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title: Império Wolof
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18570/imperio-wolof/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-10
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# Império Wolof

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Wolof (também conhecido como Jolof ou Djolof) foi um Estado na costa da África Ocidental, situado entre os rios Senegal e Gâmbia, que floresceu entre meados do século XIV e meados do século XVI. O império prosperou com o comércio graças aos dois rios que permitiam o acesso aos recursos do interior africano e ao tráfego costeiro. Este comércio incluía ouro, peles, marfim e escravos, sendo frequentemente realizado com mercadores europeus, nomeadamente os portugueses e, posteriormente, os franceses. Após a fragmentação do Império Wolof no século XVI, um Estado menor, o Reino Wolof, persistiu até ao século XIX. A língua wolof («uolofe», «uólofe», «jalofo» ou língua «jalofa») é ainda hoje amplamente falada no Senegal, na Gâmbia e na Mauritânia.

### **Os Primórdios**

Enquanto povo, os Wolof habitaram, desde o primeiro milénio a.C., a área entre o rio Senegal, a norte, e o rio Gâmbia, a sul. Esta região da África Ocidental é frequentemente chamada Senegâmbia e abrange o que é hoje o Senegal, a Gâmbia e o sul da Mauritânia. Tanto a língua como a olaria sugerem que os antepassados dos Wolof migraram originalmente para aqui vindos da África central ou oriental. Dedicavam-se à pesca, ao cultivo de arroz em zonas húmidas e à criação de gado bovino, ovino e caprino (e, mais tarde, suíno). Utilizavam o ferro para ferramentas, cerâmica e joias (as quais usavam como adorno). Os povos desta área da África Ocidental também erigiram monumentos megalíticos e marcos funerários. Formavam-se círculos com cerca de 8 metros (26 pés) de diâmetro, utilizando pedras que chegavam aos 4 metros de altura.

Os Wolof tornaram-se, eventualmente, a tribo mais poderosa a sul do rio Senegal. Este território estivera outrora sob o controlo nominal do Império do Mali (1240-1465), após uma campanha de expansão bem-sucedida por parte de Tiramaghan, um general de Sundiata Keita (reinou 1230-1255), o rei do Mali. A relação entre os dois Estados não é clara, mas os Wolof parecem ter, pelo menos, reconhecido os reis do Mali como a principal potência da África Ocidental. A independência dos Wolof pode observar-se na sucessão do seu primeiro rei, ou *burba*, o semilendário Ndiadiane N'diaye, tradicionalmente situado no século XIII, mas mais provavelmente na segunda metade do século XIV. Em todo o caso, as guerras civis, os ataques de tribos como os Mossi e a mudança de rotas comerciais lucrativas fizeram com que os reis do Mali perdessem gradualmente o controlo sobre as regiões periféricas do seu império. Por volta de 1468, o rei Sunni Ali (reinou 1464-1492) do [Império Songai](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17955/imperio-songai/) (cerca de 1460 – cerca de 1591) conquistou o que restava do debilitado Império do Mali.

[ ![Map of Ancient & Medieval Sub-Saharan African States](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10453.jpg?v=1778722385) Mapa dos Estados Africanos Subsaarianos Antigos e Medievais Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/10453/map-of-ancient--medieval-sub-saharan-african-state/ "Map of Ancient & Medieval Sub-Saharan African States")Os Songai estavam presentes apenas a sul do rio Gâmbia, o que permitiu aos Wolof, a norte, explorar uma das poucas áreas vagas que o Império Songai não controlava na África Ocidental (fosse através de ocupação direta ou da imposição de tributos). No final do século XV, o Império Wolof consistia nos três reinos de língua wolof de Cayor (Kajoor), Walo (Waalo) e Baol (Bawol), além de Estados povoados por falantes de Serer, como Sine e Salum. Eventualmente, os reis Wolof expandiram-se para o território Malinke a norte do rio Gâmbia, que incluía os Estados de Nyumi, Badibu, Nyani e Wuli. Consequentemente, os reis Wolof passaram a governar a totalidade da Senegâmbia, embora este Estado possa ser melhor descrito como uma confederação de reinos tributários do que propriamente um império (como é frequentemente chamado).

### **O Comércio: África Ocidental e Portugal**

O Império Wolof foi um participante fundamental no tráfico de escravos, exportando cerca de um terço de todos os escravos africanos antes de 1600. Este comércio declinou no século XVII, à medida que a Senegâmbia se tornou um local de passagem de escravos vindos do interior da África Central, em vez de ser a sua fonte. Graças ao imponente rio Senegal, que se estende por centenas de quilómetros no interior de África, os Wolof estavam em posição de comercializar todo o tipo de mercadorias além de escravos, incluindo peles, têxteis de algodão, goma, marfim, nozes de cola, sal, cavalos, índigo e cera de abelha. Os Wolof também possuíam os seus próprios fabricantes para transformar matérias-primas em bens de valor ainda mais elevado. Os ourives e os artesãos de filigrana Wolof gozavam de uma reputação especialmente elevada em toda a África Ocidental.

