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title: Quase-Guerra
author: Harrison W. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22194/quase-guerra/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-19
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# Quase-Guerra

_Escrito por [Harrison W. Mark](https://www.worldhistory.org/user/harrisonwmark/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Quase-Guerra (1798-1800), ou "Meia-Guerra", foi um conflito naval limitado e não declarado, travado entre os Estados Unidos e a Primeira República Francesa. As hostilidades surgiram quando os corsários franceses começaram a atacar a marinha mercante neutra americana, resultando em várias escaramuças navais menores antes de o conflito ser desagravado em setembro de 1800. A guerra levou ao fortalecimento da Marinha dos EUA.

Em 1793, os Estados Unidos afirmaram a sua neutralidade nas [Guerras Revolucionárias Francesas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21075/guerras-revolucionarias-francesas/) em curso (1792-1802) e decidiram suspender o reembolso dos empréstimos franceses. No ano seguinte, assinaram [o Tratado de Jay](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23526/o-tratado-de-jay/), que promoveu laços políticos e comerciais mais fortes entre os EUA e a Grã-Bretanha. A França Revolucionária viu estas ações como violações do Tratado de Aliança de 1778, através do qual as duas nações se tinham aliado contra a Grã-Bretanha durante a [Revolução Americana](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19591/revolucao-americana/); em retaliação a esta traição percetível, a França autorizou os corsários a começarem a atacar a marinha mercante americana nas Índias Ocidentais no final de 1796. No espaço de um ano, quase 300 navios mercantes americanos tinham sido capturados.

Em outubro de 1797, o presidente dos EUA, [John Adams](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22396/john-adams/), enviou uma delegação a Paris para negociar um novo tratado e acalmar as tensões. Isto resultou no Caso XYZ, no qual os franceses se recusaram a negociar a menos que os EUA concordassem em pagar um avultado suborno. Indignados, os EUA começaram a preparar-se para a guerra. Foi criado o Departamento da Marinha dos EUA e várias fragatas foram encomendadas e lançadas ao mar, com a tarefa de proteger os navios mercantes americanos e caçar corsários franceses. Isto resultou em vários confrontos navais, destacando-se a captura da fragata francesa *L'Insurgente* pelo *USS Constellation* em fevereiro de 1799. Mantendo a esperança de evitar uma guerra total, o presidente Adams enviou uma segunda delegação a Paris em outubro de 1799. Estes comissários tiveram mais sorte ao lidar com o novo governo francês, sob a liderança de [Napoleão Bonaparte](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21844/napoleao-bonaparte/), o que levou à Convenção de 1800, que pôs fim à guerra e restaurou as relações franco-americanas.

### O Contexto

Em 1778, o Reino de França assinou tratados de aliança e comércio com os recém-nascidos Estados Unidos e entrou na Guerra da Independência Americana (1775-1783). A França estava ansiosa por humilhar e enfraquecer a sua rival, a Grã-Bretanha, e forneceu devidamente aos rebeldes americanos armas, munições, fardamentos, tropas e navios. A intervenção francesa expandiu a guerra para um conflito global, forçando a Grã-Bretanha a desviar os seus recursos militares da América do Norte para defender as suas colónias mais valiosas nas Caraíbas e na Índia. Além disso, os soldados e navios franceses revelaram-se cruciais para a decisiva vitória americana no Cerco de Yorktown. Quando o Tratado de Paris de 1783 pôs fim à guerra e reconheceu a independência dos Estados Unidos, pôde dizer-se que a ajuda francesa tinha sido um fator-chave para a vitória americana. Ambas as nações consideravam que os tratados de aliança de 1778 continuavam em vigor.

