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title: Estados Principescos Indianos
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21152/estados-principescos-indianos/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-11
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# Estados Principescos Indianos

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os estados principescos indianos (também designados por Estados Nativos ou Índia Principesca) eram os estados no subcontinente indiano que os britânicos não conquistaram, mas que estavam, tipicamente, vinculados por tratado, primeiro à [Companhia das Índias Orientais](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20958/companhia-das-indias-orientais/) e, posteriormente, à Coroa Britânica. Consequentemente, muitos príncipes indianos receberam o estatuto de "protegidos", mas tal implicava pagamentos regulares de tributos e/ou concessões de território.

Os estados principescos variavam muito em dimensão e, a dada altura, chegaram a totalizar cerca de 700, dependendo da classificação utilizada. Inicialmente, gozando de acordos lucrativos com comerciantes portugueses, franceses e britânicos (entre outros), muitos governantes indianos independentes passaram a manter uma relação ambígua com a Companhia das Índias Orientais (CIO - EIC *East India Company*), que acabou por se tornar dominante. A Companhia das Índias Orientais, e a sua sucessora a partir de 1858, a Coroa Britânica, extraía riqueza em troca de assistência militar e impunha os seus inspetores e política externa aos governantes nativos. Muitos príncipes foram deixados a governar como sempre o tinham feito, pelo que a interferência nos assuntos internos era, frequentemente, mínima. Após 1947, os estados principescos foram integrados na Índia ou no Paquistão independentes, e os seus governantes acabaram por ser reformados com pensões.

### Uma Miríade de Principados

O [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Mogol controlou grande parte da Índia durante séculos, mas entrou em declínio no século XVIII. O vazio de poder deixado pelos mogóis em várias partes da Índia foi preenchido pela Companhia das Índias Orientais — uma companhia comercial armada — ou por potências emergentes, como os maratas na Índia central e os sikhs no norte da Índia. Entre estas potências maiores existiam várias centenas de estados principescos, cuja dimensão variava desde uma grande quinta até uma área equivalente ao tamanho da Grã-Bretanha.

O número preciso de estados principescos num determinado período varia consoante os critérios utilizados por administradores e historiadores para os classificar. Um intervalo abrangente situa-se entre cerca de 550 e cerca de 700, dependendo da época. Ao todo, os estados principescos chegaram a ser habitados por cerca de 180 milhões de pessoas em 1857 (em comparação com 123 milhões na Índia sob controlo britânico). Os britânicos faziam questão de chamar a estes governantes "príncipes" e não "reis", e aos seus territórios "estados principescos" e não "reinos", como lembrete constante de que o monarca britânico era supremo. Para distinguir ainda mais estes últimos, a partir de 1877, o monarca britânico reinante passou a ser designado por Imperador ou Imperatriz da Índia.

[ ![Mapa Império Britânico na Índia, cerca de 1930](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16537-pt.png?v=1782323436-1783796401) Mapa do Império Britânico na Índia, cerca de 1930 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-16537/mapa-imperio-britanico-na-india-cerca-de-1930/ "Mapa Império Britânico na Índia, cerca de 1930")Alguns governantes hereditários nos estados principescos traçavam a sua linhagem tão atrás no tempo que não existiam registos escritos, apenas mitos sobre as suas origens. Outras dinastias governantes estabeleceram-se na Idade Média, e outras ainda eram mais recentes e tinham atuado como vassalos do Império Mogol. A maioria dos governantes era autocrática (embora, muitas vezes, fossem venerados pelo seu povo). A maioria eram homens, mas houve algumas mulheres a governar estes estados; por exemplo, Bhopal, no centro-norte da Índia, teve três governantes femininas (Begums) entre 1844 e 1926, Manipur, no extremo nordeste da Índia, teve rainhas ocasionais, e a família governante de Cochim, na costa sudoeste, herdava o poder através da linhagem matrilinear.

