---
title: Âmbar na Antiguidade
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16312/ambar-na-antiguidade/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-04
---

# Âmbar na Antiguidade

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O âmbar, a resina fossilizada das árvores, era utilizado em todo o mundo antigo para joalharia e objetos decorativos. A principal fonte era a região do Báltico, onde o âmbar — conhecido pelos mineralogistas como succinite — era levado pelas ondas até às praias e facilmente recolhido. Para além das suas qualidades estéticas e da facilidade com que se esculpia e polia, o âmbar tinha, para muitos povos antigos, propriedades misteriosas, tais como proteger quem o usava, afastar o mal e curar doenças.

### As Origens e os Mitos

Embora fosse encontrado no norte da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) e na Sicília, o âmbar utilizado pelas culturas do antigo Mediterrâneo provinha principalmente da região do Báltico. Sendo a resina fossilizada das árvores, os pedaços em bruto de âmbar eram naturalmente levados pelas ondas até às praias, onde eram recolhidos e, posteriormente, cortados, esculpidos e polidos para se transformarem em peças de joalharia requintada e ornamentos. Existiam vários mitos para explicar a origem deste material maravilhoso, nomeadamente um recontado por [Ovídio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-561/ovidio/). O escritor romano descreve a antiga crença de que o âmbar não era mais do que as lágrimas cristalizadas de Clímene e das suas filhas, que tinham sido transformadas, no seu luto, em choupos, na sequência da trágica morte de Faetonte. O jovem e impetuoso filho de Climene tinha, tolamente, perdido o controlo da carruagem solar do seu pai, o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) do sol Helios, quando tentou conduzi-la pelo céu. Para impedir que a Terra fosse queimada pelo sol em queda, [Zeus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-538/zeus/) viu-se obrigado a abater Faetonte com um dos seus raios. Daí os gregos terem chamado ao âmbar*eletrum*, em homenagem ao seu nome para o sol, *elector*.

Outros escritores antigos afirmavam que o âmbar era constituído pelos raios solidificados do sol, de alguma forma capturados ao atingirem a Terra. Outras teorias sugeriam que provinha de um templo remoto na Etiópia, de um rio na Índia, que eram as lágrimas de aves a lamentar o herói caído Meleagro, ou mesmo que provinha da urina do lince — sendo que o macho produzia uma versão mais brilhante do que a fêmea. Por mais coloridas que as histórias e explicações possam ser, os próprios antigos talvez as tivessem encarado com uma boa dose de ceticismo, tal como fazemos agora, pois escritores como [Aristóteles](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-355/aristoteles/) já há muito tinham identificado o âmbar como uma «resina endurecida» e muitos mitos sobre o âmbar envolvem árvores; assim, de qualquer forma, não estavam longe da verdade.

Um pouco mais tarde, no século I, o escritor romano [Plínio, o Velho](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12850/plinio-o-velho/), tentou classificar e descrever todas as pedras preciosas e materiais na sua *História Natural* (tít. original: *Naturalis Historia*). No Livro 37, capítulos 11-12, descreve o âmbar com algum pormenor. Observa que se trata de uma substância relativamente comum, que é frequentemente comercializada. Tem dificuldade em encontrar uma razão para explicar exatamente por que razão é popular: «o luxo ainda não conseguiu inventar qualquer justificação para a sua utilização.» Ele mostra-se desdenhoso em relação ao mito de Faetonte, tal como repetido por autores gregos desde Ésquilo a Eurípides, e a muitas outras histórias fantásticas. Em seguida, passa a desmascarar todas as alegações sobre a origem geográfica do âmbar, embora, nesse processo, mencione Píteas, que observou que este era levado pelas ondas até às margens da Alemanha. Plinio concorda, em geral, com Fiteias, observando que as tribos da Germânia chamavam ao âmbar *glaesum* e que este provém originalmente dos pinheiros, o que, segundo ele, é óbvio se o âmbar for queimado, pois cheira a pinheiro. Ele também sabia que o âmbar se encontrava originalmente no estado líquido devido aos insetos presos que, por vezes, se observam no interior de pedaços maiores. Não compreendia o conceito de fossilização, mas explicava o endurecimento da resina como um processo de alguma forma realizado pelo mar.

