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title: Thomas Malory
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18093/thomas-malory/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-21
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# Thomas Malory

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Sir Thomas Malory (cerca de 1415–1471) foi um cavaleiro inglês durante a [Guerra das Rosas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18612/guerra-das-rosas/) (1455–1487), mais conhecido pela sua obra de [literatura medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17990/literatura-medieval/) extremamente influente, *A Morte de Artur* (tít. original: *Le Morte D'Arthur*), considerada o primeiro romance em língua inglesa, o primeiro na literatura ocidental e o tratamento mais abrangente da Lenda Arturiana. Malory escreveu o livro enquanto estava preso por vários crimes (reais ou imaginários), completando-o em 1469. Foi libertado no início de 1470 e morreu no ano seguinte.

O título original de Malory para a sua obra era *The Whole Book of King Arthur and of His Noble Knights of the Round Table* (*O Livro Completo do [Rei Artur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15992/rei-artur/) e dos Seus Nobres Cavaleiros da Távola Redonda*), mas quando o livro foi publicado por William Caxton em 1485, Caxton confundiu o título do último capítulo (*Le Morte D'Arthur* = *A Morte de Artur*) com o do livro. Uma vez publicado, a obra tornou-se uma leitura popular e o nome permaneceu. Malory poderá também ser o autor do romance *The Wedding of Sir Gawain and Dame Ragnell* (*O Casamento de Sir Gawain e da Dama Ragnell*), mas isto é disputado, e o estilo dessa obra é de qualidade muito inferior à de *A Morte de Artur*.

A identidade de Malory foi debatida durante anos. Tudo o que se sabe sobre ele provém de comentários no seu próprio livro e de alguns registos legais que se referem a um cavaleiro chamado Thomas Malory, acusado de crimes e preso em várias ocasiões entre 1451 e 1470. Quem quer que tenha sido, a sua obra foi muito conceituada quando publicada pela primeira vez, caiu em desuso durante o Renascimento e foi revivida através das obras do poeta [britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/) Alfred, Lord Tennyson, em 1859. Desde então, as Lendas Arturianas, e a versão de Malory em particular, exerceram uma influência significativa na arte e na cultura a nível mundial.

### A Guerra das Rosas e Malory

A Guerra das Rosas foi um conflito civil entre a Casa de Iorque (simbolizada por uma rosa branca) e a Casa de Lencastre (uma rosa vermelha) pelo trono de Inglaterra. Nenhum dos lados se referia ao conflito por este nome, que só se tornou popular alguns séculos mais tarde, mas ambos os lados eram identificados pelos emblemas heráldicos que usavam, que apresentavam uma rosa de cor diferente. [Henrique VI de Inglaterra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18723/henrique-vi-de-inglaterra/) (1421–1471), que sofria de episódios de doença mental, não tinha herdeiros masculinos; por conseguinte, tanto a casa de Iorque como a de Lencastre tinham uma reivindicação legítima ao trono, que pressionaram à medida que Henrique VI se tornava menos competente.

Houve confrontos armados formais entre os oponentes, mas o conflito assumiu mais o carácter de uma rixa, com incursões de tipo guerrilha pelos Lencastre nas propriedades dos Iorque e, em seguida, ataques de retaliação por parte destes. Este conflito começou a intensificar-se exatamente quando a [Guerra dos Cem Anos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18721/guerra-dos-cem-anos/) (1337–1453) estava a chegar ao fim — a qual a Inglaterra perdeu para os franceses —, sendo que a Grã-Bretanha só conhecia a guerra há gerações. Contudo, as batalhas da Guerra dos Cem Anos tinham sido travadas em França, ao passo que o conflito da Guerra das Rosas foi combatido nos quintais e nas terras agrícolas das pessoas.

A Grã-Bretanha da Guerra dos Cem Anos foi o mundo onde Sir Thomas Malory de Newbold Revel, Warwickshire, nasceu (filho de Sir John Malory de Winwick e de Lady Phillipa Malory de Newbold) por volta de 1415. Nada se sabe da sua juventude, mas foi armado cavaleiro em algum momento antes de 1440, data em que prestou serviço a Henry Beauchamp, 1.º Duque de Warwick (1425–1446). Após a morte de Henry Beauchamp, a sua propriedade passou para a sua irmã Anne Beauchamp, 16.ª condessa de Warwick, que se casou com Richard Neville (1428–1471). Os Beauchamp e os Neville apoiavam a Casa de Iorque.

