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title: Frotas de Tesouros Espanholas
author: Mark Cartwright
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20173/frotas-de-tesouros-espanholas/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2024-03-24
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# Frotas de Tesouros Espanholas

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Entre os séculos XVI e XVIII, duas frotas de tesouros navegavam anualmente, uma para o México e outra para a América Central, então partes do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Espanhol. Lá elas coletavam mercadorias orientais valiosas e as riquezas das Américas, incluindo toneladas de prata das minas do Peru e México. Conhecidas em inglês como *plate fleets* \[frotas da prataria\], de *plata* (prata, em espanhol), os dois comboios se agrupavam em Havana (Cuba), antes de navegar de volta para a Espanha.

Os galeões espanhóis que carregavam estas valiosas mercadorias e que protegiam outras embarcações similares no comboio eram bem armados com canhões e carregados de tropas. Corsários, bucaneiros e piratas ficavam intensamente tentados por estas arcas de tesouros flutuantes, que carregavam em seus porões mais do que a arrecadação anual de alguns reinos europeus. O sistema de comboio, no entanto, funcionava bem e, com a maioria dos inimigos atacando os portos de tesouros em vez disso, o maior risco para as frotas de tesouros era naufragar em tempestades, correntes traiçoeiras ou recifes de corais ocultos.

### Da Espanha para as Américas

A partir da primeira metade do século XVI, a Espanha controlava a maior parte das Américas Central e do Sul. Dos povos conquistados, como os astecas, maias e incas, os espanhóis extraíam quaisquer objetos de valor que pudessem encontrar, além de explorar minas de prata no México e América do Sul. As frotas de tesouros levavam esta riqueza para a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) como bens que passavam a pertencer à Coroa Espanhola, aos mercadores coloniais que os enviavam para seus sócios europeus ou aos investidores privados que financiavam as embarcações.

A cada ano, a partir de 1543, duas frotas diferentes de galeões espanhóis e outros navios navegavam da Espanha para as Américas. Estavam carregados com moedas, barras de ouro e prata, produtos manufaturados europeus de alto valor, vinho, azeite, vidraria, armas, ferramentas, roupas, livros, papel e vários passageiros. As frotas então cruzavam o Atlântico com este prêmio ansiosamente antecipado pelos mercadores e colonizadores nas Américas. A *flota* \[frota\] da Nova Espanha navegava de Sevilha, geralmente em março-abril, primeiro para as Ilhas Canárias e depois através do Atlântico até San Juan, em Porto Rico. Em seguida, a frota seguia para Santo Domingo, em Hispaniola, e para Santiago de Cuba, na costa leste de Cuba, para finalmente chegar a Veracruz, no México. Um grupo diferente, a frota *Tierra Firme*, deixava Sevilha ou Cádiz, tipicamente em agosto-setembro, e navegava para Santa Marta e a vizinha Cartagena (na atual Colômbia), e então para Portobelo (no atual Panamá), antes de retornar a Cartagena.

[ ![Mapa da Costa Firme e dos Refúgios de Piratas nas Caraíbas, cerca de 1670](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14550-pt.png?v=1776773924-1777744801) As Possessões Espanholas e os Refúgios Piratas do Caribe por volta de 1670 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-14550/mapa-da-costa-firme-e-dos-refugios-de-piratas-nas/ "Mapa da Costa Firme e dos Refúgios de Piratas nas Caraíbas, cerca de 1670")### Os Portos de Tesouros

Os portos de tesouros das Possessões Espanholas davam as boas-vindas anualmente às frotas, tendo armazenado uma grande quantidade de carga pronta para transporte para a Espanha. A maioria dispunha de fortificações reforçadas para protegê-los dos ataques de corsários, bucaneiros e piratas de todas as nacionalidades. Os três principais portos eram Veracruz, Portobelo e Cartagena, mas havia vários outros visitados pelas frotas e as paradas exatas e a sequência delas variavam a cada ano.

