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title: Miguel Pselo
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16591/miguel-pselo/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-03
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# Miguel Pselo

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Miguel Pselo (1018 – cerca de 1082) foi um historiador, escritor e intelectual bizantino de exceção. Pselo serviu como cortesão e conselheiro de diversos imperadores de [Bizâncio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11367/bizancio/), tendo sido, inclusivamente, tutor de Miguel VII. Com uma produção literária situada entre 1042 e 1078, os seus textos amalgamam teologia, [filosofia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-340/filosofia/) e psicologia, destacando-se a sua obra mais célebre, a *Cronografia*. Esta série de biografias de imperadores e imperatrizes constitui-se como uma fonte inestimável para o estudo do [Império Bizantino](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-953/imperio-bizantino/) no século XI.

### **A Vida e a Obra**

Nascido em [Constantinopla](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-700/constantinopla/) em 1018, e batizado com o nome de Constantino pelos pais aristocratas, Miguel viria a mudar o seu nome mais tarde, ao ingressar num mosteiro a meio da sua carreira. Antes desta decisão, confirmou com sucesso o seu precoce talento como prodígio infantil sob a tutela de João Mauropous (futuro bispo), ascendeu do posto relativamente humilde de escrivão judicial e desfrutou de uma carreira brilhante na administração imperial em Constantinopla, a capital do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Bizantino. Um dos intelectuais da corte — e eram muitos na época — Miguel foi um escritor influente que conjugou tanto a filosofia como a teologia nas suas cartas e livros, os quais abrangiam também uma vasta gama de outros temas, da retórica ao direito, da medicina à história. Analisou as motivações psicológicas das amizades e do exercício do poder, enfatizou a importância da natureza (*physis*) nos assuntos humanos e reavivou o interesse pelo Neoplatonismo. Foi membro da vibrante cena intelectual de Constantinopla durante décadas e contou com os patriarcas da cidade, João VIII Xifilino e Constantino Leichoudes, entre os seus amigos.

Miguel, embora a sua longa presença na corte o tenha tornado o conselheiro ideal para muitos imperadores de reinados curtos, ao longo da sua vida nem sempre foi o favorito em todas as cortes. Houve um desentendimento com o imperador Constantino IX (reinou 1042-1055) que levou Miguel a tornar-se monge num mosteiro no Monte Olimpo. Contudo, em 1045, deu-se uma reconciliação e Constantino nomeou Miguel reitor da refundada Universidade de Constantinopla. Ao erudito foi atribuído o impressionante título de *hypatos ton philosophon*, ou [Cônsul](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-375/consul/) dos Filósofos. Na universidade, dedicou-se particularmente à Retórica. Escreveu extensivamente sobre uma impressionante variedade de temas, tendo publicado, por exemplo, as cartas, uma topografia da [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/) antiga, um resumo da *Ilíada* de [Homero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-225/homero/), um tratado sobre [alquimia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22185/alquimia/), sete elogios fúnebres, inúmeros poemas e uma lista abrangente de doenças. Miguel morreu por volta de 1082, embora alguns estudiosos prefiram uma data posterior, em 1096.

### ***Chronographia***

A obra mais famosa de Miguel Pselo é a *Chronographia* ("Cronografia", título original em grego medieval Χρονογραφία), que abrange a história do Império Bizantino de 976 a 1078. Tudo indica que a sua passagem pela corte foi mera preparação para a sua verdadeira vocação ou, como afirma o historiador E. R. A. Sewter na introdução à sua tradução da obra, em grego medieval, *Chronographia* para inglês "os triunfos invulgares de uma carreira política são superados pelo seu brilhantismo como académico" (pág. 14).

As descrições vívidas de Miguel sobre os imperadores bizantinos analisam o que poderá ter levado ao declínio dramático do império após o reinado de Basílio II (976-1025). Enquanto conselheiro de vários imperadores e, sucessivamente, tutor e principal ministro de Miguel VII (reinou 1071-1078), Miguel conseguiu recorrer à experiência pessoal e ao seu acesso privilegiado à corte imperial para oferecer uma perspetiva única sobre a política bizantina. A influência do historiador na corte é ilustrada pela forma como persuadiu Constantino X (reinou 1059-1067) a nomear o anteriormente desfavorecido João VIII Xifilino como patriarca em 1064. Na verdade, Miguel tinha contribuído para a ascensão de Constantino ao trono. Talvez por esta razão, a obra seja frequentemente de cariz pessoal, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) na primeira pessoa e expressando abertamente as opiniões do autor. Contudo, convém também recordar que Miguel, além de ser um académico notável, era também «oportunista, vaidoso, santarrão e pouco fiável» (Norwich, pág. 230), como se torna óbvio em muitas passagens de elogio exagerado nas suas biografias; por conseguinte, a sua narrativa histórica raramente é totalmente objetiva.

