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title: Salomão
author: John S. Knox
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-10
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# Salomão

_Escrito por [John S. Knox](https://www.worldhistory.org/user/jsknoxphd/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

De acordo com a tradição bíblica — e, segundo algumas perspetivas historiográficas, de cariz mítico —, o Rei Salomão foi o terceiro e último monarca do Reino Unido de Israel. Diversas correntes confessionais, como o Islão e o Rastafarianismo, corroboram a figura de Salomão enquanto monarca sapiente e profeta de Israel. Salomão celebrizou-se pela sua sabedoria, pela sua vasta produção literária e pelas suas relevantes obras arquitetónicas. Nascido por volta de 1010 a.C., foi o décimo filho do [Rei David](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16332/rei-david/) e o segundo de Betsabé. À semelhança de Saul e David, Salomão reinou durante 40 anos, num dos períodos de maior apogeu e prosperidade da história israelita, frequentemente designado pela historiografia e exegese como a "Idade de Ouro" de Israel.

Durante o seu reinado, Salomão controlou as rotas comerciais provenientes de Edom, Arábia, Índia, África e Judeia; estabeleceu uma rede de alianças complexa e lucrativa (consolidada por um vasto harém de centenas de mulheres e concubinas) e, segundo os relatos, mandou construir o primeiro [Templo de Jerusalém](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-852/templo-de-jerusalem/), que viria a ser destruído (juntamente com toda a cidade) pelos babilónios em 586 a.C. Apesar dos sucessos iniciais da sua soberania, o final do reinado de Salomão foi marcado por diversas insurreições e ataques, tanto de inimigos externos como internos, bem como por uma desintegração da integridade nacional e religiosa. Esta decadência deveu-se a cedências culturais no seio de Israel, que comprometeram e fragilizaram o tecido social do Reino Unido. Salomão faleceu em 931 a.C., aos 80 anos, tendo sido, possivelmente, o monarca mais próspero e produtivo a governar Israel.

### **A Narrativa Tradicional do Rei Salomão**

A história do Rei Salomão tem o seu início com os pais, o Rei David e Betsabé. Nas Escrituras Hebraicas, o segundo livro de Samuel (2 Samuel 3) refere que o Rei David — ungido pelo profeta Samuel como sucessor do Rei Saul, ainda antes da morte deste — se tornou oficialmente Rei de Judeia (1010 a.C.). Posteriormente, em 2 Samuel 5, relata-se que (em 1002 a.C.) todos os anciãos de Israel foram ter com ele para que fosse o seu soberano, e "Vieram, pois, todos os anciãos de Isreal ter com o rei a Hebron. David fez com eles uma aliança diante do Senhor e eles sagraram-no rei de Israel." (2.º Sam. 5:3 - Villapadierna, Carlos de (†) et al.. *[Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) Sagrada*. 3.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1968, pág. 477). O reinado do Rei David durou 40 anos e, tal como sucedera com o Rei Saul, teve um início mais auspicioso do que o seu desfecho.

O zelo inicial de David por Deus e pela integridade ética pavimentou o caminho para a sua fama e fortuna precoces; contudo, por ser um homem de guerra e de sangue (segundo as Escrituras), Deus determinou que David não seria a pessoa adequada para edificar o Seu Templo (tarefa que ficaria sob a responsabilidade do seu filho, Salomão). Ademais, o relacionamento ilícito de David e as subsequentes ações ardilosas (que conduziram ao assassínio de Urias, o Hitita, e ao respetivo encobrimento) complicaram o resto do seu reinado — a par da violação de Tamar, do homicídio de Amnon e da tentativa de golpe de Absalão, entre outras controvérsias.

No ocaso da vida de David, este perdera já o contacto com a sociedade israelita e, eventualmente, o respetivo controlo político. Este cenário propiciou uma tentativa de golpe por parte do seu filho, Adonias (cuja mãe era Hagite, a quinta esposa de David), que se autoproclamou rei com o apoio do General Joab e do sacerdote Abiatar; todavia, a maioria dos agentes institucionais de Israel não reconheceu a pretensão de Adonias. As Escrituras Hebraicas relatam que o profeta Natan dirigiu-se primeiramente a Betsabé para a alertar sobre a usurpação do trono por Adonias; esta, por sua vez, interpelou o seu marido, o Rei David, para lhe comunicar as graves notícias. Por fim, o profeta Natan juntou-se a ambos e o Rei David designou oficialmente Salomão como seu herdeiro presuntivo. David declarou: "(...) Teu filho Salomão reinará depois de mim e sentar-se-á no meu trono em meu lugar, agora mesmo o cumprirei." (1 Reis 1:30, *Idem*, pág. 513).

