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title: Périplo do Mar Eritreu
author: James Hancock
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19920/periplo-do-mar-eritreu/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-08
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# Périplo do Mar Eritreu

_Escrito por [James Hancock](https://www.worldhistory.org/user/geneticsofberries/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O *Périplo do Mar Eritreu* é um relato de testemunha ocular sobre as viagens da Antiguidade à África e à Índia via Mar Vermelho, escrito por um autor anónimo egípcio de língua grega no século I d.C. Neste relato detalhado, são descritas as condições das rotas, bem como os portos ao longo do caminho, o comportamento das populações locais e as principais importações e exportações.

O *Périplo do Mar Eritreu* (1.ª Ed.ª bilingue 2005; em grego: *Πέριπλους τῆς Ἐρυθρᾶς Θαλάσσης;* em latim *Periplus Maris Erythraei* ou *Periplous tēs Erythras Thalassēs*) é um registo extraordinário do comércio no mundo antigo. Como descrito por Schoff:

> O *Périplo do Mar Eritreu* é um daqueles documentos humanos que, tal como os diários de [Marco Polo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17877/marco-polo/), Colombo e Vespúcio, expressam não apenas a iniciativa individual, mas o despertar de toda uma raça para novos campos de descoberta geográfica e de realização comercial. É o primeiro registo de um comércio organizado com as nações do Oriente, em embarcações construídas e comandadas por súbditos do Mundo Ocidental. Marca a inversão de uma maré de comércio que se tinha fixado numa única direção, sem interrupção, desde o alvorecer da história.
> (pág. 3)

### **A Autoria e a Datação**

Conhecido através de um único manuscrito que se encontra atualmente em Heidelberg, datado do início do século X, e de uma cópia muito posterior no British Museum, o *Périplo do Mar Eritreu* foi escrito numa mistura de grego clássico e comum, algures entre os anos 40 e 55 d.C. O Mar Eritreu era a designação antiga para a massa de água situada entre o Corno de África e a Península Arábica, e o *Périplo* terá sido, provavelmente, o diário de um mercador, contendo as primeiras informações sobre os habitantes da costa da África Oriental, mais de meio milénio antes de quaisquer outras referências escritas comparáveis.

A data em que foi escrito apenas pode ser deduzida através das suas referências a locais e eventos. O autor menciona a descoberta da rota para a Índia por Hípalo, que os historiadores acreditam ter ocorrido por volta do ano de 47 d.C. Quase todas as autoridades consideram que o Périplo é anterior à *História Natural* de Plínio, a qual se sabe ter sido publicada entre 73 e 77 d.C. Existem inclusive argumentos defendendo que Plínio poderá ter colhido informações do *Périplo do Mar Eritreu*, embora estas sugestões não sejam, de modo algum, conclusivas. Schoff (1912) e outros situaram a data mais provável para o *Périplo* em 60 d.C.

Pelo relato, torna-se claro que o autor realizou pessoalmente a viagem até à Índia. Ele viveria em Berenice, no Mar Vermelho, e não em Alexandria, uma vez que não apresenta qualquer relato da viagem subindo o Nilo e atravessando o deserto a partir de Coptos, que Estrabão e Plínio descrevem detalhadamente. Pensa-se que não seria um homem com elevada instrução, o que é "evidente pela sua frequente confusão entre palavras gregas e latinas e pelas suas construções canhestras e, por vezes, gramaticalmente incorretas". O grande valor da sua obra não é literário, "mas sim o seu relato fidedigno do comércio no Oceano Índico e dos povoados em redor das suas margens; sobre os quais, até à sua época, quase nada possuímos de natureza inteligente e abrangente" (Schoff, pág. 16).

### **A Rede Comercial Oriental da [Roma Antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-68/roma-antiga/)**

O volume do comércio romano que passava pelos portos do Mar Vermelho aumentou drasticamente quando o [Imperador Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-1032/imperador-romano/) [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) (reinou 27 a.C. – 14 d.C.) colocou o Egito sob o controlo de Roma em 30 a.C. O geógrafo, filósofo e historiador grego Estrabão relatou que, "no seu tempo, navegavam regularmente 120 embarcações do Egito para a Índia, ao passo que, anteriormente, muito poucas faziam a viagem" (G*eografia*, 16.4).