[ ![Signing of the Treaties of Alliance between the US and France, 1778](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19486.jpg?v=1727267391-1727340870) Assinatura dos Tratados de Aliança entre os EUA e a França, 1778 Charles Elliott Mills (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19486/signing-of-the-treaties-of-alliance-between-the-us/ "Signing of the Treaties of Alliance between the US and France, 1778")Depois, em 1789, a França viu-se envolvida na sua própria revolução. Após [a Tomada da Bastilha](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20766/a-tomada-da-bastilha/), os revolucionários desgastaram gradualmente a autoridade do *Ancien Régime* (Antigo Regime) até 21 de setembro de 1792, data em que a monarquia foi finalmente derrubada e substituída pela Primeira República Francesa. Inicialmente, a [Revolução Francesa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19568/revolucao-francesa/) contou com um amplo apoio nos Estados Unidos, onde era vista como uma continuação da própria luta dos americanos contra a tirania. Os apoiantes americanos passaram a usar laços tricolores em solidariedade com os seus irmãos de armas franceses, ao mesmo tempo que clubes políticos designados por sociedades democrático-republicanas surgiam por todo o país para elogiar os ideais jacobinos de "liberdade, igualdade e fraternidade". Porém, não demorou muito para que a Revolução Francesa tomasse um rumo radical: o deposto rei Luís XVI de França foi guilhotinado a 21 de janeiro de 1793, pouco antes de o governo jacobino começar a prender e a executar qualquer pessoa suspeita de atividades contrarrevolucionárias. Enquanto se banhava em sangue, a República Francesa tornou-se mais audaz e procurou rapidamente espalhar a sua revolução além-fronteiras; em março de 1793, a França Revolucionária estava em guerra com a maior parte das grandes potências da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/), incluindo a Áustria, a Prússia, a Espanha, a República Batava e a Grã-Bretanha. Isto deu início a uma série de guerras totais que devastariam a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/) durante grande parte do quarto de século seguinte.

À medida que a Revolução Francesa continuava a escalonar na Europa, os revolucionários franceses olhavam para os Estados Unidos em busca de apoio. Consideravam que o Tratado de Aliança de 1778 continuava em vigor, tal como um grande grupo de americanos que ainda apoiava os jacobinos, apesar do derramamento de sangue do Período do Terror. [Thomas Jefferson](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19590/thomas-jefferson/), líder do florescente Partido Democrático-Republicano, ainda se referia à República Francesa como "a nossa irmã mais nova" e desvalorizava a violência, tendo dito outrora que "a árvore da liberdade deve ser regada de tempos a tempos com o sangue de patriotas e tiranos". Jefferson e os seus apoiantes (também conhecidos como democratas jeffersonianos) continuavam a ver a Grã-Bretanha como um inimigo e queriam apoiar a França na sua guerra contra os britânicos. No início de 1793, a própria França procurou angariar apoio nos Estados Unidos. O seu embaixador, Charles-Edmond Genêt — mais conhecido como Cidadão Genêt —, percorreu o país e discursou em sociedades democrático-republicanas, na esperança de reacender o fervor antibritânico entre a população americana. Genêt chegou ao ponto de recrutar corsários americanos para atacar navios britânicos.

Embora alguns americanos apoiassem os franceses, muitos outros não o faziam. O Partido Federalista, de cariz nacionalista, estava horrorizado com o radicalismo caótico dos revolucionários franceses e temia que um derramamento de sangue semelhante pudesse chegar às costas americanas. O presidente [George Washington](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19629/george-washington/) concordava com os federalistas neste ponto e acreditava que os Estados Unidos não conseguiriam suportar outra guerra com a Grã-Bretanha. Por estas razões, Washington procurou afastar a política dos EUA da França. Condenou as ações do Cidadão Genêt como incendiárias, recusou-se a reunir-se com ele e, a 22 de abril de 1793, emitiu uma Proclamação de Neutralidade, na qual prometia manter os Estados Unidos fora das Guerras Revolucionárias Francesas. Por essa mesma altura, o Congresso decidiu suspender o reembolso dos empréstimos franceses contraídos durante a Revolução Americana; o Congresso argumentou que os empréstimos tinham sido concedidos pela monarquia francesa, que já não existia, e não precisavam de ser pagos à república que tinha tomado o seu lugar.

