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title: Hyangga
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15375/hyangga/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-10-01
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# Hyangga

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O *hyangga* era uma forma poética de «canção campestre», distinta das canções chinesas contemporâneas, que foram compostas nos reinos de Silla e Goryeo, na [Coreia antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11087/coreia-antiga/), entre os séculos VII e X. Estas canções nativas abordam temas como o amor, a perda e a devoção budista. A maioria está redigida em dísticos dispostos em estrofes de quatro versos, com cada verso a possuir quatro sílabas. Os poemas foram concebidos para serem cantados com acompanhamento de música e dança. Restam apenas 25 hyangga, mas em tempos foram amplamente escritos e interpretados, inclusive por figuras tão célebres como Wonhyo, o filósofo e monge budista.

### A Composição e a Estrutura

Também conhecidos como *saenaennorae*, os *hyangga* foram redigidos em *idu*, isto é, a língua coreana registada com recurso a *hanja* (caracteres chineses). Nestas composições, os hanja eram empregues para transcrever tanto os significados como os sons do coreano antigo, através de um método designado por *hyangchal*. Os *hyangga* são os exemplos mais antigos desta forma de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/). Podem ter-se desenvolvido a partir dos *singa*, canções entoadas por xamãs durante rituais.

Apenas 25 canções chegaram até aos dias de hoje; 14 encontram-se no *SamgukYusa* (Memórias dos Três Reinos), a coleção de textos do século XIII sobre a história e a cultura coreanas, compilada pelo monge e erudito budista Iryon. As restantes 11 canções aparecem no *Kyunyo-jon*. Em 888, o monge Daegu e primeiro-ministro de Silla, Wihong, compilaram o *Samdaemok* (Coleção dos Três Períodos), uma antologia de *hyangga*, mas foi infelizmente destruído durante as invasões mongóis da Coreia no século XIII.

A maioria das canções é composta por 10 versos, com duas estrofes de quatro versos, cada uma com dois dísticos, seguidas de um dístico final. O nono verso começa invariavelmente com uma interjeição, elevando a entoação do orador e sinalizando o final da canção, que geralmente contém um desejo, uma ordem ou uma exclamação. O género extinguiu-se no século XI, substituído por uma tendência duradoura entre os intelectuais pela literatura puramente chinesa.

### O *Hyangga* de Quatro Versos

Quatro dos *hyangga* têm apenas quatro versos. Eis um exemplo, intitulado *Honhwa ka* (*獻花歌* ; «Dedicação da Flor»). Foi composto nas primeiras décadas do século VIII e cantado por um velho pastor. Um dia, o pastor encontra a Senhora Suro, casada com o Senhor Sunjong, e a sua comitiva a passear pelo campo. A senhora pede uma flor de azálea que cresce num penhasco alto, mas a única pessoa a responder é o pastor. Ao entregar a flor à Senhora Suro, ele canta:

> Se me deixares partir
> O gado amarrado à rocha castanha,
> E não sentisses vergonha de mim,
> Eu colheria e dedicaria as flores!
> (Lee, P.H., pág. 71)

### O *Hyangga* de oito versos

Existem três *hyangga* compostos por duas estrofes de quatro versos cada (embora uma delas possa ter perdido os seus dois últimos versos). Neste exemplo, escrito por Tugo e intitulado *Mo Chukchirang ka* (*慕竹旨郎歌* ; «Ode ao Cavaleiro Chukchi»), datado de cerca de 692-702, o autor elogia o seu senhor:

> Todos os seres vivos sofrem e lamentam-se
> pela primavera que já passou;
> O teu rosto, outrora belo e radiante,
> Está prestes a ficar marcado por sulcos profundos.
> Preciso de te vislumbrar
> Mesmo que seja por um breve instante.
> A minha mente fervorosa não consegue descansar à noite
> Na clareira coberta de artemísia.
> (Lee, P.H., pág. 72)

*O hyangga* mais famoso que nos chegou é o *Choyong ka (處容歌* ; «Canto de Choyong»), composto em 879, que é mais uma canção de oito versos. A personagem principal é o filho do Rei Dragão do Mar Oriental, que, uma noite, após uma festa, regressa a casa e encontra a sua bela mulher a ser seduzida pelo Espírito da Varíola. Choyong revelou-se, no entanto, indulgente e, em troca, o espírito [prometeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/) nunca entrar numa casa que tivesse um retrato do nosso herói na porta. Esta é a canção que Choyong cantou de forma tão encantadora ao espírito, para que este partisse em paz:

> Depois de ter festejado até altas horas da noite
> Na capital banhada pelo luar,
> Voltei para casa e, na minha cama,
> Eis que vi quatro pernas.
> Duas eram minhas;
> De quem são as outras duas?
> Antes, duas eram minhas;
> O que farei agora que me foram tiradas?
> (Lee, P.H., pág. 73)

Choyong foi identificado como um xamã devido ao seu sucesso, calmo mas mágico, ao lidar com o espírito. O próprio espírito pode ser uma metáfora para os males do mundo. Os intérpretes de *hyangga* usavam frequentemente máscaras, e a Canção de Choyong deu origem a uma tradição posterior de usar uma máscara de Choyong na véspera de Ano Novo para afugentar os espíritos malignos. A dança do *hyangga* de Choyong tornou-se uma cerimónia popular na corte durante a dinastia Joseon (Choson) (1392-1910).

### O *Hyangga* de Dez Versos

As restantes 18 *hyangga* são todas canções de dez versos. No nosso primeiro exemplo, o tema é a separação causada pela morte. O título é *Chae mangmae ka* (*祭亡妹歌* ; «Réquiem pela Irmã Falecida»), e foi composto por volta de 762 pelo Mestre Wolmyong em honra da sua própria irmã falecida:

> No difícil caminho da vida e da morte
> Que fica perto da nossa terra,
> Partiste, com medo,
> Sem palavras.
> Não sabemos para onde vamos,
> Folhas levadas pelo vento, espalhadas,
> Embora caídas da mesma árvore,
> pelos primeiros ventos do outono.
> Ah, vou limpar o caminho
> Até te encontrar na Terra Pura.
> (Lee, P.H., pág. 75)

No *Hyesong ka* (*彗星歌* ; «Canção de um Cometa»), do Mestre Yungchong, a interpretação do *hyangga* terá, segundo se diz, operado um milagre não uma, mas duas vezes, ao afastar um cometa — tradicionalmente considerado um presságio desfavorável e frequentemente referido como uma estrela de cauda longa — e uma frota de piratas japoneses.

> Há um castelo junto ao Mar Oriental,
> onde outrora se formava uma miragem.
> Chegaram soldados japoneses,
> Tochas ardeiam na floresta.
> Quando os cavaleiros visitaram esta montanha,
> a lua traçava o seu percurso para oeste
> e uma estrela estava prestes a traçar um caminho,
> Alguém disse: «Olha, há um cometa.»
> Ah, a lua já se foi.
> Agora, para onde devemos olhar para ver a estrela de cauda longa?
> (Lee, P.H., pág. 74)

Num último exemplo, esta canção, escrita pelo grande monge poeta e erudito Mestre Kyunyo (923-973), apela ao giro da roda do dharma. Não tem título, mas fazia parte de um conjunto de 11 *hyangga* intitulado «Os Dez Votos do Bodhisattva Samantabhadra» (*普賢十願歌*). No último dístico, a lua é utilizada, como era típico no [budismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11144/budismo/), como metáfora da iluminação.

> À majestosa assembleia de budas
> No reino do Dharma,
> eu dirijo-me e rezo
> pela chuva do Dharma.
> Dissipa a praga da aflição
> Enraizada profundamente no solo da ignorância,
> E rega o campo da mente dos seres vivos,
> Onde as ervas boas lutam para crescer.
> Ah, quão feliz é um campo de outono banhado pelo luar,
> Repleto dos frutos do conhecimento.
> (Lee, P.H., pág. 82)

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#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Jinwung Kim. *A History of Korea"Land of the Morning Calm" to States in Conflict.* Indiana University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0253000246/)
- [Ki-baik Lee. *A New History of Korea.* Harvard University Asia Center, 1984.](https://www.worldhistory.org/books/067461576X/)
- [Lee, P.H:. *A History of Korean Literature.* Cambridge University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0521100658/)
- [Pratt, K. *Korea.* Routledge, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/0700704639/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

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Cartwright, M. (2026, October 01). Hyangga. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15375/hyangga/>
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Cartwright, Mark. "Hyangga." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, October 01, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15375/hyangga/>.
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Cartwright, Mark. "Hyangga." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 01 Oct 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15375/hyangga/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 01 October 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

