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title: Decisão Dred Scott: A pior decisão do Supremo Tribunal na história dos EUA
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24601/decisao-dred-scott/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-03
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# Decisão Dred Scott: A pior decisão do Supremo Tribunal na história dos EUA

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Decisão Dred Scott (*Dred Scott v. Sandford, 60 U.S. (19 How.) 393* (1857)), foi o infame acórdão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que estabeleceu que, de acordo com a Constituição dos EUA, as pessoas negras não eram nem podiam ser consideradas cidadãs dos Estados Unidos da América e, além disso, que «nenhum escravo ou descendente de um escravo tinha quaisquer "direitos que o homem branco estivesse obrigado a respeitar"» (Delbanco, pág. 331).

A decisão, com a qual o Supremo Tribunal pretendia encerrar definitivamente a questão da escravatura nos Estados Unidos, apenas aumentou as tensões entre os estados esclavagistas e os estados livres, contribuindo para o eclodir da Guerra Civil Americana (1861-1865). Hoje em dia, é considerada a pior decisão na história do Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

O caso começou como um simples processo de libertação instaurado pelo escravo Dred Scott (cerca de 1799-1858) e pela sua mulher Harriet Scott (nascida Robinson, cerca de 1820-1876) contra Irene Emerson, viúva do Dr. John Emerson (os seus proprietários), argumentando que, uma vez que o Dr. Emerson tinha levado os Scott (e as suas duas filhas) para estados livres, onde tinham fixado residência, eles eram livres. O processo foi instaurado em abril de 1846 e arrastou-se por onze anos até ser apreciado pelo Supremo Tribunal dos EUA, que deliberou, por uma maioria de 7-2, que os Scott não podiam processar pela sua liberdade porque não eram cidadãos dos Estados Unidos e, como tal, não tinham direito aos direitos e proteções dos cidadãos norte-americanos.

Pouco tempo depois, os Scott foram comprados e libertados por um homem chamado Taylor Blow, filho do antigo proprietário de Dred Scott antes de Emerson. Dred Scott viveu como homem livre com a sua esposa e filhas durante mais de um ano, antes de morrer de tuberculose em novembro de 1858.

### O Contexto Político

A Compra da Luisiana de 1803 expandiu os Estados Unidos em cerca de 2 144 510 km² (828,000 m²), quase duplicando o seu território em direção ao oeste. Surgiram disputas quase de imediato sobre a questão da escravatura nestes novos territórios e sobre se estes viriam a ser admitidos na União como estados livres ou esclavagistas. Os estados livres do Norte queriam limitar a propagação da escravatura para oeste, enquanto os estados esclavagistas do Sul se opunham a esta política.

Em 1787, o Congresso tinha aprovado a [Portaria do Noroeste](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23439/portaria-do-noroeste/), que proibia a propagação da escravatura no Território do Noroeste, mas, após a Compra da Luisiana, colonos brancos começaram a viajar para esta região para se estabelecerem, e muitos deles levaram os seus escravos. Em 1812, a Luisiana juntou-se à União como um estado esclavagista e, por volta de 1819, havia colonos suficientes no Território do Missouri para o qualificar para admissão como estado. Contudo, se o Missouri fosse admitido como um estado esclavagista, isso perturbaria o atual equilíbrio de poder no governo entre estados livres e esclavagistas.

Este problema foi resolvido pelo [Compromisso do Missouri](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24005/compromisso-do-missouri/) de 1820, que admitiu o Missouri como um estado esclavagista e o Maine como um estado livre, proibindo simultaneamente a escravatura a norte do paralelo 36°30′. Qualquer escravo levado para "território de um estado livre" podia reivindicar a sua liberdade uma vez que, legalmente, a escravatura não existia nesses locais.

### Dred Scott

Dred Scott nasceu na condição de escravo no condado de Southampton, Virgínia, por volta de 1799 e, por volta de 1818, pertencia a um homem chamado Peter Blow (que poderá ter sido o seu proprietário original). O primeiro nome de Scott poderá ter sido originalmente Sam, e pensa-se que mais tarde terá escolhido o nome Dred (uma forma curta de Etheldred) para si próprio, em homenagem a um irmão mais velho com esse nome que tinha falecido.

