---
title: Katharina von Bora
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20330/katharina-von-bora/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-19
---

# Katharina von Bora

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Katharina von Bora (1499-1552, também conhecida como Katherine Luther) foi uma antiga freira que casou com [Martinho Lutero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/) (1483-1546) em 1525. Ela, juntamente com algumas colegas freiras, fugiu do convento com a ajuda de Lutero em 1523, em resposta ao seu movimento de reforma. Katharina é reconhecida como a força estabilizadora na vida de Lutero, permitindo a realização das suas obras posteriores.

Quase nada se sabe sobre a sua vida antes de 1523, e os detalhes da sua vida de casada provêm maioritariamente das cartas de Lutero. Ela era a administradora indiscutível da casa e das finanças de ambos, tratando de todas as questões práticas necessárias e permitindo a Lutero tempo e espaço para escrever, pregar e lecionar. Além dos seus deveres domésticos, deu à luz seis filhos de Lutero, geriu a quinta do casal, supervisionou os criados, explorou uma cervejaria de sucesso e ajudou Lutero a desenvolver a sua Igreja. O seu casamento com Lutero – uma antiga freira com um antigo padre – estabeleceu o paradigma seguido por muitos outros e fixou o modelo de um matrimónio eclesiástico.

Após a morte de Lutero, foi forçada a deixar Wittenberg durante a Guerra de Esmalcalda (1546-1547) e fugiu para Magdeburgo. Após o seu regresso, encontrou as suas terras destruídas e lutou para sobreviver até 1552, data em que partiu para a cidade de Torgau. Morreu ali a 20 de dezembro de 1552. É celebrada anualmente a 20 de dezembro por algumas, embora não todas, denominações luteranas, ainda que todas reconheçam as suas contribuições para a [Reforma Protestante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20181/reforma-protestante/).

### **A Juventude de Katharina e os Conventos Medievais**

Pensa-se que Katharina von Bora nasceu a 29 de janeiro de 1499, embora a sua data de nascimento não esteja registada. Os seus pais eram da pequena nobreza sem título, mas a sua identidade é debatida. Com base em documentação diferente, eram ou Johan von Bora (também referido como Jan von Bora) e a sua esposa Margarete de Lippendorf, ou Hans von Bora e a sua esposa Anna von Haugwitz de Hirschfeld. Quando a sua mãe morreu por volta de 1504, o seu pai casou-se novamente e enviou Katharina para o claustro de São Clemente, em Brehna, para ser cuidada e criada como freira.

Enviar uma filha para um convento era uma opção tomada por muitos pais que tinham filhas a mais e recursos insuficientes para lhes dar dotes a todas, ou que queriam proporcionar-lhes segurança e educação, ou ambas as coisas. Uma jovem como Katharina teria sido admitida como oblata, estudado para se tornar noviça e, depois, faria os votos para se tornar freira plena por volta dos 20 anos. No entanto, muitas mulheres, de qualquer idade, escolhiam a vida monástica por iniciativa própria, preferindo-a à incerteza da vida de casada e aos perigos do parto. Os académicos Frances e Joseph Gies comentam:

> Para as mulheres das classes altas, o convento preenchia várias necessidades básicas. Oferecia uma alternativa ao casamento ao receber raparigas cujas famílias não conseguiam encontrar-lhes maridos. Fornecia uma saída para as inconformadas, mulheres que não desejavam casar porque sentiam uma vocação religiosa, porque o casamento lhes era repugnante, ou porque viam no convento um modo de vida no qual podiam atuar e, talvez, distinguir-se.
> (pág. 64)

Os conventos também eram usados pela classe alta para proteger as suas filhas de rivais políticos que pudessem tentar raptá-las e, inversamente, para manter mulheres poderosas ou potencialmente poderosas que já tivessem sido raptadas; mas, para muitas mulheres, a vida quotidiana das freiras medievais era escolhida livremente. No caso de Katharina, a decisão foi tomada por ela. Foi educada pelas freiras em Brehna até ter cerca de dez anos, altura em que se mudou para o convento de Marienthron, em Nimbschen, onde residia uma tia materna.

