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title: Merlin
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18148/merlin/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-09
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# Merlin

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Merlin (também conhecido como Myrddin, Merlinus) é o grande mago das Lendas Arturianas, mais conhecido através da obra *A Morte de Artur* (tít. original: *Le Morte d'Arthur* - 1469), de Sir [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18093/thomas-malory/). A personagem foi criada por Godofredo de Monmouth na sua *História dos Reis da Britânia* (tít. original: *Historia Regum Britanniae* - 1136), onde aparece pela primeira vez como um jovem sábio e precoce com poderes proféticos. O poeta francês Robert Wace (cerca de 1110–1174) traduziu então a obra de Godofredo e acrescentou-lhe elementos no seu *Roman de Brut* (cerca de 1160). Mais tarde, Merlin foi a personagem central de Merlin, de Robert de Boron (século XII), que o retratou como um profeta cristão; esta representação, com algumas variações, continuaria no Ciclo da Vulgata (1215–1235) e no Ciclo Pós-Vulgata (cerca de 1240–1250), influenciando a caracterização final do vidente feita por Malory.

Em Malory, Merlin é o mentor de Artur, fundamental em todos os aspetos da sua vida: desde a sua conceção à sua educação, a sua ascensão ao poder e a sua visão de um reino governado através da justiça e da boa vontade. Merlin é central na vida de todas as personagens principais da lenda, capaz de ver tanto o passado como o futuro, ansioso por aconselhar e servir, mas incapaz de alterar o que sabe que tem de acontecer.

Desde a sua primeira aparição na [literatura medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17990/literatura-medieval/), Merlin permaneceu entre as personagens mais populares das lendas. Poderá ter sido originalmente um [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) ou espírito da fertilidade, temido ou reverenciado pela sua grande sabedoria e capacidades mágicas, e este conceito de Merlin foi revivido na literatura romântica do século XIX. Desde então, apareceu em, ou influenciou, inúmeras obras de ficção, cinema e outros meios, quase sempre retratado ou mencionado da mesma forma: como um mago poderoso.

### O Nome e a Origem

Merlin aparece pela primeira vez na literatura na *História dos Reis da Britânia*, do clérigo galês Godofredo de Monmouth (cerca de 1100 – cerca de 1155). O nome da personagem Merlin não é um nome próprio (que designe um indivíduo neste caso), mas sim um topónimo (nome de um lugar), especificamente o termo galês Caermyrddin ("Cidade de Merlin"), que se refere à cidade de Carmarthen, o local de nascimento de Merlin. Godofredo latinizou Myrddin para Merlinus, uma vez que a latinização estrita para Merdinus teria associado o nome ao latim *merdus* (fezes, excrementos). A personagem teve origem no folclore galês, apresentando o motivo do "homem selvagem da floresta", um ser semisselvagem que vivia nas margens da civilização e que possuía grande poder e sabedoria.

O homem selvagem galês mais famoso foi Myrddin Wyllt ("Myrddin, o Selvagem"), um bardo do século VI que, segundo a lenda, enlouqueceu após uma batalha particularmente sangrenta e refugiou-se na floresta. Godofredo escreveu uma obra curta, *As Profecias de Merlin* (cerca de 1130), antes da sua famosa história, mas este Merlin não tem qualquer relação com o mago das Lendas Arturianas. Após o sucesso da sua *História*, Godofredo escreveu outra obra, *A Vida de Merlin* (cerca de 1150), na qual a personagem principal exibe dotes mágicos e proféticos, mas esta obra também não está ligada às Lendas Arturianas.

### O Merlin de Godofredo

Na *História* de Godofredo, Merlin surge como uma personagem proeminente nos livros VI a VIII. O rei Vortigern, o usurpador, tem dificuldades em construir uma torre porque a fundação não se mantém firme. Os seus [magos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14770/magos/) aconselham-no a encontrar um jovem no reino que não tenha pai e a sacrificá-lo, misturando o seu sangue com a argamassa, para que assim a fundação se torne sólida. Vortigern envia os seus ministros à procura de tal jovem e eles encontram Merlin, cuja mãe lhes diz que ele não tem pai terreno, mas que foi visitada por um espírito que tomou a forma de homem e a engravidou.

