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title: Punte
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-765/punte/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-18
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# Punte

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Terra de Punte era uma região em África (muito provavelmente a Somália) referenciada por inscrições do Antigo Egito inicialmente como parceira comercial e, mais tarde, como um país semimítico rico em recursos e bens exóticos. É mais conhecida pelas inscrições da Rainha [Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-743/hatshepsut/) (cerca de 1479-1458 a.C.), embora o comércio tivesse sido estabelecido muito antes.

Nas décadas seguintes à primeira decifração dos [hieróglifos egípcios](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13485/hieroglifos-egipcios/) por Jean-François Champollion em 1822, e com o início da leitura dos textos egípcios por parte dos estudiosos ocidentais, surgiram dúvidas sobre a localização de Punte e sobre como era designada na era moderna. Punte situava-se provavelmente na atual região do noroeste da Somália, com base na semelhança entre a antiga cidade de Opone referida em obras antigas e a cidade moderna de Pouen, na Somália. Os egípcios chamavam a Punte Pwenet ou Pwene, o que se traduz como Pouen, conhecida pelos gregos como Opone. Está bem estabelecido que Opone comerciou com o Egito ao longo de vários séculos. Ainda assim, a investigação moderna continua a debater a localização exata de Punte.

Como referido, o país é mais conhecido pelas inscrições relativas à famosa expedição da rainha Hatshepsut em 1493 a.C., durante a XVIII Dinastia do Egito. Este intercâmbio entre os dois países trouxe árvores vivas para o Egito, marcando a primeira tentativa conhecida e bem-sucedida de transplante de flora estrangeira. Contudo, esta viagem a Punte é apenas a mais famosa, e as evidências sugerem que os egípcios já comerciavam com a Terra de Punte desde o reinado do [faraó](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-288/farao/) Quéops (Khufu), na IV Dinastia do Egito (cerca de 2613-2498 a.C.) e, provavelmente, ainda antes.

O Egito cresceu como nação à medida que o comércio aumentou, a começar na última parte do Período Predinástico (cerca de 6000-3150 a.C.). No Período Dinástico Arcaico do Egito (cerca de 3150-2613 a.C.), o comércio estava firmemente estabelecido com regiões na [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/) e na [Fenícia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-183/fenicia/). Por altura da V Dinastia (cerca de 2498-2345 a.C.), o Egito prosperava através do comércio com estas áreas e, em especial, com a cidade fenícia de Biblos e com os países da Núbia e de Punte.

### A Localização da Terra de Punte

Como referido, a localização exata da Terra de Punte ainda é contestada por historiadores, estudiosos, arqueólogos e outros nos dias de hoje. Ao longo dos anos, tem sido apontada como parte da Arábia, da atual Somália ou do Estado de Puntlândia na Somália, no Corno de África, do Sudão, da Eritreia ou na atual região da República da Somalilândia (de facto independente), embora possa referir-se a alguma outra região interna da África Oriental. O debate continua sobre onde Punte se localizava, com estudiosos e historiadores de todos os lados a apresentarem argumentos plausíveis para as suas teses. As duas melhores hipóteses são a Eritreia e o noroeste da Somália, sendo que a Eritreia tem vindo a recolher a aceitação mais generalizada.

Parece, no entanto, a partir dos relevos que relatam a expedição esculpidos no templo de Hatshepsut em Deir el-Bahari, que Punte se situava provavelmente no atual Estado da Puntlândia, na Somália, ou, pelo menos, no noroeste da Somália. A cultura do Estado da Puntlândia, na Somália, apresenta várias semelhanças impressionantes com a do Antigo Egito, incluindo a língua, a vestimenta cerimonial e as artes, sugerindo um antigo intercâmbio intercultural.

