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title: Zoroastrismo
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-309/zoroastrismo/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-25
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# Zoroastrismo

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O zoroastrismo é a fé monoteísta estabelecida pelo profeta persa Zoroastro (também conhecido como Zarathustra, Zartosht) entre cerca de 1500-1000 a.C. Defende a existência de uma divindade suprema, [Ahura Mazda](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15806/ahura-mazda/) (Senhor da Sabedoria), criador e sustentador de todas as coisas, e incentiva os fiéis a expressarem a sua fé através do princípio dos Bons Pensamentos, Boas Palavras e Boas Ações.

A religião também é conhecida como Mazdayasna («devoção a Mazda») e mazdaísmo. Este sistema de crenças desenvolveu-se a partir da antiga religião politeísta persa, que considerava Ahura Mazda o maior de um vasto [panteão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11201/panteao/) de deuses e que, tal como o posterior zoroastrismo, encarava a vida como uma luta entre as forças da luz e da bondade e as da escuridão e do mal.

O zoroastrismo foi adotado pelo [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Persa Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.) e pelo Império Parta (247 a.C. - 224 d.C.), encontrando a sua expressão máxima sob o [Império Sassânida](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-690/imperio-sassanida/) (224-651). Os sassânidas tornaram o zoroastrismo a religião de Estado enquanto, em simultâneo, desenvolviam um ramo diferente da fé — habitualmente apelidado de «heresias» — conhecido como zurvanismo. Após a invasão árabe muçulmana no ano de 651, os zoroastristas foram perseguidos, a fé foi reprimida e os seus locais religiosos destruídos ou convertidos em mesquitas. No entanto, o zoroastrismo sobreviveu — embora com um número de adeptos muito reduzido — e continua a ser praticado nos dias de hoje.

### O Início

A fé politeísta dos antigos persas tinha muito provavelmente já tomado forma antes da sua chegada à região do Irão, por volta do III milénio a.C., tendo depois sido influenciada pelos elamitas e pelos povos de Susiana que já ali se encontravam estabelecidos. Este sistema de crenças sustentava a existência de muitos deuses, regidos por Ahura Mazda, que guiavam e protegiam a humanidade contra as ameaças e influências de forças das trevas, lideradas pela divindade-espírito Angra Mainyu.

O propósito da vida humana consistia em escolher seguir os preceitos de Ahura Mazda e rejeitar as tentações e armadilhas de Angra Mainyu. O primeiro casal criado por Ahura Mazda — Mashya e Mashynag — tinha vivido em paz e harmonia com todas as coisas no paraíso que Ahura Mazda lhes criara, até ouvirem os sussurros de Angra Mainyu, que os convenceu de que ele era o seu criador e que Ahura Mazda era o seu inimigo e um impostor. Por duvidarem do seu verdadeiro senhor e darem ouvidos a mentiras, foram expulsos do paraíso e condenados a um mundo de dificuldades e lutas, mas os seus descendentes ainda podiam viver vidas plenas e com significado se se mantivessem leais a Ahura Mazda.

Na ausência de escrituras escritas, desconhece-se de que forma a fé era praticada ou como se realizavam os rituais. Determinadosaspetos da fé foram, contudo, preservados em obras zoroastristas posteriores, sabendo-se que existia uma classe sacerdotal (posteriormente conhecida como os [magos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14770/magos/)) e que os deuses eram venerados em santuários ao ar livre conhecidos como templos do fogo — altares nos quais o fogo da divindade era mantido permanentemente aceso. Ao contrário do que acontecia no Egito ou na [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/), não havia templos dedicados aos deuses nem rituais elaborados.

Os sacrifícios, provavelmente sob a forma de alimentos, cereais e objetos preciosos, eram entregues aos sacerdotes em troca da sua intercessão junto dos deuses, uma prática que tornou o clero numa das classes sociais mais ricas e poderosas da sociedade persa. Um grupo de sacerdotes era conhecido por *karpans*, existindo outro, os *kawis*, cujo papel é ainda menos definido, mas ambos tinham um interesse privado e político instituído em manter a prática da religião tal como sempre tinha sido compreendida.

