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title: As Guerras de Kappel
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20443/as-guerras-de-kappel/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-08-16
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# As Guerras de Kappel

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

As Guerras de Kappel (também conhecidas como as Guerras de Cappel) foram conflitos armados entre Protestantes e Católicos na Suíça durante a [Reforma Protestante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20181/reforma-protestante/). Em 1529, a Primeira Guerra de Kappel terminou antes de começar, contudo, a Segunda Guerra Kappel, em 1531, culminou com a vitória Católica e a morte do reformador protestante [Ulrico Zuínglio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20206/ulrico-zuinglio/).

Ambos os eventos ocorreram nas redondezas da vila de Kappel am Albis, perto de Zurique, na Suíça. Os conflitos foram incentivados por Zuínglio (1484-1531) num esforço para fazer com que todos os cantões (províncias) da região se convertessem do Catolicismo ao Protestantismo; acreditava que uma Suíça unida e Protestante refletia o estado ideal como a personificação do [Cristianismo primitivo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1205/cristianismo-primitivo/) retratado na [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) no “Livro de Atos dos Apóstolos”.

A Primeira Guerra de Kappel foi uma mobilização das tropas protestantes em resposta à execução de um sacerdote da reforma em territórios católicos, o que, então, forçou as forças católicas a responder. As diferenças foram resolvidas pacificamente antes da batalha, mas permaneceram as questões subjacentes. Em 1531, Zuínglio encorajou, novamente, Zurique a atacar os cantões católicos, mas foi forçado a contentar-se com um bloqueio destinado a fazê-los passar fome e a converterem-se.

Em resposta ao bloqueio e aos contínuos apelos de Zuínglio por conversão forçada, os cantões católicos declararam guerra a Zurique em outubro de 1531, apanhando a cidade de surpresa. Ambas as forças encontraram-se em Kappel am Albis a 11 de outubro de 1531, e os protestantes, mal mobilizados e sem forte liderança, foram derrotados em menos de uma hora com 500 baixas, incluindo Zuínglio.

As Guerras de Kappel danificaram significativamente o movimento da Reforma na Suíça, pois Zuínglio foi culpado por iniciar o conflito e das 500 mortes daí resultantes. O movimento foi salvo e estabilizado por um dos apoiantes de Zuínglio, o teólogo [Heinrich Bullinger](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20515/heinrich-bullinger/) (1504-75), cuja postura mais moderada permitiu conversas e compromissos. Após as guerras, e apesar dos esforços de Bullinger, a animosidade entre os Católicos e Protestantes da Suíça continuou, mas por um breve período, pelo menos, todos os cantões puderam observar as respectivas interpretações do [Cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/) em paz.

### Zuínglio e a Reforma

Embora a região da atual Suíça fizesse tecnicamente parte do Sacro [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/)-Germânico, desde 1499, era na verdade uma Confederação de 13 Cantões, com um considerável grau de independência entre eles. A Confederação, como toda a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) antes da Reforma, aderiu aos ensinamentos da Igreja Católica Romana, entendida como a única autoridade em assuntos espirituais. [A Igreja Medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18341/a-igreja-medieval/) não tinha problemas em apoiar e contribuir para os conflitos armados quando tal servia os seus propósitos; no entanto, os padres encorajavam os jovens a alistarem-se no sistema das pensões mercenárias, através do qual eram pagos para lutar pelas causas de poderes políticos vizinhos.

Zuínglio foi ordenado sacerdote em 1506 e enviado para ministrar na vila de Glarus. Em 1513, acompanhou os mercenários de Glarus em campanha como capelão e, sentindo na pele os horrores da guerra, abraçou o pacifismo do sacerdote humanista, filósofo e teólogo Erasmo de Roterdão (1466-1536), e criticou como anticristãos o sistema mercenário e os conflitos armados em geral. Erasmo, que conheceu em 1514 e 1516, foi uma influência significativa sobre o jovem Zuínglio a vários níveis, mas notavelmente em relação à necessidade de reforma da visão e das políticas da Igreja.