Merlin é levado perante o rei, que lhe explica o seu problema e como deve sacrificar o rapaz; contudo, Merlin, nada impressionado, ordena que os magos sejam trazidos à sua presença para que ele possa demonstrar que eles estão a mentir. Ele pergunta-lhes o que está debaixo da fundação que impede a sua estabilidade, e eles não sabem responder. Merlin diz então a Vortigern que encontrará uma lagoa por baixo da torre e manda-o chamar os seus trabalhadores para escavarem a fundação. Eles encontram a lagoa tal como Merlin previu, e ele pede então aos magos que digam o que está dentro da água. Novamente, eles não sabem responder, e Merlin revela-lhes que encontrarão duas pedras ocas e dois dragões adormecidos, um branco e outro vermelho, o que é confirmado quando drenam a lagoa.

[ ![Vortigern meets Merlin](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6697.jpg?v=1599462902) Vortigern Encontra Merlin Schekinov Alexey Victorovich (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/6697/vortigern-meets-merlin/ "Vortigern meets Merlin")No Livro VII, Merlin interpreta o significado dos dragões e prevê o futuro. O dragão vermelho simboliza os bretões, e o branco, [os saxões](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13480/os-saxoes/) que Vortigern convidou para o seu reino. O dragão branco oprimirá o vermelho até que o Javali da Cornualha surja para expulsar os saxões; uma profecia sobre o [Rei Artur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15992/rei-artur/) e a sua futura vitória sobre estes povos. O reinado ilegítimo de Vortigern é desafiado no Livro VIII pelo nobre Ambrósio Aurélio e o seu irmão Uther Pendragon e, quando Vortigern é morto, é sucedido por Ambrósio.

Contudo, o reino continua em conflito, e Ambrósio tem de lutar contra os saxões. Após uma grande vitória, ordena que seja construído um memorial, e Merlin transporta as gigantescas pedras místicas do Monte Killare, na Irlanda, para Amesbury, nos arredores de Londres, criando assim [Stonehenge](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-135/stonehenge/). Ambrósio é morto pelos saxões, e Uther torna-se então rei e alia-se a Gorlois da Cornualha, mas apaixona-se pela esposa deste, Igerna.

Merlin lança um feitiço que faz com que Uther pareça Gorlois, e ele deita-se com ela, concebendo assim Artur. Gorlois morre em batalha, e Uther casa-se com Igerna, vindo a morrer algum tempo depois por beber de uma nascente envenenada pelos seus inimigos saxões. Artur torna-se rei, vinga o pai e o tio e expulsa os saxões da Britânia. Merlin desaparece da narrativa após arranjar a noite de Uther com Igerna, sem que seja dada qualquer explicação. Os livros IX a XII da História focam-se nas conquistas de Artur, na sua traição por Mordred, que rapta Guinevere, e na Batalha de Camlann, na qual Artur é mortalmente ferido e a maioria dos seus cavaleiros mortos.

### Wace, Chrétien e Robert de Boron

Robert Wace traduziu a *História* de Godofredo, mas acrescentou elementos da sua imaginação à história. Como muitos poetas franceses do seu tempo, foi patrocinado por Leonor da Aquitânia (cerca de 1122–1204), a quem dedicou a obra. Wace é responsável por alguns dos aspetos mais famosos das Lendas Arturianas, como a Távola Redonda e o nome da espada de Artur, Excalibur. Também desenvolveu as personagens principais de forma mais completa, especialmente Merlin no episódio de Stonehenge que, embora siga de perto a versão de Godofredo, enfatiza mais as capacidades mágicas de Merlin.

O grande poeta arturiano Chrétien de Troyes (cerca de 1130–1190) menciona Merlin apenas uma vez em Erec e Enide (linhas 6617-6618) e apenas em referência a uma tradição que remonta ao tempo de Merlin. Robert de Boron é o próximo a desenvolver a personagem a partir da obra de Wace no seu Merlin (1200). Este poema abre com um grupo de demónios a conspirar a destruição do mundo ao criar um ser sobrenatural cuja maldade rivalizaria com o bem de Cristo. Esta criatura seria metade humana e metade diabólica e, para esse fim, possuem um homem piedoso e de posses e deitam-se com a sua filha. A filha conta ao seu confessor o que aconteceu (parecendo saber que o pai estava possuído) e ele abençoa-a com o sinal da cruz como proteção; agora, a criança nascerá com capacidades sobrenaturais, mas sem o espírito maligno com que os demónios contavam.

