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title: Geoffrey Chaucer
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-21
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# Geoffrey Chaucer

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Geoffrey Chaucer (cerca de 1343–1400) foi um poeta, escritor e filósofo inglês da Idade Média, mais conhecido pela sua obra *Os Contos de Cantuária* (tít. original: *The Canterbury Tales*), uma obra-prima da literatura mundial. *Os Contos de Cantuária* é uma composição poética que retrata um grupo de peregrinos de várias classes sociais numa jornada rumo ao santuário de São Tomás Becket, em Cantuária, que combinam contar histórias uns aos outros para passar o tempo. Chaucer conhecia bem pessoas de todas as classes, e isso transparece nos pormenores que escolhe, bem como nos sotaques utilizados, na maneira como as pessoas se vestem e até nos seus penteados. Por conseguinte, Os Contos de Cantuária têm sido de um valor inestimável para os investigadores posteriores, servindo como uma espécie de retrato instantâneo da vida medieval.

Chaucer foi um escritor prolífico, tendo criado muitas outras excelentes obras que acabaram por ser eclipsadas por *Os Contos de Cantuária*. Nenhuma das suas peças foi tecnicamente publicada durante a sua vida, uma vez que esse conceito ainda não existia; as suas obras eram copiadas à mão por copistas que as admiravam e que as vendiam ou partilhavam. Chaucer não ganhava a vida com a sua [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/), conforme o atestam as suas ocupações e os salários registados nos registos da corte, mas era homenageado pela sua poesia por mecenas nobres de outras formas. As suas principais obras são:

- *O Livro da Duquesa* (tít. original:*The Book of the Duchess*; cerca de 1370)
- *A Casa da Fama* (tít. original: *The House of Fame*; cerca de 1378–1380)
- *Anelida e Arcite* (tít. original: *Anelida and Arcite*; 1380–1387)
- *O Parlamento das Aves* (tít. original: *The Parliament of Fowls*; cerca de 1380–1382)
- *Trótulo e Créisida* (tít. original: *Troilus and Criseyde*; cerca de 1382–1386)
- *A Lenda das Boas Mulheres* (tít. original: *The Legend of Good Women*; por volta da década de 1380)
- *Os Contos de Cantuária* (tít. original: *The Canterbury Tales*; cerca de 1388–1400)

Chaucer era poliglota, fluente em italiano, francês e latim, e traduziu obras do francês e do latim para inglês (*Le Roman de la Rose* - *O Romance da Rosa*, do francês antigo para o inglês médio, cerca de 1368–1372, e *A Consolação da [Filosofia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-340/filosofia/)* - tít.original: *De Consolatione Philosophiae* , de Boécio, a partir do latim, na década de 1380). Também estabeleceu o inglês médio como um veículo respeitável para a [literatura medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17990/literatura-medieval/) (anteriormente, as obras eram escritas em francês ou em latim) e cunhou muitas palavras inglesas utilizadas nos dias de hoje (tais como *amble*-passear, *bribe*-suborno, *femininity*-feminilidade, *plumage*-plumagem e *twitter*-chilrear, entre inúmeras outras), além de ter inventado a forma poética da oitava real (*rime royal*). Foi elogiado pelos seus contemporâneos pela sua mestria lírica e poder imaginativo, e o seu estilo e escolha de temas influenciaram os escritores do seu tempo e todos quantos lhe sucederam. É habitualmente considerado o Pai da Literatura Inglesa.

### O Início da Vida e Viagens

Geoffrey Chaucer era filho de John Chaucer, um próspero viticultor (produtor e comerciante de vinho), e de Anne; originários de Ipswich (a nordeste de Londres), contudo Robert Chaucer (o avô de Geoffrey) mudou-se para Londres no início do século XIV, tendo Chaucer recebido uma boa educação. O estudioso chauceriano Larry D. Benson assinala a existência de três escolas perto da residência dos Chaucer na Thames Street, entre as quais a da Catedral de São Paulo, que lecionava latim, teologia, música e literatura clássica, integrando o currículo escolar medieval padrão. Após frequentar uma destas escolas, provavelmente a de São Paulo, Chaucer obteve o seu primeiro emprego por volta dos 13 anos de idade. Em 1356, foi-lhe atribuído o cargo de pajem de Isabel de Burgh, Condessa de Ulster.