Embora Erasmo nunca se tenha juntado ao movimento da Reforma, defendeu-a pelo que via como abusos e corrupção dentro da Igreja, e Zuínglio abraçou estes pontos de vista. Em 1519, quando foi nomeado sacerdote do povo para a *Grossmünster* (Grande Catedral) em Zurique começou a descartar a liturgia da Igreja e lia diretamente do “Evangelho Segundo S. Mateus”, interpretando-o e comentando-o, bem como faria depois com outros textos bíblicos.

Em 1521, o movimento da Reforma Alemã de [Martinho Lutero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/) (1483-1546) havia dividido a região e inspirava rejeições semelhantes à autoridade eclesiástica em outros lugares. Zuínglio, que havia sido recentemente nomeado cônego (magistrado) e feito cidadão de Zurique, iniciou a Reforma na cidade em 1522, quando rejeitou a tradição da Igreja do jejum da Quaresma argumentando que não havia apoio bíblico para a proibição de comer carne durante a Quaresma nem para a própria Quaresma. A Igreja pediu a demissão de Zuínglio, mas, em vez disso, o concelho da cidade permitiu um debate entre Zuínglio e os oficiais da igreja para resolver as diferenças.

[ ![Zwingli Preaching](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14840.png?v=1722554223) Ulrico Zuínglio a Pregar Ascot Elite (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/14840/zwingli-preaching/ "Zwingli Preaching")Em 1523, Zuínglio apresentou na Primeira Disputa “Os 67 Artigos” (*Die 67 Artikel Zwinglis*), onde facilmente derrotou a delegação católica. Encorajado pelo apoio do concelho e pela sua vitória, – e depois pelos seus seguidores – começou uma rejeição sistemática dos ensinamentos e tradições da Igreja Católica, insistindo na Bíblia como a única autoridade em assuntos espirituais e seculares, e denunciando as observâncias e políticas tradicionais da Igreja.

O seu amigo e apoiante, Leo Judd (1482-1542), defendeu a remoção de ícones e imagens das igrejas, o que levou a distúrbios sociais e à destruição de estátuas e vitrais nas igrejas. Zuínglio e Judd influenciaram o jovem teólogo luterano Heinrich Bullinger, que também começou a pregar contra os ícones no município de Bremgarten, na região de Aargau, incentivando os mesmos protestos contra a iconografia religiosa.

### Tensões Crescentes

À medida que a Reforma de Zuínglio se espalhava, era combatido pelos católicos nos cantões que optaram por permanecer fiéis à Igreja. Consideravam as suas ideias de heresias perigosas a serem rejeitadas se alguém esperasse evitar o fogo do inferno ou do purgatório após a morte. A compreensão religiosa medieval, incentivada pela Igreja, era de que o inferno, o purgatório e o céu eram certezas absolutas, e, portanto, abraçar uma fé falsa tinha consequências terríveis, pois alguém sofreria eternamente pelo seu erro.

Não foram apenas as considerações sobre a vida após a morte que levaram os cantões católicos a rejeitar o chamado de Zuínglio para a Reforma, mas também a ruptura dos ritos, rituais e práticas tradicionais que o movimento causou. Em 1524, em Zurique, foram abandonadas as observâncias anuais do Natal, as procissões não sairam às ruas e em 1525 ignoraram-se os rituais da [Páscoa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12554/pascoa/). A Segunda Disputa de 1523 dotou os párocos de individualmente decidirem o seu próprio curso, e muitos deles alinharam-se com Zuínglio, que denunciava todos os sacramentos da Igreja, exceto o batismo e a Eucaristia. Afirmava, igualmente, que o próprio sacerdócio era não bíblico; que o Papa era uma falsa autoridade; que não havia apoio bíblico para o purgatório; que Cristo não estava presente na celebração da Missa; e que a Igreja existia apenas para se servir a si mesma, e não a verdadeira visão cristã.