Naturalmente, isto foi visto como um insulto pela República Francesa, mas as tensões viriam a piorar ainda mais no ano seguinte. Além de serem antifranceses, os federalistas americanos eram, no geral, pró-britânicos; acreditavam que a Grã-Bretanha era o aliado natural dos EUA e procuravam laços políticos e comerciais mais fortes entre as duas nações. Este objetivo foi alcançado com o controverso Tratado de Jay, ratificado pelo Congresso em 1795, que resolveu algumas das questões pendentes da Revolução Americana e promoveu o comércio entre os EUA e a Grã-Bretanha. Os franceses ficaram indignados com o Tratado de Jay, que interpretaram como uma aliança anglo-americana e uma traição aos tratados de aliança de 1778. Em retaliação, a França autorizou os corsários a começarem a atacar a marinha mercante neutra americana no final de 1796, proclamando que qualquer navio mercante americano que transportasse carga britânica era uma presa legítima de guerra. No espaço de um ano, quase 300 navios americanos tinham sido capturados e as suas tripulações eram frequentemente sujeitas a maus-tratos.

### A Escalada de Tensões

A 4 de março de 1797, John Adams tomou posse como o segundo presidente dos Estados Unidos. Quase de imediato, deparou-se com o problema da agressão francesa. A 16 de maio, perante uma sessão especial do Congresso, Adams anunciou que os franceses tinham "infligido uma ferida no peito americano", mas que era sua intenção curar a amizade despedaçada entre os EUA e a França (McCullough, pág. 484). No entanto, no mesmo discurso, Adams pediu ao Congresso para reforçar as forças militares dos EUA, que eram quase inexistentes após a desmobilização do Exército Continental e da Marinha Continental no final da Revolução Americana. Ele não queria uma guerra, mas sabia que umas forças armadas americanas mais fortes dariam mais peso à missão diplomática que planeava enviar a Paris.

No início de outubro de 1797, três enviados americanos — John Marshall, Elbridge Gerry e Charles Cotesworth Pinckney — chegaram a Paris, procurando uma audiência com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord. Talleyrand concedeu aos enviados uma breve reunião de 15 minutos, durante a qual os ridicularizou pela beligerância percetível do discurso do presidente Adams. Depois disto, Talleyrand tratou com os enviados apenas através de três intermediários; referidos em despachos codificados como agentes "X", "Y" e "Z", estes intermediários disseram aos americanos que não haveria mais negociações até que os Estados Unidos tivessem pago uma douceur (suborno/recompensa) de 250 000 dólares ao próprio Talleyrand. Além disso, os agentes disseram que a República Francesa exigiria um empréstimo de 10 milhões de dólares como compensação pelos "insultos" do discurso do presidente Adams. Quando os enviados tentaram recusar o pagamento do que era claramente um suborno, os agentes "X", "Y" e "Z" recorreram a ameaças veladas, afirmando que qualquer nação que não ajudasse a França era um inimigo. Em abril de 1798, as conversações tinham fracassado e os enviados americanos já tinham deixado Paris.

[ ![Political Cartoon Depicting the XYZ Affair](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19354.jpg?v=1759932248-1724232256) Sátira política sobre o Caso XYZ S.W. Fores (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19354/political-cartoon-depicting-the-xyz-affair/ "Political Cartoon Depicting the XYZ Affair")A 4 de março de 1798, o presidente Adams recebeu os despachos dos enviados, que o alertavam para o incidente que ficaria conhecido como o Caso XYZ. No dia seguinte, dirigiu-se ao Congresso para anunciar que as negociações tinham falhado e, duas semanas mais tarde, solicitou formalmente que o Congresso começasse a armar navios e a fabricar armas. Os democrático-republicanos ficaram indignados com isto, tendo Jefferson classificado como "insano" o pedido de Adams para um reforço militar. Mas assim que o Caso XYZ se tornou de conhecimento público, em abril, a população americana apoiou esmagadoramente o fortalecimento das forças armadas para a defesa contra a França. "Milhões para a defesa, mas nem um cêntimo para tributo!" tornou-se um grito de guerra popular dos federalistas, à medida que cada vez mais cidadãos clamavam pela guerra. A 18 de junho de 1798, Adams nomeou Benjamin Stoddert como o primeiro secretário da Marinha e, a 7 de julho, o Congresso aprovou o uso da força contra navios franceses encontrados em águas americanas. Nesse mesmo dia, o Congresso declarou também que todos os tratados com a França eram nulos e sem efeito. Adams não pediu ao Congresso uma declaração formal de guerra, como queriam muitos federalistas, mas parecia que uma grande guerra com a França estava mesmo ao virar da esquina.