### Malory, o Criminoso

Tudo isto torna-se importante para compreender a única informação sobre a vida de Malory fora do seu livro: o seu registo criminal e o tempo passado na prisão. Parece algo incongruente que um autor que escreveu de forma tão bela sobre a honra, a lei, a justiça e a retidão tenha vivido uma vida na qual foi acusado de roubo, chantagem, furto, agressão, violação e tentativa de homicídio. As acusações contra Malory foram tantas e tão variadas que ele entrou e saiu de prisões entre cerca de 1451 e 1470.

Malory foi membro do Parlamento em 1443 e casado com Elizabeth Walsh, com quem teria um filho, Robert. Em 1445, Henry Beauchamp foi feito Duque de Warwick, o que enfureceu Humphrey Stafford, 1.º Duque de Buckingham (1402–1460), que perdeu tanto terras como prestígio devido à ascensão de Beauchamp. Pouco tempo depois, os problemas de Malory com a lei começaram, sendo bastante provável que estivessem relacionados com o conflito entre as casas de Iorque e Lencastre, uma vez que o Duque de Buckingham era partidário de Lencastre, enquanto Beauchamp, como mencionado, era de Iorque. Malory, armado cavaleiro por Beauchamp, terá abraçado a sua causa após a morte deste em 1446.

No início de 1450, Malory foi acusado de emboscar Buckingham e o seu séquito e, em 1451, foi acusado de roubo, extorsão e violação envolvendo pessoas associadas a Buckingham. Buckingham ordenou a sua detenção e encarceramento no Castelo de Maxstoke (que lhe pertencia), uma fortaleza de paredes grossas rodeada por um fosso (que ainda hoje se mantém em excelentes condições). Malory escapou saltando de uma janela, atravessando o fosso a nado e regressando a casa, à sua propriedade de Newbold Revel.

[ ![Maxstoke Castle](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/10452.jpg?v=1716430145) Castelo Maxstoke Steve Wilson (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/10452/maxstoke-castle/ "Maxstoke Castle")Embora o início da Guerra das Rosas não seja "oficialmente" datado antes de 1455, as duas casas já estavam envolvidas no conflito na altura em que a alegada "vida de crime" de Malory começou. O restante da sua carreira criminosa envolve consistentemente o Duque de Buckingham ou os seus apoiantes, estando Malory claramente alinhado com a família Beauchamp.

A sua suposta atividade criminosa era, portanto, muito provavelmente do mesmo tipo que a daquelas em que as pessoas de ambas as casas estavam envolvidas na época. Malory foi enviado para a Prisão de Marshalsea, em Londres, após escapar de Maxstoke, foi libertado, recapturado, escapou de Marshalsea e foi detido novamente. É razoável assumir que Malory era um prisioneiro político, tendo em conta o seu julgamento, conduzido pelas gentes de Buckingham, e que a prisão de Marshalsea albergava uma população significativa de tais prisioneiros.

### Malory, o Artista

Por volta de 1468, depois de Malory ter entrado e saído da prisão durante a maior parte da última década, aliou-se a Richard Neville, que tinha desertado da Casa de Iorque para apoiar os Lencastre. Neville engendrou um plano para derrubar o rei iorquista Eduardo IV, envolvendo Malory, e quando este foi descoberto, Malory foi preso e enviado para a Prisão de Newgate, em Londres. Desta vez, em vez de escapar, dedicou-se a escrever *A Morte de Artur*.

Malory, enquanto prisioneiro político — ou cavaleiro-prisioneiro, como se autodenomina —, teria muito provavelmente tido o seu próprio quarto no nível superior, provavelmente com uma janela, acesso às salas comuns e visitas que lhe podiam trazer livros. A visão popular de Newgate como uma masmorra de imundície, doença e morte pode ter sido precisa no que toca aos níveis inferiores, mas teria sido impossível compor *A Morte de Artur* nessas condições. Enquanto a maioria dos prisioneiros em Newgate andava acorrentada, os prisioneiros políticos podiam circular livremente pelo recinto e, talvez, até pedir livros emprestados à vizinha Christ Church Greyfriars, cuja construção foi concluída em 1360.