A *Chronographia* carece de uma perspetiva militar e de uma visão mais abrangente dos assuntos internacionais, focando-se, em vez disso, nas políticas internas e na personalidade dos governantes, bem como na forma como estas poderão ter afetado as suas decisões, sucessos ou fracassos. Nota-se, por vezes, uma omissão curiosa de nomes e uma seleção de factos bem definida. Miguel era também membro da aristocracia dominante, ainda que do seu ramo intelectual, e a *Chronographia* não apresenta qualquer debate sobre a condição e o papel do campesinato no seio do Estado bizantino. Ainda assim, estas omissões não são exclusivas dos escritores do seu tempo e a obra, no seu conjunto, é uma das mais importantes sobre a história bizantina que nos chegou às mãos. Além disso, o próprio Miguel afirma, numa carta privada, que o trabalho não pretende ser uma história exaustiva nem apresentar a verdade total:

> Como referi, não estou a tentar, de momento, investigar as circunstâncias específicas de cada acontecimento. O meu objetivo é, antes, seguir um caminho intermédio entre aqueles que registaram os feitos imperiais da [Roma Antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-68/roma-antiga/), por um lado, e os nossos cronistas modernos, por outro. Não aspirei à prolixidade dos primeiros, nem procurei imitar a extrema brevidade dos segundos.
> (pág. 16)

A *Chronographia* abrange os seguintes 14 governantes bizantinos (todas as citações pertencem à tradução para o inglês de E. R. A. Sewter):

**Basílio II (reinou 976-1025)**

> O carácter de Basílio era dual, pois ele adaptava-se prontamente tanto às crises da guerra como à calma da paz. Na verdade, a dizer a verdade, era mais um vilão em tempos de guerra e mais um imperador em tempos de paz. Controlava os acessos de fúria e, como o proverbial «fogo que dorme», mantinha a raiva oculta no coração; mas, se as suas ordens fossem desobedecidas na guerra, ao regressar ao palácio, ateava a sua ira e revelava-a. Terrível era, então, a vingança que exercia sobre o prevaricador.
> (págs. 47-8)

[ ![Coin of Basil II](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7573.jpg?v=1738391826) Moeda de Basílio II PHGCOM (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/7573/coin-of-basil-ii/ "Coin of Basil II")**Constantino VIII (reinou 1025-1028)**

> Uma pessoa de carácter assumidamente efeminado, com um único objetivo na vida: divertir-se ao máximo. Uma vez que herdou um tesouro repleto de dinheiro, pôde seguir a sua inclinação natural, e o novo governante dedicou-se a uma vida de luxo.
> (pág. 53)

**Romanos III (reinou 1028-1034)**

> Possuía uma oratória graciosa e uma dicção majestosa. Homem de estatura heroica, parecia um rei em todos os aspetos. A ideia que tinha sobre a amplitude do seu próprio conhecimento era vastamente exagerada mas, desejando moldar o seu reinado pelos dos grandes Antoninos do passado — o famoso filósofo Marcos \[Aurélio\] e [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) —, prestou atenção particularmente a duas coisas: ao estudo das letras e à [ciência](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-351/ciencia/) da guerra. Da última era completamente ignorante e, quanto às letras, a sua experiência estava longe de ser profunda.
> (págs. 63-4)

**Miguel IV (reinou 1034-1041)**

> Tenho consciência de que muitos cronistas da sua vida darão, com toda a probabilidade, um relato diferente do meu, pois no seu tempo prevaleceram opiniões falsas. No entanto, eu participei nestes eventos e, além disso, obtive informações de natureza mais confidencial de homens que eram seus amigos íntimos... Pela minha parte, quando examino os seus feitos e comparo os sucessos com os fracassos, considero que os primeiros foram mais numerosos.
> (págs. 109 e 118)

**Miguel V (reinou 1041-1042)**

> Uma segunda peculiaridade era a contradição no homem entre o coração e a língua — ele pensava uma coisa e dizia algo completamente diferente. Frequentemente, as pessoas provocavam-lhe fúria e, no entanto, eram recebidas com uma amabilidade invulgar quando se dirigiam a ele... Houve vários exemplos de homens que, na manhã seguinte, estavam destinados por ele a sofrer as mais horríveis torturas, sendo convidados a partilhar a sua mesa ao jantar, na noite anterior... O homem era escravo da sua raiva, instável, movido ao ódio e à ira por qualquer acontecimento fortuito.
> (págs. 125-6)