[ ![Merlin and His Mother Before King Vortigern](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10485.png?v=1678996203) Merlin e a Mãe Perante o Rei Vortigern British Library (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10485/merlin-and-his-mother-before-king-vortigern/ "Merlin and His Mother Before King Vortigern")Quando Merlin nasce, é batizado, e este ritual — juntamente com a piedade e bondade naturais da sua mãe e a bênção protetora que ela recebeu pouco depois de o conceber — contribui para que a sua natureza seja inerentemente boa, enquanto as circunstâncias sobrenaturais da sua conceção o dotam de capacidades nas artes mágicas. Ele consegue falar quase assim que nasce e, antes de completar três anos, é capaz de contar a história de José de Arimateia e como ele trouxe o Santo Graal para a Britânia (o tema do poema anterior de Robert de Boron, *José de Arimateia*). Merlin cresce com a mãe em paz até que o rei usurpador Vertigier envia os seus ministros à procura de uma criança sem pai para sacrificar, porque a fundação da sua torre não se mantém firme.

A narrativa de Robert segue a de Godofredo e Wace quase exatamente, até ao ponto em que Merlin disfarça Uther como o marido da bela rainha (aqui chamada Ygerne) e a conceção de Artur. Quando Artur nasce, Uther entrega-o a Merlin, que o coloca numa família de acolhimento que nada sabe sobre o seu nascimento real. A identidade de Artur é revelada quando ele retira a espada do rei de uma bigorna, estabelecendo-se assim como filho e herdeiro de Uther.

O *Merlin* de Robert é uma sequela do seu anterior José de Arimateia e foi possivelmente a segunda obra de uma trilogia que terminava com um trabalho sobre Percival e o Graal. O contributo mais significativo de Robert para os contos arturianos foi a sua cristianização, que influenciaria escritores posteriores. O Graal, anteriormente uma travessa, tornou-se agora o Santo Graal, o cálice de Cristo. Merlin, embora ainda uma figura periférica, tornou-se um vidente cristão, e Artur e os seus cavaleiros tornaram-se campeões e defensores da causa cristã. Artur como rei cristão é evidente desde Godofredo, mas na *História* de Godofredo e no *Brut* de Wace, Artur luta pelo seu país e povo em primeiro lugar, invocando Cristo para apoiar esse esforço; depois de Robert de Boron, Artur está ao serviço de Cristo em primeiro lugar e todos os seus grandes feitos decorrem da sua devoção a Deus.

### O *Ciclo da Vulgata* e Merlin em Prosa

O *Ciclo da Vulgata* continuou e desenvolveu esta tradição e marca também a primeira vez que as Lendas Arturianas aparecem em prosa. Na Idade Média, a prosa era utilizada para obras de história, teologia ou [filosofia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-340/filosofia/), que eram consideradas assuntos "sérios"; a poesia era usada para obras da imaginação. Os autores anónimos do *Ciclo da Vulgata* escolheram a sua forma propositadamente porque desejavam apresentar o assunto como história real, não como um romance fantasioso.

O *Ciclo da Vulgata* começa com uma história do Santo Graal, passa pelo nascimento de Merlin e o seu envolvimento com Artur, destaca o caso de [Lancelote](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18108/lancelote/) com Guinevere, estabelece a importância da busca dos cavaleiros pelo Santo Graal e termina com a morte de Artur após a Batalha de Camlann. O *Ciclo da Vulgata* (editado e revisto como *Ciclo Pós-Vulgata*) inspirou outra obra, o *Merlin em Prosa*. Esta peça, datada de meados do século XV (pouco antes de Malory escrever *A Morte de Artur*), foi [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) em inglês médio e foca-se inteiramente em Merlin como herói e personagem central tendo como pano de fundo o mundo arturiano.

O *Merlin em Prosa* baseia-se fortemente no *Merlin* de Robert de Boron, mas acrescenta detalhes significativos, como a razão específica para o plano do demónio de engravidar uma mulher humana com um filho demoníaco. Como referido na [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/), após a morte de Cristo na cruz, ele desceu aos infernos para libertar os patriarcas lá aprisionados (um ato conhecido como a Descida de Cristo aos Infernos). Este evento perturbou o equilíbrio do inferno, pelo que os demónios põem em prática o seu plano de criar um agente humano na Terra que contrariará o resgate das almas feito por Cristo e enviará mais para o reino de Satanás. O autor explica também que Merlin foi nomeado em homenagem ao seu piedoso avô cristão, cortando assim qualquer associação do vidente com o Myrddin da tradição pagã galesa.

