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title: Rudolf Hess
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23895/rudolf-hess/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-10
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# Rudolf Hess

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Rudolf Hess (1894-1987) foi o vice-líder do Partido Nazi alemão e uma figura-chave no regime fascista de [Adolf Hitler](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19717/adolf-hitler/) (1889-1945) até à sua bizarra decisão, em 1941, de voar para a Escócia. Hess acreditava que conseguiria convencer a Grã-Bretanha a retirar-se da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o que permitiria à Alemanha concentrar-se no combate contra a URSS.

As propostas diplomáticas de Hess foram descartadas como disparates, tanto pelo governo britânico como por Hitler. Hess tinha agido sem a aprovação de Hitler e foi rejeitado como um lunático. Permaneceu prisioneiro, primeiro na Grã-Bretanha e, depois, após ter sido considerado culpado nos Julgamentos de Nuremberga, na Alemanha. Suicidou-se aos 93 anos, embora a sua fragilidade física tenha gerado alguma especulação sobre como teria conseguido, exatamente, enforcar-se no jardim da prisão de Spandau.

### **A Juventude**

Rudolf Richard Hess nasceu em Alexandria, no Egito, a 26 de abril de 1894. O pai de Rudolf era proprietário de uma próspera empresa de exportação na cidade portuária, mas insistiu para que o filho estudasse na Alemanha a partir dos 14 anos. Rudolf trabalhou depois no negócio do pai até ao início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), altura em que se alistou como voluntário. Hess juntou-se ao mesmo regimento do exército bávaro em que Adolf Hitler serviu, o 1.º Regimento de Infantaria Bávaro. Conquistou a sua patente de tenente, mas, após ter sido ferido por duas vezes e condecorado com a Cruz de Ferro de Segunda Classe, decidiu juntar-se à Força Aérea Alemã, embora a guerra tenha terminado apenas alguns meses mais tarde.

Hess mudou-se para Munique, onde estudou História, Economia e Política na universidade da cidade. Embora nunca tenha concluído a licenciatura, Hess deixou-se cativar pelo influente professor de geopolítica, Karl Haushofer. Na Alemanha do pós-guerra, a política da República de Weimar, como era então designada, era volátil. Hess culpava o regime socialista pelos males económicos da Alemanha e procurava uma mudança radical na política alemã. Hess "tornou-se membro do *Freikorps Epp* e participou na libertação de Munique dos revolucionários comunistas na primavera de 1919" (Gellately, pág. 62). Hess juntou-se então ao partido fascista Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP *Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterparte*i ou, abreviadamente, Partido Nazi), que tinha sido fundado em 1920 como o Partido dos Trabalhadores Alemães e filiou-se no verão de 1920.

[ ![Hitler & Hess, 1924](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19846.png?v=1736179694-1736179778) Hitler & Hess, 1924 Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/19846/hitler--hess-1924/ "Hitler & Hess, 1924")### **O Secretário de Hitler**

A partir de 1921, Hitler foi o líder do Partido Nazi ultranacionalista. Hess tornou-se o braço direito de Hitler e esteve diretamente envolvido no *Putsch* da Cervejaria (também conhecido como o *Putsch* de Munique) em novembro de 1923. Esta tentativa amadora de tomar o poder pela força foi facilmente esmagada pelas autoridades e os principais líderes nazis, incluindo Hess, foram detidos, julgados e considerados culpados de traição. Hess foi condenado a uma pena de prisão de 18 meses. Ele e Hitler ficaram detidos na Prisão de Landsberg, onde partilharam a mesma cela. Hitler aproveitou o tempo para escrever um livro, *Mein Kampf* (*A Minha Luta* - 1.ª Ed.ª portuguesa de 1934/*Minha Luta* - 1.ª Ed.ª no Brasil de 1934), que apresentava as suas ideias sobre a arte de governar e como mudaria a Alemanha se fosse o seu líder. Atribui-se a Hess a revisão do texto de Hitler e a inclusão da ideia de *Lebensraum* na visão de Hitler de um Terceiro Reich todo-poderoso. *Lebensraum*, que significa "espaço vital" para o povo alemão, não era um conceito novo, mas na Alemanha do pós-guerra, em tempos difíceis de hiperinflação e desemprego elevado, a ideia de novas terras e novos recursos para impulsionar a economia alemã apelou a muitos eleitores.

