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title: Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord: O Traiçoeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros de Napoleão
author: Harrison W. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26126/charles-maurice-de-talleyrand-perigord/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)
updated: 2026-06-13
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# Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord: O Traiçoeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros de Napoleão

_Escrito por [Harrison W. Mark](https://www.worldhistory.org/user/harrisonwmark/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord (1754-1838) foi uma das figuras políticas mais importantes da história moderna da França. Iniciou a carreira como o cínico bispo de Autun, tornou-se líder revolucionário, diplomata e, por fim, Ministro dos Negócios Estrangeiros sob o comando de Napoleão I. Apesar da sua reputação de intrigante e traidor, Talleyrand sempre afirmou colocar os interesses nacionais da França em primeiro lugar, o que motivou a sua decisão de se voltar contra Napoleão. Desempenhou um papel fundamental no Congresso de Viena, ajudando a França a obter o melhor resultado possível após a derrota de Napoleão.

### **Os Primeiros Anos**

Talleyrand nasceu a 2 de fevereiro de 1754 em Paris, França, numa família nobre antiga mas sem recursos. Era o filho mais velho do conde Charles-Daniel de Talleyrand-Périgord e de Alexandrine de Damas d'Antigny. O pai tinha servido como oficial no Exército francês durante a Guerra dos Sete Anos e desejava ardentemente que o filho seguisse os seus passos e se tornasse soldado. Contudo, tal revelar-se-ia impossível. Quando tinha quatro anos, Talleyrand caiu de uma cómoda e deslocou o pé. A lesão nunca sarou completamente e ele coxearia para o resto da vida. Embora o próprio Talleyrand atribuísse a sua deficiência a este infeliz incidente, muitos estudiosos modernos consideram mais provável que tenha nascido com pé torto. Seja como for, ficou impossibilitado de servir no exército, e o pai escolheu para ele o que acreditava ser o melhor caminho para a riqueza e o poder: uma vida na Igreja.

Aos 8 anos, Talleyrand foi enviado para o Colégio d'Harcourt e, em 1770, ingressou no seminário de Saint-Sulpice, em Paris. Talleyrand desprezava a Igreja e a vida eclesiástica que lhe tinham sido impostas pelo pai. Ele rebelou-se contra isso de duas formas significativas, cada uma das quais moldaria o resto da sua vida. A primeira foi através da leitura das obras progressistas dos filósofos do [Iluminismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22613/iluminismo/), como Jean-Jacques Rousseau e Voltaire; na verdade, estava tão fascinado por estes ídolos intelectuais que fez uma peregrinação para visitar Voltaire, que se encontrava à beira da morte, em 1778. O seu segundo ato de rebelião expressou-se através da luxúria. Uma noite, durante uma tempestade, ofereceu-se para partilhar o seu guarda-chuva com uma jovem atriz. Durante a conversa, descobriu que os pais dela a tinham forçado a subir ao palco, tal como os seus próprios pais o tinham forçado a entrar para a Igreja. Criaram laços devido às suas desgraças partilhadas e iniciaram um tórrido caso amoroso. A atriz viria a tornar-se a primeira das muitas amantes de Talleyrand.

Em dezembro de 1779, foi finalmente ordenado padre católico. Menos de um ano depois, tornou-se agente-geral do clero, responsável por proteger os privilégios da Igreja Galicana (ou seja, a Igreja Católica em França) e por servir de elo de ligação entre a Coroa e o clero. Para surpresa de quem o conhecia, levou este cargo muito a sério. Defendeu vigorosamente o direito da Igreja de manter as suas propriedades e argumentou que os clérigos deveriam continuar isentos de impostos. Talleyrand, como se viria a provar, não defendia estes argumentos por qualquer amor à Igreja, mas simplesmente para aumentar a sua própria visibilidade pública e aperfeiçoar as suas habilidades políticas. Na vida privada, era tão cínico e hedonista como sempre. Passava o seu tempo livre a jogar e a cortejar mulheres, e podia ser frequentemente encontrado nos salões da moda de Paris, a conversar com os espíritos mais notáveis e as belezas da época. No entanto, foi nomeado bispo de Autun no final de 1788. Talleyrand só visitaria a sua nova sé uma vez, em abril de 1789, para garantir a eleição para os próximos Estados-Gerais. Certificou-se de partir antes do Domingo de [Páscoa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12554/pascoa/), para não ter de celebrar a missa.

