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title: Castelos de Bellinzona
author: James Blake Wiener
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17509/castelos-de-bellinzona/
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license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-03
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# Castelos de Bellinzona

_Escrito por [James Blake Wiener](https://www.worldhistory.org/user/jbw288/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os Castelos de Bellinzona são um conjunto de três fortificações medievais localizadas na cidade de Bellinzona e arredores, situada no Cantão do Ticino, na Suíça. Estes castelos são os únicos exemplos remanescentes na região alpina de arquitetura militar de grande envergadura, datados do final da Idade Média. Os castelos não só protegiam a vila de Bellinzona, como também os passos alpinos estratégicos que atravessam a cidade antes de entrarem na Planície da Lombardia: o Passo de São Gotardo, o Passo de Nufenen, o Passo de Lukmanier e os Passes de São Bernardo. Os três castelos foram de especial importância para o Ducado de Milão, governado pelas dinastias Visconti (1277–1447) e Sforza (1450–1535), no final da Idade Média e durante o Renascimento, até serem tomados pelos suíços em 1500. Tendo sobrevivido a uma grande inundação em 1515, os castelos passaram a ser propriedade do Cantão do Ticino em 1803. A UNESCO declarou os três castelos — Castelgrande, Montebello e Sasso Corbaro — e respetivas muralhas defensivas como um único Património Mundial no ano 2000.

### A Geografia e a História Antiga

Bellinzona situa-se a leste do rio Ticino, diretamente aos pés dos Alpes Lepontinos. A sul de Bellinzona fica o fértil vale do rio Pó e a cidade de Milão, enquanto a norte se encontram os altos passos alpinos de São Gotardo, Nufenen, Lukmanier e São Bernardo. O rio Ticino desagua no Lago Maggiore, permitindo um acesso adicional à atual [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/). A topografia da cidade é perfeitamente adequada para a construção de fortalezas estratégicas, uma vez que uma colina rochosa abrange todo o flanco oriental do vale onde Bellinzona se situa.

Existe ampla evidência de ocupação e povoamento humano primitivo em Bellinzona e arredores. Os arqueólogos encontraram locais de sepultamento dispersos e vestígios de estruturas isoladas e primitivas que remontam ao Neolítico (quarto milénio a.C.), tendo os humanos ocupado repetidamente o local onde hoje repousa o Castelgrande durante o Neolítico, a Idade do Bronze e a Idade do Ferro. O Imperador [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) (reinado de 27 a.C. a 14 d.C.) integrou o atual Cantão suíço do Ticino no [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/) na sequência de campanhas militares bem-sucedidas contra os celtas, e os romanos instalaram um acampamento base onde hoje se situa o Castelgrande por volta do ano 1 d.C. Este acampamento foi refortificado e grandemente expandido através da construção de uma ampla muralha e de uma porta em algum momento durante o século IV. Durante esta época, os imperadores romanos consolidaram o seu controlo sobre a região através da construção de fortalezas e muralhas militares interconectadas. Os arqueólogos acreditam que este acampamento militar ampliado em Bellinzona abrigava cerca de 1000 soldados no seu apogeu.

Após [a queda do Império Romano do Ocidente](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-835/a-queda-do-imperio-romano-do-ocidente/) no século V, [os ostrogodos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-708/os-ostrogodos/) mudaram-se para a região, assumindo o controlo das antigas fortalezas romanas e dos passos alpinos. Os ostrogodos — e mais tarde os lombardos — reforçaram as estruturas mais antigas e derrotaram com sucesso os alamanos em 475 na Batalha de Campi Canini, situada perto da atual aldeia de Arbedo, a norte de Bellinzona. No século VI, os lombardos repeliram incursões periódicas dos [francos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13497/francos/) e dos alamanos e impuseram a sua soberania na região ao aliarem-se à poderosa elite eclesiástica em Milão e Roma. A fortaleza quase inexpugnável de Castelgrande e as muralhas romanas bem construídas revestiram-se de considerável importância para os reis lombardos, uma vez que lhes permitiram não só exercer o controlo político e militar sobre a região, como também controlar o fluxo de tráfego através dos Alpes.