Os seus apoiantes, agora acreditando que possuíam a verdade de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), rejeitaram todas as práticas associadas ao Catolicismo, pois a Igreja havia ditado a vida dos europeus por séculos até então: a doutrina da Igreja ditava e ordenava os nascimentos, casamentos e mortes, bem como as atividades diárias. A nova visão, portanto, exigia uma completa revisão dos costumes e observâncias, à qual os tradicionalistas resistiam. O estudioso Randolph C. Head observa:

> Reimaginar a autoridade também significava repensar muitas práticas da vida quotidiana. Se o casamento não era um sacramento, então as comunidades e famílias tinham que encontrar novas maneiras de entender as relações entre cônjuges e parentes. Quem poderia regular – e talvez dissolver – casamentos e os laços entre as famílias que criavam? Quem, senão o clero, deveria sancionar o adultério ou gerir a caridade? Se indivíduos lendo textos bíblicos pudessem questionar pastores e magistrados, então a Palavra também assumia um papel expandido em várias situações. Se congregações que se consideravam mutuamente hereges compartilhassem um espaço de culto, este espaço sagrado não era mais o mesmo. Como a religião estava profundamente enraizada em todas as instituições da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/) moderna inicial, as mudanças nas compreensões religiosas exigiam mudanças em todos os aspectos da vida. (Rublack, pág. 179).

Havia muitos que simplesmente rejeitavam esta chamada de mudança e preferiam continuar com as tradições que sempre conheceram, enquanto aqueles que defendiam a Reforma insistiam que todos precisavam abraçar a verdade revelada pelos ensinamentos de Zuínglio. Na visão de Zuínglio – e cada vez mais entre os seus apoiantes – não havia meio termo para compromisso, devido à sua convicção de que a visão reformada representava a vontade de Deus revelada através das escrituras.

### A Primeira Guerra de Kappel

Em 1528, o cantão de Berna aderiu à Reforma, e Zuínglio começou a defender uma Suiça unida na Reforma Religiosa, com a Bíblia como sua autoridade final. Constança juntou-se a Zurique e a Berna na União Cívica Cristã, bem como outros cinco cantões. Os cinco cantões católicos uniram-se como a Aliança Cristã e assinaram um tratado com a Áustria católica para auxiliá-los caso fossem atacados. A Aliança Católica foi, portanto, formada apenas para defesa, mas a União Cívica Cristã foi formada na esperança de estabelecer uma Suiça unida na Reforma. O estudioso Diarmaid MacCulloch observa:

> A União seguiu a deixa da visão de Zuínglio da sua amada cidade de Zurique como uma comunidade unida de crentes cristãos trabalhando para construir uma sociedade piedosa; também era inequivocamente agressiva na intenção. Há discordância sobre a extensão das ambições de Zuínglio para a União, mas não há dúvida de que o seu objetivo imediato era atrair para a fé evangélica os chamados 'Territórios Mandatados' espalhados por toda a Suíça, que eram mandatados para serem governados conjuntamente por todos os cantões suíços; com os cantões agora dividindo-se entre reforma e tradicionalismo, estes poderiam ser manobrados em direção à reforma religiosa. (pág. 175).

Para converter pacificamente os cantões católicos, Zuínglio iniciou uma campanha de pregadores da Reforma, cuidadosamente treinados por ele em Zurique, que espalhariam a visão entre os Territórios Mandatados e os cantões firmemente católicos. A Primeira Guerra de Kappel foi iniciada após um pregador protestante ser preso e executado como herege na católica Schwyz. Zuínglio abandonou o pacifismo inicial em prol de uma Suíça unida e mobilizou Zurique para atacar.

A defesa da guerra parece ter sido incentivada pela perseguição de Zuínglio aos Anabatistas - uma seita reformada inspirada nos seus ensinamentos que então procurou suprimir como extremista - pois havia pregado contra eles e depois apoiado a sua perseguição e execução; tal como o foi o chamado para a conversão forçada de católicos.

As forças protestantes e católicas encontraram-se em Kappel, os últimos em número significativamente menor já que a Áustria não enviou tropas, mas antes que as hostilidades pudessem começar, chegou uma delegação de Berna e negociou a paz. Enquanto estas conversas aconteciam, os exércitos permaneceram no campo, mas nenhum dos lados estava interessado em provocar o conflito. De acordo com o dramaturgo e mercenário católico Johannes Salat (falecido por volta de 1561), que estava presente na época, os dois exércitos compartilharam leite e pão num evento posteriormente popularizado por Bullinger como de *Kappeler Milchsuppe* (a Sopa de Leite de Kappel), um símbolo de como ambos poderiam coexistir pacificamente.