### **A [Revolução Francesa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19568/revolucao-francesa/)**

A razão da única visita de Talleyrand a Autun foi preparar-se para os Estados Gerais de 1789, uma assembleia dos três estamentos da França pré-revolucionária (clero, nobreza, plebe). A França encontrava-se então no meio de uma grave crise financeira que estava a agravar tensões sociais já existentes; tendo esgotado todas as outras opções, o rei Luís XVI de França foi forçado a convocar os Estados Gerais para Versalhes para ajudar a resolver a questão, apesar de o órgão não se reunir há quase 175 anos. Mas mal os Estados Gerais se reuniram, a 5 de maio de 1789, os trabalhos foram descarrilados. O Terceiro Estado (povo) sentiu-se frustrado pelo facto de não ter igual poder de voto que os dois estamentos superiores, apesar de representar mais de 90% da população da França. Em protesto, separou-se dos Estados Gerais e proclamou-se Assembleia Nacional, jurando não se dispersar até ter dado à França uma nova constituição. A resistência da Coroa e de elementos da antiga nobreza aumentou as tensões e levou à Tomada da Bastilha a 14 de julho. A Revolução Francesa tinha começado.

[ ![The Opening of the Estates-General](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14992.jpg?v=1773658162) A Abertura dos Estados-Gerais Isidore-Stanislas Helman (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14992/the-opening-of-the-estates-general/ "The Opening of the Estates-General")Tal como muitos dos seus pares, Talleyrand viu a chegada da Revolução como uma oportunidade para implementar os valores do Iluminismo e afastar-se das instituições repressivas do Antigo Regime. Depois de se juntar à Assembleia Nacional, reverteu muitas das suas convicções anteriores sobre a Igreja. Propôs uma moção para que o Estado confiscasse todos os bens da Igreja, que seriam depois vendidos para saldar a dívida nacional, e fez pressão para a revogação do dízimo. Em 1790, celebrou a missa na Festa da Federação e passou a ser considerado o «Bispo da Revolução». Propôs a Constituição Civil do Clero, que exigia que todos os padres praticantes em França prestassem juramento de lealdade à futura constituição, em vez de ao Papa em Roma. Em resposta, Talleyrand foi excomungado pelo Papa em 1791. Talleyrand limitou-se a rir da notícia da sua excomunhão, escrevendo a um amigo: «Já ouviste dizer que fui excomungado? Vem consolar-me jantando comigo. Todos têm de me recusar fogo e água, por isso esta noite vamos comer carne fria e vinho gelado» (citado em Cooper, pág. 36).

Depois de renunciar ao seu bispado, Talleyrand tornou-se diplomata. Partiu para Londres no início de 1792 para ajudar a impedir uma guerra entre a Grã-Bretanha e a França Revolucionária. Enquanto esteve no estrangeiro, a situação no país piorou drasticamente. A tomada do Palácio das Tulherias, a 10 de agosto, pôs efetivamente fim à monarquia, enquanto os Massacres de Setembro viram centenas de supostos «contrarrevolucionários» massacrados nas ruas de Paris. Na sequência do [julgamento e execução de Luís XVI](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2085/julgamento-e-execucao-de-luis-xvi/), a Grã-Bretanha e várias outras potências europeias juntaram-se às [Guerras Revolucionárias Francesas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21075/guerras-revolucionarias-francesas/) contra a França.