### Zoroaster

Foi neste meio que Zoroaster nasceu de pais persas nobres, Pourusaspa e Dughdova. O seu pai, Pourusaspa, pertencia muito provavelmente à classe sacerdotal, uma vez que o seu filho viria a tornar-se sacerdote e os filhos seguiam habitualmente a profissão dos pais; o estatuto elevado da família é ainda sugerido pelo facto de Zoroaster ter iniciado a sua educação em idade precoce, em vez de ter de trabalhar. Tinha quatro irmãos — dois mais velhos e dois mais novos —, mas nada mais se sabe da sua família ou da sua juventude.

Era sacerdote aos 15 anos, muito provavelmente como assistente de um clérigo mais velho, e diz-se que saiu de casa dos pais aos 20 anos para dar início à sua carreira. Um dos rituais realizados pelos sacerdotes *karpan* era o sacrifício ritual de animais, sendo certo que Zoroaster presenciou isto muitas vezes — podendo inclusive ter sido obrigado a participar —, uma vez que achava tal prática tão repulsiva que mais tarde faria questão de a rejeitar.

[ ![New Year's Image, Persepolis](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/11598.jpg?v=1790327777) Imagem de Ano Novo, Persépolis Ginolerhino (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/11598/new-years-image-persepolis/ "New Year's Image, Persepolis")O que possa ter feito durante os seus vindo e vinte anos é desconhecido, mas, aos 30 anos, participou num festival religioso que celebrava os ritos da primavera (provavelmente a celebração do Ano Novo conhecida como Nowruz) e teve uma visão que lhe mudou a vida. Na margem do rio à sua frente, surgiu a imagem luminosa de um ser celestial que se identificou como Vohu Manah («bom propósito») e proclamou ter sido enviado pelo próprio Ahura Mazda para transmitir uma mensagem: os sacerdotes tinham mal-entendido a verdade divina e adoravam falsos deuses — havia apenas um [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), Ahura Mazda, que não exigia sacrifícios de sangue, mas apenas um comportamento ético. Zoroaster tinha sido escolhido para pregar esta revelação e parece ter iniciado a sua missão de imediato.

### A Nova Verdade

A boa nova de Zoroaster não foi recebida por mais ninguém com o mesmo entusiasmo que ele próprio tinha. Foi rejeitado pelos sacerdotes, a sua vida foi ameaçada e viu-se forçado a fugir de casa. No entanto, não parou de pregar a nova verdade revelada, mantendo-se em constante oração para receber de Ahura Mazda orientação sobre a forma como deveria prosseguir. As suas orações e perguntas ao deus seriam mais tarde colocadas por escrito e formariam uma secção central das escrituras zoroastristas conhecida como o *Avesta*.

Com o tempo, encontrou-se na corte de um rei chamado Vishtaspa e envolveu-se num debate teológico com os sacerdotes da corte para entretenimento do rei. De acordo com o *Avesta*, Zoroaster derrotou todos os seus argumentos e demonstrou claramente a validade da sua revelação, mas, como isto desafiava a ordem estabelecida, Vishtaspa não ficou satisfeito e mandou lançar o profeta na prisão. Estando encarcerado, Zoroaster curou miraculosamente o cavalo favorito de Vishtaspa, que sofria de uma paralisia, e o rei mandou-o soltar, voltando a escutar a sua mensagem. Vishtaspa, segundo a tradição zoroastrista, tornou-se o primeiro convertido e, dado que era rei, outros seguiram-se rapidamente.

