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title: Códice Florentino: Uma Enciclopédia da Vida no México do Século XVI
author: Jordy Samuels
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25415/codice-florentino/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-12-01
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# Códice Florentino: Uma Enciclopédia da Vida no México do Século XVI

_Escrito por [Jordy Samuels](https://www.worldhistory.org/user/jordysamuels.jdt/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O *Códice Florentino* é um relato enciclopédico da vida no México do século XVI e um recurso inestimável para compreender o intercâmbio entre as culturas europeia e indígena durante a conquista espanhola. O códice foi escrito, durante uma época de turbulência social, como uma tentativa de registrar a cultura e as crenças dos povos astecas do México nas áreas em redor da outrora grande cidade de Tenochtitlan. A obra abrange uma ampla gama de tópicos, incluindo religião, vida quotidiana, flora e fauna nativas e perspectivas indígenas sobre a própria conquista.

Escrito na altura em que as autoridades espanholas minavam activamente a cultura e as crenças astecas, o *Códice Florentino* representa uma tentativa de documentar e preservar um passado e um povo que estava a ser sistematicamente censurado. É o produto de uma multi colaboração, bilingualmente escrito por numerosos escribas e iluminado por vários artistas que empregaram um estilo ilustrativo sincrético único, tudo em conjunto para criar uma representação multifacetada da cultura, da língua e da história da [civilização asteca](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12085/civilizacao-asteca/) imediatamente após a queda do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/).

### **Conteúdo**

O *Códice Florentino* foi concluído entre o final de 1575 e a primavera de 1577, após quase 30 anos de produção. Composto por 12 livros iluminados com um total de 2.446 páginas e 2.472 ilustrações, é amplamente atribuído a um frade franciscano conhecido como Frei Bernardino de Sahagún (1499-1590). Embora o título moderno do códice venha da Biblioteca Medicea Laurenziana, em Florença, onde está guardado actualmnete, os estudiosos não sabem qual era o título original na época da sua conclusão. O próprio Sahagún referiu-se ao texto de várias maneiras no seu espanhol nativo como *doze libros* ("doze livros"), *obra* ("obra") e, talvez de forma mais abrangente, *Historia general de las cosas de la Nueva España (* "História Geral das Coisas da Nova Espanha"). Embora o códice certamente contenha História, o seu escopo é maior do que o próprio título sugere.

O conteúdo do *Códice Florentino* está resumido abaixo:

- Livro 1: Prólogo e os Deuses
- Livro 2: Cerimónias do Calendário Asteca
- Livro 3: Origem dos Deuses e [Mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/)
- Livro 4: Astrologia e Práticas Divinatórias
- Livro 5: Presságios
- Livro 6: Retórica e [Filosofia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-340/filosofia/) Moral
- Livro 7: Filosofia Natural e Fenómenos Celestes (Sol, Lua e Estrelas)
- Livro 8: Senhores de Tenochtitlan, Tlaltelolco, Tetzcoco e Huexotla, a Sua Educação e Costumes
- Livro 9: Comerciantes, Artesãos e Artífices
- Livro 10: O Povo, as Ocupações e a Anatomia
- Livro 11: Coisas Terrenas, História Natural
- Livro 12: Conquista de Tenochtitlan e Tlatelolco da Perspectiva Indígena

Os fólios desta impressionante obra incluem texto bilíngue: espanhol, a língua do público-alvo do códice, e nahuatl, a língua dos povos indígenas do México. Embora o texto seja bilíngue, nenhuma das línguas representa uma tradução da outra. Em vez disso, os textos existem em paralelo, com o espanhol frequentemente interpretando, abreviando, acrescentando ou omitindo informações do conteúdo da língua indígena. Por esse motivo, os estudiosos modernos têm enfatizado a necessidade de ler os dois textos em conjunto, em vez de um em nome do outro: embora as entradas possam ser lidas lado a lado, seus significados nem sempre estão em harmonia. Há um fluxo e refluxo na presença dos textos em espanhol e nahuatl; às vezes um idioma tem menos escritos que o outro, às vezes um é inexistente no fólio e, mesmo quando ambos estão presentes, os leitores podem encontrar inconsistências no tom, significado ou conteúdo.