[ ![Mapa das Revolução e Guerras Francesas 1789 - 1799](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16578-pt.png?v=1764967786-1766520001) A Revolução Francesa e as Guerras 1789-99 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-16578/mapa-das-revolucao-e-guerras-francesas-1789---1799/ "Mapa das Revolução e Guerras Francesas 1789 - 1799")Talleyrand estava compreensivelmente relutante em regressar a casa, o que levou a Convenção Nacional — o órgão revolucionário que sucedera à Assembleia Nacional — a emitir um mandado de prisão contra ele em dezembro de 1792. Agora exilado, Talleyrand permaneceu em Londres até ao início de 1794, quando embarcou para os Estados Unidos. Enquanto se preparava para zarpar, conheceu um antigo general americano que, como mais tarde descobriu, era o infame traidor Benedict Arnold. Talleyrand escreveu mais tarde que sentia «uma enorme pena» de Arnold; aos seus olhos, o maior erro de Arnold não foi ter traído os Estados Unidos, mas sim ter apostado no lado perdedor. Talleyrand chegou a Filadélfia em maio de 1794 e permaneceu lá durante os dois anos seguintes.

### **Ministro dos Negócios Estrangeiros**

Em 1796, a fase mais sangrenta da Revolução — conhecida como o Reinado do Terror — tinha terminado, deixando Talleyrand a sentir-se suficientemente seguro para regressar a França. Pouco depois de chegar a Paris, foi-lhe oferecido o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros do novo governo revolucionário moderado, o [Diretório](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21337/diretorio/) Nacional; era o candidato mais qualificado disponível, visto que a maioria dos outros estava morta ou ainda no exílio. O Diretório era famoso pela sua corrupção, e Talleyrand não era muito diferente, usando o seu novo cargo para enriquecer. O exemplo mais notável disso ocorreu em 1797, quando se recusou a receber três enviados americanos a menos que lhe pagassem um suborno avultado. Este escândalo, chamado de Caso XYZ, levou à Quase-Guerra, um breve conflito naval não declarado entre os EUA e a França.

Em outubro de 1797, Talleyrand ratificou o Tratado de Campo Formio, que pôs fim à [Guerra da Primeira Coligação](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21068/guerra-da-primeira-coligacao/) com a Áustria. Os termos do tratado tinham sido ditados por [Napoleão Bonaparte](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21844/napoleao-bonaparte/), um jovem e arrojado general cujas vitórias em [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) o tinham transformado no homem mais popular do exército francês. Talleyrand viu grande valor numa amizade com o ambicioso Bonaparte e começou a corresponder-se regularmente com ele. Em 1798, Talleyrand ajudou a convencer o Diretório a aprovar a Campanha de Napoleão no Egito e na Síria; embora a expedição tenha terminado em fracasso, isso apenas aumentou a fama de Bonaparte no seu país. Nessa altura, Talleyrand já se tinha cansado do Diretório e procurava substituí-lo por um governo mais forte que tivesse melhores hipóteses de preservar os ganhos da Revolução. Ele depositou a sua confiança em Bonaparte e, em novembro de 1799, apoiou o general no Golpe de 18 Brumário. O golpe foi bem-sucedido; Bonaparte derrubou o Diretório e estabeleceu um novo governo, o Consulado Francês, com ele próprio no cargo de Primeiro [Cônsul](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-375/consul/). Grato pela ajuda de Talleyrand, Bonaparte manteve-o como ministro das Relações Exteriores. Ao contrário de Arnold, Talleyrand tinha apostado no cavalo vencedor.

Com um governo mais popular e estável em vigor, Talleyrand acreditava que o próximo passo deveria ser estabelecer uma paz duradoura na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/), a fim de garantir as recentes conquistas militares e melhorias revolucionárias da França. Inicialmente, parecia que Bonaparte estava alinhado com este objetivo. Após a sua vitória decisiva na Batalha de Marengo (14 de junho de 1800), permitiu que Talleyrand negociasse tratados de paz com a Áustria e a Grã-Bretanha, pondo fim às Guerras Revolucionárias Francesas em 1801. Nesse mesmo ano, Bonaparte reconciliou-se com a Igreja Católica através do Concordato de 1801, que também revogou a excomunhão de Talleyrand. No entanto, como parte da sua tentativa de ganhar o favor do papa, Bonaparte obrigou Talleyrand a casar-se com a sua amante de longa data, Catherine Grand, em 1802. Entretanto, Talleyrand ajudou Bonaparte a consolidar o seu poder. Em 1802, trabalhou para estabelecer Bonaparte como «cônsul vitalício» e, em março de 1804, foi cúmplice no rapto e assassinato do Duque de Enghien, um príncipe Bourbon que vivia em solo estrangeiro. Dois meses depois, Bonaparte recompensou Talleyrand pelos seus serviços, nomeando-o Grande Camareiro do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/), um título que lhe rendia 500 000 [francos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13497/francos/) por ano.