Katharina teria de se submeter à autoridade da abadessa que dirigia o convento e viver obedientemente a vida monástica, que incluía rotinas diárias de orações, serviços religiosos, cuidar de jardins, tarefas domésticas e, nalguns casos, iluminar manuscritos ou preparar livros de orações. Esperava-se também que as freiras aprendessem costura para bordar as vestes dos padres e, na maioria dos casos, realizassem iniciativas de apoio à comunidade e cuidassem dos doentes. As freiras podiam entrar e sair do convento, mas as suas interações com o mundo exterior eram estritamente monitorizadas.

[ ![Convent of Marienthorn in Nimbschen](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15004.jpg?v=1639752302) Convento de Marienthron em Nimbschen Jörg Blobelt (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/15004/convent-of-marienthorn-in-nimbschen/ "Convent of Marienthorn in Nimbschen")Com base em evidências posteriores da sua vida de casada, Katharina tornou-se perita, nesta altura, em enfermagem, administração, agricultura, tarefas domésticas e fabrico de cerveja, uma vez que demonstrou uma habilidade excecional em todas estas áreas, e em outras, pouco depois do seu casamento com Lutero. Após as *95 Teses* de Martinho Lutero terem sido traduzidas para alemão e publicadas em 1518, as notícias do seu conflito com a Igreja teriam chegado a Nimbschen em 1518 ou, o mais tardar, em 1519. O conflito escalou ao longo de 1520, culminando na queima da bula papal por Lutero em dezembro e na sua excomunhão em janeiro de 1521.

### **A Fuga de Katharina**

Após a comparência de Lutero na [Dieta de Worms](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20316/dieta-de-worms/) em abril de 1521, onde desafiou a autoridade papal e defendeu as suas obras que criticavam as políticas e práticas da Igreja, a sua popularidade – e notoriedade – cresceu. Ele já era uma figura bem conhecida antes de Worms, e a Igreja e as autoridades civis, reconhecendo-o como uma ameaça ao status quo, declararam-no fora da lei e herético através do Édito de Worms em maio de 1521. O soberano regional de Lutero, Frederico III (o Sábio, 1463-1525), protegeu-o no seu castelo em Wartburg, onde Lutero continuou a escrever e traduziu o [Novo Testamento](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11401/novo-testamento/) para alemão.

[ ![Luther at the Diet of Worms](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/13694.jpeg?v=1747244285) Lutero e a Dieta de Worms Anton Werner (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/13694/luther-at-the-diet-of-worms/ "Luther at the Diet of Worms")Entre as suas muitas críticas à política da Igreja estava a vida monástica, que afirmava ser antinatural e antibíblica. Estas visões podem ter circulado em Marienthron antes de 1521, mas certamente teriam circulado depois disso, mesmo que a abadessa tivesse tentado silenciá-las. Desconhece-se exatamente como Katharina soube pela primeira vez das críticas de Lutero, mas ela já as tinha abraçado em 1523, quando lhe escreveu diretamente pedindo a sua ajuda. Ela e algumas outras freiras de Marienthron (o número de freiras é indicado como sendo oito ou doze) desejavam deixar o convento e necessitavam da sua assistência. Isto não era um assunto menor, uma vez que raptar uma freira ou ajudá-la a deixar a vida monástica era um crime. A académica Gwen Seabourne comenta:

> Os portões do convento permitiam o movimento em ambas as direções, e tanto as autoridades eclesiásticas como as seculares tinham interesse em mantê-los sob vigilância. A preocupação real prendia-se com a conduta desordeira e a segurança dos conventos numa época em que estes podiam ser usados para alojar mulheres reais ou nobres e também para confinar as filhas de oponentes perigosos. Um estatuto de 1285 tornava a remoção de freiras dos seus conventos uma infração que poderia resultar numa pena de prisão, indemnização ao convento e um pagamento ao rei. A infração era da pessoa que removia a freira, e não da própria freira, pelo que a responsabilidade era incorrida independentemente de a freira ter consentido ou não na sua remoção.
> (pág. 2)

Este estatuto só podia ser aplicado pelas autoridades da região em que a infração ocorria, no entanto, e se se conseguisse remover a freira para outro principado que optasse por não o aplicar, a punição podia ser evitada. Lutero organizou para que um mercador respeitado, Leonard Kopp, ajudasse a libertar as freiras na região sob o domínio do Duque Jorge e as trouxesse para Wittenberg, que era controlada por Frederico III. Kopp entregava regularmente arenque no convento e, na Véspera da Ressurreição (Véspera de [Páscoa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12554/pascoa/)) de 1523, Kopp fez a sua entrega e depois escondeu as freiras na sua carroça e saiu pelos portões. O académico Roland H. Bainton, que sustenta que o número de freiras era doze, escreve:

> Três regressaram às suas próprias casas. As restantes nove chegaram a Wittenberg. Um estudante relatou a um amigo: "Uma carroça cheia de virgens vestais acaba de chegar à cidade, todas mais ansiosas pelo casamento do que pela vida. Que [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) lhes conceda maridos, para que não lhes aconteça algo pior." Lutero sentiu-se responsável por encontrar para todas elas lares, maridos ou cargos de algum tipo. Uma solução óbvia era ele próprio resolver um dos casos através do casamento.
> (pág. 293)

Como Lutero esperava, Frederico III nada fez em relação ao estatuto de 1285, e as freiras recém-chegadas ficaram livres para casar ou regressar às suas famílias. Lutero tentou primeiro colocá-las de volta com os seus pais, mas tal não funcionou, pois as famílias recusaram-se a ser implicadas num crime e, além disso, muitos simplesmente não tinham meios para sustentar uma filha, muito menos uma que tivesse renunciado aos seus votos e para quem seria difícil encontrar um marido.

### **O Casamento**

Depois de esgotar a opção de devolver as mulheres aos seus antigos lares, Lutero dedicou-se ele próprio a encontrar-lhes maridos. A académica Lyndal Roper observa:

> Lutero precisava de estabelecer as mulheres em casamentos respeitáveis o mais depressa possível para evitar mexericos maliciosos, encontrando-se assim na posição inesperada de mediador matrimonial. Como resultado, a situação forçou-o a pensar sobre o desejo feminino… Pode ter sido que o assunto lhe tenha vindo à mente porque ele próprio estava a começar a ser tentado.
> (pág. 264)

Por volta de 1525, Lutero tinha encontrado uniões respeitáveis ou cargos para todas as freiras, exceto para Katharina, que foi primeiro colocada como criada na casa do escrivão Philipp Reichenbach e depois na do artista Lucas Cranach, o Velho. Lutero arranjou pelo menos dois pretendentes para ela, nenhum dos quais funcionou, e ouviu do seu amigo Nikolaus von Amsdorf que ela tinha dito que casaria apenas com Amsdorf ou com Lutero, mas que preferia Lutero.

Lutero, embora tivesse defendido o casamento de antigos padres e freiras, não o considerava uma opção para si próprio, uma vez que tinha sido condenado como herético e fora da lei em 1521, sabia que havia sempre a possibilidade de ser preso e executado, e não queria infligir essa perda a uma esposa. Havia também a preocupação, expressa pelo seu amigo [Filipe Melâncton](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20197/filipe-melancton/) (1497-1560) e outros, de que o casamento prejudicasse a sua imagem pública como um defensor abnegado da fé e possivelmente descarrilasse o movimento de reforma.

[ ![Martin Luther and Katharina von Bora](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15005.jpg?v=1641472202) Martinho Lutero e Catarina de Bora Lucas Cranach the Elder (CC BY-NC) ](https://www.worldhistory.org/image/15005/martin-luther-and-katharina-von-bora/ "Martin Luther and Katharina von Bora")Ainda assim, alguns dos seus amigos, como Amsdorf, sugeriram que ele casasse com Katharina para resolver o problema dela e também para dar um testemunho da nova fé sobre a respeitabilidade de um matrimónio entre dois antigos eclesiásticos da Igreja. Amsdorf sugeriu que Lutero deveria praticar o que pregava e mostrar aos outros, pelo exemplo, como um casamento poderia funcionar. Bainton observa:

> \[Lutero\] não respondeu seriamente à sugestão até ir a casa visitar os seus pais. O que ele relatou, provavelmente como uma grande piada, foi tomado pelo seu pai como uma proposta realista. O seu desejo era que o seu filho perpetuasse o nome. A sugestão começou a recomendar-se a Lutero por uma razão bem diferente. Se ele fosse para ser queimado na fogueira no espaço de um ano, dificilmente seria a pessoa indicada para começar uma família. Mas, através do casamento, ele poderia dar simultaneamente um estatuto a Katherine e um testemunho da sua fé. Em maio de 1525, ele deu a entender que casaria com Katie antes de morrer.
> (pág 294)

Katharina von Bora e Martinho Lutero casaram-se a 13 de junho de 1525 numa pequena cerimónia, realizando uma celebração maior a 27 de junho. Receberam o antigo dormitório agostiniano (o chamado Claustro Negro) como casa, oferecido por João, Eleitor da Saxónia, irmão de Frederico III. O Claustro Negro era um edifício vasto rodeado por terras férteis, que os Lutero abriram imediatamente a qualquer pessoa que necessitasse de alojamento, uma política que permaneceria em vigor durante os 20 anos seguintes.