Além das duas línguas, o *Códice Florentino* é pontuado por ilustrações. As imagens no códice incluem tanto decorações quanto composições; muitas são pintadas com cores vivas, enquanto outras são representadas apenas com contornos a tinta, mas todas foram ilustradas por artistas nativos ao longo dos anos. No século XVI, as imagens eram formas eficientes e cheias de impacto de forma a transmitir informações através das barreiras linguísticas e ideológicas e se tornaram um meio comum de comunicar mensagens no início do mundo colonial. Tecidos pintados, arte de parede, gravuras, faixas e outros meios de expressão pictórica tornaram-se ferramentas de comunicação religiosa, política e social, especialmente nos primeiros tempos, quando apenas alguns indivíduos podiam traduzir entre o nahuatl e o espanhol, muito menos as outras línguas faladas na Mesoamérica na época. As imagens do *Códice Florentino* representam um modo de comunicação totalmente distinto, com o qual ambas as culturas estavam intimamente familiarizadas, embora de maneiras diferentes.

Na língua nahuatl, os pintores-escritores indígenas eram conhecidos como *tlacuiloque* (singular *tlacuilo*) e eram herdeiros de uma tradição artística que remontava a séculos antes da colonização europeia das Américas. Criadas por artesãos tão habilidosos, as imagens do *Códice Florentino* são adaptações estilísticas, integrando elementos artísticos das tradições nativas com o formato e as convenções dos estilos tradicionais europeus, particularmente a convenção que favorecia o isolamento formal dos temas dentro da paginação. Embora a apresentação das imagens seja geralmente mais europeia em estilo, há vários exemplos de convenções artísticas astecas no *Códice Florentino*. Estes incluem o uso de símbolos ondulados chamados "rolos de fala" para indicar um indivíduo falando numa imagem estática e a prática de retratar conchas marinhas nas bordas de gavinhas de água. Ambos os elementos estilísticos aparecem na imagem de Chalchiuhtlicue do *Códice Borbonicus*, que foi criado por sacerdotes astecas e preserva muitos modos pré-hispânicos de representação pictórica.

[ ![Chalchiuhtlicue](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21257.png?v=1761231537-1762464923) Chalchiuhtlicue Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21257/chalchiuhtlicue/ "Chalchiuhtlicue")Embora os textos dirijam-se ao público nas línguas das duas culturas, as imagens do *Códice Florentino* representam os exemplos mais claros do sincretismo cultural em vigor no México do século XVI:

> Tal obra só poderia ter sido produzida na Mesoamérica, onde a introdução do [alfabeto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-73/alfabeto/) romano e do estilo artístico europeu fazia sentido para as pessoas que escreviam e pintavam com tinta e cores naturais há séculos. É um dos raros primeiros manuscritos a representar culturas indígenas que envolveram povos indígenas.
> (Peterson & Terraciano, pág. 13)

### **Colaboradores de Sahagún**

Embora Frei Bernardino de Sahagún seja considerado o autor do *Códice Florentino*, ele foi, na verdade, o resultado de um esforço colaborativo substancial e contou com as contribuições de pessoas das comunidades indígenas do México como conteúdo principal. Dito isto, o códice teria sido impossível sem Sahagún, cujo papel incluía escrever, coordenar, editar e traduzir, além de propor a ideia real e defender o projeto em si. Considerando a extensão do assunto e o grande volume de trabalho artístico e de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) envolvido, um único homem, mesmo alguém tão ambicioso quanto Sahagún, não poderia ter realizado sozinho a ambição deste projeto.

Sahagún era um professor e missionário absolutamente dedicado à conversão dos povos nativos do México ao [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/) católico. Acreditava que, para alcançar o objetivo, precisava compreender os sistemas de crenças, a cultura e a língua que precederam a influência colonial da Espanha. Afinal, os missionários não podiam eclipsar ideologicamente uma religião que não reconheciam e não podiam transmitir o cristianismo sem compartilhar uma língua comum com os possíveis convertidos. Mas Sahagún e os colegas da igreja chegaram ao México após a conquista e tinham pouco ou nenhum conhecimento da [civilização](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10175/civilizacao/) asteca. Para alcançar o objetivo evangelístico final, Sahagún precisava confiar nas informações daqueles que intentava converter.

[ ![Aztec Musicians](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/4198.jpg?v=1762418073-1762418122) Músicos astecas Madman2001 (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/4198/aztec-musicians/ "Aztec Musicians")Além do conteúdo, Sahagún precisava de ajuda com o processo de registro. O *Códice Florentino*, com quase 2.500 páginas, foi redigido várias vezes ao longo de três décadas, graças aos esforços conjuntos de vários homens letrados e de mão firme: eram intelectuais, nascidos no México de pais indígenas e educados em faculdades patrocinadas e administradas pela Igreja espanhola. Assim como o próprio Sahagún, eram fluentes em nahuatl, espanhol e latim e foram fundamentais na criação do códice, um processo que ocorreu principalmente nos últimos anos da vida de Sahagún, quando a idade tornou o frade incapaz de escrever qualquer coisa com as próprias mãos trêmulas. Embora certamente fosse o autor dos prólogos e de partes do texto em espanhol, as mesmas representam menos da metade do conteúdo do *Códice Florentino*.