[ ![Kappel am Albis](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15128.jpg?v=1643794202) Kappel am Albis Schulerst (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/15128/kappel-am-albis/ "Kappel am Albis")Enquanto os exércitos aguardavam a ordem dos líderes para iniciar as hostilidades, um armistício foi concluído e a paz declarada. Sob os termos do tratado da Paz de Kappel am Albis, os cantões católicos tiveram que: dissolver a Aliança Cristã; anular o tratado com a Áustria; e permitir que pregadores protestantes ensinassem nas suas regiões sem medo de perseguição; e, em troca, Zurique [prometeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/) não voltar às agressões. MacCulloch comenta:

> Zuínglio alcançou o seu objetivo para os Territórios Mandatados... garantiu o direito de cada paróquia ou vila escolher por maioria dos habitantes masculinos qual religião a adotar. A votação maioritária era uma nova ideia em comunidades que anteriormente tomavam decisões por consenso; também era um dispositivo obviamente útil para superar a obstrução da minoria tradicionalista. Zuínglio estendeu o princípio organizando assembleias territoriais, incluindo clérigos e delegados leigos, que tomariam decisões comuns sobre o culto para as paróquias de cada território. (*idem*).

Tinha estipulado outros termos para o armistício, que foram rejeitados, e sentiu que esta política de votação maioritária levaria muito tempo para alcançar o seu objetivo de uma Suíça completamente Reformada e unida, por isso, continuou a defender a conversão forçada dos cantões católicos. Os apelos por conflito armado aumentaram quando os católicos recusaram a estipulação de pregação protestante irrestrita nos seus cantões – um ponto no tratado que nunca havia sido totalmente esclarecido – mas as outras regiões protestantes resistiram. Numa tentativa de forçar a conversão por meios menos drásticos e também pacificar Zuínglio, os protestantes bloquearam os cantões católicos em maio de 1531, cortando o fornecimento de sal e cereais.

### A Segunda Guerra de Kappel

Em vez de incentivar a conversão, o bloqueio apenas enfureceu os católicos, que o entenderam como um ato de agressão de hereges contra os seguidores da única e verdadeira Igreja. De qualquer forma, o bloqueio provou ser ineficaz pois os suprimentos chegavam aos cantões, em menor quantidade, por outras rotas, e foi abandonado. No entanto, os cantões católicos decidiram contra-atacar antes que alguma outra iniciativa protestante, mais eficaz, pudesse ser lançada.

[ ![The Battle of Kappel](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15118.jpeg?v=1642639502) A Batalha de Kappel Wikipedia (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15118/the-battle-of-kappel/ "The Battle of Kappel")Marcharam sobre Zurique em outubro de 1531, surprendendo a cidade. Embora tivessem chegado à cidade relatos de um movimento de uma grande força antes de 9 de outubro, os mesmos não foram levados a sério. Zuínglio e o Concelho da cidade mobilizaram apressadamente as forças e pediram ajuda de outros cantões, mas foi recusada. Berna e os outros cantões não estavam interessados numa guerra que só poderia enfraquecer as suas próprias posições e possivelmente convidar à invasão de forças católicas de nações vizinhas.

A força protestante de cerca de 2.000 homens encontrou o exército católico em Kappel am Albis em 11 de outubro de 1531, numa batalha que durou menos de uma hora. Zurique perdeu 500 combatentes, incluindo Zuínglio e outros sacerdotes da cidade. De acordo com o relato posterior de Bullinger, Zuínglio foi mortalmente ferido e depois morto por um capitão católico. Em seguida, o seu cadáver foi julgado por heresia, condenado, cortado em pedaços e queimado, conjuntamente com entranhas de porcos, e as cinzas depois misturadas e dispersas. Os católicos retiraram-se, mas atacaram novamente a 24 de outubro, derrotando completamente Zurique.

### Conclusão

A Segunda Guerra de Kappel foi uma derrota devastadora para Zurique, e a cidade foi forçada a aceitar os termos ditados pelos vencedores. Sem dúvida, para surpresa deles, estes termos foram notavelmente brandos, como observa Head:

> A \[Segunda Paz de Kappel\], selada a 20 de novembro de 1531, favoreceu os tradicionalistas religiosos vitoriosos, mas ainda reconheceu a existência de duas fés e estabeleceu diretrizes para a sua coexistência. Crucialmente, cada cantão permaneceu livre para escolher entre a "verdadeira fé indubitável" dos católicos ou a "fé" dos zwinglioanos. A paz foi, portanto, um documento moderado que reafirmou o princípio de que os soberanos gozavam de uma escolha entre confissões cristãs – um princípio que mais tarde se espalhou por todo o Sacro [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Romano-Germânico. (Rublack, pág. 177).

