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title: Imperadores de Quartel de Roma: Instabilidade do Poder Populista
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16451/imperadores-de-quartel-de-roma/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-13
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# Imperadores de Quartel de Roma: Instabilidade do Poder Populista

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Imperadores de Quartel de Roma é um termo cunhado por historiadores posteriores para se referir aos imperadores romanos que foram escolhidos e apoiados pelo exército durante o período conhecido como [Crise do Terceiro Século](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16450/crise-do-terceiro-seculo/) (também denominada Crise Imperial, 235–284).

Em 235, o imperador Alexandre Severo (reinou 222–235) foi assassinado pelas suas tropas, que escolheram o seu comandante, Maximino Trácio (reinou 235–238), como governante. Maximino tornou-se o primeiro destes chamados "Imperadores de Quartel", que continuariam a governar Roma até ao reinado de Carino (reinou 283–285) e que caracterizam o período de instabilidade em Roma durante esta época. A Crise do Terceiro Século foi resolvida pelo imperador [Diocleciano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-697/diocleciano/) (reinou 284–305), que abordou as causas da crise e assegurou o futuro de Roma.

Os Imperadores de Quartel de Roma ascenderam em resposta a uma série de ameaças à estabilidade do Estado, tanto internas como externas. A dinastia severa, da qual Alexandre foi o último, tinha iniciado a prática de alargar o [exército romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11830/exercito-romano/) e, simultaneamente, aumentar o soldo dos soldados. Para conseguir pagar a este vasto contingente militar, [Septímio Severo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-793/septimio-severo/) (reinou 193–211) desvalorizou a moeda, adicionando menos metal precioso às moedas para produzir uma maior quantidade delas. Esta política seria seguida por imperadores posteriores e resultou numa inflação generalizada e numa falta de confiança no poder de compra por parte dos cidadãos.

Além dos problemas monetários, uma praga assolou o território, despovoando e desestabilizando as comunidades rurais e a força de trabalho. Além disso, incursões de tribos bárbaras através das fronteiras romanas estavam também a perturbar o equilíbrio social e económico do Estado.

Simultaneamente, a valorização do exército pela Dinastia Severa (mais necessária do que nunca para combater invasões e outras ameaças externas) colocou o imperador numa posição quase subordinada aos comandantes das suas forças armadas. Os imperadores sentiam agora que tinham de aplacar e cortejar o favor dos soldados, em vez de governar objetivamente para o bem de todos os cidadãos de Roma.

O [imperador romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-1032/imperador-romano/) sempre dependeu, até certo ponto, do apoio dos militares, mas agora esse apoio tornou-se imperativo. Enquanto no passado um imperador chegava ao poder através de um sistema de sucessão — fosse como filho ou herdeiro adotivo do imperador em exercício —, ele era agora escolhido pelos militares com base na sua popularidade entre as tropas, na generosidade para com o exército e na sua capacidade de alcançar resultados imediatos e visíveis. Quando qualquer um destes critérios não era cumprido — especialmente o último —, o imperador era assassinado e substituído por outro. Este paradigma caracterizou todos os Imperadores de Quartel e constitui a principal diferença entre eles e aqueles que governaram antes e depois da Crise do Terceiro Século.

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 [![Total War Rome II: Empire Divided](https://www.worldhistory.org/template/images/ca-empiredivided-key-art.jpg)](http://t.redshell.io/aff_c?offer_id=5742&aff_id=1014 "Total War Rome II: Empire Divided") ![tw logo](https://www.worldhistory.org/template/images/tw-logo.gif)### This article was sponsored by Total War™

 Empire Divided is a new campaign pack for Total War: ROME II, focused on the Crisis of the Third Century. Can you restore the Roman Empire to its former glory or will you tear it down? Play from the 30th of November 2017. [Get the Game](http://t.redshell.io/aff_c?offer_id=5742&aff_id=1014 "Total War Rome II: Empire Divided") 
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### Os Imperadores e os Seus Reinados

Os Imperadores de Quartel eram todos indivíduos únicos, com os seus próprios pontos fortes e fracos, triunfos e fracassos, mas, de um modo geral, eram definidos pelo desejo dos benefícios pessoais do poder, sem possuírem, contudo, o caráter necessário para exercer esse poder de forma eficaz. Devido à incerteza dos tempos e à ameaça, real ou sentida, de uma invasão iminente por parte da população, do Senado e dos militares, um homem que se mostrasse um líder militar forte, corajoso e — o mais importante — eficaz, era escolhido como imperador pelas suas tropas. Esta decisão era então apoiada pelo [Senado romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15522/senado-romano/), com base na reputação da pessoa, ou imposta ao Senado e ao povo pelos militares.

