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title: Christine de Pizan
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17986/christine-de-pizan/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-20
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# Christine de Pizan

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Christine de Pizan (também grafada como Christine de Pisan, cerca de 1364 - cerca de 1430) foi a primeira escritora profissional da Idade Média e a primeira mulher de letras em França. As suas obras mais conhecidas defenderam uma maior igualdade e respeito pelas mulheres, antecipando em 600 anos o movimento feminista do século XIX.

Nasceu em Veneza, em [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/), mas a família mudou-se rapidamente para França quando o pai foi nomeado astrólogo da corte do rei francês Carlos V (reinou 1364-1380). Embora tenha sempre valorizado a sua herança italiana, dedicou-se a França e à corte real durante o resto da sua vida.

Ficou viúva quando o marido morreu vítima da peste em 1389, deixando-a com três crianças e com a responsabilidade de cuidar da mãe e da sobrinha. Sem outras opções para ganhar a vida, Christine dedicou-se à [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/). Escreveu baladas românticas para a aristocracia francesa, que foram tão bem acolhidas que acabou por seguir a [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) como carreira. Entre as suas obras mais conhecidas encontram-se:

- *Cent Ballades* - *Cem Baladas* (1393)
- *Enseignemens moraux* - *Lições Morais* (1395)
- *Epístola do [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) do Amor* - tít. original: *L'Épistre au Dieu d'Amours* (1399)
- *L'Épistre d'Othéa à Hector* - *Epístola de Othea a Heitor* (1399)
- *Dit de la Rose* - *O Conto da Rosa* (1402)
- *Livre de la mutation de fortune* - *Da Mutabilidade da Fortuna* (1403)
- *O Livro da Cidade das Damas* - tít. original: *Le Livre de la cité des dames* (1405)
- *Le Livre des trois vertus* ou *Trésor de la cité des dames* - *O Tesouro da Cidade das Damas* (1405)
- *Livre des faits d'armes et de chevalerie* - *O Livro dos Feitos de Armas e da Cavalaria* (1410)
- *Livre de paix* - *O Livro da Paz* (1413)
- *Ditié de Jehanne d'Arc* - *O Conto de [Joana d'Arc](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16982/joana-darc/)* (1429)

Embora os académicos modernos continuem a debater se ela pode ser chamada de "feminista" numa altura em que o conceito não existia no seu tempo, é inegável que ela encarnou os valores e princípios do feminismo, especificamente que as mulheres eram iguais aos homens em todos os aspetos e deviam usufruir dos mesmos direitos, oportunidades e respeito que qualquer homem. As suas obras influenciariam escritores posteriores, tanto homens como mulheres, durante o início do Renascimento, após o que caíram em desuso, sendo apenas rediscutidas e redescobertas no final do século XIX.

### O Início da Vida e o Casamento

Christine nasceu em Veneza, em Itália, filha do estudioso, médico e astrólogo Thomas de Pizan, que encorajou a sua educação. O nome da mãe é desconhecido, mas tratava-se de uma mulher aristocrata da família Mondino de Veneza, tendo o casal tido três filhos: dois rapazes e uma rapariga. A família mudou-se para Paris, em França, quando Christine tinha quatro anos e o seu pai foi nomeado astrólogo da corte.

Christine sentiu-se atraída por atividades literárias desde muito jovem, mas foi desencorajada pela mãe, que entendia que ela devia lembrar-se do seu lugar e concentrar-se no "trabalho de mulheres", como fiarem tecidos e tratarem das tarefas domésticas. A investigadora Charity Cannon Willard refere: "É evidente que a sua mãe ganhou a causa, pois Christine explicou que se tinha visto obrigada a recolher as migalhas de conhecimento possíveis a partir da sabedoria do seu pai" (pág. 33). A mãe de Christine é pouco mencionada nas suas obras posteriores, exceto pelo facto de necessitar de cuidados e de viver com a autora.