Contudo, a principal mercadoria transacionada no território Wolof não era nenhuma das anteriores, mas sim o ouro. Este metal precioso, oriundo das jazidas de Bambuk no interior, chegava à costa para satisfação dos europeus que começavam a demonstrar um interesse sério pela África subsariana. Os portugueses iniciaram as trocas comerciais ao longo da costa da África Ocidental em meados do século XV. O aventureiro Diogo Gomes estabeleceu relações comerciais com os Wolof em 1455, e o comércio floresceu entre as duas potências. Foram trocados presentes entre o rei de Portugal, D. João II (reinou 1481-1495), e os Wolof, tendo sido igualmente recebidos missionários cristãos.

[ ![Wolof Chief & Residence](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/11494.jpg?v=1773069545) Chefe e Residência Wolof Ã‰vremond de BÃ©rard (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/11494/wolof-chief--residence/ "Wolof Chief & Residence")O comércio com os portugueses tornou-se tão lucrativo durante a década de 1480 que o rei Wolof, o Burba Birao, chegou a mudar a sua capital para mais perto da costa. No entanto, nem todos viram com bons olhos a receção de missionários, e os príncipes tradicionalistas lideraram uma revolta que derrubou Birao em 1489. O irmão de Birao, o príncipe Bemoi, foi forçado a fugir do país, mas recebeu uma receção esplêndida em Lisboa, onde foi inclusivamente batizado. Por volta de 1490, os portugueses ambicionavam controlar diretamente as mercadorias, particularmente o ouro, a partir da sua fonte no interior de África. Enviaram uma expedição militar contra o rei Wolof e apoiaram o príncipe Bemoi na tomada do trono. A expedição, apesar de envolver 20 caravelas, revelou-se um fracasso devido a doenças e a um grave desentendimento entre o pretendente e os seus apoiantes europeus, o que levou à morte do primeiro. Posteriormente, os portugueses permaneceram nos seus postos comerciais fortificados ao longo da costa, enquanto o comércio continuou ao longo do século XVI.

A religião da elite era, pelo menos nominalmente, o Islão, devido à sua propagação por mercadores berberes, clérigos e missionários.

### **O Estado Wolof**

O contacto com os portugueses facultou-nos, pelo menos, algumas informações sobre o Estado Wolof. Sabemos que o rei era eleito por um conselho de anciãos de entre candidatos que pertenciam a uma determinada linhagem, muito provavelmente a do próprio fundador do Estado. Alguns membros deste conselho eram governantes dos estados individuais que integravam a confederação Wolof. A sociedade Wolof era hierarquizada, com várias classes distintas: a família real: Situava-se no topo da [pirâmide](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-89/piramide/) social; nobres não reais: frequentemente filhos de esposas secundárias e de concubinas da realeza; e homens livres: esta categoria dividia-se, por sua vez, em castas, dependendo da ocupação de cada homem, como ferreiros, joalheiros (que produziam as peças que a elite punha para adorno), alfaiates, griots (contadores de histórias épicas) e músicos. Na base da sociedade encontravam-se os escravos, capturados durante guerras e razias em territórios vizinhos, que estavam também divididos em estratos, com os escravos qualificados no topo e os trabalhadores agrícolas indiferenciados na base. Existia ainda uma classe de escravos militares, os ceddo, que a elite utilizava para impor o pagamento de tributos e policiar outros escravos. A religião da elite era, pelo menos nominalmente, o Islão, devido à sua propagação por mercadores berberes, clérigos e missionários. Em contraste, a maioria da população comum permaneceu ligada às suas crenças animistas tradicionais.

### **O Comércio: África Ocidental e França**

No último quartel do século XVI, outra grande potência chegou à região: a França. Os mercadores franceses trouxeram consigo artigos altamente cobiçados, tais como têxteis do norte de França, bebidas espirituosas, artigos de metal, [pimenta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10038/pimenta/), óleo de palma e armas de fogo. Os portugueses perderam rapidamente a sua vantagem comercial, especialmente porque a exportação para África das muito requisitadas armas de fogo fora proibida pela coroa portuguesa. Consequentemente, os franceses ganharam o controlo de cidades como Gorée, Portudal, Joal e Rufisque, todas localizadas em território Wolof. A presença europeia foi tal que as populações das áreas urbanas ao longo da costa atlântica acabaram por se tornar uma mistura de africanos e franceses, como se verificou, por exemplo, no porto de Saint Louis. No final do século XVI, os ingleses e os holandeses constituíam também uma presença comercial significativa na região, uma vez que o ouro e os escravos de África se revelaram tão irresistíveis para eles como para os franceses e portugueses.

