finalmente, em 631 a.C., à localização da futura cidade de Cirene.

[ ![Ruins of Cyrene](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2306.jpg?v=1714333206) Ruínas de Cirene MM (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2306/ruins-of-cyrene/ "Ruins of Cyrene")A lenda dizia que a cidade recebeu o nome de uma princesa que se tornou deusa, mas esta afirmação tem sido contestada na era moderna. A estudiosa Kathleen Freeman comenta:

> O nome da cidade derivava, na verdade, da nascente local chamada Cire; a lenda transformou Cirene numa princesa que vivia nas florestas perto do Monte Pélion e que era uma caçadora amada por Ártemis. Apolo viu-a a lutar contra um leão sem armas e apaixonou-se por ela. Levou-a para a Líbia, uniu-se a ela; ela tornou-se rainha do país e deu à luz um filho chamado Aristeu, uma divindade agrícola e pastoral. A lenda local dizia que Cirene matou o seu leão na Líbia, onde o rei tinha oferecido o seu reino a quem o livrasse da besta destruidora. Seja como for, os \[Gregos\] fizeram de Cirene a sua deusa padroeira, juntamente com Apolo, cujo culto tinham trazido consigo e a quem o seu principal culto era sempre consagrado.
> (pág. 192)

Os imigrantes encontraram uma terra virgem e incrivelmente fértil. Freeman nota:

> O local foi bem escolhido: 'pela sua posição, formação, clima e solo', diz um escritor moderno, 'a região é talvez uma das mais encantadoras à superfície do globo'. Todo o distrito era um vasto jardim de fertilidade e beleza natural, dotado de um clima fresco e agradável. Intensos orvalhos de verão e chuvas de inverno alimentavam inúmeras nascentes e ribeiros, e o solo profundo proporcionava não só colheitas abundantes como um excelente pasto. Para a nova cidade, os colonos escolheram um local a dez milhas do interior, num planalto limitado a sul por ravinas que conduziam ao planalto superior e a norte pelo limite de uma grande escarpa a dois mil pés acima do nível do mar.
> (págs. 192-193)

O mito da princesa Cirene e de Apolo parece ter-se desenvolvido cedo, e a construção da cidade começou no local onde se acreditava que Cirene tinha matado o leão e atraído a atenção do [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/). Entre os edifícios mais antigos encontravam-se um templo dedicado a Apolo e um palácio para o seu rei, Bato I, fundador da Dinastia Batiada.

[ ![Sanctuary of Apollon in Cyrene](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/313.jpg?v=1715866563) Santuário de Apolo em Cirene Xavier de JaurÃ©guiberry (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/313/sanctuary-of-apollon-in-cyrene/ "Sanctuary of Apollon in Cyrene")### Os Primeiros Reis e o Egito

Aristóteles escolheu o nome de trono Bato (que se pensa ser uma versão grega do termo Imazighen para "rei"), mas o nome soava semelhante à palavra grega para "gago", o que deu origem à lenda de que Bato teria sido incomodado por um impedimento na fala e se teria dirigido ao Oráculo de Delfos para pedir conselho sobre como curá-lo. Apolo ter-lhe-ia dito, em vez disso, para deixar Tera rumo ao Norte de África; quando chegou, viu um leão que o assustou e o choque súbito curou a sua gaguez.

Para além desta lenda e da fundação de Cirene, nada se sabe sobre o seu reinado nem sobre o do seu filho e sucessor Arcesilau I (cerca de 599 a c. 583 a.C.), exceto que, sob o seu governo, Cirene expandiu-se, o porto de Apolónia foi estabelecido e o comércio floresceu. Os seus esforços proporcionaram ao terceiro rei, Bato II (o Próspero, reinou cerca de 583 a cerca de 560 a.C.), uma riqueza de recursos, e a expansão continuada encorajou-o a enviar um convite para que mais gregos se juntassem à comunidade. Os gregos, especialmente do Peloponeso, atenderam ao apelo e chegaram em massa, avançando para as zonas periféricas e deslocando a população indígena. Os Imazighen responderam apelando a Apries, [faraó](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-288/farao/) do Egito (reinou 589-570 a.C.), por assistência. Heródoto escreve:

> Os líbios locais e o seu rei, cujo nome era Adicran, sentiram-se ressentidos por serem roubados das suas terras e empurrados pelos colonos; foi enviada uma mensagem ao Egito e os líbios colocaram-se sob a proteção do rei egípcio Apries. Ele mobilizou um enorme exército dos seus homens e enviou-o para atacar Cirene. Contudo, os cirenaicos saíram para os enfrentar em Irasa; a batalha travou-se perto de uma nascente chamada Testes e os cirenaicos saíram vitoriosos. Os egípcios, que nunca tinham encontrado gregos antes, subestimaram-nos e foram tão completamente aniquilados que dificilmente algum deles encontrou o caminho de volta ao Egito.
> (Livro IV, pág. 159)