[ ![Montebello Castle, Bellinzona](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/9390.jpg?v=1751904126) Castelo de Montebello, Bellinzona Clemensfranz (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/9390/montebello-castle-bellinzona/ "Montebello Castle, Bellinzona")As investigações arqueológicas demonstram que a transição do domínio lombardo para o carolíngio no Castelgrande não foi disruptiva. Embora existam vestígios de um incêndio por volta de 800, é provável que este não tenha sido causado por conflitos ou batalhas. Oto I o Grande abriu os passos de São Bernardo e de Lukmanier como parte das suas políticas imperiais em Itália, sendo Bellinzona mencionada pela primeira vez em documentos como distrito administrativo no século X. A Questão das Investiduras tornou Bellinzona e as respetivas fortalezas altamente cobiçadas tanto pelas fações dos Guelfos como dos Gibelinos. (O imperador Frederico I Barbarossa passou por Bellinzona várias vezes durante as suas viagens a Itália no século XII.) A Questão das Investiduras prolongou-se até ao século XIV sob a forma de uma série de conflitos políticos prolongados entre as elites locais e governantes transregionais.

Bellinzona foi assediada em 1284, 1292 e 1303, enquanto a família Rusca de Como combatia contra a família Visconti de Milão. É muito provável que a construção do Montebello tenha começado durante este período de guerras intestinas. Em 1335, os Rusca perderam o controlo da cidade italiana de Como e, em 1340, entregaram o Castelgrande aos Visconti. No entanto, os milaneses ficaram impressionados com a tenacidade dos Rusca, tendo sido permitido à família manter o controlo do pequeno Castelo de Montebello, situado numa colina a 90 metros de altitude acima de Bellinzona e à vista do Castelgrande.

### Os Castelos sob o Domínio Milanês

Bellinzona floresceu como cidade sob o domínio das dinastias Visconti e Sforza, que asseguraram os passos alpinos, mantiveram as leis aduaneiras e equilibraram as finanças e regulamentos estatais. O tráfego interalpino aumentou enormemente, enriquecendo a família ducal em Milão, bem como as regiões da Lombardia, do Ticino e os cantões suíços centrais de Uri, Obwalden e Schwyz. Apesar de um breve interlúdio de controlo suíço entre 1402 e 1422 por parte da nobre Casa de Sax (em italiano: *Sacco*) e dos cantões de Uri e Obwalden, na sequência da morte do duque Gian Galeazzo Visconti de Milão (reinado de 1395 a 1402), os milaneses retomaram a cidade e o controlo sobre os respetivos castelos após a Batalha de Arbedo em 1422. Não obstante, foi durante esta ocupação suíça no século XV que se iniciou a construção de um terceiro castelo — o Sasso Corbaro. Este castelo localiza-se numa encosta a leste de Bellinzona, com vistas tanto para o castelo de Castelgrande como para o de Montebello. Quando os milaneses retomaram o controlo de Bellinzona, concluíram a construção deste castelo em apenas seis meses.

[ ![Sasso Corbaro Castle, Bellinzona](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/9391.jpg?v=1599113704) Castelo de Sasso Corbaro, Bellinzona Kurt Zwahlen (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/9391/sasso-corbaro-castle-bellinzona/ "Sasso Corbaro Castle, Bellinzona")Os milaneses reforçaram regularmente os castelos de Castelgrande e Montebello ao longo do século XV. Também reconstruíram a Murata — as muralhas localizadas no lado oeste do Castelgrande —, para além de reforçarem as muralhas da cidade. Embora os suíços tenham tentado tomar novamente Bellinzona e o Ticino em 1449 (Batalha de Castione), 1478 (Batalha de Giornico) e 1487 (Batalha de Crevola), não o conseguiram devido à engenharia superior e à proeza militar dos milaneses. O design e a silhueta atuais dos castelos refletem a indelével marca milanesa em Bellinzona.

