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title: Os Masais
author: Mark Cartwright
translator: Matheus Kunitz Daniel
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18566/os-masais/
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license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-04-28
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# Os Masais

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Matheus Kunitz Daniel](https://www.worldhistory.org/user/matheuskunitz)_

O povo Masai (ou Masais, Maasai) é uma tribo da África Oriental que atualmente ocupa principalmente o território do sul do Quênia e do norte da Tanzânia, e que fala a língua de mesmo nome. Os Masais, de origem nilo-saariana, migraram para o sul em direção a essa região no século XVI/XVII, e prosperaram graças às suas habilidades na pecuária, especialmente na criação de gado. Os guerreiros Masais são particularmente famosos por sua altura, resistência física e cabelos ruivos marcantes, e seu sucesso na guerra lhes trouxe o domínio das pastagens do Vale do Rift. A reserva de caça de Masai Mara, no sul do Quênia, recebeu esse nome em homenagem à tribo que ainda vive lá.

### **A Migração da Tribo Masai**

Os Masais eram originalmente um povo nilo-saariano centrado na área do que é hoje o Sudão. Eles então migraram para o sul, junto com outras tribos, como os Tutsi, em busca de melhores terras para pastagem e agricultura, uma busca que os levou ao centro da África Oriental por volta de 1750. Eles passaram pelas terras altas do Quênia e pelo Lago Turkana, finalmente se estabelecendo nas planícies de savana do que é hoje o sul do Quênia e o norte da Tanzânia. As origens nilótico-cuxitas dos Masai são evidentes em suas características físicas e nas muitas ocorrências de palavras emprestadas de línguas cuxitas ou nilóticas orientais presentes na língua Maa ou Masai.

Os Masais foram influenciados em alguns aspectos de sua cultura por povos nilóticos estabelecidos nas Terras Altas do Quênia que haviam migrado para lá anteriormente. Consequentemente, práticas culturais como a circuncisão e um tabu em relação ao peixe foram também adotadas pelos Masais. A chegada dos Masais à região no final do século XVI e início do século XVII também viu o declínio no domínio das tribos locais.

Os povos Masais se adaptaram extremamente bem ao seu novo ambiente, como coloca a *História Geral da África* da UNESCO, Vol. II: "Nessas pastagens finas, de fato, as seções centrais Masais conseguiram… perseguir o *ethos* pastoral até seu extremo último" (323). A irregularidade das chuvas nas zonas interiores do Quênia e da Tanzânia fez com que os Masais fossem obrigados a se concentrar na criação de gado, especialmente de bovinos, e a abandonar o cultivo de grãos em algumas áreas. Outros animais criados em escala muito menor incluíam cabras, ovelhas e aves domésticas. O gado fornecia leite, sangue para beber, esterco para combustível, material para armas, ferramentas e roupas e, ocasionalmente, carne.

Os Masais continuaram a expandir o seu domínio, às vezes chamado de Território Masai e localizado aproximadamente na área entre o Lago Vitória, a leste, e o Monte Kilimanjaro, a oeste, enviando gerações mais jovens de famílias para se estabelecer em novas pastagens com uma certa quantidade de gado da comunidade de origem. Esse processo continuou durante os séculos XVII e XVIII, à medida que a tribo procurava "terras vazias" onde houvesse uma população existente pouco numerosa. À medida que a África Oriental começou a se encher ao longo do tempo com tribos concorrentes e as populações aumentaram em densidade, os Masais foram obrigados a lutar por seu direito de criar animais em uma área específica, isso foi especialmente no século XIX.

[ ![Maasai Herdsman](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/11491.jpg?v=1599183903) Pastor Maasai Vince Smith (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/11491/maasai-herdsman/ "Maasai Herdsman")### A Tradição Oral Masai

Os Masais desenvolveram uma tradição oral que reforçava sua própria visão de que eram os únicos pastores puros na África Oriental. As histórias essencialmente identificam os Masais como superiores em todos os aspectos a outras tribos, especialmente caçadores (Dorobo) e agricultores que tinham que realizar tarefas tão indignas quanto cavar o solo. Um desses contos narra as consequências do povo Dorobo ignorar uma mensagem de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) para aguardar seu presente de gado. Eles não aparecem como instruídos e, consequentemente, perdem para os Masais. A história aqui citada está no *African History*, de P. Curtin:

> Deus baixou uma corda de casca de árvore… do céu e começou a descer o gado, até que havia tantos que se misturaram com os dos Dorobo. Então o Dorobo veio e, quando não pôde mais reconhecer seu gado entre o dos Masais, ficou com raiva e cortou a corda de casca com uma flecha… Deus fez com que o gado parasse de descer e ele subiu para o céu, e nunca mais foi visto no chão novamente. Assim, todo o gado que os Masais possuem agora foi primeiramente dado a eles por Deus. (113)

Outras tradições orais perpetuam a crença de que os Masais nasceram para serem criadores de gado, incluindo literalmente que o primeiro progenitor masculino da tribo recebeu um bastão de pastoreio para esse fim. Além disso, pensava-se que essa especialização não deveria ser comprometida pelo exercício de outras atividades que outros povos realizam, como caça e agricultura. É importante talvez notar, no entanto, que o pastoralismo puro entre os Masais provavelmente só surgiu recentemente (cerca de 1800) e uma minoria de grupos Masais e alguns povos de língua Masai subsistiam quase exclusivamente pela agricultura. Parece claro, então, que as tradições orais que favoreciam o pastoralismo puro eram realmente apenas um artifício daquelas elites ricas com muito gado para justificar e perpetuar sua posição no topo da sociedade Masai – elas nunca precisaram recorrer à agricultura e, portanto, tinham o direito de governar.

