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title: Reino de Sabá
author: Joshua J. Mark
translator: Raimundo Raffaelli-Filho
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16824/reino-de-saba/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-30
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# Reino de Sabá

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Raimundo Raffaelli-Filho](https://www.worldhistory.org/user/raffaelli-filho)_

Sabá (também grafado como Sheba) foi um reino no sul da Arábia (região do atual Iêmen) que floresceu entre o século VIII a.C. e 275 d.C., quando foi conquistado pelos vizinhos himiaritas (da região sudoeste da Península Arábica). Embora essas sejam as datas mais aceitas, vários estudiosos defendem cronologias mais longas ou mais curtas, com a data mais recuada situada por volta de 1200 a.C.; no entanto, a maioria concorda com o término por volta de 275 d.C.

Na atualidade, o reino é provavelmente mais conhecido pela narrativa bíblica — presente em 1 Reis 10:1-13 e 2 Crônicas 9:1-12 — sobre a visita da [Rainha de Sabá](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16875/rainha-de-saba/) ao Rei [Salomão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/); uma história também contada, embora com diferenças significativas, no *Targum Sheni* (em aramaico), no [Alcorão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-732/alcorao/) (Surata 27, também grafado como Sura) e na obra etíope *Kebra Negast* (embora esta última situe Sabá na Etiópia africana, e não no sul da Arábia). A Rainha de Sabá também é mencionada nos livros do [Novo Testamento](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11401/novo-testamento/) cristão de Mateus (12:42) e Lucas (11:31), e Sabá aparece em outros livros do [Antigo Testamento](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16435/antigo-testamento/) (entre eles, Jó 1:13-15, Isaías 45:14 e Joel 3:4-8) e no Alcorão (Surata 34).

No auge de sua existência, porém, Sabá era conhecido como um reino próspero que enriqueceu por meio do comércio ao longo das Rotas do Incenso, entre o sul da Arábia e o porto de Gaza, no Mar Mediterrâneo. A maioria das referências bíblicas e alcorânicas — incluindo a história da famosa rainha — alude à riqueza e ao sucesso comercial de Sabá.

Antes do século VIII a.C., o comércio na região parece ter sido controlado pelos mineus do reino de Ma'in, mas, por volta de 950 a.C., os sabeus passaram a dominar a área e a tributar as mercadorias que seguiam para o norte, provenientes de seus vizinhos do sul: Hadramaut, Catabã (ou Quataban) e o porto de Qani. O comércio sabeu sofreu um declínio durante a [Dinastia Ptolomaica](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15258/dinastia-ptolomaica/) do Egito (323-30 a.C.), quando os ptolomeus incentivaram as rotas marítimas em detrimento do transporte terrestre; o prestígio de Sabá diminuiu até que o reino fosse conquistado pelos vizinhos himiaritas.

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### A Rainha de Sabá

Identificada como Sabá, essa é a terra da rainha que viajou a [Jerusalém](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-194/jerusalem/) para conhecer pessoalmente a sabedoria do Rei Salomão (cerca de 965-931 a.C.), de Israel. Na narrativa bíblica, ela lhe ofereceu 120 talentos de ouro (aproximadamente US$ 3.600.000,00), entre outros presentes (1 Reis 10:10). Os presentes suntuosos da rainha condiziam com a riqueza da monarquia sabeia — que era lendária —, mas não existem evidências, além da [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) e das obras posteriores mencionadas, de que ela tenha realmente existido.

A história presente no *Targum Sheni* — tradução aramaica do Livro de Ester, acompanhada de comentários — é uma versão bastante ornamentada de sua visita; essa versão, com algumas variações, repete-se no Alcorão, cuja redação é considerada posterior. A história reaparece então na obra etíope *Kebra Negast* ("A Glória dos Reis"), que acrescenta o detalhe de Salomão seduzir a rainha; ela dá à luz um filho (Menelique, também denominado Bayna-Lekhem) que, mais tarde, transportaria a [Arca da Aliança](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15237/arca-da-alianca/) de Jerusalém para a Etiópia.

A associação da Rainha de Sabá ao Reino de Sabá levou alguns a concluir que ela seria uma rainha etíope da África Central, visto que existia uma Sabá na África que parecia estar linguística — ou, ao menos, culturalmente — ligada ao reino da Arábia. Não é possível afirmar com certeza se isso é verdade ou não, mas é muito provável que, caso tal rainha tenha existido por volta de 970-931 a.C., ela fosse originária da região do sul da Arábia, que na época prosperava graças ao controle das Rotas do Incenso.