[ ![Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, Prince de Bénévent](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19475.jpg?v=1726770849-1726820603) Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, Príncipe de Benevento François Gérard (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/19475/charles-maurice-de-talleyrand-perigord-prince-de-b/ "Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, Prince de Bénévent")Mas, nessa altura, já começavam a surgir fissuras na relação entre o Primeiro Cônsul e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros. A 2 de dezembro de 1804, Napoleão coroou-se Imperador dos Franceses; em poucos meses, estava de volta à guerra contra uma coligação de nações que incluía a Áustria, a Rússia e a Grã-Bretanha. Em 1805, Napoleão obteve uma vitória gloriosa sobre um exército austro-russo na Batalha de Austerlitz. No ano seguinte, derrotou os prussianos na Batalha de Jena-Auerstedt. Em cada uma dessas ocasiões, Talleyrand instou o imperador a tratar os seus inimigos derrotados com clemência, para preservar o delicado equilíbrio de poder na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/) e aumentar as probabilidades de uma paz duradoura. Mas Napoleão, sentindo-se invencível após a sua série de magníficas vitórias, não estava disposto a ser clemente e impôs condições severas tanto à Áustria (Tratado de Pressburg) como à Prússia (Tratados de Tilsit). Este último tratado foi particularmente severo, obrigando a Prússia a ceder quase metade do seu território à França; em Tilsit, diz-se que Talleyrand consolou a rainha Luísa da Prússia enquanto ela chorava. Talleyrand tinha começado a perceber que Napoleão estava mais interessado na guerra e na conquista do que na estabilidade e na paz. Sentindo que os seus próprios interesses se tinham afastado demasiado dos do imperador, Talleyrand demitiu-se do Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1807.

### **A Queda de Napoleão**

Embora Talleyrand já não fosse ministro dos Negócios Estrangeiros, Napoleão continuava a considerá-lo um conselheiro valioso e levou-o consigo para se reunir com os governantes europeus no Congresso de Erfurt, em setembro de 1808. Lá, Talleyrand começou a reunir-se secretamente com o czar Alexandre I da Rússia, instando-o a formar uma nova coligação contra Napoleão. Em pouco tempo, estava também a aceitar subornos de agentes russos e austríacos para revelar os segredos de Napoleão. Talleyrand não teria visto isto como uma traição – na sua mente, ele servia apenas a França e acreditava que as políticas belicistas do imperador estavam a colocar a França em risco. Chegou mesmo a começar a conspirar com o ministro da Polícia, Joseph Fouché, para criar um plano de sucessão para depois da eventual destituição de Napoleão. Mas mesmo enquanto conspirava contra ele, Talleyrand continuou a cumprir as ordens do imperador. Em 1810, ajudou a negociar o casamento entre Napoleão e Maria Luísa da Áustria.

Em 1812, a [invasão da Rússia por Napoleão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22111/invasao-da-russia-por-napoleao/) terminou num fracasso cataclísmico; dos 615 000 soldados que Napoleão tinha levado consigo para a Rússia, menos de 100 000 regressaram com vida. Para Talleyrand, isto era prova suficiente de que Napoleão estava a conduzir a França à ruína, e recusou um pedido para regressar como ministro dos Negócios Estrangeiros. Em outubro de 1813, as potências aliadas derrotaram Napoleão de forma decisiva na Batalha de Leipzig. Nos meses seguintes, o imperador francês travou uma campanha defensiva desesperada que terminou com a sua derrota e abdicação em abril de 1814. Talleyrand, entretanto, conseguiu emergir mais uma vez do lado vencedor. Depois de se ter tornado evidente a inevitabilidade da queda do seu antigo senhor, Talleyrand tornou-se presidente do governo provisório em Paris e deu as boas-vindas aos exércitos aliados na capital. Chegou mesmo a receber graciosamente o czar Alexandre I na sua casa. Talleyrand desempenhou um papel fundamental na Restauração dos Borbones, que resultou na ascensão do rei Luís XVIII de França (o irmão mais novo do executado Luís XVI).