[ ![Os Imperadores de Quartel de Roma, 235 - 284](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/17389-pt.png?v=1783104512-1783969202) Os Imperadores de Quartel de Roma, 235 - 284 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-17389/os-imperadores-de-quartel-de-roma-235---284/ "Os Imperadores de Quartel de Roma, 235 - 284")Ao longo da Crise do Terceiro Século, mais de 20 imperadores ascenderam rapidamente ao poder e, em muitos casos, foram eliminados com a mesma rapidez. Mesmo um homem que teria sido um imperador capaz e aceitável noutra época poderia revelar-se insuficiente neste período, e não havia margem para erros na forma como um imperador se comportava ou conduzia as campanhas militares. Qualquer sinal de fraqueza ou ineficácia podia ser considerado causa justa para remover um imperador e substituí-lo por um melhor.

Os Imperadores de Quartel e as suas respetivas realizações, bem como os seus fins oportunos ou prematuros, foram:

**Maximino Trácio** (235–238): Um comandante trácio que, devido à sua nacionalidade, receava não ser respeitado pelo Senado ou pela cidadania, pelo que decidiu conquistar a sua própria fama através de campanhas na Germânia. Embora bem-sucedidas, estas campanhas foram tão dispendiosas que esvaziaram o tesouro. Maximino agia segundo os seus próprios caprichos, ignorando a pressão sobre as suas tropas ou o bem geral do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/). O seu reinado resultou numa guerra civil, pois o Senado elevou outros que foram enviados para o remover. Foi morto pelos seus próprios comandantes numa tentativa de pôr fim às hostilidades.

**Gordiano I e Gordiano II** (238, março–abril): Eram pai e filho que participaram na tentativa de derrubar Maximino. Gordiano II morreu em combate contra as forças pró-Maximino, e Gordiano I suicidou-se ao saber da morte do seu filho.

**Balbino e Pupieno** (238, abril–julho): Foram dois imperadores que o Senado elevou para se oporem a Maximino. Eram impopulares junto do povo, que os chegou a apedrejar quando caminhavam na rua, acabando por ser assassinados pela Guarda Pretoriana.

**Gordiano III** (238–244): Co-governou com Balbino e Pupieno até estes serem assassinados, altura em que foi proclamado imperador pelos apoiantes militares de Gordiano I e Gordiano II. Tinha apenas 13 anos quando chegou ao poder e era controlado pela mãe e, mais tarde, pelo sogro. O seu reinado foi considerado ineficaz e ele acabou por ser assassinado, provavelmente pelo seu sucessor, Filipe, o Árabe.

[ ![Gordian III](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2180.jpg?v=1643162402) Gordiano III Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2180/gordian-iii/ "Gordian III")**Filipe, o Árabe** (244–249): Também conhecido como Júlio Filipe, era Prefeito do Pretório sob o comando de Gordiano III e tomou o poder após o assassinar. Para garantir uma sucessão tranquila, tornou o seu filho, Filipe II, coimperador e embarcou numa série de campanhas bem-sucedidas. Estabeleceu a paz com a Pérsia e obteve várias vitórias sobre [os godos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13289/os-godos/), após o que celebrou o 1000.º aniversário de Roma como cidade. No entanto, os comandantes dos exércitos provinciais não gostavam dele, e acabou por ser morto em batalha por um deles: o seu sucessor, Décio. Filipe II foi assassinado pouco depois da morte do pai.

**Décio** (249–251): Foi senador e [cônsul](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-375/consul/) antes de ser nomeado para um comando na região do Danúbio, onde ascendeu ao poder com o apoio das suas tropas. Inaugurou a perseguição sistemática à seita cristã, exigindo que os cidadãos fizessem sacrifícios aos deuses do Estado na presença de funcionários. Esta política e o consequente martírio de muitos cristãos apenas serviram para popularizar a nova fé. Seguiu a política de Filipe e tornou o seu filho coimperador, mas ambos foram mortos em batalha contra os godos, sob o comando do rei [Cniva](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16544/cniva/), na Batalha de Abrito, em 251.