O estudioso John A. Wilson escreve sobre o quanto Hatshepsut se orgulhava da expedição que lançou a Punte e deixa claro que esta era "a terra do incenso a sul, talvez principalmente na área da Somalilândia, mas também na Arábia Félix" (pág. 176). Wilson parece favorecer a interpretação da Somália como sendo Punte, ao apontar a "proeminência invulgar" desta expedição e a rota que os egípcios parecem ter tomado para lá chegar.

Punte não podia estar na Arábia porque os egípcios negociavam regularmente com essa região, que não ficava "a sul", nem podia ser a Núbia, uma vez que os egípcios também conheciam bem essa terra e uma expedição até lá não teria sido representada como excecional. Além disso, o comércio com Punte envolvia viagens marítimas, o que exclui ambas as hipóteses. É possível, no entanto, que estivesse localizada a norte da Somália, na Eritreia, sendo esta região a melhor candidata a Punte a seguir à Somália.

Aqueles que favorecem a interpretação da Somália como sendo Punte apontam a descrição da expedição feita por Hatshepsut, bem como referências anteriores. Os egípcios viajavam para lá de barco, descendo o [Nilo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-78/nilo/), atravessando o Uádi Tumilate no Delta oriental e seguindo em direção ao Mar Vermelho. Há evidências de que as tripulações egípcias desmantelavam os seus barcos, os transportavam por terra até ao Mar Vermelho e depois navegavam rente à costa enquanto se dirigiam para Punte.

[ ![Map of the New Kingdom of Egypt, 1450 BCE](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/538.png?v=1772258308) Mapa do Império Novo do Egito, 1450 a.C. Andrei Nacu (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/538/map-of-the-new-kingdom-of-egypt-1450-bce/ "Map of the New Kingdom of Egypt, 1450 BCE")Embora esta descrição favoreça uma interpretação da Eritreia, as restantes evidências pesam fortemente a favor do noroeste da Somália. Os egípcios teriam navegado rente à costa até ao Corno de África, na atual região do Estado da Puntlândia, na Somália. Wilson cita os relevos no templo de Hatshepsut como prova de quão maravilhados os habitantes de Punte ficaram com a chegada dos egípcios, visto estarem, aparentemente, nos confins do mundo. Wilson escreve:

> O povo de Punte fica lisonjeiramente maravilhado com a ousadia dos marinheiros egípcios: "Como chegastes aqui, à terra desconhecida dos homens? Descestes pelos caminhos do céu ou viajastes por terra ou por mar? Quão feliz é a Terra de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) (Punte), que agora pisais como Rá!"
> (pág. 176)

Punte é também representada como algo bastante estrangeiro para os egípcios. O estudioso Marc van de Mieroop escreve:

> \[Os egípcios\] chegaram a Punte de barco oceânico e encontraram um país muito diferente do seu. As representações de casas, animais e plantas sugerem uma localização no nordeste de África ao longo da costa do Mar Vermelho, possivelmente a região da moderna Eritreia, embora também tenha sido sugerido um local mais para o interior.
> (pág. 169)

Independentemente de onde se situasse, a reputação da região como sendo rica em recursos já estava firmemente estabelecida antes da expedição de Hatshepsut. A estudiosa Rosalie David observa:

> Os egípcios tinham uma procura constante de incenso e mirra — os principais produtos de Punte — para os seus serviços nos templos, e conheciam a existência desta terra desde a V Dinastia. Tinham sido enviadas expedições para lá desde o final do Antigo [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/).
> (pág. 267)

Embora o comércio entre o Egito e Punte esteja bem estabelecido e as evidências apoiem a ligação somali a Punte, continua a não existir um consenso académico quanto à sua localização exata.