[ ![Devils Plotting the Birth of Merlin, Vulgate Cycle](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10489.png?v=1631109602) Demónios Conspiram o Nascimento de Merlin, Ciclo da Vulgata British Library (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10489/devils-plotting-the-birth-of-merlin-vulgate-cycle/ "Devils Plotting the Birth of Merlin, Vulgate Cycle")O *Merlin em Prosa* segue Robert de Boron nas suas cinco primeiras secções, que são seguidas por duas sequelas conhecidas pelos académicos como a continuação histórica (*Prose Merlin Sequel*) e a continuação romântica (*Suite du Merlin*, também conhecida como *Merlin de Huth*, por estar contida no Manuscrito Huth da Biblioteca Britânica). A continuação histórica retoma a história onde o *Merlin* de Robert termina, com Artur a retirar a espada da bigorna (apenas agora trata-se de uma espada numa pedra), e conta depois a história da luta de Artur contra os seus barões rebeldes, a formação da corte e os seus feitos.

A continuação romântica desenvolve todos os aspetos mais míticos das Lendas Arturianas, tais como o momento em que Artur recebe a Excalibur da Dama do Lago, o encanto lançado sobre Artur que o leva a conceber Mordred, a formação da Távola Redonda, o caso entre Lancelote e Guinevere, e a forma como Nimue (também referida como Vivienne e Niniane noutras obras, protegida e amante de Merlin) aprisiona Merlin, selando-o para sempre num mundo de onde não pode escapar e ao qual só ela tem acesso, condenando-o assim a uma eterna morte em vida e removendo a personagem da narrativa. Todos os elementos mais ressonantes do universo arturiano são desenvolvidos nesta obra, mas seria Malory a levar a história ao seu formato final.

### O Merlin de Malory

Sir Thomas Malory era um prisioneiro político em Newgate, Londres, entre 1468 e 1470, quando escreveu *A Morte de Artur*. Embora a sua principal fonte fosse o *Ciclo Pós-Vulgata*, os académicos concordam que ele provavelmente tinha acesso a uma boa biblioteca e tinha um vasto conhecimento da tradição arturiana. O Merlin de Malory é o culminar final de todas as outras versões do vidente anteriores a 1469: um mago poderoso com perceção profética, capaz de controlar os elementos, transformar-se, alterar a perceção da realidade de outras pessoas e ler os corações e os verdadeiros desejos dos outros. Malory baseou-se quase certamente no Merlin em Prosa para o núcleo da sua personagem, mas desenvolveu-a a um nível muito mais profundo.

Tal como nas obras anteriores, Merlin nasce de uma mulher nobre e de um demónio, ajuda Uther a conceber Artur e coloca o rapaz na família de acolhimento de Sir Ector após o seu nascimento. Artur cresce como escudeiro do seu irmão de criação mais velho, Kay, e serve-o em torneios. Num desses eventos, ele descobre que se esqueceu de trazer a espada de Kay da tenda e, no caminho de volta, vê uma espada numa pedra. Ele retira-a e leva-a a Kay, que a reconhece como a espada do rei e tenta fingir que foi ele quem a tirou, mas acaba por ser apanhado na mentira. Artur devolve então a espada à pedra e retira-a novamente com facilidade, provando ser o herdeiro do trono.

Merlin regressa à vida de Artur após este evento, aconselha-o sobre a realeza e o governo justo, e permanece uma figura sempre presente, orquestrando eventos nos bastidores ou tentando convencer os outros a ouvirem a sua própria consciência. Ele avisa Artur de que Guinevere lhe será infiel com Lancelote no momento em que Artur anuncia a sua intenção de casar com ela, mas Artur não o ouve. Merlin prepara Nimue como sua sucessora e apaixona-se perdidamente por ela, perdendo o sentido das proporções. Ele não faz ideia da ambição de Nimue até que, depois de lhe ensinar a extensão do seu conhecimento mágico, ela o aprisiona. Sem Merlin, Artur perde o seu conselheiro de confiança e, quando o caso entre Lancelote e Guinevere vem a público, a unidade e a visão da Távola Redonda perdem-se, Mordred usurpa o trono e o reino colapsa após a fatídica Batalha de Camlann.