O livro de contabilidade da casa da condessa referente a 1357 menciona Chaucer pelo nome e regista o vestuário comprado para ele, bem como «artigos de primeira necessidade no Natal» (Benson, pág. xvii). Enquanto membro do séquito da condessa, Chaucer teria viajado frequentemente pelo país, à medida que esta visitava outros nobres e participava em vários festivais e cortejos. Esta posição, que só poderia ter ocupado por pertencer a uma família abastada e respeitada, constituiu a sua introdução à vida da corte. Foi também através dela que conheceu João de Gante, Duque de Lancaster (cerca de 1340–1399), que viria a tornar-se o seu melhor amigo e mecenas.

Em 1359, Chaucer integrou uma expedição a França liderada por Lionel, marido de Isabel de Burgh, sob o comando do rei Eduardo III (reinou 1327–1377), numa das ofensivas inglesas da [Guerra dos Cem Anos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18721/guerra-dos-cem-anos/) (1337–1453). O objetivo era tomar a cidade de Reims — onde os reis franceses eram tradicionalmente coroados — e aclamar Eduardo III como rei de França e de Inglaterra. Chaucer participou no Cerco de Rethel, perto de Reims, tendo sido capturado no início de 1360, e Eduardo pagou 16 libras pelo seu resgate. Chaucer continuou ao serviço militar até outubro de 1360, altura em que transportou cartas de Eduardo de Calais de volta para Inglaterra. O paradeiro de Chaucer entre 1360 e 1366 é desconhecido, mas acredita-se que tenha viajado ao serviço do rei ou em peregrinação.

### A Vida na Corte, o Casamento e *O Livro da Duquesa*

Em setembro de 1366, Chaucer encontrava-se de regresso a Inglaterra e casado com Philippa Roet; em 1367, figura nos registos como membro da casa real, ostentando o título de escudeiro e criado pessoal (*valet*). Benson descreve Chaucer nessa época como sendo «um de um grupo de cerca de quarenta jovens ao serviço do rei, que não eram criados pessoais, mas de quem se esperava que se tornassem úteis na corte» (pág. xviii). Tanto Philippa como Geoffrey recebiam tenças reais, uma vez que Philippa era dama de companhia ao serviço das figuras femininas da corte.

Durante este período, Chaucer começou a escrever poesia em francês, experimentando várias formas. Foi enviado a França várias vezes em missões oficiais da corte e é possível que também tenha viajado a [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/). A sua relação com João de Gante já era, por esta altura, uma amizade sincera. A mulher de João, Branca, Duquesa de Lancaster, faleceu em setembro de 1368, mergulhando-o num período de profundo luto pela sua perda. Chaucer escreveu a sua primeira obra de grande envergadura, *O Livro da Duquesa*, em sua honra e como forma de consolar o seu amigo.

[ ![John of Gaunt](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10447.jpg?v=1773479291-1731943614) João de Gante N.PortuguÃªs (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10447/john-of-gaunt/ "John of Gaunt")*O Livro da Duquesa* está escrito sob a forma de um género poético conhecido como a visão de sonho da Alta Idade Média, em que um narrador começa por relatar um problema pessoal profundo (a morte de um ente querido, lutas com a fé religiosa), narra um sonho que confronta esse problema e conclui descrevendo a forma como o sonho resolveu o conflito do narrador.