Por volta de 1830, a família Blow vivia em St. Louis, no Missouri, e vendeu Dred Scott a um cirurgião do Exército dos EUA, o Dr. John Emerson, por volta de 1831. Scott não gostava de Emerson e fugiu, mas foi capturado e devolvido ao mesmo. Em 1833, Emerson foi colocado em Fort Armstrong, no Illinois, um estado livre, e posteriormente recebeu ordens para se apresentar em Fort Snelling, no Território do Wisconsin (também uma região de estado livre) em 1837, levando Scott consigo para ambos os postos.

No Território do Wisconsin, Scott conheceu Harriet Robinson e casou-se com ela. Harriet tinha sido escrava de um oficial do Exército dos EUA, Lawrence Taliaferro (1794-1871), mais conhecido pelos seus esforços em prol dos siux dakota e pela confiança que nele depositavam líderes nativos americanos como Little Crow (cerca de 1810-1863). Taliaferro oficializou o casamento e entregou Harriet a Emerson para que o casal pudesse viver junto.

[ ![Dred and Harriet Scott Statue](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20561.jpeg?v=1749520051-1749548117) Estátua de Dred e Harriet Scott US National Park Service (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20561/dred-and-harriet-scott-statue/ "Dred and Harriet Scott Statue")Emerson foi enviado para Fort Jesup, na Luisiana, em 1837, mas deixou os Scott para trás em Fort Snelling, alugando os seus serviços a terceiros. Sob este acordo, o escravo podia ficar com uma pequena parte dos seus ganhos, enquanto a maior parte era entregue ao seu senhor, e assim aconteceu com os Scott. Em 1838, Emerson conheceu Irene Sanford, casou-se com ela e mandou chamar os Scott para se juntarem a eles. Contudo, ele foi logo enviado de volta para Fort Snelling, e os Scott acompanharam-no; as suas duas filhas, Eliza e Lizzie, nasceram em território de um estado livre.

Em 1840, Emerson e a sua esposa, juntamente com os Scott, regressaram ao Missouri. Emerson morreu em 1843, e Irene Sanford Emerson herdou os Scott como parte dos seus bens. Dred e Harriet trabalharam para ela durante três anos, até que Dred conseguiu poupar 300 dólares (cerca de 10 500 dólares atuais) para comprar a liberdade para si e para a sua família. Irene, no entanto, considerou-os demasiado valiosos e recusou. Em 1846, Dred Scott instaurou processos de libertação no tribunal do Missouri para si e para a sua esposa. Estes processos, mais tarde fundidos, viriam a tornar-se o caso Dred Scott v. Sandford, ou a Decisão Dred Scott.

### As Complicações e o Supremo Tribunal

Scott, auxiliado por advogados abolicionistas e apoiado financeiramente no seu caso pela família de Peter Blow, processou Irene Emerson pela sua liberdade com o argumento de que o Dr. Emerson o tinha levado, por períodos prolongados, para território de um estado livre, onde tinha alugado Scott para trabalhar.

Havia precedentes jurídicos para o processo de Scott, uma vez que muitos antigos escravos tinham conquistado a sua liberdade em tribunal através de um argumento semelhante: tinham sido residentes num estado livre no qual tinham trabalhado. Se um proprietário de escravos levasse um escravo para um estado livre, o escravo podia reivindicar a sua liberdade. Tudo o que Scott tinha de provar era que tinha vivido e trabalhado em território de um estado livre de 1833 a 1837 e de 1838 a 1840.

Além disso, o casamento dos Scott, oficialmente registado, pesava fortemente a seu favor. Os casamentos entre escravos não eram considerados uniões juridicamente vinculativas, mas o casamento dos Scott foi oficializado por um oficial branco do Exército dos EUA e juiz de paz devidamente ajuramentado, prova de que eles deveriam ser considerados negros livres no Território do Wisconsin.

Esta prova, bem como os depoimentos que apoiavam a alegação de Scott, não conseguiram convencer o júri, que deliberou a favor de Irene Emerson em 1847. Os advogados de Scott requereram um novo julgamento, e o caso arrastou-se ao longo de 1850. O julgamento de 1850 terminou a favor de Scott, e ele, Harriet e as suas filhas ficaram livres. O advogado de Emerson apresentou uma petição de recurso, o que resultou numa apelação.