Zoroaster nada pôs por escrito, tal como os seus primeiros discípulos. A tradição sustenta que as suas palavras foram memorizadas, repetidas em rituais e transmitidas oralmente durante gerações até encontrarem finalmente forma [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/). Desconhece-se de que forma a religião se propagou após Vishtaspa, mas esta já era generalizada à época do Império Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.), cuja classe governante era zoroastrista. Diz-se que Zoroaster continuou a pregar a sua fé até morrer, por volta dos 77 anos de idade, seja de velhice ou, de acordo com obras posteriores do período sassânida, assassinado por um sacerdote da antiga religião.

### A Visão

A nova fé de Zoroaster fundava-se na visão que recebera junto ao rio e nas respostas dadas às suas orações incessantes. Repousava sobre cinco princípios:

1. O deus supremo é Ahura Mazda.
2. Ahura Mazda é inteiramente bom.
3. O seu oponente eterno, Angra Mainyu, é inteiramente mau.
4. A bondade manifesta-se através de bons pensamentos, boas palavras e boas ações.
5. Cada indivíduo tem livre-arbítrio para escolher entre o bem e o mal.

Ahura Mazda era o deus incriado, eterno e único, enquanto as muitas outras divindades anteriormente adoradas eram meramente espíritos ou emanações do divino. Divindades populares como [Mitra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10029/mitra/) ou Anahita deixaram de ser adoradas como deuses imortais e omnipotentes, mas podiam ainda ser honradas como representações da benevolência de Ahura Mazda.

Um problema que o *Avesta* não aborda é a origem de Angra Mainyu — e das forças do mal — caso o universo tenha sido criado por uma divindade omnipotente e inteiramente boa. Aparentemente, o *Avesta* pressupõe no seu público uma compreensão que tornaria tal resposta redundante. As orações e admoestações de Zoroaster sugerem que o público original já conhecia a origem de Angra Mainyu, sendo este muito provavelmente outro aspeto da antiga religião que ele manteve.

[ ![Faravahar at Persepolis](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3049.jpg?v=1790042825) Faravahar em Persépolis Napishtim (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/3049/faravahar-at-persepolis/ "Faravahar at Persepolis")Quer tenha sido dada uma explicação original para o problema do mal que se perdeu, quer esta tenha sido simplesmente pressuposta, a questão não foi explicitamente abordada até ao século XIX. Várias sugestões tinham sido avançadas anteriormente, mais notavelmente sob a forma do zurvanismo, que a resolveu tornando Ahura Mazda e Angra Mainyu iguais em poder e ambos seres criados, mas este dualismo foi rejeitado pelos zoroastristas tradicionais.

O orientalista alemão Martin Haug (1827-1876) sugeriu uma resolução para o problema, afirmando que Angra Mainyu não era uma divindade, mas sim uma emanação de Ahura Mazda, a descarga de energia negativa proveniente do ato criativo, que adquiriu senciência a partir do próprio ato de criação, mas sem poder real. Tudo o que Angra Mainyu podia fazer, portanto, era tentar perturbar e distorcer o grande plano de Ahura Mazda, sendo essa perturbação aquilo a que as pessoas chamam «mal» — o «mal» real, nesta visão, não existiria.

### A Vida e o Além-Vida

O valor central da fé era o livre-arbítrio humano. Se se seguissem os preceitos de Ahura Mazda, vivia-se uma vida plena; caso contrário, ficava-se enredado na mentira e experimentava-se conflito e confusão. Partindo dos Cinco Princípios como base para a decisão de cada um, devia então expressar-se a fé através do quarto — *a bondade manifesta-se através de bons pensamentos, boas palavras e boas ações* —, praticando-se isto mediante:

- Dizer a verdade em todas as circunstâncias — especialmente cumprir promessas;
- Praticar a caridade para com todos — especialmente para com os menos afortunados;
- Demonstrar amor pelos outros — mesmo que estes não retribuíssem o sentimento;
- Moderação em todas as coisas — especialmente na dieta.