Vários estados mais pequenos podiam estar agrupados sob a suserania de um *raja* (do sânscrito para "rei", "chefe" ou "governante"). Diversas confederações podiam unir-se e ser nominalmente governadas por um marajá (um "grande rei"). Governando, tipicamente, o seu estado através de uma estrutura feudal, os governantes podiam ser imensamente ricos, graças aos recursos naturais do seu estado (que iam desde o sal aos diamantes), ao comércio e ao tributo pago por estados menos poderosos. Vários, como Cochim, possuíam uma longa história de contacto internacional, tal como se reflete na sua arquitetura, composta por sinagogas judaicas, igrejas cristãs, mesquitas, templos e mansões privadas de comerciantes ingleses, holandeses, franceses e portugueses. A maioria dos estados, contudo, permaneceu isolacionista e altamente tradicional na sua visão política e nos seus costumes sociais e religiosos.

Os estados principescos indianos mais importantes incluíam:

- Bahawalpur
- Baroda
- Bastar
- Bhopal
- Bikaner
- Cochim
- Cutch
- Guzarate
- Gwalior
- Hiderabade
- Indore
- Jaipur
- Jaisalmer
- Jamu e Caxemira
- Jodhpur
- Kalat
- Kengtung
- Kharan
- Las Bela
- Manipur
- Mysore
- Oudh
- Patiala
- Rewah
- Siquim
- Travancore
- Udaipur

[ ![Derawar Fort](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16612.png?v=1710899163-1666854397) Forte de Derawar Rohaan Bhatti (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/16612/derawar-fort/ "Derawar Fort")No uso moderno, como muitos dos nomes acima mencionados continuam a ser utilizados hoje para cidades e regiões, são frequentemente seguidos pela palavra "estado" ou precedidos por "Reino de" para denotar uma referência ao estado principesco agora extinto; por exemplo, "Estado de Jaipur" ou "Reino de Mysore". Coletivamente, os estados são por vezes chamados de "Índia Principesca". Além disso, nem todos os estados estavam localizados na área abrangida pelo atual estado moderno da Índia; alguns situavam-se no que é hoje o Paquistão, o Bangladesh e Myanmar, países formados após a retirada britânica da Índia em 1947.

### A Expansão da Companhia das Índias Orientais

A partir de meados do século XVIII, a Companhia das Índias Orientais foi assumindo gradualmente cada vez mais controlo do subcontinente, mas enfrentou a concorrência de outras companhias comerciais europeias. Por vezes, os estados indianos uniam forças com os inimigos da Grã-Bretanha. Um exemplo é Haidar Ali de Mysore, que lutou ao lado dos franceses e dos maratas para tentar aumentar o seu controlo do sul da Índia à custa da Companhia das Índias Orientais. As políticas de Ali foram continuadas pelo seu filho, Tipu Sultan (1750-1799). Por vezes, como no caso da expansão agressiva de Mysore, estas guerras trouxeram aos britânicos novos aliados ansiosos por defender as suas próprias fronteiras, neste caso, Travancore.

Os anos finais do século XVIII assistiram a uma nova orientação política para a Companhia das Índias Orientais: as "Alianças Subsidiárias", em que os estados principescos eram persuadidas ou induzidas a aceitar a proteção britânica, tipicamente sob a forma de conquista direta, batalhas ou cercos, ou através da imposição de guarnições da EIC pagas pelo estado, quer diretamente, quer em troca de território. Embora muitos estados preferissem o status quo anterior, alguns príncipes mostraram-se entusiastas em tornar-se protetorados, uma vez que as tropas da Companhia das Índias Orientais os ajudavam a manter as suas próprias posições de privilégio e a proteger contra invasões e rebeliões internas. O primeiro protetorado sob este sistema foi Hiderabade, em 1798. O Nizam de Hiderabade solicitou tropas da EIC em troca de uma taxa anual. Mysore assinou um tratado com a EIC em 1799. O Governador-Geral Lord Wellesley (em funções de 1798 a 1805) acabaria por assinar cerca de 100 tratados durante os sete anos seguintes. Sempre ávidos por maior riqueza, mais tratados e mais expansão da Companhia das Índias Orientais seguiram-se sob os sucessores de Wellesley, nomeadamente na região em torno de Bombaim (Mumbai), no oeste, no nordeste da Índia e no que é hoje o Nepal (1816) e a Birmânia (1826).