Em *O Livro da Duquesa*, o narrador de Chaucer abre a peça lamentando-se por não conseguir adormecer, não dormindo há anos, desde que a mulher que amava o abandonou. O narrador lê um livro sobre dois amantes separados pela morte, adormece e sonha que se encontra numa floresta estranha, onde se cruza com um cavaleiro negro. O cavaleiro está de luto por causa de um amor perdido, e o narrador escuta a sua história sobre a vida feliz que partilharam e, em seguida, sobre a dor provocada pela morte recente dela. O narrador desperta e transmite ao leitor quão extraordinário foi o sonho e como o vai agora registar antes que se caia no esquecimento.

O poema aborda uma questão central do género poético do amor cortês — uma tradição popular da França medieval centrada nas relações românticas —, que colocava (entre outras) a dúvida sobre o que seria pior: perder o amor devido à morte ou devido à infidelidade. Ficou decidido que a infidelidade era pior porque, quando um amante traía ou partia, levava consigo o passado e o futuro, arruinando as memórias e destruindo a relação, ao passo que, quando um amante morria, ainda era possível prezar as memórias do passado. Além disso, um amante infiel escolhia partir, enquanto aquele que morria era levado contra a sua vontade.

Chaucer nunca chega a dar uma resposta definitiva sobre esta questão n'*O Livro da Duquesa*. O narrador perdeu um amor para a infidelidade, enquanto o cavaleiro perdeu o seu para a morte. Chaucer deixa ao critério do leitor decidir cuja situação é mais dolorosa, mas o narrador, ao consolar uma personagem que simboliza João de Gante, simpatiza plenamente com a dor do cavaleiro negro e subverte subtilmente a tradição do amor cortês ao sugerir que perder um ente querido para a morte é pior do que para a infidelidade, uma vez que não existe qualquer hipótese de reconciliação.

João de Gante apreciou a obra, conforme o comprova a atribuição a Chaucer de uma tença vitalícia de 10 libras «em consideração pelos serviços prestados por Chaucer ao outorgante» (Benson, pág. xix). Chaucer foi então enviado a Itália pelo rei para tratar de assuntos oficiais, o que o levou a Florença, onde poderá ter conhecido os grandes poetas italianos Petrarca e Boccaccio ou, caso contrário, ter sido certamente influenciado pela obra deles, bem como pela de Dante. É provável que estivesse a trabalhar noutros poemas por esta altura, mas não há forma de saber quais. No entanto, após o seu regresso de Itália, foi-lhe atribuída por Eduardo III uma comenda especial de um galão de vinho diário para o resto da vida, presumindo-se que se tratasse de um prémio por um poema que Chaucer tinha escrito para o rei, tanto mais que foi concedido no Dia de São Jorge, data em que os feitos artísticos eram recompensados.

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### As Outras Obras Principais

Em 1374, Chaucer foi nomeado comissário alfandegário, supervisionando as exportações e regulando os impostos na alfândega do porto de Londres. Embora o cargo o mantivesse ocupado, arranjou tempo para escrever e compôs *A Casa da Fama*, *O Parlamento das Aves* e T*rótulo e Créisida* durante esse período, além de ter traduzido *A Consolação da Filosofia*, de Boécio. Benson assinala que «Chaucer foi mais prolífico como escritor quando aparentemente estava mais ocupado com outros afazeres» (pág. xxi).

*A Casa da Fama* é outra visão de sonho em que Chaucer, na qualidade de narrador, é raptado por uma águia de asas douradas e levado para a Casa da Fama, que é a morada de todos os sons. Na Casa, Chaucer depara-se com a Fama, uma mulher dotada de muitos olhos, ouvidos e línguas, que distribui a glória e a infâmia a várias figuras ao longo da história. O conceito de fama é caracterizado como efémero e dependente do que os outros dizem sobre uma pessoa, em detrimento dos méritos reais do indivíduo. Depois de observar a Fama em ação durante algum tempo, Chaucer é conduzido para fora da Casa por um homem que o leva até outro edifício — uma casa de fiar situada num vale —, o qual simboliza o rumor e a mexerica, bem como a rapidez com que influenciam a fama. No interior da casa encontra-se uma enorme multidão a falar em simultâneo, mas que se cala com a aproximação de um homem de grande autoridade; após este verso, o poema interrompe-se bruscamente e nunca chegou a ser concluído.