Irene Emerson casou-se em 1850 e deixou St. Louis, no Missouri, mudando-se para Springfield, no Massachusetts, deixando o seu irmão, John F. A. Sanford (1806-1857), encarregue de gerir os seus interesses comerciais e assuntos jurídicos. O caso transitou então para o Supremo Tribunal do Missouri.

In 1852, o julgamento terminou com o juiz William Scott a reverter a decisão anterior e a declarar que Dred Scott e a sua família continuavam escravizados. O juiz Scott argumentou na linha de que o facto de um escravo ser levado para território livre não lhe dava mais direito à liberdade do que se alguém levasse uma enxada ou um ancinho para a casa de outra pessoa e estes lhe pudessem ser legalmente retirados. Rejeitou também o conceito de "uma vez livre, sempre livre", sustentando que, ao regressarem a um estado esclavagista com os Emerson, os Scott tinham perdido qualquer liberdade que pudessem ter reivindicado no Território do Wisconsin.

O caso transitou depois para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, com John F. A. Sanford como réu. Um erro de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) registou o seu nome como Sandford e, como este nunca foi corrigido, o caso permanece conhecido como Dred Scott v. Sandford. A família Blow já não tinha capacidade para pagar as custas judiciais de Scott; ele perdeu ambos os seus advogados e o caso foi assumido pelo advogado Roswell Field, que aceitou trabalhar pro bono. O académico Andrew Delbanco comenta:

> Apesar das probabilidades adversas, os advogados de Scott continuaram a lutar. Grande parte da argumentação centrou-se em saber se Scott tinha sido apenas um residente temporário no Illinois e no Wisconsin — permanecendo, por isso, legalmente escravizado ao abrigo das leis do Missouri — ou se a sua residência num estado e num território livres o tinha tornado livre.
> Se essas tivessem continuado a ser as questões centrais, o caso Dred Scott não passaria de uma nota de rodapé na história. Porém, no decorrer da argumentação, a defesa de Sanford tomou a decisão fatídica de alegar que a exclusão da escravatura do Território do Wisconsin era inválida porque a exclusão da escravatura de um território federal por parte do Congresso, conforme prescrito pelo Compromisso do Missouri, era inconstitucional. O caso transformou-se, assim, de um processo privado numa disputa pública de enormes consequências. Em jogo estava agora a questão de saber se o Congresso tinha, de todo, autoridade para excluir a escravatura de qualquer território federal.
> (pág. 331)

A decisão do tribunal foi de 7-2 a favor de Sanford, com o Juiz Presidente Roger B. Taney (1777-1864) a redigir a opinião da maioria. Taney concluiu não só que Dred Scott continuava a ser um escravo, mas também que o seu processo — e qualquer outro semelhante — era inválido porque as pessoas negras não eram cidadãs dos Estados Unidos e, como tal, não tinham direito a quaisquer direitos, privilégios e proteções ao abrigo da Constituição dos EUA.

[ ![Roger B. Taney, Supreme Court Justice](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20562.jpeg?v=1758839345-1758839355) Roger Brooke Taney, Supremo Tribunal dos Estados Unidos Mathew Brady (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20562/roger-b-taney-supreme-court-justice/ "Roger B. Taney, Supreme Court Justice")Aqui tens a tradução integral deste extrato jurídico para português de Portugal. Sendo um texto legal do século XIX, manteve-se o tom solene, formal e a terminologia processual adequada à tradição jurídica:

A Decisão

> A decisão de Taney estipula, em parte:
> TERMO DE DEZEMBRO DE 1856. DRED SCOTT contra JOHN F. A. SANDFORD. Dred Scott, Autor Recorrente, v. John F. A. Sandford.
> I.
> Mediante um recurso por erro de direito (writ of error) para um Tribunal de Círculo (Circuit Court) dos Estados Unidos, a transcrição do registo de todos os atos processuais do caso é submetida a este tribunal e está aberta à sua inspeção e revisão.
> Quando uma exceção de incompetência absoluta (plea to the jurisdiction), em sede de contestação dilatória (in abatement), é julgada improcedente pelo tribunal após impugnação jurídica (demurrer), e o réu deduz uma contestação perentória (pleas in bar), e, com base nessas alegações, a decisão final do tribunal lhe é favorável — se o autor interpuser um recurso por erro de direito, a decisão do tribunal sobre a contestação dilatória está perante este tribunal, embora tenha sido favorável ao autor — e se o tribunal tiver errado ao julgá-la improcedente, a decisão deve ser revertida e emitido um mandado ao Tribunal de Círculo para arquivar o caso por falta de competência jurisdicional.
> Nos Tribunais de Círculo dos Estados Unidos, os autos devem demonstrar que o caso é um daqueles em que, pela Constituição e leis do Estados Unidos, o tribunal tinha competência — e se tal não constar, e o tribunal proferir uma decisão a favor do autor ou do réu, constitui um erro e a decisão deve ser revertida por este tribunal — não podendo as partes, por mútuo consentimento, abdicar da objeção à competência do Tribunal de Círculo.
> Um negro livre da raça africana, cujos antepassados foram trazidos para este país e vendidos como escravos, não é um "cidadão" no sentido em que o termo é utilizado na Constituição dos Estados Unidos.
> Aquando da adoção da Constituição, eles não eram considerados, em nenhum dos Estados, como membros da comunidade que constituía o Estado e não eram contados entre o seu "povo ou cidadãos". Consequentemente, os direitos e imunidades especiais garantidos aos cidadãos não se lhes aplicam. E, não sendo "cidadãos" no sentido da Constituição, não têm legitimidade para intentar uma ação judicial com essa qualidade num tribunal dos Estados Unidos, pelo que o Tribunal de Círculo não tem competência para julgar tal ação.
> As duas únicas cláusulas da Constituição que apontam para esta raça tratam-na como pessoas com as quais era moralmente lícito comerciar como artigos de propriedade e manter como escravos.
> Desde a adoção da Constituição dos Estados Unidos, nenhum estado pode, por qualquer lei posterior, tornar um estrangeiro ou qualquer outro tipo de pessoas cidadãos dos Estados Unidos, nem conferir-lhes os direitos e privilégios assegurados aos cidadãos por esse instrumento jurídico.
> Um Estado, através de leis aprovadas após a adoção da Constituição, pode colocar um estrangeiro ou qualquer outro tipo de pessoas em pé de igualdade com os seus próprios cidadãos, no que diz respeito a todos os direitos e privilégios por eles usufruídos no seu território e pelas suas leis. Mas isso não o tornará um cidadão dos Estados Unidos, nem lhe dará legitimidade para intentar ações judiciais nos seus tribunais, nem a qualquer um dos privilégios e imunidades de um cidadão noutro Estado.
> A mudança na opinião pública e no sentimento em relação à raça africana, ocorrida desde a adoção da Constituição, não pode alterar a sua interpretação e significado, devendo esta ser interpretada e aplicada hoje de acordo com o seu verdadeiro significado e intenção quando foi redigida e adotada.
> Tendo o autor admitido, pela sua impugnação jurídica à contestação dilatória, que os seus antepassados foram importados da África e vendidos como escravos, ele não é um cidadão do Estado do Missouri de acordo com a Constituição dos Estados Unidos e não tinha legitimidade para intentar uma ação judicial com essa qualidade no Tribunal de Círculo.
> Sendo este o caso, a decisão do tribunal de primeira instância, favorável ao autor no que respeita à contestação dilatória, foi errónea.
> (National Archives, (Arquivos Nacionais) pág. 1)

### A Controvérsia

O [Compromisso de 1850](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24595/compromisso-de-1850/) incluiu a Lei do Escravo Fugitivo de 1850, que obrigava funcionários públicos, forças de segurança e cidadãos comuns em estados livres a denunciar aqueles que procuravam a liberdade, bem como a ajudar os caçadores de escravos na sua detenção e subsequente devolução à escravatura. A Lei do Escravo Fugitivo de 1850 era extremamente impopular no Norte, visto que as pessoas que podiam nunca ter pensado na questão da escravatura, bem como aquelas que se opunham ativamente à mesma, eram agora ameaçadas com penas de prisão e multas em caso de incumprimento.