### O Reforço Militar dos EUA

Corria o ano de 1794 quando o Congresso ordenou a construção de seis grandes fragatas para dissuadir os piratas da Berbéria de atacarem o comércio americano no Mediterrâneo, estabelecendo assim a Marinha dos EUA. Contudo, em 1798, apenas três destas fragatas tinham sido concluídas e lançadas ao mar: entre elas estavam o *USS United States*, o *USS Constellation* e o *USS Constitution* (o *Constitution* continua ainda hoje ao serviço da Marinha dos EUA e permanece como o navio de guerra ativo mais antigo do mundo). O Congresso destinou fundos para a conclusão das restantes três fragatas — *USS Congress*, *USS Chesapeake* e *USS President* —, as quais tinham já sido todas lançadas ao mar por volta de 1800. Juntos, estes navios são recordados como os seis navios de guerra originais da Marinha dos EUA. Além disso, o Congresso integrou na marinha vários "navios de subscrição", que eram navios financiados de forma privada por certas cidades. Entre estes incluíam-se cinco fragatas e quatro corvetas.

À medida que reforçavam a sua marinha, os Estados Unidos decidiram também dar à França uma amostra do seu próprio remédio, contratando corsários. Ao longo da guerra, os EUA autorizaram 365 corsários. A maior parte destes corsários vinha da Nova Inglaterra, um bastião federalista que tinha pouca simpatia pelos franceses. Os corsários americanos foram utilizados para atacar o comércio francês, fustigar e capturar corsários franceses e libertar navios mercantes americanos que tinham sido capturados. Ao confiar o trabalho sujo aos corsários, os Estados Unidos libertaram as suas fragatas mais poderosas para escoltar os navios mercantes americanos até às Índias Ocidentais Britânicas para fins comerciais. A presença de uma fragata dos EUA numa expedição de escolta era, habitualmente, suficiente para dissuadir os corsários franceses de atacarem; com exceção de algumas fragatas francesas como a *L'Insurgente*, a maior parte da Marinha Francesa estava ocupada na costa da Europa ou no Mediterrâneo e não podia ser dispensada para ajudar os corsários. Os navios de guerra americanos foram também enviados para patrulhar as águas em redor das ilhas de Guadalupe e de Saint-Domingue, que eram frequentemente utilizadas como refúgios por corsários franceses.

Entretanto, o Exército dos EUA estava também a ser reforçado. O antigo presidente Washington foi retirado da sua reforma em Mount Vernon para servir como comandante-em-chefe, enquanto [Alexander Hamilton](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22752/alexander-hamilton/) foi nomeado inspetor-geral e serviu, na prática, como o segundo comandante de Washington. Hamilton, um destacado líder federalista, sonhava transformar os Estados Unidos numa potência moderna, de estilo europeu, e viu a escalada da Quase-Guerra como a oportunidade perfeita para o fazer; começou a traçar planos para uma potencial invasão da Florida ou da Luisiana, que estavam nas mãos dos espanhóis (no conflito europeu, a Espanha tinha mudado de lado e aliado se à França, o que gerou o receio de que pudesse vir a juntar-se também às hostilidades contra os EUA). Hamilton trabalhou com o gabinete de Adams para garantir o financiamento do exército e dedicou-se diligentemente ao seu desenvolvimento. Quando Washington morreu, em dezembro de 1799, Hamilton tornou-se o oficial mais graduado do exército, cargo que manteria até 15 de junho de 1800. Os seus planos, contudo, viriam a ser gorados quando um acordo de paz foi finalmente alcançado entre os EUA e a França em setembro de 1800.

### As Principais Ações Navais

O primeiro confronto naval significativo da guerra ocorreu a 7 de julho de 1798, no mesmo dia em que o Congresso aprovou a ação militar contra navios franceses. O *USS Delaware*, um antigo navio mercante que tinha sido recentemente convertido numa corveta de guerra, navegava ao largo da costa de Nova Jérsia quando encontrou um corsário francês, o *La Croyable*. O *Delaware* iniciou a perseguição e acabou por capturar o La Croyable, que optou por arriar a sua bandeira e render-se em vez de enfrentar a corveta, que estava melhor armada. No dia seguinte, a corveta americana subiu o rio Delaware com a sua presa a reboque; o *La Croyable* foi integrado na Marinha dos EUA e rebatizado como *USS Retaliation*. Comandado pelo tenente William Bainbridge, o *Retaliation* foi recapturado pelos franceses a 20 de novembro, antes de ser novamente capturado pelos americanos a 28 de junho de 1799.

