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title: Contra-Reforma
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20821/contra-reforma/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-27
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# Contra-Reforma

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Contra-Reforma (também conhecida como Reforma Católica, de 1545 a cerca de 1700) foi a resposta da Igreja Católica à [Reforma Protestante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20181/reforma-protestante/) (1517-1648). É normalmente datada desde o [Concílio de Trento](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20842/concilio-de-trento/), em 1545, até ao fim da Grande Guerra Turca, em 1699, mas, segundo alguns estudiosos, continuou depois disso e mantém-se até aos dias de hoje.

Embora os esforços para reformar os abusos e erros percebidos na Igreja fossem anteriores à Reforma Protestante, nunca foram tão eficazes como os da Contra-Reforma. [A Igreja medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18341/a-igreja-medieval/) foi rápida a esmagar os desafios à sua autoridade, embora alguns membros que trabalhavam no seio da Igreja encorajassem periodicamente a reforma sem sofrerem perseguição. Estes esforços nunca tiveram um impacto significativo em afastar a Igreja do seu envolvimento em assuntos mundanos e reconduzi-la para as questões espirituais.

Quando [Martinho Lutero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/) (1483-1546) iníciou a Reforma em 1517, a Igreja tentou silenciá-lo, tal como tinha feito com reformadores anteriores, mas, devido ao apoio generalizado gerado em grande parte pela imprensa, não conseguiu fazê-lo. Em 1530, o braço direito de Lutero, Filipe Melanchton (1497-1560), tinha redigido a *[Confissão de Augsburgo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20475/confissao-de-augsburgo/),* à qual foi respondida nesse mesmo ano pela confissão católica conhecida como *Confutatio Augustana* e*,* segundo alguns estudiosos, foi então que teve início a Contra-Reforma. A Confutatio Augustana esclareceu* a posição da Igreja sobre vários temas e denunciou a Reforma Protestante como heresia.

Quando se tornou claro que o novo movimento não iria simplesmente desaparecer, o Papa Paulo II (pontificado 1534-1549) convocou o Concílio de Trento (1545-1563) para afirmar as verdades da Igreja e corrigir abusos e erros. Ao longo do período do Concílio de Trento, e posteriormente, as autoridades católicas alteraram a venda de indulgências, melhoraram a educação do clero, estabeleceram novas regras para as ordens monásticas, introduziram doutrinas profundamente significativas relativas ao uso da arte, da música e da arquitetura no culto e trabalharam no sentido de devolver à Igreja a sua anterior centralidade na vida das pessoas. Acima de tudo, procurou elevar-se — e, com isso, os seus fiéis — acima dos ensinamentos e práticas das seitas protestantes.

O foco principal da Contra-Reforma, no entanto, foi o estabelecimento (ou restabelecimento) do conceito de verdade última e objetiva. O argumento católico mais antigo contra o ativismo de Martinho Lutero era que, se qualquer pessoa capaz de ler a [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) pudesse afirmar que conhecia a verdade, então não haveria «verdade», apenas opinião, apenas interpretação. Sem uma autoridade espiritual forte e central para distinguir a verdade da falsidade, cada pessoa ou grupo de pessoas com ideias semelhantes poderia reivindicar a «verdade» exclusivamente para si. Este argumento revelou-se profético, pois foi precisamente isso que aconteceu durante e após a Reforma Protestante e continua a acontecer nos dias de hoje. Os estudiosos que afirmam que a Contra-Reforma continua até hoje citam a posição atual da Igreja sobre várias questões sociais e culturais como prova da afirmação da Contra-Reforma de que a Igreja Católica é a única árbitra da verdade espiritual.