### A Expedição de Hatshepsut a Punte

Apesar de os dois países partilharem uma longa história comercial, a expedição de Hatshepsut em 1493 a.C. assumiu um significado particular. Tal pode dever-se simplesmente ao facto de esta transação ter sido maior do que qualquer outra, mas as evidências sugerem que a rota para Punte se tinha perdido e que Hatshepsut foi instruída pelos deuses para restabelecer essa ligação. Wilson descreve como a viagem foi inicialmente encomendada por Hatshepsut, com base nos relevos do seu templo:

> Amun-ra de Karnak falou a partir do seu santuário no templo e ordenou a Hatshepsut que empreendesse a exploração comercial da terra de Punte. "A majestade do palácio apresentou petição nas escadarias do Senhor dos Deuses. Ouviu-se uma ordem do Grande Trono, um oráculo do próprio deus, para procurar caminhos para Punte, para explorar as estradas para os terraços de mirra."
> (pág. 169)

Hatshepsut ordenou então que a vontade do deus fosse cumprida, tendo sido equipados cinco navios para a viagem e reunidos bens para o comércio. A historiadora Barbara Watterson descreve a viagem com base nas inscrições do reinado de Hatshepsut:

> Cinco navios partiram de um porto no Mar Vermelho (possivelmente Quseir) para viajar para sul em direção a Suakin, onde a expedição desembarcou. A viagem demorara entre 20 e 25 dias, percorrendo em média cerca de 50 quilómetros por dia, com os navios a navegar rente à costa em vez de arriscarem as perigosas águas profundas do Mar Vermelho. De Suakin, a rota para Punte fez-se por terra através das colinas do Mar Vermelho.
> (pág. 101)

Esta descrição de uma viagem por terra para Punte, após a passagem pelo Mar Vermelho, pode defender tanto a Eritreia como a Somália, mas, mais uma vez, deve ser ponderada em conjunto com as restantes evidências. Independentemente da sua localização exata perto do Corno de África, a região era tida em altíssima conta e era suficientemente diferente do Egito para se revestir de mistério. As aldeias de Punte são descritas como casas construídas sobre palafitas e governadas por um rei que poderá ter sido aconselhado por anciãos. As inscrições indicam que as relações entre os dois países eram muito estreitas e que os habitantes de Punte eram um povo extremamente generoso. A Terra de Punte é elogiada pelas suas riquezas e pela "bondade da terra" pelos escribas egípcios.

[ ![Hatshepsut Visits Ruined Temple](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/12727.jpg?v=1618585214) Hatshepsut Visita o Templo Arruinado Ancient History Magazine/ Karwansaray Publishers (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/12727/hatshepsut-visits-ruined-temple/ "Hatshepsut Visits Ruined Temple")### O Comércio Egípcio com Punte

Um relevo da IV Dinastia mostra um habitante de Punte com um dos filhos do faraó Quéops, e, na V Dinastia, os documentos mostram um comércio regular entre os dois países que enriqueceu ambos. A inscrição no túmulo do comandante militar Pepynakht Heqalb, que serviu sob o rei Pepi II (2278-2184 a.C.) da VI Dinastia do Antigo Império do Egito, relata como Heqalb foi enviado por Pepi II à "terra dos Aamu" para recuperar o corpo do guardião de Kekhen que "ali estava a construir um barco de junco para viajar para Punte quando os Aamu e os habitantes das areias o mataram" (van de Mieroop, páf. 90).

Os Aamu eram os asiáticos da Arábia e os habitantes das areias eram os do Sudão, o que aponta para um ponto de partida para o comércio egípcio em redor do porto de Suakin (como Watterson referiu anteriormente) na costa oeste do Mar Vermelho. Os egípcios dependiam do comércio com Punte para obter muitas das suas posses mais valiosas.

Entre os tesouros trazidos para o Egito a partir de Punte estavam ouro, ébano, animais selvagens, peles de animais, presas de elefante, marfim, especiarias, madeiras preciosas, cosméticos, incenso, árvores de incenso e de mirra. Watterson escreve: "Em troca de uma modesta oferta de algumas armas egípcias e bugigangas, os habitantes de Punte deram aos seus visitantes sacos de goma aromática, ouro, ébano, marfim, peles de leopardo, macacos vivos e árvores de incenso" (*Idem*).