Veracruz, fundada em 1519, tinha a proteção da fortaleza da ilha de San Juan de Ulúa. Nela situava-se o ponto de coleta da prata extraída do México e das preciosas mercadorias orientais trazidas pelos galeões de Manila (veja abaixo) para Acapulco e então transportadas via terrestre até o povoado. Os navios de tesouros passavam o inverno em Veracruz antes de partir de volta para a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/).

Portobelo (ou Puerto Bello), no istmo do Panamá, era o ponto de coleta da prata trazida das minas de Potosí (Bolívia) que, em seu auge, por volta de 1600, rendiam cerca de 9 milhões de pesos de prata. Enviada por [galeão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19938/galeao/) para o Panamá, na costa ocidental do istmo, a prata seguia dali por via terrestre, em comboios de mulas, para Portobelo (que substituiu Nombre de Dios em 1596). O inglês [Francis Drake](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19017/francis-drake/) (c. 1540-1596) certa vez descreveu este canto do Império Espanhol como "a casa do tesouro do mundo" (Cordingly e Falconer, 15).

Cartagena, fundada em 1533, era um ponto de coleta de esmeraldas, pérolas, ouro, prata e madeira de lei da América do Sul setentrional. Ficou conhecida como “Rainha das Índias” (como as Américas eram então conhecidas) e, a partir de 1614, graças à sua miríade de fortificações, tornou-se inexpugnável. Os navios de tesouros *Tierra Firme* passavam o inverno em Cartagena.

[ ![Muisca Double Eagle Pendant](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/3983.jpg?v=1664828403-1435732114) Pingente Duplo de Águia Muisca Metropolitan Museum of Art (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/3983/muisca-double-eagle-pendant/ "Muisca Double Eagle Pendant")### Os Galeões de Manila

As frotas de tesouros do Atlântico não carregavam somente as riquezas das Américas: também tinham em seus porões mercadorias preciosas da Ásia. Estas últimas eram trazidas em outra frota de tesouro, os galeões de Manila, carregados anualmente nesta cidade, nas Filipinas espanholas, e que então navegavam para Acapulco. Tratava-se de uma viagem que punha as tripulações e embarcações à prova e que durava seis meses, em média. Os galeões de Manila estiveram em operação de 1565 até 1815. Os espanhóis os chamavam de *naos de China*, ou “naus chinesas”, já que transportavam mercadorias orientais de alto valor. Embora alguns itens fossem vendidos em feiras em Acapulco, a maior parte chegava até Veracruz por terra e carregada nos navios da *flota* destinada à Espanha. Uma vez descarregados, os galeões retornavam a Manila carregando (em média) 3 milhões de peças de oito \[antiga moeda da Espanha\] de prata para aquisição de novas mercadorias que, por sua vez, seriam transportadas na próxima viagem para as Américas.

### De Havana para a Espanha

Havana era o coração das Possessões Espanholas e o ponto onde todos os navios das duas frotas de tesouros se reuniam, na primavera, antes de cruzar o Atlântico. Esta joia do Império Espanhol dispunha de um porto estreito, facilmente protegido pelas massivas fortificações e, a partir de meados do século XVIII, por uma guarnição de 6.000 homens e 18 canhões. As duas frotas geralmente partiam no verão, mas nem sempre navegavam juntas. Quando o faziam, cada uma tinha seu próprio comandante. Os navios geralmente chegavam na Espanha em outubro ou novembro.

### A Carga das Frotas de Tesouros

Retornando à Europa, as frotas de tesouros espanholas transportavam:

- prata (moedas e barras)
- ouro (pó e barras)
- pedras preciosas
- pérolas
- peles
- açúcar
- tabaco
- cacau
- chá
- índigo
- madeira de lei
- fardos de lã de lhama
- rolos de seda
- algodão indiano
- tapetes persas
- especiarias
- porcelana chinesa
- medicamentos
- perfumes
- conchas
- plumas de quetzal \[pássado da Mesoamérica\]
- animais vivos, como pumas, jaguares, papagaios e macacos-gritadores
- Obras de arte americanas e asiáticas e joias feitas com materiais preciosos.

