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title: Orixás
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20104/orixas/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-23
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# Orixás

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os Orixás (também grafados como Orisha, Orisa e Orishas) são entidades sobrenaturais geralmente designadas por divindades na religião Iorubá da África Ocidental, embora sejam, na verdade, emanações ou avatares do ser supremo Olodumaré (ou Olódùmarè). O seu número é habitualmente apontado como sendo 400 + 1, servindo como uma espécie de forma abreviada para "sem número" ou inumeráveis.

Acredita-se que a crença nos orixás se tenha desenvolvido entre 500 e 300 a.C., mas é muito provável que seja muito mais antiga, uma vez que esta datação é apoiada por evidências arqueológicas e existem muitos locais na África Ocidental ainda por escavar. De acordo com a crença iorubá, Olodumaré é demasiado imenso para ser compreendido pela mente humana e, por isso, manifestou diferentes aspetos de si próprio, cada um dos quais recebeu aleatoriamente uma determinada esfera de influência. Olodumaré lançou os poderes de dominação ao ar, e o orixá que apanhou cada um ficou responsável por essa respetiva esfera de influência.

Os orixás viajaram para as Américas e para as Caraíbas através do comércio transatlântico de escravizados, período em que muitos iorubás foram escravizados, e aí sincretizaram-se com os santos cristãos do catolicismo. Os iorubás conseguiram continuar a praticar a sua religião ao tornarem-se nominalmente católicos, uma vez que os santos desempenhavam no catolicismo o mesmo papel que os orixás na sua fé de origem, servindo de intermediários entre o crente e a divindade suprema.

Atualmente, as pessoas invocam os orixás em rituais pessoais ou comunitários em busca de força espiritual, iluminação ou auxílio nos desafios diários. Embora existam muitos orixás, considera-se que sete são os mais poderosos e tornaram-se os mais populares entre os praticantes modernos. O culto dos orixás é hoje praticado por pessoas em todo o mundo sob várias formas, incluindo os sistemas da santeria, do candomblé e do vodum, bem como por católicos nominais e por aqueles que se identificam como neopagãos, wiccanos ou adeptos da Nova Era (New Age).

### Religião Iorubá

As crenças da religião iorubá foram transmitidas oralmente durante gerações até serem registadas por escrito, pelo que existem várias versões diferentes das mesmas histórias. Nalgumas, a divindade suprema é designada por Olodumaré; noutras, por Olodumaré-Oloorun; e noutras ainda, por Olofin. Contudo, todas se referem à mesma entidade — nem masculina nem feminina —, que tanto criou o universo como é o próprio universo. Várias obras contemporâneas sobre a fé iorubá afirmam que Olodumaré habita nas alturas dos céus, alheio às preocupações dos que vivem na terra e incapaz de ouvir as preces das pessoas; no entanto, esta perspetiva não parece ser corroborada pelas histórias em que a entidade se mostra consciente e envolvida nas lutas tanto dos orixás como dos mortais. O investigador Alex Cuoco comenta:

> Olodumaré-Oloorun é o [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) Supremo e Todo-Poderoso dos iorubás e não um orixá. Tem sido erradamente retratado, por antigos missionários na África Ocidental e na diáspora africana, como um Deus distante, mas poderoso, cujos desígnios e morada são obscuros. Contudo, ao contrário da visão dos missionários e da diáspora, Olodumaré-Oloorun é um Deus poderoso que está sempre presente em todas as coisas, ainda que esteja acima dos orixás e de todas as pessoas na terra.
> (pág. 2)

O uso do pronome masculino por parte de Cuoco serve apenas por conveniência, uma vez que Olodumaré é Todas as Coisas e, portanto, tanto masculino como feminino. Na cosmologia iorubá, Olodumaré ocupa o topo da hierarquia, e tudo o resto descende a partir dele:

- Olodumaré
- Orixás
- Seres Humanos
- Antepassados Humanos
- Plantas e Animais

No mesmo plano que os orixás encontram-se os *Ajogun*, que são difíceis de definir, mas que são frequentemente associados ao conceito ocidental de demónio. Um *Ajogun* é um ser sobrenatural que causa sarilhos, estimula desentendimentos, traz doenças e provoca acidentes. No entanto, não são demónios porque, segundo a crença iorubá, todas as coisas na criação — naturais e sobrenaturais — possuem os aspetos da positividade (*ire*) e da negatividade (*ibi*), pelo que nada pode ser entendido como inteiramente bom ou completamente maléfico. É possível que os *Ajogun* sejam orixás trapaceiros, mas, seja o que forem, não podem ser considerados "maus" ou "demoníacos" no sentido cristão.