### A Igreja Medieval e a Reforma

A Igreja medieval era entendida como a única autoridade espiritual válida para os cristãos, reivindicando uma missão direta de Jesus Cristo a São Pedro (considerado o primeiro papa), tal como consta em Mateus 16, 18-19. Para cumprir a sua missão divina, foi instituída uma hierarquia com o papa como chefe da Igreja, seguido pelos cardeais (conselheiros e administradores), bispos e arcebispos (que presidiam a regiões ou catedrais específicas), padres (responsáveis por aldeias e paróquias) e ordens monásticas. Embora esta hierarquia tivesse inicialmente como objetivo facilitar a missão da Igreja de salvar almas, acabara por ser corrompida pelo envolvimento na política e pela aquisição de poder.

No século VIII, documentos da Igreja como *A [Doação de Constantino](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18358/doacao-de-constantino/)* afirmavam que a autoridade da Igreja se sobrepunha à de um monarca e, no início do século XIV, foi emitida a *Unam Sanctam*, deixando claro que não havia salvação fora da Igreja e que todos — crentes e não crentes — deviam estar sujeitos ao papa, representante de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) na Terra. O papa emitia os seus decretos em latim, que desciam pela hierarquia e eram transmitidos ao povo; no entanto, a maioria da população europeia não sentia qualquer ligação pessoal com esses decretos, nem com a Bíblia, as orações ou as cerimónias religiosas, porque não compreendia o latim. A desconexão entre a hierarquia da Igreja e as congregações foi agravada por padres, bispos e cardeais — e até mesmo papas — com escassa formação, que estavam mais interessados no seu próprio conforto do que em promover a mensagem cristã.

[ ![Donation of Constantine](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/10975.jpg?v=1776219197) Doação de Constantino Ras67 (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10975/donation-of-constantine/ "Donation of Constantine")Os movimentos que defendiam a reforma tiveram início no século VII, quando os paulicianos encorajaram um regresso à simplicidade da mensagem do Evangelho e do [cristianismo primitivo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1205/cristianismo-primitivo/), tal como descrito no Livro dos Atos. Os paulicianos foram perseguidos pela Igreja e acabaram por ser exterminados no século IX. Outros seguiram-se, também condenados como hereges, incluindo John Wycliffe (cerca de 1330-1384) e Jan Hus (cerca de 1369-1415). Houve, no entanto, outros que trabalharam no seio da hierarquia da Igreja em prol da reforma, tais como o estudioso e sacerdote Lorenzo Valla (cerca de 1407-1457), que provou que *A Doação de Constantino* era uma falsificação e não tinha qualquer autoridade bíblica, ou Desiderius [Erasmo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19249/erasmo/) (1466-1536), o grande teólogo humanista, estudioso e sacerdote.

### Lutero e [Ulrico Zuínglio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20206/ulrico-zuinglio/)

Os esforços de homens como Valla e Erasmo para reorientar a Igreja de volta à sua missão não conseguiram resolver a divisão entre a autoridade eclesiástica e o povo e, além disso, não impediram os abusos de poder por parte do clero nem as políticas oficiais que atribuíam um preço à salvação. Entre estas estava a venda de indulgências — documentos que prometiam reduzir o tempo passado no purgatório após a morte —, o que gerou uma riqueza significativa para a Igreja. Foi a venda de indulgências que motivou as *95 Teses* de Martinho Lutero, em 1517, que deram início à Reforma Protestante na Alemanha, enquanto, na Suíça, Ulrico Zuínglio (1484-1531) iniciou as suas próprias reformas em resposta a abusos semelhantes.

[ ![Johann Tetzel Selling Indulgences](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14949.png?v=1765273640) A Venda de Indulgências por Johann Tetzel Johann Daniel Lebrecht Franz Wagner (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14949/johann-tetzel-selling-indulgences/ "Johann Tetzel Selling Indulgences")Em 1522, o ativismo de Lutero e Zuínglio já tinha inspirado movimentos semelhantes em [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/), França, Países Baixos e Espanha. A Igreja tentara silenciar Lutero e, quando isso falhou, envolveu-se em debates e publicou panfletos para desacreditar os reformadores e manter a sua autoridade. Embora a maioria dos europeus fosse analfabeta nessa altura, as publicações sobre esta nova controvérsia religiosa eram best-sellers que eram lidos em público, o que atraiu um apoio mais alargado à Reforma, pois ligava o povo diretamente à sua fé e, a princípio, parecia prometer uma nova ordem na qual todas as classes sociais seriam iguais ou, pelo menos, a classe mais baixa não teria de suportar o fardo financeiro das outras.