### **Salomão Torna-se Rei**

O Rei David faleceu de causas naturais em 961 a.C., tendo sido sepultado em [Jerusalém](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-194/jerusalem/) e, conforme sugerem as Escrituras Hebraicas e Gregas, terá facilitado a instauração do reino eterno de Deus através da sua piedade e linhagem. Antes da sua morte, David deixou a sua última exortação ao seu filho, Salomão, declarando: "Observa os preceitos do Senhor, teu Deus, anda nos Seus caminhos, cumpre as Suas leis, os Seus ensinamentos, os Seus perceitos e ensinamentos, como estão escritos na lei de [Moisés](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14009/moises/). E assim, será bem sucedido, em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes. (...). és bastante sábio (...)." (1 Reis 2:3-9 *Ibidem*, págs. 514-515).

[ ![Map of the Levant circa 830 BCE](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/285.png?v=1778110644) Mapa do Levante por Volta de 830 a.C. Richardprins (GNU FDL) ](https://www.worldhistory.org/image/285/map-of-the-levant-circa-830-bce/ "Map of the Levant circa 830 BCE")A ameaça de uma guerra civil e a execução imediata de Adonias como traidor foram evitadas durante algum tempo; contudo, Adonias tentou possuir a antiga concubina assexual do Rei David, Abisague, a Sunamita, à revelia do Rei Salomão. Este ato enfureceu Salomão, muito provavelmente devido à sub-reptícia triangulação política de Adonias com Betsabé e às suas maquinações para seguir as pisadas do Rei David. Consequentemente, «o Rei Salomão enviou Benaias, filho de Joiada, o qual feriu \[Adonias\], e este morreu» (1 Reis 2). O Rei Salomão despachou igualmente os outros instigadores do golpe — o General Joab e o sacerdote Abiatar —, sendo que Joab foi executado e Abiatar condenado ao exílio.

Talvez uma das partes mais fantásticas, e simultaneamente fundamentais, da narrativa bíblica de Salomão seja a dádiva divina que recebeu de Deus, tal como registado nas Escrituras Hebraicas. Salomão implorou: «Agora, ó Senhor Deus, confirme-se a Tua promessa feita a David, meu pai; pois Tu me fizeste rei sobre um povo tão numeroso como o pó da terra. Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento». De acordo com as Escrituras Hebraicas, este pedido agradou a Deus, pelo que Salomão recebeu não apenas conhecimento e sabedoria, mas também "riquezas, bens e honra, como nenhum dos reis antes de ti teve, nem algum depois de ti terá" (2 Crónicas 1). O [Alcorão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-732/alcorao/) indica igualmente que Salomão recebeu um dom divino de sabedoria, a par de outras dádivas especiais (21:78–79): "E fizemos com que Sulaiman \[Salomão\] compreendesse (o caso); e a cada um deles demos capacidade de julgamento e conhecimento"».

### **As Características do Reinado de Salomão**

A prosperidade e o sucesso de Salomão foram igualmente alcançados através de reformas engenhosas e inovações, tais como o aperfeiçoamento das medidas de defesa; a expansão da corte real; e o encaixe financeiro proveniente de uma tributação mais sofisticada. Este sistema incluía o recrutamento de mão de obra (levas de trabalho forçado) entre cananeus e israelitas, bem como tributos e dádivas de nações estrangeiras sob a influência salomónica. Além disso, estabeleceu-se um sistema comercial terrestre e marítimo que utilizava uma poderosa marinha e um exército para proteger os ativos e as rotas comerciais. De acordo com as Escrituras Hebraicas: "O rei tornou a prata e o ouro tão comuns em Jerusalém como as pedras, e os cedros tão abundantes como os sicómoros que crescem na planície" (2 Crónicas 1).

Salomão notabilizou-se também pelas suas relações internacionais, estabelecendo alianças com potências vizinhas como o Egito, Moab, [Tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) e a Arábia, entre outras. Muitas destas parcerias eram consolidadas através de casamentos reais e da entrega de concubinas a Salomão, o que lhe permitiu reunir, eventualmente, 700 esposas e 300 concubinas. Uma das relações político-amorosas mais célebres de Salomão foi com a [Rainha de Sabá](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16875/rainha-de-saba/) (região que alguns investigadores situam no atual Iémen), que visitou Israel com um sumptuoso tributo de 120 talentos de ouro. As Escrituras Hebraicas relatam: "Quando a rainha de Sabá viu a sabedoria de Salomão, a casa que ele edificara, as iguarias da sua mesa, os aposentos dos seus servos, o serviço dos seus oficiais e os seus trajes, os seus copeiros e os seus trajes, e o holocausto que ele oferecia na casa do Senhor, ficou deslumbrada" (2 Crónicas 9).