[ ![A Evolução da Lenda Medieval do Rei Artur](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/21821-pt.png?v=1784046937-1785351601) A Evolução da Lenda Medieval do Rei Artur Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-21821/a-evolucao-da-lenda-medieval-do-rei-artur/ "A Evolução da Lenda Medieval do Rei Artur")### Conclusão

Ao longo de todas estas obras, Merlin ocupa uma posição central na narrativa, mantendo-se como uma das personagens mais populares das Lendas Arturianas. Escritores galeses, seguindo Godofredo, escreveram as suas próprias obras sobre o vidente. Poetas italianos e espanhóis basearam-se nas tradições francesa e galesa para incluir Merlin nas suas criações, sendo a sua popularidade atestada pelo grande número de obras completas ou fragmentos de manuscritos da Idade Média que o mencionam ou apresentam. O académico Peter H. Goodrich comenta:

> Merlin, o profeta e mago, é historicamente a segunda personagem mais conhecida da literatura medieval, superada por pouco pelo seu senhor, o Rei Artur. Para além da literatura, entrou na nossa consciência pública num grau ainda maior do que Artur, através da associação do seu nome a todo o tipo de dispositivos tecnológicos e mercadorias, muitos deles sem qualquer relação arturiana.
> (pág. 1)

A personagem influenciou o conceito de mago, feiticeiro, bruxo e sábio desde a sua primeira aparição na História de Godofredo; escritores como J.R.R. Tolkien, C.S. Lewis e J.K. Rowling, entre muitos outros, reconheceram essa influência nas suas obras. O académico William W. Kibler observa como isto se deve à natureza fascinante da personagem:

> Merlin está constantemente no centro da ação, prevendo eventos e usando os seus poderes mágicos para controlar a história. Ele é astuto e benevolente, utilizando constantemente os seus poderes de metamorfose para ajudar e confundir.
> (Lacy, pág. 384)

As Lendas Arturianas perderam o seu favor durante o Renascimento, mas Merlin permaneceu tão popular como sempre. Realizavam-se peregrinações regulares à Fonte de Merlin (também conhecida como Fonte de Barenton), em Brocéliande, na Bretanha, devido aos seus poderes curativos, até que a prática foi proibida pelo Vaticano em 1853. O interesse pelas Lendas Arturianas foi, de um modo geral, revivido pouco depois por Alfred, Lord Tennyson, através dos seus populares *Idílios do Rei* (tít. original: *Idylls of the King*), em 1859.

Desde então, as lendas foram reimaginadas inúmeras vezes para refletir o *zeitgeist* das épocas em que foram escritas, e Merlin continua a ser uma das personagens mais cativantes. Merlin aparece em inúmeros filmes, jogos, programas de televisão, romances e contos. Mesmo quando não é mencionado pelo nome, a sua persona continua a permear ou a influenciar a de todos os magos, em qualquer forma, que surgiram depois dele.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Coghlan, R. *The Illustrated Encyclopedia of Arthurian Legends.* Barnes & Noble Books, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/1566198763/)
- [Conlee, J. *Prose Merlin.* Medieval Institute Publications, 1998.](https://www.worldhistory.org/books/1580440150/)
- [Geoffrey of Monmouth. *The History of the Kings of Britain.* Penguin Books, 1977.](https://www.worldhistory.org/books/0140441700/)
- [Goodrich, P. H. *Merlin: A Casebook.* Routledge, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/081530658X/)
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- [Loomis, R. S. *Arthurian Tradition And Chretien De Troyes.* Columbia University Press, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/B000VNLTK6/)
- [Matthews, W. *Later Medieval English Prose.* Goldentree Books, 1963.](https://www.worldhistory.org/books/B0098X3Z0M/)
- [Robert de Boron (translated by Nigel Bryant). *Merlin and the Grail.* BOYE6, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/0859917797/)
- [Sir Thomas Malory. *Le Morte D'Arthur.* Barnes and Noble, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0760755213/)
- [Staines, D. *The Complete Romances of Chretien de Troyes.* Indiana University Press, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0253207878/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **1136 CE**: [Merlin](https://www.worldhistory.org/Merlin/) the Wizard first appears in [literature](https://www.worldhistory.org/literature/) in Geoffrey of Monmouth's History of the Kings of [Britain](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Britain/).
- **c. 1200 CE**: [Merlin](https://www.worldhistory.org/Merlin/)'s character is Christianized by the French poet Robert de Boron in his poem Merlin.
- **c. 1450 CE**: The Prose [Merlin](https://www.worldhistory.org/Merlin/) is written featuring Merlin as the main character.
- **1469 CE**: Sir [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/Thomas_Malory/) fully develops the character in his Le Morte D'Arthur.

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### APA
Mark, J. J. (2026, August 09). Merlin. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18148/merlin/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Merlin." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 09, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18148/merlin/>.
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Mark, Joshua J.. "Merlin." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 09 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18148/merlin/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 09 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