### Augsburgo, Loyola e Trento

A mensagem da Reforma atraía qualquer pessoa que se sentisse privada dos seus direitos pela Igreja e pela hierarquia social, como evidenciado pela [Revolta dos Cavaleiros](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20735/revolta-dos-cavaleiros/) (1522-1523), que procurava estabelecer os «novos ensinamentos» na Alemanha, e pela [Guerra dos Camponeses Alemães](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20518/guerra-dos-camponeses-alemaes/) (1524-1525), uma tentativa de derrubar o status quo. Em 1530, Carlos V, Imperador do Sacro [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/), compreendeu que precisava de resolver estas questões e convocou a Dieta de Augsburgo, na qual os protestantes da Alemanha apresentaram a sua *Confissão de Augsburgo* (redigida principalmente pelo braço direito de Lutero, Filipe Melanchton, 1497–1560) e os católicos responderam com a sua *Confutatio Augustana* ([escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) principalmente pelo antagonista de Lutero, [Johann Eck](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20956/johann-eck/), 1486–1543). Ambos os lados rejeitaram as confissões de fé do outro, e as confissões tornaram-se pontos de mobilização para as visões opostas.

Em 1521, o soldado basco [Inácio de Loyola](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20832/inacio-de-loyola/) (1491-1556) foi ferido na Batalha de Pamplona e, durante a sua convalescença, teve visões que interpretou como um chamamento ao serviço da Igreja. Renunciou à sua vida anterior, dedicou-se ao estudo da teologia e, em 1534, juntamente com outros seis, fez voto de defender a Igreja Católica contra a heresia, difundir a sua mensagem de salvação universal e ajudá-la a reformar as suas fraquezas. Em 1539, Loyola recebeu a aprovação do Papa Paulo III para a fundação da Companhia de Jesus (mais conhecida como os Jesuítas), que organizou de acordo com a hierarquia e a disciplina militares.

[ ![Saint Ignatius of Loyola's Vision of Christ and God the Father at La Storta](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15985.jpg?v=1653984243) A Visão de Cristo e de Deus Pai de São Inácio de Loyola em La Storta Domenichino (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15985/saint-ignatius-of-loyolas-vision-of-christ-and-god/ "Saint Ignatius of Loyola's Vision of Christ and God the Father at La Storta")Os Jesuítas concentraram-se em contrariar as alegações da Reforma e em manter a autoridade absoluta da Igreja Católica. Nos seus *Exercícios Espirituais* (1548), Loyola deixou clara a sua posição, escrevendo:

> Se quisermos avançar em todas as coisas, devemos agarrar-nos firmemente ao seguinte princípio: o que me parece branco, acreditarei que é preto se a Igreja hierárquica assim o definir. Pois devo estar convencido de que, em Cristo, nosso Senhor, o noivo, e na sua esposa, a Igreja, reina um único Espírito, que governa e dirige para a salvação das almas. Pois é pelo mesmo Espírito e Senhor que deu os Dez Mandamentos que a nossa santa mãe Igreja é regida e governada.
> (Ponto 13, Janz, pág. 429)

Ao defender a autoridade única da Igreja para definir a verdade, Loyola apoiou o argumento inicialmente avançado por Johann Eck contra Lutero e [Andreas Karlstadt](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20713/andreas-karlstadt/) (1486-1541) no debate de Leipzig em 1519: se não houvesse uma autoridade espiritual central para definir a «verdade», então qualquer interpretação da «verdade» poderia ser considerada válida, caso em que não haveria verdade, mas apenas opinião. Eck tinha afirmado que apenas a Igreja podia interpretar as Escrituras, porque a Bíblia não era um livro qualquer e os seus ensinamentos eram mais complexos do que pareciam. Era necessário recorrer a teólogos instruídos para interpretar a obra e pregar a sua mensagem aos leigos.

