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title: Syracusia
author: Stella Nenova
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14115/syracusia/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-15
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# Syracusia

_Escrito por [Stella Nenova](https://www.worldhistory.org/user/ancientworldalive/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A *Syracusia* foi uma antiga embarcação concebida por Arquimedes no século III a.C. Era celebrada por ser uma das maiores embarcações alguma vez construídas na Antiguidade e por ostentar uma sumptuosa decoração em madeiras exóticas e mármore, além de torres, estátuas, um ginásio, uma biblioteca e até um templo.

### Uma Nova Abordagem

A navegação antiga é habitualmente entendida como uma navegação marítima de cabotagem. O termo provém do verbo francês *caboter*, que significa "viajar ao longo da costa". Os povos da Antiguidade (egípcios, gregos e romanos) navegavam, regra geral, seguindo a linha da costa e não corriam o risco de se aventurar demasiado em alto-mar. Contudo, existem fontes que confirmam a existência de exceções, tendo a primeira ocorrido logo no século III a.C.

Na Sicília, sob o reinado de Hierão II de Siracusa (270 – 215 a.C.), foi construído um navio de dimensões impressionantes. Os materiais empregues na construção dessa embarcação colossal equivaliam aos necessários para 60 navios comuns. Mais ainda, essa embarcação destinava-se a abandonar as rotas costeiras protegidas e a atravessar o mar Mediterrâneo. O navio recebeu o nome de *Syracusia* e representou aquilo a que se poderia chamar "o primeiro paquete da Antiguidade".

### Arquimedes

Arquimedes de Siracusa foi um antigo cientista e inventor que viveu entre 287 e 212 a.C. No seu livro *Sobre os Corpos Flutuantes* (tít. original: *Ὀχουμένων*; transliterado: *Ochoumenōn*), escrito por volta de 250 a.C., descreveu alguns dos princípios da hidrostática que tinha descoberto. Encontrava-se ocupado com esta investigação em particular quando, segundo consta, pronunciou o seu famoso "Eureka!" e começou a correr nu (uma vez que estava no banho). Essa história poderá ter sido um pouco exagerada por Vitrúvio, que foi a primeira fonte [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) desse episódio mais de um século mais tarde, mas é certo que Arquimedes realizou grandes invenções científicas que lhe valeram uma fama duradoura como um dos principais eruditos da Antiguidade.

Arquimedes convenceu-se a corresponder-se com o governante de Siracusa, o rei Hierão II. Numa carta, gabou-se das suas capacidades para mover qualquer objeto pesado no mundo que desejasse. "Dá-me um ponto onde apoiar-me e moverei a Terra!" (*ΔΟΣ ΜΟΙ ΠΑ ΣΤΩ ΚΑΙ ΤΑΝ ΓΑΝ ΚΙΝΑΣΩ*) declarou, atraindo imediatamente a atenção do rei de Siracusa. Impressionado com o saber do célebre erudito, Hierão II decidiu encarregar-lo de uma tarefa especial: conceber um navio, o maior que conseguisse inventar. Arquimedes esforçou-se ao máximo e superou todas as expectativas.

### *Syracusia*

Quando Arquias de [Corinto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-218/corinto/) construiu o navio de acordo com os planos de Arquimedes, verificou-se que era tão grande que nenhum porto da Sicília era suficientemente vasto para o acolher. Hierão II teve de ponderar demoradamente o que fazer com ele. Por fim, decidiu enviar a embarcação como presente a Ptolomeu, o rei do Egito. O porto de Alexandria afigurou-se como o único capaz de albergar esta maravilhosa construção. Consequentemente, o navio, originalmente chamado *Syracusia*, foi rebatizado como *Alexandria* e preparado para o carregamento.

Ateneu, na sua obra Δειπνοσοφισταί (transliterado; *Deipnosophistaí* -*Deipnosofistas*), citou a única descrição da embarcação e da sua carga, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) pelo historiador Mosquion de Fasélis. De acordo com o seu relato, a *Syracusia/Alexandria* transportava:

- 60 000 medidas de trigo
- 10 000 ânforas de peixe salgado da Sicília
- 20 000 talentos de peso em lã (500 000 a 600 000 kg)
- 20 000 talentos de outra carga (500 000 a 600 000 kg)
- 2000 medidas de água num reservatório para beber e tomar banho

Além de tudo isto, a bordo seguiam também a tripulação, os passageiros, os soldados e até cavalos.

### As Dimensões

As características conhecidas sobre *Syracusia*, baseadas nos relatos de Ateneu, são as seguintes:

1. Comprimento: 55 m (180 pés), embora algumas outras fontes apontem para 110 m (360 pés).
2. Capacidade de carga: entre 1600 e 1800 toneladas, além de 1940 passageiros, guerreiros e tripulantes, bem como 20 cavalos com baias individuais para cada um.
3. Madeira utilizada: equivalente ao material necessário para 60 trirremes padrão (com 40 m de comprimento e 6 m de largura).
4. Período de construção: 1 ano, com o trabalho de 300 operários.

