---
title: Miguel III
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-08
---

# Miguel III

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Miguel III, também conhecido pelos seus detratores como "Miguel, o Bêbado", foi imperador do [Império Bizantino](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-953/imperio-bizantino/) de 842 a 867. Nunca conseguindo libertar-se totalmente da sombra da mãe, Teodora, que governou como regente em seu nome até cerca de 855, ou do seu tio Bardas, o talentoso primeiro-ministro, o reinado de Miguel assistiu, ainda assim, a mudanças religiosas e políticas significativas e a um fortalecimento do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/), especialmente no Oriente. Foi assassinado e sucedido pelo próprio homem que tinha promovido na corte e, eventualmente, nomeado coimperador: Basílio I.

### Teodora como Regente

Miguel nasceu em 839, filho do Imperador Teófilo (reinou 829-842). Quando o idoso e popular governante morreu em 842, o poderoso eunuco da corte e primeiro-ministro Teoctisto e a mãe de Miguel, Teodora, governaram como regentes do novo imperador. Miguel tinha uma irmã mais velha, Tecla, e ambos os irmãos surgem no reverso das moedas de ouro cunhadas pela sua mãe.

Teodora, uma iconófila convicta durante muito tempo, apesar da política oposta do seu falecido marido, assegurou que a veneração de ícones fosse restaurada como ortodoxia cristã em março de 843. Foi uma ação que ficou conhecida como o "Triunfo da Ortodoxia" e pela qual foi, mais tarde, canonizada. Para jogar pelo seguro e garantir que não houvesse repercussões negativas para o filho, Teodora certificou-se de que Teófilo não fosse condenado pela Igreja como herege devido à sua política de destruição de ícones. Chegou até a espalhar o rumor de que ele se tinha arrependido dos seus pecados no leito de morte. Como esperado, o falecido imperador recebeu o perdão e evitou, assim, ser para sempre mencionado ao lado de heréticos infames nos serviços religiosos subsequentes. O grande momento de Teodora com a Igreja é comemorado num famoso ícone de [Constantinopla](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-700/constantinopla/), datado do início do século XV, que é, ele próprio, uma cópia de um exemplar mais antigo. Nele, a regente segura Miguel nos seus braços, enquanto é carinhosamente rodeada por padres e mártires.

[ ![Theodora & Michael III](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7628.jpg?v=1714697583) Teodora e Miguel III Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/7628/theodora--michael-iii/ "Theodora & Michael III")### Miguel e Bardas

Entre 855 e 856, Miguel derrubou os seus regentes, eliminando Teoctisto e exilando a mãe para um mosteiro, para finalmente reclamar o trono em nome próprio. Um dos motivos de discórdia entre Miguel e a mãe fora a insistência desta para que ele desposasse Eudócia Decapolitissa, quando ele já tinha uma amante, Eudócia Ingerina. No entanto, continuava a ser um membro da família a puxar os cordelinhos políticos na corte, desta vez o seu tio, o César Bardas, irmão de Teodora. Bardas não teve quaisquer escrúpulos em assassinar o seu cunhado Teoctisto para que o seu sobrinho, ainda adolescente, pudesse ser mais facilmente manipulado por si. Por fim, em 865, Miguel afastou também Bardas, mas, de qualquer modo, gozaria do seu trono por menos de dois anos adicionais.

### Eventos Importantes

Muitos dos eventos significativos do reinado de Miguel são creditados aos membros da família que governaram em seu nome. A veneração de ícones na Igreja Cristã foi restabelecida por Teoctisto e Teodora, como já referido. Bardas foi considerado responsável pela criação da famosa universidade na sala Magnaura do Palácio Real em Constantinopla, onde uma das faculdades era dirigida por Leão, o Matemático (e filósofo e inventor). O primeiro-ministro também organizou a missão de [São Cirilo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16547/sao-cirilo/) e do seu irmão Metódio à Morávia em 863, e o batismo do cã búlgaro Bóris I (reinou 852-889) em 864. Este último evento foi largamente conduzido sob coação, segundo os registos oficiais, tendo Bóris sido ameaçado com uma invasão caso não se curvasse perante a supremacia cristã bizantina e renunciasse ao paganismo no seu reino. Os bizantinos estavam, certamente, preocupados com a possibilidade de os búlgaros forjarem uma aliança poderosa com os [francos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13497/francos/), mas Bóris também poderá ter tido interesse em cortejar Constantinopla como aliado. Miguel III tornou-se padrinho de Bóris para conferir uma aparência de cordialidade ao acordo.

[ ![Desenvolvimento da Literacia Eslava e o Alfabeto Cirílico](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/18316-pt.png?v=1784034140-1785265201) Desenvolvimento da Literacia Eslava e o Alfabeto Cirílico Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-18316/desenvolvimento-da-literacia-eslava-e-o-alfabeto-c/ "Desenvolvimento da Literacia Eslava e o Alfabeto Cirílico")As vitórias militares e o reforço das fronteiras orientais do império, em particular, deveram-se também a generais experientes, e não a Miguel, se acreditarmos nos registos oficiais. Homens como Petronas, o *strategos* ou governador militar da região (*tema*) de Tracesiano do império, foram a verdadeira razão do sucesso. Petronas tinha servido sob o comando do pai de Miguel, Teófilo, era irmão de Teodora, e é verdade que muito fez para assegurar o êxito militar bizantino no estrangeiro. Em 856, Petronas liderou campanhas espetaculares na Mesopotâmia e na Capadócia, mas está registado que o próprio Miguel também participou em campanhas pessoalmente. Os bizantinos destruíram então o exército de Omar, emir de Melitene, na fronteira do norte da Mesopotâmia, em 863. As cidades de Ancira e Niceia, na [Ásia Menor](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-228/asia-menor/), foram reconstruídas como resultado destas novas conquistas. Independentemente de quem fosse o responsável, o Império Bizantino estava novamente em ascensão.