[ ![Archaic Greek Amber Necklace](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7258.jpg?v=1668006012) Colar em Âmbar da Grécia Arcaica The British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/7258/archaic-greek-amber-necklace/ "Archaic Greek Amber Necklace")[Tácito](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-539/tacito/), na obra *Germânia* (*De origine et situ Germanorum* - *Sobre a Origem e Situação dos Germanos*) o historiador romano dos séculos I-II, apresenta a seguinte descrição do âmbar e da sua recolha pelas tribos nas costas germânicas:

> Eles chegam mesmo a explorar o mar; e são o único povo que recolhe âmbar, ao qual chamam *Glese*, e que é recolhido nas águas pouco profundas e na costa. Com a indiferença habitual dos bárbaros, não investigaram nem determinaram a partir de que objeto natural ou por que meios é produzido. Durante muito tempo, permaneceu ignorado entre outros objetos lançados pelo mar, até que o nosso luxo lhe deu um nome. Inútil para eles, recolhem-no em bruto; trazem-no sem trabalhar; e surpreendem-se com o preço que recebem. Parece, no entanto, ser uma exsudação de certas árvores; uma vez que se vêem frequentemente répteis, e até animais alados, a brilhar através dele, os quais, enredados nele enquanto se encontrava no estado líquido, ficaram aprisionados à medida que endurecia. Imagino, portanto, que, tal como as florestas e bosques exuberantes nos recantos secretos do Oriente exsudam incenso e bálsamo, o mesmo acontece nas ilhas e continentes do Ocidente; os quais, sob a ação dos raios do sol, deixam escorrer os seus sucos líquidos para o mar subjacente, de onde, pela força das tempestades, são lançados para as costas opostas. Se a natureza do âmbar for examinada através da aplicação de fogo, ele acende-se como uma tocha, com uma chama espessa e perfumada; e, em seguida, transforma-se numa matéria pegajosa semelhante ao breu ou à resina.
> (pág. 45)

### As Propriedades

O âmbar é relativamente macio, pelo que era um material ideal para ser cortado e esculpido em contas e outras formas de joalharia. Serras, limas e brocas eram utilizadas para criar a forma desejada e os desenhos gravados. Os joalheiros antigos, desde a Idade do Bronze em diante, já eram altamente habilidosos na escultura de materiais semipreciosos muito mais duros, como a cornalina e a granada, pelo que o âmbar não representava nenhum desafio particular para as suas capacidades. O âmbar tem também a vantagem de poder ser polido com abrasivos para produzir um brilho atraente. Uma desvantagem significativa do material é a sua suscetibilidade à degradação. Ao desbotar com o tempo devido à exposição ao ar, o âmbar torna-se também mais opaco, pelo que muitas peças antigas de âmbar não parecem hoje tão impressionantes como quando foram inicialmente criadas.

[ ![Etruscan Amber Figurine](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7256.jpg?v=1668006063) Figurina em Âmbar Etrusca Metropolitan Museum of Art (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/7256/etruscan-amber-figurine/ "Etruscan Amber Figurine")Já misterioso por ninguém ter a certeza absoluta da sua origem, muitos povos antigos consideravam o âmbar um material de certa forma místico, capaz de proteger de algum modo quem o usava. O uso de amuletos precisamente para esse fim era especialmente comum no antigo Egito e na Grécia; por isso, para tornar o objeto (que podia ser praticamente qualquer coisa, desde representações em miniatura de deuses até partes do corpo) duplamente poderoso, o âmbar era uma boa escolha. Não só servia como proteção contra o infortúnio, como também se acreditava que o âmbar possuía poderes curativos. Os cemitérios romanos, por exemplo, e especialmente os das províncias do noroeste, apresentam frequentemente sepulturas de crianças contendo contas de âmbar, que provavelmente foram colocadas ali para funcionar como amuletos.

