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title: Namazu
author: Mark Cartwright
translator: Letícia Amboni
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16110/namazu/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-04-25
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# Namazu

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni)_

Namazu, também chamado de Onamazu, é o bagre (siluro ou peixe-gato) gigante da [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/) japonesa considerado responsável pelos terremotos. Acreditava-se que ele vivia sob a terra e que, quando nadava nos mares e rios subterrâneos, causava terremotos. Embora tenha sido subjugado por Takemikazuchi-no-mikoto, o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) do trovão, Namazu ainda é uma força que deve ser levada a sério, mesmo que possa trazer sorte e redistribuir riquezas às vezes, além de provocar desastres.

O arquipélago japonês tem sofrido terremotos devastadores com frequência por toda a história (10% da atividade sísmica mundial ocorre no Japão) e a criação de um monstro que personificava esses terríveis acontecimentos era uma forma das pessoas compreenderem e justificarem esses episódios aparentemente aleatórios. Dessa forma, o bagre Namazu nadando nas águas das profundezas da terra é uma explicação para a causa dos movimentos terrestres. O Namazu, muito associado aos deuses do trovão, é visto como um equivalente subterrâneo dessas divindades. Havia outro deus dos terremotos, Nai-no-kami, que surgiu por volta do século VII d.C. e posteriormente passou a ser identificado como Namazu. Na Era Meiji (1868-1912), Nai-no-kami voltou a ser visto como outra entidade e recebeu uma personificação própria.

Apesar de Namazu ser capaz de causar grande destruição, o heroico guerreiro e deus do trovão Takemikazuchi-no-mikoto, ou Kashima Daimyojin, que tinha uma pedra especial, a *kaname-ishi* (“pedra de fixação”), estava lá para ajudar e, ao cavar a terra, ele usou a pedra para imobilizar a cabeça de Namazu, assim restringindo seus movimentos e diminuindo a frequência, ou pelo menos a intensidade, dos terremotos. A ponta de 15 cm dessa enorme pedra que se projeta da superfície da terra pode ser vista no Templo Kashima de Hitachi, ao nordeste de Tóquio. Por esse motivo, há o seguinte ditado popular: “Ainda que a terra se mova, nada tema, pois o *kami* Kashima mantém a *kaname-ishi* no lugar” (Ashkenazi, 220).

Uma lenda conta que Tokugawa Mitsukuni (1628-1700), talvez em um surto de ceticismo, tentou escavar a *kaname-ishi* para descobrir até onde ela ia, mas desistiu após cavar por sete dias e mesmo assim não encontrar o fim da pedra. Infelizmente, Namazu nem sempre está imobilizado, pois ele consegue se debater um pouco mais que o normal e causar um ou dois terremotos com o movimento da cauda quando Takemikazuchi-no-mikoto precisa sair para comparecer à conferência anual de todos os deuses em Izumo. Ainda assim, a ideia de colocar pedras parecidas com a *kaname-ishi* em templos para tentar prevenir ou minimizar terremotos se difundiu.

As ações de Namazu podem causar destruição e desespero, mas ele também tem um lado bom. O bagre representava a renovação constante do mundo, conhecida como *yo-naoshi*, que era vista pelos pobres como uma oportunidade de abalar as classes privilegiadas, redistribuir a riqueza acumulada e recomeçar. Essa visão se popularizou bastante após uma série de terremotos no [período Edo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19619/periodo-edo/) (1600-1868) que muitas vezes deixou os mais abastados nas mesmas condições que os menos favorecidos e deu aos pobres uma oportunidade momentânea de melhorar a própria situação durante o caos imediato após os desastres. O *yo-naoshi* englobava a esperança de que os pobres herdariam a riqueza dos afortunados e essa inversão de papéis significava que, às vezes, Namazu era associado à sorte ou, mais especificamente, à fortuna passageira. Isso se manifestava em templos ou locais sagrados de divindades regionais que remetiam a Namazu. Conhecidos como *kuramaya*, as pessoas podiam pegar tigelas e utensílios emprestados deles, mas Namazu causaria infortúnios àqueles que não cuidassem direito ou não devolvessem esses itens depois de usar.

Takemikazuchi e Namazu eram temas populares na pintura japonesa durante o período Edo, principalmente no *ukiyo-e*, quando eram usados como talismãs nas casas das pessoas para prevenir a ocorrência de terremotos poderosos e, se necessário, pedir ajuda a Takemikazuchi. Imagens de Namazu ainda estão em circulação e podem ser vistas, por exemplo, em dispositivos digitais de alerta da Agência Meteorológica do Japão.

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#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Ashkenazi, M. *Handbook of Japanese Mythology.* Oxford University Press, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/0195332628/)
- [Cali, J. *Shinto Shrines.* Latitude 20, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0824837134/)
- [Hackin, J. *Asiatic Mythology.* Literary Licensing, LLC, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1494112566/)
- [Henshall, K. *Historical Dictionary of Japan to 1945.* Scarecrow Press, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/0810878712/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, April 25). Namazu. (L. Amboni, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16110/namazu/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Namazu." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, April 25, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16110/namazu/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Namazu." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, 25 Apr 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16110/namazu/>.

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Enviado por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni/ "User Page: Letícia Amboni"), publicado em 25 April 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