A cidade de Zurique estava intocada pela guerra, mas a derrota minou seriamente o esforço da Reforma, que anteriormente tinha um apoio tão generalizado. Zuínglio foi culpado pelas mortes dos 500 homens na batalha, e o ímpeto da Reforma estagnou. MacCulloch escreve:

> \[A derrota foi\] o fim da União Cívica Cristã, o fim da aliança política frutífera com cidades evangélicas alemãs ao norte, e o fim de qualquer tentativa de impor a Reforma pela força na Suíça. Pouco se deveu a Zwinglio a recuperação do seu trabalho em Zurique. A Reforma da cidade foi guiada de volta à estabilidade por Heinrich Bullinger, um homem sábio e paciente e um grande pregador. (pág. 176).

À medida que o radicalismo de Zuínglio aumentava, Bullinger tornava-se mais moderado e sucedeu-o como líder do movimento de Reforma. Mais tarde, em 1536, seria coautor da "Primeira Confissão Helvética" (*Confessio Helvetica prior*) com Leo Judd e escreveria a "Segunda Confissão Helvética" (*Confessio Helvetica posterior*) em 1562. Conhecidas como as 'Confissões Helvéticas', estes documentos detalharam os artigos de fé do Movimento Reforma na Suíça e foram adotados por João Calvino (1509-1564) e os seus seguidores. Eventualmente, tornaram-se a confissão religiosa de congregações reformadas tanto dentro quanto fora da Suíça. No entanto, imediatamente após a derrota, Bullinger envidou todos os esforços para salvar o movimento em Zurique.

[ ![Memorial Stone of Zwingli](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15129.jpg?v=1642134147) Memorial a Zuínglio kaveman743 (CC BY-NC) ](https://www.worldhistory.org/image/15129/memorial-stone-of-zwingli/ "Memorial Stone of Zwingli")Continuou a defender Zuínglio, mas prudentemente evitou politizar o movimento e desencorajou os sacerdotes de fazerem declarações políticas abertas de forma oficial. Tendo assumido a posição de Zuínglio como sacerdote do povo na Grossmünster, manteve vigilância cuidadosa sobre a congregação e providenciou para ser mantido constantemente informado sobre todas as paróquias pelas quais era responsável, a fim de evitar o tipo de radicalização que tinha conduzido às Guerras de Kappel. Através do controlo cuidadoso e moderação, Bullinger não apenas salvou, mas também desenvolveu mais plenamente o movimento cujo fundador quase o destruiu, permitindo que Calvino completasse o trabalho de Reforma que Zuínglio havia começado.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Bossy, J. *Christianity in the West 1400-1700 .* Oxford University Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0192891626/)
- [Gregory, B. S. *Salvation at Stake: Christian Martyrdom in Early Modern Europe.* Harvard University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0674007042/)
- [MacCulloch, D. *The Reformation: A History.* Penguin Books, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0310516560/)
- [Roper, L. *Martin Luther: Renegade and Prophet.* Random House, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/0812986059/)
- [Rublack, U. *The Oxford Handbook of the Protestant Reformations .* Oxford University Press, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0198845960/)
- [Wise Bauer, S. *The History of the Renaissance World.* W. W. Norton & Company, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/0393059766/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **1529 CE**: First [War](https://www.worldhistory.org/disambiguation/War/) of Kappel; hostilities averted by an armistice.
- **1531 CE**: Second [War](https://www.worldhistory.org/disambiguation/War/) of Kappel; Zürich Protestants are defeated by Catholic forces and Reformer [Huldrych Zwingli](https://www.worldhistory.org/Huldrych_Zwingli/) is killed.

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### APA
Mark, J. J. (2025, August 16). As Guerras de Kappel. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20443/as-guerras-de-kappel/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "As Guerras de Kappel." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 16, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20443/as-guerras-de-kappel/>.
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Mark, Joshua J.. "As Guerras de Kappel." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 16 Aug 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20443/as-guerras-de-kappel/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 16 August 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