Claramente, a Rainha ficou impressionada com Salomão e com os seus feitos, tendo ambos cultivado uma relação de proximidade. Sabá contribuiu para a criação, o fomento e a manutenção das relações comerciais de Salomão com outros monarcas árabes. Adicionalmente, de acordo com a fé Rastafari, Salomão e Sabá conceberam um filho, de cujos descendentes faria parte Haile Selassie I, considerado por esta corrente como "o Deus da raça negra". Desta forma, Selassie estaria ligado genealogicamente tanto ao Rei David como a Jesus Cristo de Nazaré.

### **O Templo de Salomão**

De acordo com as Escrituras Hebraicas, o Rei Salomão é reconhecido como o patrono, o estratega e o financiador da construção do Templo destinado a albergar a [Arca da Aliança](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15237/arca-da-alianca/), cumprindo os desígnios do seu pai, o Rei David, e a vontade de Deus. A edificação do Templo encontra-se registada no Primeiro Livro dos Reis e no Segundo Livro das Crónicas; o lançamento da primeira pedra ocorreu no quarto ano do reinado de Salomão e a construção foi concluída sete anos mais tarde, com uma cerimónia de dedicação ostentosa. Numa celebração que durou sete dias, Salomão sacrificou 22 000 bois e 120 000 ovelhas para assinalar a conclusão do Templo e a benevolência de Deus em habitar entre o Seu povo.

[ ![Solomon's Temple, Jerusalem](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5061.jpg?v=1773323168) Templo de Salomão, Jerusalém Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/5061/solomons-temple-jerusalem/ "Solomon's Temple, Jerusalem")A conceção arquitetónica do Templo foi modelada a partir do Tabernáculo que albergara a Arca da Aliança durante décadas (se não séculos). De cariz bastante sumptuoso, possuía o dobro do tamanho deste e foi edificado maioritariamente em pedra, com um revestimento de painéis de cedro que ocultava toda a cantaria, o qual era, por sua vez, sobreposto com ouro. O interior do Templo encontrava-se decorado com entalhes elaborados (em forma de colunelos e flores abertas), candelabros de ouro, um altar de incenso (também designado «o altar de ouro») e duas [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) de bronze, entre outros ornamentos. Numa era arquitetónica menos avançada, com mais de 30 metros de comprimento, 12 metros de largura e 18 metros de altura (100 x 40 x 60 polegadas), e com portas exteriores de marfim, o Primeiro Templo deve ter parecido uma impossibilidade — um feito miraculoso — para a maioria dos israelitas que o visitavam.

De acordo com as Escrituras Hebraicas, após a conclusão do Templo, Salomão ordenou que a Arca da Aliança fosse finalmente trasladada da tenda que o Rei David lhe reservara para a sua câmara específica, no extremo ocidental do edifício, designada por «Santo dos Santos». Constituindo um cubo perfeito de 6 metros de aresta, esta era a divisão mais sagrada, na qual ninguém, exceto o Sumo Sacerdote (no Dia da Expiação), podia entrar sob pena de morte. Do ponto de vista institucional e nacional, este espaço representava a interseção do Divino com o Seu povo, através do seu mediador. O Templo não albergava apenas os sacerdotes levíticos; foram construídas salas anexas e um pátio em redor de todo o edifício, com áreas seccionadas tanto para os sacerdotes como para o povo comum de Israel. Sendo um edificador, o Rei Salomão envolveu-se também noutros projetos de construção, tais como o seu palácio pessoal, o Palácio do Bosque do Líbano, o Pórtico das Colunas e o Pórtico do Trono (ou Átrio da Justiça). Contudo, Salomão não circunscreveu os seus projetos apenas a Jerusalém. Reconstruiu diversas cidades, encomendou frotas de navios e construiu inúmeros portos para acomodar os proventos das rotas comerciais; mandou ainda construir cavalariças para os seus milhares de cavalos e carros de guerra. É mesmo possível que tenha ajudado a erguer (ou financiado, através do saque do Templo por assírios ou babilónios) os famosos Jardins Suspensos — uma das lendárias Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