**Hostiliano** (251, junho–novembro): O filho mais novo de Décio, foi nomeado coimperador por Galo quando Décio morreu em batalha. Morreu pouco depois vítima da peste.

**Galo** (251–253): Era um comandante sob as ordens de Décio que se tornou imperador após a sua morte. Também nomeou o seu filho, Volusiano, como coimperador; ambos foram assassinados pelas suas próprias tropas, que elevaram Emiliano ao poder.

**Emiliano** (253, agosto–outubro): Foi um governador regional escolhido pelas tropas que se revelou dececionante, pelo que foi rapidamente assassinado em favor de Valeriano.

**Valeriano** (253–260): Nomeou o seu filho Galieno como coimperador, ao aperceber-se de que o império era demasiado vasto para um só homem governar. Galieno ficou responsável pela parte ocidental e Valeriano pela secção oriental do reino. Em campanha no oriente, foi capturado pelos persas sassânidas e morreu como prisioneiro. Foi o primeiro imperador romano a ser capturado pelo inimigo e, como seguia a política de Décio de perseguir severamente o [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/), este acontecimento foi interpretado pelos cristãos como um ato do seu [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) e uma justificação da sua seita.

[ ![Valerian Defeated by Shapur I](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/7572.jpg?v=1779327551) Valeriano Derrotado por Sapor I Pierre Mertens (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/7572/valerian-defeated-by-shapur-i/ "Valerian Defeated by Shapur I")**Galieno** (253–268): Foi um governante e líder militar eficaz que conseguiu controlar o caos do [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/) a um ponto tal que avanços culturais, literários e filosóficos se desenvolveram sob o seu reinado. Iniciou também uma série de mudanças importantes no exército, nomeadamente a expansão do papel da cavalaria. Ainda assim, não conseguiu escapar ao clima da época e foi assassinado pelas suas próprias tropas durante uma campanha, numa conspiração que envolveu o futuro imperador Aureliano.

**[Cláudio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-674/claudio/) Gótico** (268–270): Foi um oficial da cavalaria sob o comando de Galieno que se revelou um líder e administrador capaz. Derrotou os alamanos, reprimiu uma rebelião do aspirante a usurpador Auréolo e recebeu o epíteto honorário "Gótico" após as suas vitórias sobre os godos. Cláudio poderia ter alcançado feitos ainda maiores, mas foi vitimado pela peste e morreu.

**Quintilo** (270): Irmão de Cláudio Gótico, chegou brevemente ao poder após a morte deste, mas morreu pouco depois, provavelmente assassinado por Aureliano.

**Aureliano** (270–275): Foi comandante da cavalaria de Galieno juntamente com Cláudio e, quando este chegou ao poder, serviu sob as suas ordens. Aureliano, tal como Galieno e Cláudio, é um dos poucos "Imperadores de Quartel" que colocou o bem de Roma acima da sua própria ambição pessoal. Restaurou o império ao assegurar as suas fronteiras e ao trazer os territórios secessionistas dos impérios da Gália e de Palmira de volta ao controlo romano. Ainda assim, nenhuma destas realizações foi suficiente para o proteger, tendo sido assassinado pelos seus comandantes, que temiam que ele planeasse a sua execução.

[ ![Coin Depicting Roman Emperor Aurelian](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2579.jpg?v=1779327498) Moeda Representando o Imperador Romano Aureliano Wikipedia User: CNG (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2579/coin-depicting-roman-emperor-aurelian/ "Coin Depicting Roman Emperor Aurelian")**[Tácito](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-539/tacito/)** (275–276): Foi um senador idoso selecionado pelo Senado como imperador após o assassínio de Aureliano. Governou apenas durante nove meses, período durante o qual esteve envolvido em guerras constantes antes de morrer de causas naturais ou — mais provavelmente — de ter sido assassinado.

**Floriano** (276): Foi irmão de Tácito e reinou apenas durante três meses antes de ser assassinado pelas suas próprias tropas em favor de Probo.

