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title: Thomas Cromwell
author: Mark Cartwright
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18870/thomas-cromwell/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2022-12-02
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# Thomas Cromwell

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Thomas Cromwell (c. 1485-1540) atuou como principal ministro de Henrique VIII da Inglaterra (r. 1509-1547) de 1532 a 1540. Com o rei e o Arcebispo de Canterbury, [Thomas Cranmer](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18946/thomas-cranmer/) (no cargo entre 1533-55), Cromwell planejou a [Reforma Inglesa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18916/reforma-inglesa/), que provocou a ruptura da Igreja da Inglaterra com o Papa em Roma e resultou em decisões importantíssimas, como a [Dissolução dos Monastérios](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18875/dissolucao-dos-monasterios/). Obtendo o favor do rei por seu papel na anulação bem-sucedida do primeiro casamento de Henrique, ele também merece crédito pela reestruturação das finanças inglesas e o desenvolvimento das instituições governamentais. Enfrentando inimigos poderosos na corte e responsabilizado pelo inadequado casamento do rei com Ana de Cleves (1519-1557), Cromwell foi preso. Acusado de traição e heresia, acabou sendo executado sem julgamento em Julho de 1540.

### Vida Pregressa e Ascensão

Thomas Cromwell nasceu em Putney, Londres, filho de um ferreiro e mercador de tecidos c. 1485.. O jovem Thomas ganhou a vida como um soldado mercenário na [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) a partir de 1503 e, em seguida, entrou para os negócios, aprendendo o ofício de banqueiro no banco italiano de Francesco Frescobaldi. Visitou Roma em 1517 e então se mudou para Antuérpia, onde trabalhou como mercador no ramo de tecidos. Por volta de 1520 estava de volta a Londres, ganhando reputação tanto na comunidade financeira quanto na legal ao ao atuar como advogado. Em 1523 tornou-se membro do Parlamento, já demonstrando interesse na reforma da Igreja. O trabalho de Thomas na área legal chamou a atenção do Lorde Chanceler, [Thomas Wolsey](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18861/thomas-wolsey/) (no cargo c. 1513-29). O Cardeal Wolsey nomeou Cromwell como um conselheiro legal em 1524 e seus talentos administrativos eram tão evidentes que logo se veria como o mais importante secretário do cardeal. Tornou-se membro do Conselho do Rei em 1530, o que por fim levou o aprendiz a assumir o papel do seu mestre.

Thomas Cromwell, pela terceira vez, ganhou a sorte grande quando tanto o rei quanto o cardeal falharam na Grande Questão: garantir o divórcio de sua primeira esposa, [Catarina de Aragão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18860/catarina-de-aragao/) (1485-1536). Wolsey não conseguiu persuadir o Papa Clemente VII (r. 1523-1534) a anular o casamento de Henrique e Thomas More também se opunha totalmente à ideia. Wolsey morreu antes de ser preso e julgado por traição, em 1529, e More foi encarcerado em 1534. Cromwell, que habilmente havia se distanciado de Wolsey à medida que a carreira deste desmoronou, encontrou-se então como principal ministro de Henrique VIII a partir de 1532. Como um iniciante, ele teria agir cuidadosamente, uma vez que servia a um soberano altamente temperamental. Aliás, uma de suas principais tarefas seria interrogar More e convencê-lo a aceitar o rei como o líder da Igreja da Inglaterra, ao invés do Papa.

[ ![Sir Thomas More as Lord Chancellor](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12102.jpg?v=1751715485) Sir Thomas More como Lorde Chanceler Hans Holbein (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12102/sir-thomas-more-as-lord-chancellor/ "Sir Thomas More as Lord Chancellor")### A "Grande Questão''

Ainda em busca do divórcio de Catarina e um herdeiro masculino legítimo, Henrique encarregou Cromwell da solução da "Grande Questão", que permitiria o casamento do rei com sua nova favorita, [Ana Bolena](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18863/ana-bolena/) (c. 1501-1536). Para criar mais pressão sobre o soberano, Ana recusou-se a dormir com ele até que fossem casados. Cromwell tentou usar o Parlamento para pressionar o Papa. O Ato de Restrição de Annates, aprovado em 1532, limitou os fundos pagos pela Igreja inglesa ao Papado. No ano seguinte, o Ato de Restrição de Apelações estabelecia que o monarca inglês era a maior autoridade em todas as questões legais (seculares e eclesiásticas), e não o Papa.