### **A Vida Quotidiana, os Filhos e Conversas à Mesa**

Lutero deu três razões para o seu casamento: "para agradar ao seu pai, para irritar o papa e o Diabo, e para selar o seu testemunho antes do martírio" (Bainton, pág. 295). Ao início, não deu qualquer indicação de que realmente se importasse com a própria Katharina, mas pouco depois do casamento declarou: "Não trocaria a Katie pela França nem por Veneza, porque Deus deu-ma" (Bainton, pág. 294). O afeto de Lutero pela sua mulher é evidente nas suas cartas, nas quais a elogia como um tesouro, como "Doutor Lutero", "A Senhora de Zulsdorf" (a quinta de ambos), "Meu Senhor Katie" e "Minha Katie". O afeto de Katharina é evidente na forma como cuidava do marido, embora este apresentasse uma série de desafios. Bainton comenta:

> O casamento trouxe novas responsabilidades financeiras porque nenhum deles começou com um cêntimo. A mãe de Katherine morreu quando ela era bebé. O seu pai consignou-a a um convento e casou-se novamente. Nada fez por ela agora. Lutero tinha apenas os seus livros e as suas roupas. Não tinha direito às receitas do claustro, uma vez que tinha abandonado o hábito. Nunca tirou um centavo dos seus livros e o seu estipêndio universitário não chegava para o matrimónio. Em 1526, instalou um torno e aprendeu marcenaria para que, em caso de necessidade, pudesse sustentar a sua família. Mas pode-se duvidar se ele alguma vez levou este pensamento a sério. Ele estava mentalizado a dar-se exclusivamente ao serviço da Palavra e confiava que o Pai celestial providenciaria.
> (pág 298)

A sua fé na providência de Deus colocou Katharina no papel de provedora e sustentáculo do lar, que acabaria por incluir os seus seis filhos – Hans, Elizabeth (que morreu jovem), Magdalena (que morreu aos 13 anos), Martin, Paul e Margarete – quatro órfãos que acolheram do lado da família de Katharina, e vários outros que procuravam abrigo temporário ou a longo prazo. Adicionalmente, havia os amigos, estudantes e admiradores de Lutero, que vinham ouvi-lo falar em redor da mesa de jantar e a quem tinham de ser fornecidos comida e bebida. Os estudantes pensionistas garantiam um rendimento estável, mas em várias alturas chegavam a estar 25 pessoas em casa que precisavam de ser alimentadas.

Katharina cuidava de uma pequena quinta, cultivava um pomar, criou um viveiro de peixes para capturas frescas, mantinha um quintal com galinhas e patos, e criava vacas e porcos, que ela própria abatia e preparava. Também fabricava a sua própria cerveja, descrita como sendo de alta qualidade, que vendia e também usava para a casa. Além disso, tinha grandes cuidados com a saúde de Lutero, que nunca foi robusta. Bainton escreve:

> Ele sofreu numa altura ou noutra de gota, insónia, catarro, hemorroidas, obstipação, cálculos, tonturas e zumbidos nos ouvidos. Katie era mestre em ervas, cataplasmas e massagens. O seu filho Paul, que se tornou médico, dizia que a mãe era meia médica.
> (pág 299)

Ela apoiou o marido completamente e era tratada por ele como igual, estando sempre presente nos encontros que vieram a ser conhecidos como Conversas à Mesa, durante os quais Lutero dissertava sobre vários assuntos após o jantar e com abundância da cerveja da sua esposa. Os presentes anotavam tudo o que ele dizia, tendo mais tarde editado e publicado as peças coligidas, totalizando 6.596 entradas. Katharina disse a Lutero na altura que ele deveria cobrar-lhes por registarem as suas palavras, mas ele não o permitiu. Como era habitual, ela acatou os desejos dele e continuou o seu apoio, permitindo-lhe a liberdade intelectual e financeira para prosseguir o seu trabalho.