O Partido Nazi foi brevemente banido, mas recuperou de forma constante do desastre do *Putsch*, ganhando popularidade ao longo das décadas de 1920 e início de 1930, até Hitler ser convidado para se tornar chanceler em 1932. De 1925 a 1932, Hess serviu como secretário particular de Hitler, um cargo de grande relevância, uma vez que lhe permitia intercetar toda a correspondência e filtrar exatamente quem se reunia com Hitler. Hess esteve diretamente envolvido em todas as políticas nazis, incluindo as de cariz racial, como a perseguição ao povo judeu; algo que se institucionalizou com a aprovação das Leis de Nuremberga de 1935. Hess também organizava as intervenções públicas de Hitler e ele próprio proferia discursos em substituição do Führer em muitas ocasiões importantes.

Apesar do seu longo historial pessoal tanto com Hitler como com o Partido Nazi, no início da década de 1930, Hess enfrentou uma concorrência crescente nos escalões superiores do movimento nacional-socialista. Hess foi nomeado chefe do Comité Político Central do Partido Nazi em dezembro de 1932, onde a sua missão era aumentar a centralização do partido. Hess foi também nomeado general do grupo paramilitar nazi, a SS (*Schutzstaffel*). Depois, em abril de 1933, Hess foi inclusivamente nomeado adjunto do Führer. Em dezembro de 1935, foi-lhe conferido o poder de aprovar todas as nomeações oficiais nazis. Contudo, algo mudou entre o líder nazi e o mais sicofanta dos seus adjuntos. Hitler reconhecia a devoção absoluta de Hess à causa, mas também tinha percebido que o seu adjunto não era particularmente adequado, nem física nem mentalmente, para os desafios que se avizinhavam enquanto os nazis se esforçavam por dominar a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/). A lealdade inabalável de Hess tinha servido os propósitos de Hitler durante a sua ascensão ao poder, mas, à medida que a década de 1930 avançava para a sua fase final e a guerra surgia no horizonte, Hess viu-se cada vez mais à margem do poder real. Como observa o historiador J. Dülffer, Hess "nunca alcançou uma importância proporcional ao seu título" (pág. 95).

[ ![The Rise of Nazi Germany, 1919 - 1939](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19526.png?v=1772729531-1728281846) A Ascensão da Alemanha Nazi, 1919-1939 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/19526/the-rise-of-nazi-germany-1919---1939/ "The Rise of Nazi Germany, 1919 - 1939")Hess tinha sido eleito para o *Reichstag* (o parlamento alemão) e foi nomeado Ministro de Estado ou *Reichsminister*, mas Hitler afastou o parlamento de forma eficaz e completa ao aprovar a Lei de Concessão de Plenos Poderes de 1933. Hess conseguiu criar um certo nicho para si próprio nos assuntos externos, destacando-se ao orquestrar grupos de nazis na Áustria para criar problemas ao governo, em preparação para o *Anschluß* (anexação) com a Alemanha em 1938. Um ano depois, Hitler nomeou Hess como o seu sucessor oficial, logo a seguir a Hermann Göring (1893-1946). Quando a Segunda Guerra Mundial rebentou, em setembro de 1939, Hess continuou a focar-se na política externa, acreditando que conseguiria estabelecer contacto com o governo britânico através de intermediários e alcançar um grande trunfo diplomático.

