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title: Meroe
author: Joshua J. Mark
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-261/meroe/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-03-09
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# Meroe

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Meroe era uma rica metrópole do antigo [Reino de Cuxe](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16819/reino-de-cuxe/) (ou [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) de Kush), situado na atual República do Sudão. Abrigou a última capital deste reino (c. 1069 a.C. a c. 350 d.C., após a capital anterior, Napata, ter sido saqueada por volta de 590 a.C). Antes deste período, Meroe (ou Meroé) sediava um importante centro administrativo. A cidade estava localizada no cruzamento das grandes rotas comerciais e teve maior desenvolvimento a partir de aproximadamente 750 a.C. até 350 d.C. Meroe é considerada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

Como ninguém conseguiu decifrar o sistema de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) meroítico, muito pouco pode ser dito por certo sobre como a cidade cresceu para se tornar a fantástica metrópole sobre a qual [Heródoto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-234/herodoto/) escreveu por volta de 430 a.C., mas sabe-se que, na Antiguidade, era tão famosa pela sua riqueza que o rei [Cambises II](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-305/cambises-ii/), do [Império Aquemênida](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-322/imperio-aquemenida/) Persa, organizou uma expedição para conquistá-la. A expedição fracassou bem antes de alcançar a cidade, devido ao terreno difícil e inóspito do deserto (ou, conforme outras alegações, jamais foi organizada em absoluto). Ainda assim, a persistência da história da expedição de Cambises sugere a grande fama de Meroe como uma rica metrópole.

A cidade também ficou conhecida como a Ilha de Meroe, pois as águas que fluíam ao seu redor davam essa impressão. Aparece no livro bíblico do Gênesis (10:6) como *Aethiopia* \[Etiópia\], nome aplicado à região sul do Egito na Antiguidade e que significa "terra das pessoas de rosto queimado". Embora haja evidências de pastoreio excessivo e esgotamento das áreas agrícolas, o que causou problemas consideráveis, Meroe prosperou até ser saqueada por um rei axumita por volta de 330 d.C., após o que começou a decair progressivamente.

### A Influência Egípcia e o Rei Arcamani

Embora tenha havido um assentamento em Meroe já em 890 a.C. (o túmulo mais antigo descoberto até agora, o do 'Senhor A', data desta época), a cidade alcançou seu auge entre c. 750 a.C. a 350 d.C.. O Reino de Cuxe, fundado com sua capital em Napata, era governado pelos cuxitas (ou kushitas, chamados de "núbios" no Egito) que, no início, mantiveram práticas e costumes dos vizinhos do norte e, embora fossem retratados na arte como distintamente cuxitas, chamavam-se por títulos egípcios. O historiador Marc Van De Mieroop escreve:

> A cultura meroítica mostra muita influência egípcia, sempre misturada com ideias locais. Muitos templos abrigavam cultos a deuses egípcios como Amon (chamado Amani) e [Ísis](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-770/isis/), mas as divindades nativas também recebiam patrocínio real. Uma divindade núbia da guerra muito proeminente era o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/)-leão Apedemak, cuja popularidade aumentou substancialmente neste período. Os deuses locais estavam frequentemente associados aos egípcios: na Baixa Núbia, \[o deus\] Mandulis, por exemplo, era considerado filho de Hórus. O hibridismo também aparece nas artes e na ideologia da realeza. Por exemplo, os reis de Meroe eram representados em imagens monumentais em templos à moda egípcia, mas com elementos locais, como roupas, coroas e armas. (338).

Com o tempo, no entanto, essas práticas deram lugar aos costumes nativos e os [hieróglifos egípcios](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13485/hieroglifos-egipcios/) acabaram sendo substituídos por um novo sistema de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/), conhecido como meroítico. O antigo historiador Diodoro Sículo explicou essa ruptura com a cultura egípcia afirmando que, antes do reinado do rei Arcamani I (ou Ergamenes, 295-275 a.C.), os sumos sacerdotes do deus egípcio Amon, em Napata, decidiam, conforme a tradição, quem se tornaria rei e definiam a duração do reinado.

Como a saúde do rei relacionava-se à fertilidade da terra, os sacerdotes tinham o poder de determinar se o soberano que ocupava o trono não estava mais apto a governar. Se o considerassem inapto, enviariam uma mensagem ao rei - entendida como sendo do próprio deus Amon -, alertando-o de que o tempo de seu governo terreno estava terminado e que ele deveria morrer. Os reis costumavam obedecer às determinações divinas e tiravam suas próprias vidas para o suposto bem do povo. Porém, Diodoro prossegue:

> \[Arcamani\], educado na [filosofia grega](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11892/filosofia-grega/), foi o primeiro a ignorar esse mandamento. Com determinação digna de um rei, marchou com uma força armada para o lugar proibido, onde o templo dourado dos etiópios estava situado, massacrou todos os sacerdotes, aboliu essa tradição e instituiu práticas conforme seus próprios critérios.

