---
title: Millard Fillmore: O Presidente Esquecido dos Estados Unidos
author: Harrison W. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-29095/millard-fillmore/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)
updated: 2026-10-29
---

# Millard Fillmore: O Presidente Esquecido dos Estados Unidos

_Escrito por [Harrison W. Mark](https://www.worldhistory.org/user/harrisonwmark/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Millard Fillmore (1800-1874) foi o décimo terceiro presidente dos Estados Unidos. Membro do Partido Whig, foi eleito vice-presidente em 1849 e assumiu a presidência no ano seguinte, após a morte do seu antecessor, Zachary Taylor. Fillmore é principalmente lembrado por ter presidido ao [Compromisso de 1850](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24595/compromisso-de-1850/), que adiou o início da [Guerra Civil Americana](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21889/guerra-civil-americana/) por uma década, bem como por ter enviado a Expedição Perry, que abriu o Japão isolacionista ao Ocidente. Embora tenha exercido o cargo durante um momento crucial da história dos EUA, Fillmore é frequentemente considerado um presidente fraco e, hoje em dia, é praticamente esquecido pela maioria dos americanos.

### Os Primeiros Anos

Millard Fillmore nasceu a 7 de janeiro de 1800, numa cabana de troncos na pequena cidade de Moravia, na região de Finger Lakes, no norte do estado de Nova Iorque. Era o segundo de oito filhos de Nathaniel Fillmore, um lavrador arrendatário e, ocasionalmente, professor, e de Phoebe Miller Fillmore. Os Fillmore viviam na pobreza e, mesmo nos seus primeiros anos de vida, Millard teve de dar o seu contributo para ajudar a família a sobreviver — aos seis ou sete anos, ainda enquanto aprendia o [alfabeto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-73/alfabeto/), Millard teve de aprender «a arar, a sachar, a cortar lenha, a transportar troncos e a desbastar a terra, a ceifar, a colher» (citado em Hamilton, pág. 106). Naturalmente, acabou por se cansar do trabalho penoso na exploração agrícola familiar e alimentava o sonho de partir em busca de aventuras.

Durante a [Guerra de 1812](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23125/guerra-de-1812/), o adolescente Millard ansiava por partir para a guerra, mas foi dissuadido pelo pai, que o convenceu a aprender um ofício. Aos 14 anos, Fillmore tornou-se aprendiz de um tecelão. No entanto, não durou muito tempo; relegado a tarefas subalternas, ficou frustrado por não estar a aprender nada de útil e logo se afastou, encontrando emprego numa fábrica têxtil. Nos anos seguintes, enquanto operava as máquinas na fábrica, passava o tempo livre a aprender sozinho a ler e a escrever, com base num pequeno dicionário que tinha comprado.

Em busca de uma educação mais formal, Fillmore matriculou-se pouco tempo depois numa academia que acabara de abrir na cidade vizinha de New Hope, ao mesmo tempo que continuava a trabalhar na fábrica. A sua ambição, engenho e determinação não tardaram a dar frutos. O juiz Walter Wood, senhorio dos Fillmore e o homem mais rico da região, reparou na ética de trabalho do jovem e ficou impressionado com o seu potencial. Sugerindo que Fillmore estudasse Direito, Wood acolheu-o sob a sua proteção e contratou-o como escriturário.

Mais uma vez, Fillmore não durou muito tempo ao serviço do juiz. Wood mal lhe pagava e, após uma discussão acalorada 18 meses depois de ter começado a trabalhar, Fillmore demitiu-se abruptamente. Em 1821, Fillmore lecionava numa escola em East Aurora, Nova Iorque. A sua passagem como assistente de Wood, no entanto, tinha-lhe despertado o interesse pelo Direito, que satisfez ao aceitar casos nos tribunais de paz, uma vez que estes não exigiam que os profissionais fossem advogados licenciados.