[ ![USS Constellation vs. La Vengeance, February 1800](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19485.jpg?v=1727341126-1727341193) USS Constellation vs. La Vengeance, Fevereiro de 1800 Benson Lossing (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19485/uss-constellation-vs-la-vengeance-february-1800/ "USS Constellation vs. La Vengeance, February 1800")A 9 de fevereiro de 1799, a fragata de 36 peças *USS Constellation*, comandada pelo capitão Thomas Truxton, encontrou a fragata da marinha francesa *L'Insurgente* ao largo da costa da ilha de Nevis, nas Caraíbas. O navio francês tentou abordar o *Constellation*, mas Truxton manobrou com sucesso para se afastar e desferiu uma devastadora andanada lateral na proa do *L'Insurgente*. Após mais duas andanadas, o *L'Insurgente* estava demasiado danificado para continuar a lutar e arriou a sua bandeira apenas 74 minutos depois de a ação ter começado. O *L'Insurgente*, considerado uma das fragatas mais rápidas da Marinha Francesa, foi reparado e integrado na Marinha dos EUA. Quase exatamente um ano mais tarde, a 1 de fevereiro de 1800, o *USS Constellation* encontrou outra fragata francesa, a *La Vengeance*, ao largo de São Cristóvão, o que resultou num confronto de cinco horas que só terminou com o cair da noite. Embora o *Constellation* tivesse subjugado a fragata francesa, ficou demasiado danificado para iniciar uma perseguição enquanto a *La Vengeance* se afastava, debilitada, pela noite dentro.

### O Fim da Guerra

Os confrontos navais da Quase-Guerra limitaram-se a ações pequenas, de navio contra navio, mas a ameaça de uma escalada pairou sempre sobre as hostilidades. O presidente Adams ainda esperava evitar uma guerra de grande escala e, em outubro de 1799, anunciou a sua intenção de enviar uma segunda missão diplomática a Paris. Esta decisão enfrentou a oposição de Alexander Hamilton, que argumentou contra qualquer proposta de paz; Hamilton estava confiante de que os britânicos prevaleceriam na sua guerra contra os franceses e queria que os EUA estivessem do lado vencedor. Adams esteve ali sentado durante horas, a ouvir as razões de Hamilton contra a procura da paz, e recordaria mais tarde: "Ouvi-o com perfeito bom humor, embora nunca na minha vida tenha ouvido um homem falar tanto como um tolo" (citado em McCullough, pág. 531). Em última análise, Adams decidiu avançar e enviar a delegação para a França. Isto causaria uma rutura no Partido Federalista, uma vez que Hamilton tinha muitos apoiantes que também acreditavam que a paz era um erro, incluindo membros do próprio gabinete de Adams. A fragmentação do Partido Federalista devido à questão da Quase-Guerra contribuiria para a sua derrota nas eleições seguintes de 1800.

Na altura em que a nova delegação de Adams chegou a Paris, um novo governo reinava na França. A antiga administração, designada por [Diretório](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21337/diretorio/) Francês, tinha sido derrubada pelo general Napoleão Bonaparte no Golpe do 18 de Brumário, um acontecimento amplamente considerado como o marco do fim da Revolução Francesa. Bonaparte, que governava agora como Primeiro [Cônsul](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-375/consul/), estava muito mais ansioso por restaurar as boas relações com os EUA do que os diretores tinham estado; Bonaparte não só queria estabilizar o comércio nas Índias Ocidentais, como também não tinha qualquer interesse em manter uma guerra sem sentido com os EUA quando tinha batalhas mais importantes para travar na Europa. Por conseguinte, Bonaparte abriu as negociações com a delegação americana e as conversações resultaram, por fim, na Convenção de 1800 — também conhecida como o Tratado de Mortefontaine —, que foi assinada a 30 de setembro de 1800.