Como o pontífice ainda se mostrava contrário à anulação, Henrique consultou seu novo Arcebispo de Canterbury, Thomas Cranmer, que o aconselhou a levar o assunto adiante não como um processo legal, mas como uma questão de autoridade moral. Como a [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) não faz menção aos Papas, o rei por direito divino deveria ter a mais alta autoridade. Acompanhando esta interpretação, Henrique tomou a célebre decisão de separar a Igreja inglesa de Roma e tornar-se seu novo líder. Desta forma, ele poderia anular seu próprio casamento. Assim começou a Reforma Inglesa.

O Arcebispo Cranmer anulou formalmente o primeiro casamento de Henrique em Maio de 1533 (embora Henrique e Ana Bolena tivessem se casado em segredo alguns meses antes). A anulação e a aprovação pelo Parlamento do Ato de Sucessão (30 de Abril 1534) significavam que a filha de Catarina, Mary, era declarada ilegítima. A seguir, o Ato de Supremacia, aprovado em 28 de Novembro de 1534, declarava que Henrique, e todos os monarcas ingleses subsequentes, tornavam-se líderes da Igreja da Inglaterra.

[ ![Henry VIII Meets Anne Boleyn](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12100.jpg?v=1770406692) Henry VIII encontra Ana Bolena Daniel Maclise (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12100/henry-viii-meets-anne-boleyn/ "Henry VIII Meets Anne Boleyn")Henrique sabia perfeitamente que seu antigo chanceler, Thomas More, permanecia uma figura influente, não somente na Inglaterra mas também na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/). Sua nítida falta de apoio, mesmo que não houvesse uma oposição clara, iria prejudicar sua reputação, tanto no país quanto no estrangeiro. O rei, portanto, insistiu para que More jurasse respeitar tanto o Ato de Sucessão quanto o Juramento de Supremacia. Ao se recusar, o ex-chanceler foi levado para a [Torre de Londres](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17036/torre-de-londres/) para minar sua resistência. Após um ano de confinamento sem ceder, ele foi julgado por traição em Westminster Hall. Era, porém, difícil chegar a um veredito de culpado, uma vez que o acusado insistia em permanecer em silêncio a respeito do apoio ou não ao Ato de Supremacia. O crime de traição, na lei inglesa, precisa ser demonstrado por uma negação, não silêncio. Mesmo assim, Thomas Cromwell, que estava encarregado do caso, conseguiu um veredito graças ao perjúrio de um de seus agentes, Sir Richard Rich, o Procurador-Geral. Rich fez uma afirmação altamente improvável: a de que, em conversa com More durante seu período de aprisionamento na Torre, este último havia quebrado seu silêncio e manifestado sua desaprovação tanto ao Ato quanto ao Juramento. Desta forma, More foi considerado culpado e executado em 6 de Julho de 1535. Mas, como se viu posteriormente, a dificuldade do rei não residia somente nos figurões – havia muita resistência junto aos súditos comuns.

### Os Monastérios e a Rebelião

A próxima cena neste célebre drama ocorre em 1536, quando Henrique apresentou ao Parlamento uma lei para abolir todos os monastérios do reino, a Dissolução dos Monastérios. A lei foi aprovada e as propriedades dos monastérios foram redistribuídas para a Coroa e os apoiadores de Henrique. O rei sabia exatamente de tudo o que tomara posse, já que Cromwell havia enviado uma equipe de inspetores para os cerca de 800 monastérios situados na Inglaterra e País de Gales, a fim de determinar com exatidão sua riqueza e rendimentos. As descobertas foram relacionadas num vasto catálogo, conhecido como *Valor Ecclesiasticus*, finalizado em 1535. Em acréscimo a estes relatórios fiscais, outro grupo de homens de Cromwell - a maioria clérigos pró-Reformistas - elaboravam uma lista de transgressões e abusos envolvendo membros de ordens monásticas. A lista de delitos, que variava de simples corrupção até falta de cumprimento do Juramento da Supremacia, tornou-se a *Comperta Monastica* (também conhecida como *Compendium Compertorum*), uma ferramenta que se provaria útil na repressão aos monastérios que viria pela frente. A conclusão das iniciativas de Cromwell's foi a de que a Igreja tinha um rendimento anual superior a 360.000 libras (acima de 150 milhões de libras em valores atuais).