Os antepassados humanos surgem na hierarquia porque se compreende que os espíritos daqueles que partiram continuam a existir e são capazes de exercer a sua influência sobre os vivos. Devem, contudo, ser honrados através da lembrança e invocados para o efeito pelos seres humanos vivos, situando-se, por isso, abaixo dos vivos na hierarquia. As plantas e os animais, embora no fundo da escala, não são considerados de menor valor do que os humanos ou os antepassados, sendo apenas menos capazes de agência. Compreende-se que as plantas e os animais possuem a mesma faísca divina que os seres humanos.

A história da criação da tradição iorubá, tal como muitas outras, tem diferentes versões. Numa delas, num passado longínquo no início dos tempos, Olodumaré criou os orixás e distribuiu os poderes entre eles de forma aleatória. Os orixás juntaram-se então junto ao grande embondeiro, que lhes providenciava tudo o que precisavam, e recusaram-se a usar os seus poderes para a criação, preferindo satisfazer as suas próprias necessidades. Olodumaré encarregou-se então do ato de criação por intermédio do orixá (ou deus) Odudau (Odùduwà), que criou o povo iorubá e estabeleceu a vida na cidade de [Ifé](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18028/ife/) (também chamada Ilê-Ifé), bem como o conceito de identidade cultural e de realeza. O facto de os orixás terem decidido, ou não, participar posteriormente na criação não é esclarecido.

Contudo, a sua participação na criação é relatada noutra versão, na qual o orixá Oxalá/Obatalá separa a terra das águas e Olodumaré envia então 17 orixás para concluir a obra. 16 dos orixás são do sexo masculino e a 17.ª, Oxum, não só é do sexo feminino como é a mais jovem de todos. Os machos ignoram os seus esforços e sugestões e acabam por falhar na sua tarefa. São forçados a regressar a Olodumaré e a admitir o seu fracasso, sendo-lhes perguntado o que aconteceu ao 17.º elemento que foi enviado com eles. Os orixás masculinos confessam que a ignoraram por ser mulher e muito mais jovem, e é-lhes dito que apenas ela pode concluir a obra. Os orixás regressam à terra e pedem desculpa a Oxum, que conclui a criação com as dádivas da beleza, da fertilidade, do amor e da doçura, incutindo a necessidade destas coisas em todas as pessoas em toda a parte, às quais tinha sido dada vida através do sopro de Olodumaré.

[ ![Oduduwa Statue](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14689.jpg?v=1737608044) Estátua de Odudau The\_AyeniPaul (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14689/oduduwa-statue/ "Oduduwa Statue")Desta forma, todos os seres humanos estão ligados uns aos outros — independentemente do seu aspeto, religião ou localização —, porque todos devem a sua existência ao mesmo sopro divino que os anima, e todos os seres humanos estão relacionados com os outros seres vivos pela mesma razão. Esta força animadora é conhecida como *Ashe* (ou *Ase*) e é essencialmente a própria vida, uma vez que se encontra em constante movimento e transformação. Acredita-se também que cada ser humano possui um *Ayanmo* (destino), escolhido por si antes do nascimento mas esquecido uma vez nascido, o qual se deve realizar no decurso da própria vida. Se alguém não o conseguir fazer, por qualquer motivo, reencarna e tenta novamente na vida seguinte.

Os Orixás existem para ajudar os seres humanos a alcançar o seu objetivo de auto-realização, mas estas entidades não são perfeitas e, por vezes, atrapalham as pessoas, muitas vezes sem querer, porque cada uma tem a sua personalidade e defeitos próprios, tal como os seres humanos. Os Orixás, tal como os mortais, devem dedicar-se a desenvolver um caráter forte que persiga o que é bom e evite o que é mau, mas nem as pessoas nem os Orixás são capazes de o fazer constantemente, e a fraqueza pessoal, o desejo, o orgulho, o rancor e a arrogância interponham-se frequentemente entre o que os Orixás sabem que devem fazer e o que querem fazer.