Apesar de existirem indícios de esforços de prossecução de conversões por parte dos zoroastristas após a missão inicial de Zoroaster, diz-se que a fé se propagou através do comportamento virtuoso dos crentes, que aderiam a três valores fundamentais de conduta:

- Fazer amigos dos inimigos;
- Tornar justos os malfeitores;
- Tornar instruídos os ignorantes.

Se alguém vivesse em conformidade com estes valores, não só teria uma vida boa e produtiva, como seria recompensado na vida após a morte. Quando se nasce, o espírito superior de cada um (f*ravashi*) envia a alma (*urvan*) para o corpo para vivenciar o mundo material e escolher entre o bem e o mal. No momento da morte, acreditava-se que a alma permanecia na terra durante três dias, junto ao cadáver, e um cão era trazido para o quarto para afastar os espíritos malignos e proteger a alma enquanto os deuses avaliavam a vida do falecido.

Após os três dias, a *urvan* reunia-se à sua *fravashi* e viajava até à Ponte Chinvat, a passagem sobre o abismo entre os vivos e os mortos, onde se depararia com os dois cães que a guardam. Os cães dariam as boas-vindas a uma alma justificada e repreenderiam a alma maligna. A alma seria então recebida pela Santa Donzela, Daena, que representava a consciência do falecido. Para a alma justificada, ela afigurava-se como uma bela donzela; para a condenada, assemelhar-se-ia a uma velha bruxa feia. Daena confortaria a alma recém-chegada e conduzi-la-ia até à ponte, onde seria protegida contra ataques demoníacos pelo anjo Suroosh.

[ ![Ahura Mazda, The Rock-Cut Tombs of Qizqapan](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/8004.jpg?v=1778265905) Ahura Mazda, Os Túmulos Rupestres de Qizqapan Sulaymaniyah Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/8004/ahura-mazda-the-rock-cut-tombs-of-qizqapan/ "Ahura Mazda, The Rock-Cut Tombs of Qizqapan")A ponte alargava-se e tornava-se acolhedora para a alma justificada, mas estreitava-se e tornava-se difícil para a condenada. Suroosh guiava a alma até ao anjo Rashnu, o juiz justo dos mortos. As almas cujas boas e más ações eram iguais iam para *Hamistakan*, uma espécie de purgatório, onde permaneciam até ao fim dos tempos e ao dia da ressurreição, altura em que se reuniriam a Ahura Mazda. Aqueles que tinham vivido em conformidade com a luz iam para o paraíso da Casa da Canção; os que não o tinham feito eram precipitados da ponte para o inferno da Casa da Mentira, onde eram atormentados na escuridão e, independentemente de quantos outros estivessem por perto, sentir-se-iam sempre completamente sozinhos. Havia quatro níveis de paraíso ascendentes, sendo o mais elevado a companhia do próprio Ahura Mazda, e quatro níveis de inferno descendentes, sendo o mais baixo a escuridão total.

Contudo, mesmo que alguém fosse atribuído ao nível mais baixo do inferno, não se tratava de um castigo eterno. Ahura Mazda, enquanto Bem Supremo, não permitiria que nenhuma das suas criações sofresse eternamente e, com o tempo, viria um messias — o *Saoshyant* («Aquele que Traz Benefício») —, que traria a *Frashokereti* (o Fim dos Tempos), momento em que todas as almas seriam reunidas junto de Ahura Mazda numa alegre reunião — mesmo que estivessem no inferno mais escuro —, e Angra Mainyu seria destruído.

### Os Rituais e as Escrituras

Os adeptos davam a conhecer a sua escolha não apenas através das suas ações diárias, mas também por meio da adoração ritual de Ahura Mazda através do culto conhecido como *yasna*. O propósito do yasna era testemunhar o asha (verdade, ordem), resistir à mentira (druj) e fortalecer a determinação dos crentes na luta contra as forças das trevas. O mundo estava repleto de espíritos invisíveis, tanto bons como maus — os *ahuras* (bons) e os *daevas* (maus) —, e era necessário estar ciente destes, tomando precauções ou prestando muita atenção; o *yasna* incentivava isto.