[ ![Periplus of the Erythreaen Sea](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14390.jpg?v=1772258285) Périplo do Mar Eritreu PHGCOM (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14390/periplus-of-the-erythreaen-sea/ "Periplus of the Erythreaen Sea")Surgiram, sob o [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/), duas rotas comerciais principais que se estendiam por cerca de 4800 quilómetros (3000 milhas). Havia uma rota meridional que descia o Mar Vermelho e seguia depois ao longo da costa oriental de África até Rapta, perto da atual Dar es Salaam; e outra que também descia o Mar Vermelho, mas que depois seguia para leste, atravessando o Oceano Índico em direção a portos na Índia. A viagem completa ao longo da costa de África, a partir do Egito, demorava cerca de dois anos a ser concluída, enquanto a ida e volta à Índia se aproximava de um ano.

As embarcações que transportavam mercadorias destinadas tanto a África como à Índia partiam dos portos do Mar Vermelho entre julho e setembro, sendo navegadas para sul pelo meio do Mar Vermelho para evitar as perigosas linhas costeiras. As embarcações com destino aos portos africanos dirigiam-se então ao Cabo Guardafui, no Corno de África, e depois para sul até Rapta, navegando junto à costa africana. Os navios com destino à Índia navegavam para os portos de Áden e Qana’, na costa sul da Arábia, e depois aproveitavam os ventos das monções através das águas abertas do Oceano Índico até ao sudoeste da Índia.

### **A Rota Descrita no *Périplo do Mar Eritreu***

O *Périplo* descreve a viagem ao longo da costa da Arábia:

> Diretamente abaixo deste local encontra-se o país vizinho da Arábia, que na sua extensão confina por uma grande distância com o Mar Eritreu. Diferentes tribos habitam o país, diferindo na sua fala, umas parcialmente e outras por completo. A terra junto ao mar é similarmente pontilhada aqui e ali por cavernas dos Ictiófagos \[Comedores de Peixe\], mas o interior do país é povoado por homens malvados que falam duas línguas, vivendo em aldeias e acampamentos nómadas, pelos quais aqueles que se desviam da rota central são saqueados, e os que sobrevivem a naufrágios são feitos escravos… A navegação é perigosa ao longo de toda esta costa da Arábia, que carece de portos, possui maus ancoradouros, é suja, inacessível devido à rebentação e aos rochedos, e terrível em todos os aspetos. Portanto, mantemos o nosso curso pelo meio do golfo e passamos o mais rápido possível pelo país da Arábia até chegarmos à Ilha Queimada; diretamente abaixo da qual existem regiões de gente pacífica, nómada, pastores de gado, ovelhas e camelos.
> (*Périplo do Mar Eritreu*, pág. 20).

O primeiro porto que visitaram na Índia foi Barbaricum. O *Périplo* descreve:

> Os navios permanecem ancorados em Barbaricum, mas todas as suas cargas são levadas rio acima até à metrópole, para o Rei. São importadas para este mercado grandes quantidades de vestuário fino e algum contrafeito; linhos lavrados, topázio, coral, estoraque, incenso, artigos feitos de vidro, baixelas de prata e ouro, e um pouco de vinho. Por outro lado, são exportados saca-palo \[costus\], bdélio \[resina de mirra\], lício \[uma erva solanácea\], nardo, turquesa, lápis-lazúli, peles séricas, tecidos de algodão, fio de seda e índigo. E os marinheiros partem para lá com os ventos etésios indianos, por volta do mês de julho, ou seja, Epiphi: é mais perigoso nessa altura, mas através destes ventos a viagem é mais direta e concluída mais cedo.
> (*Idem*, pág. 39).