Em 1822, mudou-se para Buffalo, Nova Iorque, para estudar Direito. Foi admitido na Ordem dos Advogados dois anos mais tarde e regressou a East Aurora para abrir o seu próprio escritório de advocacia; mais tarde, Fillmore viria a admitir que tomou essa decisão porque lhe faltava autoconfiança para exercer a advocacia numa grande cidade como Buffalo. A 5 de fevereiro de 1826, casou-se com Abigail Powers, que conhecera vários anos antes, quando ambos eram alunos na New Hope Academy. Teriam dois filhos: Millard Powers Fillmore (1828-1889) e Mary Abigail Fillmore (1832-1854).

### A Ascensão Política

Fillmore, segundo o historiador Neil A. Hamilton, era «um homem de uma beleza impressionante, com um estilo de vestir impecável, de bom temperamento e inteligente, e empenhado em garantir que nunca mais voltaria a viver na pobreza» (pág. 106). À medida que o modesto escritório de advocacia se tornava cada vez mais próspero, envolveu-se cada vez mais na política local. Em 1828, filiou-se ao Partido Antimaçónico, um partido político que procurava combater a influência crescente de sociedades secretas, como os maçons, que eram vistas como elitistas e antidemocráticas. Os antimaçons também se caracterizavam pela sua oposição ao novo presidente Andrew Jackson, que era maçom.

Fillmore frequentou reuniões anti-maçónicas em Buffalo, onde travou conhecimento com Thurlow Weed, um influente chefe e estratega político. Weed ficou impressionado com Fillmore e, tal como o juiz Wood antes dele, tomou-o sob a sua proteção. Em 1829, Fillmore foi eleito para a Assembleia do Estado de Nova Iorque, exercendo três mandatos de um ano. Durante o tempo em que permaneceu na capital do estado, Albany, Fillmore trabalhou na reforma do sistema jurídico e na abolição da pena de prisão por dívidas. Weed continuou a apoiá-lo ao longo deste período, embora a sua relação fosse «mais adequadamente descrita como de cooperação profissional do que de proximidade pessoal» (Hamilton, pág. 106).

[ ![Millard Fillmore, Thirteenth President of the United States](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22279.jpg?v=1792614626-1792650552) Millard Fillmore, Décimo Terceiro Presidente dos Estados Unidos Nathaniel Currier (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22279/millard-fillmore-thirteenth-president-of-the-unite/ "Millard Fillmore, Thirteenth President of the United States")Em 1832, Fillmore foi eleito para a Câmara dos Representantes dos EUA. Nessa altura, já era membro do novo Partido Whig, que apoiava políticas como as melhorias internas (ou seja, a criação de novas autoestradas interestaduais e canais), bem como os bancos nacionais. Trabalhou com Weed para construir uma forte base eleitoral whig no oeste de Nova Iorque. No entanto, os dois homens viriam em breve a entrar em desavença; entre outras coisas, discordavam sobre a questão da escravatura, com Weed a assumir uma posição antiescravagista mais firme do que Fillmore. Por fim, Weed acabaria por abandonar Fillmore em favor de um novo protegido político, William H. Seward.

Fillmore deixou o Congresso em 1834 para passar mais tempo com Abigail, que detestava a vida em Washington. No entanto, não conseguiu resistir por muito tempo ao fascínio da política nacional e regressou à Câmara dos Representantes em 1837. Tornou-se um crítico feroz do sucessor de Jackson, o presidente Martin Van Buren; Fillmore denunciou o plano de Van Buren de criar um tesouro independente de fundos federais, acreditando que tal medida serviria apenas para bloquear dinheiro que, de outra forma, poderia ser utilizado para estimular a economia instável. Uma grave depressão económica nesse mesmo ano — conhecida como o Pânico de 1837 — levou a opinião pública a virar-se contra Van Buren e o Partido Democrata.

Como resultado, os Whigs conquistaram a maioria no Congresso e chegaram mesmo a conquistar a presidência em 1840, com a vitória do seu candidato, William Henry Harrison. Fillmore esperava que parte dos frutos da vitória dos Whigs lhe caíssem no colo e candidatou-se ao cargo de presidente da Câmara dos Representantes. Embora não o tenha conseguido, tornou-se presidente da poderosa Comissão de Finanças.