[ ![Headdress of Motecuhzoma II](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2093.jpg?v=1751562667) Adorno de Cabeça de Motecuhzoma II Jonathan (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2093/headdress-of-motecuhzoma-ii/ "Headdress of Motecuhzoma II")A princípio, mantinha-se a quantidade de tesouros acumulados pelos espanhóis como um segredo de estado muito bem guardado, mas já em 1522 tratava-se de um segredo dourado de polichinelo. Jean de Fleury (ou Florin, m. 1527), que liderava uma frota de oito navios, capturou três navios de tesouro das Américas próximo ao Cabo de São Vicente, em Portugal. O corsário francês maravilhou-se com os três enormes baús de barras de ouro, 226 quilos de pó de ouro, 308 quilos de pérolas e estojos de esmeraldas, bem como caixas cheias de [arte asteca](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12195/arte-asteca/) e objetos religiosos feitos de todo tipo de materiais exóticos e preciosos. Havia até papagaios vivos e jaguares. Não é surpresa alguma, então, que a arrecadação anual da Coroa Espanhola tenha disparado de 35.000 ducados em 1516 para 2 milhões de ducados 40 anos depois. Por volta de 1600, só de prata tinham sido transportadas para a Espanha 25.000 toneladas.

### Proteção da frota

Um gigantesco baú de tesouro flutuante era uma tentação óbvia para qualquer patife dos mares, mas colocar as mãos num deles estava longe de ser fácil. Mesmo nos anos iniciais, pré-comboios, um [galeão espanhol](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19941/galeao-espanhol/) podia ostentar um formidável aparato de até 60 canhões acima e abaixo do convés, e lâminas em forma de crescente fixadas nos lais de verga, projetados para cortar as velas e o cordame de qualquer navio que se atrevesse a navegar ao seu lado.

Um galeão era certamente muito maior e melhor armado do que qualquer embarcação pirata e até da maioria dos navios da Marinha. Além disso, dispunham de grandes tripulações e um contingente de soldados profissionais, liderados por um comandante militar. Os passageiros também se dispunham a lutar, caso necessário. As superestruturas elevadas na proa e popa de um galeão proporcionavam aos atiradores de elite uma excelente plataforma elevada para disparar nos navios inimigos.

Os navios também eram muito difíceis de se localizar no mar aberto. Isso se mostrou ainda mais evidente no caso dos galeões de Manila que navegavam sozinhos – em mais de 250 anos de atividade, somente quatro foram capturados nas águas relativamente seguras do Oceano Pacífico.

[ ![Spanish Conquistadores Being Tortured](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14812.png?v=1636466345) Conquistadores Espanhóis Sendo Torturados Theodor de Bry (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14812/spanish-conquistadores-being-tortured/ "Spanish Conquistadores Being Tortured")A partir de 1555, seguindo uma sugestão feita pelo capitão-general Pedro Menéndez de Avilés, os navios de tesouros passaram a viajar em enormes comboios, acompanhados de vários navios de guerra para maior segurança. Os navios mercantes, por si só armados com canhões, tiveram proteção adicional de uma força-tarefa específica, a *Armada de la Guarda de la Carrera de las Indias*. Esta frota de navios de guerra foi criada em 1521 para patrulhar as águas entre o trecho final da rota, dos Açores até a Espanha. Ao longo dos anos, cresceu até ser composta por 16 galeões espanhóis. A partir da década de 1540, a força-tarefa acompanhou galeões por todo o trajeto do Caribe até a Europa, encontrando-se com a frota de tesouro em Havana e navegando através das águas entre a Flórida e as Bahamas, e então de volta à Espanha. Se as frotas de tesouros estivessem navegando de volta separadamente, os galeões militares davam prioridade à frota *Tierra Firme*, mais valiosa devido à prata sul-americana (daí o nome de “Frota dos Galeões”). Em seu auge, a frota que vinha da Espanha para as Américas tinha quatro navios de guerra como escolta, enquanto as frotas de tesouros que retornavam à Europa podiam chegar a 90 embarcações mercantes e pelo menos oito navios de guerra.

