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title: Hamurabi: Conquistador, Rei e Legislador
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-150/hamurabi/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-22
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# Hamurabi: Conquistador, Rei e Legislador

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Hamurabi (reinou 1792-1750 a.C.) foi o sexto rei da Primeira Dinastia Amorrita da Babilónia ([Babilônia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/)), sendo mundialmente conhecido pelo seu famoso código de leis, que serviu de modelo para outros sistemas jurídicos, incluindo a Lei Mosaica da [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/). Foi o primeiro governante capaz de governar com sucesso toda a [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/) sem revoltas após a sua conquista inicial.

É também conhecido como Ammurapi e Khammurabi, e assumiu o trono sucedendo o pai, Sin-Muballit, que tinha estabilizado o reino mas não conseguira expandi-lo. O Reino da Babilónia compreendia apenas as cidades de Babilónia, Quis (Kish), Sippar e Borsippa quando Hamurabi subiu ao trono, mas através de uma sucessão de campanhas militares, alianças cuidadosas (feitas e quebradas quando necessário) e manobras políticas, manteve toda a região sob controlo babilónico por volta de 1750 a.C.

De acordo com as suas próprias inscrições, cartas e documentos administrativos do seu reinado, procurou melhorar a vida daqueles que viviam sob o seu domínio. Como referido, hoje é mais conhecido pelo seu código de leis, que é frequentemente citado como sendo o primeiro da história, embora não o seja. Existiram códigos anteriores na Mesopotâmia, mas os de Hamurabi foram os mais claros e abrangentes, passando, por isso, a servir de modelo para outras culturas, incluindo as leis estabelecidas pelos escribas hebreus na Bíblia.

### **Os Antecedentes e a Ascensão ao Poder**

Os Amorritas eram um povo nómada que migrou através da Mesopotâmia a partir da região costeira de Eber Nari (a atual Síria) em algum momento anterior ao terceiro milénio a.C. e, por volta de 1984 a.C., já governavam na Babilónia. O quinto rei da dinastia, Sin-Muballit (reinou 1812-1793 a.C.), concluiu com sucesso muitos projetos de obras públicas, mas foi incapaz de expandir o reino ou de competir com a cidade rival de Larsa, a sul.

Larsa era o centro comercial mais lucrativo no Golfo Pérsico, e os lucros deste comércio enriqueceram a cidade e incentivaram a expansão, de tal modo que a maioria das cidades do sul estava sob o controlo de Larsa. Sin-Muballit liderou uma força contra Larsa, mas foi derrotado pelo seu rei, Rim-Sin I. Neste ponto, é incerto o que aconteceu exatamente, mas parece que Sin-Muballit foi compelido a abdicar em favor do seu filho, Hamurabi. Se Rim-Sin I pensou que Hamurabi seria uma ameaça menor para Larsa também é desconhecido, mas, se assim foi, provar-se-ia que estava errado. O historiador Will Durant escreve:

> À frente da história babilónica ergue-se a figura poderosa de Hamurabi, conquistador e legislador ao longo de um reinado de quarenta e três anos. Selos e inscrições primordiais transmitem-no até nós parcialmente: um jovem cheio de fogo e génio, um verdadeiro turbilhão na batalha, que esmaga todos os rebeldes, corta os seus inimigos em pedaços, marcha sobre montanhas inacessíveis e nunca perde um confronto.
> Sob o seu comando, os pequenos estados em guerra do vale inferior foram forçados à unidade e à paz, e disciplinados para a ordem e segurança através de um código de leis histórico.
> (pág. 219)

Inicialmente, Hamurabi não deu a Rim-Sin I qualquer motivo para alarme. Começou o seu reinado centralizando e simplificando a sua administração, dando continuidade aos programas de construção do seu pai e alargando e elevando as muralhas da cidade. Instituiu o seu famoso código de leis (cerca de 1772 a.C.), dedicou uma atenção minuciosa às necessidades do povo, melhorou a irrigação dos campos e a manutenção das infraestruturas das cidades sob o seu controlo, ao mesmo tempo que erguia templos opulentos aos deuses. Simultaneamente, organizava as suas tropas e planeava a sua campanha para a região sul da Mesopotâmia.