Embora Taney e os outros sete dos nove juízes do Supremo Tribunal acreditassem estar a resolver o "problema da escravatura" de uma vez por todas, a sua decisão foi ainda mais impopular do que a Lei do Escravo Fugitivo de 1850, uma vez que conferia maior poder aos estados esclavagistas. Delbanco escreve:

> O juiz presidente negou ainda, não apenas ao Congresso mas também a qualquer governo territorial, o poder de excluir a escravatura, sob o argumento de que tal exclusão violaria o direito do proprietário de escravos ao devido processo legal ao abrigo da Quinta Emenda. Independentemente da sua força como precedente jurídico, a opinião de Taney teve um efeito incendiário numa nação que era um autêntico barril de pólvora. Ao dar razão aos sulistas, levou os nortistas antiesclavagistas a novos picos de indignação perante o que parecia ser a apropriação total do governo federal pelo Poder Esclavagista. Alinhou o Supremo Tribunal com o Congresso ao repudiar, na prática, o Compromisso do Missouri como um excesso do poder do Congresso, e foi ainda mais longe ao proibir a proibição da escravatura por qualquer assembleia legislativa territorial, fosse ela eleita por voto popular ou não.
> (pág. 332)

Abolicionistas incluindo William Lloyd Garrison (1805-1879), [William Still](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24419/william-still/) (1819-1902), Frederick Douglass (1818-1895), Passmore Williamson (1822-1895), [Harriet Tubman](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19635/harriet-tubman/) (cerca de 1822-1913) e John Brown (1800-1859) repudiaram o acórdão, tal como o fez o recém-formado Partido Republicano e o proeminente político republicano Abraham Lincoln (1809-1865).

A decisão de 1856, proferida a 6 de março de 1857, nada fez para resolver a questão da escravatura, servindo apenas para aumentar as tensões entre estados livres e esclavagistas. A Decisão Dred Scott estimulou uma maior resistência à escravatura no Norte e incentivou John Brown na sua militância, levando ao seu ataque a Harpers Ferry em 1859 e agravando continuamente as tensões nos Estados Unidos nos anos que antecederam a Guerra Civil Americana.

Aqui tens a tradução integral da conclusão para português de Portugal, fechando o texto com o mesmo tom formal, historiográfico e rigoroso adotado em todas as secções anteriores:

### Conclusão

Embora Irene Emerson se tivesse recusado a libertar os Scott em 1846, após ter-se casado com o abolicionista Calvin C. Chaffee em 1850, parece ter mudado de ideias. A essa altura, já era demasiado tarde para ela fazer algo em relação ao caso, pois este passara a ser um problema do seu irmão. John F. A. Sanford desenvolveu uma doença mental perto do fim do caso, vindo a falecer num manicómio em maio de 1857.

Nesse mesmo ano, Irene e Calvin Chaffee transferiram o título de propriedade da família Scott para Henry Taylor Blow, cuja família tinha apoiado financeiramente os Scott, e Blow interpôs os documentos legais de alforria no mesmo mês em que Sanford faleceu. Dred e Harriet Scott, juntamente com as suas duas filhas, ficaram finalmente livres através das ações de uma mulher que os poderia ter libertado em 1846.