### As Rotas do Incenso e Sabá

As Rotas do Incenso (também conhecidas como Rotas das Especiarias) eram os caminhos percorridos por comerciantes desde o sul da Arábia até o porto de Gaza, no Mediterrâneo. Essas rotas comerciais atingiram seu auge de lucratividade entre os séculos VIII/VII a.C. e o século II d.C., embora tenham sido estabelecidas em época anterior e continuado em uso posteriormente. As Rotas do Incenso estendiam-se por cerca de 2000 km e o trajeto levava 65 dias para ser completado. As caravanas paravam em uma cidade diferente ao final de cada dia para trocar mercadorias e permitir o descanso dos camelos, retomando a viagem na manhã seguinte.

Embora muitas mercadorias transitassem por essas rotas, as mais valiosas eram as cargas de incenso e mirra. A região costeira do sul da Arábia produzia essas substâncias aromáticas a partir da seiva de árvores, mas também parecia ter acesso a outros produtos provenientes da Índia por meio do porto de Qani (também grafado como Qana e Qade; atual Bi'r `Ali, no leste do Iêmen). As mercadorias eram transportadas dos reinos costeiros em direção ao norte, até Ma'in, e de lá seguiam para Gaza.

[ ![Shivta](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/8218.jpg?v=1765562464) Shivta Eliot (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/8218/shivta/ "Shivta")Os comerciantes mais bem-sucedidos nessas rotas eram os nabateus (hoje mais conhecidos por sua capital, Petra, na Jordânia), que conseguiram superar seus concorrentes graças ao controle dos recursos hídricos. Os nabateus escavavam poços que se enchiam com água da chuva e, em seguida, camuflavam-nos de modo que apenas os integrantes de suas caravanas pudessem reconhecê-los e utilizá-los. Isso lhes permitia viajar com mais rapidez e a custos mais baixos, uma vez que não precisavam parar em cidades ou vilarejos para negociar o acesso à água. Com o tempo, os nabateus acumularam tanta riqueza que passaram a controlar cidades importantes ao longo das rotas, como Avdat, Haluza, Mamshit e Shivta — todas as quais se tornaram centros comerciais prósperos por mérito próprio.

Os nabateus e outros povos que lucravam com essas rotas não teriam conseguido fazê-lo sem um centro de distribuição; inicialmente, esse papel parece ter sido desempenhado pelo Reino de Ma'in, a partir do qual os mineus controlavam o comércio de incenso. Os sabeus de Sabá já habitavam a mesma região que Ma'in naquela época e muito provavelmente participavam do comércio, mas o Reino de Sabá só passou a dominar essa atividade por volta de 950 a.C., consolidando seu controle efetivo apenas no século VIII a.C.

### A Ascensão de Sabá

Os sabeus substituíram os mineus na organização do comércio e rapidamente se tornaram o reino mais rico do sul da Arábia. Mercadorias eram enviadas de Sabá para a Babilônia e Uruk, na [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/); para Mênfis, no Egito, e para Biblos, [Sídon](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-501/sidon/) e [Tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/), no [Levante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-178/levante/) — e, a partir do porto de Gaza, seguiam para destinos ainda mais distantes. Na época do reinado do rei assírio [Sargão II](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-505/sargao-ii/) (722-705 a.C.), suas rotas comerciais dependiam de permissão real para operar no reino assírio e estender-se por suas terras. Os egípcios já comerciavam com a terra de Punt (atual estado de Puntlândia, na Somália) desde a 5ª Dinastia (cerca de 2498-2345 a.C.), bem como com a Núbia, sua vizinha ao sul, mas haviam iniciado também o comércio com o sul da Arábia. O ouro da Núbia seguia para o norte, até a capital egípcia de Mênfis, e depois viajava por terra em direção leste e sul, até Sabá.

Os reis sabeus (conhecidos como *mukarribs*) ascenderam ao poder e encomendaram grandes obras arquitetônicas a partir de sua capital em Ma'rib (atual Saná, no Iêmen). O mais famoso desses projetos é a Represa de Ma'rib — a mais antiga represa conhecida no mundo —, que bloqueava o desfiladeiro de Dhana (o Wadi Adanah). O desfiladeiro montanhoso inundava durante a estação chuvosa e a represa foi construída para controlar e desviar a água para as terras agrícolas situadas nas áreas mais baixas do vale.