[ ![Caricature of Charles Maurice Talleyrand-Périgord](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/16214.png?v=1659099070-1659099082) Caricatura de Charles Maurice Talleyrand-Périgord Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/16214/caricature-of-charles-maurice-talleyrand-perigord/ "Caricature of Charles Maurice Talleyrand-Périgord")Em setembro de 1814, Talleyrand foi enviado para representar a França no Congresso de Viena, uma reunião das potências aliadas vitoriosas para discutir o futuro político e constitucional de uma Europa pós-napoleónica. Aqui, Talleyrand estava no seu elemento. Na esperança de obter o melhor resultado possível para a França, ele secretamente colocou os Aliados uns contra os outros, aproveitando-se da sua desconfiança mútua e das rivalidades históricas. Por exemplo, ele virou a Áustria e a Grã-Bretanha contra a Rússia, alimentando os seus receios de que o czar pretendesse anexar toda a Polónia. Ao semear estas sementes de discórdia, Talleyrand conseguiu reduzir muitas das exigências feitas pelas outras grandes potências e garantiu um excelente acordo, pelo qual a França poderia manter as suas fronteiras de 1792. Mas, precisamente quando Talleyrand estava à beira da sua maior vitória diplomática, Napoleão regressou do exílio na Ilha de Elba e retomou o controlo da França. Embora tenha sido derrotado de vez na Batalha de Waterloo e exilado pela última vez, os Aliados não estavam dispostos a ser tão brandos com a França uma segunda vez e fizeram recuar as suas fronteiras para o estado em que se encontravam em 1790. Ainda assim, Talleyrand pôde considerar isto uma vitória e regressar a Paris com a sensação de que tinha salvado a França da humilhação.

### **A Carreira Posterior e Morte**

Embora Luís XVIII quisesse manter Talleyrand como ministro dos Negócios Estrangeiros, muitos monárquicos recusaram a ideia de ter um antigo revolucionário tão próximo do rei. Assim, Talleyrand entrou numa aposentadoria tranquila, passando o tempo a escrever as suas memórias e a criticar os homens que o tinham substituído. Depois, em 1830, envolveu-se novamente em atividades revolucionárias. Na Revolução de Julho, deu o seu apoio aos revolucionários na tentativa de substituir o opressivo rei Carlos X de França pelo mais liberal duque de Orléans. Na sequência da abdicação de Carlos X, Orléans ascendeu ao trono como rei Luís Filipe I, dando início ao período da Monarquia de Julho. Em reconhecimento do apoio de Talleyrand, bem como das suas décadas de experiência diplomática, Luís Filipe nomeou-o embaixador no Reino Unido.