Por outro lado, Thomas de Pizan é referido nos escritos de Christine e, evidentemente, fez o que pôde para apoiar a educação da filha. A família vivia na margem direita do rio Sena, perto do centro da indústria de produção de livros da cidade. Christine cresceu no palácio de Carlos V — bem conhecido pela sua biblioteca — e na proximidade dos escribas, copistas, ilustradores e iluminadores que produziam os livros da época.

Casou-se aos 15 anos com o secretário da corte Etienne du Castel, em 1379, e o casal teve três filhos (um dos quais morreu jovem). Tiveram um casamento feliz e não há indicação de que, nessa altura, Christine quisesse fazer outra coisa senão ser esposa de Etienne e criar os filhos. A sorte da família mudou drasticamente, no entanto, quando Thomas de Pizan morreu em 1388 e Etienne faleceu vítima da peste no ano seguinte. Após dez anos de casamento e 25 anos de uma vida estável e de classe alta, Christine viu-se repentinamente sozinha e responsável pelos cuidados dos seus três filhos, da sobrinha e da mãe.

### Os Primeiros Anos de Poesia

Sem qualquer conhecimento sobre a forma como o marido era pago ou sequer sobre o que ganhava, Christine tentou negociar com a burocracia francesa o seu salário final e um bónus a que tinha direito, mas faltava-lhe qualquer experiência para lidar com uma tal situação. O marido tinha morrido enquanto trabalhava para o rei noutra cidade, o que complicava ainda mais as coisas, uma vez que teria sido pago de forma diferente por esse tipo de serviço em comparação com as suas funções regulares em Paris.

A corrupção dos funcionários do governo com quem lidava desempenhou certamente um papel importante, mas o obstáculo central para reaver o salário de Etienne foi o facto de ser mulher e, como tal, ter sido impedida de aprender qualquer coisa sobre os negócios ou as finanças do marido. Parece ter sido regularmente desdenhada pelos funcionários do governo com quem falou e passaria os 13 anos seguintes a lutar com processos judiciais numa tentativa de conquistar o que era legitimamente seu ou de proteger o que lhe restava dos credores.

Começou a escrever poesia, como diz, para distrair a mente dos seus problemas e parece ter sobrevivido vendendo terras. Os seus dois irmãos tinham regressado a Itália para tomar posse de terras propriedade do pai e não a puderam ajudar, a não ser, talvez, intermediando o negócio das terras que vendeu em Itália. Christine viria mais tarde a queixar-se nos seus escritos de que "não tinha podido passar os seus primeiros anos a aprender o que lhe teria sido útil mais tarde, em particular a forma de cuidar dos assuntos financeiros do marido após a sua morte" (*Idem*). Ao princípio, não pensava em seguir uma carreira literária para se sustentar a si e à família; escrevia apenas poesia para se sentir melhor.

[ ![Christine de Pizan Presenting Her Book to Queen Isabeau](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10318.jpg?v=1765255565) Christine de Pizan a Apresentar o Seu Livro à Rainha Isabel PKM (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10318/christine-de-pizan-presenting-her-book-to-queen-is/ "Christine de Pizan Presenting Her Book to Queen Isabeau")Christine leu muito antes da morte do marido, começando pela história antiga, passando gradualmente para a sua época atual e dedicando-se depois a outra disciplina, como as ciências ou a [filosofia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-340/filosofia/). Após a morte dele, continuou a sua autoeducação, embora os académicos modernos não saibam explicar onde teria arranjado os livros. É provável — quase certo —, no entanto, que tenha continuado a ter acesso à biblioteca da corte, uma vez que muitos dos seus primeiros poemas são dirigidos a membros da realeza e há registos dela como escritora da corte.