Pouco tempo depois, Apries foi deposto e sucedido por Amásis (Ahmose II, reinou 570-526 a.C.), que não só estabeleceu a paz com Cirene como incentivou o comércio entre os cirenaicos e Naucratis, no Egito, além de ter enviado dádivas luxuosas à cidade, incluindo uma grande estátua da deusa [Atena](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-488/atena/). O reinado de Bato II valeu-lhe a alcunha de "o Próspero", à medida que a cidade e as regiões circundantes prosperavam, e, à data da sua morte, Cirene era fabulosamente rica.

### O Declínio, a Democracia e a Pérsia

Bato II foi sucedido pelo seu filho Arcesilau II (o Severo, reinou cerca de 560-550 a.C.), e Heródoto observa que "a primeira coisa que Arcesilau fez ao tornar-se rei foi desentender-se com os seus irmãos" (Livro IV. pág. 160). A desavença parece ter surgido devido à personalidade dominadora e à desconfiança de Arcesilau II em relação aos outros, o que resultou na partida dos irmãos de Cirene e na fundação da cidade de Barca. Arcesilau II marchou sobre Barca, mas foi derrotado por uma aliança de barcanos e líbios, perdendo 7.000 homens, tendo sido depois assassinado por Learco, que era seu irmão mais novo ou um amigo próximo. Learco reinou brevemente como regente do jovem Bato III, antes de ser assassinado pela viúva de Arcesilau II, Erixo, que serviu como regente até o seu filho atingir a maioridade.

Bato III (o Coxo, reinou cerca de 550 a cerca de 530 a.C.) recebeu a sua alcunha devido a uma deformidade à nascença que o fazia mancar. Reconhecendo que a estabilidade e a prosperidade do reinado de Bato II tinham sido seriamente comprometidas sob o governo de Arcesilau II, viajou até ao Oráculo de Delfos para pedir conselho. Foi-lhe dito para consultar o legislador Demonax da Arcádia (cerca de 550 a.C.), que regressou com ele, criou (ou reviu) a constituição de Cirene e dividiu o povo em três tribos de acordo com a sua origem: aqueles oriundos de Tera (incluindo os que se tinham casado com Imazighen); os oriundos de Creta e do Peloponeso; e os oriundos de outras regiões da Grécia. Ao fazê-lo, Demonax estabeleceu uma democracia em Cirene, uma vez que as questões legislativas passaram a ser da responsabilidade do povo, e a função do rei passou a ser apenas a de oficiar como sumo sacerdote em festivais e aprovar a distribuição de terras.

Bato III foi sucedido pelo seu filho Arcesilau III (reinou cerca de 530 a cerca de 514 a.C.) que, com o apoio da sua mãe, Ferétima, procurou derrubar a democracia e restaurar a monarquia absoluta. Quando o rei persa aqueménida [Cambises II](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-305/cambises-ii/) (reinou 530-522 a.C.) conquistou o Egito em 525 a.C., Arcesilau III reconheceu a sua supremacia e enviou dádivas monetárias, como seria de esperar, uma vez que Cirene estava aliada ao Egito. Poderá ter esperado, contudo, que os seus presentes inclinassem Cambises II a ajudá-lo a restaurar a monarquia cirenaica. Se foi esse o caso, as suas esperanças foram frustradas, uma vez que Cambises II considerou o valor demasiado baixo e, segundo Heródoto, atirou o dinheiro para as suas tropas, por ser pouco para fazer qualquer outra coisa com ele.

Cambises II foi sucedido por Dario I (também conhecido como Dario, o Grande, reinou 522-486 a.C.) e Cirene aparece nas listas persas como um estado tributário do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Aqueménida. A recusa de Arcesilau III em considerar negociações com a fação pró-democracia de Cirene conduziu a uma guerra civil em 518 a.C., na qual foi derrotado, vendo-se forçado a fugir para [Samos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-401/samos/), enquanto a sua mãe se refugiou na cidade-estado de Salamina, em Chipre. Ferétima falhou nos seus esforços para obter tropas do rei de Salamina, mas Arcesilau III teve melhor sorte em Samos.