Os navios de escolta eram financiados por um imposto cobrado dos donos de navios (*averia*) sobre os produtos destinados às Américas. Os armadores que quisessem se arriscar à navegação sem escolta estavam sujeitos a duras penalidades financeiras. Mais adiante, um decreto real determinou a manutenção de uma formação rígida no interior do comboio:

> Nenhum navio deve deixar o comboio por qualquer motivo, nem mesmo para perseguir uma embarcação inimiga. Se um navio quebrar esta regra alguma vez, seu capitão e o navegador serão multados cada um em 50.000 pesos e proibidos de navegar para a América por dois anos. (Citado em Wood, 68)

[ ![Capture of the Nuestra Señora de Cavadonga](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14400.jpg?v=1751872517) A Captura da 'Nuestra Señora de Covadonga' Samuel Scott (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14400/capture-of-the-nuestra-senora-de-cavadonga/ "Capture of the Nuestra Señora de Cavadonga")Com efeito, os vagarosos galeões eram formidáveis castelos marítimos. Quando em comboio, um “castelo” podia proteger outro com fogo de proteção. O sistema funcionava bem. Havia proteção adicional proporcionada por uma frota itinerante de navios de guerra no Caribe, as *Armadas de Borlavento* (Armadas de Barlavento). Elas entraram em serviço a partir de 1578, primeiro com dois navios baseados em Cartagena e então com mais dois em Hispaniola e dois no Panamá. Estas embarcações quase sempre eram impulsionadas por remos e velas, para que pudessem alcançar os rápidos navios piratas.

Finalmente, havia sempre a opção de não navegar em absoluto, como acontecia durante guerras generalizadas como, por exemplo, o conflito entre Espanha e Inglaterra de 1585 a 1603. Nestes períodos, quando o alto-mar se tornava especialmente perigoso, as frotas de tesouros pulavam um ano.

Como consequência de todas estas precauções defensivas e estratégicas, um navio de tesouro corria mais perigo de naufrágio por tempestades, recifes ou fogo acidental do que por ataques inimigos. Bucaneiros como o inglês Henry Morgan (c. 1635-1688) e o holandês Laurens de Graaf preferiam tentar a sorte nos portos de tesouros, a despeito de suas fortificações. Ainda assim, houve alguns desastres para a Espanha ao longo dos anos, mas estes têm a vantagem de fornecer dados aos historiadores sobre o que exatamente os navios de tesouros carregavam em seus porões secretos de carga.

### Capturas Notáveis

Em março de 1579, Francis Drake capturou o *Nuestra Señora de la Concepción* \[Nossa Senhora da Conceição), ou *Cacafuego* \[em inglês, fanfarrão, pessoa explosiva\], um navio de tesouro que levava 26 toneladas de barras de prata, 13 baús de prataria, 36 quilos de ouro e muitas pedras preciosas provenientes desde o Peru até o Panamá. O valor da carga alcançou pelo menos 1,5 milhão de ducados, mais do que a arrecadação anual de muitos reinos europeus, e tornou Drake o homem mais rico da Inglaterra.

[ ![Cartagena on the Spanish Main](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14748.png?v=1672161003) Cartagena nas Possessões Espanholas Baptista Boazio (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14748/cartagena-on-the-spanish-main/ "Cartagena on the Spanish Main")O [galeão de Manila](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20072/galeao-de-manila/) *Grande Santa Ana*, capturado por [Thomas Cavendish](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19021/thomas-cavendish/) (1560-1592) em 1587, transportava 22.000 pesos de ouro e 600 toneladas de preciosas sedas e especiarias.

Por volta de 1620, pelo menos de acordo com nossa única fonte, o famoso autor sobre bucaneiros Alexander Exquemelin (1645-1700), o pirata normando Pierre Le Grand (nome verdadeiro desconhecido) capturou próximo a Hispaniola nada menos do que a [nau](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19847/nau/) capitânia da frota de tesouro espanhola. Os homens de Le Grand abordaram o galeão durante a noite e tomaram a embarcação facilmente.