[ ![Lake Palace, Udaipur](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16610.png?v=1666812661-1666812697) Palácio do Lago, Udaipur Benoy Thapa (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/16610/lake-palace-udaipur/ "Lake Palace, Udaipur")Ao longo do século XIX, os britânicos iniciaram um sistema de diplomacia com os estados principescos conhecido como supremacia. Sendo um termo algo vago, a política envolvia a Companhia das Índias Orientais a declarar-se guardiã da paz e a reivindicar o direito de intervir em casos de sucessão disputada. Tipicamente, um estado principesco tinha um Resident (representante diplomático) britânico permanente que representava a Companhia das Índias Orientais, e alguns estados tinham também uma guarnição da EIC dentro das suas fronteiras, como referido anteriormente. Esta diplomacia, contudo, era apoiada por canhões e pela ameaça sempre presente de intervenção militar da Companhia das Índias Orientais. Ocasionalmente, os britânicos intervieram para depor um governante, como aconteceu com Bharmalji, governante de Cutch (também conhecido por Kachchh), em 1819; a razão apresentada foi que este tinha atacado repetidamente estados vizinhos. Bharmalji foi substituído pelo seu filho, ainda menor de idade na altura. Tal intervenção direta era rara, uma vez que os britânicos necessitavam dos príncipes como aliados nas suas guerras noutras partes da Índia. Além disso, muitos governantes permaneciam extremamente populares junto dos seus súbditos, pelo que qualquer mudança de regime ameaçava a estabilidade regional.

A Companhia das Índias Orientais era uma organização absolutamente implacável e procurava adquirir território e riquezas por todos os meios, lícitos ou ilícitos. Uma política de aquisição particularmente impopular foi a "Doutrina da Caducidade" (*Doctrine of Lapse*). Esta política, embora não fosse nova, foi imposta com muito mais entusiasmo pelo Marquês de Dalhousie (1812-1860), Governador-Geral da Companhia das Índias Orientais de 1848 a 1856. Se um governante não tivesse um filho varão sobrevivente, não poderia nomear outro parente ou pessoa como seu herdeiro, e assim a Companhia das Índias Orientais assumia o controlo do estado. Os estados principescos adquiridos desta forma incluíram Satara (1848), Baghat, Jaitpur e Sambalpur (1850), Udaipur (1852), Jhansi (1853), Nagpur (1854) e Karauli (1855). Até as acusações de má governação levaram alguns príncipes a perder o trono, como aconteceu com o Nawab de Awadh, ou uma fatia do seu território, como sucedeu ao Nizam de Hiderabade. O Governador-Geral também perseguiu certos governantes nominais, eliminando os títulos do Nawab de Carnatic, do Maratha de Peshwa e do Raja de Tanjore. Supervisionou ainda a segunda Guerra Anglo-Sikh (1848), que anexou o Punjab, e a Segunda Guerra Birmanesa (1852), que tomou a Baixa Birmânia para a Companhia das Índias Orientais. Apesar das tentativas do Governador-Geral no que ele chamava de "racionalizar" o mapa da Índia, ainda permanecia uma complexidade desconcertante de estados isolados e dependências por todo o subcontinente. A consequência imediata das políticas hiperagressivas de Dalhousie foi um grande receio entre os príncipes sobre o que a Companhia das Índias Orientais poderia fazer a seguir. Este medo colocou em risco a sua lealdade ao sistema de governo britânico.

### O Império Britânico na Índia (Raj Britânico) e os Príncipes

A Companhia das Índias Orientais enfrentou o seu maior desafio em 1857, quando soldados indianos nos seus próprios exércitos se rebelaram contra os seus oficiais britânicos. A Revolta dos Sipaios alastrou-se, tornando-se numa rebelião mais vasta contra o domínio britânico, que envolveu então vários estados principescos. Uma governante notável que pegou em armas contra os britânicos foi a Rainha Rani Lakshmi Bai de Jhansi (1835-1858). Alguns estados principescos apoiaram os britânicos, outros tentaram, na medida do possível, manter a neutralidade. A revolta só foi suprimida quando 40 000 soldados britânicos foram enviados da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/). A Revolta foi a gota de água para a paciência do governo britânico face aos assuntos sórdidos da Companhia das Índias Orientais, cujos territórios na Índia foram assumidos pela Coroa Britânica em 1858, o início do que ficou popularmente conhecido como o Império Britânico da Índia. A [Rainha Vitória](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21483/rainha-vitoria/) (que reinou de 1837 a 1901) foi proclamada Imperatriz da Índia em 1877, e [prometeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/) num discurso aos príncipes indianos que:

> Respeitaremos os direitos, a dignidade e a honra dos príncipes nativos como se fossem nossos, e desejamos que eles... possam desfrutar dessa prosperidade e desse progresso social... assegurados pela paz interna e por uma boa governação.
> (Dalziel, pág. 78)

[ ![Maharaja Holkar of Indore](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/16613.png?v=1666854674-1666854807) Marajá Holkar de Indore Samuel Bourne (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/16613/maharaja-holkar-of-indore/ "Maharaja Holkar of Indore")A Doutrina da Caducidade foi abandonada e os príncipes voltaram a ter permissão para escolher os seus próprios herdeiros, adotivos ou não. Apesar da expansão britânica, os estados principescos indianos independentes ainda representavam cerca de dois quintos do território indiano. Como protetorados ou aliados forçados, à maioria foi permitido conduzir os seus próprios assuntos internos de forma independente, mas a sua política externa era decidida pelos britânicos. Como afirmou o Vice-Rei Lord Curzon, a política oficial britânica consistia em considerar os príncipes "não como relíquias, mas como governantes; não como marionetas, mas como fatores vivos na administração" (James, pág. 333).

Uma hierarquia rígida de estados era escrupulosamente mantida, como exemplificado pelo número de tiros de canhão disparados em salvas oficiais, uma honra muito apreciada pelos governantes, que, por sua vez, davam grande importância ao protocolo e à hierarquia. Um estado como Gwalior recebia a salva completa de 21 tiros, enquanto outros recebiam 17, 11, ou nenhum. Existiam alguns benefícios materiais decorrentes de laços mais estreitos com a Grã-Bretanha, como a construção de caminhos-de-ferro e a expansão das linhas telegráficas. Os príncipes eram fortemente incentivados a melhorar as infraestruturas dos seus estados, tais como saneamento, estradas, escolas e hospitais. Os resultados deste incentivo foram irregulares. Baroda, no noroeste da Índia, foi um exemplo notável de um estado principesco indiano com um nível de educação, administração e rede ferroviária muito acima da média. Mesmo que o racismo institucional e privado fosse comum no Império Britânico da Índia, existiram tentativas daquilo que hoje chamaríamos de "poder brando". O críquete foi utilizado como um meio para aproximar o Oriente do Ocidente e foi tão amplamente adotado que acabou por se tornar o desporto nacional. No sentido inverso, os estados principescos ofereciam à elite britânica um mundo exótico de joias, galas, expedições de caça ao tigre e partidas de polo.

Os britânicos tentaram anglicizar os príncipes, continuando a impor um Resident permanente e incentivando a sua educação, ou a dos seus filhos, através da utilização de tutores britânicos ou até de períodos de estudo em Inglaterra. Foram estabelecidos colégios especiais por toda a Índia para que os futuros governantes e administradores fossem melhor integrados no Império Britânico da Índia. Príncipes proeminentes, como os marajás, foram encorajados a visitar a Grã-Bretanha, onde "eram tratados como celebridades pela alta sociedade em Londres e no continente. Independentemente dos seus meios e estatuto locais, eram universalmente considerados exóticos, poderosos e fabulosamente ricos, fantasias que eles próprios faziam questão de não dissipar" (James, pág. 324).