[ ![Agora of Cyrene](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/314.jpg?v=1782442749-1688542691) Ágora em Cirene Xavier de Jauréguiberry (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/314/agora-of-cyrene/ "Agora of Cyrene")No seu regresso a Cirene com o seu exército, parou no Oráculo de Delfos para perguntar sobre as suas probabilidades de sucesso e foi-lhe dito que deveria tratar o povo de Cirene com brandura se quisesse governar. Arcesilau III ignorou o oráculo, marchou sobre Cirene e restaurou a monarquia, exilando ou matando os seus antigos opositores e oprimindo o povo. Enquanto estava em Barca, um dia, com o seu sogro, foi assassinado por alguns dos exilados, cerca de 514 a.C., e sucedido por Ferétima até à morte desta, no mesmo ano (ambos os eventos são, por vezes, datados de 515 a.C.).

Foi sucedido pelo seu filho, Bato IV (o Justo, reinou cerca de 514 a cerca de 470 a.C.), que surge nas listas persas aqueménidas como um rei cliente do império. Isto sugere que a monarquia restaurada sob Arcesilau III ainda se mantinha sob Bato IV, surgindo mais provas disso a partir do reinado do seu filho e sucessor, Arcesilau IV (reinou cerca de 470 a cerca de 440 a.C.). Pouco se sabe sobre o reinado de Bato IV, mas Arcesilau IV foi homenageado em cânticos pelo poeta Píndaro pela sua vitória na corrida de carros nos Jogos Píticos, em Delfos, em 462 a.C.

Os cavalos de Cirene, bem como os seus carros, eram altamente valorizados em todo o Mediterrâneo nesta altura e, novamente, serviram bem Arcesilau IV dois anos mais tarde, quando venceu a ainda mais prestigiada corrida de carros nos Jogos Olímpicos. Pouco tempo depois, os cirenaicos restauraram a democracia, Arcesilau IV foi deposto e Cirene tornou-se uma república em 460 a.C. Arcesilau IV fugiu com o seu filho, Bato V, para a vizinha Euespérides, onde ambos foram assassinados em 440 a.C., pondo fim à Dinastia Batiada.

### O [Período Helenístico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-829/periodo-helenistico/)

Cirene apoiou [Esparta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-197/esparta/) nas Guerras do Peloponeso, mas uma fação crescente admirava a [democracia ateniense](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13310/democracia-ateniense/). A constituição anterior de Demonax resultara num desequilíbrio de poder entre a elite e a classe trabalhadora, que era cada vez mais oprimida e maltratada. Por volta de 401 a.C., a classe trabalhadora revoltou-se. Freeman comenta:

> Esta repressão governamental devia-se ao medo da classe trabalhadora, que agora superava em número as classes alta e média; nesta revolução, quinhentos dos ricos foram condenados à morte e outros fugiram. O partido democrático prosseguiu então para consolidar a sua força através de mudanças constitucionais. Imitando as medidas de Clístenes em [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/), um século antes, criaram novas tribos e grupos de clãs, superando em número os antigos, e dissolveram as antigas associações, misturando o povo o máximo possível e substituindo as muitas celebrações de ritos familiares e tribais por um pequeno número de festividades religiosas comuns a todos os cidadãos.
> (pág. 200)

A forma como esta democracia funcionava a um nível prático é desconhecida, uma vez que não existem registos. Nada se sabe de Cirene até à chegada de [Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-265/alexandre-o-grande/), em 332/331 a.C., exceto que continuou a ser um importante centro comercial e cultural. Aristipo de Cirene (\* cerca de 435-356 a.C.), um aluno de [Sócrates](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-339/socrates/), estabeleceu ali a escola cirenaica de hedonismo, ensinando que o prazer era o bem supremo da vida (um conceito desenvolvido mais tarde pelos cirenaicos posteriores e pelos epicuristas), e o sílfio continuava a existir em abundância. Para além desta informação, e do facto de a grande Necrópole de Cirene ter continuado em uso, a história de Cirene retoma com Alexandre. A caminho do Oráculo de Amon, no Oásis de Siuá, uma delegação de Cirene saudou-o, oferecendo-lhe presentes de cavalos e carros de guerra, que ele aceitou. Após a sua morte, em 323 a.C., a cidade foi tomada pelo seu general Ptolomeu I Sóter (reinou 323-282 a.C.), da Dinastia Ptolemaica do Egito.