[ ![Richard Neville, 16th Earl of Warwick](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10456.jpg?v=1765887605) Richard Neville, 16.º Conde de Warwick Chenoa-commonswiki (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10456/richard-neville-16th-earl-of-warwick/ "Richard Neville, 16th Earl of Warwick")O estudioso arturiano Norris J. Lacy, entre outros, observou que Malory não teria necessitado de uma biblioteca extensa para escrever *A Morte de Artur*, mas que provavelmente teve acesso a uma, ainda que tenha optado por usar apenas livros selecionados:

> Malory leu muito sobre o romance arturiano e teve acesso a uma coleção esplêndida de tais romances enquanto escrevia \[cerca de 4 de março de 1469 – 3 de março de 1470\]. Mostra poucos sinais de ter lido algo que não fosse arturiano. O seu inglês era o das Midlands, com alguns elementos mais setentrionais talvez deliberadamente adotados de poemas arturianos porque sentia que eram adequados para as histórias que estava a contar. Ele sabia ler e escrever francês e orgulhava-se disso, mas o seu francês estava longe de ser perfeito.
> (pág. 352)

Independentemente dos livros que tivesse consigo ou à mão, Malory estava familiarizado com as Lendas Arturianas em francês e foi capaz de as entrelaçar com uma obra arturiana em prosa inglesa conhecida como o *Ciclo Pós-Vulgata* (cerca de 1240–1250) para criar a sua obra-prima.

### *A Morte de Artur*

*A Morte de Artur* narra a história da ascensão e queda do Rei Artur, as aventuras dos seus nobres cavaleiros na demanda pelo Santo Graal e o caso amoroso entre a rainha de Artur, Guinevere, e o seu melhor amigo e campeão, Lancelot du Lac. Atualmente, a obra está dividida em 21 capítulos a que o editor original, William Caxton, chamou "livros", mas a intenção original de Malory era um volume completo de oito "contos" — cada um desses contos, com exceção do quinto sobre o cavaleiro Tristão, baseia-se nos eventos do seu predecessor, desenvolve as motivações psicológicas e emocionais das personagens e faz avançar a narrativa. É por esta razão que *A Morte de Artur* é considerado o primeiro romance em língua inglesa e o primeiro no mundo ocidental.

[ ![The Evolution of the Medieval King Arthur Legend](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/21821.png?v=1779799955-1779799977) A Evolução da Lenda Medieval do Rei Artur Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/21821/the-evolution-of-the-medieval-king-arthur-legend/ "The Evolution of the Medieval King Arthur Legend")Na altura em que Malory escrevia, as histórias do Rei Artur circulavam há séculos. A primeira obra completa a introduzir o rei e a maioria das personagens centrais é a História dos Reis da Grã-Bretanha (1136), de Geoffrey of Monmouth. A obra de Geoffrey, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) em latim, foi tão popular que outros poetas utilizaram o mesmo tema para as suas criações, nomeadamente Chrétien de Troyes (cerca de 1130–1190), que criou a personagem de Lancelote, o seu caso amoroso com Guinevere, a busca pelo Graal e cunhou o nome da corte de Artur, Camelot.

Outros escritores expandiram o mundo que Chrétien tinha moldado nos seus romances arturianos para aprofundar e alargar aspetos das lendas, as quais foram amplamente cristianizadas no século XIII numa obra conhecida como o Ciclo da Vulgata (1215–1235). Por volta de 1468, quando Malory iniciou a sua obra, o poderoso rei-guerreiro de Geoffrey e o herói-rei cavalheiresco e romântico de Chrétien tinham-se transformado no nobre rei cristão Artur de Camelot, cujos cavaleiros juraram encontrar o Santo Graal, o cálice de que Cristo bebeu na Última Ceia. Malory organizou esta história em oito contos.

**Conto Um**: Artur é concebido magicamente quando Merlin lança um feitiço permitindo que o pai de Artur, Uther Pendragon, engravide a rainha Igraine disfarçado de marido desta. Quando Artur nasce, é levado por Merlin e criado como escudeiro do seu irmão Kay até retirar a espada da pedra, o que prova ser ele o verdadeiro rei da Inglaterra. Não é aceite de imediato pelos seus barões e tem de lutar para os subjugar, mas finalmente vence, recebe a espada Excalibur da Dama do Lago, estabelece a sua Távola Redonda e casa-se com Guinevere. Lancelote chega à corte.

**Conto Dois**: Lancelote torna-se o principal campeão de Artur quando Lúcio, imperador de Roma, exige tributo e Artur recusa. Artur lidera os seus cavaleiros contra Lúcio, derrota-o em França e é coroado imperador. Após reformar o governo e as leis no continente, deixa de lado a glória do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) e regressa à Grã-Bretanha.