### **O Carácter** 

Hess era famosamente leal a Hitler, mas o seu caráter retraído valeu-lhe poucos amigos verdadeiros no movimento nazi. Também parecia intelectualmente à deriva ou, como o historiador W. L. Shirer afirmou de forma mais contundente, era "um homem confuso" (pág. 835) e "nunca tinha escapado da adolescência mental" (pág. 837). Os interesses de Hess são descritos pelo arquiteto-chefe e Ministro do Armamento de Hitler, Albert Speer (1905-1981), nos seguintes termos: "Hess ocupava-se com problemas de medicina homeopática, adorava música de câmara e tinha conhecidos excêntricos mas interessantes" (Speer, pág. 83). As muitas excentricidades de Hess variavam desde uma crença firme na astrologia até à necessidade de passar uma vara de radiestesia sob a cama todas as noites antes de se deitar. Hess tinha um estado de saúde frágil e, durante a maior parte da sua vida, seguiu uma dieta vegetariana com refeições preparadas de forma especial, um hábito que afastava Hitler e levava a que Hess não fosse convidado para os jantares nazis com o Führer. A sua saúde mental era também uma preocupação constante. Speer observa que Hess era "demasiado sensível, demasiado recetivo \[e\] demasiado instável" (Speer, pág. 252). Fosse excêntrico ou assumidamente estranho, o historial de comportamento errático de Hess não preparou Hitler, nem ninguém, para um dos acontecimentos mais bizarros da Segunda Guerra Mundial.

### **O Voo para a Escócia**

Hess voou para a Escócia a 10 de maio de 1941, numa tentativa de negociar uma reviravolta completa na política externa da Grã-Bretanha e da Alemanha. Hess pretendia a paz entre os dois países. Pensava, ingenuamente, que o governo britânico iria simplesmente perdoar e esquecer o que se tinha passado até então na Segunda Guerra Mundial, tais como a evacuação de Dunquerque, a Batalha de Inglaterra, o [Blitz de Londres](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22978/blitz-de-londres/) e a Campanha do Norte de África. Os planos de Hitler para atacar a URSS na [Operação Barbarossa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24188/operacao-barbarossa/) significavam que a Alemanha poderia perfeitamente ver-se a lutar em duas frentes se as potências aliadas ocidentais acabassem por desembarcar tropas no Continente. No entanto, deconhece-se se Hess tinha total conhecimento do calendário da Barbarossa, cujo início estava previsto para um mês após o seu voo para a Escócia. No entanto, parte do plano de Hess para tornar as suas propostas de paz ainda mais atraentes para a Grã-Bretanha consistia em enfatizar que, se fosse permitido à Alemanha concentrar-se na sua batalha contra a URSS, então o comunismo, o inimigo comum, seria derrotado.

Sentindo-se afastado do centro do poder nazi, Hess poderá ter tido uma motivação muito mais pessoal que explique o seu literal voo de fantasia: "...é possível que tivesse um desejo desesperado de se restabelecer aos olhos de Hitler" (Dear, pág. 415). Esta visão foi subscrita por Speer, que escreveu nas suas memórias: "Hess estava provavelmente a tentar, após tantos anos de ter sido mantido em segundo plano, conquistar prestígio e algum sucesso" (Speer, pág. 252). O próprio Hitler disse a Speer que os seus encontros com Hess eram cansativos e que "ele vem sempre ter comigo com assuntos desagradáveis e não desiste" (*Idem*).

[ ![Adolf Hitler in Paris](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/18902.png?v=1714052906-1714052968) Adolf Hitler em Paris NARA (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/18902/adolf-hitler-in-paris/ "Adolf Hitler in Paris")Hess voou de Augsburgo, na Baviera, para a Escócia num Messerschmitt 110 de dois lugares; aterrou de paraquedas. Hess tinha escolhido o local de aterragem cuidadosamente, por ser perto da residência do antigo Duque de Hamilton, agora Lord Stewart, um homem que nutria certas simpatias pela Alemanha e que estava, talvez, em posição de organizar um encontro entre Hess e o Rei Jorge VI (reinou 1936-52). O paraquedista nazi aterrou em segurança e pediu a um agricultor que o levasse até Lord Stewart. Hess recusou-se a revelar a sua identidade até ter falado pessoalmente com Lord Stewart. Quando finalmente se encontrou com ele, Hess revelou quem era e explicou o seu propósito, afirmando que estava "numa missão de humanidade e que o Führer não queria derrotar a Inglaterra e desejava parar os combates" (Shirer, pág. 835). Hess enfatizou que, em qualquer caso, a Alemanha venceria certamente a guerra. A atitude de Hess era, em grande medida, a de que ele (um nazi tão distinto) estava a conceder à Grã-Bretanha um grande favor ao aparecer do nada para oferecer o ramo de oliveira da paz.