[ ![Bonaparte, First Consul](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/17440.jpg?v=1730992027-1684392222) Bonaparte, Primeiro Cônsul Jean Auguste Dominique Ingres (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/17440/bonaparte-first-consul/ "Bonaparte, First Consul")A Convenção anulou formalmente os tratados de aliança de 1778 e reabriu o comércio entre os EUA e a França. Contudo, não se chegou a nenhum acordo relativamente à indemnização dos comerciantes americanos, o que levou muitos americanos a verem o tratado com desagrado. Mais importante ainda, a Convenção de 1800 pôs fim às hostilidades entre os EUA e a França no alto mar. A Quase-Guerra tinha terminado — os recém-nascidos Estados Unidos não só tinham provado que conseguiam fazer frente a uma potência europeia, como passavam agora a dispor de uma marinha permanente, a qual viria a ser muito útil uma década mais tarde, quando os EUA entraram em guerra com a Grã-Bretanha na [Guerra de 1812](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23125/guerra-de-1812/).

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Chernow, Ron. *Alexander Hamilton.* Penguin Books, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0143034758/)
- [McCullough, David. *John Adams.* Simon & Schuster, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0743223136/)
- [Quasi War - George Washington's Mount Vernon](https://www.mountvernon.org/library/digitalhistory/digital-encyclopedia/article/quasi-war#:~:text=The%20Quasi%2DWar%2C%20which%20at,moment%20for%20the%20United%20States. "Quasi War - George Washington's Mount Vernon"), accessed 25 Sep 2024.
- [Quasi War, Summary, Facts, Significance, APUSH](https://www.americanhistorycentral.com/entries/quasi-war/ "Quasi War, Summary, Facts, Significance, APUSH"), accessed 25 Sep 2024.
- Stansbury, David B. Lt. Commander. "The Quasi-War with France." *US Naval Institute* , Vol. 6 / No. 3 / September 1992.
- [Wood, Gordon S. *Empire of Liberty.* Oxford University Press, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/0199832463/)

## Sobre o Autor

Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.
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## Histórico

- **Oct 1797 CE - Apr 1798 CE**: The [XYZ Affair](https://www.worldhistory.org/XYZ_Affair/); French diplomats demand bribes from American commissioners as a prerequisite for negotiations, increasing tensions between France and the US.
- **7 Jul 1798 CE - 30 Sep 1800 CE**: The [Quasi-War](https://www.worldhistory.org/Quasi-War/), an undeclared naval conflict, is fought between Revolutionary France and the United States.

## Perguntas & Respostas

### O que foi a Quase-Guerra
A Quase-Guerra, ou Meia-Guerra, foi um conflito naval limitado e não declarado, travado entre os Estados Unidos e a França Revolucionária entre 7 de julho de 1798 e 30 de setembro de 1800.

### O que causou a Quase-Guerra?
A Quase-Guerra foi causada pela suspensão, por parte dos EUA, do reembolso dos empréstimos à França, bem como pela aproximação dos EUA à Grã-Bretanha

### Onde foi travada a Quase-Guerra?
A Quase-Guerra foi travada no mar, principalmente nas águas das Caraíbas.


## Links Externos

- [Quasi War | George Washington's Mount Vernon](https://www.mountvernon.org/library/digitalhistory/digital-encyclopedia/article/quasi-war)
- [Quasi-War: The Politics and Diplomacy of the Undeclared War ...](https://academic.oup.com/jah/article-abstract/54/2/397/749884)
- [Federalists and the Origins of the Quasi-War (Chapter 3)](https://www.cambridge.org/core/books/genesis-of-america/federalists-and-the-origins-of-the-quasiwar/957D60BB4173B9145690D55AA16B8C5C)
- [The Quasi-War with France (1798 - 1801)](https://ussconstitutionmuseum.org/major-events/the-quasi-war-with-france/)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, H. W. (2026, June 19). Quase-Guerra. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22194/quase-guerra/>
### Chicago
Mark, Harrison W.. "Quase-Guerra." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 19, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22194/quase-guerra/>.
### MLA
Mark, Harrison W.. "Quase-Guerra." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 19 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22194/quase-guerra/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 19 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