Lutero rejeitou esta afirmação como mais uma tentativa da Igreja de manter o poder e insistiu que bastava a fé individual e as Escrituras para se ser justificado perante Deus. Loyola não só rejeitou a afirmação de Lutero como tomou medidas contra ela, fundando universidades e seminários onde os padres fossem formados na interpretação das Escrituras e no ministério, de acordo com o ensinamento da Igreja de que só se era justificado pela adesão aos preceitos católicos. O Concílio de Trento também rejeitou a afirmação de Lutero, apoiando a de Eck, em várias das suas disposições finais, nomeadamente no Cânone 14:

> Se alguém afirmar que o homem é absolvido dos seus pecados e justificado porque acredita firmemente que está absolvido e justificado, ou que ninguém é verdadeiramente justificado, a não ser aquele que se acredita justificado, e que somente por essa fé se realizam a absolvição e a justificação, seja anátema.
> (Janz, pág. 413)

*Anatema* significava ser condenado ou amaldiçoado e, neste caso, excomungado. O Concílio de Trento foi convocado para reafirmar a doutrina católica, corrigir erros e abusos e condenar os ensinamentos das seitas protestantes. Os delegados protestantes foram convidados a discutir e debater os pontos, mas ficou claro que não teriam voz na votação dos decretos. O concílio rejeitou a afirmação de Lutero de que a pessoa era justificada apenas pela fé e sustentou que a Igreja era a única autoridade tanto na interpretação das Escrituras como nos seus ensinamentos. A venda de indulgências foi reformulada (embora não abolida), tal como tradições como a veneração dos santos e das relíquias, a compreensão da Eucaristia, o uso do latim na celebração da missa e os benefícios da iconografia e da música no culto.

### A Verdade e a Falsidade

As reformas do Concílio de Trento, embora sinceras, visavam também minar as críticas protestantes à Igreja e marcar uma diferença clara entre as visões protestante e católica do [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/). A rejeição das afirmações de Lutero de «somente pela fé» e «somente pelas Escrituras» foi fundamental para estabelecer a afirmação católica como a única autoridade na determinação da verdade espiritual. Em 1545, existiam já muitas seitas protestantes diferentes, cada uma delas afirmando defender o «verdadeiro cristianismo», enquanto a Igreja contra-argumentava que, se todas elas afirmassem estar certas, nenhuma delas poderia estar certa, ao passo que a Igreja — que detinha o mandato original do próprio Jesus Cristo — não poderia, de forma alguma, estar errada.

Os jesuítas e outros clérigos católicos não se limitaram a fazer esta afirmação e a deixá-la como se fosse evidente por si mesma, mas procuraram refutar as alegações protestantes da «fé por si só» e da «Escritura por si só» recorrendo à literatura clássica e, especificamente, à disciplina do ceticismo filosófico, tal como formulada por Sexto Empírico (cerca de 160 a cerca de 210 d.C.) e com base nas visões do filósofo cético Pirro de Elis (cerca de 360 a cerca de 270 a.C.). Pirro defendia que não se podia confiar nos sentidos para formular juízos ou chegar a conclusões e, por isso, o melhor a fazer era abster-se de fazer qualquer uma dessas coisas ou de levar demasiado a sério as conclusões de outras pessoas.

A Igreja baseou-se diretamente na obra de Empírico, que escreveu extensivamente sobre o assunto, para argumentar que as afirmações feitas pelos líderes protestantes estavam erradas, pois não passavam de opiniões. Empírico escreve: «A cada argumento opõe-se um argumento igual» (*Esboços*, XXVII.202), ao esclarecer a afirmação de Pirro de que todo o argumento é simplesmente opinião, não pode ser definido objetivamente como relacionado com a «verdade» e, portanto, não é algo com que se deva preocupar-se ou ficar perturbado. A Igreja partiu, por assim dizer, deste ponto para a questão: «E se houvesse alguém ou algo capaz de resolver um argumento de forma objetiva, de modo a que deixasse de ser uma questão de opinião para se tornar verdade?»