**Teodora (reinou 1042 e 1055-1056)**

> Sem o menor embaraço, assumiu os deveres de um homem e abandonou qualquer pretensão de agir através dos seus ministros. Ela própria nomeava os seus funcionários, administrava a justiça a partir do seu trono com a devida solenidade, exercia o seu voto nos tribunais, emitia decretos, por vezes por escrito, outras vezes de viva voz. Dava ordens, e os seus modos nem sempre mostravam consideração pelos sentimentos dos seus súbditos, pois era, por vezes, mais do que um pouco abrupta.
> (págs. 261-2)

**Zoe (reinou 1042)**

> Zoe era uma mulher de interesses apaixonados, preparada com igual entusiasmo para ambas as alternativas — refiro-me à morte ou à vida. Nisso, lembrava-me as ondas do mar, ora erguendo um navio nas alturas, ora mergulhando-o de novo nas profundezas.
> (pág. 157)

**Constantino IX (reinou 1042-1055)**

> No caso do imperador, o povo estava convencido de que algum poder sobrenatural lhe vaticinava o futuro: por causa disso, ele mostrara-se, mais do que uma vez, intrépido em tempos de calamidade. Daí, argumentavam, o seu desprezo pelo perigo e a sua total despreocupação.
> (pág. 204)

**Miguel VI (reinou 1056-1057)**

> No caso do idoso Miguel, a concessão de honrarias ultrapassou os limites da decência. Promovia indivíduos não para a posição imediatamente superior à que já ocupavam, mas elevava-os ao escalão seguinte e ao outro acima desse... A sua generosidade conduziu a um estado de caos absoluto.
> (págs. 275-6)

**Isaque (reinou 1057-1059)**

> Ao lidar com embaixadores, não seguia uma política definida, exceto o facto de conversar com eles sempre trajado com as mais magníficas vestes. Nessas ocasiões, vertia um fluxo de palavras mais abundante do que a subida do Nilo no Egito ou do Eufrates a galgar as margens da [Assíria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-149/assiria/). Fazia a paz com quem a desejava, mas com a ameaça de guerra caso transgredissem um único termo do seu tratado.
> (pág. 306)

**Constantino X (reinou 1059-1067)**

> Era um ávido estudante de literatura e um dos seus ditos favoritos era este: "Quem me dera ser mais conhecido como académico do que como imperador!"
> (pág. 344)

**Eudócia (reinou 1067)**

> Os seus pronunciamentos tinham o tom de autoridade que se associa a um imperador. E isto não era surpreendente, pois ela era, de facto, uma mulher extremamente inteligente. De cada lado tinha os seus dois filhos, ambos permanecendo quase imóveis no lugar, totalmente dominados pelo temor e pela reverência à sua mãe.
> (pág. 345)

**Romanos IV (reinou 1068-1071)**

> Com o seu habitual desprezo por todos os conselhos, fossem de natureza civil ou militar, partiu imediatamente com o seu exército e apressou-se para Cesareia. Tendo alcançado esse objetivo, sentiu relutância em avançar mais e tentou encontrar desculpas para regressar a Bizâncio.
> (pág. 354)

**Miguel VII (reinou 1071-1078) — uma biografia inacabada.**

> Devem os meus leitores, antes de mais, perdoar-me por não considerarem a minha versão do carácter e dos feitos deste homem como exagerada. Pelo contrário, dificilmente farei justiça a qualquer um deles. Ao escrever estas palavras, vejo-me dominado pelas mesmas emoções que sinto frequentemente na sua presença: o mesmo espanto me faz vibrar. Na verdade, é-me impossível não o admirar.
> (pág. 367)

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Gregory, T.E. *A History of Byzantium.* Wiley-Blackwell, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/140518471X/)
- [Herrin, J. *Byzantium.* Princeton University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0691143692/)
- [Mango, C. *The Oxford History of Byzantium.* Oxford University Press, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0198140983/)
- Michael Psellus (trans. E.R.A.Sewter). *Fourteen Byzantine Rulers.* Penguin Classics, 1979
- [Norwich, J.J. *A Short History of Byzantium.* Penguin, 1998.](https://www.worldhistory.org/books/B00PZTI1DO/)
- [Rosser, J. H. *Historical Dictionary of Byzantium.* Scarecrow Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0810839792/)
- [Shepard, J. *The Cambridge History of the Byzantine Empire c.500-1492.* Cambridge University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0521832314/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **1018 CE - c. 1082 CE**: Life of [Byzantine](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Byzantine/) minister, scholar, and historian [Michael Psellos](https://www.worldhistory.org/Michael_Psellos/).

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### APA
Cartwright, M. (2026, May 03). Miguel Pselo. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16591/miguel-pselo/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Miguel Pselo." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 03, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16591/miguel-pselo/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Miguel Pselo." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 03 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16591/miguel-pselo/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 03 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

