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title: Os Contos de Cantuária
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18098/os-contos-de-cantuaria/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-29
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# Os Contos de Cantuária

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

*Os Contos de Cantuária* (tít. original: *The Canterbury Tales*; escritos por volta de 1388–1400) são uma obra literária medieval da autoria do poeta [Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/) (cerca de 1343–1400), composta por 24 contos pertencentes a vários géneros literários e que abordam temas que vão desde o destino à vontade de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), passando pelo amor, pelo casamento, pelo orgulho e pela morte. Após a introdução inicial (conhecida como "O Prólogo Geral" (*The General Prologue*), cada conto é narrado por uma das personagens (num total de 32) que se encontram em peregrinação ao túmulo de Thomas Becket, em Cantuária.

No "O Prólogo Geral", as personagens concordam em contar duas histórias na ida para Cantuária e duas no regresso à Estalagem Tabard, em Southwark, de onde partiram, o que totalizaria 120 contos. Se este era o plano original de Chaucer e nunca foi sua intenção desviar-se dele, a obra tem de ser considerada inacabada, dado contar apenas com 24 contos. Alguns estudiosos afirmam, no entanto, que Chaucer terminou a obra, fundamentando-se no tom e na temática do último conto e na "Retratação" (*The Retraction*) apensada ao manuscrito.

*Os Contos de Cantuária* foram populares séculos antes de serem efetivamente publicados, por volta de 1476. Existem mais cópias deste manuscrito do que de qualquer outra obra medieval completa, à exceção do poema penitencial *The Prick of Conscience* (*O Aguilhão da Consciência*, também do século XIV), cuja alta frequência de cópia se deveu exclusivamente ao seu uso pela Igreja. *Os Contos de Cantuária* são considerados a obra-prima de Chaucer e encontram-se entre os textos mais importantes da [literatura medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17990/literatura-medieval/) por muitas razões para além do seu engenho poético e valor de entretenimento, destacando-se o retrato que fazem das diferentes classes sociais do século XIV, bem como das roupas usadas, dos passatempos apreciados e da linguagem e das expressões utilizadas. A obra é tão pormenorizada e as personagens tão vividamente retratadas que muitos estudiosos sustentam ter sido baseada numa peregrinação real efetuada por Chaucer por volta de 1387. Tal afigura-se improvável, contudo, visto que nessa altura Chaucer ocupava um cargo a tempo inteiro ao serviço do rei e quaisquer viagens teriam ficado registadas nos anais da corte.

### A Vida e Carreira de Chaucer

Geoffrey Chaucer era filho de um próspero comerciante de vinho de Londres, recebeu uma boa educação em escolas locais e entrou ao serviço da corte real por volta dos 13 anos, em 1356. Serviu sob as ordens de três reis ingleses: o Rei Eduardo III (reinou 1327–1377), Ricardo II (reinou 1377–1399) e Henrique IV (também conhecido como Henrique Bolingbroke, reinou 1399–1413), desempenhando funções que abrangeram desde pajem, soldado, mensageiro, criado de quarto e escudeiro, até fiscal da alfândega do porto de Londres, membro do parlamento, escrivão da corte e poeta, entre outros deveres.

[ ![Portrait of Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10404.jpg?v=1776088640) Retrato de Geoffrey Chaucer National Portrait Gallery (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/10404/portrait-of-geoffrey-chaucer/ "Portrait of Geoffrey Chaucer")As obras de Geoffrey Chaucer nunca chegaram a ser publicadas em sentido técnico durante a sua vida, dado que esse conceito ainda não existia, mas ele era amplamente conhecido e tido em altíssima conta como poeta, pois as suas obras eram copiadas por outros escribas que depois as partilhavam ou vendiam. Os acontecimentos da sua vida estão bem documentados nos registos da corte, sabendo-se que foi reconhecido pelos seus méritos poéticos por Eduardo III (que lhe concedeu uma garrafa de vinho por dia para o resto da vida, muito provavelmente em troca de uma composição poética) e recompensado financeiramente por João de Gante, Duque de Lancastre (cerca de 1340–1399), pela composição da sua primeira grande obra, *The Book of the Duchess* (*O Livro da Duquesa*; cerca de 1370), em honra de Branca, a falecida esposa de João de Gante.