### Os Suíços em Bellinzona e os Tempos Modernos

As Guerras Italianas (1494–1559) envolveram tanto o Ducado de Milão como a Confederação Suíça. O rei Luís XII de França (reinado de 1498–1515) reivindicou o ducado de Milão por ser neto de Valentina Visconti, tomando a cidade e todo o ducado pela força das armas em 1499. Embora inicialmente tenha prometido à Confederação Suíça a cidade e os castelos de Bellinzona como concessão em troca dos serviços prestados pelos mercenários suíços no exército francês, Luís XII não cumpriu a palavra e as forças francesas ocuparam os castelos no inverno de 1499–1500. Em 1500, os cidadãos de Bellinzona solicitaram ajuda aos cantões suíços de Uri, Schwyz e Nidwalden para se livrassem dos odiados franceses. O seu apelo foi atendido e os suíços expulsaram o exército francês de Bellinzona. Tratados sucessivos entre os franceses e a Confederação Suíça em 1503 e 1516 reconheceram as reivindicações suíças sobre Bellinzona e o Ticino, tendo a cidade e os seus castelos permanecido sob controlo suíço há mais de 500 anos.

A Confederação Suíça adotou uma política de estrita neutralidade após a sua derrota devastadora frente aos franceses na Batalha de Marignano em 1515, e, ao longo dos séculos seguintes, os castelos de Bellinzona perderam gradualmente a sua importância estratégica. Uma grave inundação do rio Ticino em 1515 — a *Buzza di Biasca* — destruiu parte da muralha (*Murata*) do Castelgrande, mas esta foi rapidamente reparada. Cada um dos três castelos foi ocupado pelos três cantões suíços vitoriosos, que mantiveram guarnições de aproximadamente 80 homens em cada castelo. A em dos meados do século XIX, os três castelos encontravam-se em estado de degradação, e o Cantão do Ticino tentou vender o Castelgrande em 1881. A primeira de uma série de restaurações contínuas teve início logo após 1900, com esforços intensivos entre 1920 e 1955. Os trabalhos arqueológicos e de restauro continuam nos castelos até aos dias de hoje.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Bellinzone (commune) -- Dictionnaire historique de la Suisse](http://www.hls-dhs-dss.ch/textes/f/F2031.php "Bellinzone (commune) -- Dictionnaire historique de la Suisse"), accessed 29 Oct 2018.
- [Edward Mallett, Michael. *Mercenaries and their masters;.* Rowman and Littlefield, 1974.](https://www.worldhistory.org/books/0874714478/)
- [Expéditions au sud des Alpes -- Dictionnaire historique de la Suisse](http://www.hls-dhs-dss.ch/textes/f/F24649.php "Expéditions au sud des Alpes -- Dictionnaire historique de la Suisse"), accessed 9 Jul 2020.
- Meyer, Werner and Patricia Cavadini-Bielander. *The Castles of Bellinzona.* Tipographia Torriani SA, Bellinzona, 2010
- [Shores, Louis Robert H. Blackburn, Sir Frank Frnacis William D. Halsey. *Collier's Encyclopedia with Bibliography and Index.* 1968, 38.](https://www.worldhistory.org/books/B00VKPJX6G/)
- [Three Castles, Defensive Wall and Ramparts of the Market-Town of Bellinzona -- UNESCO](https://whc.unesco.org/en/list/884 "Three Castles, Defensive Wall and Ramparts of the Market-Town of Bellinzona -- UNESCO"), accessed 19 Mar 2020.

## Sobre o Autor

James Blake Wiener tem um interesse particular em intercâmbios interculturais e em história mundial. Ele é cofundador da World History Encyclopedia e anteriormente era o Diretor de Comunicações.
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### APA
Wiener, J. B. (2026, August 03). Castelos de Bellinzona. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17509/castelos-de-bellinzona/>
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Wiener, James Blake. "Castelos de Bellinzona." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 03, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17509/castelos-de-bellinzona/>.
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Wiener, James Blake. "Castelos de Bellinzona." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 03 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17509/castelos-de-bellinzona/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 03 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