### Olodumaré e os Orixás

Os melhores exemplos disso são as histórias em que os orixás se rebelam contra Olodumaré, convictos de que a divindade suprema é demasiado velha para gerir a manutenção do mundo e de que eles o fariam muito melhor. Numa delas, os orixás reúnem-se para discutir como se podem livrar de Olodumaré e decidem assustá-lo até à morte, convidando-o para uma das suas cabanas e soltando depois ratos no aposento durante o jantar — um animal de que Olodumaré tinha medo. Os orixás orgulham-se do seu plano, mas esquecem-se de incluir Exu (também conhecido por Eshu e Elegua, o deus mensageiro que preside às portas, cruzamentos e mudanças) no que estavam a tramar. Contudo, Exu conhecia o plano, pois estava presente à porta quando o formularam, mas não avisou Olodumaré das intenções deles.

No dia combinado, Olodumaré dirigiu-se à cabana dos orixás onde os ratos estavam escondidos, esperando alegremente partilhar uma refeição com os outros, mas, assim que a ombreira foi ultrapassada, a porta bateu com força e centenas de ratos foram soltos a correr pelo chão. Olodumaré ficou aterrorizado e fugiu dos ratos, mas Exu apareceu, acalmou a divindade e comeu rapidamente todos os ratos. Olodumaré exigiu saber quem tinha feito aquilo, e Exu apontou os culpados, que foram rapidamente punidos. Exu foi recompensado com a dádiva de poder fazer o que bem entendesse, quando bem entendesse, sem restrições nem consequências, o que lhe permitiu tornar-se numa figura trapaceira que interfere livremente na vida dos outros (por razões que só ele conhece), promovendo a transformação.

Noutra história, os orixás recusam-se a continuar a obedecer a Olodumaré porque querem o poder de governar o mundo como bem entendem, sem consultar mais ninguém. Exu apressa-se a ir ao reino de Orum para dar a novidade a Olodumaré, e este cessa as chuvas. A terra começa a morrer à medida que as colheitas falham e os lagos e rios se secam, e os orixás lamentam-se em sinal de arrependimento, mas Olodumaré não os ouve. Oxum transforma-se num pavão e voa até Orum, mas, ao passar demasiado perto do sol, perde a maioria das suas penas e, devido à longa viagem, chega exausta e doente, conseguindo ainda assim transmitir a mensagem de contrição dos orixás. Olodumaré faz descer as chuvas, cura Oxum e declara-a como a única orixá sempre bem-vinda para trazer mensagens a Orum.

### Os Sete Orixás

No entanto, os Orixás nem sempre causam problemas a Olodumaré e, na maioria das vezes, estão atentos às suas responsabilidades. É compreensível que se conclua que Olodumaré está demasiado distante dos assuntos humanos para que os mortais possam estabelecer contacto, mas, ao mesmo tempo, deve reconhecer-se que cada Orixá é uma emanação de Olodumaré e, por isso, o ser supremo está ciente de cada oração de agradecimento ou súplica dirigida a qualquer Orixá.

[ ![Oshun Statue](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14675.jpg?v=1757639345) Estátua de Oxum Yeniajayiii (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14675/oshun-statue/ "Oshun Statue")Como referido, o seu número é mais frequentemente indicado como sendo 400 + 1, para sugerir a sua imensidão. A ideia subjacente é que, mesmo que alguém pensasse conhecer todos os orixás e conseguisse nomeá-los a todos, haveria sempre mais um que lhe teria escapado. Ainda assim, nem toda a legião de orixás surge nas histórias — frequentemente aparecem apenas 20 ou 30, no máximo —, mas há sete que aparecem com frequência, se tornaram os mais populares e são designados por deuses e deusas:

- Exu – deus mensageiro que preside às encruzilhadas, portas e transformações.
- Ogum – (também Ogun) deus da metalurgia, da força, da transformação e da cura.
- Oxalá (Obatalá) – deus celeste da criação, protetor dos fracos e deficientes, defensor da pureza.
- Iemanjá (Yemaya) – Mãe de Todas as Águas, a Divina Mãe Terra, protetora das mulheres.
- Oxum (Oxun) – deusa da água doce, da fertilidade e do amor; segunda esposa de Xangô.
- Xangô (Shango) – deus do relâmpago e do trovão, do fogo, da virilidade, da guerra e dos fundamentos.
- Iansã (Oya) – deusa da transformação e do renascimento, guardiã dos mortos; terceira esposa de Xangô.