Na qualidade de presidente, Fillmore trabalhou para aliviar as dificuldades económicas do país, apoiando uma lei de falências que permitia às empresas ver as dívidas antigas perdoadas (*Bankruptcy Act of 1841* - Lei sobre Falências de 1841). Promoveu também uma tarifa destinada a proteger a indústria nacional. A tarifa revelou-se controversa e foi denunciada pelos sulistas, que passaram a ter de pagar mais pelos produtos do Norte. Inicialmente, foi vetada pelo presidente [John Tyler](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24673/john-tyler/) — Tyler tinha sucedido a Harrison, que falecera um mês após o início do seu mandato —, o que levou Fillmore a redigir uma versão mais aceitável, que foi promulgada como a Tarifa de 1842 (*Tariff of 1842*). Satisfeito com esta conquista, Fillmore anunciou que não se recandidataria. Em abril de 1843, deixou o Congresso e partiu para Buffalo, onde esperava continuar a sua carreira de advogado.

### As Derrotas e a Vitória

Desta vez, o afastamento de Fillmore da política duraria menos de um ano. Na corrida para as eleições de 1844, era considerado um forte candidato à nomeação para a vice-presidência pelo Partido Whig, uma ideia que Fillmore rapidamente acolheu com entusiasmo. Dirigiu-se ao seu antigo mentor, Thurlow Weed, para pedir o apoio da delegação de Nova Iorque na próxima Convenção Nacional do Partido Whig, em Baltimore. Embora Weed tivesse prometido apoiar Fillmore, ele voltou atrás no último momento e deu o seu apoio ao seu outro protegido, Seward; no final, foi o senador Theodore Frelinghuysen, de Nova Jérsia, que acabou por garantir a nomeação.

Apesar da traição, Weed mudou imediatamente de opinião e ofereceu-se para ajudar Fillmore a tornar-se governador de Nova Iorque, argumentando que este teria muito mais hipóteses de conquistar esse cargo. Fillmore, pondo de lado a sua desconfiança em relação a Weed, aceitou e entrou na corrida. No entanto, foi derrotado, perdendo para o democrata Silas Wright.

[ ![Millard Fillmore, Presidential Portrait](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22265.png?v=1792108850-1792611646) Millard Fillmore, Retrato Presidencial George P. A. Healy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22265/millard-fillmore-presidential-portrait/ "Millard Fillmore, Presidential Portrait")«Acostumado como estava a vencer», escreve Hamilton, «a derrota deixou Fillmore atordoado \[que\] retomou a sua lucrativa carreira de advogado» (pág. 108). De regresso a Buffalo, continuou a ser uma figura pública e denunciou a Guerra Mexicano-Americana (1846-1848), que considerava pouco mais do que uma conspiração dos democratas do Sul para expandir a escravatura para o Oeste. Em 1847, foi eleito controlador do Estado de Nova Iorque, um cargo que o manteve ocupado a supervisionar os bancos de Nova Iorque e a desenvolver um sistema monetário estadual.

Em 1848, o seu nome foi mais uma vez proposto como possível candidato a vice-presidente; uma vez que os Whigs pareciam dispostos a nomear o general Zachary Taylor, um proprietário de escravos, a presença de Fillmore ajudaria a equilibrar a chapa, atraindo o voto antiescravagista. Tanto Taylor como Fillmore acabaram por garantir as respetivas nomeações e venceram as eleições gerais contra o democrata Lewis Cass. Fillmore tomou, assim, posse como vice-presidente a 5 de março de 1849. Após anos de frustrantes derrotas políticas, tinha finalmente alcançado o auge da sua carreira — ou assim muitos teriam pensado.

### A Presidência

A 4 de julho de 1850, pouco mais de um ano após o início do seu mandato, o presidente Taylor participou nas comemorações do 4 de julho, durante as quais foi lançada a pedra angular do Monumento a Washington. A suar sob o calor opressivo do verão, Taylor refrescou-se com leite frio e cerejas. O lanche não lhe caiu bem e provavelmente provocou-lhe uma gastroenterite; apenas alguns dias depois, a 9 de julho, faleceu.

Fillmore foi informado da morte de Taylor nessa mesma noite e tomou posse como presidente no dia seguinte. «Não tenho palavras para expressar as emoções do meu coração», afirmou. «O choque é tão repentino e inesperado que estou completamente abalado» (citado em Hamilton, pág. 109). Não manteve o gabinete de Taylor e formou o seu próprio governo a partir do zero. Entre as suas nomeações encontrava-se o proeminente senador whig Daniel Webster, que foi nomeado secretário de Estado.