**Probo** (276–282): Foi entusiasticamente apoiado pelas suas tropas na região dos Balcãs e tornou-se imperador com a morte de Floriano. O seu reinado foi marcado por campanhas militares quase contínuas, mas, como tinha experiência em agricultura, enfatizou a importância da mesma entre os combates. Este interesse, segundo um relato, pode ter conduzido à sua queda. Um dos seus oficiais, Caro, tornou-se cada vez mais popular junto dos homens, que o proclamaram imperador, enquanto Probo foi assassinado por tropas que se tinham cansado do trabalho agrícola forçado.

**Caro** (282–283): Foi prefeito da Guarda Pretoriana sob Probo e vingou o assassínio do seu antigo imperador após chegar ao poder. Nomeou os seus filhos, Numeriano e Carino, como coimperadores e colocou-os no controlo do ocidente, enquanto ele realizava campanhas em direção ao oriente contra os persas sassânidas. Terá morrido durante uma campanha ao ser atingido por um raio.

**Numeriano e Carino** (283–285): Filhos de Caro, foram coimperadores após a morte do seu pai. Ambos lideraram campanhas militares na tentativa de assegurar as fronteiras, e Carino conseguiu também reprimir uma revolta interna no império. Numeriano contraiu uma doença ocular e morreu de causas naturais ou foi assassinado, enquanto Carino foi morto pelas suas próprias tropas na batalha contra o seu sucessor, Diocleciano.

[![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/13027.jpeg?v=1771801815)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/13028.jpeg?v=1603595067)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/13029.jpeg?v=1632054602)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/13030.jpeg?v=1603595558)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/13031.jpeg?v=1603595750)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/13032.jpeg?v=1632054603)](https://www.worldhistory.org/collection/102/faces-of-roman-emperors-imperial-crisis--the-barra/)Image Gallery#### [Faces of Roman Emperors: Imperial Crisis & the Barracks Emperors](https://www.worldhistory.org/collection/102/faces-of-roman-emperors-imperial-crisis--the-barra/)

A series of facial reconstructions of Roman emperors during the Crisis of the Third Century (235-284 CE), including the Gordian Emperors. These so-called... Para além dos Imperadores de Quartel, houve dois outros governantes cujas ações teriam um impacto significativo no rumo de Roma durante a crise: Póstumo (260–269) no ocidente, que fundou o Império das Gálias, e [Zenóbia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10200/zenobia/) (267–272) no oriente, rainha do Império de Palmira.

### Os Impérios Secessionistas

Sob o reinado de Galieno, Póstumo era governador da Germânia Superior e Inferior. Quando Valeriano foi capturado pelos persas sassânidas, Galieno ficou sozinho a defender o império, e isto encorajou Póstumo a afirmar a sua autoridade. O filho e herdeiro de Galieno, Salonino, tinha sido enviado para a região de Póstumo para sua segurança, juntamente com Silvano, o Prefeito da Guarda Pretoriana, para o proteger. Póstumo já tinha derrotado tribos germânicas que faziam incursões nos seus territórios, mas os seus poderes eram limitados pela sua posição; ele era apenas um governador regional, não o imperador, e carecia da autoridade que considerava necessária para defender o seu território. Galieno estava totalmente envolvido nas suas próprias batalhas, e Salonino, em Colónia, era incapaz ou não estava disposto a assumir o nível de liderança na região que Póstumo considerava necessário.

[ ![The Roman Empire and the Crisis of the Third Century, c. 270 CE](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/17154.png?v=1779327491-1765007839) O Império Romano e a Crise do Terceiro Século, cerca de 270 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/17154/the-roman-empire-and-the-crisis-of-the-third-centu/ "The Roman Empire and the Crisis of the Third Century, c. 270 CE")Em 260, Póstumo marchou sobre Colónia, tomou a cidade e executou Salonino e Silvano; proclamou-se então imperador da região. Enviou mensagens a Galieno explicando o motivo das suas ações, professando a sua lealdade a Roma e prometendo que não pegaria em armas contra o império nem invadiria quaisquer territórios romanos. Apesar disto, Galieno não podia dar-se ao luxo de permitir que uma fatia tão grande do seu império — Gália, Germânia, Hispânia e Britânia — simplesmente partisse. Em 263, Galieno levou as suas tropas para a Gália numa tentativa de desalojar Póstumo, mas foi ferido por uma flecha em batalha e retirou-se.