### **A Literatura de Salomão**

Ao Rei Salomão é também atribuída a autoria de diversos livros e obras literárias integrados nas Escrituras Hebraicas, nomeadamente o 'Livro dos Provérbios', o 'Cântico dos Cânticos' e o 'Eclesiastes'. Tradicionalmente, é-lhe ainda creditada a redação de algumas obras extrabíblicas, incluindo composições musicais, poesia, crónicas históricas e tratados científicos de botânica e zoologia (embora, até ao momento, não tenham sido descobertos manuscritos sobreviventes destas últimas). Sob o reinado de Salomão, a "Idade de Ouro" de Israel produziu a maioria das obras que acabariam por ser reunidas na secção das Escrituras Hebraicas designada como *Os Escritos* ou *Kethubim*.

Embora a teologia seja uma componente central dos escritos de Salomão, o género sapiencial (também presente nas literaturas egípcia e acádia) foca-se primordialmente em áreas extrateológicas — oferecendo conselhos sobre o mundo criado, os relacionamentos, questões práticas e diversos tópicos ou desafios de ordem pessoal. Assim, o 'Livro dos Provérbios' aborda a arte de viver e a forma de tomar decisões inteligentes para o bem-estar futuro. O 'Cântico dos Cânticos' (ou Cântico de Salomão) é um poema romântico que apresenta a união suprema entre a noiva e o noivo, centrando-se em temas como o amor, a sabedoria, a beleza, o poder, o desejo, o sexo e a lealdade. Por sua vez, o *Livro do Eclesiastes* constitui um testamento real que inclui reflexões pessoais, meditações e instruções sobre o sentido e os propósitos da vida, aludindo a diversos aspetos que teriam sido relevantes para a experiência pessoal de Salomão: sabedoria, futilidade, riquezas, servos, hedonismo, produtividade e uma humilde autorrealização. Embora Salomão tenha sido o sábio original de muitos dos seus provérbios, ele também pesquisou no seu reino e [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) outros escritos e ideias de homens eruditos, integrando-os nas suas compilações. Para além das Escrituras Hebraicas, existem também escritos atribuídos ao Rei Salomão. Nos Pseudoepígrafos, o *Testamento de Salomão* é um livro do século III que sincretiza magia, astrologia e demonologia para discutir, entre outros subtemas, a construção do Templo. Nos Apócrifos, a *Sabedoria de Salomão* é uma coleção deuterocanónica de ditos sapienciais atribuídos ao rei (com base no capítulo 9:7–8), embora o Fragmento Muratoriano sugira que foi «escrita pelos amigos de Salomão em sua honra».

### **A Perda do Favor de Deus**

Apesar de todos estes grandes feitos, as Escrituras Hebraicas indicam que o declínio de Salomão foi semelhante à queda dos monarcas anteriores do Reino Unido de Israel — no sentido em que a vaidade pessoal e o compromisso religioso e moral conduziram à desintegração social e ao conflito. Salomão despriorizou gradualmente a sua relação e as suas obrigações para com Deus, de modo a satisfazer as suas numerosas consortes estrangeiras e a assegurar a prosperidade e a longevidade do seu domínio. Em última análise, estas mulheres "(...) seduziram o seu coração para seguir a outros deuses, de sorte que o seu coração já não pertencia sem reservas ao Senhor, seu Deus como o de David, seu pai." (1 Reis 11:4, *Ibidem*, pág. 533). As ações e a atitude de ingratidão e deslealdade de Salomão — não obstante ser o homem mais sábio e abençoado da terra — provocaram a ira e o julgamento do Senhor.

Assim, embora tenha conseguido manter o controlo da nação de Israel devido à promessa de Deus ao Rei David, Salomão perdeu a proteção e o favor divino que, anteriormente, haviam proporcionado uma paz e prosperidade notáveis enquanto permanecera obediente a Deus. Salomão confrontou-se, em breve, com novos desafios provenientes do interior e do exterior do seu reino, incluindo os de Jeroboão, a quem o profeta Aias prometera o reinado sobre Israel; de Hadad de Edom, que contestou o controlo territorial de Salomão no território sul de Israel; e de Rezon de Damasco, que ameaçou o domínio de Salomão sobre o território setentrional.

O Rei Salomão faleceu de causas naturais em 931 a.C., aos 80 anos. O seu filho, Roboão, herdou o trono, o que desencadeou uma guerra civil e o fim do Reino Unido de Israel em 930 a.C.