Seguiram-se mais entrevistas oficiais, supervisionadas pelo diplomata Ivone Kirkpatrick, antigo primeiro-secretário da Embaixada Britânica em Berlim. Hess detalhou o seu plano de paz: propunha que a Grã-Bretanha permitisse que a Alemanha fizesse o que entendesse na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/) e, em troca, a Alemanha permitiria que a Grã-Bretanha fizesse o que quisesse nos territórios do seu próprio [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/). Hess insistiu também que as negociações para tal tratado de paz só poderiam ser conduzidas se todo o governo britânico fosse mudado e se o primeiro-ministro, Winston Churchill (1874-1965), não estivesse envolvido. Esta última exigência foi feita por considerar que o atual governo era o inteiramente culpado pela guerra. Hess voava agora sozinho nos domínios da fantasia absoluta.

Não é claro qual era o envolvimento de Hitler no plano antes do voo de Hess. O líder nazi poderá ter tido conhecimento do mesmo, uma vez que um adjunto de Hess afirmou mais tarde ter ouvido Hitler e Hess a conversar sobre o projeto. No entanto, pode ter sido descartado por Hitler como sendo apenas uma ideia louca a ser considerada apenas hipoteticamente. Certamente, quando Hitler descobriu que Hess estava a caminho da Grã-Bretanha, ficou furioso. O Führer estava também seriamente preocupado: "Quem acreditará em mim quando eu disser que Hess não voou para lá em meu nome, que tudo isto não é algum tipo de intriga pelas costas dos meus aliados?" (Speer, pág. 251). Os boletins meteorológicos sugeriam que Hess teria dificuldade em chegar ao seu destino, o que levou Hitler a desejar esperançosamente: "Se ao menos ele se afogasse no Mar do Norte! Então desapareceria sem deixar rasto, e poderíamos elaborar uma explicação inofensiva com calma" (*Idem*).

[ ![Defendants, Nuremberg Trials](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19857.png?v=1771348148-1736353423) Réus, Julgamentos de Nuremberg US Army (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19857/defendants-nuremberg-trials/ "Defendants, Nuremberg Trials")Hess deixara uma carta a Hitler na qual reconhecia as escassas perspetivas de sucesso e afirmava que Hitler se deveria distanciar completamente do plano, alegando que Hess estava louco, caso tudo resultasse em nada. Foi exatamente isso que Hitler fez, emitindo um comunicado ao povo alemão através da rádio, afirmando que Hess estava demente e que agira inteiramente por sua própria iniciativa. A declaração talvez não estivesse longe da verdade, pois até os oficiais que tiveram contacto direto com Hess na Grã-Bretanha acharam que ele apresentava sintomas de grande instabilidade. Hitler descreveu Hess como um traidor e insistiu que seria executado se alguma vez regressasse à Alemanha. Hess raramente voltou a ser mencionado nos círculos do partido.

Da mesma forma, Churchill não quis nada com Hess nem com o seu plano de paz. Nunca foi concedida a Hess uma audiência com qualquer membro do governo britânico ou da monarquia. O público britânico, embora tenha sido informado da aterragem de Hess na Grã-Bretanha, não foi informado sobre os seus objetivos de negociação. O caso foi, pelo menos, um trunfo de propaganda, que indicava que os nazis não eram tão unidos como parecia do exterior. Na Alemanha, o cargo de Hess foi assumido pelo seu adjunto Martin Bormann (1900-1945), um estratega dotado que já vinha a usurpar muitas das funções de Hess dentro do partido. À mulher de Hess, Ilse (nascida Pröhl) que fora abandonada pelo marido e se tornara praticamente uma pária, apesar da sua própria dedicação ao nazismo, foi secretamente atribuída uma pequena pensão por Eva Braun (1912-1945), a amante de Hitler.