Póstumo continuou o seu reinado e cumpriu a promessa de proteger e defender Roma até ser morto pelas suas próprias tropas em 269, quando se recusou a permitir-lhes saquear uma das suas próprias cidades (a atual Mogúncia), que se tinha rebelado. Um ferreiro (e possivelmente soldado de infantaria no exército) chamado Mário (reinou 269) foi então proclamado imperador pelas tropas, mas foi assassinado pouco tempo depois, e o [tribuno](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15521/tribuno/) pretoriano Vitorino (reinou 269–271) tornou-se imperador. Embora Vitorino fosse um comandante militar capaz, a sua incapacidade de controlar os impulsos em relação às esposas de outros homens levou ao seu assassínio por um dos seus comandantes, e o usurpador [Domiciano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-677/domiciano/) (reinou 271) tomou o controlo. Este foi derrotado em batalha por Tétrico I (reinou 271–274), um administrador e líder militar capaz, considerado o único sucessor verdadeiro de Póstumo.

Tétrico I nomeou o seu filho (também chamado Tétrico) coimperador para partilhar as responsabilidades de governo e administrar o império de forma mais eficiente. Estabilizou a região, reprimindo rebeliões das tribos germânicas, mas o seu reinado foi interrompido — e depois terminado — por Aureliano em 274, na Batalha de Châlons. Aureliano marchou sobre o Império das Gálias após derrotar e reabsorver o Império de Palmira, que se tinha formado sob a rainha Zenóbia, esposa do falecido governador romano da região, Odenato.

[ ![Coin Depicting Roman Emperor Tetricus](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2578.jpg?v=1634064306) Moeda Representando o Imperador Romano Tétrico Rasiel Suarez (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2578/coin-depicting-roman-emperor-tetricus/ "Coin Depicting Roman Emperor Tetricus")Quando Valeriano foi capturado em 260 e Galieno nada pôde fazer a esse respeito, o governador romano da Síria, Odenato, reuniu um exército e atacou os persas. Embora não tenha conseguido libertar Valeriano, conseguiu repelir as forças persas das fronteiras do lado oriental do Império Romano. Prestou ainda mais serviços a Galieno ao ajudar a reprimir uma rebelião interna no império por parte de um aspirante a usurpador e, por estes esforços, Galieno nomeou-o governador de toda a parte oriental do império, que se estendia desde a Síria até ao [Levante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-178/levante/).

Odenato foi morto durante uma partida de caça em 266/267, e a sua mulher, Zenóbia, tornou-se regente do seu jovem filho Vabalato. Zenóbia, tal como Póstumo, teve o cuidado de não alienar o reino de Roma nem de antagonizar o imperador, mas iniciou negociações com os estados vizinhos, anexou o Egito, emitiu a sua própria moeda e fez com que ela e o seu filho fossem tratados por títulos reservados apenas à família governante de Roma.

Ela tinha a sua própria corte, o seu próprio selo, o seu próprio comandante-em-chefe e o seu próprio exército, sendo imperatriz do seu próprio império em tudo, exceto no título oficial. Parece ter tido a esperança, à semelhança de Póstumo, de que, mantendo boas relações com Roma e prestando serviços militares que apenas beneficiavam o império, seria deixada em paz para governar a sua região e o seu filho poderia, um dia, ser escolhido imperador.

Zenóbia foi, de facto, deixada em paz enquanto os imperadores de Roma estavam envolvidos nas suas guerras perpétuas com ameaças externas e entre si, mas quando Aureliano chegou ao poder, voltou a sua atenção para oriente o mais rapidamente possível. Na Batalha de Imas, em 272, derrotou as forças de Zenóbia e empurrou-a de volta para Emesa, onde, num segundo confronto, foi novamente vitorioso. Com Zenóbia derrotada e o seu Império de Palmira novamente integrado em Roma, Aureliano marchou para ocidente e derrotou Tétrico I em 274, pondo fim ao Império das Gálias.

Aureliano mostrou misericórdia tanto para com Zenóbia como para com Tétrico I, bem como para a maioria das cidades e vilas por onde passou, e, após restaurar o império, dedicou-se à tarefa de remediar as causas subjacentes da Crise do Terceiro Século. É provável que tenha pensado que a sua demonstração de misericórdia para com os seus inimigos dissuadiria futuras rebeliões, mas nunca chegou a sabê-lo, pois foi assassinado em 275 pelos seus comandantes.