### **A Desintegração**

Embora o comércio estivesse em plena expansão, o próprio Império Wolof começou a desintegrar-se logo em meados do século XVI, fragmentando-se numa série de Estados sucessores, que incluíam o que hoje é designado por Reino Wolof. Esta fragmentação inicial foi provavelmente causada pelo facto de as cidades costeiras terem enriquecido tanto com o comércio que procuraram separar-se da monarquia central Wolof. De resto, estas províncias foram as primeiras a reivindicar a sua independência. Os Wolof foram também enfraquecidos pela ascensão dos militaristas Fula (ou Fulani), inicialmente liderados por Koli Tengella (cerca de 1512-1537), que estabeleceu o seu Estado em Futa Toro, um território em torno da secção média do rio Senegal. O grupo de Estados, agora díspares na Senegâmbia, dividido entre falantes de Wolof e Serer, era composto por Waalo, Cayor, Bawol, Siin, Saalum e o Reino Wolof (infelizmente para este, o único sem acesso à costa).

### **Os Reinos Sucessores e o Islão**

Apesar da agitação política, o rio Senegal permaneceu o que sempre fora: uma via vital de entrada e saída do interior de África. Os pequenos reinos viram os seus governantes estabelecer monopólios lucrativos sobre o comércio de bens de elevado valor, como escravos e armas de fogo. Na verdade, a região estava a desviar tanto comércio, anteriormente controlado pelos estados do Norte de África e pelos seus intermediários, os berberes saarianos, que o marabout ou líder religioso destes últimos, Nasir al-Din (reinou 1644-1674), lançou uma guerra santa em 1673. Como resume o Volume V da *História Geral da África da UNESCO*:

> A proclamação da guerra... foi motivada por considerações tanto económicas como religiosas, visando reconquistar o comércio de cereais e de escravos, bem como converter os povos e purificar a prática do Islão... De religião de uma casta minoritária de mercadores e cortesãos nas cortes reais, o Islão estava a tornar-se um movimento de resistência popular contra o poder arbitrário das autocracias governantes e contra os efeitos nocivos do comércio atlântico.
> (pág, 141)

Consequentemente, com o apoio do povo e daqueles que já se tinham convertido ao Islão, a guerra resultou no varrimento da elite governante em muitos dos reinos sucessores do Império Wolof. Os novos regimes tornaram-se teocracias muçulmanas, mas não duraram muito tempo. Com a morte de Nasir al-Din em 1674, inúmeras derrotas e a intervenção francesa em apoio aos reinos, os berberes foram repelidos e a guerra santa acabou por se dissipar.

Os reinos sucessores, longe de interpretarem este episódio como um aviso oportuno sobre a sua fragilidade enquanto pequenos estados rivais, continuaram a litigar e a lutar entre si. Movimentos populares uniram-se em torno da ideia de propagação do Islão e os reinos, assolados por outros problemas como uma sucessão de períodos de fome, desintegraram-se enquanto entidades políticas no início do século XVIII.

O povo Wolof continuava ativamente envolvido no comércio costeiro em meados do século XVIII, mas a região passou a ser progressivamente dominada pelos franceses a partir do início do século XIX, à medida que estes e outras potências europeias assumiam agora o controlo direto, através da conquista militar, das partes de África que lhes interessavam. A língua wolof, no entanto, perdurou muito para além do império ou do reino, sendo hoje a língua oficial no Senegal (juntamente com o francês) e amplamente falada em vários outros estados da África Ocidental.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **c. 1350 CE - c. 1550 CE**: The [Wolof Empire](https://www.worldhistory.org/Wolof_Empire/) rules in West [Africa](https://www.worldhistory.org/disambiguation/africa/).
- **1455 CE**: The Portuguese adventurer Diogo Gomes establishes [trade](https://www.worldhistory.org/disambiguation/trade/) relations with the [Wolof Empire](https://www.worldhistory.org/Wolof_Empire/).
- **1489 CE**: Burba Birao, king of the [Wolof Empire](https://www.worldhistory.org/Wolof_Empire/), is dethroned by a revolt of conservative tribal leaders.
- **1490 CE**: The Portuguese launch an unsuccessful expedition against the [Wolof Empire](https://www.worldhistory.org/Wolof_Empire/) in West [Africa](https://www.worldhistory.org/disambiguation/africa/).

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, June 10). Império Wolof. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18570/imperio-wolof/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Império Wolof." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 10, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18570/imperio-wolof/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Império Wolof." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 10 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18570/imperio-wolof/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 10 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