### **Criação do Códice**

De 1559 a 1565, Sahagún e os colaboradores coligiram o que se tornaria o *Códice Florentino* em conversas com anciãos nos assentamentos de Tepepulco e Tlatelolco. Durante o tempo em Tepepulco, Sahagún trabalhou com as autoridades locais para reunir um grupo de aproximadamente doze anciãos. Todos os anciãos tinham vivido a chegada cataclísmica de [Hernán Cortés](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12267/hernan-cortes/) e das suas forças, e podiam oferecer o seu conhecimento da cultura asteca pré-hispânica ao projeto de Sahagún. Depois que o frade e a equipa de escribas registraram os testemunhos orais, os anciãos ofereceram imagens representando o que tinham dito. Como mencionado acima, *os tlacuiloque* astecas mantinham a história e a cultura em registros pictóricos muito antes do advento do alfabeto romano no México.

Após três anos em Tepepulco, Sahagún e o códice incipiente foram transferidos para Tlatelolco, onde mais uma vez apresentou as suas intenções e solicitou os líderes entre os povos nativos. Com cerca de mais dez anciãos, todos capazes e conhecedores do nahuatl e dos costumes pré-conquista dos astecas, Sahagún e a equipa passaram a expandir, esclarecer e rever o trabalho.

[ ![Mapa do Império Asteca, cerca de 1427-1521](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14181-pt.png?v=1764966988-1766260801) Mapa do Império Asteca Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-14181/mapa-do-imperio-asteca-cerca-de-1427-1521/ "Mapa do Império Asteca, cerca de 1427-1521")Quando o frade concluiu as entrevistas em Tlatelolco por volta de 1565, a colaboração tinha produzido o que hoje é conhecido como Códices Matritenses ou *Códices de Madri*, um rascunho inicial do *Códice Florentino*. Assim como a versão posterior, os *Códices de Madri* são escritos em espanhol e nahuatl, mas, ao contrário do *Códice Florentino,* o rascunho de 1565 não é ilustrado e inclui o texto em três [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/). As colunas da esquerda, escritas em espanhol, abrangem as notas de Sahagún sobre os mesmos assuntos abordados nas colunas centrais, todas escritas em nahuatl sobre tópicos específicos. As colunas mais à direita, que não aparecem no *Códice Florentino*, articulavam as notas lexicais de Sahagún sobre a língua nahuatl. O frade planeou incluir a terceira coluna também no *Códice Florentino*, mas a falta de tempo e apoio, na própria avaliação de Sahagún, impediu que a obra culminante fosse o recurso linguístico que pretendia que fosse.

Neste ponto, Sahagún descreve a edição, dividindo o conteúdo em doze livros e organizando o texto em capítulos e parágrafos específicos. Ele escreve:

> Os mexicanos corrigiram e acrescentaram muitas coisas aos doze livros enquanto eram copiados novamente, de tal forma que a primeira peneira pela qual minhas obras foram filtradas foi a de Tepepulco; a segunda, a de Tlatelolco; a terceira, a do México.
> (Livro 2, fólio 1v-2r, traduzido por García Garagarza)

Entre as mãos e mentes que filtraram as obras, o frade menciona algumas pelo nome. Embora não represente uma lista completa dos colaboradores indígenas, Sahagún menciona Martín Jacobita, que era diretor do *colegio* de Tlatelolco, Antonio Valeriano, que era natural de Azcapotzalco, e dois nativos de Cuauhtitlan chamados Alonso Vegerano e Pedro de San Buenaventura, todos especialistas em latim, espanhol e nahuatl. A lista de escribas, inclui Diego de Grado e Bonifacio Maximiliano, ambos nativos de Tlatelolco, e Mateo Severino, de Xochimilco. Peterson e Terraciano afirmam que houve muitos outros colaboradores não mencionados das comunidades ao redor do Lago [Texcoco](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12340/texcoco/) que contribuíram para o produto final. Sahagún acabou entregando um livro que continha muito mais do que o necessário para converter a população nativa ao cristianismo. Criou um veículo através do qual os autores e artistas nahuatl do século XVI ainda podem ser ouvidos e vistos hoje.