### As Reformas de Diocleciano

A Crise do Terceiro Século e o reinado dos Imperadores de Quartel continuaram após Aureliano até que Diocleciano chegou ao poder em 284. Diocleciano desenvolveu as políticas dos melhores Imperadores de Quartel, Galieno e Aureliano, reformando o exército, reforçando as fronteiras do império e introduzindo reformas na moeda e no governo. A sua Tetrarquia (governo de quatro) dividiu a operação do governo entre dois homens que já tinham sucessores definidos quando assumiram os seus cargos; isto garantiu a facilidade de sucessão e impediu a ascensão de pretendentes a usurpadores.

O período da crise e dos Imperadores de Quartel tornou-se parte da história quando Diocleciano foi mais longe, dividindo o império em dois — o Império Romano do Oriente e o Império Romano do Ocidente —, ao perceber que o reino se tinha tornado vasto demais para ser governado por um só homem, ou mesmo por quatro. O erro cometido pela maioria dos Imperadores de Quartel foi a crença de que se podia exercer o poder político principalmente para benefício individual, em vez do bem do Estado e dos concidadãos.

Consequentemente, podiam ser facilmente substituídos quando os seus métodos ou escolhas pessoais deixavam de agradar aos militares ou aos cidadãos. Nenhum destes grupos tinha algo a perder ao substituir um governante egoísta por outro mais do seu agrado. Este modelo tornou-se tão aceite que nem os melhores dos imperadores podiam sentir-se seguros nas suas posições. Só após as reformas de Diocleciano é que o modelo mudou e garantiu o futuro de Roma para as gerações seguintes.

Esta análise encerra um período fascinante e turbulento da história de Roma. Com a implementação da Tetrarquia e a divisão administrativa, Diocleciano não só resolveu a instabilidade crônica causada pela dependência exclusiva do exército, como também pavimentou o caminho para a sobrevivência do Império Romano do Oriente por mais de mil anos.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Collins, R. *Early Medieval Europe, 300-1000.* Palgrave Macmillan, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/0312218869/)
- [Grant, M. *Readings in the Classical Historians.* Scribner, 1993.](https://www.worldhistory.org/books/0684192454/)
- [Grant, M. *The Climax of Rome.* Phoenician Paper, 1997.](https://www.worldhistory.org/books/0753801795/)
- [Hill, D. *Ancient Rome: From the Republic to the Empire.* Parragon Books, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/1405487941/)
- [Kelly, C. *The Roman Empire.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/B01NAOGJOV/)
- [Polybius. *The Rise of the Roman Empire.* Penguin Classics, 1980.](https://www.worldhistory.org/books/0140443622/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **235 CE - 284 CE**: The [Crisis of the Third Century](https://www.worldhistory.org/Crisis_of_the_Third_Century/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/); period of the [barracks emperors](https://www.worldhistory.org/Barracks_Emperors/).
- **Mar 235 CE - May 238 CE**: Reign of [Roman emperor](https://www.worldhistory.org/Roman_Emperor/) [Maximinus Thrax](https://www.worldhistory.org/Maximinus_Thrax/).
- **18 Mar 235 CE**: Assassination of [Alexander Severus](https://www.worldhistory.org/Alexander_Severus/) and his mother, which begins crisis and period of [barracks emperors](https://www.worldhistory.org/Barracks_Emperors/).
- **238 CE - 244 CE**: Reign of [Gordian III](https://www.worldhistory.org/Gordian_Emperors/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **22 Mar 238 CE - 12 Apr 238 CE**: Reign of [Gordian I](https://www.worldhistory.org/Gordian_Emperors/) and [Gordian II](https://www.worldhistory.org/Gordian_Emperors/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **Apr 238 CE - Jul 238 CE**: Reign of Balbinus and Pupienus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **244 CE - 249 CE**: Reign of [Philip the Arab](https://www.worldhistory.org/Philip_the_Arab/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **249 CE - 251 CE**: Reign of [Decius](https://www.worldhistory.org/Decius/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **251 CE**: Reign of Hostilian in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **251 CE - 253 CE**: Reign of Gallus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **253 CE**: Reign of Aemilianus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **253 CE - 260 CE**: Reign of [Roman emperor](https://www.worldhistory.org/Roman_Emperor/) [Valerian](https://www.worldhistory.org/valerian/) with his son [Gallienus](https://www.worldhistory.org/Gallienus/) as co-emperor.
- **253 CE - 268 CE**: Reign of [Gallienus](https://www.worldhistory.org/Gallienus/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **260 CE - 269 CE**: [Postumus](https://www.worldhistory.org/Postumus/) rules the "breakaway" Gallic [Empire](https://www.worldhistory.org/empire/).
- **268 CE - 270 CE**: Reign of [Claudius](https://www.worldhistory.org/claudius/) Gothicus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **c. 270 CE - 272 CE**: [Zenobia](https://www.worldhistory.org/zenobia/) rules the "breakaway" Palmyrene [Empire](https://www.worldhistory.org/empire/).
- **Sep 270 CE - c. Sep 275 CE**: Reign of [Roman emperor](https://www.worldhistory.org/Roman_Emperor/) [Aurelian](https://www.worldhistory.org/Aurelian/).
- **271 CE - 274 CE**: Tetricus I rules the Gallic [Empire](https://www.worldhistory.org/empire/) until defeated by [Aurelian](https://www.worldhistory.org/Aurelian/).
- **275 CE - 276 CE**: Reign of [Tacitus](https://www.worldhistory.org/tacitus/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **276 CE**: Reign of Florianus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **276 CE - 282 CE**: Reign of Probus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **282 CE - 283 CE**: Reign of Carus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **283 CE - 285 CE**: Reign of Numerian and Carinus in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **284 CE - 305 CE**: Reign of [Diocletian](https://www.worldhistory.org/Diocletian/) who resolves the [Crisis of the Third Century](https://www.worldhistory.org/Crisis_of_the_Third_Century/) and eventually divides the [Roman Empire](https://www.worldhistory.org/Roman_Empire/) for easier management.