Como a própria Christine escreve, estudou cada assunto de forma diligente e detalhada em busca de poder intelectual, mas, quando chegou à poesia, sentiu no seu coração que essa era a vocação da sua vida. A poesia falou-lhe e ela respondeu à inspiração. Por volta de 1393, tinha poesia suficiente concluída para publicar o seu primeiro livro, *Cent Ballades* (*Cem Baladas*), que apresentou à corte. A corte francesa apreciou o seu trabalho e ela foi encorajada a escrever mais através do seu patrocínio financeiro, iniciando assim a sua carreira literária.

### A Carreira Literária e as Principais Obras

A poesia inicial de Christine apresenta quase sempre uma jovem narradora que está apaixonada ou a lamentar a perda do seu amante. Estes temas já eram motivos estabelecidos dos trovadores franceses do século XII e encontravam-se no centro da tradição literária do [amor cortês](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18065/amor-cortes/). A poesia que celebrava o conceito de amor cortês retratava habitualmente uma mulher tão bela, misteriosa, virtuosa e bondosa que enfeitiçava o cavaleiro (que devia servi-la e protegê-la), mas também a descrevia frequentemente como uma tentadora que destruía a virtude do cavaleiro. A poesia de Christine retoma muitas vezes estes temas, mas apresenta-os a um nível mais pessoal e tenta remover os elementos misóginos do género.

Um exemplo da sua visão observa-se numa das suas obras iniciais mais conhecidas, *Seulete sui et seulete vueil estre* (*Sozinha estou, sozinha desejo estar*), em que a voz poética medita sobre a perda do seu amante e sobre a sua solidão — "mais perdida do que qualquer outra pessoa" — mas, ao mesmo tempo, afirma que não mudaria a sua situação e que não precisa de ser salva por nenhum "cavaleiro". Cada estrofe termina com o verso "Sozinha estou, deixada sem amante", mas a narradora limita-se repetidamente a constatar factos sobre a sua condição e sobre o que sente em relação a ela; nada no poema indica que deseje fazer o que quer que seja para a alterar, como se pode ver nos versos:

> Sozinha estou, a alimentar-me com o pranto
> Sozinha estou, a sofrer ou em descanso
> Sozinha estou, e isto é o que me agrada tanto
> (Willard, 54)

Os poemas de amor cortês que apresentavam o motivo da donzela em apuros eram bastante populares junto da corte francesa, como Christine certamente saberia, e obras como "Sozinha estou" consagraram-na como uma nova voz nas letras francesas, merecedora de atenção pelo seu afastamento do conceito central do género. Em *Seulete suis* (*Sozinha estou*), é evidente que a narradora não procura outro amante e que suportará a sua perda por conta própria, através da sua própria força e determinação.

Em 1399, publicou a sua obra mais afamada *L'Épistre d'Othéa à Hector* (*Epístola de Othea a Heitor*), no qual o herói lendário Heitor de [Troia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-372/troia/) recebe lições de governo e virtude da deusa Othea. No mesmo ano, publicou outra das suas grandes obras, a *Epístola do Deus do Amo*r (tít. orignal: *L'Épistre au Dieu d'Amours*, também conhecida como *Carta de Cupido*), na qual a narradora surge como secretária da Corte do Amor e lê uma carta enviada pelo senhor e deus da corte, Cupido. Esta obra retoma vários temas da literatura de amor cortês, satiriza a misoginia inerente ao género — que retrata frequentemente as mulheres como fracas e necessitadas de salvadores ou como sedutoras maldosas — e sublinha o quão mal os homens tratando as mulheres, mostrando o desejo do deus do amor de mudar essa realidade. Assumindo esse desafio, Christine publicou em 1402 o seu *Dit de la Rose* (*Conto da Rosa*), uma crítica à obra poética de sucesso *Roman de la Rose* (*O Romance da Rosa*), da autoria de Jean de Meun