[ ![Aztec Agriculture](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2712.jpg?v=1755196216) Agricultura Asteca Peter Isotalo (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/2712/aztec-agriculture/ "Aztec Agriculture")### **Os Objetivos de Sahagú**n

No prólogo do Livro 1, Sahagún articula vários objetivos para o uso prático do *Códice Florentino.* O primeiro dos seus objetivos centra-se naturalmente no papel da conversão da população nativa. Comparando o trabalho dos missionários ao dos médicos encarregados de diagnosticar e tratar doenças, ele afirma que, assim como os médicos cuidam do corpo, os padres e confessores devem cuidar das almas daqueles que pretendem converter ao cristianismo. Para a cumprir, afirma que era necessário registrar relatos precisos da língua e das crenças dos povos indígenas do México antes da conquista espanhola. Os esforços linguísticos e antropológicos tornam-se os outros objetivos declarados do códice.

A presença de tanta língua nahuatl no códice representa o alcance da dedicação de Sahagún ao objetivo. Em 1540, bem antes de iniciar o projeto que se tornaria o *Códice Florentino*, já tinha escrito vários sermões em nahuatl, os suficientes para serem proferidos em todos os dias santos e domingos do ano. Adaptando-os aos povos indígenas, tanto à nobreza quanto às classes mais baixas, não apenas na língua, mas de acordo com a aptidão que reconhecia neles na época. À medida que aprendia mais, o frade descobriu que a sua capacidade não apenas excedia as expectativas, mas também evocavam nele um profundo respeito por seu modo de vida, o que informaria e reforçaria as suas convicções no seu objetivo antropológico.

Embora não esteja claro, exatamente, quando este sentimento se formou em Sahagún, ele deixa claro que um dos seus objetivos é demonstrar o valor dos povos que sofreram a devastação nas mãos de Cortés e das suas forças. No início do *Códice Florentino*, Sahagún cita uma profecia do Antigo Testamento atribuída a Jeremias, afirmando as semelhanças entre os presságios proféticos e o destino dos povos indígenas na conquista do México:

> "Trarei sobre vós um povo de longe: é um povo poderoso e corajoso, é um povo antigo e habilidoso na luta, um povo cuja língua não compreendereis, nem jamais ouvistes a sua maneira de falar — todos eles homens poderosos e corajosos e com grande desejo de matar. Este povo destruirá a vós, às vossas mulheres e filhos, e tudo o que possuís; e destruirá todas as vossas cidades e edifícios." Isto, ao pé da letra, aconteceu a estes índios nas mãos dos espanhóis. Eles foram tão completamente pisoteados e destruídos, com todas as suas coisas, que não restou nenhuma semelhança com o que eram antes.
> (Livro 1, fólio vir, *Idem*)

Sahagún lamenta ainda que os povos nativos sejam vistos como bárbaros, apesar do fato de que os seus estilos de governo, como ele diz, estão "muito à frente de muitas outras nações que se consideram altamente civilizadas" (*Ibid.*).

[ ![Atlalli Aztec Irrigation](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21236.png?v=1760974942-1761491733) Atlalli: Irrigação Asteca The Florentine Codex (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/21236/atlalli-aztec-irrigation/ "Atlalli Aztec Irrigation")Sahagún continua a elogiar os povos indígenas — particularmente os seus sistemas educacionais, retórica e conquistas nas artes, ciências e tecnologias — ao longo do restante do *Códice Florentino* e até compara as culturas da Mesoamérica a Tróia, Roma, [Cartago](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-205/cartago/) e Veneza, enfatizando as semelhanças com estas civilizações altamente estimadas da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/). Embora qualifique todos estes elogios com a noção de que a Mesoamérica é um lugar afastado da influência de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), onde o diabo desfrutou de prosperidade, ele, no entanto, situa os povos nativos das Américas como parentes dos espanhóis e descendentes mútuos de Adão.

