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title: Mahabalipuram
author: Dola RC
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14098/mahabalipuram/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-02
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# Mahabalipuram

_Escrito por [Dola RC](https://www.worldhistory.org/user/dolaraic/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Mahabalipuram ou Mamallapuram é uma cidade histórica e Património Mundial da UNESCO em Tamil Nadu, na Índia. Durante o reinado da dinastia Pallava, entre o século III e o século VII, tornou-se um importante centro de arte, arquitetura e literatura. Mahabalipuram já era um porto de mar próspero na Baía de Bengala antes deste período. Uma quantidade significativa de moedas e outros artefactos escavados nesta região indica também uma relação comercial pré-existente com os romanos, mesmo antes de se tornar parte do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Pallava.

### A História Antiga

A história antiga de Mahabalipuram está completamente envolta em mistério. Os antigos navegadores consideravam este lugar a terra das Sete Pagodas. Há outros que pensam que Mahabalipuram sofreu uma grande inundação entre 10 000 e 13 000 a.C. O controverso historiador Graham Hancock foi um dos membros principais de uma equipa de mergulhadores do Instituto Nacional de Oceanografia da Índia e da Sociedade de Exploração Científica sediada em Dorset, no Reino Unido, que examinou o leito oceânico perto de Mahabalipuram em 2002. Ele está mais inclinado a acreditar na teoria da inundação. A sua exploração proporcionou-lhe também um vislumbre claro da vastidão das ruínas submersas da cidade. Após a sua exploração submarina, terá comentado: “Defendi durante muitos anos que os mitos de inundações do mundo merecem ser levados a sério, uma opinião que a maioria dos académicos ocidentais rejeita... Mas aqui em Mahabalipuram, provámos que os mitos têm razão e que os académicos estão errados.”

Existem também muitas opiniões sobre a origem do nome do local. A explicação mais popular é que o lugar recebeu o nome do rei benevolente Bali, também conhecido como Mahabali. O antigo texto indiano *Vishnu Puran* documenta as suas façanhas. Após sacrificar-se a Vaman, uma encarnação de Vishnu, alcançou a libertação. "Puram" é um termo sânscrito para uma cidade ou povoado urbano. Mamallapuram é a versão em prácrito do nome sânscrito original.

Durante o reinado de Mahendravarman I (600–630), Mahabalipuram floresceu como um centro de arte e cultura. Ele próprio era um conhecido poeta, dramaturgo e orador. O seu patrocínio ajudou a criar vários dos marcos mais emblemáticos da cidade. Este período de excelência artística foi devidamente continuado pelo seu filho Narasimhavarman I (630–680) e pelos subsequentes reis Pallava.

### As Obras-Primas de Arte e Arquitetura

**Templos Rupestres**

O Templo Rupestre de Adi Varaha Perumal é a mais antiga de todas as estruturas Pallava em Mahabalipuram, mas também a menos visitada. A grandiosidade do *mandapa* (pavilhão) original está oculta por trás de uma estrutura de aspeto bastante comum de data posterior. A construção deste local começou antes do reinado de Mahendravarman I. O templo é dedicado a Vishnu (Varaha é uma encarnação de Vishnu) e a sua execução segue o espírito dos textos *ágamos vaishnavas*. Tanto o salão exterior como o santuário estão adornados com elaborados relevos escultóricos. Este templo alberga duas esculturas em relevo de reis Pallava, Simhavishnu (cerca de 537–570) e Mahendravarman I, acompanhados pelas respetivas mulheres.

A Gruta de Trimurti é dedicada à trindade de Brahma, Vishnu e Maheswara ([Shiva](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10216/shiva/)), representando o processo de criação, manutenção e destruição. Para além da divindade, as [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) esculpidas e as esculturas mostram também devotos em várias posturas. As grutas de Varaha e Krishna exibem contos míticos relacionados com Vishnu e Krishna.

A Gruta de Mahishasuramardini pode ser encontrada num local no topo de uma colina. Mahishasuramardini é outro nome da deusa Durga, que é uma encarnação de *Shakti* (poder), cujo nome advêm após a vitória sobre o demónio Mahishasura. Esta é a segunda gruta dedicada a Durga, juntamente com a Gruta de Kotikal.

Tecnicamente falando, a Gruta Yali ou do Tigre pode não ser uma fissura geográfica, mas ostenta um conjunto de pilares e esculturas desenhados com o máximo esmero, representando várias criaturas míticas, leões e tigres. Esta gruta possui também um relevo escultórico dedicado a Narasimhavarman II ou Rajasimha (700–728). Em muitospetos, a Gruta do Tigre sintetiza a evolução das estruturas de templos rupestres dos Pallava ao longo do tempo.

[ ![Descent of the Ganges](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4126.jpg?v=1715145843) Descida do Ganges Jean-Pierre Dalbéra (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/4126/descent-of-the-ganges/ "Descent of the Ganges")**Descida do [Ganges](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13773/ganges/)**

Alternativamente conhecida como Penitência de Arjuna, a Descida do Ganges é um gigantesco baixo-relevo ao ar livre esculpido em granito cor-de-rosa. Esta dramática escultura em relevo narra histórias de epopeias indianas, como o *[Mahabharata](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12122/mahabharata/)*. Os *mandapas* próximos, em particular o Mandapa de Krishna, exibem no entanto cenas de vida pastoril em redor de figuras míticas. Outras obras de arte rupestre semelhantes nas imediações ficaram inacabadas devido a alguma razão inexplicável.