Por altura em que começou a compor *Os Contos de Cantuária*, Chaucer encontrava-se no auge das suas faculdades poéticas e tinha viajado e lido extensamente. Era fluente em latim, francês e italiano, contudo escrevia na língua vernácula do inglês médio. As personagens que aparecem n'*Os Contos de Cantuária* decorrem das experiências de vida de Chaucer e são provavelmente amálgamas de pessoas que conheceu (embora algumas, como Harry Bailey, o estalajadeiro, sejam indivíduos históricos). A utilização que Chaucer faz do inglês médio para narrar as suas histórias revela-se particularmente eficaz, uma vez que lhe permite reproduzir os respetivos sotaques e dialectos exatamente tal como soavam na época.

### As Personagens

Chaucer, que surge como uma das personagens da história, descreve as restantes quando se encontram na Estalagem Tabard, em Southwark. A maioria das personagens irá contar um conto aos outros enquanto cavalgam em direção a Cantuária. Eis as personagens, pela ordem em que aparecem no "O Prólogo Geral":

- Chaucer, o peregrino – que narra a obra; conta o 17.º e o 18.º contos.
- O Cavaleiro – um homem de honra, verdade e cavalaria; conta o 1.º conto.
- O Escudeiro – filho do cavaleiro, um jovem gentil e de sensibilidade poética; conta o 11.º conto.
- O Escudeiro de Armas – [servo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17609/servo/) do cavaleiro; não tem conto.
- A Priora (Madame Eglentyne) – uma freira que supervisiona um priorado; conta o 15.º conto.
- A Segunda Freira – secretária da Priora; conta o 21.º conto.
- O Padre da Freira – um dos três padres que viajam com a Priora; conta o 20.º conto.
- O Monge – um mundano apreciador de caça, equitação e bebida; conta o 18.º conto.
- O Frade (Huberd) – um eclesiástico corrupto que guarda as doações para si; conta o 7.º conto.
- O Mercador – um homem sombrio que desconfia das mulheres; conta o 10.º conto.
- O Clérigo – um académico da Universidade de Oxford; conta o 9.º conto.
- O Sargento da Lei (Jurista) – um advogado abastado; conta o 5.º conto.
- O Proprietário Rural (Franklin) – um comilão, companheiro do Jurista; conta o 12.º conto.
- Os Cinco Artesãos: o Reteeiro, o Carpinteiro, o Tecelão, o Tintureiro e o Tapeceiro, todos a viajar juntos; descritos no Prólogo Geral, mas sem intervenções faladas.
- O Cozinheiro (Roger) – trabalha para os artesãos supracitados, adora beber; conta o 4.º conto.
- O Navegante – capitão de navio; conta o 14.º conto.
- O Doutor em Medicina (médico) – um astrólogo avarento; conta o 13.º conto.
- A Mulher de Bath (Alisoun) – uma viúva que sobreviveu a cinco maridos e viajou pelo mundo; conta o 6.º conto.
- O Pároco – um eclesiástico devoto e honesto; conta o 24.º (último) conto.
- O Lavrador – irmão do Pároco, devoto e caritativo; sem parte falada.
- O Moleiro (Robyn) – grosseiro, rude e adepto de beber e roubar; conta o 2.º conto.
- O Ecónomo (Manciple) – adquire provisões para estabelecimentos; conta o 23.º conto.
- O Caseiro (Reve - Osewald) – gestor de uma propriedade, contabilista; conta o 3.º conto.
- O Oficial de Justiça eclesiástico (Summoner) – entregador de citações para os tribunais eclesiásticos; conta o 8.º conto.
- O Vendedor de Indulgências (Pardoner) – vendedor de perdões e falsas relíquias sagradas, viaja na companhia do Oficial de Justiça; conta o 14.º conto.
- O Estalajadeiro (Harry Bailey) – dono da Estalagem Tabard onde os peregrinos iniciam a jornada, propõe o concurso de contos e modera/resolve litígios.
- O Auxiliar do Cónego – não é apresentado no Prólogo Geral; junta-se aos peregrinos a meio do caminho; conta o 22.º conto.

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### O Resumo Breve e os Contos Mais Conhecidos

*Os Contos de Cantuária* são narrados por uma personagem a quem os estudiosos chamam Chaucer-peregrino — uma figura literária baseada no autor, mas retratada como sendo muito mais ingénua, despistada e crédula do que o verdadeiro Chaucer jamais poderia ter sido. Este mesmo tipo de narrador surge noutras obras anteriores de Chaucer, tais como *The Book of the Duchess*, *The House of Fame* (*A Casa da Fama*, cerca de 1378–1380) e *The Parliament of Fowls* (*O Parlamento das Aves*, cerca de 1380–1382).