Em setembro de 1628, uma força holandesa de 31 navios, liderada pelo almirante Piet Pieterszoon Hein (1577-1629) capturou uma frota de tesouro da Nova Espanha que rumava para Havana. Hein conseguiu se apoderar de 46 toneladas de prata e vários outros objetos preciosos. A captura foi um sinal dos tempos, já que o poderio naval da Espanha declinava, enquanto os da Grã-Bretanha, França e dos Países Baixos ascendiam.

Estes sucessos e outros foram as exceções, no entanto. Muito mais comum eram embarcações menores e menos valiosas sucumbirem ao ataque quando se separavam do comboio principal, como aconteceu em 1591, nas Índias Ocidentais, quando uma frota de cinco navios, comandada por William Lane, capturou duas presas isoladas da frota da Nova Espanha.

### O Fim das Frotas de Tesouros

As quantidades de despojos extraídos das Américas declinou a partir da década de 1620, com as minas bolivianas produzindo menos de um quarto da prata em 1700 em relação ao século anterior. Conflitos como a Guerra da Sucessão Espanhola, de 1701 a 1714, causaram uma severa interrupção na regularidade das frotas de tesouros. De qualquer forma, os comboios continuaram até a década de 1730, com apenas uma frota menor prosseguindo a partir do México entre 1754 e 1789. Mesmo se alguns navios de tesouros continuassem a navegar, por volta de meados do século XVIII, novos centros comerciais haviam se desenvolvido e outras commodities usurparam a dominância exercida pela prata, seda e especiarias. Os Estados Unidos, Brasil, Índia e China, os novos grandes atores, faziam negócios com mercadorias lucrativas como chá, ópio, açúcar, tabaco, café e algodão, em imensas quantidades e em nível mundial.

[ ![Pieces of Eight from the Whydah](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14662.png?v=1760636411) Peças de Oito Espanholas do Whydah Theodore Scott (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/14662/pieces-of-eight-from-the-whydah/ "Pieces of Eight from the Whydah")### Naufrágios de Frotas de Tesouros

Muito naufrágios de galeões espanhóis têm sido descobertos, particularmente no Caribe e, ainda que poucos tenham rendido os tesouros que seus descobridores esperavam, alguns mantiveram suas preciosas cargas intactas. Estes sítios arqueológicos são também um registro inestimável das frotas de tesouros e da vida cotidiana dos marinheiros que atuavam nelas.

O *Nuestra Señora de Atocha* \[Nossa Senhora de Atocha\] carregava uma carga valendo 400 milhões de dólares quando naufragou numa tempestade ao longo do arquipélago Florida Keys, em 1622. O navio, construído com mogno, foi descoberto por Mel Fischer. No compartimento de carga, as 20 toneladas de lingotes de 31 quilos de prata ainda estavam empilhadas tão perfeitamente como há 350 anos. O navio também carregava cerca de um milhão de pesos de prata e muitas esmeraldas. A embarcação era típica das que compunham a *flota*: 500 toneladas e uma tripulação de 200 marinheiros, além de 90 soldados e 50 passageiros, protegida por pelo menos 24 canhões. Seus artefatos estão agora em exibição em Key West, no estado norte-americano da Flórida.

O *Nuestra Señora de Encarnación* \[Nossa Senhora da Encarnação\] afundou durante uma tempestade ao longo da costa do Panamá, no Caribe, em 1681. Em seu trajeto para Portobelo, o navio estava carregado com mais de 100 baús de madeira, contendo cerâmica, lâminas de espadas, ferraduras para mulas (destinadas à rota Panamá-Portobelo) e ferramentas. As mercadorias mais finas da carga há muito tempo pereceram, restando somente os selos de chumbo para dar uma pista do que poderia estar a bordo. O sítio do naufrágio, descoberto em 2010, foi escavado e pesquisado por uma equipe de arqueólogos marinhos da Universidade Estadual do Texas e fornecem excelentes informações sobre a fabricação de navios espanhóis do século XVII.