Estes rituais envolviam sempre o fogo, o elemento sagrado que foi o último a ser criado, e a água, que representava a sabedoria e esteve entre os primeiros. Mantinha-se um fogo aceso num altar conhecido como templo do fogo, e um sacerdote oficiante recitava as palavras sagradas e erguia orações na presença da chama sagrada. No final do culto, a água era honrada através do rito do *ab-zohr*, uma oferenda para purificar as águas do mundo e reparar quaisquer danos causados.

[ ![Fire Temple](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/11612.jpg?v=1789610293) Templo do Fogo Diego Delso (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/11612/fire-temple/ "Fire Temple")Não havia nenhum culto fúnebre comparável aos de outras culturas, pois a exibição de luto excessivo era considerada desapropriada. A morte constituía uma parte natural da vida e os rituais fúnebres zoroastristas eram conduzidos de forma discreta e com moderação. O cadáver era cuidado em casa e um rito especialmente importante era o *sagdid* («olhar do cão»), no qual um cão era levado para o quarto para afastar os espíritos malignos e, a um nível prático, para assegurar que a pessoa estava efetivamente morta e não simplesmente em algum tipo de coma. Uma vez concluído o ritual, o corpo era preparado e retirado da casa. Os cadáveres eram deixados expostos aos elementos em estruturas vulgarmente chamadas Torres do Silêncio, uma vez que sepultá-los na terra era considerado insalubre. Assim que o corpo era limpo por vários necrófagos, os ossos eram enterrados.

Estes rituais eram realizados em conformidade com o conjunto de obras que compõe a escritura, os costumes e as crenças do zoroastrismo. Os textos centrais são:

- Avesta
- Denkard
- Bundahisn

O *Avesta* contém os Gathas (17 hinos atribuídos ao próprio Zoroaster), o Yasna (textos litúrgicos) e o Visperad (uma parte autónoma do Yasna). Foi colocado por escrito durante o reinado de Sapor II (309-379 d.C.) e revisto/codificado sob Cosroes I (reinado de 531-579 d.C.). O *Vendidad*, considerado por alguns parte do *Avesta* e rejeitado por outros, é o código eclesiástico; o Denkard, uma coleção de crenças e costumes; e o Bundahisn aborda a cosmologia e a cosmografia.

### A Supressão e o Legado

Os conceitos contidos nestes textos foram transmitidos oralmente durante séculos antes de serem colocados por escrito e, durante esse período, embora as casas governantes dos diferentes impérios tivessem adotado o zoroastrismo, não impuseram essa crença aos seus súbditos. A liberdade de crença e a tolerância para com outras religiões eram fundamentais para a visão de [Ciro, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-306/ciro-o-grande/), e foram mantidas pelos seus sucessores, pelos partas, sendo plenamente abraçadas pelos sassânidas, apesar de estes terem feito do zoroastrismo a sua religião de Estado.

A liberdade de pensamento religioso durante o período sassânida é exemplificada pelo desenvolvimento da chamada «heresias» do zurvanismo, uma ramificação do zoroastrismo que afirmava que o Tempo (Zorvan) era o ser supremo e Ahura Mazda uma entidade criada. Nesta visão, Ahura Mazda e Angra Mainyu eram irmãos gémeos, de igual poder, que lutavam um contra o outro, mas era, em última análise, o Tempo que ditava todas as coisas. Uma vez que o Tempo não podia ser apaziguado, o zurvanismo incentivava uma visão fatalista da vida em desacordo com o valor central do livre-arbítrio dos zoroastristas, e, no entanto, não existem indícios de perseguição aos zurvanistas.