**Conto Três**: O amor casto de Lancelote por Guinevere permeia todas as suas aventuras aqui. Dedicando-se ao serviço dela, sem esperança de recompensa ou satisfação sexual, Lancelote embarca numa série de desafios para provar que é digno do seu lugar na corte e, ao fazê-lo, é reconhecido como o maior cavaleiro do mundo. Embora ele e Guinevere partilhem afeição, ainda não falaram sobre isso.

[ ![Illustration from Le Morte D'Arthur](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10454.jpg?v=1716430149) Ilustração de Le Morte D'Arthur Sir W. Russell Flint (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10454/illustration-from-le-morte-darthur/ "Illustration from Le Morte D'Arthur")**Conto Quatro**: Gareth, irmão de Gawain, parte numa demanda cavalheiresca para ajudar Lynette e a sua irmã Lyonesse, cujas terras e honra estão sob ameaça do Cavaleiro Vermelho. Gareth e Lancelote tornam-se bons amigos à medida que a reputação de Lancelote e da Távola Redonda de Artur cresce. O Conto Quatro representa Artur, Guinevere e os cavaleiros no seu melhor, enquanto trazem justiça à terra e ajudam os necessitados.

**Conto Cinco**: O conto de Tristão e Isolda compõe a totalidade desta narrativa, com alguns acréscimos feitos por Malory. O nome do herói aqui é Tristram e o cenário é a Inglaterra, em vez da Irlanda, mas o triângulo amoroso entre Tristram, Isolda e o Rei Marcos, escrito séculos antes, permanece central. O Rei Artur e os outros cavaleiros servem como uma espécie de pano de fundo para o conto de Tristram, e o seu caso com Isolda é espelhado em Lancelote e Guinevere, que finalmente se rendem à sua paixão e consumam o seu amor. Lancelote também tem um caso com a dama Elaine de Corbenic, que dará origem, mais tarde, ao seu filho ilegítimo, Galahad.

**Conto Seis**: O Santo Graal aparece numa visão na corte de Artur perante todos os cavaleiros da Távola Redonda, e uma voz solicita a sua ajuda para o encontrar. Gawain, Percival, Bors e outros partem para assumir a demanda, com Lancelote a ficar para trás. Lancelote sente-se dividido entre o seu dever para com [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), o seu rei e melhor amigo, e o seu amor por Guinevere, e já não pode reivindicar o título de melhor cavaleiro. Ele falha na sua busca, mas Galahad terá sucesso, como um cavaleiro sem culpa e sem pecado.

**Conto Sete**: Guinevere é raptada por Maleagant e resgatada por Lancelote; os dois continuam então o seu caso. Artur está ciente do que existe entre eles, mas prefere fechar os olhos enquanto o caso permanecer privado. Ele foi avisado por Merlin há muito tempo, quando disse que queria casar-se com Guinevere, que ela um dia o trairia com um cavaleiro chamado Lancelote, e ele aceitou o seu destino.

[ ![Queen Guinevere Preparing to be Burnt at the Stake](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10455.jpg?v=1716430151) A Rainha Guinevere a Preparar-se para ser Queimada na Fogueira Sir W. Russell Flint (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10455/queen-guinevere-preparing-to-be-burnt-at-the-stake/ "Queen Guinevere Preparing to be Burnt at the Stake")**Conto Oito**: Lancelote e Guinevere continuam o seu caso e, após várias quase-descobertas, são finalmente apanhados juntos. Lancelote luta para se libertar e escapa, mas Guinevere é capturada e condenada à morte na fogueira. Lancelote regressa e resgata-a, levando-a para o seu reino, mas ela volta para Artur para pedir o seu perdão e reconciliar-se. Gareth, irmão de Gawain, é morto por Lancelote quando este resgata Guinevere, e Gawain pressiona Artur a entrar em guerra contra o seu antigo amigo. Mordred, filho ilegítimo de Artur, é nomeado regente, e Artur lidera o seu exército contra Lancelote. Mordred trai o seu pai, apodera-se do reino e tenta raptar Guinevere. Artur apressa-se a regressar e derrota Mordred na Batalha de Camlann, mas a maioria dos cavaleiros de ambos os lados é morta. Guinevere e Lancelote veem-se uma última vez para se despedirem antes de renunciarem ao mundo e seguirem a vida religiosa. Artur mata Mordred, mas é ferido mortalmente. É ajudado a sair do campo de batalha por Sir Bedevere, devolve a Excalibur à Dama do Lago e é levado para a Ilha de Avalon.