[ ![Ma'rib Dam](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/8219.jpg?v=1765562468) Barragem de Ma'rib Dan (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/8219/marib-dam/ "Ma'rib Dam")A irrigação dessas terras agrícolas foi tão bem-sucedida que Sabá era frequentemente descrita como uma "terra verde" por historiadores antigos, como [Plínio, o Velho](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12850/plinio-o-velho/) (cerca de 23-79 d.C.), que chamava a região de *Arabia Eudaemon* ("Arábia Afortunada") — termo posteriormente utilizado pelos romanos como *Arabia Felix*. A represa, considerada uma das maiores proezas de engenharia do mundo antigo, foi construída durante o reinado do *mukarrib* sabeu Yatha' Amar Watta I (cerca de 760-740 a.C.).

A economia dependia do comércio das Rotas do Incenso, mas também da agricultura. A Represa de Ma'rib proporcionava irrigação tão abundante aos campos que as colheitas eram fartas e realizadas duas vezes ao ano. Entre as culturas cultivadas estavam tâmaras, cevada, uvas, milho-miúdo, trigo e frutas variadas. Produzia-se vinho a partir das uvas, o qual era tanto exportado quanto consumido localmente. A cultura mais importante, contudo, era a das árvores cuja seiva fornecia as substâncias aromáticas — incenso e mirra — que tornaram o reino tão próspero. O historiador Estrabão (século I d.C.) relata:

> Graças ao comércio desses aromáticos, tanto os sabeus quanto os gerraenos (da cidade de Gerrha, na costa ocidental do Golfo Pérsico) tornaram-se as mais ricas de todas as tribos e possuem grande quantidade de objetos trabalhados em ouro e prata — como leitos, tripés, bacias e recipientes para beber —, aos quais se deve acrescentar a suntuosidade de suas casas; pois as portas, paredes e telhados são adornados com incrustações de marfim, ouro, prata e pedras preciosas.
> (*Geografia*, XVI.4)

Embora Estrabão tenha escrito muito mais tarde, Sabá parece ter desfrutado de elevado nível de prosperidade, pelo menos desde o século VII a.C., se não antes. Grandes cidades surgiram na paisagem e templos de pedra foram erguidos tanto dentro quanto fora de suas muralhas. Os templos situados fora das cidades eram utilizados por comerciantes e tribos nômades, enquanto aqueles localizados dentro das muralhas eram reservados exclusivamente aos cidadãos da respectiva cidade. O rei também parece ter exercido a função de sumo sacerdote, presidindo festivais religiosos e supervisionando as atividades do templo.

### Religião Sabeia

A religião daquele povo era, em muitos aspectos, semelhante à da Mesopotâmia. Acreditava-se que os deuses haviam criado o mundo e a humanidade, concedendo-lhes todas as dádivas. Almakah, o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) lunar sabeu, era o rei dos deuses e assemelhava-se, em muitos pontos, ao deus lunar mesopotâmico Nanna (também conhecido como Sin, Nannar ou Nanna-Suen), uma das divindades mais antigas do [panteão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11201/panteao/) mesopotâmico. No reino vizinho de Hadramaut, aliás, Almakah era conhecido pelo nome mesopotâmico Sin. O maior templo de Sabá — conhecido como Mahram Bilqis, próximo à capital Ma'rib — era dedicado a Almakah e permaneceu sendo reverenciado como local sagrado na região muito depois de o próprio Reino de Sabá ter deixado de existir.

A consorte (ou filha) de Almakah era Shamsh, a deusa do Sol, que compartilhava muitos atributos com o deus solar mesopotâmico Utu-Shamash — outro dos deuses mais antigos do panteão mesopotâmico, cuja origem remonta a cerca de 3500 a.C. Outras divindades do panteão sabeu, sobre as quais se sabe muito pouco, parecem ser aspectos de Almakah e Shamsh ou apenas de Almakah. Assim como ocorria em outras partes do mundo antigo, cada uma dessas divindades sabeias possuía sua própria esfera de atuação; os suplicantes lhes ofereciam itens como incenso, gado e extensões de terra. É possível que, tal como no Egito, essa prática tenha resultado na formação de uma classe sacerdotal muito rica.

[ ![Mahram Bilqis](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/8220.jpg?v=1765562471) O Mahram de Bilqis Dan (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/8220/mahram-bilqis/ "Mahram Bilqis")Não se sabe exatamente como os sacerdotes exerciam suas funções ou se de fato existia uma classe sacerdotal organizada, embora se presuma que sim. Caso existisse, é muito provável que seguisse o modelo observado na Mesopotâmia e no Egito, no qual sacerdotes e sacerdotisas cuidavam dos deuses em seus templos, servindo às divindades e não à população. Assim como em outras civilizações, os sabeus acreditavam que os deuses eram seus companheiros constantes, tanto durante a vida quanto no mundo que viria após a morte.