Responderam então a essa questão com a passagem das Escrituras: «Confia no Senhor de todo o teu coração e não te apoies no teu próprio entendimento» (Provérbios 3:5). A Igreja, afirmavam, como representante de Deus na Terra, era digna de confiança para dizer a verdade sobre a natureza do divino, enquanto os protestantes se apoiavam no seu próprio entendimento e tinham rejeitado a verdade em favor da falsidade. Este argumento constitui a base para a afirmação de Loyola de que se deve aceitar que o branco é preto se a Igreja disser que o branco é preto, e foi também a justificação subjacente a outros decretos do Concílio de Trento, tais como a Inquisição e o Índice dos Livros Proibidos. A Igreja tinha permitido que a sua autoridade fosse contestada em 1517 e não tencionava cometer esse erro novamente. Os jesuítas, em especial, juraram defender essa autoridade e proteger a Igreja com as suas vidas.

### A Arquitetura, a Arte e a Música

Os Jesuítas tornaram-se famosos pelas suas habilidades no debate e na refutação das alegações protestantes e estavam entre os defensores do catolicismo mais instruídos e eloquentes. Enquanto estes «soldados de Cristo» trabalhavam como missionários e apologistas, a Igreja promovia o seu objetivo de restabelecer a sua centralidade e autoridade através de grandiosos projetos arquitetónicos e da encomenda de composições e obras de arte destinadas a elevar as almas dos crentes e a exemplificar a grandiosidade da visão católica.

Este estilo — quer na arte, na arquitetura, na dança ou na música — ficou conhecido como barroco, que significa «de forma irregular», para o diferenciar do estilo clássico. As igrejas e catedrais barrocas caracterizavam-se por espaços amplos e abertos, janelas iluminadas e cúpulas elaboradamente pintadas, com o altar como ponto focal, mas convidando os fiéis a entrar num espaço sagrado, o que os encorajava a olhar para cima e à sua volta, para as várias obras de arte, incluindo o próprio edifício. A imensidão de um templo católico foi propositadamente concebida para incutir na pessoa a grandeza de Deus e o lugar do indivíduo no Seu mundo, servindo como uma personificação das admoestações bíblicas «Do Senhor é a terra e tudo o que nela há» (Salmo 24, 1) e «Deus está no céu e tu estás na terra; por isso, que as vossas palavras sejam poucas» (Eclesiastes 5:2). As obras de arte encomendadas para estas estruturas destinavam-se a servir o mesmo propósito.

[ ![Ecstasy of Saint Theresa](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15986.jpg?v=1653985550) O Êxtase de Santa Teresa Peter Jurik (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/15986/ecstasy-of-saint-theresa/ "Ecstasy of Saint Theresa")Embora nem toda a arte barroca abordasse temas religiosos, muitas das obras mais famosas faziam-no, como *A Vocação de São Mateus,* de Caravaggio, ou *O Êxtase de Santa Teresa*, de Bernini. A música seguiu o mesmo paradigma, com compositores a criarem obras que celebravam temas cristãos cujo objetivo era a elevação espiritual do público, como nos casos de duas das obras mais conhecidas: *O Messias*, de George Frideric Handel, e *A Paixão Segundo São Mateus*, de [Johann Sebastian Bach](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21857/johann-sebastian-bach/). Embora os luteranos tivessem permitido a música como parte do culto e, eventualmente, a arte, esta era mais modesta. Os calvinistas (seguidores de João Calvino, 1509-1564) proibiram a música, a dança e qualquer tipo de iconografia, considerando-as idólatras. A Igreja Católica procurou distanciar-se destas seitas, incentivando a apreciação da arte e da música, com o objetivo de fortalecer a fé e colmatar a divisão anterior entre o clero e os leigos na Igreja, através da comunhão direta com Deus.