[ ![Chaucer Reading His Poetry to the English Court](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10446.jpg?v=1765476849) Chaucer Lendo Sua Poesia Para a Corte Inglesa Corpus Christi College (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/10446/chaucer-reading-his-poetry-to-the-english-court/ "Chaucer Reading His Poetry to the English Court")*O Parlamento das Aves* constitui a primeira referência ao Dia de São Valentim na literatura e, segundo alguns estudiosos, Chaucer poderá inclusivamente ter inventado esta festividade neste poema. Trabalhando novamente com a forma da visão de sonho, Chaucer redigiu a peça em oitava real *(rime royal* — estrofes de sete versos em pentâmetro jâmbico), o que lhe confere um tom dinâmico e animado. O poema começa com Chaucer, na qualidade de narrador, a lamentar as dificuldades do amor — «a vida tão curta, a arte tão longa de aprender» (verso 1) —, referindo-se ao "ofício" ou à arte do amor que o narrador ainda não dominou. Enquanto lê um livro para tentar compreendê-lo melhor, adormece e surge um guia místico que o conduz através de uma paisagem onírica e do Templo de Vénus, levando-o até à corte da Dama Natureza, que preside ao ritual de acasalamento das aves.

Antes de as «aves menores» poderem escolher um parceiro, os grandes águias têm prioridade; contudo, três águias-fêmeas disputam a garra de uma única fêmea real (formel). Nenhuma delas recua e nenhuma das restantes aves consegue agir até que a questão esteja resolvida, pelo que as aves menores e as águias dão início a um debate parlamentar. A Dama Natureza modera e acaba por encerrar a discussão, perguntando à fêmea qual das águias prefere. A fêmea responde que não quer nenhuma delas e que prefere esperar alegremente até ao ano seguinte para escolher um parceiro. As outras aves ficam então livres para escolher os seus pares, começando todas a cantar jubilosamente em celebração do amor. O narrador alegra-se pelas aves, mas, ao despertar do sonho, percebe que continua tão longe de compreender o amor como antes e regressa à leitura.

Este tema do amor romântico e das suas dificuldades é abordado longamente em *Trótulo e Créisida*, cuja forma e matéria foram ambas influenciadas por *Il Filostrato* (*O Filóstrato*), de Boccaccio. O pano de fundo da história é a [Guerra de Troia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10357/guerra-de-troia/) e as personagens principais são um guerreiro troiano e uma jovem nobre. No início do poema, Trótulo troça do amor e dos amantes, apelidando-os de tolos que perdem tempo, pelo que Cupido, o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) do amor, o atinge com uma flecha, fazendo-o apaixonar-se desesperadamente por Créisida. O tio dela, Pândaro, ajuda Trótulo a cortejar Créisida e, uma vez que Trótulo sempre se mostrara irredutível quanto à insensatez do amor, quer manter a relação em segredo — um propósito em que Pândaro também dá ajuda. Quando os gregos capturam um importante guerreiro troiano, Antenor, o pai de Créisida, Calcante, sugere que troquem Créisida por ele, dado que ela é solteira e não tem laços com ninguém na cidade. Trótulo não pode opor-se sem revelar a sua relação, pelo que Créisida parte para o acampamento grego. Ela promete a Trótulo que fugirá e regressará para junto dele no espaço de dez dias, mas, uma vez no acampamento, apercebe-se de que tal é impossível e aceita as investidas de um guerreiro grego, Diomedes, tornando-se sua amante com relativa rapidez. Com o coração partido, Trótulo vai para a batalha e acaba por ser morto. Enquanto flutua em direção ao céu, olha para trás, para a sua vida e para todas as situações a que dera tanta importância, e ri-se.