Contudo, o comércio entre o Egito e Punte não era tão unilateral como Watterson sugere, uma vez que as inscrições deixam claro que houve uma troca justa por ambas as partes. Wilson relata como os egípcios chegaram a Punte com "joias, ferramentas e armas" e regressaram com "árvores de incenso, marfim, mirra e madeiras raras" (pág. 176). Há também evidências de que os egípcios trocavam metais disponíveis no seu país pelo ouro de Punte, mesmo o Egito tendo as suas próprias minas de ouro. Rosalie David descreve uma cena relacionada com os bens comerciais da expedição de Hatshepsut, conforme consta nas inscrições do seu templo em Deir el-Bahari:

> A ilustração mostra que o incenso foi empilhado em frente ao embaixador egípcio e aos seus soldados, enquanto macacos e panteras são trazidos pela mão; as "trocas" egípcias — punhais, machados e colares — encontram-se dispostas numa mesa e, quando o negócio é acordado, os oficiais de Punte são levados para a tenda do enviado egípcio e brindados com oferendas de pão, [cerveja](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10181/cerveja/), vinho, fruta e carne. As inscrições que acompanham a cena tentam explicar, no entanto, que estas armas usadas no escambo pelos egípcios eram na verdade uma "oferta" para Hator, a deusa de Punte. De seguida, os bens foram pesados, medidos e carregados para os navios para a viagem de regresso. Nesta instância, estes incluíam pilhas de incenso, árvores de mirra, ébano e marfim, ouro, madeiras perfumadas, incenso, pigmentos para os olhos, macacos, babuínos, cães e peles de pantera. Foram eventualmente apresentados à rainha Hatshepsut em Tebas, tendo-se manifestado grande entusiasmo, em particular com as árvores que foram posteriormente plantadas no jardim do templo.
> (pág. 267-268)

As árvores de mirra mencionadas constituíam um artigo de comércio particularmente impressionante. Como referido, este intercâmbio marca a primeira vez na história registada em que flora (plantas e árvores) foi transplantada com sucesso para outro país. Este transplante foi tão bem-sucedido que as árvores floresceram no Egito durante séculos. As raízes das árvores trazidas de Punte pela expedição de Hatshepsut em 1493 a.C. ainda podem ser vistas no exterior do seu complexo em Deir el-Bahari.

[ ![Portrait of Queen Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/572.jpg?v=1757297169) Retrato da Rainha Hatshepsut Rob Koopman (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/572/portrait-of-queen-hatshepsut/ "Portrait of Queen Hatshepsut")As inscrições nas paredes do local detalham a relação egípcia com Punte e deixam claro que esta era mutuamente benéfica e que ambas as partes nutriam um profundo respeito uma pela outra. Os relevos nas paredes do templo mostram o chefe dos habitantes de Punte e a sua mulher a receber os enviados do Egito com todas as honras. Tão precisas são estas representações que os estudiosos modernos conseguiram diagnosticar os problemas médicos da mulher do chefe de Punte, Aty. De acordo com o historiador Jimmy Dunn, a rainha "mostra sinais de lipodistrofia ou da doença de Dercum. Tem uma curvatura pronunciada da coluna vertebral" pág. (3). As inscrições mencionam o rei Perehu de Punte e a sua generosidade que, a julgar pelos bens trazidos de volta para o Egito, era imensa.