Começando com os monastérios menores, Cromwell garantiu um andamento ágil às operações ao pagar generosas pensões aos monges sêniores, priores e abades. Sem seus líderes, todos os que ainda moravam nas instituições precisavam escolher entre se mudar para outra de maior porte ou abandonar a vocação. O Ato de Traição de 1534, que o Parlamento aprovou sob pressões de Cromwell, até mesmo proibia discursar contra ou criticar o rei ou suas políticas. A oposição existia, no entanto, e não limitada a um punhado de tradicionalistas ferrenhos do clero, como Cromwell iria descobrir em breve.

[ ![Thomas Cranmer Posthumous Portrait](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12237.png?v=1711511163) Retrato Póstumo de Thomas Cranmer Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12237/thomas-cranmer-posthumous-portrait/ "Thomas Cranmer Posthumous Portrait")A Dissolução, combinada com uma obra de Cromwell intitulada *As Injunções* (Agosto de 1536) - uma série de recomendações sobre o que o clero deveria ensinar às suas congregações, tais como melhores explicações sobre os Dez Mandamentos e os Sete Pecados Capitais - foi a gota d'água para muitos tradicionalistas católicos. Manifestantes se reuniram na chamada Romaria da Graça, de Outubro a Dezembro de 1536, para expressar sua desaprovação, além de outras questões, como o temor de novos impostos, o cercamento de terras e o declínio econômico generalizado. Os manifestantes, compostos por uma preocupante mistura de pessoas comuns, nobres, pequena nobreza, monges e clérigos, reivindicava a interrupção do fechamento dos monastérios e a remoção dos conselheiros maléficos, especialmente Cromwell, a quem chamavam de "falso bajulador", interessado somente em fazer de Henrique "o príncipe mais rico da Cristandade" (Brigden, 126). Os protestos irromperam inicialmente em Lincolnshire e em seguida espalharam-se para York e por todo o norte da Inglaterra. Cerca de 40.000 manifestantes marcharam e tomaram York e o Castelo Pontefract. A rebelião tornou-se a maior ameaça doméstica do Período Tudor (1485-1603).

O rei respondeu com um exército de 8.000 homens, liderado pelo Duque de Norfolk, que conseguiu persuadir os manifestantes a debandarem. Na verdade, este resultado foi tão fácil de ser obtido porque foram prometidas reformas e perdão total aos manifestantes. Por volta do dia 10 de Dezembro, os "peregrinos" haviam desaparecido. Henrique até poderia ter deixado as coisas como estavam se não fosse pela erupção de uma terceira rebelião, sem relação com as duas primeiras, mas também localizada em Yorkshire, e que ocorreu em Janeiro de 1537. O rei aproveitou então a oportunidade para aprisionar os líderes da Romaria da Graça e executar cerca de 200 deles. Ele insistiu com seus planos e, em 1539, um Ato do Parlamento fechou todos os monastérios remanescentes, independente do tamanho ou rendimento. Quem resistiu foi executado. Este foi o caso dos abades de Glastonbury, Colchester, Reading e Woburn, todos enforcados. O último monastério a fechar as portas foi a Abadia de Waltham, em Essex, em Março de 1540.

A Reforma Inglesa prosseguiu a passo acelerado com os Dez Artigos de Cromwell, de 1536, que rejeitavam os Sete Sacramentos do Catolicismo, mantendo apenas três (batismo, penitência e a Eucaristia). O *Livro dos Bispos*, publicado em Julho de 1537, trazia a declaração da nova doutrina. Cromwell elaborou até uma versão mais forte da obra *As Injunções*, lançada em 1538. Foi recomendado que as relíquias de santos fossem removidas das igrejas, peregrinações deveriam ser evitadas e, numa decisão que se provaria de valor inestimável para os historiadores desde então, registros deveriam ser mantidos em cada paróquia de todos os nascimentos, casamentos e mortes. Também houve a aprovação real para uma tradução da Bíblia para o inglês, em 1539. É importante lembrar, entretanto, que Henrique não estava totalmente comprometido com a reforma da doutrina da Igreja; seu compromisso com práticas católicas tradicionais, como as missas, confissão e o celibato clerical é evidenciada no Ato dos Seis Artigos, de 1539. Os componentes mais radicais da Reforma só seriam adotados durante o reinado do filho e sucessor de Henrique.