**Pancha Ratha**

Os Pancha Ratha (cinco carruagens) constituem uma ode arquitetónica aos cinco irmãos Pandava do *Mahabharata* — Yudhistir, Bhima, Arjuna, Nakula, Sahadeva — e à respetiva mulher, Draupadi. Temática e estruturalmente, cada ratha é significativamente diferente dos restantes, mas todos foram esculpidos a partir de uma única pedra longa ou monólito. Distribuídos por um a três pisos, as suas formas variam de quadradas a apsidais. As paredes destes antigos edifícios estão decoradas com baixos-relevos e murais. Um elefante (*airavata*) e um touro (*nandi*) monolíticos, lindamente esculpidos, decoram o recinto. Embora tivessem sido originalmente concebidos como locais de culto, nunca foram consagrados nem utilizados ativamente para quaisquer ritos sagrados.

**Templo da Costa**

O Templo da Costa situa-se na praia e, se a tradição local for merecedora de crédito, é a única estrutura sobrevivente das lendárias Sete Pagodas. Apesar dos efeitos erosivos contínuos do ar marítimo húmido e salgado, o Templo da Costa preserva a sua beleza em muitas partes. Construído entre 700 e 728, durante o reinado de Narasimhavarman II, este monumento constitui efetivamente um vestígio de um complexo maior de templos e estruturas civis, grande parte do qual jaz atualmente sob a profundidade do mar.

[ ![Shore Temple, Mahabalipuram](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5283.jpg?v=1611825303) Templo da Costa, Mahabalipuram Arian Zwegers (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/5283/shore-temple-mahabalipuram/ "Shore Temple, Mahabalipuram")Este edifício de cinco andares está situado de tal forma que os primeiros raios do sol nascente incidem sobre a divindade tutelar do templo, Shiva. Os visitantes entram no recinto através de um *gopuram* (pórtico de entrada) em forma de abóbada de berço. O *shikhara* (telhado) do santuário principal assemelha-se a uma estrutura piramidal. Tal como outras estruturas notáveis em Mahabalipuram, esta também se encontra embelezada com intrincados baixos-relevos. Esculturas monolíticas também se encontram dispersas pelo complexo do templo.

**Templo de Olakkanneshvara**

Também conhecido como Templo de Olakkanatha, o Templo de Olakkanneshvara (Templo de Shiva, alusivo ao terceiro olho de Shiva) foi construído sensivelmente na mesma altura que o Templo da Costa. Situa-se no alto de uma colina, a alguma distância da praia, o que deu origem à crença de que funcionou como um farol em tempos antigos. Está igualmente construído no topo da Gruta de Mahishasuramardini, mas tratam-se de duas estruturas distintas erguidas em momentos diferentes.

### Mahabalipuram Hoje

Existe outra estrutura curiosa conhecida como a Manteiga de Krishna que fascina todos em Mahabalipuram. Não se trata de uma peça esculpida, mas sim de uma obra da natureza. Hoje, Mahabalipuram tenta reinventar-se como a principal estância balnear do país, mas não perdeu totalmente o contacto com as suas façanhas culturais do passado. Todos os anos, acolhe festivais de dança clássica e teatro para preservar e promover a herança de uma cultura milenar.

Ironia do destino, enquanto o tsunami de 2004 causou danos substanciais nas estruturas existentes e deixou a cidade inundada durante dias, também desenterrou alguns dos tesouros há muito escondidos no seio do mar. Esculturas em granito, estátuas de bronze e ruínas do que parecem ser estruturas artificiais vieram à tona. O arqueólogo subaquático Dr. Alok Tripathi comentou: “À medida que as ondas do tsunami recuavam, varreram os depósitos de areia que tinham coberto estas esculturas durante séculos.” A prospeção subaquática em Mahabalipuram é um processo contínuo que promete revelar muitos mais dos grandes edifícios da cidade e resolver algumas das questões de longa data sobre o seu passado.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [The Shore Temple â€“ An Aesthetic Architectural Ecstasy](http://ijrest.net/downloads/16112014/pid-16201428.pdf "The Shore Temple â€“ An Aesthetic Architectural Ecstasy"), accessed 1 Dec 2016.
- [Tsunami Uncovers Ancient Sculptures in Mahabalipuram](http://www.downtoearth.org.in/coverage/tsunami-uncovers-ancient-sculptures-in-mahabalipuram-in-tamil-nadu-8006 "Tsunami Uncovers Ancient Sculptures in Mahabalipuram"), accessed 1 Dec 2016.
- [UNESCO World Heritage](http://whc.unesco.org/en/list/249/ "UNESCO World Heritage"), accessed 1 Dec 2016.
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- [Coomaraswamy, A.K. *The Wisdom of Ananda Coomaraswamy.* World Wisdom, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/1935493957/)
- [Jagadisa Ayyar, P.V. *South Indian shrines.* Asian Educational Services, 1982, 157.](https://www.worldhistory.org/books/B007F6SXMO/)

## Sobre o Autor

Dola é uma escritora, artista plástica formada e entusiasta de arte e história. Utiliza as suas competências para criar histórias cativantes relacionadas com a arte, a arquitetura, a cultura e a história para a revista digital 'Lucky Compiler' e respetivo blogue, e ao respetivo blogue, que coadministra.
- [X/Twitter Profile](https://twitter.com/dolarc)

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### APA
RC, D. (2026, August 02). Mahabalipuram. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14098/mahabalipuram/>
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RC, Dola. "Mahabalipuram." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 02, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14098/mahabalipuram/>.
### MLA
RC, Dola. "Mahabalipuram." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 02 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14098/mahabalipuram/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 02 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