Hess, entretanto, foi tratado como prisioneiro de Estado num hospital militar em Buchanan Castle, na Escócia. O nazi renegado foi submetido a testes psiquiátricos, e a sua instabilidade mental foi ainda mais evidenciada por duas tentativas de suicídio frustradas. Em última análise, Hess foi "diagnosticado como psicopata... \[mas\] ninguém considerou Hess clinicamente louco" (Dear, pág. 415). Foi transferido por uma sucessão de locais de detenção: primeiro para a [Torre de Londres](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17036/torre-de-londres/), depois para Mytchett Place, perto de Aldershot, em Hampshire, e, por fim, para Maindiff Court, em Abergavenny, no País de Gales.

[ ![Rudolf Hess in Prison](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19847.png?v=1736180025-1736180105) Rudolf Hess na Prisão Library of Congress (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19847/rudolf-hess-in-prison/ "Rudolf Hess in Prison")### **Os Julgamentos de Nuremberga e a Morte**

Como Hess tinha sido, em tempos, o terceiro nazi mais poderoso, esteve entre as figuras seniores sobreviventes do regime nazi levadas à justiça nos Julgamentos de Nuremberga, que começaram em novembro de 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Göring também foi julgado em Nuremberga, mas solicitou não se sentar no banco dos réus ao lado de Hess, que estava constantemente irrequieto e exibia comportamentos bizarros, como contar repetidamente pelos dedos e, ocasionalmente, desatar a rir. O pedido de Göring foi recusado. Durante o julgamento, Hess afirmou inicialmente que sofria de amnésia total e que não se lembrava de nada do seu passado, mas depois mudou de atitude e admitiu que estava a fingir o esquecimento.

Hess foi considerado culpado de conspiração e de crimes contra a paz, mas inocente de crimes de guerra ou de crimes contra a humanidade. Ao contrário da maioria dos réus, Hess escapou à sentença de morte, provavelmente devido à consideração pela sua fragilidade mental. Em vez disso, Hess foi condenado a uma pena de prisão perpétua.

Hess, tal como outros altos dirigentes nazis como Speer, foi enviado para a Prisão de Spandau, em Berlim. Foi em Spandau que Hess confessou a Speer o motivo do seu extraordinário voo para a Grã-Bretanha em 1941 e a sua convicção de que tinha tido razão ao tentar negociar a paz. Speer escreveu:

> Hess garantiu-me, com toda a seriedade, que a ideia lhe fora inspirada num sonho por forças sobrenaturais. Disse que não tinha, de todo, a intenção de se opor ou de embaraçar Hitler. "Nós garantiremos à Inglaterra o seu império; em troca, ela dar-nos-á carta branca na Europa"... "Ele \[Hitler\] ter-se-ia reconciliado comigo. Tenho a certeza disso. E não acredita que em 1945, quando tudo se estava a desmoronar, ele tenha pensado algumas vezes: 'Afinal, Hess tinha razão'?"
> (Speer, págs. 252-3)