Conhecemos a tendência dos autores antigos para exagerar nos factos ao descreverem algo extraordinário. Ainda assim, *Syracusia* terá sido, sem dúvida, uma embarcação notável. Contam-se histórias sobre a sua descida à água, que parecia impossível pelos meios convencionais da época. O navio simplesmente não conseguia ser retirado da doca, independentemente do número de homens empregues na tarefa. Arquimedes voltou a surpreender Hierão II: conseguiu lançar o navio à água sozinho, recorrendo a um sistema de polias (o sistema de cadernais e polias foi uma das muitas inovações tecnológicas do erudito siracusano).

### O Interior Maravilhoso

O tamanho de *Syracusia* não era o único aspeto impressionante que o caracterizava. Segundo Mosquion, as comodidades do navio teriam deixado pasmados até os passageiros modernos e os entusiastas de cruzeiros. Pois, figuravam entre os materiais descritos madeira de cipreste, madeira de citrinos e marfim. Além disso, todos os compartimentos tinham pavimentos compostos por trabalhos em mosaico de todo o tipo de pedras. Estes ilustravam a história completa da *[Ilíada](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-226/iliada/)* (tít. original: *Ἰλιάς*; transliterado: *Iliás*) e representavam, de facto, a mais antiga representação em mosaico referida na literatura. Incontáveis desenhos e estátuas, taças e vasos adornavam o espaço interior da *Syracusia*; que era equipado com uma biblioteca e sala de leitura, uma sala de estar, um ginásio, uma casa de banho, uma sala de jantar e espaços de cozinha com despensas de madeira, fornos e moinhos. Perto da proa da embarcação, existia uma cisterna de água doce para beber e tomar banho (com uma capacidade calculada em cerca de 78 toneladas). Junto a esta cisterna havia um viveiro de peixes de água salgada embutido, repleto de peixe para uso do cozinheiro.

O convés superior não era sustentado por [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) comuns, mas sim por estátuas de [Atlas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11850/atlas/) (o Titã que sustentava o céu na [mitologia grega](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11221/mitologia-grega/)) com cerca de 3 metros (seis côvados) de altura. Ao longo do convés mais alto, havia passeios com jardins de vários tipos de flores e plantas. Algumas zonas encontravam-se ensombradas por telhados de telha; outras tinham tendas cobertas com ramos de [hera](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10295/hera/) branca e videira. As raízes das plantas estavam enterradas em barris especiais cheios de terra e eram regadas regularmente. Os magníficos passeios conduziam a um templo dedicado a [Afrodite](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-494/afrodite/), com um pavimento de pedra de ágata, mobilado da maneira mais requintada com estátuas e pinturas. No segundo convés, encontravam-se também dispostas 142 camarotes para passageiros de primeira classe.

A tripulação e cerca de 200 (segundo outros, 400) soldados ficavam alojados no convés inferior. Vinte baias de cavalos individuais também faziam parte dessa área. O navio estava igualmente bem protegido. Havia oito torres com quatro homens e dois archeiros em cada uma. Entre 200 e 400 soldados aguardavam ordens num convés especial situado na proa da embarcação, onde estava montada uma catapulta gigante. Foi construída uma paliçada a toda a volta do navio para evitar tentativas de abordagem. Quatro âncoras de madeira e oito de ferro garantiam a sua segurança no porto.

Infelizmente, a *Syracusia* navegou apenas uma vez — nessa viagem da Sicília para o norte de África. Não se sabe ao certo o que lhe aconteceu depois disso, pois nunca mais voltou a ser mencionado em quaisquer fontes históricas posteriores.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Anonymous. *Oxford English Dictionary.* Oxford University Press, 1984
- Athenaeus. *Deipnosophistae (Loeb Classical Library).* Harvard University Press, 1927

## Sobre o Autor

Tenho uma graduação em Clássicos e PhD em História Antiga. Ensino Latim e Grego na universidade há cinco anos. Sou apaixonada por cada aspecto das antigas civilizações grega e romana.
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## Histórico

- **287 BCE - 212 BCE**: Life of [Archimedes](https://www.worldhistory.org/Archimedes/), physician, mathematician and engineer.

## Cite Este Artigo

### APA
Nenova, S. (2026, August 15). Syracusia. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14115/syracusia/>
### Chicago
Nenova, Stella. "Syracusia." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 15, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14115/syracusia/>.
### MLA
Nenova, Stella. "Syracusia." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 15 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14115/syracusia/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 15 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