O *Nuestra Señora de las Mercedes* \[Nossa Senhora das Mercês\] transportava talvez 500.000 moedas de ouro e prata quando foi afundado pelos britânicos em 1804. O sítio do naufrágio virou alvo de disputas pelos bens entre a companhia privada que o descobriu e os governos do Peru e da Espanha. Em 2012, a Espanha foi finalmente declarada a proprietária por um tribunal federal norte-americano. Portanto, ao que parece, os navios de tesouros são ainda tão cobiçados nos dias de hoje quanto o foram nos dias do Império Espanhol.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Breverton, Terry. *Breverton's Nautical Curiosities.* Lyons Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1599219794/)
- [Chartrand, René & Spedaliere, Donato. *The Spanish Main 1492–1800 .* Osprey Publishing, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/1846030056/)
- [Cordingly, David & Falconer, John. *Pirates.* Royal Museums Greenwich, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1906367779/)
- [Giraldez, Arturo. *The Age of Trade.* Rowman & Littlefield Publishers, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/0742556638/)
- [Konstam, Angus & Bryan, Tony. *Spanish Galleon 1530–1690 .* Osprey Publishing, 2004.](https://www.worldhistory.org/books/1841766372/)
- [Konstam, Angus & McBride, Angus. *Buccaneers 1620–1700 .* Osprey Publishing, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/1855329123/)
- [Rogozinski, Jan. *Pirates!.* Facts on File, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0816027617/)
- [Wood, Peter. *The Spanish Main .* Time Life Education, 1980.](https://www.worldhistory.org/books/0809427206/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **1510 CE**: The Spanish found Nombre de Dios in Panama.
- **1519 CE**: The Spanish found the [city](https://www.worldhistory.org/city/) of Panama.
- **1519 CE**: Veracruz, Mexico is founded by [Hernán Cortés](https://www.worldhistory.org/Hernan_Cortes/).
- **c. 1520 CE - 1789 CE**: [Spanish treasure fleets](https://www.worldhistory.org/Spanish_Treasure_Fleets/) transport the riches of the Americas to Spain.
- **13 Aug 1521 CE**: The [Aztec](https://www.worldhistory.org/Aztec_Civilization/) capital of [Tenochtitlan](https://www.worldhistory.org/Tenochtitlan/) falls into the hands of Spanish forces led by [Hernán Cortés](https://www.worldhistory.org/Hernan_Cortes/).
- **1522 CE**: Jean de Fleury (aka Florin) captures three Spanish treasure ships off Cape Vincent.
- **c. 1530 CE**: The first [Spanish galleons](https://www.worldhistory.org/Spanish_Galleon/) come into operation.
- **15 Nov 1533 CE**: [Francisco Pizarro](https://www.worldhistory.org/Francisco_Pizarro/) takes the [Inca](https://www.worldhistory.org/Inca_Civilization/) capital of [Cuzco](https://www.worldhistory.org/Cuzco/).
- **1555 CE**: Captain-General Pedro Menendez de Avilés begins a system of large and escorted convoys for the [Spanish treasure fleets](https://www.worldhistory.org/Spanish_Treasure_Fleets/).
- **Jul 1555 CE**: The French privateer Jacques de Sores brutally attacks Havana.
- **1565 CE - 1815 CE**: The Manila [galleons](https://www.worldhistory.org/Galleon/) each year take eastern [trade](https://www.worldhistory.org/disambiguation/trade/) goods from Manila to Acapulco (and return with American [silver](https://www.worldhistory.org/Silver/)).
- **1572 CE - 1573 CE**: [Francis Drake](https://www.worldhistory.org/Francis_Drake/) explores Panama and seizes a Spanish [silver](https://www.worldhistory.org/Silver/) mule train.
- **Mar 1579 CE**: [Francis Drake](https://www.worldhistory.org/Francis_Drake/) captures the Spanish treasure ship Nuestra Señora de la Concepción (aka Cacafuego).
- **1585 CE - 1587 CE**: Sir [Francis Drake](https://www.worldhistory.org/Francis_Drake/) attacks Spanish vessels and ports in the [Spanish Main](https://www.worldhistory.org/Spanish_Main/).