[ ![The Maasai of Ngorongoro](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/11489.jpg?v=1599183903) Os Maasai de Ngorongo Omar Gurnah (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/11489/the-maasai-of-ngorongoro/ "The Maasai of Ngorongoro")### **Sociedade e Propriedade**

O status Masai em sua sociedade era ditado e medido pela quantidade de gado que um homem possuía. O gado era um indicador de prosperidade e os animais eram comumente oferecidos como parte do dote, mas os Masais às vezes emprestavam seu gado a parentes em dificuldades também. Em certo sentido, o gado mantinha as comunidades unidas ao fornecer um vínculo de propriedade comum e mutuamente benéfico. Os animais eram pastoreados por membros específicos dos grupos de parentesco, mas o todo pertencia à unidade social mais ampla, independentemente de sua dispersão geográfica real. A ênfase no gado e no grande número necessário para sustentar uma família teve repercussões infelizes para os membros mais pobres da sociedade Masai. Em tempos de seca, quando o leite era escasso ou os animais até morriam, aqueles com um pequeno rebanho eram forçados a cultivar ou caçar para si, o que, como vimos acima, era considerado o fracasso definitivo.

Todos os indivíduos Masais pertenciam a uma família, clã e grupo distrital. Representantes desses grupos formavam conselhos de anciãos – a antiguidade em idade era um critério importante para a elite Masai – que se reuniam regularmente para discutir e decidir assuntos importantes para os Masais como um todo e estabelecer os direitos e obrigações mútuas de cada um desses três níveis da sociedade. Grupos de elite geralmente acabavam controlando as melhores terras de pastagem e os locais vitais de água. Os jovens eram admitidos na idade adulta por meio de cerimônias de iniciação que envolviam a circuncisão (para ambos os sexos).

Grupos prósperos de Masai podiam permitir que alguns indivíduos se dedicassem a outras atividades, como cestaria, trabalho têxtil, religião e arte. Outra tarefa poderia ser a construção de casas, tradicionalmente considerada uma responsabilidade feminina, juntamente com as tarefas domésticas e o cuidado das crianças, enquanto os homens cuidavam dos animais. O comércio com outras tribos permitia a aquisição de necessidades como grãos, vegetais e outros alimentos produzidos por tribos agricultoras (notavelmente os Kikuyu), sal, ferro, armas, ferramentas e bens de luxo, como cerâmica bem feita e itens decorativos para o corpo e o lar. Curiosamente, o comércio era responsabilidade das mulheres Masais. Os Masais pagavam por esses bens na forma de gado, leite, peles e couro. Outra área de troca era a expertise, com os pastores realizando pequenas cirurgias e extrações de dentes em troca do conhecimento de medicamentos dos agricultores.

### Guerreiros Masais

Os Masais podem ter sido pastores especialistas, mas também eram famosos e temidos como guerreiros. De fato, a guerra era frequentemente necessária porque os Masais exigiam vastas extensões de território para os seus animais pastarem, um fato que muitas vezes os colocava em conflito com povos vizinhos. Entre 1500 e 1800, as sociedades na África Oriental ainda estavam em grande parte se formando, com um número muito grande de comunidades bastante separadas. Os Mijikenda, como os Masais, procuravam expandir seu território e, assim, os dois inevitavelmente entraram em conflito. Outro grupo rival eram os Padolas, particularmente na área de Tororo, e um terceiro eram os vários povos caçadores da África Oriental. A competição por terra e recursos só aumentava em tempos de extremos climáticos, como secas.

Os guerreiros Masais (*moran*) eram controlados por líderes rituais (*laibons*). Os guerreiros viviam juntos em aglomerados separados de habitações, comiam na presença uns dos outros, compartilhavam propriedades e sempre viajavam juntos em pequenos grupos. Eles treinavam lançando suas lanças em alvos, melhoravam a resistência e o físico lutando e travando batalhas simuladas e demonstravam coragem caçando leões. Além de suas distintas túnicas vermelhas e pequena capa, os guerreiros deixavam o cabelo crescer longo e o endureciam com uma mistura de lama, gordura de vaca e ocre. Eles também usavam um cinto de miçangas (missangas) com uma faca curta e, às vezes, um impressionante cocar de penas de avestruz.