O Chaucer-peregrino aceita as outras personagens pelo seu valor nominal e parece admirá-las mesmo quando são manifestamente espécimes humanos deploráveis. O leitor compreende a verdadeira índole das pessoas com quem este peregrino se vai cruzando graças ao engenho de Chaucer-poeta, que revela as personagens através do seu discurso, do tipo de história que escolhem contar, da interação com as outras personagens e daquilo que dizem sobre si próprias, pondo em evidência os seus hábitos, interesses, vícios e virtudes.

[ ![Canterbury Tales](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10258.jpg?v=1776088630) Contos de Cantuária SkedO (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10258/canterbury-tales/ "Canterbury Tales")O poema abre com uma grandiosa descrição da primavera e da natureza a despertar para a vida após o inverno. Esta renovação inspira as pessoas a partirem em peregrinação ao santuário de Thomas Becket (também conhecido como São Tomás Becket) na Cantuária, uma das peregrinações mais populares da Bretanha medieval. O Chaucer-peregrino encontra-se na Estalagem Tabard, em Southwark, prestes a iniciar sozinho esta peregrinação, quando os restantes chegam para passar a noite. Conversa com todos eles no jantar comunitário e é convidado a viajar em sua companhia. O anfitrião de todos, Harry Bailey, sugere que passem o tempo na estrada com um concurso de contos: cada peregrino contará duas histórias na ida para Cantuária e duas no regresso; quem contar a melhor história ganhará uma refeição gratuita.

Na manhã seguinte, partem rumo ao destino e o cavaleiro é o escolhido para falar primeiro. Os restantes peregrinos são escolhidos por Harry Bailey (designado por O Estalajadeiro) ou insistem em falar a seguir, interrompendo quem quer que tivesse sido escolhido. O Chaucer-poeta atribui ao Chaucer-peregrino dois dos piores contos e também troça de si mesmo no "Prólogo do Conto do Jurista" (*Man of Law's Tale*), no qual faz com que a personagem se queixe de que todas as histórias em que consegue pensar já foram contadas, por pior que fosse a forma, pelo próprio Chaucer.

Entre os contos mais conhecidos contam-se o "Conto do Moleiro" (*The Miller's Tale*), o "Conto do Padre da Freira" (*The Nun's Priest's Tale*) e o "Conto da Mulher de Bath" (*The Wife of Bath's Tale*), embora muitos dos restantes possuam igual qualidade. O "Conto do Moleiro" (*The Miller's Tale* ) é um *fabliau*, uma forma de literatura francesa habitualmente licenciosa, satírica e misógina, na qual as esposas, em particular, e as mulheres, em geral, são retratadas como lascivas, infiéis e astutas. O *fabliau* francês encontra-se entre os géneros a que a escritora Christine de Pizan (cerca de 1364–cerca de 1430) se opôs na sua obra, e decerto teria estendido esta crítica ao "Conto do Moleiro" se o tivesse conhecido. Esta história é uma das mais brejeiras da coleção, mas figura entre as mais antologiadas devido ao brilhantismo do enredo e à sua execução irrepreensível.

O Moleiro conta a sua história em resposta ao conto de romance, amor, cavalaria e peripécias da fortuna narrado pelo cavaleiro. O "Conto do Moleiro" apresenta John, o Carpinteiro, um homem pouco inteligente; casado com a jovem Alisoun; o estudante Nicholas, que lhes aluga um quarto; e o clérigo paroquial Absolon. Nicholas e Alisoun sentem-se frustrados por não terem oportunidade de consumar o seu caso, uma vez que John está sempre por perto; por isso, Nicholas convence John de que um segundo Dilúvio Universal está iminente e que a única forma de se prepararem é suspender três pipas de madeira por cordas a partir do teto da casa, nas quais cada um deles dormirá todas as noites; quando o Dilúvio chegar, flutuarão facilmente em segurança. John instala as pipas e, quando chega a hora de deitar, os três sobem para as respetivas pipas, John adormece e Nicholas e Alisoun descem novamente para ir para a cama.

Por essa mesma altura, Absolon tem andado enamorado de Alisoun e conseguiu convencê-la a dar-lhe um beijo; contudo, quando ele levanta o rosto em direção à janela do quarto, Alisoun expõe as nádegas e é isso que ele beija. Nicholas e Alisoun riem-se de Absolon, que foge para ir buscar um ferro em brasa para se vingar. Retorna e pede outro beijo, e desta vez Nicholas põe o seu próprio traseiro de fora da janela, solta um peido na cara de Absolon, e este espeta-lhe o ferro em brasa. Nicholas grita por água enquanto corre disparado pela casa, o que acorda John, que julga ser o Dilúvio que chegou, corta as cordas e desaba em queda livre até ao chão, estilhaçando a sua pipa e partindo o braço. Os vizinhos ouvem toda a agitação e acodem a correr para ajudar, mas, após ouvirem a história, consideram John um louco.