[ ![Talleyrand as an Old Man, 1828](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21732.jpg?v=1775225372-1776527596) Talleyrand como Ancião, 1828 Ary Scheffer (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21732/talleyrand-as-an-old-man-1828/ "Talleyrand as an Old Man, 1828")Talleyrand passou os quatro anos seguintes em Londres, onde o seu principal objetivo era convencer os ingleses da legitimidade de Luís Filipe. Era agora um homem idoso e deve ter percebido que este era o crepúsculo da sua carreira. No entanto, ainda alcançou alguns feitos notáveis. Em 1830, desempenhou um papel importante nas negociações que conduziram à formação do Reino da Bélgica. Depois, em abril de 1834, ajudou a forjar uma aliança entre a França, a Grã-Bretanha, a Espanha e Portugal. Satisfeito com estas últimas realizações, demitiu-se em novembro de 1834 e voltou a reformar-se. Passou os seus últimos anos a viver uma vida de lazer, embora a sua saúde estivesse em constante declínio e sofresse frequentemente de depressão ao pensar em como seria recordado. A 17 de maio de 1838, faleceu aos 84 anos, tendo sido um dos políticos mais talentosos e adaptáveis da sua época.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Cooper, Duff. *Talleyrand.* Vintage Classics (2 Dec. 2010), 1970.](https://www.worldhistory.org/books/B012HUN4B2/)
- [Doyle, William. *The Oxford History of the French Revolution.* Oxford University Press, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/0198804938/)
- [Roberts, Andrew. *Napoleon.* Penguin Books, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/0143127853/)
- [Schama, Simon. *Citizens: A Chronicle of the French Revolution.* Vintage, 1990.](https://www.worldhistory.org/books/0679726101/)

## Sobre o Autor

Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.
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## Histórico

- **2 Feb 1754 CE**: [Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) is born in [Paris](https://www.worldhistory.org/disambiguation/paris/), France.
- **1788 CE**: [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) becomes Bishop of Autun.
- **12 Jul 1790 CE**: The [Civil Constitution of the Clergy](https://www.worldhistory.org/Civil_Constitution_of_the_Clergy/) is passed, making the French Catholic Church subordinate to the French government.
- **1794 CE - 1796 CE**: [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) lives in exile in the US to escape the [Reign of Terror](https://www.worldhistory.org/Reign_of_Terror/).
- **Jul 1797 CE**: [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) becomes Foreign Minister of France.
- **9 Nov 1799 CE**: [Napoleon Bonaparte](https://www.worldhistory.org/Napoleon_Bonaparte/) takes control of the government in the [Coup of 18 Brumaire](https://www.worldhistory.org/Coup_of_18_Brumaire/); both the Directory and the [French Revolution](https://www.worldhistory.org/French_Revolution/) are ended.
- **5 Jun 1806 CE**: [Napoleon](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Napoleon/) names [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) Prince of Benevento.
- **Sep 1808 CE - Oct 1808 CE**: Congress of Erfurt; [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) begins conspiring against [Napoleon](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Napoleon/).
- **1 Apr 1814 CE**: [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) becomes provisional president of France after the first downfall of [Napoleon](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Napoleon/).
- **Sep 1814 CE - Jun 1815 CE**: The Congress of Vienna meets to redraw the map of [Europe](https://www.worldhistory.org/europe/) in a post-Napoleonic world.
- **17 May 1838 CE**: [Talleyrand](https://www.worldhistory.org/Charles-Maurice_de_Talleyrand-Perigord/) dies, at the age of 84.

## Perguntas & Respostas

### Quem foi Talleyrand?
Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord foi um bispo e diplomata francês que ocupou o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros durante a Revolução Francesa, a era napoleónica e até à Restauração dos Borbones. 

### Quais foram alguns dos feitos de Talleyrand?
Talleyrand teve muitos feitos ao longo da sua carreira de várias décadas. Liderou a Constituição Civil do Clero durante a Revolução Francesa, ajudou a levar Napoleão ao poder no Golpe de 18 de Brumário, conspirou para provocar a queda de Napoleão e desempenhou um papel significativo no Congresso de Viena. 

### Porque é que Talleyrand traiu Napoleão?
Talleyrand conspirou contra Napoleão porque acreditava que este era um belicista cujas políticas imprudentes levariam a França à ruína e anulariam os conquistas da Revolução Francesa.


## Cite Este Artigo

### APA
Mark, H. W. (2026, June 13). Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord: O Traiçoeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros de Napoleão. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26126/charles-maurice-de-talleyrand-perigord/>
### Chicago
Mark, Harrison W.. "Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord: O Traiçoeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros de Napoleão." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 13, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26126/charles-maurice-de-talleyrand-perigord/>.
### MLA
Mark, Harrison W.. "Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord: O Traiçoeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros de Napoleão." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 13 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26126/charles-maurice-de-talleyrand-perigord/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 13 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