[ ![Aristippus of Cyrene](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2928.jpg?v=1773190028) Aristipo de Cirene Pasicles (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/2928/aristippus-of-cyrene/ "Aristippus of Cyrene")Enquanto os generais de Alexandre lutavam pelo seu império nas infames Guerras dos Diádocos, um dos comandantes menos conhecidos, Tíbron, assassinou o governador macedónio, Hárpalo, que tinha sido colocado na [Babilónia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/) por Alexandre. De seguida, apropriou-se da considerável soma do tesouro, equipou uma frota e, a instigação de exilados cirenaicos descontentes, navegou até Cirene. As suas tentativas de tomar a rica cidade danificaram gravemente o porto de Apolónia e, quando os cirenaicos procuraram ajuda junto de Ptolomeu I Sóter, os conflitos entre o seu general Ofelas, as forças de Tíbron e os cirenaicos que lutavam de ambos os lados, danificaram ou destruíram ainda mais áreas em Cirene e nos seus arredores. Ofelas saiu vitorioso e Cirene regressou ao domínio ptolemaico, enquanto Tíbron foi capturado e executado em 322 a.C. O Decreto de Fundação de Cirene data desta altura, garantindo os mesmos direitos aos recém-chegados de Tera que aqueles já estabelecidos em Cirene ou que permaneceram em Tera. É possível que o decreto tenha sido emitido na esperança de repovoar a cidade após as baixas da guerra.

Cirene produziu dois dos maiores estudiosos da Antiguidade durante esta era: Calímaco de Cirene (\* cerca de 310 a c. 240 a.C.), o poeta e erudito associado à Biblioteca de Alexandria, a quem é atribuída a [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) de mais de 800 obras e o desenvolvimento do conceito de catálogo de cartões, e o polímata Eratóstenes (\* cerca de 276-195 a.C.), o primeiro a calcular a circunferência da Terra e a sua inclinação axial. Quando Eratóstenes era o curador-chefe da Biblioteca de Alexandria sob o reinado de Ptolomeu III Evérgeta (reinou 246-222 a.C.), Cirene ainda era famosa como a fonte do sílfio, dos melhores cavalos e carros, e de outros bens comerciais valiosos.

### Conclusão

A cidade permaneceu sob controlo ptolemaico até à morte de Ptolomeu Ápion em 96 a.C., que deixou a Cirenaica para Roma. Sob a [República Romana](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-560/republica-romana/) e o início do [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/), Cirene continuou a prosperar. Contudo, durante o reinado do [imperador romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-1032/imperador-romano/) [Vespasiano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10437/vespasiano/) (69-79 d.C.), a comunidade judaica de Cirene revoltou-se contra a perda dos direitos civis que tinham conhecido sob a Dinastia Ptolemaica e a percecionada opressão do domínio romano.

Esta rebelião foi parte da muito maior Grande Revolta Judaica de 66 (também conhecida como a Primeira Guerra Judaico-Romana, 66-73) que começou sob [Nero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10280/nero/) (reinou 54-68). O conflito judaico-romano renovou-se durante o reinado de Trajano (98-117) na Guerra de Kitos (115-117), que custou a vida a mais de 200.000 civis e danificou Cirene tão severamente que teve de ser largamente reconstruída — e repovoada — por Adriano (reinou 117-138).

O [Cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/) chegou à Cirenaica vindo do Egito, mas é incerto quando exatamente. Cirene é mencionada no Livro dos Atos e noutros locais do [Novo Testamento](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11401/novo-testamento/) da Bíblia, mais famosamente na figura de Simão de Cirene, que é forçado a carregar a cruz de Cristo na sua [crucificação](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11867/crucificacao/) (Mateus 27:32, Marcos 15:21, Lucas 23:26). No Primeiro Concílio de Niceia, em 325, a Cirenaica foi elevada a província eclesiástica de Alexandria.

[ ![Mapa O Crescimento do Cristianismo no Império Romano](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15640-pt.png?v=1776765331-1777485602) O Crescimento do Cristianismo no Império Romano Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-15640/mapa--o-crescimento-do-cristianismo-no-imperio-rom/ "Mapa O Crescimento do Cristianismo no Império Romano")Cirene é referenciada como um dos primeiros centros do Cristianismo, mas, no final do século IV, segundo o historiador romano Amiano Marcelino, já quase não vivia lá ninguém: "Na Pentápolis líbia está situada Cirene, uma cidade antiga agora deserta" (Freeman, pág. 210). Os terramotos de 262 e, especialmente, o de 365 puseram fim à vida da cidade.