[ ![Indian Princely States Postage Stamps](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/16618.png?v=1708781943-1666969694) Selos postais dos Estados Principescos da Índia Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/16618/indian-princely-states-postage-stamps/ "Indian Princely States Postage Stamps")Para além da presença colonial mais óbvia de soldados e cobradores de impostos, os britânicos demonstravam o seu poder de formas mais subtis, como a utilização de selos postais da Índia Britânica que exibiam monarcas britânicos, mas sobreimpressos com o nome do estado principesco. Existia outra demonstração ainda mais pública do domínio britânico sobre os príncipes. Os governantes dos estados principescos prestavam homenagem pública à Coroa Britânica em eventos como o durbar, que envolvia procissões militares e elementos extravagantes de exibição, como desfiles de elefantes. O durbar de 1877, para honrar a ascensão da Rainha Vitória a Imperatriz da Índia, contou com a presença de mais de 400 príncipes.

O durbar de Deli, em 1903, viu os príncipes prestarem homenagem ao novo rei, Eduardo VII (que reinou de 1901 a 1910), representado pelo Vice-Rei Lord Curzon. O durbar de 1911 foi ainda mais espetacular, uma vez que o Rei Jorge V (que reinou de 1910 a 1936) esteve presente pessoalmente. Ambos os durbars foram filmados e as bobinas foram mais tarde exibidas nos cinemas na Grã-Bretanha, convencendo o público de que o Império Britânico da Índia era um governo baseado no consentimento e na estima mútua. Isto não era verdade, naturalmente, mas nem todos os príncipes eram ferozmente antibritânicos. O Império Britânico da Índia era, para muitos, um meio de perpetuar o seu próprio governo autocrático.

### A Independência da Índia

Vários estados principescos contribuíram com tropas para o esforço de guerra durante o envolvimento da Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Com o sucesso crescente de partidos políticos antibritânicos, como o Congresso Nacional Indiano e a Liga Muçulmana, alguns governantes foram tentados a tornarem-se também mais ativos politicamente, mas houve pouca colaboração entre os príncipes e o movimento de autonomia. O Congresso Nacional Indiano, apesar de ser antimonárquico (tanto britânico como indiano), tentou encorajar (embora sem intervir diretamente) alguns estados principescos a adotarem estruturas mais democráticas, mas estes esforços tiveram pouco sucesso. O líder reconhecido do movimento da Índia livre era Mahatma Gandhi (1869-1948), que descartava os príncipes como nada mais do que peões nutridos pelos britânicos para o seu próprio jogo impiedoso de império. De facto, alguns príncipes, como o Marajá da Caxemira e o Marajá de Gwalior, proibiram as reuniões do Congresso Nacional nos seus territórios.

[ ![Delhi Durbar 1911](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16609.png?v=1760535126-1666812090) Durbar de Deli de 1911 Unknown Photographer (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/16609/delhi-durbar-1911/ "Delhi Durbar 1911")Em resposta aos tempos de mudança, os britânicos formaram a Câmara dos Príncipes em 1921. A Câmara era composta por 120 príncipes e presidida pelo vice-rei; foi concebida apenas como um órgão consultivo e de aconselhamento, mas, ainda assim, estabeleceu-se uma importante ponte de contacto entre os príncipes e o Império Britânico na Índia. Infelizmente, foi feito pouco uso desta ponte devido a suspeitas mútuas, ausências significativas como Hiderabade e Mysore, e à falta de um propósito claro por parte dos britânicos sobre o que fazer exatamente com estes estados face aos crescentes apelos pela independência da Índia. Muitos dos estados principescos ajudaram novamente os britânicos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), contribuindo com tropas e dinheiro para canhoneiras, aviões e ambulâncias.