[ ![Map of Tthe Ancient Near East c. 1700 BCE](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15146.png?v=1779645545-1767338793) Mapa do Antigo Próximo Oriente cerca de 1700 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/15146/map-of-tthe-ancient-near-east-c-1700-bce/ "Map of Tthe Ancient Near East c. 1700 BCE")### **O Conquistador da Mesopotâmia**

O académico Stephen Bertman observa como as características pessoais de Hamurabi lhe foram vantajosas no início de seu reinado:

> Hamurabi era um administrador capaz, hábil diplomata e imperialista astuto, paciente na conquista de seus objetivos. Após elevar-se ao trono, lançou uma proclamação perdoando as dívidas do povo e, durante os primeiros cinco anos de seu reinado, aumentou sua popularidade ao restaurar piedosamente os santuários dos deuses, especialmente o de [Marduk](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-919/marduk/), patrono da Babilónia.
> Então, com seu poder doméstico assegurado e com as forças militares bem preparadas, começou uma série de campanhas contra estados rivais ao sul e leste, expandindo seus territórios pelos cinco anos seguintes.
> (pág. 87)

Quando os Elamitas invadiram as planícies centrais da Mesopotâmia vindos de leste, Hamurabi aliou-se a Larsa para os derrotar. Concluída essa tarefa, quebrou a aliança e tomou rapidamente as cidades de [Uruque](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-43/uruque/) e Isin, anteriormente sob o domínio de Larsa, formando alianças com outras cidades-estado, como Nipur e Lagash. As alianças que estabelecia com outros estados seriam repetidamente quebradas sempre que o rei considerasse necessário fazê-lo; contudo, como os governantes continuavam a celebrar pactos com Hamurabi, parece não ter ocorrido a nenhum deles que ele lhes faria o mesmo que fizera anteriormente a outros.

Assim que Uruque e Isin foram conquistadas, ele voltou-se para Nipur e Lagash, tomando-as, e conquistou depois Larsa. Uma técnica que parece ter utilizado pela primeira vez neste confronto tornar-se-ia o seu método preferencial em outros, sempre que as circunstâncias o permitissem: o represamento das fontes de água da cidade para as subtrair ao inimigo até à rendição ou, possivelmente, a retenção das águas através de uma barragem e a sua posterior libertação para inundar a cidade antes de lançar um ataque. Este fora um método utilizado anteriormente pelo pai de Hamurabi, mas com consideravelmente menos eficácia. Larsa era o último reduto de Rim-Sin e, com a sua queda, não restou qualquer outra força capaz de se opor ao rei da Babilónia no sul.

Com a parte sul da Mesopotâmia sob o seu controlo, Hamurabi virou-se para norte e para oeste. O Reino Amorrita de Mari, na Síria, fora durante muito tempo um aliado da Babilónia Amorrita, e Hamurabi manteve relações amigáveis com o rei Zimri-Lim (reinou por volta de 1775-1760 a.C.). Zimri-Lim liderara campanhas militares bem-sucedidas pelo norte da Mesopotâmia e, devido à riqueza gerada por essas vitórias, Mari crescera até se tornar a inveja de outras cidades, possuindo um dos maiores e mais opulentos palácios da região.

Os académicos debatem há muito por que razão Hamurabi terá quebrado a sua aliança com Zimri-Lim, mas o motivo parece bastante claro: Mari era um importante, luxuoso e próspero centro comercial no rio Eufrates e possuía grandes riquezas e, naturalmente, direitos de água. Deter a cidade diretamente, em vez de ter de negociar os recursos, seria preferível para qualquer governante e foi-o, certamente, para Hamurabi. Ele atacou Mari subitamente em 1760 a.C. e, por alguma razão, destruiu-a em vez de simplesmente a conquistar.

Este é um mistério muito maior do que a razão que o levou a marchar contra a cidade em primeiro lugar. Outras cidades conquistadas foram absorvidas pelo reino e, posteriormente, reparadas e melhoradas. O porquê de Mari ter sido uma exceção tão grande à regra de Hamurabi ainda é debatido pelos académicos, mas a razão pode ser tão simples quanto o facto de Hamurabi querer que a Babilónia fosse a maior das cidades mesopotâmicas, e Mari ser uma rival inequívoca para essa honra.

