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title: Manyoshu
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15870/manyoshu/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-29
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# Manyoshu

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O *Manyoshu* (*万葉集* ; transliterado: *Man'yōshū* *- Coleção de Dez Mil Folhas*) é uma antologia de antigos poemas japoneses compilada por volta do ano de 759, durante o Período Nara, mas que inclui muitas obras anteriores. Pensa-se que Otomo no Yakamochi terá sido a pessoa mais provável a reunir a coleção — ele próprio um poeta prolífico que incluiu quase 500 das suas próprias obras no Manyoshu. O *Manyoshu* é considerado um clássico literário e o ponto alto da poesia japonesa.

### Otomo no Yakamochi

Muitos estudiosos consideram que o *Manyoshu* foi compilado pelo poeta Otomo no Yakamochi (cerca de 718–785). Ele certamente incluiu bastantes das suas próprias obras — cerca de 479, ou seja, 10% da coleção. Yakamochi nasceu numa família aristocrática e o pai também era poeta. Quando tinha 30 anos, Yakamochi foi nomeado governador da província de Etchu (atual Prefeitura de Toyama), que então era menor e remota. Esta colocação talvez explique a inclinação do poeta para temas de separação e solidão, amor não correspondido e descrições da natureza.

> Numa noite em que as brumas da primavera
> Se arrastam sobre o vasto mar,
> E triste é a voz do grou,
> Penso no meu lar distante.
> — **Otomo no Yakamochi** (Henshall, pág. 316)

Felizmente para Yakamochi, a sua comissão de serviço não foi permanente e, quando regressou à capital em Nara, foi-lhe atribuído um cargo no Ministério dos Assuntos Militares. Isto não deteve o seu amor pela poesia, pois era conhecido por recolher poemas junto dos guardas por toda a cidade. Após 750, os poemas cessam, e Yakamochi faleceu em 785.

A antologia *Manyoshu* contém poemas que foram todos escritos no japonês daquela época, isto é, utilizando carateres chineses foneticamente. A obra é constituída por 4496 poemas organizados em 20 livros, sendo a esmagadora maioria no estilo *tanka* (também conhecido como *waka*), ou seja, cada poema tem precisamente 31 sílabas divididas em cinco versos (5+7+5+7+7). Em contraste, 262 poemas estão escritos no estilo mais longo *nagauta*, que pode ter até 200 versos. Há também 62 poemas *sedoka* (poemas de seis versos com 38 sílabas) e quatro poemas escritos em chinês. Os poemas dividem-se em três grandes categorias temáticas: *zoka* (diversos), *somon* (trocas mútuas ou poemas de amor) e *banka* (elegias). Os poemas cobrem um período de quatro séculos e é provável que fossem destinados a ser cantados.

Tal como as contribuições de Yakamochi, muitos dos poemas abordam a tristeza e a melancolia. Outros nomes famosos presentes na coleção incluem Kakinomoto Hitomaro (prolifero entre 685 e 705) e Yamanoue Okura (660–cerca de 733). O primeiro era apenas um funcionário de baixo escalão na corte, mas era considerado o melhor poeta do período, havendo mais de 80 poemas seus na antologia. Yamanoue Okura, outro funcionário do governo, mas desta vez com experiência na China (pode ter chegado ao Japão como refugiado do estado coreano de Baekje), está representado com 70 poemas. Foi tutor do príncipe herdeiro (o futuro Imperador Shomu) e a sua obra destaca-se pela vertente social, com especial ênfase na pobreza. Outros autores que contribuíram para o *Manyoshu* incluem poetas menos conhecidos, diplomatas, princesas, imperadores, soldados e camponeses, sendo muitas das obras anónimas.

### Poemas Exemplares

> Incontáveis são as montanhas
> em Yamato,
> mas perfeita é
> a celestial colina de Kagu:
> Quando a escalo
> e examino o meu reino,
> Sobre a vasta planície
> as espirais de fumo sobem e sobem,
> sobre o vasto mar
> as gaivotas voam;
> é uma terra bela,
> Akitsushima,
> a Terra de Yamato.
> — **Imperador Jomei** (Keene, pág. 96)

> Quando, libertadas dos laços do inverno,
> A primavera surge,
> As aves que estavam caladas
> Saem e cantavam,
> As flores que estavam prisioneiras
> Saem e florescem;
> Mas as colinas estão tão densas de árvores
> Que não conseguimos procurar as flores,
> E as flores estão tão entrelaçadas com ervas daninhas
> Que não as conseguimos tomar nas mãos.
> Mas quando na encosta outonal
> Vemos a folhagem,
> Apreciamos as folhas amarelas,
> Tomando-as nas mãos,
> Suspiramos pelas verdes,
> Deixando-as nos ramos;
> E esse é o meu único desgosto —
> Para mim, as colinas de outono!
> — **Princesa Nukata** (Keene, pág. 101)