Enquanto todos os outros nazis em Spandau acabaram por ser libertados, a URSS, talvez pela convicção de que ele pretendia envolver a Grã-Bretanha num ataque ao território soviético durante a Segunda Guerra Mundial, recusou-se a autorizar a libertação de Hess. Hess permaneceu como o único prisioneiro em Spandau de 1966 até à sua morte, a 17 de agosto de 1987. Os registos oficiais indicaram que Hess se suicidara, enforcando-se com um pedaço de fio elétrico. Este último ato de desafio foi cometido num anexo no jardim da prisão. Dada a fragilidade de Hess — que tinha então 93 anos —, espalharam-se rumores de que ele não se poderia ter enforcado sem ajuda. Houve até rumores de que teria sido assassinado. Após a morte de Hess, a Prisão de Spandau foi demolida. Hess foi enterrado em Wunsiedel, na Baviera, mas quando a sepultura se tornou um ponto de encontro para grupos pró-nazis, os seus restos mortais foram exumados, cremados e as cinzas dispersas em segredo.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Boatner, Mark. *The Biographical Dictionary of World War II.* Presidio Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0891415483/)
- [Dear, I. C. B. & Foot, M. R. D. *Oxford Companion to World War II.* Oxford University Press, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0192806661/)
- [Dülffer, J. *Nazi Germany, 1933-1945 - Faith & Annihilation by Dülffer, Jost \[Paperback \].* Blomsbury USA, Paperback(2009), 2009.](https://www.worldhistory.org/books/B008AU5CFA/)
- [Gellately, Robert. *Hitler's True Believers.* Oxford University Press, 2022.](https://www.worldhistory.org/books/0197626149/)
- [Hite, John et al. *Weimar & Nazi Germany.* Hodder Education Publishers, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/0719573432/)
- [McDonough, Frank. *Hitler and the Rise of the Nazi Party.* Routledge, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/140826921X/)
- Range, Peter Ross. *The Unfathomable Rise.*
- [Shirer, William L. & Rosenbaum, Ron. *The Rise and Fall of the Third Reich.* Simon & Schuster, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/1451651686/)
- [Speer, Albert. *Inside the Third Reich.* Simon & Schuster, 1997.](https://www.worldhistory.org/books/0684829495/)
- [Stone, Norman. *Hitler.* Hodder & Stoughton, 1982.](https://www.worldhistory.org/books/0340275383/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **1894 CE - 1987 CE**: Life of the top Nazi [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/).
- **26 Apr 1894 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) is born in [Alexandria](https://www.worldhistory.org/alexandria/), [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **1919 CE**: Rudolph Hess joins the Freikorps Epp.
- **1920 CE**: Rudolph Hess joins the German Nazi Party.
- **1923 CE - 1924 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) serves a prison term for his role in the [Beer Hall Putsch](https://www.worldhistory.org/Beer_Hall_Putsch/).
- **1925 CE - 1932 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) serves as [Adolf Hitler](https://www.worldhistory.org/Adolf_Hitler/)’s private secretary.
- **Dec 1932 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) is appointed the head of the Nazi Party’s Central Political Committee.
- **Apr 1933 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) is made the deputy Führer in Germany.
- **1939 CE**: [Adolf Hitler](https://www.worldhistory.org/Adolf_Hitler/) appoints [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) his official successor after Hermann Göring.
- **10 May 1941 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) flies to [Scotland](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Scotland/) to try and make peace with [Britain](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Britain/).
- **1946 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) is found guilty at the [Nuremberg Trials](https://www.worldhistory.org/Nuremberg_Trials/) and sentenced to life imprisonment.
- **17 Aug 1987 CE**: [Rudolf Hess](https://www.worldhistory.org/Rudolf_Hess/) hangs himself in Spandau Prison.

## Perguntas & Respostas

### Porque é que Rudolf Hess era famoso?
Rudolf Hess foi famoso por ter sido o adjunto de Adolf Hitler e, posteriormente, por ter voado para a Escócia para tentar negociar a paz com a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. Mal sucedido na sua missão a solo, Hess esteve preso durante o resto da sua vida.

### O que aconteceu a Rudolf Hess na Escócia?
Em maio de 1941, Rudolf Hess saltou de pára-quedas na Escócia, na esperança de chegar a um acordo de paz com o governo britânico. A sua missão fracassou e ele foi preso. 


## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, May 10). Rudolf Hess. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23895/rudolf-hess/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Rudolf Hess." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 10, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23895/rudolf-hess/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Rudolf Hess." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 10 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23895/rudolf-hess/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 10 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