O "Conto do Padre da Freira" é uma fábula sobre os perigos da soberba e da lisonja, passada num quintal deuma quinta. O orgulhoso galo Chauntecleer tem um sonho de que a sua vida será ameaçada pela raposa Daun Russel. Conta o sonho à sua mulher, Pertelote, que o desvaloriza e lhe diz para seguir a sua vida como sempre o fez, caso contrário perderá o respeito das galinhas do quintal que tanto o admiram. Um dia, Chauntecleer vai dar um passeio e Daun Russel aproxima-se, cobrindo-o de elogios e perguntando se lhe cantaria uma música com a sua bela voz. Chauntecleer fecha os olhos, estica o pescoço e abre o bico para cantar, momento em que a raposa o agarra entre os dentes e foge para o bosque. Todo o curral vai no encalço deles e Chauntecleer sugere a Daun Russel que talvez quisesse parar para dizer aos perseguidores que a esperança deles está perdida e que devem voltar para trás. Quando a raposa segue este conselho e abre a boca, o galo voa para o ramo de uma árvore e escapa.

[ ![Illustration of The Knight's Tale by Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10458.jpg?v=1686130503) Ilustração de O Conto do Cavaleiro, de Geoffrey Chaucer University of Glasgow Library (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/10458/illustration-of-the-knights-tale-by-geoffrey-chauc/ "Illustration of The Knight's Tale by Geoffrey Chaucer")A Mulher de Bath é a personagem mais conhecida de *Os Contos de Cantuária*, sendo o seu prólogo mais célebre e citado com maior frequência do que o próprio conto. Ela viajou por todo o mundo, teve cinco maridos e reconhece que Deus concedeu a cada um o dom em que se destaca mais — sendo o dela o sexo. Fala de cada um dos seus cônjuges e das suas viagens, ignorando ou desdenhando as queixas de alguns peregrinos que a instam a avançar com o conto, e faz questão de sublinhar como foi sempre a dona e senhora em cada um dos seus casamentos.

O seu conto retoma, depois, este tema ao narrar a história de um cavaleiro da corte do [Rei Artur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15992/rei-artur/) que viola uma donzela e é condenado à morte. A Rainha Guinevere intervém e diz ao cavaleiro que será perdoado se, no prazo de um ano, conseguir regressar e dizer-lhe a ela e às suas damas o que é que as mulheres mais desejam em todo o mundo. O cavaleiro aceita os termos e parte, passando o ano seguinte a perguntar às mulheres o que mais ambicionam, mas todas as respostas são subjectivas (dinheiro, honra, vestidos finos, liberdade). Quando regressa à corte, encontra uma velha que afirma saber a resposta à sua busca e que lha dirá se ele lhe prometer conceder um favor, o que o cavaleiro aceita. De volta à corte, o cavaleiro diz à rainha e às damas a resposta: o que as mulheres mais desejam é a soberba e o domínio sobre os seus maridos. Guinevere e a sua corte concordam e o cavaleiro é libertado.

A velha reclama então o seu favor: ela e o cavaleiro deverão casar-se imediatamente. A cerimónia realiza-se e o casal recolhe à sua nova habitação. Nessa noite, a mulher pergunta ao cavaleiro o que preferiria: continuar velha e feia mas ser-lhe leal, ou tornar-se jovem e bela mas dar-lhe motivos para duvidar sempre da sua fidelidade. O cavaleiro responde que qualquer opção que mais lhe agrade lhe serve na perfeição e, a senhora, satisfeita por ter conquistado a soberba sobre o marido, transforma-se numa noiva jovem e bela, prometendo ser-lhe igualmente fiel.

Os peregrinos vão-se revezando a contar histórias, discutem e interrompem-se uns aos outros — alguns tão embriagados que já mal conseguem falar ou caem dos cavalos —, até que o Pároco profere o último conto mesmo quando o sol se põe. A sua intervenção não é uma história, mas sim uma dissertação sobre os Sete Pecados Capitais e o valor de um coração arrependido. Salienta que os seres humanos em todo o mundo são todos peregrinos, viajando entre o nascimento e a morte rumo à vida após a morte. Enquanto ele fala, o sol oculta-se e o grupo aproxima-se de uma aldeia para passar a noite. A obra termina com "A Retratação" (*The Retraction*), na qual Chaucer se arrepende de todas as suas grandes obras, incluindo *Os Contos de Cantuária*, e implora a misericórdia e o perdão de Deus.