- **Nov 1587 CE**: The English privateer [Thomas Cavendish](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cavendish/) captures the [Manila galleon](https://www.worldhistory.org/Manila_Galleon/) Great Saint Anna (actually a [carrack](https://www.worldhistory.org/Carrack/)).
- **Aug 1595 CE**: [John Hawkins](https://www.worldhistory.org/John_Hawkins/) and [Francis Drake](https://www.worldhistory.org/Francis_Drake/) lead an unsuccessful expedition against Spanish ships and settlements in Panama and the Caribbean.
- **1596 CE**: Portobelo replaces Nombre de Dios as the chief Atlantic port in Panama.
- **1620 CE - 1697 CE**: [Buccaneers](https://www.worldhistory.org/Buccaneer/) operate in the Caribbean and attack both ports and ships along the [Spanish Main](https://www.worldhistory.org/Spanish_Main/).
- **1622 CE**: The Nuestra Señora de Atocha Spanish treasure ship is wrecked in a storm off the Florida Keys.
- **Sep 1628 CE**: A Dutch force led by Admiral Hein captures the entire New Spain treasure fleet on its way to Havana.
- **Jul 1668 CE**: A [buccaneer](https://www.worldhistory.org/Buccaneer/) force led by [Henry Morgan](https://www.worldhistory.org/Henry_Morgan/) attacks and captures Portobelo on the [Spanish Main](https://www.worldhistory.org/Spanish_Main/).
- **Jan 1671 CE**: A [buccaneer](https://www.worldhistory.org/Buccaneer/) force led by [Henry Morgan](https://www.worldhistory.org/Henry_Morgan/) attacks and captures the port of Panama on the [Spanish Main](https://www.worldhistory.org/Spanish_Main/).
- **1681 CE**: The Nuestra Señora de Encarnación Spanish treasure ship is wrecked in a storm off the coast of Panama.
- **1683 CE**: Laurens De Graaf leads a [buccaneer](https://www.worldhistory.org/Buccaneer/) attack on Veracruz on the [Spanish Main](https://www.worldhistory.org/Spanish_Main/).
- **1697 CE**: The [conquest](https://www.worldhistory.org/warfare/) of the [Maya Civilization](https://www.worldhistory.org/Maya_Civilization/) completed by the Spanish [conquistador](https://www.worldhistory.org/Conquistador/) Martín de Ursúa.
- **1697 CE**: The last great [buccaneer](https://www.worldhistory.org/Buccaneer/) operation captures Cartagena on the [Spanish Main](https://www.worldhistory.org/Spanish_Main/).
- **1 Jan 1710 CE**: The English privateer [Woodes Rogers](https://www.worldhistory.org/Woodes_Rogers/) captures the [Manila galleon](https://www.worldhistory.org/Manila_Galleon/) Nuestra Señora de la Encarnación Disengaño.
- **1743 CE**: The [Manila galleon](https://www.worldhistory.org/Manila_Galleon/) Covadonga is captured by a Brtiish naval fleet near Manila.
- **1762 CE**: A British fleet commanded by Admiral Cornish captures the Spanish [Manila galleon](https://www.worldhistory.org/Manila_Galleon/) Santísima Trinidad.
- **1815 CE**: The last [Manila galleon](https://www.worldhistory.org/Manila_Galleon/), the San Fernando, arrives in Acapulco.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2024, March 24). Frotas de Tesouros Espanholas. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20173/frotas-de-tesouros-espanholas/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Frotas de Tesouros Espanholas." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, March 24, 2024. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20173/frotas-de-tesouros-espanholas/>.
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Cartwright, Mark. "Frotas de Tesouros Espanholas." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 24 Mar 2024, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20173/frotas-de-tesouros-espanholas/>.

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Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 24 March 2024. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