[ ![The Book of the City of Ladies](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/10317.jpg?v=1770002345) O Livro da Cidade das Senhoras The Yorck Project (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10317/the-book-of-the-city-of-ladies/ "The Book of the City of Ladies")*Roman de la Rose* (*O Romance da Rosa*) é um poema alegórico que detalha como um amante deve cortejar a sua amada para conquistar o seu coração e a sua virgindade. O amante entra num jardim, tem de contornar ou vencer vários obstáculos e consegue finalmente colher a rosa do seu desejo. A primeira parte do poema foi composta por volta de 1230 pelo poeta Guillaume de Lorris, sobre quem nada mais se sabe, e a segunda por Jean de Meun por volta de 1275. Christine considerou a secção de Jean de Meun excecionalmente misógina, e a sua crítica constitui uma refutação da caracterização das mulheres como tentadoras vis, sedutoras e a fonte de todo o mal no mundo.

Ela expandiu a sua visão sobre a verdadeira natureza da condição feminina e do feminino nas suas duas maiores obras, *O Livro da Cidade das Damas* (tít. original: *Le Livre de la cité des dames*) e *Le Livre des trois vertus* (*O Tesouro da Cidade das Damas*, também conhecido como *O Livro das Três Virtudes*), em 1405. *O Livro da Cidade das Damas* tem sido aclamado como uma obra protofeminista, uma obra feminista e uma obra-prima da literatura feminista mas, qualquer que seja o rótulo que se escolha atribuir-lhe, tratou-se de um escrito revolucionário, completamente sem precedentes e brilhantemente composto. A investigadora Jill E. Wagner comenta:

> Christine antecipou a necessidade feminista de "um quarto só seu" de Virginia Woolf, mas constrói à grande escala e segue a tradição medieval ao selecionar deliberadamente uma cidade, e não um quarto. Ao dar voz aos silenciados, apresentando assim ao seu público material novo e provocador, adere a um modelo histórico estabelecido e respeitável, *A Cidade de Deus* de Santo Agostinho.
> (pág. 69)

*O Livro da Cidade das Damas* é uma alegoria em que três mulheres, a Razão, a Justiça e a Retidão, constroem uma cidade com a ajuda de Christine, a narradora. A estrutura é modelada na obra de Santo Agostinho, mas Christine emprega com cuidado e inteligência a técnica de a memória de reforço do Método de Loci (também conhecido como Palácio da Memória), através da qual uma pessoa que deseja reter alguma informação a imagina em diferentes divisões de uma casa ou palácio. Como salienta Wagner, ao construir a peça desta forma, Christine garantiu que as mulheres do futuro se lembrariam do poder das mulheres do passado e poderiam retirar força delas.

*Le Livre des trois vertus* (*O Tesouro da Cidade das Damas*) dá continuidade a este tema como um guia prático para as mulheres cuidarem de si mesmas, dos seus lares, bem como das terras e dos negócios dos seus maridos. A inspiração para esta obra foram os próprios sentimentos de desamparo de Christine após a morte do marido e a sua incapacidade de navegar no mundo financeiro dos homens enquanto jovem viúva. Christine afirma que, depois de escrever *Le Livre des trois vertus*, tudo o que queria era descansar, mas que a Razão, a Justiça e a Retidão — que a tinham ajudado a construir a obra anterior — não a deixaram dormir até que tivesse concluído o segundo trabalho.

[ ![The Book of the Three Virtues](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10319.jpg?v=1776724025) O Livro das Três Virtudes Drmies (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10319/the-book-of-the-three-virtues/ "The Book of the Three Virtues")Em 1410, Christine recebeu a encomenda de escrever um livro sobre [a arte da guerra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16193/a-arte-da-guerra/) intitulado *Livre des faits d'armes et de chevalerie* (*O Livro dos Feitos de Armas e da Cavalaria*), no qual descrevia uma guerra justa, as razões para declarar guerra e sugestões para a sua prevenção. Este último ponto foi desenvolvido a partir de uma secção de *Le Livre des trois vertus*, na qual Christine aconselhava as mulheres a tentarem impedir que os homens fizessem guerra aos seus vizinhos, uma vez que esta era muito dispendiosa a todos os níveis. Ela continuou este tema no seu *Livre de paix* (*Livro da Paz* - 1413), que debate o bom governo, o dever que um governo tem para com o seu povo e sugestões para prevenir conflitos armados.