### Conclusão

O conto final e a retratação levaram alguns estudiosos a concluir que *Os Contos de Cantuária* constituem uma obra concluída. O investigador Larry D. Benson, por exemplo, escreve:

> "A Retratação" não nos deixa quaisquer dúvidas de que, por inacabados, despojados de polimento e incompletos que *Os Contos de Cantuária* possam estar, Chaucer deu-os por terminados. Fica-se a pensar se uma versão mais acabada e próxima da perfeição poderia ter sido mais gratificante.
> (pág. 22)

Não existe, contudo, um consenso sobre o significado de "A Retratação" ou sobre se esta chegou sequer a ser concebida para integrar o manuscrito d'*Os Contos de Cantuária*. Não sobrevive nenhuma versão da obra redigida pelo próprio punho de Chaucer; todos os exemplares existentes são cópias e cópias de cópias, nas quais erros de escriba alteram o narrador de um conto, os contos surgem numa ordem diferente ou alguns chegam mesmo a faltar. A cópia mais completa, o *Manuscrito Ellesmere* (*Ellesmere Manuscript*, século XV), é a mais utilizada nas edições modernas da obra e inclui "A Retratação" (tal como muitos outros manuscritos), pelo que a maioria dos estudiosos concorda que esta fazia parte do manuscrito original. Ainda assim, os investigadores que defendem que a obra ficou incompleta à data da morte de Chaucer apontam como prova o plano delineado no "Prólogo Geral" e as personagens mudas (como o Lavrador), a quem deveria ter sido atribuído um conto.

Independentemente do seu grau de conclusão, *Os Contos de Cantuária* continuam a entreter e a fascinar o público desde a sua criação. Mais do que qualquer outra obra de Chaucer, os contos consagraram o uso do inglês médio na [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) vernácula, dando vida às personagens e às suas histórias. A ficção popular da Idade Média era [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) em verso francês, antes de Chaucer elevar a poesia em inglês médio ao mesmo patamar de popularidade.

As personagens tornaram-se tão reais para os leitores como os seus familiares, amigos e vizinhos, e a obra foi copiada exaustivamente muito antes de ser publicada, por volta de 1476. Embora as suas obras anteriores lhe tivessem valido fama e o respeito dos seus pares e membros da corte, *Os Contos de Cantuária* eternizaram Chaucer como o autor de uma das maiores obras da literatura inglesa, conferindo-lhe o honroso epíteto de Pai da Literatura Inglesa.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Gardner, J. *The Life and Times of Chaucer.* Barnes & Noble, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/1435107373/)
- [Geoffrey Chaucer (edited by Larry D. Benson). *The Riverside Chaucer.* Houghton Mifflin, 1986.](https://www.worldhistory.org/books/0395290317/)
- [Manuscripts of The Canterbury Tales by Alexandra Gillespie and Julianna Chianelli](https://opencanterburytales.dsl.lsu.edu/refmanuscripts/ "Manuscripts of The Canterbury Tales by Alexandra Gillespie and Julianna Chianelli"), accessed 19 Mar 2020.
- [The Canterbury Tales in Middle English and Modern English - Librarius](http://www.librarius.com/cantales.htm "The Canterbury Tales in Middle English and Modern English - Librarius"), accessed 30 Apr 2019.
- [Trapp, J. B. *Medieval English Literature.* Oxford University Press Inc, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/B00Y2VG4LW/)
- [Zesmer, D. M. *Guide To English Literature From Beowulf through Chaucer and Medieval Drama.* Barnes & Noble, 1969.](https://www.worldhistory.org/books/B0011ELMWY/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 1388 CE - 1400 CE**: [Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/Geoffrey_Chaucer/) composes The [Canterbury Tales](https://www.worldhistory.org/Canterbury_Tales/).

## Links Externos

- [In Our Time, Chaucer](https://www.bbc.co.uk/programmes/p003hycq)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, July 29). Os Contos de Cantuária. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18098/os-contos-de-cantuaria/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Os Contos de Cantuária." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 29, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18098/os-contos-de-cantuaria/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Os Contos de Cantuária." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 29 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18098/os-contos-de-cantuaria/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 29 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