Por esta altura, os campos férteis e os vales que tinham acolhido os colonos de Tera em 631 a.C. tinham sido ocupados por construções, pavimentados, provavelmente cultivados até à esterilidade e dilacerados pelos vários conflitos, pelo que parece improvável que Cirene pudesse ter durado muito mais tempo, de qualquer modo. Quando os árabes muçulmanos chegaram a Cirene no século VII, encontraram uma paisagem muito diferente daquela que, há muito, tinha dado as boas-vindas a Bato I.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Expedition Magazine; Penn Museum: "Discoveries at Cyrene" by David Crownover](https://www.penn.museum/sites/expedition/discoveries-at-cyrene/ "Expedition Magazine; Penn Museum: "Discoveries at Cyrene" by David Crownover"), accessed 25 Jun 2023.
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- [The Arab Weekly: Libya's Ancient Heritage Threatened by Plunder, Destruction ](https://thearabweekly.com/libyas-ancient-heritage-threatened-plunder-destruction "The Arab Weekly: Libya's Ancient Heritage Threatened by Plunder, Destruction "), accessed 25 Jun 2023.

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **631 BCE**: [Greek](https://www.worldhistory.org/disambiguation/greek/) colonists from the island of [Thera](https://www.worldhistory.org/thera/) found the [city](https://www.worldhistory.org/city/) of [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) in North [Africa](https://www.worldhistory.org/disambiguation/africa/).
- **631 BCE - 440 BCE**: Duration of the Battiad Dynasty of [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/).
- **460 BCE**: [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) becomes a republic.
- **c. 398 BCE - c. 380 BCE**: [Plato](https://www.worldhistory.org/plato/) travels in [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/), [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/), [Italy](https://www.worldhistory.org/italy/), [Syracuse](https://www.worldhistory.org/syracuse/) and [Sicily](https://www.worldhistory.org/sicily/).
- **323 BCE**: After [Alexander the Great](https://www.worldhistory.org/Alexander_the_Great/)'s [death](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Death/), [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) becomes subject of the [Ptolemaic Empire](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Ptolemaic_Empire/).
- **322 BCE**: [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) is invaded by the rogue commander Thibron; port of [Apollonia](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Apollonia/) is damaged.
- **322 BCE**: Thibron is defeated by Ophellas of the [Ptolemaic Dynasty](https://www.worldhistory.org/Ptolemaic_Dynasty/); Ophellas becomes governor of [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/).
- **276 BCE - 250 BCE**: Magas rules as king of [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/); [silphium](https://www.worldhistory.org/Silphium/) plant is featured prominently on currency.
- **276 BCE - 195 BCE**: Life of [Eratosthenes](https://www.worldhistory.org/Eratosthenes/), ancient [Greek](https://www.worldhistory.org/disambiguation/greek/) Alexandrian scholar, native of [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) and one of the greatest geographers in antiquity.
- **96 BCE**: Cyrenaica becomes a [Roman](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Roman/) province.
- **74 BCE**: The [city](https://www.worldhistory.org/city/) of [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) comes under [Roman](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Roman/) control.
- **c. 27 BCE**: [Augustus](https://www.worldhistory.org/augustus/) makes [Gortyn](https://www.worldhistory.org/Gortyn/) the capital of the [Roman](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Roman/) province of [Crete](https://www.worldhistory.org/crete/) & [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/).
- **262 CE**: An [earthquake](https://www.worldhistory.org/disambiguation/earthquake/) devastates [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/).
- **365 CE**: After another [earthquake](https://www.worldhistory.org/disambiguation/earthquake/) [Cyrene](https://www.worldhistory.org/cyrene/) becomes an abandonded [city](https://www.worldhistory.org/city/) of ruins.

## Perguntas & Respostas

### Onde ficava a antiga Cirene e o que é hoje em dia?
A antiga Cirene situava-se na costa do Norte de África, no local onde hoje se encontra Shahhat, na Líbia. 

### Quando foi fundada Cirene e por quem?
Cirene foi fundada em 631 a.C. por imigrantes da ilha grega de Tera.

### Quais são algumas das personalidades famosas de Cirene?
Entre os cidadãos ilustres de Cirene contam-se o filósofo hedonista Aristipo, o poeta e erudito Calímaco, o erudito Eratóstenes, o filósofo Hegésias (que desenvolveu a visão de Aristipo de forma contrária) e Simão de Cirene, mencionado na Bíblia. 

### Porque é que Cirene foi abandonada?
Cirene foi abandonada após os terramotos do anos de 262 e de 365, mas já tinha sido gravemente danificada por conflitos civis, e acredita-se que os recursos da região já se tivessem esgotado anteriormente. 


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### APA
Mark, J. J. (2026, July 05). Cirene. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-773/cirene/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Cirene." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 05, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-773/cirene/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Cirene." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 05 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-773/cirene/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 05 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