### Conclusão

A Igreja respondeu às críticas de que a hierarquia ignorava as interpretações individuais do cristianismo, reconhecendo figuras como Santa Teresa de Ávila (1515-1582) e São João da Cruz (1542-1591), ao mesmo tempo que salientava o seu reconhecimento anterior de outros místicos, incluindo Hildegarda de Bingen (1098-1179) e Juliana de Norwich (1342-1416). Observou-se que estas figuras alegavam revelações pessoais, tal como Lutero e outros protestantes, mas estas estavam em consonância com os ensinamentos aceites pela Igreja Católica, podendo, por isso, ser consideradas verdadeiras. As alegações dos reformadores foram rejeitadas como interpretações individuais, o que equivalia a opiniões, e não à verdade.

A Contra-Reforma continuou a perseguir os seus objetivos ao longo do século XVII, enviando missionários jesuítas por todo o mundo para consolidar ainda mais a autoridade da Santa Igreja Católica e Apostólica, até que chegou ao fim com a dissolução da Liga Santa em 1699. A Liga Santa era uma aliança de nações cristãs mobilizadas contra a agressão do [Império Otomano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18700/imperio-otomano/) e, uma vez neutralizada essa ameaça após a Grande Guerra Turca, a liga foi dissolvida.

Este acontecimento é considerado por alguns estudiosos como o fim da Contra-Reforma, na medida em que pôs fim a um século de conflitos fomentados por, ou diretamente atribuíveis a, diferenças religiosas. De acordo com algumas perspetivas, no entanto, a Contra-Reforma nunca terminou, uma vez que, por definição, foi uma resposta ao desafio da heresia generalizada e continua a opor-se ao que considera hoje em dia pontos de vista heréticos. Nesta perspetiva, a Contra-Reforma continua em curso, uma vez que a Igreja mantém a sua reivindicação de ser a primeira e, por conseguinte, a mais verdadeira personificação da visão cristã.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Bossy, J. *Christianity in the West 1400-1700 .* Oxford University Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0192891626/)
- [Empiricus, Sextus & Bury, R. G. *Outlines of Pyrrhonism .* Prometheus, 1990.](https://www.worldhistory.org/books/0879755970/)
- [Janz, D. R. *A Reformation Reader: Primary Texts with Introductions.* Fortress Press, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/0800663101/)
- [MacCulloch, D. *The Reformation: A History.* Penguin Books, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/014303538X/)
- [Roper, L. *Martin Luther: Renegade and Prophet.* Random House, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/0812996194/)
- [Rublack, U. *The Oxford Handbook of the Protestant Reformations .* Oxford University Press, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0198845960/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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## Histórico

- **1545 CE - c. 1700 CE**: Dates of the [Counter-Reformation](https://www.worldhistory.org/Counter-Reformation/) (Catholic [Reformation](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Reformation/)) in response to the [Protestant Reformation](https://www.worldhistory.org/Protestant_Reformation/).

## Perguntas & Respostas

### O que foi a Contra-Reforma? 
A Contra-Reforma (também conhecida como Reforma Católica) foi a resposta da Igreja Católica à Reforma Protestante.

### Quais são as datas da Contra-Reforma? 
Considera-se geralmente que a Contra-Reforma decorreu entre 1545 e cerca de 1700, desde o início do Concílio de Trento até à dissolução da Liga Santa, em 1699. 

### Qual foi o objetivo da Contra-Reforma? 
A Contra-Reforma visou restabelecer a Igreja Católica como a única autoridade espiritual na Europa, após os cismas provocados pela Reforma Protestante. 

### A Contra-Reforma foi bem-sucedida? 
A Contra-Reforma conseguiu corrigir os abusos na Igreja e reafirmar os sacramentos e os princípios da Igreja, bem como incentivar os jesuítas a difundir o catolicismo por todo o mundo. Não conseguiu, porém, suprimir as seitas protestantes.  


## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, August 27). Contra-Reforma. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20821/contra-reforma/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Contra-Reforma." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 27, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20821/contra-reforma/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Contra-Reforma." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 27 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20821/contra-reforma/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 27 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