### Outros Cargos e Títulos

Cromwell supervisionou uma extensa renovação da Torre de Londres a partir de 1532, um projeto que utilizou quase 3.000 toneladas de pedra de Caen. As defesas foram fortificadas e ergueu-se uma nova casa de joias, esta última iniciativa provavelmente devido ao cargo de Mestre das Joias de Cromwell. Em 1533. ele se tornou Mestre dos Registros (e por causa disso tratava dos registros legais nos tribunais de Chancery). Outro título conferido a ele foi de vigário-geral, o equivalente ao segundo posto mais importante nos assuntos da Igreja. O cargo, concedido em Janeiro de 1535, permitiu-lhe levar adiante as reformas. Cromwell fez amplo uso de seus poderes, como temos visto, mas também aproveitou a oportunidade para interferir nas questões mais cotidianas da Igreja (por exemplo, recrutando padres radicais, imprimindo livros de devoção radicais e criando uma rede de informantes), tanto que o Cardeal Pole o descreveu como " um agente de Satã enviado pelo mal para atrair o Rei Henrique para a danação!" (Turvey, 104). Tais opiniões não impediram a ascensão de Cromwell, que foi nomeado Lorde do Selo Privado em 1536 e Conde de Essex, além de Lorde Camareiro-Mor em 1539.

[ ![The White Tower, the Tower of London](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/8826.jpg?v=1773200048) A Torre Branca da Torre de Londres Frerk Meyer (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/8826/the-white-tower-the-tower-of-london/ "The White Tower, the Tower of London")### Duas Novas Esposas para o Rei

Após todo o estardalhaço em torno do divórcio de Catarina de Aragão e o casamento com Ana Bolena, veio o desapontamento para todos quando Henrique logo começou a buscar uma terceira esposa. Além de uma relação tumultuada, Henrique e Ana não tinham tido um herdeiro masculino saudável. Os olhos do rei perambularam uma vez mais e se voltaram para uma das damas da corte, Jane Seymour (c. 1509-1537). Cromwell encarregou-se do caso contra Ana Bolena, que foi acusada de adultério e aprisionada na Torre de Londres. Auxiliado pela ainda forte facção pró-Catarina na corte, ele se superou no episódio. A lista de acusações contra a rainha era impressionante, ainda que majoritariamente fictícia, e incluía incesto com seu próprio irmão, Lorde Rochford, casos com pelo menos quatro amantes, tentativa de assassinato por envenenamento do marido e até mesmo feitiçaria. Uma confissão e implicação de outros foi extraída do músico favorito de Ana, um certo Mark Smeaton, mas a própria Ana negou todas as acusações, assim como todos os demais. Declarada culpada por um tribunal, Ana foi decapitada no dia 19 de Maio de 1536.

Em duas semanas, Henrique casou-se com sua terceira esposa, Jane Seymour, que finalmente deu ao rei um filho, Eduardo, nascido em 12 de Outubro de 1537 (o futuro [Eduardo VI da Inglaterra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18786/eduardo-vi-da-inglaterra/), r. 1547-1553). Tragicamente, Jane morreu logo após de complicações do parto e o rei ficou desesperado. Afinal, ter um único herdeiro masculino ainda era um risco para a Dinastia Tudor. Cromwell ofereceu então uma quarta esposa ao rei, desta vez com vantagens diplomáticas. Ana de Cleves era a filha mais velha de John, Duque do Ducado germânico do mesmo nome. O acerto foi orquestrado por Cromwell, tendo em vista que a Inglaterra precisava de aliados protestantes contra os superpoderes católicos da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/): França e Espanha. Os noivos encontraram-se logo após a chegada de Ana à Inglaterra, em 26 de Dezembro de 1539, mas ela revelou-se um presente de Natal decepcionante para o monarca inglês.

Ana imediatamente desagradou ao noivo - sua aparência, higiene pessoal, voz alta e maneiras bruscas. Henrique e Cromwell haviam sido enganados por um retrato altamente lisonjeiro da jovem, apresentado antes do encontro pessoal. O rei declarou a Cromwell: "Meu senhor, se não fosse para satisfazer ao mundo e ao meu reino, não faria isso por nada neste mundo" (Philips, 103). Henrique casou-se com Ana, mesmo assim, em 6 de Janeiro de 1540, no Palácio Greenwich mas, chamando-a rudemente de "égua de Flanders", não demorou a mudar de de ideia. A planejada coroação de Ana em Fevereiro foi cancelada e o par divorciou-se por mútuo consentimento em 9 de julho de 1540. Ana escapou com vida e ainda recebeu duas residências campestres, um castelo e uma pensão anual bastante generosa. O fracasso do casamento foi creditado pelo rei a Cromwell, que saiu chamuscado do episódio.