Ao assumir a presidência, Fillmore deparou-se imediatamente com uma grande crise regional que ameaçava dividir a nação. No rescaldo da Guerra Mexicano-Americana, o México derrotado tinha sido forçado a ceder 1 370 km² (529 000 milhas quadradas) de terras ocidentais aos EUA. Tal como Fillmore temia, as «escravocracias» do Sul queriam expandir a sua «instituição peculiar» para estes territórios, enquanto os estados «de solo livre» do Norte desejavam impedir a expansão da escravatura.

O debate tornara-se acirrado e, em 1850, parecia que a União estava à beira da dissolução. Numa última tentativa para evitar a guerra civil, o senador Henry Clay, do Kentucky, propôs um compromisso: a Califórnia entraria na União como um «estado livre», enquanto o Novo México e o Utah organizariam governos territoriais e teriam permissão para decidir por si próprios se queriam ou não a escravatura (um conceito conhecido como soberania popular).

O compromisso de Clay proibiria também o comércio de escravos em Washington, D.C., mas reforçaria as leis dos escravos fugitivos, que devolviam os escravos fugitivos aos seus senhores. O presidente Taylor tinha-se mostrado hostil ao compromisso e deixara-o a apodrecer na sua secretária, por assinar. Mas agora Taylor estava morto, e a responsabilidade de aceitar ou rejeitar o projeto de lei recaía sobre Fillmore.

Tal como Taylor, Fillmore não gostava do projeto de lei. Nunca tinha gostado da escravatura e não desejava ver a sua expansão para o Oeste. No entanto, também acreditava que o compromisso era necessário para preservar a União e evitar uma guerra civil. Quando a legislação foi revista pelo senador Stephen A. Douglas, de Illinois — que dividiu o projeto de lei único em cinco projetos separados —, Fillmore anunciou o seu apoio à legislação, incluindo a controversa [Lei dos Escravos Fugitivos de 1850](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24598/lei-dos-escravos-fugitivos-de-1850/), que exigia que o governo federal ajudasse na captura e na devolução de escravos fugitivos.

[ ![Mapa dos Estados Unidos sob o Compromisso de 1850](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20534-pt.png?v=1779455276-1781895601) Mapa dos Estados Unidos sob o Compromisso de 1850 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-20534/mapa-dos-estados-unidos-sob-o-compromisso-de-1850/ "Mapa dos Estados Unidos sob o Compromisso de 1850")Apesar da sua aversão pessoal à medida, Fillmore comprometeu-se a recorrer às forças armadas para ajudar na aplicação desta lei, se necessário. Fillmore assinou os projetos de lei, que passaram a ser conhecidos coletivamente como o Compromisso de 1850. Embora tanto os nortistas como os sulistas se queixassem do compromisso, este conseguiu dissipar as tensões e adiar o início da guerra civil por mais uma década. A assinatura de Fillmore no compromisso foi provavelmente o ato mais significativo da sua presidência.

O segundo aspeto mais importante da sua presidência viria alguns anos mais tarde. Na altura, os EUA estavam a intensificar as suas relações comerciais na Ásia, mas, para sua frustração, viram-se excluídos do comércio com o Japão, que há muito se tinha isolado do mundo exterior. Já em 1851, Fillmore e o Secretário de Estado Webster trabalharam para organizar uma expedição naval ao Japão, com o objetivo de induzir o xogunato japonês a abrir as suas portas ao comércio ocidental.

A expedição, comandada pelo comodoro Matthew C. Perry, partiu da Virgínia em novembro de 1852 e chegou às costas do Japão a 14 de julho do ano seguinte. Com o poderio da Marinha dos EUA a apoiá-lo — e todas as implicações que daí advinham —, Perry obrigou o Japão a estabelecer relações diplomáticas e comerciais com os EUA, consolidadas no Tratado de Kanagawa. Assim terminaram 220 anos de políticas isolacionistas do Japão.