Pensa-se que Zimri-Lim tenha sido morto neste confronto, uma vez que desaparece do registo histórico nesse mesmo ano. De Mari, Hamurabi marchou sobre Ashur e tomou a região da [Assíria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-149/assiria/) e, finalmente, Eshnunna (também conquistada através do represamento das águas), de modo que, por volta de 1755 a.C., ele governava toda a Mesopotâmia.

[ ![Law Code Tablet of King Hammurabi from Nippur](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2790.jpg?v=1779645548) Tabuinha de Nippur com o Código de Leis do Rei Hamurabi Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2790/law-code-tablet-of-king-hammurabi-from-nippur/ "Law Code Tablet of King Hammurabi from Nippur")### **O [Código de Hamurabi](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19882/codigo-de-hamurabi/) e o Cuidado com o Povo**

Embora Hamurabi tenha passado um tempo considerável em campanhas militares, garantiu que o povo fosse bem cuidado nas terras que governava. Um título popular conferido a Hamurabi em sua vida foi *bani matim*, “construtor da terra”, devido aos muitos projetos de construção e de canais que ordenou por toda a região.

Documentos da época atestam a eficácia da liderança de Hamurabi e o seu desejo sincero de melhorar a vida do povo. Estas cartas e textos administrativos (tais como orientações para a construção de canais, distribuição de comida, projetos de embelezamento e construção e questões legais) apoiam o conceito que Hamurabi tinha de si mesmo. O prólogo do seu famoso código legal começa:

> Quando o excelso [Anu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15601/anu/), Rei dos Anunnaki, e Bel, Senhor do Céu e da Terra, aquele que determina o destino da terra, confiaram o domínio de toda a humanidade a Marduk; quando pronunciaram o nome elevado da Babilónia, quando a tornaram famosa entre os quadrantes do mundo e no seu seio estabeleceram um reino eterno cujos alicerces eram firmes como o céu e a terra – nesse momento, Anu e Bel chamaram-me a mim, Hamurabi, o príncipe exaltado, o adorador dos deuses, para fazer a justiça prevalecer na terra, para destruir os ímpios e os maus, para evitar que o forte oprimisse o fraco, para iluminar a terra e promover o bem-estar do povo. Hamurabi, o governador nomeado por Bel, sou eu, que trouxe a fartura e a abundância.
> (Durant, pág. 219)

[ ![Hammurabi's Law Code](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/6930.jpg?v=1779645551) O Código de Leis de Hamurabi James Blake Wiener (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/6930/hammurabis-law-code/ "Hammurabi's Law Code")O seu código de leis não é o primeiro da história (embora seja frequentemente designado como tal), mas é certamente o mais famoso da Antiguidade antes do código estabelecido nos livros bíblicos. O código de leis mais antigo do mundo que ainda subsiste é o Código de [Ur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-128/ur/)-Nammu (cerca de 2100-2050 a.C.), que teve origem no rei Ur-Nammu (reinou cerca de 2112-2094 a.C.), do período Ur III (cerca de 2112 a c. 2004 a.C.), ou no seu filho e sucessor Shulgi de Ur (reinou 2094 a c. 2046 a.C.). O código de Hamurabi diferia das leis anteriores em aspetos significativos. O académico Paul Kriwaczek explica-o, escrevendo:

> As leis de Hamurabi refletem o choque de um ambiente social sem precedentes: o mundo babilónico multiétnico e multitribal. Nos tempos sumério-acádios anteriores, todas as comunidades sentiam-se membros de uma mesma família, todos igualmente servos sob o olhar dos deuses.
> Em tais circunstâncias, as disputas podiam ser resolvidas recorrendo a um sistema de valores coletivamente aceite, onde os laços de sangue eram mais fortes do que tudo e a restituição justa era mais desejável do que a vingança.
> Agora, porém, quando os cidadãos urbanos se cruzavam frequentemente com nómadas que seguiam um modo de vida completamente diferente, quando falantes de várias línguas semíticas ocidentais — os amorritas —, bem como de outras, eram lançados em conjunto com acádios que não os compreendiam, o confronto deve ter-se transformado em conflito com demasiada facilidade. As vendetas e as lutas de sangue devem ter ameaçado frequentemente a coesão do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/).
> (pág. 180)