Christine nasceu durante a [Guerra dos Cem Anos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18721/guerra-dos-cem-anos/) (1337-1453), em que a França e a Inglaterra lutaram pela supremacia política sobre o território francês. Em outubro de 1415, os franceses perderam a Batalha de Azincourt, o que constituiu um golpe tão duro para Christine que esta se afastou da sociedade e das letras, retirando-se para um convento.

A última obra de Christine foi *Ditié de Jehanne d'Arc* (*O Conto de Joana d'Arc*), escrita em 1429 em honra da grande heroína de França no auge da sua popularidade. Joana d'Arc tinha acabado recentemente de levantar o Cerco de Orleães (outubro de 1428 - maio de 1429) e toda a França celebrava o triunfo. O poema de Christine é o primeiro a celebrar a Donzela de Orleães e o único escrito durante a breve vida de Joana. Ver uma mulher a liderar homens em batalha e a sair vitoriosa deve ter sido um sonho tornado realidade para Christine, que defendera a igualdade das mulheres ao longo de toda a sua vida adulta. É provável que Christine não tenha vivido para ver a captura, o aprisionamento e a execução de Joana, dado que terá falecido muito provavelmente em 1430.

### A Influência e o Legado

As obras de Christine de Pizan foram traduzidas para outras línguas ainda durante a sua vida e a sua influência foi significativa. Após a sua morte, os seus livros continuaram a ser impressos e traduzidos para novos idiomas. A influente Ana da Bretanha (1477-1514), Duquesa da Bretanha e Rainha Consorte de França, possuía as obras de Christine na sua biblioteca pessoal e partilhava-as com amigos, que por sua vez as recomendavam a outros. As obras de Christine foram publicadas por William Caxton (1422-1491) em Inglaterra, o mesmo homem que publicou *[Os Contos da Cantuária](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18098/os-contos-de-cantuaria/)* de [Geoffrey Chaucer](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18092/geoffrey-chaucer/), as *Fábulas* de Esopo e *A Morte de Artur* de [Thomas Malory](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18093/thomas-malory/). Os seus livros continuaram a ser impressos e a gozar de popularidade no início do Renascimento até que, por razões desconhecidas, deixaram de ser editados. Christine foi redescoberta no século XIX e tem vindo a recuperar progressivamente seguidores, principalmente devido ao interesse feminista em *O Livro da Cidade das Damas* e *Le Livre des trois vertus*, ambos regularmente lecionados em disciplinas de Estudos sobre as Mulheres nas universidades.

Embora os conceitos e valores defendidos por Christine possam parecer de bom senso e óbvios para muitos — se não a maioria — nos dias de hoje, não o eram de todo na Idade Média. As obras de Christine foram revolucionárias para a sua época, e um aspeto fascinante da sua carreira é a popularidade que os seus livros alcançaram, não só no seu próprio país como noutros, numa altura em que a Igreja — cujos valores ditavam os da sociedade em geral — denegria e demonizava regularmente as mulheres.