O arqueólogo George A. Reisner, que fez escavações nos sítios de Meroe e Napata, questionou o relato de Diodoro, chamando-o de "muito duvidoso" e alegando que a história de Arcamani era um mito nacional que Diodoro aceitou como verdade histórica. Como não há evidências antigas contradizendo Diodoro, no entanto, e como houve claramente uma ruptura cultural significativa entre Meroe e o Egito no reinado de Arcamani, a maioria dos estudiosos na atualidade aceita o relato de Diodoro como correto ou bem próximo da realidade.

[ ![Candace Amanitore of Meroe](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/287.jpg?v=1767109640) A Candace Amanitare de Meroe Sven-Steffen Arndt (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/287/candace-amanitore-of-meroe/ "Candace Amanitore of Meroe")### Candaces: As Rainhas de Meroe

Arcamani inaugurou o costume de sepultamento fora de Meroe (em vez de seguir a prática de sepultar os mortos em Napata, de acordo com o costume egípcio) e aprovou as leis que tornariam a cidade uma cultura distinta daquela do Egito. O idioma, inscrições e a arte egípcias desaparecem das evidências arqueológicas depois deste período, aproximadamente 285 a.C..

Os deuses egípcios Ísis e Amon-Ra mesclaram-se à adoração de divindades núbias, como Apedemak, e as rainhas, em vez de aparecerem como faraós masculinos, compartilhavam o poder político com o rei. O título da rainha era *Kentake*, comumente traduzido como 'Candace' (significando provavelmente 'Rainha Regente' ou 'Rainha Mãe'), e houve pelo menos sete delas entre c. 170 a.C. a c. 314 d.C..

A candace Amani-Xaquete (ou Amanishakheto) é descrita como extremamente gorda, uma figura imponente conquistando seus inimigos, que aparecem menores e indefesos ao seu alcance, e Amanitare (ou Ameniteré) é mostrada da mesma maneira, no Templo do Leão em Naga, ilustrando claramente o poder e o prestígio que as mulheres governantes tinham na cultura meroítica.

Com certeza o mais famoso (embora fictício) evento ilustrando o prestígio desfrutado pelas candaces é a história lendária relatada no pseudo-Calístenes, segundo a qual [Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-265/alexandre-o-grande/) teria sido desestimulado a atacar o reino por uma candace, em 332 a.C. Conforme a lenda, a candace dispôs seu exército tão perfeitamente que Alexandre, observando o campo de batalha, achou mais prudente recuar.

O relato verdadeiro do embate entre as forças de [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) com as de Meroe na Guerra Meroítica (27-22 a.C.), porém, é na verdade mais interessante. A candace Amanirenas (r. c. 40-10 a.C.) não somente liderou seu povo nos combates, orquestrando várias batalhas bem-sucedidas mas, quando as hostilidades terminaram, negociou habilmente um tratado de paz com o imperador, que favorecia mais os interesses meroíticos do que os de Roma; uma concessão bastante rara por parte de Augusto.

[ ![Bronze Head of Augustus](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2926.jpg?v=1669146424) Busto de Bronze de Augusto Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2926/bronze-head-of-augustus/ "Bronze Head of Augustus")### A Ascensão e Queda de Meroe

A cidade de Meroe ocupava mais de 1,6 km quadrado de terreno fértil e, no seu auge, abrigava um grande centro agrícola, comercial e de fundição de ferro. Segundo Van De Mieroop, "os Ptolemeus \[ou Ptolomeus, do Egito\] e os romanos queriam produtos africanos como madeiras de lei, marfim, outros produtos exóticos e animais, incluindo elefantes, que haviam se tornado importantes na arte da guerra" (340). De fato, um dos primeiros casos documentados de cooperação política entre o Reino de Meroe e a dinastia ptolemaica refere-se ao fornecimento de elefantes para fins militares.

A metalurgia do ferro deixou a cidade tão famosa quanto sua riqueza, para a qual contribuiu de maneira significativa, pois os ferreiros de Meroe tinham alta reputação e suas ferramentas e armas eram muito procuradas. Situada casualmente nas margens do Nilo, Meroe encontrava-se em meio a pastagens onduladas e campos férteis. Os relatos dão conta de que o povo caminhava por avenidas largas, em meio a estátuas de grandes carneiros de pedra, até o Templo de Amon, localizado próximo ao centro da cidade.

A realeza vivia em grandes palácios, enquanto a classe trabalhadora ocupava casas retangulares de barro e cabanas (conforme se presume a partir de evidências arqueológicas e relatos antigos). As pessoas recolhiam a água da chuva em grandes cisternas, a maior das quais tinha 250m de diâmetro e 10m de profundidade, decoradas nas laterais com figuras de animais e com capacidade de fornecimento para uma população estimada em 300.000 habitantes.