[ ![Title Page of Canterbury Tales](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10459.jpg?v=1776088647) Página de Rosto dos Contos de Cantuária University of Glasgow Library (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/10459/title-page-of-canterbury-tales/ "Title Page of Canterbury Tales")*Trótulo e Créisida* obteve tanta popularidade que a sua personagem entrou no idioma inglês sob a forma da expressão idiomática «falsa como Créisida» (*false as Criseyde*), utilizada em referência a uma mulher infiel ou a uma afirmação de veracidade duvidosa. Na obra que se seguiu, *A Lenda das Boas Mulheres*, o autor afirma ter sido incumbido pela Rainha Alceste, esposa do deus do amor, de se redimir perante as mulheres pelo retrato que fizera de Créisida. Era-lhe exigido que redigisse uma série de contos que retratassem mulheres fortes e poderosas, autoras de grandes feitos, tais como Cleópatra e Dido. Chaucer concluiu dez histórias, mas deixa claro no seu prólogo que se supunha ter escrito mais. O poema nunca foi terminado, acreditando os estudiosos que tal se deveu à perda de interesse por parte do autor.

### *Os Contos de Cantuária*

Chaucer trabalhou na alfândega durante doze anos, período em que, além de redigir as obras supracitadas, empreendeu várias missões descritas nos registos da corte como «negócios secretos do rei». Por volta de 1385, recebeu a sua primeira consagração internacional enquanto poeta através de uma balada que lhe foi dedicada pelo principal poeta francês da época, Eustache Deschamps (cerca de 1346 – cerca de 1406) — um tributo tanto mais impressionante quanto Deschamps detestava os ingleses e dedicara muitos dos seus poemas a ridicularizá-los e criticá-los. Deschamps exerceu uma influência marcante sobre as primeiras obras de Chaucer, em particular sobre os seus poemas mais curtos, pelo que esta homenagem decerto significou muito para ele. Em simultâneo, os escritores ingleses começaram a elogiar a obra de Chaucer, destacando-se John Gower (cerca de 1330–1408), que se tornou num dos seus amigos mais próximos.

É possível que Chaucer tenha iniciado *Os Contos de Cantuária* ainda quando residia em Londres, embora seja mais provável que o tenha feito após abandonar o cargo na alfândega e se mudar para Kent. No Prólogo Geral do poema — no qual introduz as suas personagens —, Chaucer, na qualidade de narrador, relata como os peregrinos, partindo da Estalagem do Tabardo em Southwark rumo ao santuário de Becket na Cantuária, contarão cada um dois contos na ida e dois no regresso; aquele cujo conto for considerado o melhor ganha uma refeição gratuita no Tabardo à chegada. A obra completa teria assim compreendido 120 contos, mas Chaucer escreveu apenas 24, razão pela qual a peça é considerada inacabada.

[ ![Canterbury Tales](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10258.jpg?v=1776088630) Contos de Cantuária SkedO (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10258/canterbury-tales/ "Canterbury Tales")*Os Contos de Cantuária* constituem a obra-prima de Chaucer, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) no cume da sua mestria poética. A obra é, consoante o conto, alternadamente satírica, trágica, brejeira e cómica. Chaucer, na qualidade de narrador, figura como um membro jovem e ingénuo do grupo que descreve todos os outros sem emitir juízos críticos; já Chaucer, enquanto autor, critica evidentemente todos eles, de forma subtil ou direta, através das suas descrições. Revelou-se particularmente crítico em relação à Igreja da sua época, denunciando a hipocrisia e a ganância do clero por intermédio de personagens como o seu Pardoador, que não passa de um vigarista.

### Conclusão

A partir de 1386, Chaucer desempenhou diversos cargos importantes e altamente remunerados, tais como juiz de paz, membro do Parlamento, escrivão das Obras do Rei e sub-guardião da Floresta Real. Integrou também a Comissão de Paz de Kent e, como sempre, prestou serviço à coroa em vários assuntos que os registos não especificam.