O reinado de Hatshepsut foi um dos mais prósperos da história egípcia, mas é evidente que ela considerava a sua expedição a Punte um dos seus maiores sucessos. Watterson descreve a importância de Punte para a rainha ao debruçar-se sobre os relevos no templo de Deir el-Bahari:

> Relevos que retratam temas importantes da vida de Hatshepsut decoram as paredes nas colunatas: o seu nascimento, o transporte de obeliscos para o Templo de Amon em Tebas, a grande expedição a Punte.
> (pág. 161)

Marc van de Mieroop também comenta sobre isto, escrevendo:

> Entre os bens importados encontravam-se árvores de incenso completas, bem como incenso solto, um extrato arbóreo perfumado e dispendioso que era utilizado em \[serviços religiosos\] como oferenda aos deuses. A expedição recolheu enormes montes do mesmo e a inscrição que a acompanha afirma que tais quantidades nunca antes tinham sido adquiridas. A proeminência do relevo indica o quão orgulhosa Hatshepsut estava das realizações da expedição.
> (pág. 169)

Trinta e uma árvores de incenso (*Boswellia*) foram trazidas de volta para o Egito, para além de todos os outros bens valiosos mencionados anteriormente, mas parece que visitar Punte era tão importante quanto os bens comerciais trocados.

A Terra de Punte esteve longamente associada aos deuses e ao passado lendário do Egito, em parte porque muitos dos materiais provenientes de Punte eram utilizados em rituais nos templos. As peles de leopardo de Punte eram vestidas pelos sacerdotes, o ouro transformava-se em estatuária e o incenso era queimado nos templos. No entanto, uma associação mais profunda brotava da crença de que os deuses que abençoavam o Egito nutriam igual afeto por Punte. As inscrições de Hatshepsut afirmam que a deusa Hator era originária de Punte e existem evidências de que um dos deuses egípcios mais populares do parto, Bes (conhecido como o Deus Anão), também estava associado à região.

### Conclusão

Na XII Dinastia (1991-1802 a.C.), Punte foi imortalizada na literatura egípcia na muito popular História do Náufrago, na qual um marinheiro egípcio naufragado numa ilha conversa com uma grande serpente que se autodenomina "Senhor de Punte" e envia o marinheiro de volta ao Egito carregado de ouro, especiarias e animais preciosos. O marinheiro da história conta o relato ao seu superior para o animar após uma expedição falhada. Salienta como o seu senhor se pode sentir desapontado com o seu recente fracasso, mas como ele próprio outrora sofrera um revés semelhante, só que pior: o seu navio tinha-se perdido e, sozinho numa terra estranha, temeu pela vida até ser tranquilizado pelo Senhor de Punte.

Punte é propositadamente escolhida nesta história como a terra mística onde o marinheiro dá à costa, porque já era compreendida como um reino longínquo de bens exóticos e pessoas generosas. O marinheiro diz ao seu senhor que, embora a vida possa parecer sombria a certo momento, o bem pode surgir até dos momentos mais escuros da existência. Apresenta o exemplo do Senhor de Punte a enviá-lo para casa mais rico do que quando partira na sua viagem condenada, pois o nome de Punte lembraria o senhor dos deuses e das suas bênçãos — tal como evidenciado pelas riquezas de Punte trazidas de volta ao Egito — e faria o mesmo a um público que ouvisse a história.

A Terra de Punte acabou por se tornar uma terra semimítica para os egípcios, mas continuava a ser compreendida como um lugar muito real durante o [Império Novo do Egito](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15059/imperio-novo-do-egito/) (1570-1069 a.C.). O vizir Rekhmira menciona a aceitação de tributos de delegações estrangeiras vindas de Punte durante o reinado de Amenófis II (1425-1400 a.C.). Punte é mencionada durante o reinado de Ramessés II (o Grande, 1279-1213 a.C.) e o de Ramessés III (1186-1155 a.C.).