Estas são apenas as descrições mais básicas dos domínios dos sete orixás. Iansã (Oya) é também a deusa do rio Níger, tal como Oxum o é do rio Oxum, e ambas estão associadas à proteção e à orientação. Pode dizer-se que todas são figuras transformadoras, em maior ou menor grau, e as suas responsabilidades são vastas. Exu, por exemplo, enquanto divindade das encruzilhadas, atua como psicopompo — um guia para as almas dos mortos —, conduzindo-as à vida após a morte e consolando-as, ao mesmo tempo que poderá ter tido um papel nas circunstâncias que conduziram à sua morte. Ogum é capaz de destruir com a mesma facilidade com que cura, tal como Oxum quando se descontenta, e Xangô pode descarregar a sua ira com trovões e relâmpagos tanto por justiça como por impulso.

### Os Orixás e os Santos Católicos

Os orixás nunca são representados como seres perfeitos, existindo várias histórias em que se comportam mal, mas são retratados a fazerem o seu melhor para cumprir o que se espera deles em termos muito humanos. Oxum pode ser rancorosa, Xangô impaciente, Exu enganador, Iemanjá irada, e assim por diante. No entanto, pode contar-se com eles para transmitirem as mensagens dos mortais a Olodumaré, razão pela qual passaram a ser associados aos santos do catolicismo quando o povo iorubá foi trazido como escravo para o chamado Novo Mundo.

Na América do Norte, de matriz predominantemente protestante, não é claro de que forma a fé iorubá foi observada entre os séculos XVII e XIX (e pode nem ter sido de todo), mas na América Central e do Sul e nas Caraíbas, de forte influência católica, sincretizou-se com o [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/), e os orixás passaram a ser associados a determinados santos. Tal como as histórias contadas pelos iorubás na África Ocidental, diferentes orixás foram ligados a diferentes santos em várias regiões, não sendo possível afirmar definitivamente qual orixá passou a ser identificado com qual santo. De um modo geral, contudo, a ligação entre o orixá e o santo dependia da proximidade entre as respetivas esferas de influência.

[ ![Yemaya](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14695.jpg?v=1718578266) Iemanjá Karen (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14695/yemaya/ "Yemaya")Exu, por exemplo, foi associado a Santo António de Lisboa (conhecido como Santo António de Pádua no mundo anglófono), padroeiro dos objetos perdidos, das pessoas e dos caminhos da vida, devido ao seu papel como guardião das encruzilhadas e guia nas transições. Ogum foi associado a São Pedro devido à sua associação com a força, visto que Pedro era conhecido como a "rocha" sobre a qual Jesus Cristo edificaria a sua igreja. Iemanjá foi associada à Virgem Maria como Nossa Senhora de Regla, em Cuba, enquanto Oxum foi associada à mesma figura como Nossa Senhora das Mercês (ou da Caridade del Cobre, dependendo da região). Xangô foi ligado a Santa Bárbara, que é invocada para pedir ajuda nas trovoadas, mas é também a padroeira dos artilheiros, estando assim ligada à guerra. Os restantes orixás seguiram este mesmo padrão, com muitas das divindades femininas a serem associadas à Virgem Maria sob os seus diferentes títulos em várias regiões.

### Conclusão

Os orixás, tal como os santos, geravam empatia porque eram falíveis. São Pedro pode ter fundado a Igreja, mas ainda assim negou Cristo três vezes, tal como Ogum pode ter sido compreendido como uma fonte de força e cura, mas ainda assim tentou violar Oxum numa das histórias em que ela é salva por Iemanjá. As pessoas sentiam que podiam falar livremente com os orixás porque estes compreendiam os seus problemas, fraquezas, dores e [medos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22524/medos/).

Noutra história da religião iorubá, após o mundo ter sido criado e povoado, todos os seres humanos eram iguais e a ninguém faltava nada. Contudo, com o passar do tempo, as pessoas começaram a queixar-se desta situação, reparando que, se todos tivessem tudo o que precisavam e se todos fossem iguais, ninguém conseguiria ser diferente do seu vizinho e não teriam quaisquer objetivos pelos quais lutar. Queixaram-se ruidosamente a Olodumaré, e os seus clamores foram transmitidos por Exu que, como habitualmente, atuou como intermediário.