Atualmente, Meroe abriga o maior sítio arqueológico da República do Sudão e as ruínas das pirâmides, palácios e edifícios oficiais erguem-se silenciosas onde a populosa cidade prosperou. Enquanto alguns lançaram especulações sobre o suposto desaparecimento "misterioso" do povo de Meroe, uma estela da vitória descoberta no sítio e instalada por um soberano cristão de Axum (que se acredita ser o rei Ezana), deixa claro que a cidade foi conquistada pelos axumitas por volta do ano 330 d.C.

Esta data marca o fim do idioma meroítico escrito e falado. A invasão axumita, em conjunto com o uso excessivo da terra, que levou à desertificação, levou ao rápido declínio de Meroe. A indústria do ferro exigia enormes quantidades de madeira, o que levou ao desmatamento das terras vizinhas, enquanto a [pecuária](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-51/pecuaria/) e a agricultura destruíram os campos e esgotaram o solo. Despovoada com o passar do tempo, Meroe já havia sido transformada, no século V d.C., numa cidade de mistério e lenda.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Diodorus Siculus. *Diodorus Siculus.* Loeb Classical Library, 1935.](https://www.worldhistory.org/books/0674993349/)
- [Durant, W. *Our Oriental Heritage.* Simon & Schuster, 1954.](https://www.worldhistory.org/books/B00005WJGO/)
- [Emberling, G. *Nubia.* Princeton University Press, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/0615481027/)
- [Meroitic period](http://www.numibia.net/nubia/meroe.htm "Meroitic period"), accessed 1 Dec 2016.
- [Van De Mieroop, M. *A History of Ancient Egypt.* Wiley-Blackwell, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1405160713/)
- [Welsby, D.A. *The Kingdom of Kush.* Markus Wiener Pub, 1998.](https://www.worldhistory.org/books/1558761829/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 890 BCE**: First [tomb](https://www.worldhistory.org/tomb/) built at [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/).
- **c. 750 BCE**: Kushite [City](https://www.worldhistory.org/city/) of [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/) is founded.
- **c. 590 BCE**: [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/) becomes capital of Kingdom of [Kush](https://www.worldhistory.org/Kush/) after the fall of Napata. .
- **295 BCE - 275 BCE**: Reign of King [Ergamenes](https://www.worldhistory.org/Ergamenes/) (Arakakamani) in [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/).
- **c. 285 BCE**: King [Ergamenes](https://www.worldhistory.org/Ergamenes/) slaughters the priests of [Amun](https://www.worldhistory.org/amun/) at Napata, breaks with [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **c. 284 BCE - c. 314 CE**: Queens (Candaces) rule jointly with Kings in [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/).
- **c. 275 BCE**: [Ptolemy II](https://www.worldhistory.org/Ptolemy_II_Philadelphus/) invades the Meroitic Nubian kingdom and annexes Lower Nubia.
- **c. 205 BCE - c. 185 BCE**: Upper [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/) and Lower Nubia secede from the [Ptolemaic Kingdom](https://www.worldhistory.org/Ptolemaic_Egypt/) with the support of [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/). Two Egyptians, Horwennefer and his successor Ankhwennefer are declared as [Pharaoh](https://www.worldhistory.org/pharaoh/) in the now independent territories.
- **22 BCE**: Peace Treaty favoring [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/) signed with [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **330 CE**: Invasion of [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/) by the Aksumites under King Ezana.
- **350 CE**: End of the Kingdom of [Kush](https://www.worldhistory.org/Kush/) and [city](https://www.worldhistory.org/city/) of [Meroe](https://www.worldhistory.org/Meroe/) in Nubia.

## Links Externos

- [Meroe, Sudan](http://www.flickr.com/photos/11683866@N06/2391385431/in/photostream/)
- [Archaeological Sites of the Island of Meroe](http://whc.unesco.org/en/list/1336)
- [Miniature Pyramids of Sudan](https://www.archaeology.org/issues/95-1307/features/940-sedeinga-necropolis-sudan-meroe-nubia)
- [Remains of Ancient Palace Discovered](http://www.livescience.com/15420-remains-ancient-palace-discovered-central-sudan.html)
- [Ancient Scripts: MeroÃ¯tic](http://www.ancientscripts.com/meroitic.html)
- [Pyramids of the Kingdom of Kush](https://www.heritagedaily.com/2018/02/pyramids-kingdom-kush/118369)
- [The Nubian Pyramids, The Tombs Of Sudan's 'Black Pharaohs'](https://allthatsinteresting.com/nubian-pyramids)
- [List of Rulers of Ancient Sudan | Lists of Rulers | Heilbrunn Timeline of Art History | The Metropolitan Museum of Art](https://www.metmuseum.org/toah/hd/sudan/hd_sudan.htm)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2025, March 09). Meroe. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-261/meroe/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Meroe." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, March 09, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-261/meroe/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Meroe." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 09 Mar 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-261/meroe/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 09 March 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