### **Supressão do Códice**

Ao escrever para o público espanhol, cujas perspectivas provavelmente teriam sido influenciadas por relatos tendenciosos dos conquistadores, Sahagún foi longe ao afirmar o valor da cultura e da herança da população indígena do México. De certa forma, foi muito além do que seria confortável para os seus compatriotas espanhóis:

> Para as autoridades espanholas, particularmente as eclesiásticas, as palavras nas línguas nativas eram inerentemente suspeitas e as imagens potencialmente idólatras; a própria tradução poderia camuflar ideias heréticas e abrigar significados políticos perigosos.
> (Peterson & Terraciano, pág. 14)

Quase certamente ciente deste potencial idólatra, Sahagún ainda assim defendeu um texto escrito em grande parte na língua nativa do México e ricamente ilustrado por artistas indígenas. Mesmo quando o rei Filipe II da Espanha (reinou de 1556 a 1598) ordenou a confiscação de todos os manuscritos envolvendo a história e a religião indígenas em 1577, Sahagún pode ter retido uma cópia do seu códice, desafiando a Coroa, e ofereceu-se para copiá-lo e enviá-lo novamente para garantir que fosse recebido. O códice foi enviado para a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/) no ano do decreto, foi adquirido pela família Medici em 1587 e desapareceu dos registros históricos por quase dois séculos. O códice foi redescoberto em 1793, mas só foi realmente estudado em 1879, e foi inscrito no Registro Memória do Mundo da UNESCO em 2015.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Aguilar-Moreno, Manuel. *Handbook to Life in the Aztec World.* Oxford University Press, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0195330838/)
- [Biblioteca Digital Mexicana A.C. ](http://bdmx.mx/documento/bernardino-sahagun-codices-matritenses "Biblioteca Digital Mexicana A.C. "), accessed 23 Oct 2025.
- [Davíd Carrasco. *Religions of Mesoamerica, Second Edition.* Waveland Press, Inc., 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1478607408/)
- [Digital Florentine Codex](https://florentinecodex.getty.edu "Digital Florentine Codex"), accessed 23 Oct 2025.
- [Florentine Codex Resources: Richter Houtrouw](https://florentinecodex.getty.edu/resources/1_Richter_Houtrouw "Florentine Codex Resources: Richter Houtrouw"), accessed 23 Oct 2025.
- [León-Portilla, Miguel & Mixco, Mauricio J. *Bernardino de Sahagun.* University of Oklahoma Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0806142715/)
- [Peterson, Jeanette Favrot & Terraciano, Kevin. *The Florentine Codex.* University of Texas Press, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/1477318402/)
- [Townsend, Camilla. *Fifth Sun.* Oxford University Press, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/0197577660/)
- [Townsend, Camilla. *The Aztec Myths.* Thames & Hudson, 2024.](https://www.worldhistory.org/books/0500025533/)
- [Zarebska, Carla & Tuddo, Alejandro Gomez de & Lopez, Jacqueline Robinson. *Guadalupe.* Equipar S. A. de C. V., 2002.](https://www.worldhistory.org/books/9709161555/)

## Sobre o Autor

Jordy é uma bibliotecária, entusiasta de história e uma pessoa persistentemente curiosa. Adora mitos e o estudo de sistemas de crenças, ler 'graphic novels', cozinhar, olhar para o céu em dias parcialmente nublados e aprender com outras pessoas curiosas, especialmente crianças.

## Histórico

- **c. 1575 CE - c. 1577 CE**: The [Florentine Codex](https://www.worldhistory.org/Florentine_Codex/) is completed.
- **1587 CE**: The Medici family acquires the [Florentine Codex](https://www.worldhistory.org/Florentine_Codex/).
- **1793 CE**: The [Florentine Codex](https://www.worldhistory.org/Florentine_Codex/) is rediscovered.

## Links Externos

- [Digital Florentine Codex](https://florentinecodex.getty.edu)
- [Bernardino de Sahagún and Indigenous collaborators, ...](https://smarthistory.org/bernardino-de-sahagun-and-collaborators-florentine-codex/)
- [Il Codice Fiorentino della Biblioteca Medicea Laurenziana](https://www.bmlonline.it/en/il-codice-fiorentino-della-biblioteca-medicea-laurenziana/)
- [Art and History of Colonial Latin America: Florentine Codex](https://libguides.utsa.edu/c.php?g=454948&p=3314985)
- [Florentine Codex | Getty Projects](https://www.getty.edu/projects/florentine-codex/)

## Cite Este Artigo

### APA
Samuels, J. (2025, December 01). Códice Florentino: Uma Enciclopédia da Vida no México do Século XVI. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25415/codice-florentino/>
### Chicago
Samuels, Jordy. "Códice Florentino: Uma Enciclopédia da Vida no México do Século XVI." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, December 01, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25415/codice-florentino/>.
### MLA
Samuels, Jordy. "Códice Florentino: Uma Enciclopédia da Vida no México do Século XVI." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 01 Dec 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25415/codice-florentino/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 01 December 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