### **A Evidência Epigráfica e Arqueológica do Rei Salomão**

Tal como sucede com o Rei David, verificar a existência histórica de Salomão é, no limite, um desafio, especialmente dado que as epígrafes fornecem tipicamente informações imprecisas e os relatos bíblicos assentam numa pressuposição de realidades sobrenaturais. Embora exista vasta evidência arqueológica e epigráfica para consubstanciar a possibilidade de algumas (ou muitas) das asserções escriturísticas de natureza não sobrenatural, os achados arqueológicos até à data têm fornecido, sobretudo, uma confirmação indireta. Devido a lacunas tão profundas no registo arqueológico e à contaminação de numerosos sítios de escavação, torna-se fácil especular, teorizar ou formular um argumentum ex silentio (argumento de silêncio), mas é difícil provar ou refutar empiricamente a existência de Salomão. Todavia, ao longo do último século, foram desenterrados alguns achados arqueológicos provocatórios — embora controversos — que exigem ponderação.

Embora se desconheça a identidade do primeiro descobridor, em 1828, Jean-François Champollion, que também decifrou a Pedra de Roseta, descoberta em 1799, examinou o Portal Bubastita (erigido em 925 a.C.) no templo de Amon, em Tebas. Nas suas paredes, entre as gravuras históricas, encontra-se uma longa lista de povos derrotados pelo [Faraó](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-288/farao/) Shoshenq I, incluindo referências às «Alturas de David», presumivelmente lideradas pelo Rei Roboão. Esta descoberta levou Champollion a concluir que o Faraó Shoshenq e o Rei Sisaque do Egito, mencionado no Primeiro Livro dos Reis das Escrituras Hebraicas, são a mesma figura histórica.

Em 1868, o missionário Frederick Augustus Klein descobriu em Dhiban, na Jordânia, uma estela intacta designada como «Estela de Mesha» ou «Pedra Moabita», cujo texto não conseguiu ler. Embora a estela tenha sido destruída por habitantes locais em disputa no ano seguinte, tinha sido feito previamente um molde em papier-mâché, o que permitiu a sua posterior reconstrução. A inscrição na estela refere-se aos moabitas e ao seu deus (Camós), mencionando igualmente a nação de Israel e Omri, o seu sexto rei. Achados semelhantes, como o Obelisco Negro de Salmanasar III e os Prismas de Senaqueribe (*Crónica de Senaqueribe*), confirmam também a existência de reis israelitas durante a hegemonia [assíria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-149/assiria/).

[ ![The Black Obelisk of Shalmaneser III, side A, 2nd register](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2486.jpg?v=1733660595) Obelisco Negro de Salmanasar III, Lado A, 2.º Registo (ou Fileira) Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2486/the-black-obelisk-of-shalmaneser-iii-side-a-2nd-re/ "The Black Obelisk of Shalmaneser III, side A, 2nd register")Entre 1957 e 1971, o arqueólogo Yigael Yadin iniciou escavações em duas das três cidades mencionadas em 1 Reis 9 (integralmente em Hazor e através de uma investigação sumária em Megido), as quais possuíam portas supostamente erigidas pelo Rei Salomão por volta de 960 a.C. Com base na comparação das evidências arqueológicas dos três locais, que incluíram o relatório de escavação de Macalister em Gezer (1902–09), Yadin concluiu que as três portas das cidades foram projetadas pelo mesmo engenheiro (devido às dimensões estruturais idênticas), construídas pelos mesmos operários (seguindo o estilo e a metodologia da [Fenícia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-183/fenicia/)) e utilizaram o mesmo material (continham alvenaria de silharia extraída em Tiro). Adicionalmente, na década de 1860, Charles Warren descobriu uma muralha e um pátio em Jerusalém que, mais tarde, se revelaram idênticos aos de Megido, datando do período do Rei Salomão.

Em 1993, Avraham Biran descobriu a Inscrição de Tel Dan numa estela fragmentada no norte de Israel. A inscrição comemora a vitória de um rei arameu sobre os seus vizinhos do sul e refere especificamente o «rei de Israel» e o «rei da Casa de David». Esta constitui, porventura, a primeira evidência histórica real e direta da Dinastia Davídica em Israel.