[ ![Anne of Cleves by Hans Holbein](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12116.jpg?v=1744337347) Ana de Cleves por Hans Holbein Hans Holbein (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12116/anne-of-cleves-by-hans-holbein/ "Anne of Cleves by Hans Holbein")### Queda e Execução

No verão de 1540, Cromwell começou a perder seus poderes, à medida que os inimigos conspiravam contra ele. Os mais perigosos eram Thomas Howard, Duque de Norfolk, e o Bispo Stephen Gardiner, líderes da facção conservadora católica que rivalizava com o grupo mais radical de Thomas Cranmer. Estas águias políticas tanto argumentaram que convenceram o rei de que Cromwell era culpado de traição e heresia. O Lorde Chanceler, o "arquiteto da Reforma", aparentemente tinha ido longe demais e foi preso em 10 de junho de 1540. Os protestos de inocência do prisioneiro e várias cartas suplicantes a Henrique foram ignoradas. Sem ter direito a um julgamento, Cromwell foi decapitado em Tower Hill, Londres, em 28 de Julho de 1540. A execução transformou-se num ato sangrento, já que a lâmina do carrasco estava sem fio. A cabeça foi espetada numa lança e exibida na Ponte de Londres, como um alerta aos súditos.

O cargo de Lorde Chanceler ou Primeiro Ministro ficaria a cargo do Conselho Privado, que recuperou algumas de suas funções anteriores. Desta forma, o governo novamente passou a envolver um gabinete de ministros, ao invés de uma única pessoa toda poderosa que pudesse monopolizar o rei. A influência de Cromwell na prática governamental inglesa foi exagerada por alguns historiadores e as afirmações de que ele "revolucionou" a política estão desacreditadas atualmente. No entanto, ele talvez tenha visto potencial naquilo que seus predecessores haviam ignorado até então. Como o historiador J. Morrill resume:

> A visão ampla de Cromwell percebeu possibilidades adicionais para a ação parlamentar... Ele viu que os poderes do estado poderiam ser usados para resolver ou pelo menos amenizar os problemas gerados pela explosão populacional de sua época - pobreza, desemprego e desordem social. Suas iniciativas nesta direção, além das leis religiosas, produziram um volume de sem precedentes de promulgações parlamentares, inaugurando uma era na qual o escopo da legislação e a atividade parlamentar iria aumentar rapidamente. (318)