### A Morte

O jovem imperador parecia contentar-se com vinho, festas e bons companheiros em vez de governar — Inácio, o Bispo de Constantinopla, repreendeu publicamente a corte pela sua imoralidade em 858, mas foi demitido por causa disso. A decisão de Miguel de deixar a maior parte dos assuntos a cargo do tio Bardas foi provavelmente a melhor do seu reinado. De longe a pior decisão, porém, foi o seu erro de cálculo monumental ao promover um certo arménio grosseiro dentro da corte e, depois, instruí-lo a assassinar Bardas. Esta figura sombria, conhecida como Basílio, o Macedónio — por ter passado algum tempo com um grupo de prisioneiros daquela região —, era um talentoso lutador e cavaleiro de nascimento humilde. A vida de Basílio foi uma clássica história de ascensão social. Deixando a sua família camponesa, procurara a sua sorte na metrópole de Constantinopla e, certamente, encontrou-a.

[ ![Michael III Crowns Basil Co-emperor](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/7626.png?v=1700283726) Miguel III Coroa Basílio como Coimperador Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/7626/michael-iii-crowns-basil-co-emperor/ "Michael III Crowns Basil Co-emperor")As competências de Basílio com cavalos levaram a que ficasse encarregado das cavalariças imperiais — Miguel era um entusiasta das corridas de bigas — e, a partir daí, quando notado pelo imperador, foi feito guardião do quarto imperial (*parakoimomenos*). Na sua nova função, Basílio removeu, por quaisquer meios que considerasse adequados, os inimigos do imperador. A dupla também manteve uma relação complexa, mal definida e muito debatida com Eudócia Ingerina — Basílio chegou a casar-se com ela, mas isto pode ter sido um estratagema de Miguel para ter a sua amante por perto no palácio. Ainda mais extraordinário, em 866, Miguel nomeou Basílio coimperador numa cerimónia faustosa na Basílica de Santa Sofia. O assassino arménio revelar-se-ia, contudo, igualmente traiçoeiro para com o seu patrono, assassinando Miguel nos seus aposentos em 867 e reclamando o trono para si sob o título de Basílio I.

### O Legado

A alcunha de Miguel como "o Bêbado" derivou de cronistas da corte críticos, desejosos de agradar ao seu assassino e sucessor, Basílio I (reinou 867-886), fundador da dinastia macedónica, que reinaria durante 200 anos. As histórias podem ter sido exageradas, mas continham algum fundo de verdade, especialmente no que diz respeito aos últimos cinco anos do reinado de Miguel. O seu caso não é, de modo algum, único na história bizantina e o assassinato de alguém tão libertino e amante da boémia como Miguel, pelo menos nos registos oficiais, tornou-se não só inteiramente justificável, como absolutamente necessário para a estabilidade e a santidade da instituição imperial. Numa ironia final, e talvez numa doce vingança do além-túmulo, o sucessor de Basílio — talvez até o seu assassino — seria Leão VI (reinou 886-912), sobre quem circulavam rumores de que seria, na verdade, filho de Miguel III. É, talvez, significativo que um dos primeiros atos do novo imperador tenha sido exumar o corpo de Miguel III da sua sepultura anónima e depositá-lo num belo sarcófago de mármore na Igreja dos Santos Apóstolos.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Brownworth, L. *Lost to the West.* Broadway Books, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0307407969/)
- [Gregory, T.E. *A History of Byzantium.* Wiley-Blackwell, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0631235132/)
- [Herrin, J. *Byzantium.* Princeton University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0691143692/)
- [Mango, C. *The Oxford History of Byzantium.* Oxford University Press, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0198140983/)
- [Norwich, J.J. *A Short History of Byzantium by John Julius Norwich.* Vintage (December 29,1998), 2017.](https://www.worldhistory.org/books/B015X4M0KU/)
- [Rosser, J.H. *Historical Dictionary of Byzantium.* Scarecrow Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0810839792/)
- [Shephard, J. *The Cambridge History of the Byzantine Empire c.500-1492.* Cambridge University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0521832314/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **842 CE - 855 CE**: Theodora rules as regent for her son [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/), emperor of the [Byzantine empire](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Empire/).
- **842 CE - 867 CE**: Reign of [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/).
- **855 CE - 856 CE**: [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) removes his mother Theodora, the regent, and rules alone as emperor of the [Byzantine empire](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Empire/).
- **856 CE**: The armies of [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) win great victories in Cappadocia and [Mesopotamia](https://www.worldhistory.org/Mesopotamia/).
- **863 CE**: [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) sends [Saint Cyril](https://www.worldhistory.org/Saint_Cyril/) and Methodius on a mission to Moravia.
- **864 CE**: [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) presides over the baptism of Boris I, khan of the Bulgars.
- **865 CE**: [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) arranges for the chief minister Bardas to be assassinated by Basil the Macedonian.
- **866 CE**: [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) makes Basil the Macedonian co-emperor.
- **867 CE**: Basil the Macedonian murders [Byzantine emperor](https://www.worldhistory.org/Byzantine_Emperor/) [Michael III](https://www.worldhistory.org/Michael_III/) and declares himself Emperor [Basil I](https://www.worldhistory.org/Basil_I/).

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, August 08). Miguel III. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Miguel III." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 08, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Miguel III." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 08 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 08 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