O Código de Ur-Nammu assenta certamente no conceito de "membros solidários da mesma família", na medida em que se pressupõe, ao longo de todo o texto, uma compreensão subjacente por parte do povo sobre o comportamento adequado em sociedade. Esperava-se que todos os que estavam sob a lei já soubessem o que os deuses exigiam deles, e esperava-se que o rei se limitasse a administrar a vontade divina. A académica Karen Rhea Nemet-Najat escreve:

> O rei era diretamente responsável pela administração da justiça em nome dos deuses, que tinham estabelecido a lei e a ordem no universo.
> (pág. 221)

O código de Hamurabi foi escrito numa época posterior, na qual a compreensão de uma tribo ou cidade sobre a vontade dos deuses poderia ser diferente da de outra. A fim de simplificar as questões, o código de Hamurabi procurou prevenir vinganças e lutas de sangue, estabelecendo claramente o crime e a punição que seria aplicada pelo Estado pela prática de tal crime, sem pressupor uma compreensão comunitária da vontade dos deuses nestas matérias:

> Se um homem vazar o olho de outro homem, o seu olho será vazado.
> Se ele partir um osso de outro homem, o seu osso será partido.
> Se um homem arrancar os dentes de um seu igual, os seus dentes serão arrancados.
> Se um construtor edificar uma casa para alguém e não a construir adequadamente,
> E a casa que construiu desabar e matar o seu proprietário, então esse construtor será morto.
> Se \[o desabamento\] matar o filho do proprietário da casa, o filho desse construtor será morto.

[ ![Code of Hammurabi - Detail](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14340.jpg?v=1779645554) Detalhe do Código de Hamurabi ctj71081 (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14340/code-of-hammurabi---detail/ "Code of Hammurabi - Detail")Ao contrário do mais antigo Código de Ur-Nammu, que impunha multas ou penalidades em terras, o de Hamurabi epitomou o princípio conhecido como *Lex Talionis* \[Lei de Talião\], que estabelece a retribuição judicial na qual a punição corresponde diretamente ao crime, mais conhecido pelo conceito de “olho por olho, dente por dente”, tornado famoso pelo código do Velho Testamento, exemplificado nesta passagem do Livro do Êxodo:

> Se, no decurso de uma altercação entre homens, um deles for de encontro a uma mulher grávida, e se ela der à luz sem outras complicações, o culpado ficará sujeito à indemnização imposta pelo marido da mulher, que pagará na presença de juízes. Mas se de tal facto advier dano, então pagará vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, chaga por chaga, pisadura por pisadura.
> (Êxodo 21:22-25– Villapadierna, Carlos de (†) et al.. *Bíblia Sagrada*. 3.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1968, pág. 134)

O código de leis de Hamurabi estabeleceu, assim, o padrão para futuros códigos ao lidar estritamente com a prova do crime e ao fixar uma punição específica para esse crime. O que decidia a culpa ou a inocência de alguém era, contudo, o método muito mais antigo do "ordálio", no qual uma pessoa acusada era sentenciada a realizar uma determinada tarefa (geralmente ser atirada a um rio ou ter de nadar uma certa distância através dele); se fosse bem-sucedida, era inocente; se não, era culpada. O código de Hamurabi estipula que:

> Se a mulher de um homem tiver sido apontada por causa de outro homem, embora não tenha sido surpreendida com ele, por amor ao seu marido, ela deve mergulhar no rio divino.

A mulher que assim fizesse e sobrevivesse ao ordálio seria reconhecida como inocente, mas, nesse caso, o seu acusador seria declarado culpado de falso testemunho e punido com a morte. Recorria-se regularmente ao ordálio naqueles que eram considerados os crimes mais graves, o adultério e a feitiçaria, porque se pensava que estas duas infrações seriam as mais propensas a minar a estabilidade social.

A feitiçaria, para um antigo mesopotâmico, não teria exatamente a mesma definição que tem nos dias de hoje, mas seguiria a linha da prática de atos que iam contra a vontade conhecida dos deuses — atos que refletiam sobre o próprio o tipo de poder e prestígio que apenas os deuses poderiam reivindicar. Contos de feiticeiros e feiticeiras maléficos encontram-se ao longo de muitos períodos da história da Mesopotâmia, e os autores destes contos fazem-nos sempre ter um fim trágico, tal como parece ter acontecido também a quem era submetido ao ordálio.