Plinio observa na *História Natural* que algumas pessoas acreditavam que o âmbar podia ajudar com problemas especificamente relacionados com as amígdalas, a boca e a garganta, bem como com perturbações mentais e problemas na bexiga. O âmbar era até moído e misturado com óleo de rosa e mel para tratar infeções nos olhos e nos ouvidos. Tendo em conta que o âmbar é, afinal, uma substância natural e que contém ácido succínico, que era utilizado em medicamentos antes do uso de antibióticos, talvez a crença antiga nas suas qualidades medicinais não seja assim tão fantasiosa.

Por fim, os antigos repararam que o âmbar, quando esfregado (produzindo assim uma carga negativa), é capaz de exercer uma força de atração. A capacidade de atrair objetos leves, como ervas secas ou palha de trigo, levou os persas a chamarem ao âmbar *kahruba , ou «ladrão de palha». Esta foi mais uma qualidade que contribuiu para o mistério e o fascínio do âmbar.

### A Utilização Histórica

As primeiras oficinas de âmbar no Báltico remontam ao [período Neolítico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-57/periodo-neolitico/). Os contactos comerciais entre a Idade do Bronze e culturas posteriores garantiram que o âmbar se espalhasse pela [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/), graças principalmente às tribos germânicas e da Europa Central, que pretendiam trocá-lo por metais que pudessem utilizar elas próprias ou comercializar com tribos na Grã-Bretanha e na Escandinávia. Comerciantes marítimos, como os fenícios, os gregos e os cartagineses, ajudaram a difundir o âmbar ainda mais longe. O âmbar descia do Báltico através dos rios, desde o oeste da Jutlândia, atravessando a Alemanha e descendo pelo Vale do Pó, no norte de [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/), até ao mar Adriático. A partir daí, era transportado por comerciantes marítimos para o [Levante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-178/levante/) e o Próximo Oriente. Também foram encontradas contas de âmbar no norte e centro da França antiga, bem como na Península Ibérica.

[ ![Egyptian Amber Ring](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7260.jpg?v=1662236943) Anel em Ãmbar Egípcio The British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/7260/egyptian-amber-ring/ "Egyptian Amber Ring")Foram descobertos artefactos feitos deste material em sítios da Idade do Bronze, como Ugarit, Atchana, a Creta minóica (mais raramente) e cidades micénicas (especialmente Tebas). As análises ao âmbar encontrado em sepulturas de fosso micénicas indicam que provinha, em grande parte, do Báltico, e análises semelhantes revelaram que muitas peças de âmbar encontradas no Próximo Oriente provinham de oficinas micénicas. As contas de âmbar encontradas no [naufrágio de Uluburun](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15899/naufragio-de-uluburun/), da Idade do Bronze, atestam ainda mais o comércio de âmbar neste período.

Talvez devido à sua raridade tão longe da sua origem, o âmbar era particularmente valorizado no Próximo Oriente, onde era, em grande parte, reservado para a realeza e chegou mesmo a tornar-se um símbolo do poder e do estatuto real. Os sacerdotes constituíam outro grupo que usava âmbar como sinal de distinção. Análises revelaram que o âmbar encontrado em sítios arqueológicos em todo o Levante e no Próximo Oriente provinha do Báltico. O âmbar é um achado mais raro no antigo Egito, mas foram encontradas joias com contas de âmbar e anéis em vários túmulos naquela região.

Durante a Idade do Ferro, a costa leste da Itália tornou-se uma espécie de especialista em âmbar, com o Picenum, em particular, a prosperar com a produção de artigos de âmbar. Verucchio, de cultura villanovana (um sítio pré-etrusco), foi outro centro de produção a partir do século IX a.C., com túmulos de mulheres, em especial, que continham quantidades significativas de âmbar transformado em discos para brincos, colares, fusos, enfeites cosidos em vestuário e curiosas fíbulas em forma de sanguessuga, compostas por peças esculpidas individualmente e unidas com bronze. Neste período, também foram encontrados nestes locais um «falso» âmbar proveniente da resina fossilizada de árvores do Levante.