Punte passou a exercer um profundo fascínio sobre o povo egípcio como uma "terra de abundância" e era conhecida como Te Netjer, a terra dos deuses, de onde chegavam importantes mercadorias ao Egito. Punte também estava associada à ancestralidade egípcia, uma vez que passou a ser vista como a sua antiga pátria e, além disso, como a terra de onde os deuses emergiram e conviveram uns com os outros. Não se sabe exatamente porque razão Punte foi elevada da realidade à [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/), mas, após o reinado de Ramessés III, a terra foi recuando cada vez mais na mente dos egípcios até se perder na lenda e no folclore.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Ancient Egyptians: The Wonderful Land of Punt by Jimmy Dunn](http://www.touregypt.net/featurestories/punt.htm "Ancient Egyptians: The Wonderful Land of Punt by Jimmy Dunn"), accessed 1 Dec 2016.
- [Bunson, M. *The Encyclopedia of Ancient Egypt.* Gramercy Books, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/0517203804/)
- [David, R. *Handbook to Life in Ancient Egypt .* Oxford University Press, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0816050341/)
- [Durant, W. *Our Oriental Heritage.* Simon & Schuster, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/B00005WJGO/)
- [http://www.fordham.edu/halsall/ancient/2200shipwreck.html](http://www.fordham.edu/halsall/ancient/2200shipwreck.html "http://www.fordham.edu/halsall/ancient/2200shipwreck.html"), accessed 1 Dec 2016.
- [Van De Mieroop, M. *A History of Ancient Egypt.* Wiley-Blackwell, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1405160713/)
- [Watterson, B. *The Egyptians.* Wiley-Blackwell, 1997.](https://www.worldhistory.org/books/B01A65KP26/)
- [Wilson, J. A. *The Culture of Ancient Egypt.* University Of Chicago Press, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/0226901521/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 2613 BCE - 2498 BCE**: [Trade](https://www.worldhistory.org/disambiguation/trade/) already well established between [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/) and The Land of [Punt](https://www.worldhistory.org/punt/).
- **2498 BCE - 2345 BCE**: [Trade](https://www.worldhistory.org/disambiguation/trade/) between [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/) and [Punt](https://www.worldhistory.org/punt/) prospers.
- **1991 BCE - 1802 BCE**: The [Egyptian](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Egyptian/) Tale of the Shipwrecked Sailor features [Punt](https://www.worldhistory.org/punt/) as a mystical island of "all good things". .
- **1493 BCE**: [Hatshepsut](https://www.worldhistory.org/hatshepsut/)'s expedition returns with 31 live incense trees; first recorded transplant of foreign fauna.
- **c. 1493 CE**: [Punt](https://www.worldhistory.org/punt/) becomes land of myth; steadily vanishes from historical inscriptions in [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).

## Perguntas & Respostas

### A Terra de Punte existe mesmo?
A Terra de Punte era um local real, provavelmente no noroeste da Somália ou na Eritreia, embora fosse referida na literatura egípcia como um local semimítico. 

### O que era a Terra de Pune?
A Terra de Punte era considerada a «terra da abundância» pelos egípcios do Novo Império. Punt era um importante parceiro comercial do Egito e situava-se, muito provavelmente, no noroeste da Somália. 

### Por que é que a Terra de Punte é famosa?
A Terra de Punte é famosa pelas inscrições egípcias do reinado da rainha Hatshepsut, que descrevem a expedição que ela enviou para lá em 1493 a.C. Nessa altura, essa terra já era considerada um reino semimítico na literatura egípcia e é mencionada no famoso «Conto do Marinheiro Naufragado». 

### Será a Eritreia a Terra de Punt?e
A Eritreia é apenas uma das possíveis localizações da antiga Terra de Punte. O debate sobre a localização de Punt continua até aos dias de hoje. 

### Onde ficava a antiga Terra de Punte?
A localização da antiga Terra de Punte continua a ser objeto de debate e é altamente controversa. Os locais mais prováveis são a Eritreia e o noroeste da Somália. 

### Quando é que o Egito começou a manter relações comerciais com a Terra de Punte?
O Egito iniciou o comércio com a Terra de Punte durante o período do Antigo Império, por volta de 2613-2181 a.C. 


## Links Externos

- [Website Disabled](http://wysinger.homestead.com/punt.html)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, August 18). Punte. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-765/punte/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Punte." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 18, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-765/punte/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Punte." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 18 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-765/punte/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 18 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