> O nosso grande Soberano, uma deusa,
> Da sua sagrada vontade
> Ergueu um imponente palácio
> Na margem de Yoshino,
> Cercado pelas suas corredeiras;
> E, subindo, examina a terra.
> As montanhas sobrepostas,
> Erguendo-se como muralhas verdes,
> Oferecem as flores com a primavera,
> Como tributos divinos ao Trono.
> O [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) do rio Yu, para abastecer a mesa real,
> Promove a pesca com corvo-marinho
> Nas suas zonas pouco profundas superiores,
> E submerge as redes de pesca
> No curso inferior.
> Assim, as montanhas e o rio
> Serve o nosso Soberano, unidos na vontade;
> É verdadeiramente o reinado de uma divindade.
> — **Kakinomoto Hitomaro** (Keene, 103–4)

> Ali te encontrei, coitado de ti! —
> Estendido na praia,
> Nesta cama agreste de pedras,
> Entre as vozes atarefadas das ondas.
> Se ao menos eu soubesse onde ficava a tua casa,
> Iria dizê-lo;
> Se a tua mulher soubesse,
> Viria cuidar de ti.
> Ela, desconhecendo o caminho até aqui,
> Tem de esperar, tem de esperar sempre,
> Esperando inquieta pelo teu regresso —
> A tua querida mulher — ai de mim!
> — **Kakinomoto Hitomaro** (Keene, pág. 111)

> Haverá alguma vez
> Alguém mais que descanse
> A cabeça nos meus braços
> Tal como outrora a minha amada mulher
> Ali fez a sua almofada?
> — **Otomo no Tabito** (Keene, 133)

> Guardar um silêncio taciturno
> No papel de homem sábio
> Ainda não é tão bom
> Como beber o seu próprio sakê
> E chorar lágrimas de embriaguez.
> — **Otomo no Tabito** (Keene, 137)

> …E no caldeirão
> Uma aranha tece a sua teia.
> Sem um único grão para cozinhar,
> Gememos como o "tordo-das-noites".
> Depois, "para cortar", como diz o ditado,
> "As pontas do que já é demasiado curto",
> Chega o chefe da aldeia,
> Com a vara na mão, ao nosso poiso,
> A rosnar pelas suas taxas.
> Terá de ser assim sem esperança —
> O rumo deste mundo?
> — **Yamanoue Okura** (Keene, pág. 145)

> Se amar fosse morrer,
> Eu teria morrido —
> E morrido de novo
> Mil vezes.
> — **Otomo no Yakamochi** (Keene, pág. 151)

### O Legado

Os poemas do *Manyoshu* inspiraram muitos poetas posteriores, que copiaram os estilos, as imagens e até as frases dos grandes mestres. Alguns poetas posteriores escreveram também extensões de obras anteriores ou as suas próprias "respostas". Mesmo a estrutura do livro tem influenciado — pois, embora não seja claro o motivo pelo qual o *Manyoshu* foi dividido em 20 livros, este foi um modelo seguido por quase todas as antologias japonesas subsequentes. O *Manyoshu* tem sido incessantemente estudado desde a sua publicação, não só no que respeita ao significado dos poemas, mas também para a criação de estudos especializados sobre os pormenores biográficos, as práticas religiosas e até as plantas mencionadas ao longo desta importantíssima antologia japonesa.

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#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Beasley, W.G. *The Japanese Experience A Short History of Japan.* University of California, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/B000ORKKBI/)
- [Henshall, K. *Historical Dictionary of Japan to 1945.* Scarecrow Press, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/0810878712/)
- Keene, D. *A History of Japanese Literature Vol. 1.* Columbia, 1999
- [Mason, R.H.P. *A History of Japan.* Tuttle Publishing, 1997.](https://www.worldhistory.org/books/080482097X/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **c. 759 CE**: The [Manyoshu](https://www.worldhistory.org/Manyoshu/) or 'Collection of 10,000 Leaves' is written, an important [Shinto](https://www.worldhistory.org/Shinto/) source and classic of Japanese poetry.

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### APA
Cartwright, M. (2026, July 29). Manyoshu. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15870/manyoshu/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Manyoshu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 29, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15870/manyoshu/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Manyoshu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 29 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15870/manyoshu/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 29 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