Dred Scott trabalhou como paquete num hotel de St. Louis e Harriet como lavadeira. Viveram como um casal livre no Missouri durante mais de um ano, até que Dred faleceu de tuberculose a 7 de novembro de 1858. Harriet viveu até 17 de junho de 1876, testemunhando a Guerra Civil Americana e a aprovação da Décima Terceira Emenda, que aboliu a escravatura, e da Décima Quarta Emenda, que concedeu a cidadania a qualquer pessoa nascida nos Estados Unidos — ambas revogando a Decisão Dred Scott e relegando-a ao seu infame estatuto de pior decisão do Supremo Tribunal na história dos Estados Unidos.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Blight, D. W. *Frederick Douglass: Prophet of Freedom.* Simon & Schuster, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/1416590315/)
- [Delbanco, A. *The War Before the War: Fugitive Slaves and the Struggle for America's Soul from the Revolution to the Civil War.* Penguin Books, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0735224137/)
- [Dred Scott v. Sandford (1857) | National Archives](https://www.archives.gov/milestone-documents/dred-scott-v-sandford "Dred Scott v. Sandford (1857) | National Archives"), accessed 10 Jun 2025.
- [Larson, K. C. *Bound for the Promised Land: Harriet Tubman, Portrait of an American Hero.* Random House Publishing Group, 2004.](https://www.worldhistory.org/books/0345456289/)
- [McPherson, J. M. *Battle Cry of Freedom.* Oxford University Press, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/019516895X/)
- [Oates, S. B. *To Purge This Land with Blood: A Biography of John Brown.* Echo Point Publishing, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1648370896/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **1846 CE**: The slave Dred Scott tries to buy his freedom from Irene Emerson and, when refused, files a court case against her.
- **1846 CE - 1857 CE**: The Dred Scott case drags on for eleven years until it is finally decided against him and in favor of national slavery.
- **1857 CE**: [Dred Scott Decision](https://www.worldhistory.org/Dred_Scott_Decision/) by the US Supreme Court rules that Blacks are not and can never be United States citizens.
- **1857 CE**: Dred Scott is freed by his former enslaver and lives with his wife and children as a free man for over a year.
- **1858 CE**: Dred Scott dies from tuberculosis.

## Perguntas & Respostas

### O que foi a decisão no caso Dred Scott?
A decisão no caso Dred Scott foi um acórdão proferido pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos em 1857, que determinou que os afro-americanos não eram cidadãos dos Estados Unidos e que nunca poderiam sê-lo, com base nos preceitos da Constituição dos EUA. 

### Qual é o termo jurídico para a decisão do caso Dred Scott?
A decisão do caso Dred Scott é referenciada juridicamente como "Dred Scott v. Sandford, 60 U.S. (19 How.) 393" (1857). O réu era John F. A. Sanford, mas, devido a um erro administrativo, o processo foi registado como «Dred Scott v. Sandford» e nunca foi corrigido.  

### Em que consistia a decisão do caso Dred Scott?
A decisão do caso Dred Scott dizia respeito a um escravo, Dred Scott, que processou a viúva do seu proprietário para obter a liberdade. Embora houvesse precedentes para tal ação judicial, este caso assumiu um significado político mais importante devido ao período (1846-1857) em que foi julgado, altura em que a questão da escravatura estava a dividir ainda mais os EUA nos anos que antecederam a Guerra Civil Americana.

### O que aconteceu a Dred Scott?
Depois de a decisão do caso Dred Scott ter determinado que ele continuava a ser escravo, após 11 anos de litígio, Dred Scott foi libertado pela viúva do seu antigo senhor e viveu mais de um ano como homem livre antes de morrer de tuberculose em 1858. 


## Links Externos

- [Judicial review and the infamous Dred Scott case - Sutherland Institute](https://sutherlandinstitute.org/judicial-review-and-the-infamous-dred-scott-case/?gad_source=1&gad_campaignid=22580162376&gbraid=0AAAAADfu1j6fYYtdKTPBCj2Ta5T_iA-Yg&gclid=Cj0KCQjwjJrCBhCXARIsAI5x66UcD2ieQqn0BazDj-9IuZ2-pmnn8e86YjShMsLreILyd2XCo3jd690aAmYuEALw_wcB)
- [Africans in America: PBS: Dred Scott case](https://www.pbs.org/wgbh/aia/part4/4h2933.html)
- [Equal Justice Initiative: Dred Scott](https://eji.org/news/dred-scott/)
- [The Dred Scott Case - Gateway Arch National Park (U.S. National Park Service)](https://www.nps.gov/jeff/planyourvisit/dredscott.htm)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, July 03). Decisão Dred Scott: A pior decisão do Supremo Tribunal na história dos EUA. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24601/decisao-dred-scott/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Decisão Dred Scott: A pior decisão do Supremo Tribunal na história dos EUA." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 03, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24601/decisao-dred-scott/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Decisão Dred Scott: A pior decisão do Supremo Tribunal na história dos EUA." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 03 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24601/decisao-dred-scott/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 03 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