Uma vez na Índia, os romanos visitaram portos ao longo da costa, desde Barbaricum, no Rio Indo, até Muziris (Cranganore) na costa sudoeste de Malabar, e depois o Sri Lanka. Os parceiros comerciais importantes foram as dinastias Tamil dos Pandyas, Cholas e Cheras, no sul da Índia. O primeiro grande centro de comércio de especiarias no mundo tornou-se Muziris, localizado no estado indiano de Kerala, na costa sudoeste da Índia. A sua localização exata é desconhecida. Provavelmente estabelecido por volta de 3000 a.C., permaneceu como um dos portos comerciais mais importantes da Índia durante o período romano. No *Akananuru*, uma coleção de poesia antiga Tamil, a cidade era descrita como "a cidade onde as belas embarcações, as obras-primas dos Yavanas \[ocidentais\], agitam a espuma branca no Periyar, rio de Kerala, chegando com ouro e partindo com [pimenta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10038/pimenta/)" (Perur, 2016). A pimenta preta era a principal exportação deste grande empório, constituindo três quartos do volume da carga destinada ao ocidente, mas outros itens do comércio indiano incluíam marfim e pérolas de origem local, bem como pedras semipreciosas e sedas do Vale do Ganges e das regiões do leste dos Himalaias.

[ ![Market Scene](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2113.png?v=1772258288) Cena de Mercado SEGA (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2113/market-scene/ "Market Scene")Em cada paragem ao longo do caminho, eram oferecidas diferentes mercadorias locais para troca, por vezes por moedas de ouro e outras vezes por escambo, incluindo bens como tecidos, estátuas de prata e ouro, cereais, vinho e azeite. O incenso e a mirra do sul da Arábia eram extremamente populares na Índia, juntamente com o ouro e a prata, pelos quais os indianos trocavam a sua pimenta, algodão e pérolas de produção local, bem como sedas que tinham obtido de mercadores chineses. Na viagem descendo a costa africana, o linho egípcio, o vidro, o vinho e produtos metálicos seriam trocados por marfim africano, carapaça de tartaruga, mirra e incenso, juntamente com canela, tecidos indianos, faixas e musselinas finas obtidas através do seu comércio com mercadores indianos.

Da Índia, partiam de regresso a casa, raramente viajando mais profundamente para o Sudeste Asiático. Assim que os navios estivessem cheios, os mercadores regressavam aos portos egípcios de Miós Hormos e Berenice. Ali, as remessas dos seus tesouros eram enviadas por terra em caravanas de camelos e, depois, transportadas por navio para o centro comercial do Egito Romano, a cidade de Alexandria. A diversidade dos bens enviados através do deserto teria sido simplesmente deslumbrante: incenso árabe, canela do Sri Lanka e da China, pimenta indiana, pérolas e pedras preciosas, sedas e porcelanas chinesas, mirra africana, marfim, corno de rinoceronte e carapaça de tartaruga.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Cappers, R. T. J. *Roman Footprints at Berenike.* Cotsen Institute of Archaeology Press, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/B01K0UFGBW/)
- [Schoff, Wilfred Harvey. *The Periplus of the Erythræan Sea .* Forgotten Books, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/1330397673/)
- [Strabo, Strabo. *The Geography of Strabo, Vol. 1 .* Forgotten Books, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/B008G2C83G/)
- [Strabo, Strabo. *The Geography of Strabo, Vol. 2.* Forgotten Books, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/B008RBWKHU/)
- [Strabo, Strabo. *The Geography of Strabo, Vol. 3.* Forgotten Books, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/1397898895/)

## Sobre o Autor

James F. Hancock é um escritor freelancer e professor emérito da Michigan State University. Possui especial interesse na pesquisa da evolução da cultura agrícola e história do comércio. Seus livros incluem "Spices, Scents and Silk" (CABI) e "Plantation Crops" (Routledge).

## Histórico

- **c. 40 CE - c. 55 CE**: Most likely date of the Periplus of the Erythreaen Sea. .

## Cite Este Artigo

### APA
Hancock, J. (2026, May 08). Périplo do Mar Eritreu. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19920/periplo-do-mar-eritreu/>
### Chicago
Hancock, James. "Périplo do Mar Eritreu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 08, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19920/periplo-do-mar-eritreu/>.
### MLA
Hancock, James. "Périplo do Mar Eritreu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 08 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19920/periplo-do-mar-eritreu/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 08 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