### **A Morte e o Legado de Hamurabi**

Por volta de 1755 a.C., quando era o senhor indiscutível da Mesopotâmia, Hamurabi estava velho e doente. Nos últimos anos da sua vida, o seu filho, Samsu-iluna, já tinha assumido as responsabilidades do trono, assumindo o reinado pleno em 1749 a.C. A conquista de Eshnunna removera uma barreira a leste que servira de amortecedor para a região contra incursões de povos como [os Hititas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-163/os-hititas/) e os [Cassitas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-273/cassitas/). Uma vez desaparecida essa barreira, e espalhando-se a notícia do enfraquecimento do grande rei, as tribos orientais prepararam os seus exércitos para a invasão.

[ ![King Hammurabi at Worship](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2473.jpg?v=1779645558) Rei Hamurabi em Adoração Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2473/king-hammurabi-at-worship/ "King Hammurabi at Worship")Hamurabi morreu em 1750 a.C., e Samsu-iluna ficou com a responsabilidade de defender o reino do seu pai contra as forças invasoras, mantendo simultaneamente as várias regiões da Babilónia sob o controlo da cidade da Babilónia; tratava-se de uma tarefa formidável para a qual ele não estava capacitado. O vasto reino que Hamurabi construíra durante a sua vida começou a desmoronar-se um ano após a sua morte, e as cidades que tinham feito parte de estados vassalos reforçaram as suas fronteiras e proclamaram a sua autonomia. Nenhum dos sucessores de Hamurabi conseguiu voltar a unir o reino e, primeiro os Hititas (em 1595 a.C.) e depois os Cassitas, invadiram-no. Os Hititas saquearam a Babilónia, e os Cassitas habitaram-na e mudaram-lhe o nome. Os Elamitas, que tinham sido completamente derrotados por Hamurabi décadas antes, invadiram a região e levaram consigo a estela do Código de Leis de Hamurabi, que foi descoberta na cidade elamita de Susa em 1901.

Hamurabi é hoje recordado principalmente como um legislador cujo código serviu de padrão para leis posteriores, mas, no seu tempo, era conhecido como o governante que unificou a Mesopotâmia sob um único corpo governativo, da mesma forma que [Sargão de Acádia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-625/sargao-de-acadia/) (também conhecido como Sargão, o Grande, reinado 2334-2279 a.C.) o fizera séculos antes. Hamurabi ligou-se a grandes imperialistas como Sargão ao proclamar-se "o rei poderoso, rei da Babilónia, rei das Quatro Regiões do Mundo, rei da [Suméria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-114/sumeria/) e da Acádia, em cujo poder o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) Bel entregou terras e povos, em cujas mãos colocou as rédeas do governo" e, tal como Sargão (e outros), afirmou que o seu domínio legítimo fora ordenado pela vontade dos deuses.

Ao contrário de Sargão, o Grande, cujo império multiétnico era continuamente dilacerado por lutas intestinas, Hamurabi governou um reino cujo povo desfrutou de uma paz relativa após a sua conquista. A académica Gwendolyn Leick escreve:

> Hamurabi continua a ser um dos grandes reis da Mesopotâmia, um diplomata e negociador excecional que foi suficientemente paciente para esperar pelo momento certo e, depois, suficientemente implacável para atingir os seus objetivos sem esgotar demasiado os seus recursos.
> (pág. 83)