### O Pós-presidência

Quando o Japão se abriu ao Ocidente, em 1853, Fillmore já tinha deixado a Casa Branca. No ano anterior, tinha esperança de ser reeleito e procurou a nomeação do Partido Whig para um mandato completo por direito próprio; no entanto, acabou por perder a nomeação para o general [Winfield Scott](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23821/winfield-scott/), que, por sua vez, foi derrotado nas eleições gerais pelo democrata [Franklin Pierce](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28996/franklin-pierce/). Fillmore deixou o cargo a 4 de março de 1853; não foi apenas o último presidente do Partido Whig, mas também o último presidente que não era nem democrata nem republicano.

Mal regressou a casa, sofreu uma grande tragédia. A sua esposa, Abigail, tinha apanhado uma constipação enquanto assistia à tomada de posse do presidente Pierce. O seu estado deteriorou-se até que faleceu a 30 de março de 1853. Pouco mais de um ano depois, a tragédia voltou a atingi-lo com a morte da filha Mary devido à cólera a 26 de julho de 1854. Fillmore ficou desolado e devastado pelo luto por estas duas mortes, que lhe tiraram a sua amada mulher e filha num espaço de tempo tão curto. No entanto, nem mesmo isto foi suficiente para o afastar da política. Em 1854, filiou-se ao Partido Nacional Americano — mais conhecido como Partido Know Nothing —, um partido nativista e anti-imigração que defendia que todos os católicos e estrangeiros fossem impedidos de ocupar cargos públicos. A 1 de janeiro de 1855, Fillmore redigiu uma carta em que alertava contra o envolvimento dos imigrantes nas eleições.

Nas eleições presidenciais dos EUA de 1856, o Partido Know Nothing nomeou Fillmore como candidato à presidência. Entrou assim numa corrida a três contra o candidato democrata, James Buchanan, bem como contra o candidato do novo Partido Republicano, antiescravagista, John C. Frémont. Apesar da sua filiação partidária, Fillmore quase não falou sobre o nativismo durante a campanha eleitoral, concentrando-se, em vez disso, na necessidade de preservar a União; nos quatro anos desde o fim da sua presidência, a crise regional em torno da escravatura tinha-se reacendido e ameaçava, mais uma vez, dividir a nação. Rapidamente ficou claro, no entanto, que o Partido Know Nothing não tinha qualquer hipótese de chegar à Casa Branca; percebendo o que estava para acontecer, Fillmore deu o seu apoio a Buchanan, temendo que uma vitória republicana destruísse a União. No final, Buchanan venceu as eleições e Fillmore — que ficou em último lugar nas eleições gerais — regressou a Buffalo, considerando que a sua carreira política tinha chegado ao fim.

[ ![Millard Fillmore, US Presidential Candidate, 1856](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22280.jpg?v=1792610969-1792650680) Millard Fillmore, Candidato à Presidência dos EUA, 1856 Baker & Godwin (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22280/millard-fillmore-us-presidential-candidate-1856/ "Millard Fillmore, US Presidential Candidate, 1856")Fillmore permaneceu na reforma durante os quatro anos seguintes, período em que se casou com a sua segunda mulher, Caroline Carmichael McIntosh. No entanto, um presságio sombrio pairava sobre ele, enquanto era forçado a assistir ao lento desmoronamento do país. Quando [Abraham Lincoln](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21379/abraham-lincoln/) venceu as eleições presidenciais dos EUA de 1860, a previsão de Fillmore de que uma vitória republicana anunciaria o fim da União concretizou-se; a 20 de dezembro de 1860, a Carolina do Sul separou-se da União, acusando os «republicanos negros» de tentarem abolir a escravatura. Na crise de secessão que se seguiu, entre 1860 e 1861, mais dez estados do Sul abandonaram a União, desencadeando a Guerra Civil Americana (1861-1865). Fillmore manteve-se um unionista convicto durante a guerra e chegou mesmo a ajudar a recrutar voluntários para o Exército da União.