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Brigden, Susan. *New Worlds, Lost Worlds.* Penguin Books, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0142001252/)
- [Cannon, John. *The Kings and Queens of Britain.* Oxford University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0199559228/)
- [Elton, G.R. *England Under the Tudors.* Routledge, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/1138602744/)
- [Ferriby, David. *The Tudors.* Hodder Education, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/1471837580/)
- [Jones, Nigel. *Tower.* St. Martin's Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0312622961/)
- [Miller, John. *Early Modern Britain, 1450-1750.* Cambridge University Press, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/1107650135/)
- [Morrill, John. *The Oxford Illustrated History of Tudor & Stuart Britain.* Oxford University Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/019820325X/)
- [Ralph Lewis, Brenda. *Dark History of the Kings and Queens of England.* Amber Books Ltd, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/178274858X/)
- [Roger Turvey. *The Early Tudors.* Hodder Education, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/B01K0RAYPI/)
- [Starkey, David. *Crown and Country.* HarperPress, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/0007307721/)
- [Woodward, Geoff. *Rebellion & Disorder Under the Tudors 1485-1603.* Hodder Education, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/1471838501/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **c. 1485 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/), future first minister to [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) is born.
- **1503 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) travels to [Italy](https://www.worldhistory.org/italy/) where he fights as a mercenary and then learns banking.
- **c. 1520 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) establishes his own legal practice in London.
- **1523 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) becomes a Member of Parliament.
- **1524 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) joins the household of Cardinal [Thomas Wolsey](https://www.worldhistory.org/Thomas_Wolsey/).
- **1530 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) becomes a member of the King's Council.
- **1532 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) pushes through Parliament the Act in Restraint of Annates which limits funds paid to the Papacy.
- **1532 CE - 1540 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is chief minister to [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/).
- **1533 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is made Master of the Rolls.
- **1533 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) pushes through Parliament the Act in Restraint of Appeals which declares that the English monarch is now the highest authority on all legal matters.
- **23 May 1533 CE**: [Thomas Cranmer](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cranmer/), the Archbishop of Canterbury formally annuls [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/)’s marriage to [Catherine of Aragon](https://www.worldhistory.org/Catherine_of_Aragon/).
- **1534 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) pushes through Parliament the Treason Act which forbids people to speak out and criticise their king or his policies.
- **30 Apr 1534 CE**: Parliament passes the Act of Succession which declares [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/)'s daughter Mary (with [Catherine of Aragon](https://www.worldhistory.org/Catherine_of_Aragon/)) illegitimate.
- **28 Nov 1534 CE**: The Act of Supremacy declares [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) the head of the Church in [England](https://www.worldhistory.org/disambiguation/england/) and not the Pope.
- **1535 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) and a team of inspectors compile the Valor Ecclesiasticus, a record of all the wealth and income of monastic institutions in [England](https://www.worldhistory.org/disambiguation/england/) and Wales.
- **Jan 1535 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is made vicar-general by [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/).
- **6 Jul 1535 CE**: [Sir Thomas More](https://www.worldhistory.org/Sir_Thomas_More/) is executed for refusing to acknowledge [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) as the head of the Church in [England](https://www.worldhistory.org/disambiguation/england/).
- **1536 CE**: [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) and [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) push a bill through Parliament which begins the [Dissolution of the Monasteries](https://www.worldhistory.org/Dissolution_of_the_Monasteries/) in [England](https://www.worldhistory.org/disambiguation/england/) and Wales.
- **1536 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is made Lord Privy Seal.
- **1536 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/)'s Ten Articles rejects four of the Seven Sacraments of Catholicism.
- **Aug 1536 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) issues The Injunctions, a set of recommendations for the clergy.
- **Oct 1536 CE - Dec 1536 CE**: The [Pilgrimage of Grace](https://www.worldhistory.org/Pilgrimage_of_Grace/), a popular uprising against religious changes made by [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/), marches in the north of [England](https://www.worldhistory.org/disambiguation/england/).
- **Jul 1537 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) publishes The Bishop’s Book.
- **1538 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) issues a more radical version of The Injunctions.
- **1539 CE**: [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) approves the translation of the [Bible](https://www.worldhistory.org/bible/) into English.
- **1539 CE**: Parliament passes an act to close all monasteries in [England](https://www.worldhistory.org/disambiguation/england/) and Wales regardless of size.
- **1539 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is made Earl of Essex and Lord Great Chamberlain.
- **Jan 1540 CE**: [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) marries his fourth wife, Anne of Cleves.
- **10 Jun 1540 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is arrested on charges of treason and heresy.
- **9 Jul 1540 CE**: [Henry VIII of England](https://www.worldhistory.org/Henry_VIII_of_England/) and Anne of Cleves divorce by mutual consent. [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is blamed for the mismatch.
- **28 Jul 1540 CE**: [Thomas Cromwell](https://www.worldhistory.org/Thomas_Cromwell/) is executed for treason and heresy.

## Links Externos

- [Thomas Cromwell, The National Archives](https://beta.nationalarchives.gov.uk/explore-the-collection/stories/thomas-cromwell/)
- [Thomas Cromwell, History of Parliament Online](https://www.historyofparliamentonline.org/volume/1509-1558/member/cromwell-thomas-1485-1540)
- [Thomas Cromwell's fateful match-making, Historic Royal Palaces](https://www.hrp.org.uk/blog/thomas-cromwells-fateful-match-making/#gs.ihzzac)
- [BBC Radio 4 - Great Lives, Thomas Cromwell](https://www.bbc.co.uk/programmes/p00glwph)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2022, December 02). Thomas Cromwell. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18870/thomas-cromwell/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Thomas Cromwell." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, December 02, 2022. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18870/thomas-cromwell/>.
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Cartwright, Mark. "Thomas Cromwell." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 02 Dec 2022, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18870/thomas-cromwell/>.

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