Chaucer ainda trabalhava n'*Os Contos de Cantuária* quando regressou a Londres na década de 1390. Arrendou uma habitação perto da Abadia de Westminster, onde viria a falecer em outubro de 1400. Foi sepultado na abadia por pertencer à paróquia, mas a sua sepultura assinalaria o primeiro túmulo do famoso Canto dos Poetas da Abadia de Westminster, onde muitos grandes escritores e poetas têm sido sepultados ou homenageados desde então.

*Os Contos de Cantuária* foram publicados pela primeira vez por William Caxton por volta de 1476, em Londres, tornando-se um êxito de vendas. Contudo, mesmo durante a vida de Chaucer, os copistas já copiavam e partilhavam as suas obras, pelo que a tese de que só se tornou famoso como escritor após a morte é insustentável. Por volta de 1500, o público leitor de Chaucer tinha-se alargado e o autor era aclamado pelos críticos pela sua habilidade e visão poéticas. Em 1556, foi erigido um monumento em mármore no seu local de sepultamento pelo poeta local Nicholas Brigham, que descrevia Chaucer como o «bardo que entoou as mais nobres melodias» da poesia, tendo a sua reputação continuado a crescer ao longo dos séculos seguintes.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Andreas Capellanus (edited by John Jay Parry). *The Art of Courtly Love.* Columbia University Press, 1990.](https://www.worldhistory.org/books/0231073054/)
- [Boitani, P. & Mann, J. *The Cambridge Companion to Chaucer.* Cambridge University Press, 2004.](https://www.worldhistory.org/books/0521894670/)
- [Donaldson, E. T. *Speaking of Chaucer.* W W Norton & Company, 1972.](https://www.worldhistory.org/books/0393006336/)
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- [Gardner, J. *The Life and Times of Chaucer.* Barnes & Noble, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/1435107373/)
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## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 1343 CE - 1400 CE**: Life of English poet [Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/Geoffrey_Chaucer/).
- **1356 CE**: Chaucer is introduced to court life as page to Elisabeth de Burgh, Countess of Ulster.
- **1359 CE - 1360 CE**: Chaucer is part of military expedition to France, is captured, ransomed by King Edward III.
- **1360 CE - 1366 CE**: Chaucer's whereabouts unknown; possibly on pilgrimage.
- **1366 CE - 1367 CE**: Chaucer is married to Philippa Roet; holds title of esquire and valet of the English court.
- **c. 1370 CE**: Chaucer writes his first major work The Book of the Duchess.
- **1374 CE - 1386 CE**: Chaucer works as controller of customs at London port; writes at least three of his major works.
- **c. 1378 CE - c. 1380 CE**: Chaucer writes The House of Fame.
- **c. 1380 CE - c. 1382 CE**: Chaucer writes The Parliament of Fowls.
- **c. 1380 CE - c. 1387 CE**: Chaucer writes Anelida and Arcite.
- **c. 1382 CE - c. 1386 CE**: Chaucer writes Troilus and Criseyde.
- **1386 CE**: Chaucer moves from London to Kent; holds a number of significant positions for the crown.
- **c. 1386 CE - c. 1389 CE**: Chaucer writes The Legend of Good [Women](https://www.worldhistory.org/disambiguation/women/).
- **c. 1388 CE - 1400 CE**: Chaucer writes The [Canterbury Tales](https://www.worldhistory.org/Canterbury_Tales/).
- **1391 CE**: [Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/Geoffrey_Chaucer/) wrties an explanation of how to use an [astrolabe](https://www.worldhistory.org/Astrolabe/) in his Tractatus de Conclusionibus Astrolabii.
- **c. 1399 CE**: Chaucer has moved back to London, is at work on The [Canterbury Tales](https://www.worldhistory.org/Canterbury_Tales/).
- **1400 CE**: Chaucer dies and is buried at Westminster Abbey, the first poet buried in Poet's Corner.

## Links Externos

- [In Our Time, Chaucer](https://www.bbc.co.uk/programmes/p003hycq)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, July 21). Geoffrey Chaucer. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Geoffrey Chaucer." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 21, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Geoffrey Chaucer." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 21 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 21 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