Ao longo do casamento, Katharina estava perfeitamente ciente da importância do seu marido, mas ele estava igualmente ciente de como o apoio dela lhe permitia prosseguir o seu trabalho. Os seus oponentes gozavam e insultavam regularmente Katharina pessoalmente e o seu casamento de forma geral em panfletos, aos quais Lutero respondia com muito maior engenho e perspicácia ao defendê-la. O casamento feliz de ambos serviu como modelo e inspiração para muitos outros na época e posteriormente.

### **Conclusão**

Lutero morreu de um AVC a 18 de fevereiro de 1546, e Katharina, numa carta à mulher do seu irmão, Christina von Bora, desabafou o seu luto pela perda, dizendo que não conseguia comer, beber ou dormir. A sua perda foi agravada por problemas financeiros. Lutero tinha-lhe deixado tudo no seu testamento, mas não o tinha executado devidamente, e a herança foi-lhe negada. Enquanto apelava às autoridades para retificar a situação, a Guerra de Esmalcalda eclodiu entre os seguidores de Lutero e as forças católicas sob o comando de Carlos V, Imperador do Sacro [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/)-Germânico.

[ ![Statue of Katharina von Bora](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15006.jpg?v=1773661685) Estátua de Katharina von Bora Thomas Schewe (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/15006/statue-of-katharina-von-bora/ "Statue of Katharina von Bora")Ela fugiu para Magdeburgo até o conflito terminar com uma derrota luterana em 1547 e depois regressou a Wittenberg, apenas para encontrar o Claustro Negro destruído, as suas terras devastadas e todos os animais desaparecidos. Conseguiu sustentar-se ali através da generosidade de João Frederico I, Eleitor da Saxónia, filho do Eleitor João que oferecera o claustro aos Lutero quando estes casaram. Em 1552, a peste atingiu Wittenberg e Katharina partiu para Torgau, onde esperava encontrar melhor fortuna e segurança. Caiu da sua carroça à entrada dos portões da cidade, partindo a anca, e contraiu depois uma doença desconhecida da qual morreu a 20 de dezembro, aos 53 anos.

Foi sepultada no cemitério da Igreja de Santa Maria, em Torgau, e foi amplamente esquecida posteriormente, à medida que a atenção continuava a ser prodigalizada ao seu marido. Estudos académicos sobre Katharina Lutero por mérito próprio só começaram a sério no século XX e têm sido dificultados pela escassez de fontes primárias que lhe dizem respeito. Mesmo assim, a sua reputação cresceu nos últimos 100 anos, à medida que passou a ser melhor reconhecida. Torgau acolhe agora o museu dedicado a ela, além de preservar a casa onde morreu. A partir de 2011, Torgau instituiu um prémio anual em nome de Katharina para feitos femininos notáveis em causas sociais, e ela é celebrada como uma mulher de fortes convicções e como o apoio emocional e prático que permitiu a Martinho Lutero desenvolver plenamente a sua visão.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Bainton, R. H. *Here I Stand: A Life of Martin Luther.* Abingdon Press, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1426754434/)
- [Bossy, J. *Christianity in the West 1400-1700 .* Oxford University Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0192891626/)
- [Gies, F. & J. *Women in the Middle Ages.* Harper Perennial, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/B01N3ME09X/)
- Gwen Seabourne. "Exits, Entries, and the Allure of the Runaway Nun." *Legal History Miscellany: https://legalhistorymiscellany.com/2021/02/17/allure-of-the-runaway-nun/*, 17 February 2021, pp. 1-5.
- [Roper, L. *Martin Luther: Renegade and Prophet.* Random House Trade Paperbacks, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/0812986059/)
- [Rublack, U. *The Oxford Handbook of the Protestant Reformations .* Oxford University Press, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0198845960/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **1499 CE - 1552 CE**: Life of [Katharina von Bora](https://www.worldhistory.org/Katharina_von_Bora/), wife of [Martin Luther](https://www.worldhistory.org/Martin_Luther/), also known as Katherine Luther.

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, May 19). Katharina von Bora. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20330/katharina-von-bora/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Katharina von Bora." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 19, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20330/katharina-von-bora/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Katharina von Bora." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 19 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20330/katharina-von-bora/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 19 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