O primeiro ataque a este nível de tolerância religiosa partiu dos cristãos no século IV, que apagaram os fogos sagrados nos templos e pregaram contra o zoroastrismo, considerando-o uma falsa fé. Estes não dispunham de efectivos nem de poder político suficientes para fazer muito mais nessa altura, mas os árabes muçulmanos, que invadiram o território no século VII, certamente conseguiriam fazê-lo. Os templos do fogo, santuários e bibliotecas zoroastristas foram destruídos, e os zoroastristas foram forçados a converter-se ao Islão, a fugir das suas casas ou a manter a fé em segredo. Os estudiosos apontam para este período ao debaterem a perda cultural em grande escala — tal como textos zoroastristas que poderiam ter abordado a origem do mal.

O zoroastrismo sobreviveu — entre os parses da Índia (para onde fugiram os refugiados da invasão muçulmana) e entre o povo do Irão que o manteve vivo —, continuando a ser praticado em todo o mundo nos dias de hoje. Embora os primeiros cristãos e muçulmanos tenham repudiado e atacado a fé, os seus conceitos fundamentais influenciaram tanto o [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/) como o islão, bem como o judaísmo. De facto, o zoroastrismo é a primeira fé monoteísta a avançar com os conceitos de responsabilidade individual pela salvação, julgamento após a morte, um messias, um fim dos tempos e um céu e inferno, devendo ser justamente encarado como o precursor das religiões posteriores que reivindicam uma visão original que foi, na realidade, estabelecida séculos antes por Zoroaster — o qual estava tão seguro da sua verdade que nunca sentiu necessidade de tentar silenciar quaisquer outras.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 1500 BCE - c. 1000 BCE**: Life of [Zoroaster](https://www.worldhistory.org/zoroaster/) according to modern scholar estimations.
- **c. 1500 BCE - c. 1000 BCE**: [Zoroaster](https://www.worldhistory.org/zoroaster/) develops his new vision of religious truth which becomes [Zoroastrianism](https://www.worldhistory.org/zoroastrianism/).
- **628 BCE - 551 BCE**: Life of [Zoroaster](https://www.worldhistory.org/zoroaster/), according to Pahlavi sources.
- **c. 550 BCE - 330 BCE**: [Zoroastrianism](https://www.worldhistory.org/zoroastrianism/) is adopted by the [Achaemenid Empire](https://www.worldhistory.org/Achaemenid_Empire/).
- **247 BCE - 224 CE**: [Zoroastrianism](https://www.worldhistory.org/zoroastrianism/) is continued by the [Parthian Empire](https://www.worldhistory.org/Parthia_(Empire)/).
- **224 CE**: [Zoroastrianism](https://www.worldhistory.org/zoroastrianism/) becomes Persian state [religion](https://www.worldhistory.org/religion/) under the [Sassanian Empire](https://www.worldhistory.org/Sasanian_Empire/).
- **309 CE - 379 CE**: Zoroastrian religious [literature](https://www.worldhistory.org/literature/) committed to [writing](https://www.worldhistory.org/writing/) under the reign of [Shapur II](https://www.worldhistory.org/Shapur_II/) of the [Sassanian Empire](https://www.worldhistory.org/Sasanian_Empire/).
- **531 CE - 579 CE**: Reign of [Kosrau I](https://www.worldhistory.org/Kosrau_I/) of the [Sassanian Empire](https://www.worldhistory.org/Sasanian_Empire/); Zoroastrian religious works written and codified.
- **651 CE**: Muslim Arab [conquest](https://www.worldhistory.org/warfare/) of [Persia](https://www.worldhistory.org/Persia/); [Zoroastrianism](https://www.worldhistory.org/zoroastrianism/)/[Zorvanism](https://www.worldhistory.org/Zorvanism/) is suppressed and forcible conversion efforts instituted.

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, September 25). Zoroastrismo. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-309/zoroastrismo/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Zoroastrismo." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 25, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-309/zoroastrismo/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Zoroastrismo." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 25 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-309/zoroastrismo/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 25 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