Os guerreiros realizavam danças de guerra, que incluíam saltos característicos no mesmo lugar e outros movimentos físicos exigidos em batalha, e então partiam armados com suas lanças muito longas para derrotar seus inimigos. Os Masais foram altamente bem-sucedidos na guerra ao longo do século XVIII, embora isso talvez não seja surpreendente, considerando que sua oposição era composta por sociedades muito menos militarizadas. *História da África de Cambridge* dá o seguinte registro conciso de seu sucesso:

> \[Os Masais\] estabeleceram um virtual monopólio das pastagens do Vale do Rift, desde o planalto de Uasin Gishu, no noroeste do Quênia, até a estepe Masai, no centro-norte da Tanzânia, uma distância de aproximadamente 970 quilômetros… a predominância Masai fez recuar e mudou fundamentalmente o modo de vida do grupo paranilótico meridional de fixação mais antiga. (654)

[ ![Sunrise in the Maasai Mara](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/11490.jpg?v=1619803908) Nascer do sol na Maasai Mara Ralf Κλενγελ (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/11490/sunrise-in-the-maasai-mara/ "Sunrise in the Maasai Mara")### **História Posterior**

Apesar de seu sucesso espetacular no século anterior, os Masais estavam em declínio no século XIX, à medida que a antiga batalha entre pastores e agricultores começou a pender a favor destes últimos. Isso porque os agricultores sedentários estavam agora criando formas de governo mais sofisticadas e centralizadas, o que aumentou sua prosperidade. Os Masais, com poucas raízes permanentes e vivendo em comunidades dispersas, sofriam com a falta de organização política e militar em comparação com outros grupos mais sedentários, uma vez que voltaram sua atenção para a guerra. A posição Masai ficou ainda mais enfraquecida pela caça de seus animais por tais povos e por perdas devido a epidemias de doenças. A partir de cerca de 1850, houve também guerras civis prejudiciais entre grupos rivais Masais, que muitas vezes afugentavam guerreiros valiosos, que então se tornavam mercenários para tribos vizinhas, como os Nandi.

Os Masais sobreviveram à era colonial europeia na África, a porção oriental do continente sendo dominada por britânicos, italianos e alemães. Sua independência ao longo desse período turbulento da história africana deveu-se em grande parte à sua habitação em áreas desérticas, à medida que foram expulsos das pastagens pela expansão da agricultura, que foi promovida pelos europeus. A colônia britânica do Quênia conquistou sua independência em 1963, e os Masais resistem firmemente a todas as iniciativas governamentais para "modernizá-los" desde então.

### **A Masai Mara**

A Masai Mara é uma grande reserva de caça no sul do Quênia que recebeu o nome do povo Masai em reconhecimento à sua longa ocupação do território que ela abrange. A reserva, localizada no Vale do Rift, na África Oriental, foi estabelecida em 1961. É um dos parques de caça mais famosos da África e é celebrada por sua vida selvagem diversificada, que inclui leões, elefantes e leopardos. A reserva também testemunha o grande movimento anual de vida selvagem de e para o Serengeti, ao sul, conhecido como Grande Migração. A nomeação do parque não foi apenas um gesto vazio para os Masai, pois eles ainda hoje têm permissão para pastar seu gado em partes da reserva.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Bernsten, J.L. "The Maasai and Their Neighbors: Variables of Interaction." *African Economic History*, No. 2 (Autumn, 1976), pp. 1-11.
- [Curtin, P. *African History.* Pearson, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0582050707/)
- Hodgson, D. ""Once Intrepid Warriors": Modernity and the Production of Maasai Masculinities." *Ethnology*, Vol. 38, No. 2 (Spring, 1999), pp. 121-150.
- [Ki-Zerbo, J. (ed). *UNESCO General History of Africa, Vol. IV, Abridged Edition.* University of California Press, 1998.](https://www.worldhistory.org/books/0520066995/)
- [McEvedy, C. *The Penguin Atlas of African History.* Penguin Books, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0140513213/)
- [Mokhtar, G. (ed). *UNESCO General History of Africa, Vol. II, Abridged Edition.* University of California Press, 1990.](https://www.worldhistory.org/books/0520066979/)
- [Ogot, B.A. (ed). *UNESCO General History of Africa, Vol. V, Abridged Edition.* University of California Press, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/0520067002/)
- [Oliver, R. (ed). *The Cambridge History of Africa, Vol. 3.* Cambridge University Press, 1977.](https://www.worldhistory.org/books/0521209811/)
- [Oliver, R.A. *Cambridge Encyclopedia of Africa.* Cambridge University Press, 1981.](https://www.worldhistory.org/books/0521230969/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

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Cartwright, M. (2026, April 28). Os Masais. (M. K. Daniel, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18566/os-masais/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Os Masais." Traduzido por Matheus Kunitz Daniel. *World History Encyclopedia*, April 28, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18566/os-masais/>.
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Cartwright, Mark. "Os Masais." Traduzido por Matheus Kunitz Daniel. *World History Encyclopedia*, 28 Apr 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18566/os-masais/>.

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Enviado por [Matheus Kunitz Daniel](https://www.worldhistory.org/user/matheuskunitz/ "User Page: Matheus Kunitz Daniel"), publicado em 28 April 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(is) para obter informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