A própria Christine reconheceu que vivia num "mau momento", em que ela e as mulheres em geral não eram valorizadas, e, no entanto, foi uma das escritoras profissionais mais bem-sucedidas da sua época. No entanto, ela constituiu uma exceção à regra, e a Igreja e a aristocracia continuaram a controlar e a denegrir as mulheres à medida que a Idade Média se aproximava do fim. Só no século XIX surgiria no panorama mundial um movimento de mulheres capaz de encarnar a visão de Christine de Pizan e de reunir o apoio e o reconhecimento necessários para aproximar um pouco mais o seu sonho de se tornar realidade.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Cantor, N. F. *The Civilization of the Middle Ages.* Harper Perennial, 1994.](https://www.worldhistory.org/books/0060925531/)
- [Christine de Pizan's City of Ladies: A Monumental (Re)construction Of, By, and For Women of All time by Jill E. Wagner](https://ir.uiowa.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1710&context=mff "Christine de Pizan's City of Ladies: A Monumental (Re)construction Of, By, and For Women of All time by Jill E. Wagner"), accessed 19 Mar 2020.
- [Christine De Pizan. *The Book of the City of Ladies.* Persea, 1998.](https://www.worldhistory.org/books/0892552301/)
- [Excerpts from Christine de Pizan's Book of the City of Ladies](https://history.hanover.edu/courses/excerpts/165pisan.html "Excerpts from Christine de Pizan's Book of the City of Ladies"), accessed 19 Mar 2020.
- [Gies, F. & J. *Women in the Middle Ages.* Harper Collins, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/B0182PQ4E0/)
- [Guillaume de Lorris and Jean de Meun. *The Romance of the Rose.* Oxford University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0199540675/)
- [Loyn, H. R. *The Middle Ages: A Concise Encyclopedia.* Thames & Hudson, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0500276455/)
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- [Slatkin, W. *Women Artists in History: From Antiquity to the Present.* Pearson, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/0130273198/)
- [Staines, D. *The Complete Romances of Chretien de Troyes.* Indiana University Press, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0253207878/)
- [Willard, C. C. *Christine de Pizan: Her Life and Works.* Persea, 1990.](https://www.worldhistory.org/books/0892551526/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **1364 CE - c. 1430 CE**: Life of [Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/Christine_de_Pizan/).
- **1389 CE**: Christine's husband Etienne dies; Christine turns to [writing](https://www.worldhistory.org/writing/) to support herself and family.
- **1393 CE**: Publication of One Hundred Ballads launches career of [Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/Christine_de_Pizan/).
- **1399 CE**: Publication of Letter of Othea to Hector and Letter of the [God](https://www.worldhistory.org/God/) of Love by [Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/Christine_de_Pizan/).
- **1402 CE**: Publication of The Tale of the Rose by [Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/Christine_de_Pizan/), a critique of The Romance of the Rose.
- **1405 CE**: Publication of The Book of the [City](https://www.worldhistory.org/city/) of the Ladies and The Treasure of the City of the Ladies (Book of the Three Virtues) by [Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/Christine_de_Pizan/).
- **1429 CE**: Publication of The Tale of [Joan of Arc](https://www.worldhistory.org/Joan_of_Arc/) by [Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/Christine_de_Pizan/), the first and only poem celebrating Joan in her lifetime.

## Perguntas & Respostas

### Quem foi Christine de Pizan?
Christine de Pizan (1364 – cerca de 1430) foi a primeira escritora profissional da Idade Média e a primeira mulher de letras em França. 

### Por que é que Christine de Pizan é famosa? 
Christine de Pizan é famosa pelas suas obras literárias que defendem a igualdade das mulheres, antecipando o movimento feminista posterior em 600 anos. 

### De que forma é que Christine de Pizan influenciou a sociedade?
Christine de Pizan influenciou a sociedade ao demonstrar a igualdade das mulheres, recorrendo a inúmeros exemplos de heroínas da literatura, da história, da mitologia e das escrituras. Ela ajudou as mulheres a sentirem-se melhor consigo mesmas. 

### Quem foi a primeira feminista?
Christine de Pizan é considerada por muitos estudiosos como a primeira feminista, uma vez que foi a primeira mulher a escrever extensivamente sobre a igualdade das mulheres. 


## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, August 20). Christine de Pizan. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17986/christine-de-pizan/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Christine de Pizan." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 20, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17986/christine-de-pizan/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Christine de Pizan." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 20 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17986/christine-de-pizan/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 20 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