Em 2010, Eilat Mazar e a sua equipa descobriram uma muralha do século X a.C. entre o Monte do Templo e o atual bairro árabe de Silwan. A muralha fazia parte de um complexo mais vasto que incluía uma portaria, uma torre de guarda e outros edifícios. Com base nos artefactos encontrados na área e arredores, Mazar suspeita que a muralha tenha pelo menos 3000 anos, o que situaria a sua construção no período do Rei Salomão (conforme referido no Primeiro Livro dos Reis).

Em 2012, Eilat Mazar e a sua equipa de [arqueologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-421/arqueologia/) descobriram uma estrutura antiga no Ofel, em Jerusalém, que remonta à era salomónica. Numa depressão no leito rochoso dessa estrutura, os arqueólogos encontraram também um grande jarro de armazenamento (pithos) com os caracteres alfabéticos mais antigos alguma vez encontrados em Jerusalém, inscritos numa jarra de barro. Embora os selos não refiram diretamente o Rei David ou o Rei Salomão, a Inscrição do Ofel não só sugere a existência de uma sociedade avançada em Jerusalém numa época anterior à que se acreditava, como indica uma administração em pleno funcionamento, que cobrava impostos e implementava regulamentos durante o reinado de Salomão.

Em 2013, Erez Ben-Yosef e a sua equipa de arqueologia descobriram evidências através da datação por radiocarbono que forçaram muitos arqueólogos e historiadores a rever as suas presunções sobre as minas de cobre no Deserto de Arabá, em Israel. Anteriormente assumidas como egípcias, as novas provas sugerem que as minas eram, na realidade, operadas pelos edomitas — os antigos inimigos de Israel repetidamente mencionados nas Escrituras Hebraicas — que viveram durante o período de Salomão.

Em 2014, estudantes e docentes da Universidade Estadual do Mississippi descobriram seis selos oficiais de argila no sul de Israel, perto de Gaza. Embora não refiram diretamente David ou Salomão, os selos de argila de Khirbet Summeily indicam atividade governamental oficial no século X a.C., um período que se assumia ser demasiado tribal para tal sofisticação.

Em 2016, arqueólogos israelitas descobriram inúmeros pequenos artefactos no Monte do Templo, datados da época do Primeiro Templo, há cerca de 3000 anos. Os fragmentos da escavação incluem pedaços de cerâmica (um padrão na datação arqueológica geral), caroços de azeitona e ossos de animais, partilhando todos uma data uniforme do período salomónico, de acordo com as conclusões da equipa.

### **Conclusão**

Embora de forma alguma conclusivas, as descobertas supramencionadas conferem alguma credibilidade à teoria de que um Reino Unido de Israel existiu outrora na região mediterrânica, ainda que a influência regional de Israel, a sua proeza militar, as contribuições infraestruturais e os seus primeiros líderes fundamentais permaneçam, de certa forma, velados. Felizmente, continuam a ser feitas novas descobertas arqueológicas e a tecnologia avançada continua a trazer à luz as sombras daquilo que esteve oculto durante séculos e séculos.

Existem evidências arqueológicas e históricas de outros reis de Israel e de Judá — tais como Omri, Acab, Jorão, Acazias, Jeú e Ezequias — que foram desenterradas na paisagem histórica (e é concebível que se sigam outras). Contudo, considerando a visão tradicional do Rei Salomão como o homem mais sábio e próspero da terra e o Rei do seu tempo (e de todos os futuros reis de Israel), a ausência de referências históricas e arqueológicas diretas a ele — especificamente ao nome «Rei Salomão» fora das Escrituras Hebraicas, que o retratam como o mais sábio de todos os tolos — é, de facto, bastante irónica ou, pelo menos, reveladora.

#### Editorial Review

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## Sobre o Autor

Dr. John S. Knox has taught sociology, history, and religion for nearly two decades at Christian universities in the Pacific Northwest and the East Coast. He authored 16 books to date and numerous scholarly articles on Sociology, History, and Religion.
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## Histórico

- **c. 1010 BCE - 931 BCE**: Life of King [Solomon](https://www.worldhistory.org/solomon/).
- **c. 965 BCE - 931 BCE**: [Solomon](https://www.worldhistory.org/solomon/) is king of [Israel](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Israel/).
- **950 BCE**: [Solomon](https://www.worldhistory.org/solomon/) builds the first [Temple](https://www.worldhistory.org/temple/) of [Jerusalem](https://www.worldhistory.org/jerusalem/).

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Knox, J. S. (2026, May 10). Salomão. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/>
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Knox, John S.. "Salomão." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 10, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/>.
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Knox, John S.. "Salomão." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 10 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 10 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