As pessoas, portanto, cultivavam relação pessoal com seus deuses e, muito provavelmente, participavam de cultos públicos apenas durante as festividades. O povo acreditava na adivinhação e que os deuses e, talvez, os espíritos dos mortos podiam enviar mensagens aos vivos. Os mortos eram embalsamados e enterrados com objetos funerários após serem ungidos com mirra e queimava-se incenso nos templos; no entanto, além disso, pouco se sabe sobre as práticas religiosas dos sabeus.

Embora os sabeus fossem alfabetizados, deixaram pouquíssimos registros de história [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/). O estudioso Kenneth A. Kitchen comenta:

> Assim que os reis de Sabá, Ma'in e outras regiões começaram a construir obras arquitetônicas monumentais — principalmente templos de pedra —, logo passaram a adorná-las com textos de proporções igualmente monumentais, frequentemente gravados em caracteres grandes do sul da Arábia Antiga. Contudo (ao contrário do Egito e da [Assíria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-149/assiria/)), é interessante notar que cenas e relevos desempenharam papel muito reduzido e parecem ter desaparecido após o início do século VIII a.C., restando apenas os textos.
> (Millard, 182)

Esses textos, porém, consistem em dedicatórias de templos, decretos reais e atos da corte; não constituem relatos históricos. Eles não esclarecem as práticas ou crenças religiosas, a vida e os feitos dos reis, o nascimento e as atividades dos deuses, a interação entre o divino e o mundo mortal ou qualquer aspecto da cultura, além das informações mais básicas. Se os textos fossem acompanhados de ilustrações em relevo, seu significado poderia ser mais bem compreendido, mas, como observa Kitchen, isso não ocorre. Eles delineiam, no entanto, os aspectos básicos dos reinados e as campanhas militares que expandiram a influência sabeia no final do século VI.

### Conquistas Militares e Diplomacia

Houve 31 *makarribs* entre o reinado de Yatha' Amar Watta I e aquele considerado o maior dos monarcas sabeus, Karib'il Watar (séculos VII/VI a.C.). Karib'il Watar foi o primeiro governante a reinar sob o título de *Malik* (traduzido como "rei") em vez da designação anterior de *makarrib*; os reis subsequentes de Sabá continuariam essa prática.

O *Malik* Karib'il Watar recebeu a alcunha de "Aquele que Destrói Edifícios" durante suas campanhas militares contra o Reino de Awsan e também ficou conhecido como "Aquele que Executa a Vontade de El" após o massacre de tribos nômades e o estabelecimento das fronteiras de Sabá. O "El" nesta última alcunha refere-se ao deus Almakah. Seguindo a vontade divina de Almakah, o *Malik* Karib'il Watar massacrou milhares de pessoas em Awsan e, em seguida, invadiu Ma'in, onde matou um número equivalente de mineus e lhes impôs tributo que enriqueceu ainda mais o grande templo do deus, localizado perto de sua capital.

Se é verdade que o rei de Sabá também era o sumo sacerdote do deus, então essa ação teria tornado o Malik Karib'il Watar incrivelmente rico. Independentemente de como o rei lucrou pessoalmente, não há dúvida de que o Reino de Sabá se beneficiou enormemente dessas guerras; o reino é frequentemente citado por sua riqueza opulenta. Caravanas provenientes do sul de Qataban e de Hadramaut, que precisavam parar em Sabá a caminho do norte, eram obrigadas a pagar imposto exorbitante sobre suas mercadorias a Almakah, fato comprovado por queixas desses comerciantes que foram preservadas.

### Declínio & Queda

Sabá continuou a prosperar até que a Dinastia Ptolomaica do Egito passou a privilegiar as rotas comerciais marítimas em detrimento das terrestres. As viagens marítimas e fluviais não eram novidade; na verdade, eram preferidas pelas civilizações antigas, pois permitiam deslocamentos mais rápidos do que por terra. O comércio ao longo do [Nilo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-78/nilo/) e pelo Mar Vermelho já existia há milênios e manteve-se ativo durante o auge das Rotas do Incenso. O fator que mudou repentinamente a situação de Sabá foi a decisão do Egito de eliminar os intermediários e negociar diretamente com a cidade costeira de Qani.