Exu ia e vinha entre a divindade e a humanidade, tentando raciocinar com as pessoas, procurando convencê-las de quão bem estavam num mundo onde todos os seus desejos eram satisfeitos e ninguém passava fome, mas o povo exigia mudança e diferenciação e, por isso, Olodumaré concedeu-lhes os desejos, mas avisou-os desde logo que, uma vez feita a alteração, esta não poderia ser revertida. Mais tarde, os de pele mais clara queixaram-se de não serem mais escuros, e os de pele mais escura queriam ser mais claros; os pobres roubaram os ricos, e os ricos promulgaram leis contra os pobres; os recursos foram acumulados e defendidos por um povo contra outro, e houve carência e fome, guerra e privação. O povo lamentou ter questionado o plano da divindade suprema, mas compreendeu que tinha recebido exatamente aquilo que havia pedido e que teria de viver com isso. No entanto, foi-lhes concedida ajuda através dos esforços dos orixás.

Afinal, os orixás tinham questionado a sabedoria e a justiça de Olodumaré e arrependido-se disso mais do que uma vez, pelo que eram compreensivos em relação à condição humana. No caso dos orixás, Olodumaré permitira que a vida continuasse como dantes, mas a divindade suprema deixara claro à humanidade que, uma vez escolhida a desigualdade como base da sua existência, já não podiam voltar às suas vidas anteriores.

O melhor que se podia fazer, portanto, era rezar a Olodumaré através dos orixás para obter a força necessária para perseverar e tentar vingar num mundo onde nem sempre se consegue o que se quer e onde, mesmo quando se consegue, isso pode ficar totalmente aquém das expectativas. Nos dias de hoje, os orixás continuam a ser invocados pelos adeptos pelas mesmas razões e, de acordo com a crença, continuam tão atentos e recetivos às necessidades humanas como têm estado desde que as pessoas receberam pela primeira vez o sopro da vida no princípio dos tempos.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Butler, A. *Lives of the Saints.* TAN Books, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0895555301/)
- [Cuoco, A. *African Narratives of Orishas, Spirits and Other Deities.* Outskirts Press, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/1977235735/)
- [Davidson, B. *Great Ages of Man: African Kingdoms.* Time Life Books, 1986.](https://www.worldhistory.org/books/0809403714/)
- [Joiner Siedlak, M. *Seven African Powers: The Orishas.* Oshun Publications LLC, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/1948834693/)
- Joshua J. Mark. "Interview with Carleen Busick, Oshun devotee." *N/A*, 28 September 2021, pp. N/A.
- [Oliver, R. & Fage, J. D. *A Short History of Africa.* Penguin African Library, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/B012YWYO0S/)
- [Shillington, K. *History of Africa.* St. Martin's Press, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/B01FGOI8Y4/)
- [Various Ancient Authors. *The Bible, King James Version.* Thomas Nelson, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/0718079795/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 500 BCE - c. 300 BCE**: Approximate dates for development of the [Orisha](https://www.worldhistory.org/Orisha/) as aspects of the Yoruba [Religion](https://www.worldhistory.org/religion/) of West [Africa](https://www.worldhistory.org/disambiguation/africa/).

## Perguntas & Respostas

### Que religião acredita nos Orishás?
Na religião iorubá da África Ocidental, os orixás são considerados entidades sobrenaturais, geralmente designadas como divindades. Os orixás chegaram às Américas e às Caraíbas através do comércio transatlântico de escravos, tendo-se ali sincretizado com os santos cristãos do catolicismo.

### A Orisha é uma deusa?
Os orixás são entidades sobrenaturais geralmente referidas como divindades na religião iorubá da África Ocidental, embora sejam, na realidade, emanações ou avatares do ser supremo Olodumaré.

### Quem é o Orixá mais poderoso?
Numa das histórias, 17 orixás recebem de Olodumaré a tarefa de concluir a criação. 16 dos orixás são do sexo masculino e a 17.ª, Oxum, não só é do sexo feminino como é a mais jovem de todos. Os orixás masculinos falham porque ignoram a jovem Oxum, tendo de lhe pedir desculpa enquanto ela conclui a tarefa.


## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, August 23). Orixás. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20104/orixas/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Orixás." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 23, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20104/orixas/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Orixás." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 23 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20104/orixas/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 23 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