Muitos estados principescos mantiveram algum tipo de independência até ao fim do Império Britânico na Índia e à plena independência da Índia em 1947, um processo negociado no qual os príncipes não estiveram diretamente envolvidos. Os 584 estados principescos restantes assinaram um acordo a 15 de agosto de 1947 para ficarem sob a supervisão do novo governo indiano em Nova Deli. Embora alguns estados grandes, como Hiderabade, tivessem considerado tornar-se totalmente independentes, no final, e quer de forma pacífica quer por invasão (real ou sob ameaça), todos os estados foram absorvidos pela nova realidade política que se seguiu à imediata partição do subcontinente em Índia e Paquistão. Alguns estados principescos, nomeadamente na Caxemira, permaneceram como território disputado entre a Índia e o Paquistão. Na década de 1950, os príncipes foram efetivamente reformados e receberam pensões estatais generosas, uma situação que se manteve até ao início da década de 1970. Os estados principescos podem ter desaparecido, mas um dos seus grandes legados são os magníficos palácios reais espalhados pelo subcontinente, testemunho do poder e da riqueza de que os seus proprietários outrora desfrutaram.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Barrow, Ian. *The East India Company, 1600–1858.* Hackett Publishing Company, Inc., 2017.](https://www.worldhistory.org/books/1624665969/)
- [Dalziel, Nigel & Mackenzie, John. *The Penguin Historical Atlas of the British Empire.* Penguin Books, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0141018445/)
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- [Marshall, P. J. *The Cambridge Illustrated History of the British Empire .* Cambridge University Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0521432111/)
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- [Tharoor, Shashi. *Inglorious Empire.* Scribe US, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/1947534300/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **1600 CE - 1874 CE**: The [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/) is active in South Asia and [China](https://www.worldhistory.org/china/).
- **1757 CE**: The [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/) begins to control its own territory in [India](https://www.worldhistory.org/india/).
- **1767 CE - 1799 CE**: The four [Anglo-Mysore Wars](https://www.worldhistory.org/Anglo-Mysore_Wars/) see the [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/) expand its territories in [India](https://www.worldhistory.org/india/).
- **1798 CE**: Hyderabad becomes the first of many [Indian princely states](https://www.worldhistory.org/Indian_Princely_States/) to become a protectorate of the [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/).
- **1845 CE - 1849 CE**: The two Anglo-Sikh Wars further increase the territories of the [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/).
- **1857 CE - 1858 CE**: The [Sepoy Mutiny](https://www.worldhistory.org/Sepoy_Mutiny/) (aka The Uprising or First Indian [War](https://www.worldhistory.org/disambiguation/War/) of Independence) against the [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/).
- **2 Aug 1858 CE**: The British state takes full possession of [East India Company](https://www.worldhistory.org/East_India_Company/) territories in [India](https://www.worldhistory.org/india/).
- **1877 CE**: [Queen Victoria](https://www.worldhistory.org/Queen_Victoria/) is delcared Empress of [India](https://www.worldhistory.org/india/).
- **1903 CE**: Rulers of the [Indian princely states](https://www.worldhistory.org/Indian_Princely_States/) pay homage to King Edward VII at the [Delhi durbar](https://www.worldhistory.org/Delhi_Durbar/).
- **1911 CE**: Rulers of the [Indian princely states](https://www.worldhistory.org/Indian_Princely_States/) pay homage to King George V at the [Delhi durbar](https://www.worldhistory.org/Delhi_Durbar/).
- **1921 CE**: The British Raj forms the Chamber of Princes where rulers of the [Indian princely states](https://www.worldhistory.org/Indian_Princely_States/) are represented.
- **15 Aug 1947 CE**: The [Indian Princely States](https://www.worldhistory.org/Indian_Princely_States/) are formally abosrbed into the states of either [India](https://www.worldhistory.org/india/) or Pakistan.

## Perguntas & Respostas

### Quantos Estados Principescos da Índia havia na Índia?
Os números variam consoante os métodos de classificação e o período, mas o número de estados principescos indianos situava-se entre 550 e 700.

### Quais eram os maiores estados principescos na Índia?
Os maiores estados principescos indianos eram Hyderabad e Mysore.

### Qual é a diferença entre a Índia Britânica e os estados principescos?
A Índia Britânica refere-se às áreas governadas diretamente pela Companhia das Índias Orientais ou pela Coroa Britânica, enquanto os estados principescos eram protetorados onde os seus próprios governantes independentes eram, na prática, vassalos da Coroa Britânica.


## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, July 11). Estados Principescos Indianos. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21152/estados-principescos-indianos/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Estados Principescos Indianos." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 11, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21152/estados-principescos-indianos/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Estados Principescos Indianos." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 11 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21152/estados-principescos-indianos/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 11 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