### Conclusão

Pouco depois de Malory completar o manuscrito, morreu, e não é claro como este chegou às mãos do editor William Caxton. Caxton é responsável pela publicação de algumas das maiores obras na língua inglesa, incluindo a poesia de [Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/), e introduzia sempre claramente a obra e o autor num prólogo. Quando publicou *A Morte de Artur* em 1485, contudo, a Guerra das Rosas ainda decorria e Caxton não quis dizer muito sobre o autor do livro, uma vez que a memória de Malory e a sua participação na guerra ainda eram frescas o suficiente para prejudicar as vendas — Malory é mencionado pelo nome em registos judiciais como tendo-lhe sido negado o perdão três vezes em 1468 e uma em fevereiro de 1470, enfatizando a sua importância como prisioneiro notável —, mas outra razão poderia ser a natureza da obra e o seu reflexo da guerra.

Malory cresceu durante a última parte da Guerra dos Cem Anos e só conheceu o conflito na Grã-Bretanha enquanto adulto. *A Morte de Artur* apresenta um mundo de violência e caos transformado por Artur e os seus cavaleiros num mundo de justiça e paz, mas, sendo os humanos o que são, este mundo não pode durar e, no final, desce novamente ao derramamento de sangue e à desordem. A obra espelha o tempo em que foi [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/), quando a unidade da Inglaterra sob um rei como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos se fragmentou nas fações da Guerra das Rosas. A unidade de Camelot é quebrada da mesma forma pela traição de Lancelote e Guinevere e pela fraqueza de Artur em fazer algo a esse respeito; no final, o reino é destruído. Malory nunca diz que Artur morreu, contudo; apenas que partiu para Avalon para curar as suas feridas. *A Morte de Artur* continuou a ser tão popular porque, no fim de contas, é uma história de esperança.

Malory descreve consistentemente as suas personagens como alguém que luta para ser melhor do que é. Algumas, como Galahad, têm sucesso, enquanto a maioria falha. Lancelote e Guinevere não conseguem manter-se afastados um do outro, Artur encoraja passivamente o seu caso ao recusar confrontá-lo, Gawain cede à sua necessidade de vingança e, no final, até o leal Sir Bedevere tenta enganar Artur e ficar com a Excalibur para si. Ainda assim, todas estas personagens reconhecem a sua fraqueza e tentam superá-la ou redimir-se. Bedevere finalmente supera o seu desejo e devolve a Excalibur à Dama do Lago, Lancelote e Guinevere dedicam as suas vidas à santidade e a ajudar os outros, e é prometido que Artur regressará um dia para, de novo, corrigir erros, ajudar os necessitados e defender a justiça, tal como fez nos dias de glória de Camelot. No final, sugere Malory, aqueles que leem a sua obra podem esperar encontrar a mesma força de propósito e redenção.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Geoffrey of Monmouth. *The History of the Kings of Britain.* Penguin Books, 1977.](https://www.worldhistory.org/books/0140441700/)
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- [Trapp, J. B. *Medieval English Literature.* Oxford University Press, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0195134923/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 1415 CE - 1471 CE**: Life of Sir [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/Thomas_Malory/), author of Le Morte D'Arthur.
- **1443 CE**: [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/Thomas_Malory/) is married and a member of the British Parliament.
- **1451 CE**: [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/Thomas_Malory/) is imprisoned for the first time, probably for political reasons.
- **1451 CE - 1470 CE**: [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/Thomas_Malory/) is repeatedly imprisoned as factions in the [War](https://www.worldhistory.org/disambiguation/War/) of the Roses continue their conflict.
- **1468 CE - 1470 CE**: [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/Thomas_Malory/) is imprisoned at Newgate where he writes Le Morte D'Arthur.
- **1485 CE**: William Caxton publishes Le Morte D'Arthur.

## Links Externos

- [Thomas Malory's 'Le Morte Darthur'](https://www.bl.uk/onlinegallery/onlineex/englit/malory/)
- [Sir Thomas Malory's Morte d'Arthur](https://d.lib.rochester.edu/crusades/text/sir-thomas-malorys-morte-darthur)

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### APA
Mark, J. J. (2026, July 21). Thomas Malory. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18093/thomas-malory/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Thomas Malory." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 21, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18093/thomas-malory/>.
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Mark, Joshua J.. "Thomas Malory." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 21 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18093/thomas-malory/>.

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