Em vez de as mercadorias entrarem e saírem do Egito pela rota Alexandria-Gaza, uma embarcação egípcia podia agora navegar pelo Mar Vermelho, contornar a costa sul da Arábia — passando entre Punt, na África, e Qataban, na Arábia — e chegar a Qani para negociar diretamente com comerciantes do Extremo Oriente; Sabá tornou-se, assim, desnecessária. Durante o reinado de [Ptolomeu II Filadelfo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21841/ptolomeu-ii-filadelfo/) (285–246 a.C.), foram fundadas colônias egípcias na costa ocidental do Mar Vermelho; elas podiam negociar facilmente com Qataban, Hadramaut e Qani, na costa sul da Arábia, sem precisar lidar com os reinos do interior. Sabá entrou em declínio juntamente com as Rotas do Incenso que haviam gerado sua riqueza.

[ ![Hellenistic Trade Routes, 300 BCE](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/67.jpg?v=1782966557) Rotas Comerciais Helenísticas, 300 a.C. Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/67/hellenistic-trade-routes-300-bce/ "Hellenistic Trade Routes, 300 BCE")No entanto, o fim de Sabá não se deu por declínio econômico, mas por conquista militar. Os himiaritas, originários da região de Raidan, na Península Arábica, começaram a ganhar poder — talvez por meio do comércio — por volta de 200 d.C. e conquistaram seus vizinhos de Qataban. Após consolidarem seu domínio, voltaram-se contra Sabá, que caiu por volta de 275 d.C., e em seguida conquistaram Hadramaut, por volta de 300 d.C. Os monarcas himiaritas adotaram o título de "Rei de Sabá e de Raidan", rejeitaram o politeísmo e abraçaram o judaísmo. À medida que missionários cristãos conquistavam mais adeptos na região, os reis himiaritas iniciaram uma política de perseguição, chegando possivelmente a massacrar milhares de cristãos. Por volta de 525 d.C., o reino cristão de Axum, na África, invadiu e conquistou os himiaritas, estabelecendo o [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/).

Por volta de 575 d.C., a barragem de Ma'rib rompeu-se e Sabá foi inundada. O Alcorão atribui a inundação a um ato de Deus (Surata 34:15-17), como punição pelo fato de os sabeus se recusarem a aceitar as dádivas divinas. Tal punição foi severa e resultou no abandono de vilas e cidades, uma vez que a população foi forçada a deixar a região ou enfrentar a fome. Uma explicação mais racional para a falha da represa é, simplesmente, a sua idade e a falta de manutenção, embora lendas seculares afirmem que o colapso ocorreu porque ratos roeram e enfraqueceram as estruturas de sustentação da barragem.

O reino de Sabá já havia deixado de existir muito antes da falha da represa, mas a inundação garantiu que qualquer registro histórico coerente daquela cultura fosse apagado para as gerações futuras. A invasão árabe do século VII, que estabeleceu o Islã, obscureceu ainda mais a história dos sabeus, a qual só começou a despertar o interesse de estudiosos e arqueólogos no século XIX. No auge de sua existência, contudo, Sabá foi um dos maiores reinos da Antiguidade e governou uma terra que, para muitos, era considerada abençoada pelos deuses.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

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- [Van De Mieroop, M. *A History of Ancient Egypt.* Wiley-Blackwell, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1405160713/)
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- [Wallis Budge, E. A. *Kebra Nagast.* Jazzybee Verlag, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/3849685713/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 950 BCE - 275 CE**: The [Kingdom of Saba](https://www.worldhistory.org/Kingdom_of_Saba/) flourishes in southern [Arabia](https://www.worldhistory.org/Arabia/).
- **c. 760 BCE - c. 740 BCE**: Reign of the Mukarrib Yatha' Amar Watta; Ma'rib dam built in Saba.
- **c. 600 BCE - c. 500 BCE**: Approximate period of the reign of the great Sabean king Karib'il Wattar who expands Saba's territory and enriches royal treasury.
- **285 BCE - 246 BCE**: Reign of [Egyptian](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Egyptian/) [pharaoh](https://www.worldhistory.org/pharaoh/) [Ptolemy II Philadelphus](https://www.worldhistory.org/Ptolemy_II_Philadelphus/) who favors sea routes for [trade](https://www.worldhistory.org/disambiguation/trade/) over land routes; Saba begins to decline.
- **275 CE**: Saba is conquered by the Himyarites.

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, July 30). Reino de Sabá. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16824/reino-de-saba/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Reino de Sabá." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. *World History Encyclopedia*, July 30, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16824/reino-de-saba/>.
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Mark, Joshua J.. "Reino de Sabá." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. *World History Encyclopedia*, 30 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16824/reino-de-saba/>.

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Enviado por [Raimundo Raffaelli-Filho](https://www.worldhistory.org/user/raffaelli-filho/ "User Page: Raimundo Raffaelli-Filho"), publicado em 30 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