É um testemunho do seu governo que, ao contrário de Sargão ou do seu neto Naram-Sin (reinou 2254-2218 a.C.) de tempos anteriores, Hamurabi não teve de reconquistar cidades e regiões repetidamente mas, tendo-as colocado sob o domínio babilónico, estava, na sua maioria, interessado em melhorá-las e em elevar o nível de vida dos habitantes (sendo Mari, naturalmente, uma exceção notável). O seu legado como legislador reflete a sua preocupação genuína com a justiça social e a melhoria da vida do seu povo.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Anglim, S. *Fighting Techniques of the Ancient World 3000 BCEâ€“500CE.* Amber Books, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/1909160466/)
- [Bertman, S. *Handbook to Life in Ancient Mesopotamia.* Oxford University Press, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0195183649/)
- [Bottéro, J. *Everyday Life in Ancient Mesopotamia.* Johns Hopkins University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0801868645/)
- [Durant, W. *Our Oriental Heritage.* Simon & Schuster, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/B00005WJGO/)
- [Kriwaczek, P. *Babylon: Mesopotamia and the Birth of Civilization.* Thomas Dunne Books, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/B00DIKTPXC/)
- [Leick, G. *The A to Z of Mesopotamia.* Scarecrow Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0810875772/)
- [Nemet-Nejat, K. R. *Daily Life in Ancient Mesopotamia.* Baker Academic, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0801047307/)
- [Van De Mieroop, M. *A History of the Ancient Near East, ca. 3000-323 BC.* Wiley-Blackwell, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/111871816X/)
- [Von Soden, W. *The Ancient Orient.* Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 1994.](https://www.worldhistory.org/books/0802801420/)
- [Wise Bauer, S. *The History of the Ancient World.* W. W. Norton & Company, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/039305974X/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **1795 BCE - 1750 BCE**: Reign of [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/), king of [Babylon](https://www.worldhistory.org/babylon/).
- **c. 1792 BCE**: King [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/) builds walls of [Babylon](https://www.worldhistory.org/babylon/).
- **1787 BCE**: [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/) of [Babylon](https://www.worldhistory.org/babylon/) conquers [Uruk](https://www.worldhistory.org/uruk/) and Isin.
- **c. 1772 BCE**: The [Code of Hammurabi](https://www.worldhistory.org/Code_of_Hammurabi/): One of the earliest codes of [law](https://www.worldhistory.org/disambiguation/law/) in the world.
- **c. 1761 BCE**: Zimri-Lim, the last ruler of [Mari](https://www.worldhistory.org/mari/) dies for unknown reasons. His former ally, [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/) of [Babylon](https://www.worldhistory.org/babylon/), captures the [city](https://www.worldhistory.org/city/) of Mari.
- **c. 1760 BCE - c. 1757 BCE**: [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/) of [Babylon](https://www.worldhistory.org/babylon/) destroys the [city](https://www.worldhistory.org/city/) of [Mari](https://www.worldhistory.org/mari/). The people of Mari are spared according to Hammurabi.
- **1755 BCE**: [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/) rules the whole of [Mesopotamia](https://www.worldhistory.org/Mesopotamia/) from [Babylon](https://www.worldhistory.org/babylon/).
- **1750 BCE**: [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/) dies of natural causes.
- **1749 BCE**: [Hammurabi](https://www.worldhistory.org/hammurabi/)'s son, Samsu-Iluna, takes the throne. [Empire](https://www.worldhistory.org/empire/) begins to fall apart.

## Perguntas & Respostas

### Quem foi Hamurabi?
Hammurabi foi um rei amorita da antiga Babilónia que conquistou e governou toda a Mesopotâmia durante o seu reinado, entre 1792 e 1750 a.C.

### Por que é que Hamurabi é famoso?
Hammurabi é famoso pelo seu código de leis, redigido por volta de 1722 a.C. 

### Será o Código de Hamurabi o código legal mais antigo do mundo?
Não. O Código de Ur-Nammu (redigido por volta de 2100-2050 a.C.) é o código legal mais antigo do mundo. 

### Como morreu Hamurabi?
Hammurabi morreu de causas naturais em 1750 a.C. 


## Links Externos

- [How the Code of Hammurabi Worked](http://www.missedinhistory.com/podcasts/how-the-code-of-hammurabi-worked.htm)
- [Hammurabi's Code of Laws](http://ed.ted.com/on/LY8CVQZm)
- [Babylon | Essay | The Metropolitan Museum of Art | Heilbrunn Timeline of Art History](https://www.metmuseum.org/toah/hd/babl/hd_babl.htm)
- [List of Rulers of Mesopotamia | Lists of Rulers | Heilbrunn Timeline of Art History | The Metropolitan Museum of Art](https://www.metmuseum.org/toah/hd/meru/hd_meru.htm)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, May 22). Hamurabi: Conquistador, Rei e Legislador. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-150/hamurabi/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Hamurabi: Conquistador, Rei e Legislador." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 22, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-150/hamurabi/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Hamurabi: Conquistador, Rei e Legislador." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 22 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-150/hamurabi/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 22 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