Ficou desiludido com a presidência de Lincoln, acusando o republicano de «despotismo militar» e votou em George B. McClellan nas eleições presidenciais dos EUA de 1864 (Hamilton, pág. 111). No entanto, após o assassinato de Abraham Lincoln em abril de 1865, Fillmore liderou uma comissão que escoltou o comboio fúnebre do presidente assassinado à sua passagem por Buffalo. Após a Guerra Civil, Fillmore apoiou as controversas políticas de Reconstrução do presidente [Andrew Johnson](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26463/andrew-johnson/), acreditando que seriam o caminho mais rápido para a recuperação do país. Continuou a viver em Buffalo, atuando como promotor da vida cívica e cultural da cidade, até 8 de março de 1874, quando faleceu vítima de um AVC aos 74 anos. Embora Fillmore seja hoje quase esquecido, trabalhou para preservar a União num momento de crise. O seu legado é ambíguo: há quem o considere fraco por não ter conseguido resolver a divisão regional, enquanto outros lhe atribuem o mérito de ter evitado a Guerra Civil enquanto pôde.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Hamilton, Neil A. *Presidents: A Biographical Dictionary.* Checkmark Books, 2026.](https://www.worldhistory.org/books/0816041997/)
- [McPherson, James M. *Battle Cry of Freedom.* Oxford University Press, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/019516895X/)
- [Millard Fillmore - Encyclopedia Britannica](https://www.britannica.com/biography/Millard-Fillmore "Millard Fillmore - Encyclopedia Britannica"), accessed 20 Sep 2026.
- [Millard Fillmore - President, Accomplishments, Facts | HISTORY](https://www.history.com/articles/millard-fillmore "Millard Fillmore - President, Accomplishments, Facts | HISTORY"), accessed 20 Sep 2026.
- [Scarry, Robert J. *Millard Fillmore.* McFarland & Company, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0786443405/)

## Sobre o Autor

Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.
- [Facebook Profile](https://www.facebook.com/harrison.mark.5/)
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/in/harrison-mark-b56213197/)

## Histórico

- **7 Jan 1800 CE**: Future US President [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) is born in a log cabin in Moravia, a small town in the Finger Lakes region of upstate New York.
- **5 Feb 1826 CE**: [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) marries his first wife, Abigail Powers.
- **10 Jul 1850 CE**: [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) is sworn in as the 13th president of the United States following the sudden [death](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Death/) of his predecessor, [Zachary Taylor](https://www.worldhistory.org/Zachary_Taylor/).
- **9 Sep 1850 CE**: President [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) signs the core bills of the [Compromise of 1850](https://www.worldhistory.org/Compromise_of_1850/) into [law](https://www.worldhistory.org/disambiguation/law/).
- **24 Nov 1852 CE**: On orders from President [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/), US Commodore Matthew C. Perry sets sail from Virginia, intent on opening isolationist [Japan](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Japan/) to the West.
- **4 Mar 1853 CE**: Having failed to secure the Whig Party nomination for a full term of his own, [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) leaves the White House.
- **4 Nov 1856 CE**: In the US presidential election of 1856, Democrat [James Buchanan](https://www.worldhistory.org/James_Buchanan/) defeats John C. Frémont of the Republican Party and [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) of the Know-Nothing Party.
- **8 Mar 1874 CE**: Former President [Millard Fillmore](https://www.worldhistory.org/Millard_Fillmore/) dies after suffering a stroke, at the age of 74.

## Links Externos

- [Digital Collections - Millard Fillmore: A Resource Guide ...](https://guides.loc.gov/millard-fillmore/digital-collections)
- [Fillmore (Millard) Papers, 1833-1874](https://library2.buffalo.edu/archives/collections/detail.html?ID=215)
- [Fillmore, Millard, Letters | NYSL - the New York State Library](https://www.nysl.nysed.gov/msscfa/vc22280)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, H. W. (2026, October 29). Millard Fillmore: O Presidente Esquecido dos Estados Unidos. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-29095/millard-fillmore/>
### Chicago
Mark, Harrison W.. "Millard Fillmore: O Presidente Esquecido dos Estados Unidos." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, October 29, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-29095/millard-fillmore/>.
### MLA
Mark, Harrison W.. "Millard Fillmore: O Presidente Esquecido dos Estados Unidos." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 29 Oct 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-29095/millard-fillmore/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 29 October 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