## Perguntas & Respostas

### Quem foram os «Imperadores de Quartel de Roma» durante o Império Romano?
Os «Imperadores de Quartel de Roma» eram comandantes militares que se tornaram imperadores durante a Crise do Século III. O termo «Imperadores de Quartel de Roma» é uma designação moderna. 

### Qual era o problema do regime dos Imperadores de Quartel de Roma?
Os Imperadores de Quartel de Roma chegaram ao poder graças à sua popularidade junto das forças armadas e só se mantiveram no poder enquanto continuaram a ser populares. Assim que passavam a ser vistos como fracos ou ineficazes, eram assassinados e outra pessoa era escolhida. 

### Quem foi o mais eficaz dos Imperadores de Quartel de Roma?
O imperador de quartel mais eficaz de Roma foi Aureliano, que conquistou o Império da Gália e o Império de Palmira, unindo ambos ao Império Romano. 

### Quem pôs fim ao reinado dos Imperadores de Quartel de Roma?
Diocleciano pôs fim ao período dos Imperadores de Quartel de Roma e resolveu também a Crise do Terceiro Século. 


## Links Externos

- [List of Rulers of the Roman Empire | Lists of Rulers | Heilbrunn Timeline of Art History | The Metropolitan Museum of Art](https://www.metmuseum.org/toah/hd/roru/hd_roru.htm)
- [Crisis of the Third Century of the Roman Empire - Roman Empire](https://roman-empire.net/rise-and-fall/crisis-of-the-third-century-of-the-roman-empire)
- [BBC - History - Ancient History in depth: Third Century Crisis of the Roman Empire](https://www.bbc.co.uk/history/ancient/romans/thirdcenturycrisis_article_01.shtml)
- [Cultures | Crisis of the Third Century](https://romanhistory.org/cultures/crisis-of-the-third-century)

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### APA
Mark, J. J. (2026, July 13). Imperadores de Quartel de Roma: Instabilidade do Poder Populista. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16451/imperadores-de-quartel-de-roma/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Imperadores de Quartel de Roma: Instabilidade do Poder Populista." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 13, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16451/imperadores-de-quartel-de-roma/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Imperadores de Quartel de Roma: Instabilidade do Poder Populista." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 13 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16451/imperadores-de-quartel-de-roma/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 13 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

