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title: Izumi Shikibu
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16039/izumi-shikibu/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-07
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# Izumi Shikibu

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Izumi Shikibu foi escritora, poetisa e membro da corte japonesa durante o Período Heian (794-1185). A sua data de nascimento é indicada de várias formas como algures na década de 970, tendo falecido na década de 1030. Nas suas célebres memórias, conhecidas como o *Diário de Izumi Shikibu* (tít. original: *和泉式部日記*; transliterado: Izumi Shikibu Nikki), ela relata episódios da vida na corte e os seus casos amorosos com dois príncipes. O diário inclui muitos dos poemas de Izumi Shikibu, considerados entre os melhores alguma vez escritos no Japão.

### Os Detalhes Biográficos

Izumi Shikibu era filha de um funcionário menor da corte, Oeo no Masamune, e tornou-se ela própria um membro de baixo escalão da corte imperial japonesa, mais concretamente na comitiva de Shoshi (também conhecida como Imperatriz Akiko), a consorte do Imperador Ichijo (reinou 986-1011). O grupo de damas da corte incluía outra escritora famosa: Murasaki Shikibu, autora do *Conto de Genji* (tít. original: *源氏物語;* transliterado: *Genji Monogatari*), considerado por muitos como o primeiro romance do mundo. O objetivo de reunir um grupo tão talentoso de damas para instruir e entreter Shoshi era garantir que ela, representante do poderoso clã Fujiwara, mantivesse o favor do imperador e, assim, salvaguardasse a influência do clã.

O nome de Izumi Shikibu deriva da função do seu pai e do seu marido. Shikibu significa «secretariado», que era a função do seu pai, uma vez que no [Japão antigo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11132/japao-antigo/) era comum chamar uma filha pelo cargo do pai. Izumi Shikibu casou-se com um homem de posição social semelhante à sua, Tachibana no Michisada, governador de Izumi, com quem sabemos que teve uma filha, Koshikibu (ela própria uma poetisa de renome), e foi por isso que adotou o nome Izumi.

A sua poesia segue o estilo *waka*, ou seja, cada poema tem exatamente 31 sílabas distribuídas por cinco versos (5+7+5+7+7). Tal como os dos seus contemporâneos, os poemas realçam a tristeza e a natureza efémera das vidas e dos amores das pessoas. Esta abordagem baseava-se na experiência, pois quando o seu amante, o príncipe Atsumichi, faleceu, a poetisa considerou retirar-se para um mosteiro, tal como afirmou no seguinte prefácio a um dos seus poemas: «Composta por volta da mesma altura, quando pensava em tornar-me freira.» O poema diz o seguinte:

> Sinto-me tão desolada
> Estou disposta até a
> Abandonar o mundo —
> Quando penso que outrora fui
> Intima com um homem assim!
> (Keene, pág. 297)

Após um ano de luto, a escritora conheceu e casou-se com o oficial militar Fujiwara no Yasumasa (958-1036). Quando Yasumasa se mudou para as províncias, Izumi seguiu-o. Parece que, no final da sua vida, na década de 1030, Izumi Shikibu se converteu ao [budismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11144/budismo/), como ilustra o seguinte poema:

> Vinda das trevas
> Entrarei num caminho
> De maior escuridão,
> Brilha sobre mim à distância,
> Lua na borda da montanha.
> (Keene, pág. 288)

Aqui, o «caminho» é uma viagem espiritual e a Lua uma metáfora comum para a iluminação budista. De facto, existe até hoje um pequeno culto e um santuário dedicados a Izumi Shikibu no Joshin'in, um templo budista Shingon em Quioto, que é também o local do seu (suposto) túmulo. Todos os anos, nesse local, a 21 de março, data tradicional da morte da poetisa, realizam-se cerimónias e recitam-se os seus textos.

### O Diário de Izumi Shikibu

O diário de Izumi Shikibu, conhecido em japonês como *Izumi Shikibu Nikki* (tít. original: *和泉式部日記*) e talvez escrito em 1004, não é, na verdade, um diário, mas sim uma série de memórias e episódios. Escrito na terceira pessoa, a autora refere-se a si própria ao longo de todo o texto como *onna* ou «a mulher». Embora abranja um ano a partir do verão de 1003, não há datas nas entradas e, tal como numa obra de ficção, a autora imagina os pensamentos das pessoas envolvidas nas suas memórias. Por esta razão, uma minoria de estudiosos defende que a obra não foi, de todo, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) por Izumi. Noutro desvio em relação à forma pura do diário, surgem 140 poemas *waka* intercalados na prosa. Os poemas levam o leitor a fazer uma pausa na narrativa e reforçam a apresentação do amor como uma experiência onírica, uma noção comum na literatura japonesa da época.

O diário refere-se ao ano em que Izumi Shikibu e o príncipe Atsumichi (981-1007) tiveram o seu escandaloso caso amoroso, que levou a esposa do príncipe a abandoná-lo. Sabemos também que, no ano anterior, Izumi tinha tido um caso com o irmão mais velho de Atsumichi, o príncipe Tametaka (977-1002), uma relação que parece ter posto fim ao seu próprio primeiro casamento. O caso terminou com a morte de Tametaka, com apenas 26 anos, e Izumi também não teve muita sorte com o irmão deste, pois ele faleceu em 1007. Aqui está um excerto do diário, que ilustra a inserção típica de poemas que muitas vezes aparecem em pares, um como resposta ao outro:

> O príncipe tinha chegado da sua habitual forma secreta. Onna, achando improvável que ele viesse e, cansada das recentes cerimónias religiosas, estava a cochilar; por isso, quando bateram à porta, não havia ninguém que pudesse ter ouvido o som. Sua Alteza tinha ouvido vários rumores e, suspeitando que pudesse haver outro homem lá dentro, retirou-se silenciosamente e, no dia seguinte, havia:
> Enquanto estava de pé
> diante da porta de madeira
> que não se abriu
> senti
> um coração cruel.
> Então é assim que se sente quem é infeliz, agora já sei. Olha para o meu estado lamentável. «Parece que Sua Alteza se anunciou ontem à noite! Que falta de coração da minha parte ter estado a dormir!», pensou ela. Ela respondeu:
> Como é que se pode «experimentar»
> se
> esse «coração é cruel»?
> Deixaste intocada
> a minha «porta de madeira».
> (Wallace, pág. 19)

A perda do primeiro amante por parte de Izumi, a sua busca de consolo junto do segundo e o receio do casal face aos boatos da corte são os temas dominantes do diário:

> …ele vivia agora num local muito isolado, disse ele. Ela foi com ele, decidindo que, desta vez, faria simplesmente tudo o que ele lhe pedisse. Conversavam à vontade, da manhã à noite, levantando-se ou dormindo quando lhes apetecia. Ela sentiu-se aliviada do tedioso tédio dos seus dias e desejou ir viver com ele.
> (Keene, pág. 376)

### Exemplos de poemas

> Enquanto me deito prostrada
> Indiferente ao facto de o meu cabelo preto
> Esteja todo despenteado,
> Lembro-me com saudade de como
> Ele sempre o penteava e acariciava.
> (Keene, pág. 296)

> Porque plantei
> uma cerejeira numa casa
> Que ninguém visita,
> agora uso as flores de cerejeira
> Para me embelezar.
> (*Idem*)

> A cerejeira
> No meu jardim floresceu,
> Mas de nada adianta:
> É a mulher, e não a árvore,
> É o que atrai os visitantes.
> (*Ibid.*)

> Ainda estou viva, sim,
> mas será que posso contar com isso?
> Aquilo que revela
> a verdadeira natureza do mundo
> São as flores da ipoméia.
> (*Ibid.*)

> Se ao menos o mundo
> Na primavera e no outono
> Pudéssemos transformá-lo para sempre
> E o verão e o inverno
> Nunca mais existissem.
> (Whitney Hall, pág. 99)

> Pelo amor, estou pronta
> A mudar até a minha forma humana;
> Tudo o que me distingue
> de mim os insetos do verão
> É que a minha chama está escondida.
> (Keene, pág. 297)

> Ouvi dizer que há
> uma noite em que os mortos regressam;
> Mas ele já não está aqui,
> E a casa onde moro é
> Uma habitação sem alma.
> (*Idem*)

> Agora só consigo pensar:
> Sim, isso aconteceu, e aquilo também,
> Ao recordar o passado.
> Quem me dera ter algumas memórias
> Tão tristes que me apetecesse esquecê-las.
> (*Ibid.*)

> Em breve estarei morto.
> Como última recordação
> Para levar deste mundo,
> Volta agora mais uma vez —
> É isso que mais desejo.
> (*Ibid.*)

### O Legado

Os poemas de Izumi Shikibu foram muito apreciados ainda em vida. Um dos poemas de Izumi apareceu na antologia poética encomendada pelo imperador, o *Shuishu*, que foi concluída em 1005. Teve um desempenho ainda melhor no *Goshuishu*, outra antologia imperial, publicada em 1087, tendo desta vez 68 dos seus poemas incluídos. Izumi teve 16 poemas na coleção imperial de 1152, o *Shikashu*, e 21 na coleção *Senzaishu* de 1188. A fama de Izumi Shikibu perdurou, no entanto, por muito mais tempo. No período Muromachi (1333-1568), a sua celebridade como dama da corte e escritora da Idade de Ouro do Japão fez dela a protagonista de uma das populares obras de ficção curta conhecidas como *otogi-zoshi*. Izumi Shikibu é hoje amplamente considerada uma das principais poetisas do Período Heian (794-1185). O seguinte excerto de um dicionário biográfico japonês do século XX resume o estilo da poetisa e a sua reputação duradoura:

> Os seus poemas são apaixonados e livres, transbordando de brilhantismo; a riqueza da sua imaginação é como corceles celestiais a galopar pelo vazio; e a sua liberdade de expressão é rara. Deve ser considerada a primeira poetisa da nossa terra.
> (Cranston, pág. 1)

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#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Cranston, E.A. "The Poetry of Izumi Shikibu." *Monumenta Nipponica*, Vol. 25, No. 1/2 (1970), pp. 1-11.
- [Ebrey, P.B. *Pre-Modern East Asia.* Wadsworth Publishing, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1133606512/)
- [Keene, D. *Seeds in the Heart.* Columbia University Press, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/0231114419/)
- Wallace, J.R. "Reading the Rhetoric of Seduction in Izumi Shikibu nikki." *Havard Journal of Asiatic Studies*, Vol. 58, No. 2 (Dec., 1998), pp. 481-512.
- [Whitney Hall, J. *The Cambridge History of Japan, Vol. 2.* Cambridge University Press, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/0521223539/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **794 CE - 1185 CE**: The [Heian Period](https://www.worldhistory.org/Heian_Period/) in [ancient Japan](https://www.worldhistory.org/Ancient_Japan/).
- **c. 1004 CE**: Japanese poet [Izumi Shikibu](https://www.worldhistory.org/Izumi_Shikibu/) writes her 'Izumi Shikibu Diary'.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 07). Izumi Shikibu. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16039/izumi-shikibu/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Izumi Shikibu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 07, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16039/izumi-shikibu/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Izumi Shikibu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 07 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16039/izumi-shikibu/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 07 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