Os objetos de âmbar são uma característica comum da arte grega arcaica, mas o material parece ter caído em desuso no período clássico. A Itália Central continuou a sua produção de âmbar, com os etruscos a produzirem joalharia e pequenas estatuetas de animais e seres humanos neste material.

[ ![Roman Amber Dice](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7257.jpg?v=1599480903) Dados em Âmbar Romanos The British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/7257/roman-amber-dice/roman-amber-dice/ "Roman Amber Dice")Os romanos garantiram o regresso do âmbar em todo o Mediterrâneo. Tiveram também uma influência duradoura no nome do material, uma vez que o nome latino *ambrum* deu origem à palavra árabe *anbar*, que, por sua vez, deu origem ao termo inglês moderno *amber* e ao portguuês *âmbar*. Novamente valorizado e na moda, o âmbar era importado, tal como antes, através dos rios da Germânia. As tribos da Germânia Libera já não se limitavam a comercializar a matéria-prima, tendo criado as suas próprias oficinas para poderem comercializar os artigos acabados com Roma. [Aquileia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-682/aquileia/), na Itália central, em particular, tornou-se um centro de produção notável entre os séculos I e III. O âmbar era utilizado para fabricar joias, estatuetas, pegas e até pequenos recipientes e cálices. O facto de certas peças de âmbar poderem atingir preços elevados é atestado por Plínio, o Velho, no seguinte excerto da *História Natural:*

> Tão altamente valorizado é este material como objeto de luxo, que se sabe que uma efígie humana muito diminuta, feita de âmbar, chegou a ser vendida por um preço superior ao de homens vivos, mesmo aqueles de saúde robusta e vigorosa.
> (Livro 37:12.2)

Usado principalmente pelas mulheres romanas, o âmbar chegou mesmo a dar nome a uma tonalidade de cor de cabelo. As suas qualidades protetoras também não foram esquecidas, uma vez que os gladiadores costumavam certificar-se de que tinham pedaços presos às suas redes de combate. O uso do âmbar no mundo romano entrou em declínio a partir do século III, mas continuava a ser amplamente utilizado nas regiões bálticas, facto indicado pelo escritor Cassiodoro, do século VI, que cita uma carta de agradecimento pelo âmbar báltico enviada ao imperador Teodorico. Na Idade Média, os arménios tornaram-se os novos defensores do âmbar e garantiram que o seu comércio e a sua transformação em peças decorativas requintadas continuassem até aos tempos modernos.

#### Editorial Review

This human-authored definition has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- Bagnall, R. *The Encylopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- [Cline, E.H. *The Oxford Handbook of the Bronze Age Aegean.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199873607/)
- Frondel, J.W. "Amber Facts and Fancies." *Economic Botany*, Vol. 22, No. 4 (Oct. - Dec., 1968), pp. 371-382.
- [Hornblower, S. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)
- [Pliny the Elder - Natural History](http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0137%3Abook%3D37%3Achapter%3D11 "Pliny the Elder - Natural History"), accessed 8 Sep 2017.
- [Tacitus - Germania](http://www.gutenberg.org/files/7524/7524-h/7524-h.htm "Tacitus - Germania"), accessed 8 Sep 2017.
- Todd, J.M. "Baltic Amber in the Ancient Near East: A Preliminary Investigation." *Journal of Baltic Studies*, Vol. 16, No. 3, SPECIAL ISSUE: STUDIES IN BALTIC AMBER (Fall 1985), pp. 292-301.

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 04). Âmbar na Antiguidade. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16312/ambar-na-antiguidade/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Âmbar na Antiguidade." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 04, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16312/ambar-na-antiguidade/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Âmbar na Antiguidade." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 04 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16312/ambar-na-antiguidade/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 04 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

